{"id":7580,"date":"2024-06-11T13:23:09","date_gmt":"2024-06-11T16:23:09","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/a-moderna-arquitetura-de-saude-e-a-cidade\/"},"modified":"2024-11-24T11:09:34","modified_gmt":"2024-11-24T14:09:34","slug":"a-moderna-arquitetura-de-saude-e-a-cidade","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/a-moderna-arquitetura-de-saude-e-a-cidade\/","title":{"rendered":"A moderna arquitetura de sa\u00fade e a cidade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pre\u00e2mbulo<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:14230580531423058053326922437.jpg\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:14230580531423058053326922437.jpg\" \/><br \/>Para falar da moderna arquitetura para a sa\u00fade e a cidade torna-se necess\u00e1rio fazermos uma incurs\u00e3o pelos termos deste t\u00edtulo para entendermos como se relacionam. &nbsp;A discuss\u00e3o acerca de uma cidade s\u00e3, limpa e desprovida de riscos \u00e0 sa\u00fade coletiva n\u00e3o \u00e9 um fato novo, esse pensamento est\u00e1 no bojo das concep\u00e7\u00f5es modernas sobre a cidade e sobre a arquitetura hospitalar. Essa luta pela salubridade das cidades nos remete, sem medo de anacronismos, \u00e0 Europa do s\u00e9culo XVIII e ao nascedouro da medicina moderna. \u00c9 nesse momento que encontramos os prim\u00f3rdios da moderniza\u00e7\u00e3o do campo.<\/p>\r\n<p>Refer\u00eancia para os estudos sobre a quest\u00e3o da&nbsp;sa\u00fade, Michel Foucault (1979) considerou que a medicina moderna \u00e9 uma pr\u00e1tica social, a qual tem por detr\u00e1s uma tecnologia do corpo social e, no \u00e2mbito da expans\u00e3o do capitalismo, entre o s\u00e9culo XVIII e o s\u00e9culo XIX, socializou o corpo como for\u00e7a de produ\u00e7\u00e3o e for\u00e7a de trabalho. Nesse per\u00edodo, sob o mercantilismo, as na\u00e7\u00f5es europeias se preocupavam com a sa\u00fade de suas popula\u00e7\u00f5es, pois havia a necessidade do controle do fluxo monet\u00e1rio, dos fluxos de mercadorias correlatos e, consequentemente, das atividades produtivas das popula\u00e7\u00f5es, remetendo-se, assim, a um controle sanit\u00e1rio. Como antecedente dessas medidas, temos j\u00e1 no s\u00e9culo XVII, na Fran\u00e7a e na Inglaterra, as estat\u00edsticas de natalidade e mortalidade e a contabilidade da popula\u00e7\u00e3o e, na Alemanha, a institui\u00e7\u00e3o de uma pr\u00e1tica m\u00e9dica efetivamente voltada para a melhoria da sa\u00fade do povo com uma pol\u00edcia m\u00e9dica exercendo controle.<\/p>\r\n<p>Contribuindo a esse entendimento, cabe destacar a cita\u00e7\u00e3o de Richard Sennett (2005) \u00e0 descoberta do m\u00e9dico brit\u00e2nico William Harvey com sua obra De motu cordis (1628) sobre a circula\u00e7\u00e3o do sangue, que veio revolucionar a compreens\u00e3o do corpo e, consequentemente, favoreceu um novo modelo - de mobilidade - o qual coincide com o advento do capitalismo. Esse modelo influenciou sobremodo a abertura do tecido urbano, permitindo a dissemina\u00e7\u00e3o de uma perspectiva vi\u00e1ria para as cidades, propiciando uma melhor circula\u00e7\u00e3o de seus habitantes e tamb\u00e9m sua melhor aera\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<p>Assim, contextualizando o s\u00e9culo XVIII e retomando Michel Foucault (1979), o autor comenta os fundamentos da forma\u00e7\u00e3o da medicina social no ocidente moderno destacando: uma medicina de Estado que se desenvolveu na Alemanha no come\u00e7o do s\u00e9culo XVIII; uma medicina social que surge na Fran\u00e7a em fins do s\u00e9culo XVIII e que tem como suporte a urbaniza\u00e7\u00e3o; uma nova forma de medicina social na Inglaterra que tem como preocupa\u00e7\u00e3o a pobreza.