{"id":7579,"date":"2024-06-11T13:22:55","date_gmt":"2024-06-11T16:22:55","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/trabalho-e-saude-um-estudo-sobre-catadores-de-reciclaveis-em-pocos-de-caldas-mg\/"},"modified":"2024-11-24T10:54:08","modified_gmt":"2024-11-24T13:54:08","slug":"trabalho-e-saude-um-estudo-sobre-catadores-de-reciclaveis-em-pocos-de-caldas-mg","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/trabalho-e-saude-um-estudo-sobre-catadores-de-reciclaveis-em-pocos-de-caldas-mg\/","title":{"rendered":"Trabalho e Sa\u00fade: Um Estudo Sobre Catadores de Recicl\u00e1veis em Po\u00e7os de Caldas &#8211; MG"},"content":{"rendered":"<section id=\"revistas\">\r\n<div id=\"revista-0\" class=\"revista-materia content-text\">\r\n<div class=\"descricao\">\r\n<div class=\"body\">\r\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<br \/><\/strong>Os problemas relacionados aos res\u00edduos s\u00f3lidos t\u00eam se avolumado na sociedade contempor\u00e2nea, implicando na deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade de vida, particularmente nos grandes centros urbanos.<br \/><br \/>Os Res\u00edduos S\u00f3lidos Urbanos (RSU) ou Res\u00edduos Domiciliares (RDO), gerados pelas diversas atividades da sociedade moderna, podem resultar em diversos riscos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, equa\u00e7\u00e3o que apresenta muitas interfaces: sociais, econ\u00f4micas, pol\u00edticas e administrativas (WALDMAN, 2014a, 2014b, 2011a, 2011b e 2010; SIQUEIRA&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;MORAES, 2009, MUCELIN et BELLINI, 2008).<br \/><br \/>A degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente n\u00e3o pode ser desvinculada de um contexto que inclui comprometimentos da sa\u00fade f\u00edsica, transtornos psicol\u00f3gicos e dessimetrias socioecon\u00f4micas. Deste modo, patologias como doen\u00e7as infecciosas, degenerativas, cardiovasculares, crises de ansiedade e depress\u00e3o, s\u00edndrome do p\u00e2nico, depend\u00eancia qu\u00edmica e exacerba\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, dentre outras, s\u00e3o constitutivos de um mesmo aporte fenomenol\u00f3gico.<br \/><br \/>Enquanto tal, esse contexto reporta a uma problem\u00e1tica cujas causas estruturais t\u00eam por pressuposto a degrada\u00e7\u00e3o ambiental desencadeada pelo moderno sistema de produ\u00e7\u00e3o de mercadorias. Este, referendado por demandas calcadas em um&nbsp;<i>modus vivendi<\/i>&nbsp;consumista, desencadeia em si mesmo enorme press\u00e3o sobre o meio natural[1].&nbsp;<i>Ipso facto<\/i>, tal modelo legitima uma utiliza\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria dos recursos naturais, aut\u00eantica&nbsp;<i>raison d'etre<\/i>&nbsp;da modernidade (WALDMAN, 2010 e CAVALCANTI, 1994, SANTOS, 1988).<br \/><br \/>Neste sentido, salientem-se os v\u00ednculos dessa cultura consumista com um dinamismo de mercado tonificado com a preocupa\u00e7\u00e3o em gerar lucros crescentes, incitando a uma escalada incessante de mais produ\u00e7\u00e3o e mais consumo. Disto resulta uma maximiza\u00e7\u00e3o das retiradas dos insumos do meio natural, processo este que se torna claro na transitoriedade com que a sociedade contempor\u00e2nea interage com o mundo material, aspecto matricial do sistema social, econ\u00f4mico e cultural engendrado pelo ocidente.<br \/><br \/>Relativamente \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, os res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos ocupam papel central na estrutura epidemiol\u00f3gica das comunidades. Em especial, destacar\u00edamos uma linha de transmiss\u00e3o de doen\u00e7as provocadas pela a\u00e7\u00e3o de vetores que encontram no&nbsp;<i>habitat<\/i>&nbsp;do lixo condi\u00e7\u00f5es adequadas para proceder a sua prolifera\u00e7\u00e3o[2].&nbsp;<i>Pari passu<\/i>, na articula\u00e7\u00e3o com a problem\u00e1tica ambiental, os refugos contaminam o ar, o solo e, por tabela, as \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas (MIRANDA, 1995).<br \/><br \/>Do ponto de vista ambiental e da sa\u00fade humana, a disposi\u00e7\u00e3o incorreta dos res\u00edduos s\u00f3lidos desdobra-se em sequelas&nbsp;<i>diretas<\/i>&nbsp;(quando h\u00e1 um contato estreito do organismo humano com os agentes patog\u00eanicos presentes nos rejeitos) e&nbsp;<i>indiretas<\/i>&nbsp;(por meio da amplifica\u00e7\u00e3o de algum fator de risco, que age de forma descontrolada sobre o entorno), ambas incorporando um ponder\u00e1vel cabedal de problemas sanit\u00e1rios.<br \/><br \/>Devemos lembrar-nos de que esse quadro de efeitos nefastos - desdobrando-se em um prontu\u00e1rio que inclusive se amplia no desenrolar e no avan\u00e7o de inumer\u00e1veis pesquisas centradas no tema - adv\u00e9m de uma massa de res\u00edduos que tecnicamente, em face da sua rela\u00e7\u00e3o umbilical com uma vasta rede de fluxos de produ\u00e7\u00e3o e de consumo, apresenta comprovada heterogeneidade.<br \/><br \/>Esta peculiaridade permite \u00e0 literatura especializada identificar, quanto \u00e0 taxonomia f\u00edsica dos RDO, tr\u00eas grandes fra\u00e7\u00f5es, cada uma das quais cingindo complexa teia de implica\u00e7\u00f5es. Seriam elas: a&nbsp;<i>fra\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, \u00famida ou molhada<\/i>; a&nbsp;<i>fra\u00e7\u00e3o inorg\u00e2nica ou seca<\/i>; e al\u00e9m destas duas, os restos considerados&nbsp;<i>inserv\u00edveis<\/i>.<br \/><br \/>A fra\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, \u00famida ou molhada corresponde \u00e0 maior parte dos RDO, sendo basicamente composta por lixo culin\u00e1rio. A fra\u00e7\u00e3o \u00famida pode ser reincorporada aos ciclos de mat\u00e9ria e de energia da natureza atrav\u00e9s da compostagem, processo que transforma a massa org\u00e2nica dos RDO num reconstrutor de solos agr\u00edcolas, podendo ser aplicada na jardinagem p\u00fablica ou dom\u00e9stica. No Brasil, a fra\u00e7\u00e3o org\u00e2nica varia, de acordo com a fonte consultada, entre 52 e 67% dos RDO (WALDMAN, 2014a e 2010; CEMPRE Informa n\u00ba. 91, 2007: 3; NETO, 2007: 14; ABRELPE, 2007: 52 e 2006; CEMPRE, 2001).<br \/><br \/>J\u00e1 a fra\u00e7\u00e3o inorg\u00e2nica ou seca, apresenta na sua composi\u00e7\u00e3o os materiais \"cl\u00e1ssicos\" cobi\u00e7ados pela ind\u00fastria recicladora; da\u00ed ser denominada em muitos textos - apesar de justificadas obje\u00e7\u00f5es - \"fra\u00e7\u00e3o recicl\u00e1vel\"[3]. \u00c9 composta por metais (a\u00e7o, cobre, lat\u00e3o e alum\u00ednio, na forma de cabos el\u00e9tricos descartados, latas vazias de alimentos, refrigerantes e outras bebidas, etc.); vidros (frascos, garrafas, sobras, cacos, [e] fragmentos industriais e de oficinas); papel e papel\u00e3o (das modalidades mais variadas); e pl\u00e1sticos (dos mais diversos tipos). Embora os dados existentes sobre a fra\u00e7\u00e3o seca sejam conflitantes, acredita-se que este segmento represente entre 20% a 30% da massa total dos RDO coletados no Brasil (WALDMAN, 2014a e 2010: 82).<br \/><br \/>Por fim, dentre os materiais inserv\u00edveis podemos elencar o lixo de toalete, papel\u00e3o impregnado de \u00f3leo, fotografias, jornais sujos, papel de fax, len\u00e7os e guardanapos de papel, celofane, cinzas, tocos de cigarro, fraldas descart\u00e1veis, absorventes higi\u00eanicos, estopa e panos de limpeza, cer\u00e2micas, espelhos, cristais quebrados, latas de inseticidas, l\u00e2mpadas, fus\u00edveis, detritos de pequenos reparos, etc. [4]. Essa fra\u00e7\u00e3o dos RSU corresponderia \u00e0 porcentagem de 15% da gravimetria do lixo (IBAM, 2001: 25).<br \/><br \/>Quanto aos efeitos delet\u00e9rios do lixo, estes poderiam ser sintetizados numa fatora\u00e7\u00e3o tr\u00edplice, a saber:&nbsp;<i>ocupacional<\/i>,&nbsp;<i>ambiental<\/i>&nbsp;e&nbsp;<i>alimentar<\/i>. A via ocupacional particulariza-se pela contamina\u00e7\u00e3o dos catadores, que manipulam subst\u00e2ncias perigosas muitas vezes sem qualquer tipo de prote\u00e7\u00e3o. Embora dizendo respeito a uma parcela reduzida da popula\u00e7\u00e3o, esta via manifesta formas agressivas de cont\u00e1gio (SILVA, 2006, GON\u00c7ALVES, 2005).