{"id":7551,"date":"2024-06-06T17:57:27","date_gmt":"2024-06-06T20:57:27","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/conforto-acustico-em-ambientes-de-saude-musica-paisagismo-e-materiais-de-revestimento-como-solucoes-humanizadoras\/"},"modified":"2024-06-06T18:02:30","modified_gmt":"2024-06-06T21:02:30","slug":"conforto-acustico-em-ambientes-de-saude-musica-paisagismo-e-materiais-de-revestimento-como-solucoes-humanizadoras","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/conforto-acustico-em-ambientes-de-saude-musica-paisagismo-e-materiais-de-revestimento-como-solucoes-humanizadoras\/","title":{"rendered":"Conforto Ac\u00fastico em Ambientes de Sa\u00fade: M\u00fasica, Paisagismo e Materiais de Revestimento como Solu\u00e7\u00f5es Humanizadoras"},"content":{"rendered":"<h2><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\r\n<div>Em edifica\u00e7\u00f5es para servi\u00e7os de sa\u00fade, onde \u00e9 frequente a ocorr\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas e estressantes, envolvendo rela\u00e7\u00f5es interpessoais e indiv\u00edduos com algum grau de sofrimento f\u00edsico e\/ou ps\u00edquico, os fatores ambientais que definem as condi\u00e7\u00f5es de conforto (ac\u00fastica, visual, higrot\u00e9rmica e ergon\u00f4mica) assumem responsabilidades significativas durante o desenvolvimento da concep\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O presente trabalho \u00e9 uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica narrativa que visa descrever e discutir as quest\u00f5es relativas ao conforto ac\u00fastico, vinculando-o \u00e0s responsabilidades projetuais arquitet\u00f4nicas que possibilitem melhores resultados assistenciais para os servi\u00e7os de sa\u00fade (ROTHER, 2007; POPE, 2005). Destacam-se os aspectos conceituais do ru\u00eddo e os consequentes riscos \u00e0 sa\u00fade, a utiliza\u00e7\u00e3o do paisagismo, da m\u00fasica e dos materiais de revestimento e sua aplica\u00e7\u00e3o no projeto arquitet\u00f4nico, considerando os riscos e agravos \u00e0 sa\u00fade que os justificam como fatores essenciais ao conforto humano.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O ambiente hospitalar vive a paradoxal situa\u00e7\u00e3o de ser simultaneamente um local que exige condi\u00e7\u00f5es de conforto ac\u00fastico especiais, com n\u00edveis de ru\u00eddo que atendam \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es estabelecidas pelas normas t\u00e9cnicas e, por outro lado, ser tamb\u00e9m, um local com componentes situacionais e equipamentos que produzem condi\u00e7\u00f5es extremamente ruidosas.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Um constante dilema funcional com demandas diversas e solu\u00e7\u00f5es envoltas em m\u00faltiplos aspectos f\u00edsico-funcionais.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Atividades intelectuais e procedimentos terap\u00eauticos que exijam aten\u00e7\u00e3o para aplica\u00e7\u00e3o dos seus processos necessitam de concentra\u00e7\u00e3o e, portanto, ambientes ruidosos podem interferir diretamente tanto na qualidade do diagn\u00f3stico quanto no processo terap\u00eautico. Motivos t\u00e9cnicos e aspectos da sa\u00fade humana que justificam o importante interesse contempor\u00e2neo no assunto.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<h2><b>1 Desenvolvimento<\/b><\/h2>\r\n<div><b>&nbsp;<\/b><\/div>\r\n<h3>1.1 Refer\u00eancias conceituais e projetuais<\/h3>\r\n<div>O arquiteto e engenheiro Jarbas Karman, escritor e pesquisador das quest\u00f5es do ambiente hospitalar, considerava que dentre os \"<i>v\u00edcios de origem<\/i>\" da constru\u00e7\u00e3o dos estabelecimentos de sa\u00fade, os ru\u00eddos e as vibra\u00e7\u00f5es deixam poucas alternativas de solu\u00e7\u00f5es posteriores para a manuten\u00e7\u00e3o e a seguran\u00e7a. Ele caracteriza os locais e equipamentos prediais e especiais das instala\u00e7\u00f5es hospitalares como \"<i>agrupamento barulhento<\/i>\" e que requerem implanta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica com delimita\u00e7\u00f5es de localiza\u00e7\u00e3o adequadas (KARMAN, 2011, p. 78).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:140614388014061438801097211808.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>Figuras 1 - Florence Nightingale atende pacientes no Hospital Militar de Scutari, 1854.&nbsp;<\/div>\r\n<div>Fonte: Wellcome Library, V0004315.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>De acordo com a enfermeira anglo-italiana Florence Nightingale, autora do livro&nbsp;<i>Notes on Hospital<\/i>, publicado em 1856, as quest\u00f5es dos cuidados terap\u00eauticos com o paciente estavam intimamente vinculadas \u00e0 qualidade do ambiente. Aspectos vinculados \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o zenital, disposi\u00e7\u00e3o dos leitos para aproveitamento da ventila\u00e7\u00e3o natural e prote\u00e7\u00e3o ac\u00fastica fariam parte da assist\u00eancia. Para Florence o \"<i>ru\u00eddo desnecess\u00e1rio \u00e9 a mais cruel aus\u00eancia de cuidado<\/i>\" (apud HOSKING, 1999, p.163).