<\/p>\r\n<p>Apesar de essas tr\u00eas experi\u00eancias terem tido impacto na forma\u00e7\u00e3o da nossa medicina social, aqui nos interessa pensar a rela\u00e7\u00e3o com a cidade e, assim, em um primeiro momento, nos reportaremos \u00e0 Fran\u00e7a e \u00e0 medicina relacionada ao urbano para depois, ao longo do texto, discorrer sobre a tem\u00e1tica no Brasil, com o exemplo do Rio de Janeiro. Finalizaremos com algumas considera\u00e7\u00f5es acerca do patrim\u00f4nio cultural da sa\u00fade como lugares de mem\u00f3ria para a cidade.<\/p>\r\n<p><strong>A Fran\u00e7a e a medicina urbana<br \/><\/strong>A preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade e o urbano na Fran\u00e7a emerge no quadro da consolida\u00e7\u00e3o dos estados e do crescimento das cidades e da necessidade de estrutur\u00e1-las como unidades politicamente homog\u00eaneas. Segundo Foucault (op. Cit.), a estrutura territorial das cidades francesas se constitu\u00eda em um emaranhado de territ\u00f3rios heterog\u00eaneos e na n\u00e3o exist\u00eancia de um \u00fanico poder, mas sim em um conjunto de poderes senhoriais[1]. Como consequ\u00eancia, na segunda metade do s\u00e9culo XVIII, se enfrenta essa problem\u00e1tica de unifica\u00e7\u00e3o do poder urbano por raz\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas, em fun\u00e7\u00e3o do chamado perigo urbano e das revoltas cada vez mais frequentes no espa\u00e7o citadino[2]. Nesse momento, tornou-se necess\u00e1rio um maior controle do corpo social. Para tal, o instituto da quarentena foi o mecanismo revisitado e adaptado para o controle da popula\u00e7\u00e3o e a nascente medicina urbana tornou-se um aperfei\u00e7oamento desse esquema pol\u00edtico-m\u00e9dico. Tal mecanismo constituiu-se de um esquadrinhamento do urbano com uma an\u00e1lise minuciosa das cidades e um registro permanente de cunho militar em busca de uma higiene p\u00fablica, como a an\u00e1lise dos lugares de ac\u00famulo no espa\u00e7o urbano de tudo que pudesse vir a provocar doen\u00e7as.<\/p>\r\n<p>Isso teve efeito sobre as formas de dispor os equipamentos urbanos no espa\u00e7o e sobre o controle e a organiza\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o do ar e da \u00e1gua, chegando ao que este autor ir\u00e1 chamar de localiza\u00e7\u00e3o em sequ\u00eancia, ou seja, a observa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das consequ\u00eancias de determinadas localiza\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a outras, como por exemplo, as fontes d'\u00e1gua e os esgotos. &nbsp;Isso implicou em medidas como a de fixar os cemit\u00e9rios fora da urbe, considerados causadores de emana\u00e7\u00f5es pestilentas, e as apresentadas no primeiro plano hidrogr\u00e1fico de Paris, realizado em 1742.<\/p>\r\n<p>A import\u00e2ncia desse pensamento sobre as pr\u00e1ticas que ocorrer\u00e3o mais tarde foi possibilitar o contato da medicina com outras ci\u00eancias. Por meio dessa medicina enquanto uma ci\u00eancia que tratava das coisas no urbano se delineou uma no\u00e7\u00e3o de meio, com o desenvolvimento correlato da no\u00e7\u00e3o de salubridade que implicaria na concep\u00e7\u00e3o de higiene p\u00fablica. Dessa forma, a salubridade seria a base material e social capaz de assegurar a melhor sa\u00fade poss\u00edvel dos indiv\u00edduos no meio urbano e, consequentemente, de uma popula\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel e apta a produzir.