<br \/><br \/>Quanto \u00e0 via ambiental, esta se caracteriza pela dispers\u00e3o dos agentes contaminadores, advinda da putrefa\u00e7\u00e3o dos restos alimentares e de animais mortos, desencadeando infesta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do chorume[5] nos corpos d'\u00e1gua, sejam estes superficiais ou len\u00e7\u00f3is subterr\u00e2neos. Outro problema decorre das emiss\u00f5es de g\u00e1s metano[6], um agressivo G\u00e1s de Efeito Estufa (GEE), gerado pela decomposi\u00e7\u00e3o dos restos putresc\u00edveis promovida por bact\u00e9rias anaer\u00f3bias (LIMA&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;RIBEIRO, 2000).<br \/><br \/>A esse prontu\u00e1rio de desdobramentos negativos - muitos dos quais impactam o meio ambiente numa ampla escala no tempo e no espa\u00e7o - agregam-se os pertinentes \u00e0 fra\u00e7\u00e3o seca do lixo. Os refugos do mundo contempor\u00e2neo caracterizam-se pela alta nocividade, periculosidade latente e degrada\u00e7\u00e3o dificultosa, encetando, de um modo ou de outro, amea\u00e7as a todas as formas de vida.<br \/><br \/>A lista de elementos persistentes no ambiente tendo o lixo como vetor \u00e9 composta por milhares de subst\u00e2ncias, um n\u00famero que se amplia a cada dia que passa. Mesmo n\u00e3o sendo completamente conhecidos os efeitos dos materiais sint\u00e9ticos, a expans\u00e3o das pesquisas na \u00faltima d\u00e9cada aponta, por exemplo, para um largo espectro de efeitos colaterais dos mesmos para a sa\u00fade humana (<i>passim<\/i>&nbsp;WALDMAN, 2010).<br \/><br \/>Por fim, h\u00e1 a via alimentar, caracterizada pela contamina\u00e7\u00e3o dos catadores ou residentes pr\u00f3ximos aos lix\u00f5es[7]. Basicamente, o problema ocorre em virtude da ingest\u00e3o de restos de comida e dos animais que frequentam estes espa\u00e7os, se alimentando dos res\u00edduos in natura disputados com os humanos. Ao interagirem com a cadeia alimentar, esses animais poder\u00e3o transmitir uma s\u00e9rie de doen\u00e7as, tanto especificamente para o rebanho quanto para as comunidades humanas, elo final dessa cadeia (NUNES MAIA, 2002).<br \/><br \/>Na pondera\u00e7\u00e3o de SISINNO (2002), os res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos devem ser compreendidos como um problema de sa\u00fade p\u00fablica. As consequ\u00eancias da inadequa\u00e7\u00e3o do manejo e da disposi\u00e7\u00e3o final acabam por se refletir direta e\/ou indiretamente na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Os riscos relacionados ao ambiente e \u00e0 atividade de coleta do lixo domiciliar parecem estar bem definidos para a comunidade cient\u00edfica em geral. As vias de intoxica\u00e7\u00e3o, a toxidade em si mesma e os danos \u00e0 sa\u00fade e ao ambiente, atrav\u00e9s da coleta e dos espa\u00e7os de desova e\/ou confinamento final inerentes \u00e0 log\u00edstica de gerenciamento dos res\u00edduos, aparecem nos dias de hoje como conhecimento consolidado, bem constitu\u00eddo por estudos afins, todos evidenciando uma diversidade de riscos (PORTO&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;JUNCA, 2004; VELLOSO SANTOS&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;ANJOS, 1997; GON\u00c7ALVES, 2005).<br \/><br \/>O lixo coletado diariamente na \u00e1rea urbana das cidades \u00e9 transportado para as \u00e1reas de destina\u00e7\u00e3o final. Na maioria dos munic\u00edpios brasileiros, os res\u00edduos ainda s\u00e3o lan\u00e7ados indiscriminadamente a c\u00e9u aberto, nos assim considerados lix\u00f5es[8]. O confinamento final inadequado dos refugos urbanos, al\u00e9m de provocar polui\u00e7\u00e3o do solo, se traduz na contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e do ar (SOUZA&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;MENDES, 2006).<br \/><br \/>O comprometimento dos corpos l\u00edquidos acontece por meio de fen\u00f4menos como a lixivia\u00e7\u00e3o. Na polui\u00e7\u00e3o do ar, constatam-se efluentes gasosos e particulados emitidos para a atmosfera, provenientes de diversas atividades antropog\u00eanicas. Tais sobras e efluentes constituem, via-de-regra, resultado final da transforma\u00e7\u00e3o dos mais diversos materiais e subst\u00e2ncias em res\u00edduo imprest\u00e1vel, descartadas ao arrepio das estrat\u00e9gias de reutiliza\u00e7\u00e3o e reciclagem (VELLOSO, 1998).<br \/><br \/>Os efeitos adversos dos res\u00edduos s\u00f3lidos municipais para o meio ambiente, a sa\u00fade coletiva e a sa\u00fade individual s\u00e3o cabalmente reconhecidos e registrados por in\u00fameros autores e especialistas. Estes apontam para as defici\u00eancias nos sistemas de coleta e disposi\u00e7\u00e3o final, assim como a aus\u00eancia de uma pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade do trabalhador, fatores que sobremaneira pesam na configura\u00e7\u00e3o dos efeitos nocivos e indesej\u00e1veis (ACCURIO&nbsp;<i>et alli<\/i>, 1998; ANJOS&nbsp;<i>et alli<\/i>, 1995; ROBAZZI&nbsp;<i>et alli<\/i>, 1992).<br \/><br \/>Segundo pesquisa realizada pelo IPEA: Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (2012), atualmente s\u00e3o coletadas no Brasil 183,5 mil toneladas de res\u00edduos s\u00f3lidos por dia, servi\u00e7o que atende 90% do total de domic\u00edlios, representando 98% das moradias urbanas, mas apenas 33% das rurais. Nesse levantamento, a mat\u00e9ria org\u00e2nica corresponderia a 51,4% dos descartes residenciais di\u00e1rios. Quanto \u00e0 fra\u00e7\u00e3o seca, seu montante atingiria 31,9% do refugo domiciliar total (metais, pl\u00e1sticos, vidros e materiais celul\u00f3sicos).<br \/><br \/>Dos 5.565 munic\u00edpios brasileiros, um elenco formado por 2.535 municipalidades (45,55% do total) confirma a exist\u00eancia de programas de Coleta Seletiva de Lixo (CSL). \u00c0 primeira vista, o n\u00famero poderia indicar avan\u00e7os nas iniciativas de CSL. Todavia, a porcentagem pode ser questionada em fun\u00e7\u00e3o de muitos empreendimentos municipais terem car\u00e1ter meramente simb\u00f3lico. Assim sendo, importaria frisar atividades de CSL que se resumem na implanta\u00e7\u00e3o de uma ou outra \"ilha recicladora\", na disponibiliza\u00e7\u00e3o de Pontos de Entrega Volunt\u00e1ria (PEV) ou na simples formaliza\u00e7\u00e3o de conv\u00eanios com cooperativas de catadores para a execu\u00e7\u00e3o destes servi\u00e7os (BONFIN, 2012).<br \/><br \/>Relativamente ao contingente de Catadores de Materiais Recicl\u00e1veis atuantes no Brasil, o IBGE contabiliza um conjunto formado por 70 mil trabalhadores[9]. Todavia, os Institutos C\u00e1ritas e P\u00f3lis d\u00e3o conta de um universo demogr\u00e1fico formado por 500 mil pessoas. Por sua vez, o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicl\u00e1veis afirma que est\u00e3o em atividade no Brasil 800 mil trabalhadores da cata\u00e7\u00e3o de recicl\u00e1veis. O intervalo sugerido na an\u00e1lise do IPEA, levando em considera\u00e7\u00e3o todas essas fontes, sinalizaria para um conjunto entre 400-600 mil catadores nas cidades brasileiras (BRASIL, 2012).<br \/><br \/>Embora n\u00e3o existam d\u00favidas sobre a import\u00e2ncia da atividade de limpeza urbana para o meio ambiente e para a sa\u00fade da comunidade, esta percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o se tem traduzido em a\u00e7\u00f5es efetivas que possibilitem mudan\u00e7as qualitativas na situa\u00e7\u00e3o que caracteriza os sistemas de gerenciamento de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos no Brasil e nas na\u00e7\u00f5es latino-americanas, apresentando ampla gama de defici\u00eancias; esta assertiva tamb\u00e9m v\u00e1lida quando o foco do debate s\u00e3o os catadores (WALDMAN, 2010 e 2008, FERREIRA&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;ANJOS, 2001).