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Algumas pesquisas realizadas sobre \"<i>controle de ru\u00eddos em hospitais<\/i>\" em institui\u00e7\u00f5es da Inglaterra e publicadas pelo King'sFundReport demonstraram que para se conseguir conforto ac\u00fastico \"<i>o fator mais simples a ser controlado \u00e9 a disciplina sobre a equipe de profissionais de sa\u00fade<\/i>\" (HOSKING, 1999, p. 163\/4). Campanhas para atenua\u00e7\u00e3o dos ru\u00eddos em ambientes de sa\u00fade s\u00e3o pr\u00e1ticas recorrentes que devem ser incentivadas e n\u00e3o podem sofrer descontinuidade, conforme pode ser observado nas figuras 2 a 6.&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:140614389414061438940397688384.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>Figura 2 - Cartaz sobre o tema \"Controle de ru\u00eddos em Hospitais\", em uma campanha contra ru\u00eddos, elaborado por \"Fougasse\" (Cyril KenethBird) para o King's Fund.<\/div>\r\n<div>Fonte: Hosking, 1999, p. 164.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>As quest\u00f5es relacionadas aos barulhos decorrentes da concep\u00e7\u00e3o projetual e da constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio hospitalar podem determinar a exist\u00eancia de solu\u00e7\u00f5es complexas ou muitas vezes \"<i>mais um hospital doente<\/i>\", segundo Karman em suas avalia\u00e7\u00f5es sobre os v\u00edcios de origem dos hospitais (KARMAN, 2011, p. 79).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A compreens\u00e3o do conforto ac\u00fastico vincula-se diretamente ao entendimento e distin\u00e7\u00e3o do que seja ru\u00eddo e seus impactos na sa\u00fade, seguran\u00e7a e bem-estar. Uma conceitua\u00e7\u00e3o mais convencional, segundo diversos autores, define o ru\u00eddo como um \"<i>som indesej\u00e1vel<\/i>\" ou \"<i>som desagrad\u00e1vel<\/i>\" (NORD, 2012; BITENCOURT, 2011; IIDA, 2005; SOUZA, 2003; DOMEN\u00c8CH, 2002; BERNASCONI, 2001; GRANDJEAN, 1998).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>De acordo com o pesquisador alem\u00e3o e estudioso de ac\u00fastica W. Hawell, \"<i>o som \u00e9 inc\u00f4modo quando ele n\u00e3o \u00e9 percebido pela pessoa alvo como concordante com os interesses moment\u00e2neos desta pessoa<\/i>\" (GRANDJEAN, 1998, p. 263) e, portanto, pode ser classificado como um ru\u00eddo, um som indesej\u00e1vel. Ou ainda, conforme defini\u00e7\u00e3o apresentada pelo professor ItiroIida, \"<i>o ru\u00eddo \u00e9 um est\u00edmulo auditivo que n\u00e3o cont\u00e9m informa\u00e7\u00f5es \u00fateis para a tarefa em execu\u00e7\u00e3o<\/i>\" (2005, p. 239).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:140614389914061438998256940163.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>Figuras 3, 4, 5 e 6 - Refer\u00eancias de cartazes de campanhas pelo sil\u00eancio em hospitais. Fonte: http:\/\/ihm.nlm.nih.gov (1943), 2014; HNSC, 2012.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A toler\u00e2ncia ao ru\u00eddo \u00e9 geralmente menor durante o per\u00edodo de adoecimento e \"<i>a exig\u00eancia do sil\u00eancio em hospitais \u00e9 uma das tradi\u00e7\u00f5es mais antigas no cuidado com o doente<\/i>\" (HOSKING, 1999, p.163). Assim, o controle sobre os ru\u00eddos deve ser uma importante estrat\u00e9gia de qualidade do conforto para todos os usu\u00e1rios (profissionais de sa\u00fade, pacientes e visitantes), pois os ru\u00eddos est\u00e3o sempre vinculados a uma relevante fonte de estresse.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<h3>1.2 O ru\u00eddo e os agravos \u00e0 sa\u00fade<\/h3>\r\n<div>Entender o fen\u00f4meno som e como ele se propaga \u00e9 fundamental para que se possa estabelecer as devidas barreiras e sistemas de prote\u00e7\u00e3o necess\u00e1rios \u00e0 qualidade<\/div>\r\n<div>Ac\u00fastica exigida para o bem-estar humano. O n\u00edvel de intensidade sonora (NIS) \u00e9 definido a partir da pot\u00eancia do som e \u00e9 expresso em decib\u00e9is (dB) em uma curva A, que reflete a mais pr\u00f3xima da audibilidade humana, e deve ser assim expresso dB(A). As unidades de ondas sonoras medidas em uma determinada escala de tempo s\u00e3o definidas como frequ\u00eancias sonoras e expressas em Hertz (Hz) (ABRAH\u00c3O, 2009; IIDA, 2005; SOUZA, 2003; GRANDJEAN,1998).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Para a melhor compreens\u00e3o do impacto ac\u00fastico nos ambientes onde s\u00e3o realizados servi\u00e7os de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade \u00e9 fundamental o entendimento do conceito dos ru\u00eddos gerados por fontes sonoras interferentes. Tais ru\u00eddos s\u00e3o definidos pela Norma T\u00e9cnica Brasileira - NBR 12179, como \"<i>de ocorr\u00eancia alheia, ou tempor\u00e1ria, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 finalidade mais caracter\u00edstica de utiliza\u00e7\u00e3o do recinto em que se avalia o ru\u00eddo ambiente<\/i>\" (2003, p. 2). Levando-se em conta que quaisquer ru\u00eddos de ocorr\u00eancia alheia ou tempor\u00e1ria podem ter impacto na qualidade do conforto humano dos usu\u00e1rios de edifica\u00e7\u00f5es para servi\u00e7os de sa\u00fade, eles devem ser inseridos na caracteriza\u00e7\u00e3o do ru\u00eddo a ser considerado, medido e efetivamente inclu\u00eddo na avalia\u00e7\u00e3o ac\u00fastica com vistas ao seu controle.