<\/p>\r\n<p>Dois casos s\u00e3o exemplares e ilustram essa atitude em rela\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o da cidade. O primeiro deles refere-se \u00e0 cr\u00edtica que se fez \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do&nbsp;<i>H\u00f4tel-Dieu<\/i>&nbsp;em Paris ap\u00f3s seu inc\u00eandio em 1772 e que se converteu em relat\u00f3rio sobre os hospitais franceses \u00e0 \u00e9poca e em projetos e solu\u00e7\u00f5es para o novo hospital, que deveria ser constru\u00eddo para substitu\u00ed-lo. O segundo foi a discuss\u00e3o sobre a inser\u00e7\u00e3o do&nbsp;<i>Cemit\u00e9rio dos Inocentes<\/i>&nbsp;em pleno centro da cidade francesa, onde eram acumulados os cad\u00e1veres das pessoas mais pobres que n\u00e3o dispunham de meios para pagar por um t\u00famulo. Essa \u00faltima situa\u00e7\u00e3o gerou nos habitantes de Paris, sobretudo do entorno do cemit\u00e9rio, p\u00e2nico e medo em raz\u00e3o das poss\u00edveis emana\u00e7\u00f5es advindas dos corpos em decomposi\u00e7\u00e3o, que supunham gerariam infec\u00e7\u00f5es na popula\u00e7\u00e3o (Ilustra\u00e7\u00e3o 1 e 2) [3].<\/p>\r\n<p>O caso do&nbsp;<i>H\u00f4tel-Dieu<\/i>&nbsp;implicou em reflex\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es higi\u00eanicas dos hospitais e sua consequente espacialidade. Jacques Tenon[4], m\u00e9dico e membro da Academia de Ci\u00eancias de Paris, relator da comiss\u00e3o respons\u00e1vel por opinar acerca da reconstru\u00e7\u00e3o desse hospital, o mais antigo da cidade, ap\u00f3s inc\u00eandio que o destruiu, realizou um exaustivo inqu\u00e9rito sobre os hospitais da Fran\u00e7a e da Inglaterra e redigiu relat\u00f3rios que subsidiaram princ\u00edpios para a arquitetura hospitalar, os quais foram seguidos pelos projetistas at\u00e9 os anos de 1920. Jaime Benchimol (1990, pag. 192) nos diz que tais quest\u00f5es seriam determinantes para o \"(...) desmembramento de hospitais massivos como o&nbsp;<i>H\u00f4tel-Dieu<\/i>, perigosamente encravados na aglomera\u00e7\u00e3o urbana, em unidades menores, afastadas da cidade. (...)\" e para a escolha da tipologia pavilhonar. Tal tipologia com edifica\u00e7\u00f5es isoladas ocupadas por fun\u00e7\u00f5es diferenciadas - desde enfermaria para doen\u00e7as espec\u00edficas at\u00e9 servi\u00e7os de apoio, disporia de passagens e caminhos abrigados para conect\u00e1-las, viabilizando a separa\u00e7\u00e3o de doentes e doen\u00e7as e, sobretudo, a disponibiliza\u00e7\u00e3o de \"um consider\u00e1vel volume de ar, continuamente renovado pelos ventos.\" O ar viciado seria uma das principais quest\u00f5es recorrentes nos discursos e pol\u00eamicas acerca da salubridade do edif\u00edcio hospitalar e sua espacialidade, com esse debate transcendendo a concep\u00e7\u00e3o miasm\u00e1tica e alcan\u00e7ando os avan\u00e7os cient\u00edficos do s\u00e9culo XIX [5]. A principal quest\u00e3o era garantir o hospital como espa\u00e7o anticont\u00e1gio, uma m\u00e1quina de cura em que se teria como fundamental para a constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio a circula\u00e7\u00e3o do ar e a dispers\u00e3o das possibilidades de contatos entre doentes e doen\u00e7as. (BENCHIMOL, 1990)<\/p>\r\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:14230581001423058100979917906.jpg\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 1.<\/strong> H\u00f4tel-Dieu, gravura do s\u00e9culo XVIII. Fonte: Nikolaus Pevsner.<\/p>\r\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142305827914230582790706454582.jpg\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 2.<\/strong> Cemit\u00e9rio dos Inocentes. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.landrucimetieres.fr\/spip\/spip.php?article275<\/p>\r\n<p>Al\u00e9m das propostas apresentadas por m\u00e9dicos e desenhadas por arquitetos como respostas para o novo edif\u00edcio do&nbsp;<i>H\u00f4tel-Dieu<\/i>, encontramos como modelo sistematizado dessa moderniza\u00e7\u00e3o da arquitetura hospitalar o edif\u00edcio projetado por Nicolas-Louis Durand[6] (1760-1835), publicado em 1802 em seu livro&nbsp;<i>Pr\u00e9cis des Le\u00e7ons D'Architecture<\/i>; possivelmente, uma das resultantes das discuss\u00f5es sobre como deveria ser o hospital higi\u00eanico e como desdobramento da moderniza\u00e7\u00e3o do campo da arquitetura na Fran\u00e7a, em que se tornava imprescind\u00edvel a produ\u00e7\u00e3o de edifica\u00e7\u00f5es para atender novas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e a sistematiza\u00e7\u00e3o de tipos a serem reproduzidos[7]. A proposta idealizada por Durand dispunha de seis pavilh\u00f5es de cada lado de uma avenida central e um p\u00e1tio constru\u00eddo em forma alongada, ao final, o conjunto era arrematado com colunatas. Posteriormente, o modelo foi largamente difundido e reinterpretado nas constru\u00e7\u00f5es hospitalares pelo mundo, introduzindo a ideia de pavilh\u00f5es conectados (Ilustra\u00e7\u00e3o 3). &nbsp;Essa conforma\u00e7\u00e3o possibilitava a cria\u00e7\u00e3o de um hospital voltado para seu interior em que, mesmo dentro do espa\u00e7o da cidade, estaria cercado por p\u00e1tios e jardins, permitindo a cont\u00ednua aera\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o do ar contaminado.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 3.<\/strong>&nbsp;Modelo de Hospital com Pavilh\u00f5es Conectados<\/p>\r\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142305837714230583776271213812.jpg\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\">Modelo de hospital. Fonte: DURAND, Jean-Nicolas-Louis. Pr\u00e9cis des Le\u00e7ons D'Architecture (1802)<\/p>\r\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142305840214230584021518511192.jpg\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\">&nbsp;Hospital de Laribossiere. Fonte: PEVSNER, 1997<\/p>\r\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142305841614230584169112971434.jpg\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\">Novo H\u00f4tel-Dieu, Paris (constru\u00e7\u00e3o de cerca de 1877). Fonte: Dispon\u00edvel em http:\/\/passeiosemparis.blogspot.com.br\/2011_04_01_archive.html<\/p>\r\n<p>Consideramos que o encaminhamento dado, sobretudo \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o hospitalar nas cidades, foi a indica\u00e7\u00e3o, a partir do ponto de vista higi\u00eanico, para que se atendesse \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais requeridas. Destacamos essa preocupa\u00e7\u00e3o ainda no nascedouro do urbanismo no s\u00e9culo XIX, nas chamadas utopias urbanas[8], em cujos textos veremos uma preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o dessas edifica\u00e7\u00f5es e \u00e0 salubridade dos espa\u00e7os citadinos.<br \/><br \/>Exemplificando essa assertiva, destacamos&nbsp;<i>Voyage en Icarie<\/i>&nbsp;(1840), de Etienne Cabet, em que se encontravam princ\u00edpios de racionaliza\u00e7\u00e3o, de higiene e de classifica\u00e7\u00e3o com finalidade higi\u00eanica. No interior de Icara, capital de Ic\u00e1ria, n\u00e3o se localizaria cemit\u00e9rios, f\u00e1bricas insalubres, nem hospitais. J\u00e1 a obra de Benjamin W. Richarson, de 1876, o nome \"Hygeia: A City of Health\" sintetiza seus objetivos, entre os quais, o de ter essa cidade hipot\u00e9tica \"o coeficiente mais baixo poss\u00edvel de mortalidade\", com espa\u00e7os amplos permeados por vazios e verdes objetivando a aera\u00e7\u00e3o e o conforto dos habitantes (Choay, 2005, p. 8).<br \/><br \/>Posteriormente, j\u00e1 no s\u00e9culo XX, observaremos essa preocupa\u00e7\u00e3o nas ic\u00f4nicas propostas urban\u00edsticas modernas, indicando-se locais fora das \u00e1reas mais densas das cidades ou em lugar elevado. \u00c9 o que se apresenta no projeto da cidade industrial de Tony Garnier (1904), em que o edif\u00edcio hospitalar encontra-se em posi\u00e7\u00e3o elevada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras fun\u00e7\u00f5es urbanas.