<br \/><br \/>De acordo com informa\u00e7\u00f5es do Movimento Nacional dos Catadores de Recicl\u00e1veis (MNCR), o pa\u00eds possui cerca de 600 cooperativas formais, as quais agregam aproximadamente 40 mil catadores. Por\u00e9m, somente 2,5% do total de munic\u00edpios mant\u00eam rela\u00e7\u00e3o de parceria com essas organiza\u00e7\u00f5es. Das cooperativas existentes - que agrupam apenas 10% dos catadores - existem discrep\u00e2ncias quanto \u00e0 log\u00edstica, equipamentos e n\u00edvel de efici\u00eancia. V\u00e1rias an\u00e1lises apontam que 60% das cooperativas vivenciam m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho e baixa remunera\u00e7\u00e3o para seus integrantes. A renda m\u00e9dia dessa categoria de trabalhadores fica abaixo do sal\u00e1rio m\u00ednimo, calculado entre R$ 420 e R$ 520 (BRASIL, 2012).<br \/><br \/>Os trabalhadores que vivem da coleta de materiais recicl\u00e1veis - entendida como meio de sobreviv\u00eancia e de obten\u00e7\u00e3o de renda - ainda s\u00e3o pouco estudados pela \u00f3ptica da sa\u00fade p\u00fablica, a despeito do crescimento no n\u00famero de estudos acad\u00eamicos voltados para a categoria (PORTO&nbsp;<i>et alli<\/i>, 2004). A tem\u00e1tica apresenta relev\u00e2ncia social devido ao elevado n\u00famero de catadores de materiais recicl\u00e1veis em todo pa\u00eds; isto sem contar a exist\u00eancia de segmento ponder\u00e1vel formado pela popula\u00e7\u00e3o que vive em lix\u00f5es. Alguns estudos advertiam que no final da d\u00e9cada de noventa, existiam 45 mil crian\u00e7as e adolescentes vivendo e trabalhando em lix\u00f5es (FERREIRA, 2005).<br \/><br \/>Portanto, a realidade vivida pelos catadores de materiais recicl\u00e1veis evidencia condi\u00e7\u00f5es de trabalho prec\u00e1rias em fun\u00e7\u00e3o do contato direto com rejeitos em \u00e1reas de descarte, aterros, lixeiras e ruas das cidades (ABREU, 2001).<br \/><br \/>Nesta ordem de explana\u00e7\u00e3o, levantamentos e investiga\u00e7\u00f5es apontam para um perfil de catadores subdividido em tr\u00eas categorias:&nbsp;<i>catadores de rua<\/i>,&nbsp;<i>catadores cooperados<\/i>&nbsp;e&nbsp;<i>catadores de lix\u00e3o<\/i>. Denomina-se catador de rua a categoria que retira res\u00edduos dos logradouros p\u00fablicos ou entre os entregues diretamente pela popula\u00e7\u00e3o, pelo com\u00e9rcio local ou pelas ind\u00fastrias. Um tra\u00e7o distintivo desse grupo \u00e9 a posse de carro\u00e7a pr\u00f3pria ou outro ve\u00edculo adaptado para o transporte de cargas (MEDEIROS&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;MACEDO, 2006).<br \/><br \/>Os catadores cooperativados - a quem tamb\u00e9m se refere como auto gestion\u00e1rios - s\u00e3o aqueles que prestam servi\u00e7o de coleta seletiva com maior valor agregado, de forma articulada e organizada, gerando trabalho e renda de modo mais sistematizado. Objetivamente, as cooperativas permitem em geral a absor\u00e7\u00e3o de trabalhadores colocados \u00e0 margem do mercado formal de trabalho, inserindo-os em uma estrutura institucional que lhes assegura, mesmo minimamente, a consecu\u00e7\u00e3o de alguns direitos, renda e cidadania (WALDMAN, 2010; LIANZA, 2000, MINAYO-GOMES, 1997).<br \/><br \/>Quanto aos catadores atuantes nos lix\u00f5es, o segmento \u00e9 tipificado por um contexto de clara exclus\u00e3o social[10]. Desvinculados de qualquer assist\u00eancia por parte do poder p\u00fablico e trabalhando diretamente nos espa\u00e7os de descarte final de res\u00edduos dos munic\u00edpios, constituem o grupo mais fragilizado da popula\u00e7\u00e3o catadora (FERREIRA&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;ANJOS, 2001).<br \/><br \/>Em face do alto \u00edndice de desemprego, a estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia encontrada pela popula\u00e7\u00e3o de exclu\u00eddos \u00e9 \"coletar lixo\" como forma de obter renda para o pr\u00f3prio sustento. Ao coletar e segregar os materiais recicl\u00e1veis - seja em lix\u00f5es, transitando pelas vias p\u00fablicas ou obtendo-os nos p\u00f3los geradores por todo pa\u00eds - a popula\u00e7\u00e3o catadora materializa importante elo do sistema de gest\u00e3o de res\u00edduos e dos circuitos da atividade recicladora (KIRCHNER&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;SAIDELLES, 2009; WALDMAN, 2008; MADRUGADA, 2002).<br \/><br \/>Apesar da sua import\u00e2ncia para os equil\u00edbrios ambientais urbanos, os catadores de lixo trabalham sem contrato e privados de qualquer seguridade social. Deste modo, revelam tra\u00e7os semelhantes aos dos demais grupos exclu\u00eddos da sociedade brasileira, expondo-se a riscos e cargas respons\u00e1veis por danos a sua sa\u00fade (LAURELL&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;NORIEGA, 1989).<br \/><br \/>Devemos reter que comumente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de vida do catador, al\u00e9m dos baixos rendimentos oferecidos pelo seu trabalho, soma-se um quadro formado por doen\u00e7as que agravar\u00e3o suas condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia e de trabalho.<br \/><br \/>Indiscutivelmente, os catadores constituem uma comunidade de risco, n\u00e3o apenas em termos de sua pr\u00f3pria integridade f\u00edsica e de sa\u00fade, como tamb\u00e9m pelas consequ\u00eancias advindas de uma condi\u00e7\u00e3o de marginalidade social, cultural e econ\u00f4mica. Plotadas em meio a ostensivas dessimetrias socioecon\u00f4micas, as desigualdades t\u00eam diuturnamente sinonimizado os catadores a um universo de significados calcados numa negatividade inerente \u00e0 percep\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica que ronda o lixo (WALDMAN, 2011a, 2010 e 2008; GON\u00c7ALVES, 2004; CALDERONI, 1999).<br \/><br \/>Seria cab\u00edvel admoestar para a exiguidade no conjunto de trabalhos relacionados com os riscos \u00e0 sa\u00fade presentes na atividade da cata\u00e7\u00e3o. Paralelamente, sabe-se da proficuidade de acidentes como cortes, perfura\u00e7\u00f5es, queimaduras e dermatites, consequ\u00eancias diretas da conviv\u00eancia com os refugos, al\u00e9m da alta incid\u00eancia de intoxica\u00e7\u00f5es alimentares e de doen\u00e7as parasit\u00e1rias (CATAPRETA&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;HELLER, 1999).<br \/><br \/>Os acidentes ocorridos na atividade da cata\u00e7\u00e3o geralmente se originam da precariedade e da falta de condi\u00e7\u00f5es adequadas de trabalho. Estes se traduzem em ferimentos de \u00edndole diversa, perdas de membros por atropelamentos, prensagem em equipamentos de compacta\u00e7\u00e3o, atropelamentos por ve\u00edculos automotores e, ademais, por mordidas de c\u00e3es, ratos e picadas de insetos pe\u00e7onhentos. A quest\u00e3o est\u00e9tica, nem sempre lembrada, \u00e9 bastante importante, uma vez que a exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua aos res\u00edduos teria por consequ\u00eancia variegados desconfortos de mote psicol\u00f3gico (FERREIRA&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;ANJOS, 2001).<br \/><br \/>Outro bloco de possibilidades de risco \u00e0 sa\u00fade e qualidade de vida desses catadores refere-se \u00e0s problem\u00e1ticas psicossociais. Reconhecidamente, a hist\u00f3ria de vida dos catadores de materiais recicl\u00e1veis \u00e9 marcada pela viol\u00eancia, humilha\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social; sua ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 sentida como sendo desqualificada, carente de reconhecimento pela sociedade e do poder p\u00fablico (GESSER&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;ZENI, 2004).<br \/><br \/>Seria tamb\u00e9m cab\u00edvel remeter aos coment\u00e1rios de CAVALCANTE&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;FRANCO (2007), para os quais o dia-a-dia da atividade do catador \u00e9 perpassado por priva\u00e7\u00f5es, assim como invariavelmente marcado por condi\u00e7\u00f5es de trabalho duras, que exigem muito esfor\u00e7o f\u00edsico. A jornada di\u00e1ria pode se estender por mais de doze horas, labor que ocorre de modo ininterrupto. Inequivocamente, a cata\u00e7\u00e3o refere-se a uma atividade exaustiva, em especial se considerarmos as condi\u00e7\u00f5es \u00e0s quais estes trabalhadores est\u00e3o submetidos.