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:140614393514061439356717416841.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>Figura 7- Limiar da audi\u00e7\u00e3o e da dor em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de intensidade do som (dB [A]) e da frequ\u00eancia sonora (Hz). Fonte: WOODSON, 1992.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Ao mesmo tempo, a relev\u00e2ncia do impacto dos ru\u00eddos nas atividades realizadas em estabelecimentos assistenciais de sa\u00fade (EAS), por serem eles frequentemente recorrentes, evidencia que devam ser considerados como interferentes na percep\u00e7\u00e3o do conforto humano relativo \u00e0 ac\u00fastica. O sinal sonoro de telefones fixos e celulares, os ru\u00eddos provenientes de carrinhos com material da enfermagem, as conversas entre os profissionais de sa\u00fade, o sinal sonoro de monitores, bem como demais referenciais sonoros produzidos pelos equipamentos m\u00e9dico-hospitalares devem ser considerados como parte integrante do conjunto de ru\u00eddos produzidos nos ambientes de sa\u00fade (SOUZA, 2003; BERNASCONI, 2001).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Com efeito, decorrente das caracter\u00edsticas dos ru\u00eddos identificados como inerentes ao ambiente e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o das atividades funcionais, pode-se inferir que tais sons sejam inerentes e n\u00e3o interferentes, ou&nbsp;<i>fontes sonoras interferentes<\/i>&nbsp;como definido na NBR 12179 (ABNT, 1992).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Nos ambientes de sa\u00fade e especificamente nos centros obst\u00e9tricos, as atividades inerentes ao nascimento fazem com que a mulher, em raz\u00e3o das dores provenientes do trabalho de parto, possa produzir sons, gemidos e gritos, com n\u00edveis de press\u00e3o sonora que soem inc\u00f4modo aos profissionais de sa\u00fade respons\u00e1veis pelos procedimentos obst\u00e9tricos. N\u00edvel de Press\u00e3o Sonora (PA) que pode ser entendido como a representa\u00e7\u00e3o da medida das oscila\u00e7\u00f5es de press\u00e3o que se movem em determinada faixa de frequ\u00eancia e intensidade e que podem ser percebidas pelo ouvido humano, ou conforme IIDA (1997, p.240) a \"<i>intensidade de uma sensa\u00e7\u00e3o sonora<\/i>\".<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Para o m\u00e9dico e professor J. C. Yoder, da Pritzker Escola de Medicina da Universidade de Chicago, os ru\u00eddos produzidos em ambientes hospitalares colocam os pacientes em condi\u00e7\u00f5es de risco. Ele recomenda que \"<i>hospitais deveriam implementar interven\u00e7\u00f5es para reduzir os ru\u00eddos noturnos em um esfor\u00e7o para promover a satisfa\u00e7\u00e3o e a recupera\u00e7\u00e3o do paciente, pois reduzir ru\u00eddos pode ser uma forma simples de adotar h\u00e1bitos cuidadosos<\/i>\" (YODER, 2012, p.1). Alguns procedimentos recomendados em seu trabalho orientam a enfermagem \u00e0s seguintes pr\u00e1ticas:<\/div>\r\n<div>\r\n<ol>\r\n<li>perguntar aos pacientes sobre o melhor hor\u00e1rio para realizar a higiene e h\u00e1bitos pessoais;<\/li>\r\n<li>manter portas fechadas e ilumina\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o reduzida com intensidade suficiente para permitir as atividades noturnas;<\/li>\r\n<li>recomendar a redu\u00e7\u00e3o de conversas de grupos na \u00e1rea de circula\u00e7\u00e3o.<\/li>\r\n<\/ol>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<h3>1.3 A paisagem e o sil\u00eancio<\/h3>\r\n<div>A utiliza\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es paisag\u00edsticas pode ser uma alternativa importante na abordagem do cuidado com a preven\u00e7\u00e3o, controle e redu\u00e7\u00e3o dos ru\u00eddos. Quando implantadas em locais com urbaniza\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica que vierem a ficar &nbsp;ruidosos ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o da unidade hospitalar, as solu\u00e7\u00f5es paisag\u00edsticas podem apresentar resultados positivos amenizando o som do tr\u00e2nsito, ao mesmo tempo em que transferem melhorias clim\u00e1ticas e tornam o ambiente mais humano (NORD, 2012, 2009; ULRICH, 2001, 2002; DOMEN\u00c8CH, 2002).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:140614405214061440529966502832.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>Figura 8 - Implanta\u00e7\u00e3o privilegiando a prote\u00e7\u00e3o paisag\u00edstica e ac\u00fastica no entorno do Haga Hospital (930 leitos), Haia, Holanda - The Volker Wessels Haga Consortium. Fonte: http:\/\/www.heartbeat5.nl\/facilities.asp-Service=Haga%20Hospital&amp;ID=4, 2014.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O arquiteto e pesquisador Francesc Daumal i Dom\u00e8nech, da Universidade da Catalunha, Espanha, defende a relev\u00e2ncia da arboriza\u00e7\u00e3o no entorno da edifica\u00e7\u00e3o como importante promotor do conforto ac\u00fastico na medida em que \"<i>somente o fato de tapar a vis\u00e3o do ve\u00edculo, psicologicamente o usu\u00e1rio deste territ\u00f3rio percebe como menor a chegada da energia sonora<\/i>\" (2002, p.157).