<br \/><br \/>Dessa forma, pode-se aferir que o lugar e a rela\u00e7\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o com a paisagem eram fatores determinantes no projeto hospitalar, apontados nesses textos e projetos no s\u00e9culo XIX e na primeira metade do XX. Tais aspectos agiriam como coadjuvantes no tratamento e na cura dos pacientes, pois estes estariam em um ambiente prop\u00edcio \u00e0 convalesc\u00eancia, bem como para a popula\u00e7\u00e3o sadia, que estaria resguardada de poss\u00edveis contamina\u00e7\u00f5es.<br \/><br \/>Um texto de refer\u00eancia para essa abordagem \u00e9, sem d\u00favida, o de Casimir Tollet, que prop\u00f4s, na Fran\u00e7a em 1872, um sistema - o&nbsp;<i>sistema Tollet<\/i>, em que as constru\u00e7\u00f5es hospitalares deveriam ser afastadas das aglomera\u00e7\u00f5es urbanas e localizadas em terrenos ensolarados. A superf\u00edcie do terreno escolhido para implanta\u00e7\u00e3o deveria ser ainda crescente em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de alojamentos coletivos; &nbsp;a disposi\u00e7\u00e3o das edifica\u00e7\u00f5es deveria extender-se por todo o terreno respeitando-se o paralelismo entre os edif\u00edcios. &nbsp;Esse conjunto caracterizava-se por constru\u00e7\u00f5es de no m\u00e1ximo dois pavimentos em que imperava o princ\u00edpio de isolamento, com cada doen\u00e7a e doente apartados no interior do pavilh\u00e3o (TOLLET, 1894). Esse sistema, tamb\u00e9m conhecido por modelo pavilhonar (Ilustra\u00e7\u00e3o 4), foi amplamente difundido e sobreviveu \u00e0s descobertas de Louis Pasteur e \u00e0 teoria microbiana.<\/p>\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142305857314230585734516627854.jpg\" \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 4.<\/strong> Modelos de hospitais pavilhonares. Fonte: BENCHIMOL (1990)<\/div>\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<p><strong>Cidade e sa\u00fade no Brasil<br \/><\/strong>No Brasil, segundo Maur\u00edcio de Almeida Abreu (2001), a luta pela salubridade urbana se fez presente na abordagem sobre as cidades entre 1870 e 1930 e, ouso dizer, se consolidou em pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade e sobre o espa\u00e7o das cidades por todo o per\u00edodo do primeiro governo de Get\u00falio Vargas (1930-1945) (AMORA, 2006). &nbsp;Segundo Abreu: \"A partir de considera\u00e7\u00f5es de ordem higi\u00eanica, os n\u00facleos urbanos herdados de tempos anteriores foram avaliados, criticados, repensados; muitos deles transformados. Por sua vez, a cria\u00e7\u00e3o de novas cidades, e dos novos arrabaldes nas cidades pr\u00e9-existentes, foi guiada por preocupa\u00e7\u00f5es semelhantes\"[9].<br \/><br \/>O pensamento higienista orientou, em um primeiro momento, esse esp\u00edrito transformador, sobretudo a partir da segunda metade do s\u00e9culo XIX. Essa concep\u00e7\u00e3o teve origem na obra do m\u00e9dico grego Hip\u00f3crates [10],&nbsp;<i>Sobre os ares, as \u00e1guas e os lugares<\/i>, e fundamentou, no s\u00e9culo XVII, o pensamento do m\u00e9dico ingl\u00eas Thomas Syndenham de que haveria uma \u00edntima correla\u00e7\u00e3o entre as patologias e as condi\u00e7\u00f5es do ambiente e, assim, as interven\u00e7\u00f5es nas antigas estruturas urbanas valorizaram, entre outros aspectos, a a\u00e7\u00e3o dos ventos e a utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, originando as redes de saneamento urbano (URTEAGA, 1980 e AMORA, 2012). Segundo Abreu, (op. cit.) haveria