<br \/><br \/>Um bom exemplo s\u00e3o os carrinhos puxados manualmente pelas vias p\u00fablicas, em m\u00e9dia transportando mais de 200 quilos de refugos, enfrentando tr\u00e2nsito pesado e de modo recidivo, a hostilidade da popula\u00e7\u00e3o motorizada. Mensalmente, os catadores deslocariam o equivalente a aproximadamente quatro mil quilos. Sabe-se que os catadores percorrem mais de vinte quil\u00f4metros ao longo do dia, um esfor\u00e7o que muitas vezes tem por \u00fanica retribui\u00e7\u00e3o a explora\u00e7\u00e3o por parte dos propriet\u00e1rios dos entrepostos de materiais recuperados (sucateiros), que lhes pagam valores irris\u00f3rios ou aproveitam-se da fragilidade social destes trabalhadores.<br \/><br \/>Para que tal realidade impere, contribui igualmente a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, tendo em vista que a informalidade da ocupa\u00e7\u00e3o torna os catadores vulner\u00e1veis, j\u00e1 que n\u00e3o gozam de direitos trabalhistas e\/ou previdenci\u00e1rios. Situa\u00e7\u00e3o aparentemente contradit\u00f3ria, a informalidade faz com que os catadores se movimentem num mercado paralelo regido por pressupostos que, paradoxalmente, atam seu trabalho a circuitos altamente capitalizados da economia, nexo este mantido inclusive pela aus\u00eancia de reconhecimento de seu trabalho por grande parte da opini\u00e3o p\u00fablica (WALDMAN, 2011a, 2010; GUIMAR\u00c3ES, 2000).<br \/><br \/>Entrementes, como forma de rea\u00e7\u00e3o ao desemprego e \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o em que se encontram, materializou-se nos \u00faltimos anos uma tend\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o de catadores por meio de cooperativas de reciclagem de res\u00edduos, inspiradas e sustentadas pelos princ\u00edpios da economia solid\u00e1ria. A falta de oportunidades no mercado de trabalho tem induzido um contingente significativo de trabalhadores desempregados a ingressar na cata\u00e7\u00e3o como forma de garantir a sobreviv\u00eancia.<br \/><br \/>Tradicionalmente, o&nbsp;<i>modus operandi<\/i>&nbsp;da recupera\u00e7\u00e3o dos materiais no Brasil \u00e9 assegurada pela cata\u00e7\u00e3o informal de materiais encontrados nas ruas e lix\u00f5es. Note-se que apesar de discriminada e ao largo do desamparo e dos elos fr\u00e1geis mantidos com o&nbsp;<i>status quo<\/i>, a cata\u00e7\u00e3o configura uma atividade que concretamente, impede da abdu\u00e7\u00e3o destes trabalhadores por formas ainda mais sombrias de exclus\u00e3o social. Nesta linha de argumenta\u00e7\u00e3o, a atividade se torna uma esp\u00e9cie de \u00faltimo liame a associar os catadores ao sistema social que os exclui e repudia (WALDMAN, 2011a e 2010; SINGER, 2004; REGO&nbsp;<i>et alli<\/i>, 2002).<br \/><br \/>Outro recorte relevante \u00e9 que as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, embora extremamente insalubres, proporcionam a esses catadores uma \"liberdade\" no hor\u00e1rio de trabalho e de comportamento, inexistente em empregos fixos, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o poucos catadores recusam oportunidades de emprego no mercado formal de trabalho, preferindo as atividades de segrega\u00e7\u00e3o de materiais recicl\u00e1veis. Os catadores de lixo s\u00e3o respons\u00e1veis por praticamente todo material reciclado pela ind\u00fastria nacional[11], colocando o Brasil como um dos pa\u00edses de ponta no ranking da reciclagem de materiais como o alum\u00ednio, pl\u00e1sticos, papel e papel\u00e3o (Cf. WALDMAN, 2011a e 2010; CEMPRE, 2009a, 2009b; MORAES, 2007).<br \/><br \/>Nesta senda, apesar de todas as dificuldades do trabalho, gravadas pela falta de apoio do poder p\u00fablico e convivendo com v\u00e1rios preconceitos da sociedade, esses trabalhadores informais conseguem sobreviver criativamente e, ao mesmo tempo, cuidar do meio ambiente, ou seja, do espa\u00e7o comum da maioria dos brasileiros: o meio urbano. Da\u00ed podermos considerar os catadores de lixo como agentes ambientais e econ\u00f4micos. Melhor ainda, como trabalhadores de facto, embora n\u00e3o&nbsp;<i>de jure<\/i>&nbsp;(GON\u00c7ALVES, 2005).<br \/><br \/>Isto posto, o presente estudo tem como objetivo estudar o perfil dos catadores e sua percep\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a sua situa\u00e7\u00e3o enquanto indiv\u00edduos e cidad\u00e3os, assim como a problem\u00e1tica que envolve o lixo, particularmente os materiais recicl\u00e1veis.<br \/><br \/><strong>Metodologia<\/strong><br \/>A pesquisa caracteriza-se como quantitativa, descritiva e explorat\u00f3ria, e foi realizada na cidade de Po\u00e7os de Caldas, centro urbano localizado na regi\u00e3o do Sul de Minas Gerais que re\u00fane atualmente em torno de 154.000 mil habitantes[12].<br \/><br \/>O foco dessa pesquisa encontra-se no trabalho desenvolvido por catadores que trabalham nas ruas e\/ou participam de alguma forma de associa\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o em estudo \u00e9 composta por 160 catadores de materiais reciclados, sendo 30 catadores da Cooperativa, 100 catadores de rua e 30 catadores de aterro controlado[13].<br \/><br \/>Para a coleta de dados foi utilizado um question\u00e1rio criado e testado pelos autores, composto por 24 perguntas, envolvendo informa\u00e7\u00f5es sociodemogr\u00e1ficas e quest\u00f5es sobre a atua\u00e7\u00e3o dos catadores. A coleta de dados foi realizada nos meses de setembro a novembro de 2011.<br \/><br \/>Os participantes da pesquisa foram 96 catadores, sendo 70 deles catadores que atuam nas ruas da referida cidade e 26, participantes da cooperativa de material reciclado que, voluntariamente, aceitaram participar da pesquisa em 2011.<br \/><br \/>Ap\u00f3s aceitarem participar da pesquisa, os catadores receberam uma breve explana\u00e7\u00e3o sobre a mesma, destacando objetivos e garantindo seguran\u00e7a quanto \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de sua identidade. Os question\u00e1rios foram preenchidos pelos catadores e, quando necess\u00e1rio, eles foram auxiliados pelos entrevistadores.<br \/><br \/>A cidade de Po\u00e7os de Caldas produz cerca de 150 t\/dia de res\u00edduos s\u00f3lidos e encaminha, de acordo com o modelo atual, quase todos os res\u00edduos s\u00f3lidos dom\u00e9sticos coletados (cerca de 70%) para o aterro controlado da cidade. O gerenciamento da limpeza urbana \u00e9 de car\u00e1ter municipal, com a Secretaria de Servi\u00e7os P\u00fablicos assumindo a responsabilidade pela operacionaliza\u00e7\u00e3o das atividades.<br \/><br \/>Em se tratando das alternativas de disposi\u00e7\u00e3o final do lixo, CONSONI&nbsp;<i>et alli<\/i>&nbsp;(2000) afirmam que o aterro sanit\u00e1rio \u00e9 o que re\u00fane menores&nbsp;<i>handicaps<\/i>&nbsp;enquanto equipamento voltado para o confinamento final, veredicto aceito principalmente quando se leva em considera\u00e7\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o dos impactos ocasionados pelo descarte dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos.<br \/><br \/>Outro m\u00e9todo de disposi\u00e7\u00e3o final dos res\u00edduos \u00e9 o aterro controlado. Segundo ROTH&nbsp;<i>et alli<\/i>&nbsp;(1999), este equipamento \u00e9 menos prejudicial que os lix\u00f5es pelo fato de que os res\u00edduos dispostos no solo s\u00e3o posteriormente recobertos com terra, o que acaba por reduzir a polui\u00e7\u00e3o local. Por\u00e9m, trata-se de solu\u00e7\u00e3o com efic\u00e1cia bem inferior \u00e0 possibilitada pelos aterros sanit\u00e1rios, pois, ao contr\u00e1rio do que acontece nestes, a massa de lixo em processo de decomposi\u00e7\u00e3o continua a ser fonte de inumer\u00e1veis problemas: emiss\u00e3o de chorume, metano e&nbsp;<i>mutatis mutandis<\/i>, a continuidade de perigos para a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e todas as formas de vida.<br \/><br \/>Em 2006 o munic\u00edpio promulgou a legisla\u00e7\u00e3o municipal 8.316, de 13 de outubro de 2006, que disp\u00f5e sobre a Pol\u00edtica Municipal de Gest\u00e3o de Res\u00edduos S\u00f3lidos Reutiliz\u00e1veis e Incentivos \u00e0 Coleta Seletiva de Lixo no Munic\u00edpio de Po\u00e7os de Caldas. A partir da promulga\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o, o poder p\u00fablico mudou de forma significativa sua rela\u00e7\u00e3o com os catadores de materiais reciclados, incorporando-os enquanto parceiros priorit\u00e1rios no Projeto de Coleta Seletiva implementado a partir do Programa Municipal de Gerenciamento de Res\u00edduos S\u00f3lidos.