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Um som que n\u00e3o desejamos pode ser perfeitamente amenizado pela ambienta\u00e7\u00e3o paisag\u00edstica e pelos resultados que a arboriza\u00e7\u00e3o, decorrente de sua densidade, pode estabelecer como barreira. Domen\u00e8ch destaca tamb\u00e9m que a imagem de uma \"<i>montanha pelada<\/i>\" remete \u00e0 aus\u00eancia de vida vegetal e, portanto, sequer \u00e9 necess\u00e1rio dizer o quanto um \"<i>bosque muito denso contribui para a verdadeira barreira ac\u00fastica que amortece perfeitamente o som que poderia invadir o territ\u00f3rio<\/i>\" (2002, p.157).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A abordagem sobre paisagismo e controle de ru\u00eddos \u00e9 tratada com destaque nas normas t\u00e9cnicas para edifica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade do Reino Unido,&nbsp;<i>Health Technical Memorandum 08- 01: Acoustics<\/i>, que recomenda no item 2 os&nbsp;<i>Crit\u00e9rios Ac\u00fasticos&nbsp;<\/i>em que o projeto deve estar baseado em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de ru\u00eddo que levem em conta a possibilidade de mudan\u00e7as no ambiente e no seu entorno imediato. E cita exemplos como a possibilidade do local atrair ou n\u00e3o atrair tr\u00e1fego intenso de carros e, consequentemente aumentar o n\u00edvel dos ru\u00eddos. O projeto, portanto, deve predizer os problemas ac\u00fasticos e adotar as medidas preventivas, antecipadoras dos impactos decorrentes, como pr\u00e1ticas razo\u00e1veis e necess\u00e1rias ao conforto humano (DEPARTMENT OF HEALTH UNITED KINGDOM, 2006, p. 2).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:140614394414061439440617665022.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>Figura 9 - Recomenda\u00e7\u00f5es sobre a abertura de portas com vistas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de ru\u00eddos por vizinhan\u00e7a e contato com ambientes ruidosos. Fonte: DEPARTMENT OF HEALTH UNITED KINGDOM, 2006, p. 12.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O referido documento oficial -&nbsp;<i>Health Technical Memorandum 08-01: Acoustics<\/i>&nbsp;- &nbsp; recomenda tamb\u00e9m controles e cuidados na concep\u00e7\u00e3o do projeto a partir de cuidados simples para \u00e1reas que exijam privacidade e sil\u00eancio no contato entre o profissional de sa\u00fade e o paciente: consult\u00f3rios, salas de entrevistas e acolhimento. Solu\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas recomendadas podem ser o cuidado com a abertura de portas para \u00e1reas ruidosas, cria\u00e7\u00e3o de anteparos paisag\u00edsticos atenuadores de ru\u00eddos, conforme Figura 8.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<h3>1.4 A m\u00fasica e o conforto<\/h3>\r\n<div>Outra abordagem importante refere-se \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica em ambientes de sa\u00fade. N\u00e3o \u00e9 um assunto que apresente consenso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua utiliza\u00e7\u00e3o, embora haja importantes refer\u00eancias sobre a sua utiliza\u00e7\u00e3o em \u00e1reas ou ambientes em que a utiliza\u00e7\u00e3o do som musical possa ser opcionalmente definida como escolha ou estrat\u00e9gia (KARMAN, 2011; FGI, 2010; NORD, 2009; ROBERTSON, 2001; HOSKING, 1999). No entanto, h\u00e1 evid\u00eancias cient\u00edficas de metodologias inovadoras e complementares \u00e0s convencionais que apontam a \"<i>m\u00fasica numa perspectiva de um cuidar multidimensional<\/i>\" (ARA\u00daJO, 2013, p. 1319).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Alguns estudos apresentados por Carpmann e Grant em Design that Cares(1993) e complementados por Romano Del Nord (2012, 2009), Roger Ulrich (2002, 2001), Paul Robertson (2001), Sarah Hosking (1999) e outros pesquisadores (ARA\u00daJO, 2013; PUGGINA, 2009; KARMAN, 2011; BITENCOURT, 2003) recomendam a utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica como \"<i>audioanalg\u00e9sico<\/i>\", sobretudo para auxiliar a relaxar durante procedimentos m\u00e9dicos e odontol\u00f3gicos.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A partir do final do s\u00e9culo XX, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estabeleceu estrat\u00e9gias importantes de conforto na Pol\u00edtica Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o da Aten\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o no Sistema \u00danico de Sa\u00fade - HumanizaSUS. Dentre as recomenda\u00e7\u00f5es para ambi\u00eancias humanizadas, o ru\u00eddo tem abordagem destacada, e prop\u00f5e-se \"<i>a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00fasica ambiente em alguns espa\u00e7os como enfermarias e esperas. Em outro \u00e2mbito, \u00e9 importante considerar tamb\u00e9m a prote\u00e7\u00e3o ac\u00fastica que garanta a privacidade e, controle, de alguns ru\u00eddos<\/i>\" (BRASIL, 2010, p. 122).