<br \/><br \/>O contexto s\u00f3cio-pol\u00edtico que propiciou essa mudan\u00e7a no trato com a quest\u00e3o do catador em Po\u00e7os de Caldas se insere, no \u00e2mbito nacional, no processo de amplia\u00e7\u00e3o da democratiza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o p\u00fablica e, no \u00e2mbito mundial, na discuss\u00e3o sobre sustentabilidade ambiental.<br \/><br \/>Com essa parceria, o poder p\u00fablico se desvincula do papel de refor\u00e7ar a imagem do catador como marginal para, ao contr\u00e1rio, assumir uma releitura desta percep\u00e7\u00e3o, fortalecendo o desempenho deste trabalhador da cata\u00e7\u00e3o enquanto profissional da coleta seletiva, atrav\u00e9s do apoio a sua entidade representativa, a A\u00e7\u00e3o Reciclar, no \u00e2mbito do Projeto de Coleta Seletiva.<br \/><br \/>A A\u00e7\u00e3o Reciclar surgiu com um grupo de aproximadamente 36 catadores que antes j\u00e1 se organizavam em grupos, que trabalhavam comprando os materiais dos catadores e revendendo-os para as empresas de reciclagem, \"atravessadores\".<br \/><br \/>A cooperativa, hoje, possui conv\u00eanio com a prefeitura pelo qual a prefeitura cede um local para o trabalho dos catadores e facilidades operacionais como a cess\u00e3o de caminh\u00f5es de coleta. A A\u00e7\u00e3o Reciclar possui um cronograma de coleta pelas ruas, que inclui principalmente feiras, onde a quantidade de res\u00edduos recicl\u00e1veis \u00e9 despejada em maiores quantidades. A associa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m acolhe doa\u00e7\u00f5es de res\u00edduos s\u00f3lidos recicl\u00e1veis de moradores buscando destina\u00e7\u00e3o adequada para os mesmos.<br \/><br \/>Atendendo os aspectos \u00e9ticos da Resolu\u00e7\u00e3o 196\/96 do Conselho Nacional de Sa\u00fade, os catadores foram convidados a assinar um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em duas vias, ficando uma em poder deles e outra, dos pesquisadores. Foi-lhes garantido que n\u00e3o correriam risco algum, nem teriam custos e\/ou benef\u00edcios monet\u00e1rios ao se integrarem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o pesquisada e que poderiam desistir da mesma a qualquer momento, se desejassem.<br \/><br \/><strong>Resultados<\/strong><br \/>Inicialmente foram analisados os dados sociodemogr\u00e1ficos dos participantes da pesquisa, buscando estabelecer rela\u00e7\u00f5es quanto ao g\u00eanero, escolaridade, estado civil, idade, filhos, dentre outros. Dos catadores da cooperativa A\u00e7\u00e3o Reciclar entrevistados, detectou-se uma propor\u00e7\u00e3o de 23.1% de indiv\u00edduos do sexo masculino e 76,9%, do sexo feminino, sob a alega\u00e7\u00e3o de que o trabalho nas linhas de triagem exigiria menor esfor\u00e7o f\u00edsico. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o por faixa et\u00e1ria, 34,6% possui idade entre 18 a 35 anos e 65,4% acima de 36 anos. Quanto \u00e0 escolaridade, 11,5% conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio e 50% o ensino fundamental.<br \/><br \/>Na rela\u00e7\u00e3o do trabalho com as doen\u00e7as e os sintomas referidos, quando o tema diz respeito a acidentes, a maioria (42,3%) mencionou j\u00e1 ter-se acidentado. Dentre os casos de acidentes mencionados, destacam-se os cortes com vidros e as perfura\u00e7\u00f5es com outros materiais. No tocante \u00e0s doen\u00e7as transmiss\u00edveis atrav\u00e9s do lixo, 69,2% dos catadores n\u00e3o possuem conhecimento sobre o assunto (tabela 1 e 2).<br \/><br \/>Todavia, analisando os resultados dos exames de fezes realizados em 33% dos cooperados, constatou-se a presen\u00e7a de Cistos de&nbsp;<i>Entamoeba coli<\/i>, 6,7%&nbsp;<i>Enterobius vermiculares<\/i>, 13% Cistos de&nbsp;<i>Giardia lamblia<\/i>&nbsp;e 20% Ovos de&nbsp;<i>Ascaris lumbric\u00f3ides<\/i>&nbsp;(tabela 3).<br \/><br \/>A maiora dos trabalhadores sente dores frequentes nos membros inferiores e 20% revela sentir dores na coluna, expecificamente na lombar, o que se refere \u00e0 m\u00e1 postura e ao peso excessivo durante sua jornada de trabalho di\u00e1ria. Devido ao contato direto com materiais de diversos tipos, que s\u00e3o eventualmente t\u00f3xicos, um grupo significativo relata que sente os olhos irritados (28,6%) e, entre esses, 17,1% confirmam a ocorr\u00eancia de irrita\u00e7\u00f5es de pele. Outra nota\u00e7\u00e3o importante consignada nos question\u00e1rios, \u00e9 que 11,4% das mulheres j\u00e1 ficaram gr\u00e1vidas durante o per\u00edodo em que trabalhavam na coleta de lixo.<br \/><br \/>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa com os catadores de materiais reciclados que operam nas ruas, a maioria est\u00e1 na faixa et\u00e1ria entre 50-59 anos e pertence ao sexo masculino (65,1%). Nesse grupo, 57,1% possuem ensino fundamental incompleto como ilustra a figura 1. Quanto ao estado civil, 33% deles s\u00e3o casados e 56% possuem filhos.<br \/><br \/>De todos os catadores entrevistados, 60% tinham a cata\u00e7\u00e3o como \u00fanica fonte de renda; 83% relataram que n\u00e3o possuem ajuda do governo ou institui\u00e7\u00f5es sociais; e 85% n\u00e3o tinham interesse em ingressar na cooperativa porque gostavam da liberdade das ruas.<br \/><br \/>No referente ao uso de Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual (EPIs), a maioria dos catadores, 58,82%, confirmou utiliza\u00e7\u00e3o no transcorrer da jornada de trabalho. Todavia, o \u00fanico EPI verificado foram bon\u00e9s.<br \/><br \/>A metade dos entrevistados considera o retorno financeiro suficiente para sustentar sua fam\u00edlia. Quanto ao faturamento l\u00edquido mensal, 60% dos catadores conseguem menos de um sal\u00e1rio m\u00ednimo e 44% possuem outra fonte de renda (figura 2). O meio de transporte mais utilizado pelos catadores de rua ainda s\u00e3o o carrinho (55,7%) e a charrete com tra\u00e7\u00e3o animal (30%) conforme mostra a figura 3.<br \/><br \/><strong>Discuss\u00e3o<\/strong><br \/>Um dado interessante \u00e9 que a maioria dos catadores entrevistados tinha entre 19 e 45 anos de idade. Uma das principais caracter\u00edsticas deste segmento de jovens trabalhadores \u00e9 o fato de que muitos nunca estiveram inseridos no mercado de trabalho formal e t\u00eam a cata\u00e7\u00e3o como primeira experi\u00eancia de trabalho.<br \/><br \/>Em pesquisa realizada por Bosi (2008), o fator idade revela uma predomin\u00e2ncia de pessoas entre 30 e 60 anos. A popula\u00e7\u00e3o de catadores \u00e9 formada basicamente por adultos jovens, embora ocorra uma grande elasticidade na estratifica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria do grupo (PORTO&nbsp;<i>et alli<\/i>, 2004).<br \/><br \/>De acordo com CARMO (2005), a idade \u00e9 um dos fatores que mais afetam a forma de participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho urbano formal, o qual, no Brasil, \u00e9 mais favor\u00e1vel ao recrutamento de jovens. Todavia, dos catadores entrevistados a maioria relatou que a idade constitui-se em obst\u00e1culo para o reingresso no mercado formal de trabalho. Na cata\u00e7\u00e3o, a idade n\u00e3o constitui fator excludente, pois uma das caracter\u00edsticas dessa atividade \u00e9 a aus\u00eancia de exig\u00eancias para ingresso (ALMEIDA&nbsp;<i>et alli<\/i>, 2009).<br \/><br \/>Dos entrevistados, a maioria tinha completado o ensino fundamental, o que mostra que a maior parte dos catadores possui baixa escolaridade. A quest\u00e3o da escolaridade \u00e9 um aspecto importante e deve ser considerado nas an\u00e1lises sobre acesso ao trabalho e n\u00edvel de renda.<br \/><br \/>Sobre esta quest\u00e3o, constatou-se, por meio das entrevistas, que a maioria dos catadores iniciou as atividades laborativas quando crian\u00e7as, para auxiliar na renda familiar. Essa inser\u00e7\u00e3o precoce no mercado de trabalho informal dificultou seu ingresso e perman\u00eancia na educa\u00e7\u00e3o formal, o que mais tarde repercutiu como empecilho para seu acesso ao mercado de trabalho formal (VIANA, 2000).<br \/><br \/>A correla\u00e7\u00e3o entre baixa escolaridade e a atividade da cata\u00e7\u00e3o foi rubricada em pesquisas anteriores realizadas por SILVA (2002) e MAGERA (2003), que conclu\u00edram que essa correla\u00e7\u00e3o direciona para a exclus\u00e3o do mercado formal de trabalho. Sobre isso, apesar da instru\u00e7\u00e3o ser valorizada por muitos catadores como um meio de garantir melhores condi\u00e7\u00f5es de vida para seus filhos, nenhum dos entrevistados alentou a expectativa de retomar os estudos para tentar outro tipo de ocupa\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cata\u00e7\u00e3o de recicl\u00e1veis, o conhecimento mais \u00fatil referiu-se \u00e0s opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas b\u00e1sicas para a confer\u00eancia da pesagem e do pagamento do material recolhido. Assim, quantificadas as informa\u00e7\u00f5es sobre a escolaridade dos catadores, o quadro formado \u00e9 fortemente marcado por baix\u00edssima instru\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Os entrevistados consideram que o principal motivo que os levou a trabalhar como catadores foi a \"necessidade\", sendo esta atividade sua \"\u00fanica oportunidade\". Como avaliado por MEDEIROS&nbsp;<i>et<\/i>&nbsp;MACEDO (2007), o trabalho ocupa um lugar central na vida de quem o realiza, sendo ele um meio de subsist\u00eancia e de integra\u00e7\u00e3o social, pois viabiliza o relacionamento entre pessoas, a inclus\u00e3o social e o sentimento de pertencer a um grupo.<br \/><br \/>Conforme MIURA (2004), parte dos trabalhadores da cata\u00e7\u00e3o \u00e9 oriundo da popula\u00e7\u00e3o desempregada, que atingida pela idade, condi\u00e7\u00e3o social e baixa escolaridade, n\u00e3o encontra espa\u00e7o no mercado formal de trabalho.<br \/><br \/>O estudo tamb\u00e9m verificou que a maioria das mulheres entrevistadas est\u00e1 em idade f\u00e9rtil. Para elas, o trabalho de cata\u00e7\u00e3o torna-se ainda mais extenuante, pois a ele se soma a jornada dom\u00e9stica di\u00e1ria. Portanto, este p\u00fablico demanda pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas \u00e0 sa\u00fade da mulher e outras voltadas para a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, tais como creches e escolas para educa\u00e7\u00e3o infantil, para que possa, assim, ter uma melhor inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho (FERREIRA, 2005).<br \/><br \/>O trabalho de cata\u00e7\u00e3o tornou-se o principal e, na maioria dos casos, o \u00fanico meio de sustento das mulheres chefes de fam\u00edlia, que trabalham, inclusive, nos per\u00edodos de gravidez. No caso dos homens, al\u00e9m do trabalho de cata\u00e7\u00e3o, s\u00e3o executados, paralelamente, pequenos servi\u00e7os como os de pedreiro, jardineiro, padeiro e caseiro (SOUZA, 1995).<br \/><br \/>Nesse sentido, deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o o fen\u00f4meno da feminiza\u00e7\u00e3o da pobreza, associado, especialmente no contexto dos pa\u00edses perif\u00e9ricos, aos processos de globaliza\u00e7\u00e3o, de reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva e de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, acompanhados do concomitante potencial de vulnerabilidade de grupos sociais espec\u00edficos, dentre os quais as mulheres.<br \/><br \/>A amplia\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade social da classe trabalhadora atinge principalmente as mulheres e as crian\u00e7as. Isto \u00e9, afeta especialmente n\u00facleos familiares em cujo seio a mulher \u00e9 a principal ou \u00fanica provedora, n\u00e3o por outra raz\u00e3o sen\u00e3o pela falta de adultos do sexo masculino a compartilhar as responsabilidades pela subsist\u00eancia da fam\u00edlia (LEAL&nbsp;<i>et alli<\/i>, 2002).<br \/><br \/>A maioria dos cooperados e catadores relatou ferimentos durante a jornada de trabalho, devido \u00e0 falta e\/ou ao uso incorreto de EPIs. PORTO&nbsp;<i>et alli<\/i>&nbsp;(2004) destacam que os catadores percebem o lixo como fonte de sobreviv\u00eancia, e a sa\u00fade, como capacidade para o trabalho, tendendo a negar a rela\u00e7\u00e3o direta entre o trabalho e os problemas de sa\u00fade.<br \/><br \/>Segundo MIURA (2004), embora a cata\u00e7\u00e3o ocorra em condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis e n\u00e3o altere a estrutura da desigualdade social, ela possibilita, mesmo que temporariamente, a inser\u00e7\u00e3o social. Segundo a autora, a organiza\u00e7\u00e3o em cooperativas possibilita uma condi\u00e7\u00e3o de trabalho mais favor\u00e1vel, com estrutura f\u00edsica mais adequada e oportunidades de maior remunera\u00e7\u00e3o, tanto na perspectiva material quanto na social.<br \/><br \/><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><br \/>Apesar de todos os desafios que incidem no trabalho realizado pelos catadores, os res\u00edduos s\u00f3lidos s\u00e3o um nicho de mercado que n\u00e3o pode ser ignorado. Existe no trabalho de cata\u00e7\u00e3o uma possibilidade significativa de incluir socialmente as pessoas que n\u00e3o teriam, provavelmente, outras oportunidades no mercado de trabalho.<br \/><br \/>A realiza\u00e7\u00e3o desta pesquisa permitiu uma maior compreens\u00e3o no que tange \u00e0 problem\u00e1tica do lixo e \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da viv\u00eancia dos catadores de materiais recicl\u00e1veis, na complexidade social na qual est\u00e3o inseridos e nos problemas a ela relacionados, como o descaso da sociedade e do munic\u00edpio.<br \/><br \/>A pesquisa tamb\u00e9m apontou como benef\u00edcio a autonomia na gest\u00e3o do tempo; apesar de quase todos cumprirem \u00e1rduas jornadas de trabalho, possuem independ\u00eancia no sentido de que n\u00e3o precisam pedir licen\u00e7a ao patr\u00e3o ou \u00e0 patroa para descansar, comparecer \u00e0s reuni\u00f5es na escola, conversar com os colegas, definir hor\u00e1rios de trabalho.<br \/><br \/>Constatou-se, tamb\u00e9m, que o valor do rendimento mensal dos entrevistados parece influenciar a perman\u00eancia no trabalho, pois a idade e a aus\u00eancia de escolaridade dificultam a inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e, consequentemente, no recebimento de um sal\u00e1rio equivalente \u00e0 renda obtida com a venda dos materiais recicl\u00e1veis coletados.<br \/><br \/>Portanto, \u00e9 importante oferecer condi\u00e7\u00f5es salubres e dignas de trabalho a esses catadores, incentivando sua perman\u00eancia na cadeia econ\u00f4mica de reciclagem, por\u00e9m em condi\u00e7\u00f5es adequadas de trabalho.<br \/><br \/>Por meio do trabalho da cata\u00e7\u00e3o, os catadores buscam condi\u00e7\u00f5es que lhes permitam ser inclu\u00eddos como sujeitos na sociedade. Disponibilizando a eles os equipamentos de prote\u00e7\u00e3o adequados e criando neles a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de seu uso, talvez se pudesse contribuir para minimizar o \u00edndice de acidentes nesse tipo de trabalho.<br \/><br \/>De forma semelhante, medidas coletivas de prote\u00e7\u00e3o e higiene poderiam ser adotadas. Assim, envolver efetivamente os catadores em qualquer processo de mudan\u00e7a \u00e9 um dos aspectos que s\u00e3o considerados como fundamentais para alcan\u00e7ar a melhoria em suas condi\u00e7\u00f5es vigentes de vida e trabalho.<br \/><br \/>Por outro lado, as institui\u00e7\u00f5es envolvidas - ambientais, sociais e sanit\u00e1rias - tamb\u00e9m deveriam mudar seus paradigmas, revendo seus pontos de vista e aceitando o que a realidade indica. Em especial, ponderar no que toca \u00e0s condi\u00e7\u00f5es objetivas que regram o dia-a-dia dos catadores, aspectos essenciais para qualificar e dignificar as condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho da popula\u00e7\u00e3o catadora (WALDMAN, 2007).<br \/><br \/>Dessa forma, a atribui\u00e7\u00e3o de significados positivos \u00e0 atividade de coleta de res\u00edduos, tais como o reconhecimento profissional, o entendimento dos benef\u00edcios que ela proporciona \u00e0 sociedade e a diferencia\u00e7\u00e3o entre catador (pessoa) e seu material de trabalho (lixo), pode contribuir para um maior envolvimento da popula\u00e7\u00e3o, principalmente no que se refere aos equil\u00edbrios ambientais urbanos, descarte seletivo e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos recicl\u00e1veis.