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Uma medida de humaniza\u00e7\u00e3o para os pacientes internados refere-se ao uso da m\u00fasica de modo individual, utilizando fones de ouvidos descart\u00e1veis. Solu\u00e7\u00e3o para o &nbsp;conforto aos pacientes recomendada por estudos cient\u00edficos e por profissionais que lidam com o componente de conforto ac\u00fastico. Essa medida tem apresentado resultados \"<i>que podem regular o humor, reduzir a agressividade e a depress\u00e3o<\/i>\" justificada porque o \"<i>processo de audi\u00e7\u00e3o musical afeta de forma positiva a libera\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas cerebrais<\/i>\" (ARA\u00daJO, 2013, p. 1319).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Os fones tamb\u00e9m podem contribuir para '<i>mascarar conversas'<\/i>, sinais ruidosos como '<i>bipes'<\/i>&nbsp;de respirador, de cintilador, de bomba de ventila\u00e7\u00e3o e outros ru\u00eddos que \"<i>atemorizam os pacientes durante o pr\u00e9-operat\u00f3rio e em UTIs<\/i>\". A sua utiliza\u00e7\u00e3o funciona como um alerta apresentado pela observa\u00e7\u00e3o:&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O fone de ouvido permite adotar crit\u00e9rios \u00fanicos para cada paciente. O crit\u00e9rio prefer\u00eancia \u00e9 muito interessante, por\u00e9m, os mesmos cuidados devem ser tomados quanto ao ritmo e \u00e0 letra das m\u00fasicas escolhidas (PUGGINA, 2009, p. 29).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Outras alternativas e medidas para reduzir os n\u00edveis de ru\u00eddo nas UTIs e demais ambientes hospitalares podem ser utilizadas com seguintes estrat\u00e9gias:<\/div>\r\n<div>\r\n<ul>\r\n<li>substitui\u00e7\u00e3o dos alarmes ac\u00fasticos por visuais;<\/li>\r\n<li>cria\u00e7\u00e3o de distintas categorias de alarmes, para distinguir os eventos de amea\u00e7a \u00e0 vida das intercorr\u00eancias de rotina;<\/li>\r\n<li>analise peri\u00f3dica do perfil ac\u00fastico dos ambientes de perman\u00eancia de pacientes e profissionais de sa\u00fade;<\/li>\r\n<li>revis\u00e3o do impacto ac\u00fastico dos equipamentos utilizados;<\/li>\r\n<li>divulgar os achados de pesquisa sobre o assunto, conscientizando a equipe profissional a respeito dos poss\u00edveis efeitos auditivos, fisiol\u00f3gicos e emocionais da exposi\u00e7\u00e3o a n\u00edveis elevados de ru\u00eddo (PUGGINA, 2009, p. 33)<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<\/div>\r\n<h3>&nbsp;<\/h3>\r\n<h3>1.5 Materiais de revestimento: conflito iminente<\/h3>\r\n<div>As estrat\u00e9gias de atenua\u00e7\u00e3o dos ru\u00eddos no ambiente hospitalar encontram uma dificuldade suplementar no que se refere aos materiais que possuam boa qualidade de absor\u00e7\u00e3o ac\u00fastica. A constitui\u00e7\u00e3o molecular desses materiais contrap\u00f5e-se \u00e0s exig\u00eancias de controle de higieniza\u00e7\u00e3o e, em consequ\u00eancia, ao controle de infec\u00e7\u00f5es hospitalares na medida em que \"<i>as armadilhas para captar o som, servem igualmente como ref\u00fagio extremamente apreciado pelos micro-organismos<\/i>\" (SERAQUI, 1998, p.101).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Os arquitetos Fl\u00e1vio Bicalho e Regina Barcellos, no texto \"Materiais de acabamento em estabelecimentos assistenciais de sa\u00fade\" (CARVALHO, 2002, p. 47), apontam a reflex\u00e3o dos sons como um dos aspectos relevantes a serem observados na escolha dos pisos em ambientes hospitalares. Essa escolha visa resguardar o conforto do paciente e dos demais usu\u00e1rios, sobretudo nos quartos de interna\u00e7\u00e3o, UTIs e nas circula\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias, pr\u00f3ximas a quartos e salas de exames.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Os revestimentos vin\u00edlicos flex\u00edveis heterog\u00eaneos ou lin\u00f3leos, dispon\u00edveis em mantas, compostos de resinas de PVC, pigmentos, fibra de vidro e plastificantes, utilizados para pisos, aparecem atualmente como os mais recomend\u00e1veis materiais existentes. Segundo os arquitetos anteriormente referidos, as suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas de homogeneidade e de f\u00e1cil aplica\u00e7\u00e3o, \"<i>permitem uma boa limpeza, pois as juntas s\u00e3o soldadas no local e ficam perfeitamente integradas no piso, formando um bloco monol\u00edtico, al\u00e9m de permitirem a confec\u00e7\u00e3o do rodap\u00e9 cont\u00ednuo\"<\/i>&nbsp;(CARVALHO, 2002, p. 63).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Publicada em 2010, a mais recente revis\u00e3o da norma t\u00e9cnica norte-americana para projetos e constru\u00e7\u00e3o de ambientes de sa\u00fade,&nbsp;<i>Guidelines for Design and Construction of Hospital and Health Care Facilities<\/i>, coordenada e produzida pelo&nbsp;<i>The Facility Guidelines Institute<\/i>, edi\u00e7\u00e3o 2010, recomenda alguns crit\u00e9rios e observa\u00e7\u00f5es para implanta\u00e7\u00e3o de unidades hospitalares em fun\u00e7\u00e3o dos ru\u00eddos. Tal refer\u00eancia utiliza tamb\u00e9m a hierarquia dos estabelecimentos assistenciais de sa\u00fade, considerando o impacto de ru\u00eddos dos espa\u00e7os exteriores. (FGI, 2010, p. 37).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:140614394814061439480934499742.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>Tabela 1 - Afastamentos e dist\u00e2ncias m\u00ednimas a extremos desde o hospital at\u00e9 as fontes de ru\u00eddos. Fonte: FGI, USA, 2010.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Da mesma forma, a Tabela 2 apresenta crit\u00e9rios de projetos para M\u00ednimos-M\u00e1ximos de Ru\u00eddos em Espa\u00e7os Interiores de Ambientes de Sa\u00fade1 (FGI, 2010).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:140614395314061439530776391651.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>Tabela 2 - Crit\u00e9rios de projetos para M\u00ednimos-M\u00e1ximos de Ru\u00eddos em Espa\u00e7os Interiores de Ambientes de Sa\u00fade. Fonte: FGI, USA, 2010.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Notas:<\/div>\r\n<div>\r\n<ol>\r\n<li>O Coeficiente de Redu\u00e7\u00e3o de Ru\u00eddos (NRC) ou N\u00edvel de Redu\u00e7\u00e3o de Ru\u00eddos (NC) dever\u00e1 ser utilizado para estimar o coeficiente m\u00e9dio de absor\u00e7\u00e3o de som por ambiente segundo as estimativas da Tabela 2.<\/li>\r\n<li>Um sistema de classifica\u00e7\u00e3o deve ser escolhido para avaliar os n\u00edveis de ru\u00eddo por ambiente e ru\u00eddos provenientes de sistemas mec\u00e2nicos da edifica\u00e7\u00e3o devem ser considerados a partir desse sistema de classifica\u00e7\u00e3o.<\/li>\r\n<\/ol>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Alguns ru\u00eddos espec\u00edficos localizados em estabelecimentos de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade s\u00e3o fontes significativas de desconforto para muitos pacientes, al\u00e9m de o serem tamb\u00e9m para os pr\u00f3prios profissionais que lidam diretamente com as atividades assistenciais. Geralmente, sobre esses ru\u00eddos pouco se tem controle, provocando assim, uma situa\u00e7\u00e3ocom representativo valor de desconforto humano no ambiente hospitalar.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Embora existam recomenda\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas (ABNT) e tamb\u00e9m a legisla\u00e7\u00e3o brasileira contenha diversas recomenda\u00e7\u00f5es de procedimentos fixando condi\u00e7\u00f5es de aceitabilidade do ru\u00eddo em ambientes de sa\u00fade, h\u00e1 especificidades que n\u00e3o est\u00e3o plenamente contempladas.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A Norma Brasileira da ABNT,&nbsp;<i>NBR 10151 - Ac\u00fastica - Avalia\u00e7\u00e3o do ru\u00eddo em \u00e1reas habitadas, visando ao conforto da comunidade - Procedimento<\/i>, publicada em junho de 2003 e que incorpora a Errata de 1\u00ba de junho de 2003, embora seja a norma mais atual n\u00e3o apresenta a especificidade necess\u00e1ria \u00e0 contemporaneidade do problema para ambientes de sa\u00fade.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Apenas na Tabela 3 - N\u00edvel de Crit\u00e9rio de Avalia\u00e7\u00e3o NCA para ambientes externos em dB(A) da NBR 10151 s\u00e3o fixadas \"<i>as condi\u00e7\u00f5es exig\u00edveis para avalia\u00e7\u00e3o da aceitabilidadedo ru\u00eddo em comunidades, independente da exist\u00eancia de reclama\u00e7\u00f5es<\/i>\" (ABNT, 2003,p.10).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:140614395614061439569188293279.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>Tabela 3 - N\u00edvel de crit\u00e9rio de avalia\u00e7\u00e3o NCA para ambientes externos, em dB(A). Fonte: ABNTNBR 10151, 2003.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Na Norma Brasileira da ABNT,&nbsp;<i>NBR 10152 Ac\u00fastica - Avalia\u00e7\u00e3o do ru\u00eddo ambiente em recintos de edifica\u00e7\u00f5es visando ao conforto dos usu\u00e1rios - Procedimento<\/i>, s\u00e3o caracterizados alguns ambientes de estabelecimentos de sa\u00fade e respectivos valores de ru\u00eddo aceit\u00e1veis baseados em n\u00edveis sonoros dB (A) e nas \"<i>curvas de avalia\u00e7\u00e3o de ru\u00eddos,atrav\u00e9s dos quais um espectro sonoro pode ser comparado, permitindo uma identifica\u00e7\u00e3o de bandas de frequ\u00eancia mais significativas e que necessitam corre\u00e7\u00e3o\" (<\/i>ABNT, 1992, p.3). Essas informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o referidas na Tabela 4 - Valores dB(A) e NC apresentadas a seguir.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:140614396114061439610553495627.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>Tabela 4 - Valores dB(A) e NC. Fonte: ABNT, NBR 1012, 1992.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Notas:<\/div>\r\n<div>a) O valor inferior da faixa representa o n\u00edvel sonoro para conforto, enquanto que o valor superior significa o n\u00edvel sonoro aceit\u00e1vel para a finalidade.<\/div>\r\n<div>b) N\u00edveis superiores aos estabelecidos nesta Tabela s\u00e3o considerados de desconforto, sem necessariamente implicar risco de dano \u00e0 sa\u00fade.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Os materiais que funcionam como isolantes sonoros e que t\u00eam aplica\u00e7\u00e3o em ambientes hospitalares est\u00e3o mais diretamente referenciados \u00e0s necessidades de revestimento dos pisos para edifica\u00e7\u00f5es hospitalares, sobretudo em \u00e1reas de interna\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00f5es, consult\u00f3rios e unidades de terapia intensiva. Para as salas cir\u00fargicas, salas de procedimentos hemodin\u00e2micos e salas de parto devem ser consideradas as exig\u00eancias de utiliza\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o condutiva e respectivo aterramento.