<br \/><br \/><strong>Notas<\/strong><br \/>[1]&nbsp;Na verdade, o consumismo \u00e9 ditado pelas necessidades de uma economia baseada na produ\u00e7\u00e3o em massa, paradigma oriundo da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, refor\u00e7ado em particular pela \u00f3tica fordista e pelos par\u00e2metros da economia cl\u00e1ssica. Nesta vertente, o consumidor \u00e9, portanto, induzido ao consumismo exacerbado, atrav\u00e9s de estrat\u00e9gias de propaganda e marketing, entendidas como instrumentos para manter um frenesi permanente para a cadeia produtiva.<br \/><br \/>[2]&nbsp;Particularmente os lix\u00f5es constituem abrigo a toda prova para os pat\u00f3genos. Moscas, mosquitos, baratas, ratos e urubus s\u00e3o algumas das formas de vida que - ao lado de outras menos citadas - se imiscuem no ambiente urbano predispondo riscos sanit\u00e1rios e difundindo micro-organismos perigosos. Dentre as doen\u00e7as transmitidas a partir da associa\u00e7\u00e3o desses vetores com os rebotalhos est\u00e3o a toxoplasmose, a triquinose, a ten\u00edase, a hantavirose, a leptospirose, a peste bub\u00f4nica, a dengue, a mal\u00e1ria e a febre amarela (Cf. NETO, 2007: 24\/41).<br \/><br \/>[3]&nbsp;Seria merit\u00f3rio rubricar que a fra\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, justamente pelo seu perfil taxon\u00f4mico, integra-se com velocidade muito maior aos ciclos da natureza, sendo por defini\u00e7\u00e3o recicl\u00e1vel. Neste sentido, identificar exclusivamente a fra\u00e7\u00e3o seca como \"recicl\u00e1vel\" incorre em grave incorre\u00e7\u00e3o conceitual e operacional.<br \/><br \/>[4]&nbsp;\u00c9 importante pontuar que a defini\u00e7\u00e3o \"inserv\u00edvel\" insere car\u00e1ter hist\u00f3rico, inviabilizando conceitua\u00e7\u00f5es taxativas, gen\u00e9ricas e aleat\u00f3rias. Isso posto, contrariando o mito do \"aproveitamento total do lixo\", refugos inserv\u00edveis existem e continuar\u00e3o a existir.<br \/><br \/>[5]&nbsp;Al\u00e9m de chorume, o l\u00edquido recebe outras denomina\u00e7\u00f5es: percolado, lixiviado, chumeiro e calda negra. Note-se a virul\u00eancia deste efluente l\u00edquido: o (chorume pode ser 200 vezes mais impactante que o esgoto quanto \u00e0 demanda bioqu\u00edmica de oxig\u00eanio (DBO). Isto \u00e9, sua presen\u00e7a no ambiente \u00e9 conotada por sua potente capacidade de destrui\u00e7\u00e3o quando em contato com as \u00e1guas doces, fato esse que concretamente articula a quest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos com a dos recursos h\u00eddricos (WALDMAN, 2011: 14).<br \/><br \/>[6]&nbsp;Dado nem sempre sublinhado na ordem de import\u00e2ncia que insere, o metano constitui item crucial na senda das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Ainda que as emiss\u00f5es de metano sejam inferiores \u00e0s do di\u00f3xido de carbono (tido como carro-chefe dos GEE), seu efeito \u00e9 consideravelmente mais intenso, cerca de 20 vezes maior. Acredita-se que no Brasil, os RDO, devido a seu elevado teor de mat\u00e9ria org\u00e2nica, respondam por cerca de 12% das emiss\u00f5es do g\u00e1s, sendo que a disposi\u00e7\u00e3o final responde por 84% desse montante (Cf. WALDMAN, 2010: 109; IBAM, 2007a e 2007b).<br \/><br \/>[7] Numa defini\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria, o lix\u00e3o consiste no dep\u00f3sito de res\u00edduos sem qualquer tratamento pr\u00e9vio, sendo oriundos de diversas proced\u00eancias (constru\u00e7\u00e3o civil, hospitais, domic\u00edlios, ind\u00fastrias, etc.) e cuja disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 feita a expensas de quaisquer estudos geot\u00e9cnicos, permitindo que efluentes como o chumeiro e o metano escoem livremente, afetando o ambiente e as pessoas das proximidades.<br \/><br \/>[8]&nbsp;Sob pena de incorrer em equ\u00edvocos, \u00e9 necess\u00e1rio atentar para os dados da gravimetria e das unidades de destino dos RSU no Brasil. Sabe-se que da&nbsp;<i>massa total dos refugos coletados<\/i>, 56,8% segue para aterros sanit\u00e1rios, 23,9% para aterros ditos \"controlados\" &nbsp;e 19,3% para os lix\u00f5es. Contudo, embora recepcionando uma porcentagem menor do lixo total, os lix\u00f5es perfazem 50,8% dos equipamentos municipais de destina\u00e7\u00e3o final do lixo. Ou seja, existindo em maior n\u00famero e em munic\u00edpios mais pobres - no geral abarcando ambientes ainda gravados pela naturalidade - provocam impacto tremendo. A isso se somam os problemas dos lix\u00f5es desativados, cujo n\u00famero rondaria a casa de 15.000 equipamentos espalhados por todo o pa\u00eds (WALDMAN, 2011: 73-74).<br \/><br \/>[9]&nbsp;Para GON\u00c7ALVES (2001), os catadores de materiais recicl\u00e1veis, nome dado formalmente \u00e0 profiss\u00e3o desde 2001 no C\u00f3digo Brasileiro de Ocupa\u00e7\u00f5es (CBO), \"s\u00e3o pessoas que vivem e trabalham, individual e coletivamente, na atividade de coleta, triagem e comercializa\u00e7\u00e3o de materiais recicl\u00e1veis\".<br \/><br \/>[10]&nbsp;A especificidade desta \u00faltima categoria explica que uma colet\u00e2nea de trabalhos opte preferencialmente mostre prefer\u00eancia pela terminologia&nbsp;<i>popula\u00e7\u00e3o de lix\u00f5es<\/i>.<br \/><br \/>[11]&nbsp;As estat\u00edsticas variam tremendamente. Entretanto, nenhuma fonte indica menos do que 95% de participa\u00e7\u00e3o da cata\u00e7\u00e3o no reaproveitamento dos materiais pela ind\u00fastria.<br \/><br \/>[12] Estimativa para 01-07-2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE): www.ibge.gov.br<br \/><br \/>[13]&nbsp;O chamado aterro \"controlado\" pouco difere do modelo do lix\u00e3o, resumindo-se no mais das vezes a algum tipo de cuidado em minimizar a exposi\u00e7\u00e3o do lixo e acomod\u00e1-lo com tratores e camadas de solo. Constituiria, portanto, uma vers\u00e3o mascarada dos lix\u00f5es.<br \/><br \/><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<br \/><\/strong>ABREU, M. F.&nbsp;<i>Do lixo \u00e0 cidadania: estrat\u00e9gias para a a\u00e7\u00e3o<\/i>. 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S\u00e3o Paulo: Unitrabalho; Rio de Janeiro: COPPE\/UFRJ, 2000, pp. 7 -18.<\/div>\r\n<div>IBAM.&nbsp;<i>Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - Gest\u00e3o Integrada de Res\u00edduos S\u00f3lidos<\/i>. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Administra\u00e7\u00e3o Municipal (IBAM). 2007b.<\/div>\r\n<div>________.&nbsp;<i>Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - Redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es na disposi\u00e7\u00e3o final<\/i>. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Administra\u00e7\u00e3o Municipal (IBAM). 2007a.<\/div>\r\n<div>________.&nbsp;<i>Gest\u00e3o Integrada de Res\u00edduos S\u00f3lidos: Manual Gerenciamento Integrado de Res\u00edduos S\u00f3lidos.&nbsp;<\/i>Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Administra\u00e7\u00e3o Municipal (IBAM) \/ Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (SEDU\/PR). 2001.<\/div>\r\n<div>IBGE.&nbsp;<i>Pesquisa Nacional de Saneamento B\u00e1sico 2008. Minist\u00e9rio do Planejamento, Or\u00e7amento e Gest\u00e3o<\/i>. Rio de Janeiro (RJ): IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, 2010.<\/div>\r\n<div>KIRCHNER, RM, SAIDELLES, APF.&nbsp;<i>Percep\u00e7\u00f5es e perfil dos catadores de materiais recicl\u00e1veis de uma cidade do RS<\/i>. Revista Brasileira de Gest\u00e3o e Desenvolvimento Regional. v. 5, n\u00ba. 3, pp. 221-232, set-dez\/2009, Taubat\u00e9, SP, Brasil.<\/div>\r\n<div>LAURELL, A. C. &amp; NORIEGA, M.&nbsp;<i>Processo de Produ\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade: Trabalho e Desgaste Oper\u00e1rio<\/i>. S\u00e3o Paulo: Hucitec.1989.<\/div>\r\n<div>LEAL, A.C.;&nbsp;<i>et alli<\/i>&nbsp;(2002),&nbsp;<i>A reinser\u00e7\u00e3o do lixo na sociedade do capital: uma contribui\u00e7\u00e3o ao entendimento do trabalho na cata\u00e7\u00e3o e na reciclagem<\/i>. Revista Terra Livre, S\u00e3o Paulo, 18 (19), 177-190, jul\/dez.<\/div>\r\n<div>LIANZA, S.