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A instala\u00e7\u00e3o desse material - piso condutivo - visa \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de cargas eletrost\u00e1ticas que possam atingir o paciente, assim como os profissionais que estejam atuando no ambiente. Al\u00e9m do risco de explos\u00e3o, pois com a baixa umidade relativa do ar em raz\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o do sistema de climatiza\u00e7\u00e3o \"<i>e onde se usam anest\u00e9sicos ou materiais qu\u00edmicos de limpeza, h\u00e1 o risco que uma explos\u00e3o seja deflagrada por descargas eletrost\u00e1ticas, al\u00e9m de outras causas como a possibilidade do choque el\u00e9trico em pacientes em fun\u00e7\u00e3o dessas descargas\"<\/i>&nbsp;(BICALHO, 2010, p.80).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Os materiais de revestimento, embora devam considerar a sua fun\u00e7\u00e3o de absor\u00e7\u00e3o ac\u00fastica, devem respeitar as exig\u00eancias de controle de assepsia das superf\u00edcies e respectivos aspectos de controle de infec\u00e7\u00e3o. Um importante alerta sobre o assunto \u00e9 apresentado pelo arquiteto Fl\u00e1vio Bicalho: \"<i>tanto nas \u00e1reas criticas quanto nas semicr\u00edticas, devem ser sempre utilizados materiais de acabamento que tornem as superf\u00edcies lisas, monol\u00edticas de prefer\u00eancia, ou com o menor n\u00famero poss\u00edvel de ranhuras ou frestas. Estes materiais devem garantir a manuten\u00e7\u00e3o de suas caracter\u00edsticas mesmo ap\u00f3s o uso intenso e limpeza frequente<\/i>\" (2010, p. 67).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Para as \u00e1reas molhadas que n\u00e3o exijam conforto ac\u00fastico com a precis\u00e3o apresentada, podem ser adotados revestimentos com materiais de alta resist\u00eancia, desde que atendam \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es de apresentarem \u00edndice de absor\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com as necessidades da Resolu\u00e7\u00e3o RDC n\u00ba 50\/2002.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Os materiais, cer\u00e2micos ou n\u00e3o, quando usados nas \u00e1reas cr\u00edticas, n\u00e3o podem possuir \u00edndice de absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua superior a 4% individualmente ou depois de instalados no ambiente, al\u00e9m do que, o rejunte de suas pe\u00e7as, quando existir, tamb\u00e9m deve ser de material com esse mesmo \u00edndice de absor\u00e7\u00e3o. O uso de cimento em qualquer aditivo antiabsorvente para rejunte de pe\u00e7as cer\u00e2micas ou similares \u00e9 vedado tanto nas paredes quanto nos pisos das \u00e1reas cr\u00edticas (BRASIL, 2002, p.107).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Os materiais para revestimento do teto podem ser importantes auxiliares na qualidade do conforto ac\u00fastico nos ambientes de sa\u00fade. Quanto \u00e0 sua instala\u00e7\u00e3o eles podem ser fixos ou remov\u00edveis e para cada um deles, h\u00e1 fatores a se considerar sob o aspecto da contribui\u00e7\u00e3o para redu\u00e7\u00e3o dos ru\u00eddos. Para quaisquer das situa\u00e7\u00f5es de criticidade do ambiente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de transmiss\u00e3o de doen\u00e7as (critico, semicr\u00edtico e n\u00e3o cr\u00edtico), deve-se levar em conta a fun\u00e7\u00e3o de preven\u00e7\u00e3o e controle de infec\u00e7\u00e3o a partir das recomenda\u00e7\u00f5es de assepsia e limpeza, pois de acordo com a RDC n\u00ba 50 \"<i>os materiais adequados para o revestimento de paredes, pisos e tetos de ambientes de \u00e1reas cr\u00edticas e semicr\u00edticas devem ser resistentes \u00e0 lavagem e ao uso de desinfetantes<\/i>\" (BRASIL, 2002, p. 107).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Para ambientes onde sejam realizados procedimentos cr\u00edticos (salas cir\u00fargicas, manipula\u00e7\u00e3o de nutri\u00e7\u00e3o enteral, quimioter\u00e1picos, procedimentos hemodin\u00e2micos, \u00e1rea de leitos de UTI ou CTQ e \u00e1reas similares), os tetos \"<i>devem ser cont\u00ednuos, sendo proibido o uso de forros falsos remov\u00edveis, do tipo que interfira na assepsia dos ambientes. Nas demais se pode utilizar forro remov\u00edvel, inclusive por raz\u00f5es ligadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o, desde que nas \u00e1reas semicr\u00edticas esses sejam resistentes aos processos de limpeza, descontamina\u00e7\u00e3o e desinfec\u00e7\u00e3o\"<\/i>&nbsp;(BRASIL, 2002, p. 107).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<ol>\r\n<li>Tetos fixos - Lajes e forros de gesso cont\u00ednuo ou corrido.<\/li>\r\n<li>Tetos remov\u00edveis - h\u00e1 diversos materiais e tipos: met\u00e1lico, madeira, PVC ou revestido de PVC, papel\u00e3o, papel\u00e3o prensado.<\/li>\r\n<\/ol>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Deve-se observar, no entanto o impacto de reverbera\u00e7\u00e3o do som que cada um desses materiais pode produzir no ambiente, consequentemente, o desconforto ac\u00fastico que podem gerar.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Aspectos projetuais a serem adotados especificamente para edifica\u00e7\u00f5es destinadas a servi\u00e7os de sa\u00fade podem ser definidos pelas recomenda\u00e7\u00f5es a seguir:<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<ul>\r\n<li>Estabelecer a adequada sele\u00e7\u00e3o do terreno e a devida considera\u00e7\u00e3o sobre os aspectos ambientais que possam impactar no conforto ac\u00fastico;<\/li>\r\n<li>Avaliar o impacto das condi\u00e7\u00f5es naturais, relevo, topografia e condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas na implanta\u00e7\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o;<\/li>\r\n<li>Escolher e definir a forma do edif\u00edcio e sua rela\u00e7\u00e3o com as demais edifica\u00e7\u00f5es do entorno imediato;<\/li>\r\n<li>Ordenar e distribuir os espa\u00e7os internos, considerando fluxos e rela\u00e7\u00f5es funcionais;<\/li>\r\n<li>Estabelecer a distribui\u00e7\u00e3o espacial e adequa\u00e7\u00e3o da forma interna da edifica\u00e7\u00e3o;<\/li>\r\n<li>Definir a utiliza\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es de constru\u00e7\u00e3o que reduzam a transmissibilidade dos ru\u00eddos;<\/li>\r\n<li>Definir e aplicar materiais que reduzam a reverbera\u00e7\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o dos ru\u00eddos;<\/li>\r\n<li>Utilizar e aplicar detalhes construtivos que contribuam para a melhor qualidade ac\u00fastica.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<h2>&nbsp;<\/h2>\r\n<h2>2 Coment\u00e1rios<\/h2>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O problema ac\u00fastico \u00e9, inicialmente, de responsabilidade do profissional que concebe o ambiente, sob todo e qualquer aspecto que possa interferir na qualidade do servi\u00e7o ou atividade que possa ser desenvolvida no referido ambiente. Assim sendo, a defini\u00e7\u00e3o da forma e a aplica\u00e7\u00e3o dos materiais de revestimento devem contemplar solu\u00e7\u00f5es que atenuem o impacto do ru\u00eddo, assim como possam evitar que equipamentos ruidosos ali instalados sejam promotores de eventuais desconfortos ac\u00fasticos.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O presente trabalho n\u00e3o pretende esgotar o assunto, mas promover novas reflex\u00f5es sobre a relev\u00e2ncia do tema, ao mesmo tempo em que se prop\u00f5e a promover a qualidade dos ambientes de sa\u00fade.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>As refer\u00eancias de experi\u00eancias projetuais e pesquisas relacionadas ao longo do trabalho visam, preliminarmente, oferecer novos campos de pesquisa e possibilidades de desenvolvimento t\u00e9cnico e cient\u00edfico nas edifica\u00e7\u00f5es assistenciais de sa\u00fade.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<h2>3 Refer\u00eancias<\/h2>\r\n<div>ABRAH\u00c3O, J\u00falia et al. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 ergonomia, da teoria \u00e0 pr\u00e1tica. S\u00e3o Paulo: Ed. Bl\u00fccher, 2009,240 p.<\/div>\r\n<div>ARA\u00daJO, Taise C. et SILVA, Luzia W. S. M\u00fasica: estrat\u00e9gia cuidativa &nbsp;para pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva. Ver. Enfermagem UFPE, Recife, 7 (5): 1319-2, maio, 2013. DOI:10.5205\/reuol.3960-31424-1-SM.0705201309. Acesso em: 15 julho de 2013.<\/div>\r\n<div>ASSOCIA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA DE NORMAS T\u00c9CNICAS (ABNT). Ilumina\u00e7\u00e3o de ambientes detrabalho. Parte 1: Interior. ABNT NBR ISSO\/CIE 8995-1. Rio de Janeiro, abril 2013, 46 p.<\/div>\r\n<div>_____. Norma de Desempenho de Edifica\u00e7\u00f5es, Publicada a nova vers\u00e3o da. In: Imprensa. Rio deJaneiro, 2013, 1 p. Dispon\u00edvel em:http:\/\/www.abnt.org.br\/m5.asp?cod_noticia=1230&amp;cod_pagina=962. Acesso em: 25 fevereiro 2013.<\/div>\r\n<div>_____. 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Acolhimento nas pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o de sa\u00fade \/ Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Secretariade Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade, N\u00facleo T\u00e9cnico da Pol\u00edtica Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o. - 2. ed. 5. reimp. - Bras\u00edlia: Editora do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2010. 44 p. : il. color. - (S\u00e9rie B. Textos B\u00e1sicos de Sa\u00fade).<\/div>\r\n<div>_____. Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria. Resolu\u00e7\u00e3o - RDC n\u00ba 50 de 21\/02\/2002. Regulamento T\u00e9cnico para planejamento, programa\u00e7\u00e3o, elabora\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de projetos f\u00edsicosde estabelecimentos assistenciais de sa\u00fade. Bras\u00edlia, 2002.129 p.il.<\/div>\r\n<div>CARPMAN, Janet Reizensteinet GRANT, Myron A. Design that cares: Planning Health Facilities for Pacient and Visitors. American Hospital Association Company. 2nd edition. 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Vol. 112, No. 4.<\/div>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-7551","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/7551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}