&nbsp;<i>Um projeto de combate \u00e0 exclus\u00e3o&nbsp;<\/i>In: Guimar\u00e3es G (org).&nbsp;<i>Sindicalismo e cooperativismo: a economia solid\u00e1ria em debate, transforma\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho<\/i>. S\u00e3o Paulo: Unitrabalho; Rio de Janeiro: COPPE\/UFRJ, 2000, p. 21.<\/div>\r\n<div>LIMA, S. C., &amp; RIBEIRO, T. F.&nbsp;<i>A coleta seletiva de lixo domiciliar: Estudos de casos<\/i>. Caminhos de Geografia, v 2, pp. 50-69, 2000.<\/div>\r\n<div>MADRUGADA R. B.&nbsp;<i>Cargas de trabalho encontradas nos coletores de lixo domiciliar - um estudo de caso<\/i>. Disserta\u00e7\u00e3o (mestrado). Faculdade de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o, Universidade Federal de Santa Catarina, 2002.<\/div>\r\n<div>MAGERA M.&nbsp;<i>Os empres\u00e1rios do lixo: um paradoxo da modernidade<\/i>. Campinas, SP: \u00c1tomo. 2003.<\/div>\r\n<div>MARTINS, A. C.&nbsp;<i>A Busca de prote\u00e7\u00e3o ao trabalho dos catadores de lixo recicl\u00e1veis: an\u00e1lise da experi\u00eancia do Instituto Lixo e Cidadania em Curitiba, PR<\/i>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado) - Universidade Federal de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2007.<\/div>\r\n<div>MEDEIROS, L.F.R.; MACEDO, K.B.&nbsp;<i>Profiss\u00e3o: catador de material recicl\u00e1vel, entre o viver e o sobreviver<\/i>. Revista Brasileira de Gest\u00e3o e Desenvolvimento Regional, 3(2), pp. 72-94, 2007.<\/div>\r\n<div>________.&nbsp;<i>Catador de material recicl\u00e1vel: uma profiss\u00e3o para al\u00e9m da sobreviv\u00eancia<\/i>. Revista Psicologia &amp; Sociedade. 2006; 18(2):62-71.<\/div>\r\n<div>MINAYO-GOMES, C, THEDIM-COSTA, SMF.&nbsp;<i>A constru\u00e7\u00e3o do campo da sa\u00fade do trabalhador: percurso e dilemas<\/i>. Cad. Sa\u00fade P\u00fablica vol.13 suppl.2 Rio de Janeiro 1997.<\/div>\r\n<div>MIURA, P. C. O.&nbsp;<i>Tornar-se catador: uma an\u00e1lise psicossocial<\/i>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado) Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 2004.<\/div>\r\n<div>MIRANDA, L. L.&nbsp;<i>O que \u00e9 lixo<\/i>. S\u00e3o Paulo: Brasiliense; 1995.<\/div>\r\n<div>MORAES LRS.&nbsp;<i>Acondicionamento e coleta de res\u00edduos s\u00f3lidos domiciliares e impactos na sa\u00fade de crian\u00e7as residentes em assentamentos periurbanos de Salvador<\/i>, Bahia, Brasil. Cadernos de Sa\u00fade P\u00fablica 2007; 23(supl. 4):S643-49.<\/div>\r\n<div>MUCELIN, C.A; BELLINI, M.&nbsp;<i>Lixo e Impactos Ambientais percept\u00edveis no ecossistema urbano<\/i>. Sociedade &amp; Natureza, Uberl\u00e2ndia, 20 (1): 111-124, jun. 2008.<\/div>\r\n<div>NUNES MAIA. M. F.&nbsp;<i>A gest\u00e3o de res\u00edduos urbanos e suas limita\u00e7\u00f5es<\/i>. Tecbahia-SSA, v 17, n\u00ba. 1, pp. 120-122, 2002.<\/div>\r\n<div>NETO, Jo\u00e3o Tinoco Pereira.&nbsp;<i>Gerenciamento do Lixo Urbano - Aspectos T\u00e9cnicos e Operacionais<\/i>. 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(1997).&nbsp;<i>Processo de trabalho dos coletores de lixo no Rio de Janeiro<\/i>. Cadernos de Sa\u00fade P\u00fablica, 13, pp. 693-700.<\/div>\r\n<div>VELLOSO M. P., VALLADARES J. C., SANTOS E. M.&nbsp;<i>A coleta de lixo domiciliar na Cidade do Rio de Janeiro: Um estudo de caso baseado na percep\u00e7\u00e3o do trabalhador<\/i>. Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva. 1998; 3: pp. 143-50.<\/div>\r\n<div>VIANA. N.&nbsp;<i>Catadores de lixo: renda familiar, consumo e trabalho precoce<\/i>. Revista Estudos da Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s. 27(3). 2000.<\/div>\r\n<div>WALDMAN, Maur\u00edcio.&nbsp;<i>A Reciclagem Esquecida<\/i>. Presidente Prudente (SP): Jornal O Imparcial, Edi\u00e7\u00e3o de Domingo, Opini\u00e3o, p\u00e1gina 3a. 11-10-2014; Dispon\u00edvel em: &lt; http:\/\/www.mw.pro.br\/mw\/MA_ColunaPR_Imparcial6.pdf &gt;. Acesso em: 02-01-2015. 2014a.<\/div>\r\n<div>__________.&nbsp;<i>A Civiliza\u00e7\u00e3o do Lixo<\/i>. Presidente Prudente (SP): Jornal O Imparcial, Edi\u00e7\u00e3o de Domingo, Opini\u00e3o, p\u00e1gina 3\u00aa. 01-06-2014. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.mw.pro.br\/mw\/MA_ColunaPR_Imparcial1.pdf &gt;. Acesso em: 02-01-2015. 2014b.<\/div>\r\n<div>__________.&nbsp;<i>Lixo Domiciliar no Brasil: Din\u00e2micas Socioespaciais, Gest\u00e3o de Res\u00edduos e Ambiente Urbano - Relat\u00f3rio de Pesquisa de P\u00f3s-Doutorado<\/i>. Campinas: UNICAMP-CNPq. 2011a.<\/div>\r\n<div>__________.&nbsp;<i>Limites da Modernidade: Dilemas do Esgotamento dos Recursos<\/i>. Paper elaborado como subs\u00eddio para a Palestra Sustentabilidade: Cen\u00e1rios e Desafios, proferida em 06-05-2011 na XII Jornada de Educa\u00e7\u00e3o e XII Simp\u00f3sio de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Faculdade de Ci\u00eancias, Letras e Educa\u00e7\u00e3o de Presidente Prudente. Presidente Prudente (SP): Universidade do Oeste Paulista - FACLEPP. 2011b.<\/div>\r\n<div>__________.&nbsp;<i>Lixo: Cen\u00e1rios e Desafios - Abordagens b\u00e1sicas para entender os res\u00edduos s\u00f3lidos<\/i>. S\u00e3o Paulo (SP): Cortez Editora, 2010.<\/div>\r\n<div>__________.&nbsp;<i>Reciclagem, Preserva\u00e7\u00e3o Ambiental e o Papel dos Catadores no Brasil<\/i>. In: Anais do VI Simp\u00f3sio Internacional de Qualidade Ambiental - Na Busca da Sustentabilidade, v. 1. p. 1-16. Porto Alegre: ABES - Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Sanit\u00e1ria e Ambiental - Se\u00e7\u00e3o Rio Grande do Sul, 2008.<\/div>\r\n<div>__________.&nbsp;<i>Meio Ambiente, Reciclagem e Cidadania<\/i>. Paper apresentado no II\u00ba Forum Municipal de Lixo e Cidadania, Po\u00e7os de Caldas (MG). 2007b. Dispon\u00edvel em:<\/div>\r\n<p>&lt; http:\/\/www.mw.pro.br\/mw\/mw.php?p=eco_meio_ambiente_reciclagem_e_cidadania&amp;c=e &gt; 2007.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Tabelas e gr\u00e1ficos<\/strong><br \/><strong>Tabela 1:<\/strong> Distribui\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es realizadas aos catadores de materiais recicl\u00e1veis da Cooperativa segundo caracter\u00edsticas sociodemogr\u00e1ficas em Po\u00e7os de Caldas - MG, 2011.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:14267847321426784732416127128.jpg\" width=\"693\" height=\"513\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tabela 2:<\/strong> Distribui\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es realizadas aos catadores de materiais recicl\u00e1veis da Cooperativa segundo caracter\u00edsticas de sa\u00fade ocupacional em Po\u00e7os de Caldas-MG, 2011.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142678485414267848548109584653.jpg\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tabela 3:<\/strong> Distribui\u00e7\u00e3o dos resultados de exames parasitol\u00f3gicos realizados na Cooperativa A\u00e7\u00e3o Reciclar na cidade de Po\u00e7os de Caldas- MG, 2011.<\/p>\r\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:1426785056142678505609182535.jpg\" width=\"714\" height=\"817\" \/><\/p>\r\n<p><strong>Figura 1:<\/strong> Distribui\u00e7\u00e3o por faixa et\u00e1ria dos catadores de rua do munic\u00edpio de Po\u00e7os de Caldas-Minas Gerais, Brasil, setembro a novembro de 2011.<\/p>\r\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142678522114267852214828340033.jpg\" \/><\/p>\r\n<p><strong>Figura 2:<\/strong> Distribui\u00e7\u00e3o de renda dos catadores de rua do munic\u00edpio de Po\u00e7os de Caldas-Minas Gerais, Brasil, setembro a novembro de 2011.<\/p>\r\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:14271146331427114633681945971.jpg\" \/><\/p>\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<p><strong>Figura 3:<\/strong> Meios de transporte utilizados pelos catadores de rua no munic\u00edpio de Po\u00e7os de Caldas-Minas Gerais, Brasil, setembro a novembro de 2011.<\/p>\r\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142711497014271149706904565393.jpg\" \/><\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/section>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-7579","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/7579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}