um consenso de que os surtos epid\u00eamicos que grassavam as cidades poderiam ser contidos por meio de medidas profil\u00e1ticas sobre a geografia e os elementos urbanos que compunham as mesmas, como:<br \/><br \/>aterrar mangues, p\u00e2ntanos e brejos; arrasar colinas que impediam a livre circula\u00e7\u00e3o dos ventos; alargar ruas existentes e exigir que as novas se conformassem aos novos padr\u00f5es; afastar as constru\u00e7\u00f5es umas das outras; exigir que todos os c\u00f4modos das habita\u00e7\u00f5es tivessem janelas para o exterior; construir por\u00f5es para separar as habita\u00e7\u00f5es do solo \u00famido; combater as habita\u00e7\u00f5es coletivas que a produ\u00e7\u00e3o rentista de moradias disseminava pelas cidades; proibir aterros intramuros; localizar adequadamente matadouros e f\u00e1bricas que trabalhavam com mat\u00e9ria org\u00e2nica (de sab\u00e3o e velas, curtumes, etc.); dar tratamento final adequado ao lixo e \u00e0s \"imundices\".<br \/><br \/>Medidas semelhantes, entretanto, j\u00e1 haviam sido propostas no final do s\u00e9culo XVIII e retomadas em princ\u00edpio do XIX. Assim, pode-se aferir que foi durante o s\u00e9culo XVIII, no \u00e2mbito da pol\u00edtica territorial ultramarina portuguesa, que teve in\u00edcio essa preocupa\u00e7\u00e3o com sa\u00fade na cidade do Rio de Janeiro e, por consequ\u00eancia, essa forma de atua\u00e7\u00e3o se estendeu ao restante da col\u00f4nia.<br \/><br \/>Maria Rachel Fr\u00f3es Fonseca (2008) [11], ao discorrer acerca da sa\u00fade na capital da col\u00f4nia nesse per\u00edodo, nos fala que a partir de ent\u00e3o foram intensificadas medidas de higiene e defesa da sa\u00fade, as quais ao final do s\u00e9culo passaram a vigorar nas demais cidades sem se configurarem como pol\u00edticas. Dentre as normativas adotadas, estava a determina\u00e7\u00e3o da limpeza dos quintais e das ruas, com a elimina\u00e7\u00e3o de lixo e dejetos, o isolamento de doentes acometidos de mol\u00e9stias contagiosas e a instala\u00e7\u00e3o de Hospitais Militares e Santas Casas. Creditava-se ao s\u00edtio da cidade do Rio de Janeiro - m baixio pr\u00f3ximo ao mar com a ba\u00eda e morros ao seu redor - a falta de salubridade, umidade e a inexist\u00eancia de plena circula\u00e7\u00e3o dos ventos, o que propiciaria o surgimento de doen\u00e7as. As constru\u00e7\u00f5es assentadas em terrenos inadequados, em pouca altura, as dimens\u00f5es reduzidas e a pouca circula\u00e7\u00e3o de ar agravariam esse quadro m\u00f3rbido da urbe sobre seus habitantes. As medidas propostas implicavam em a\u00e7\u00f5es sobre o espa\u00e7o f\u00edsico da cidade, como a altera\u00e7\u00e3o da sua topografia, a derrubada de edifica\u00e7\u00f5es, o arrasamento dos morros do Castelo e Santo Ant\u00f4nio (Ilustra\u00e7\u00e3o 5) e a constru\u00e7\u00e3o de casas sob a supervis\u00e3o de gente capacitada. Enfim, desde esse momento, j\u00e1 se percebia no Brasil ser fundamental agir sobre o meio, limpar as ruas, secar os p\u00e2ntanos, deslocar os cemit\u00e9rios.<\/p>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142305863614230586367916744410.jpg\" \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 5.<\/strong> Cidade do Rio de Janeiro. Panorama de 1860. Com a presen\u00e7a, \u00e0 direita, dos morros do Castelo e de Santo Ant\u00f4nio.&nbsp;Litografia de Emil Bauch. Dispon\u00edvel em http:\/\/vitruvius.es\/revistas\/read\/arquitextos\/08.096\/143<\/div>\r\n<p><br \/>Esse paradigma hipocr\u00e1tico vigorou por muito tempo e as cidades eram vistas como locais potencialmente favor\u00e1veis \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de mol\u00e9stias, pois n\u00e3o era poss\u00edvel o &nbsp;equil\u00edbrio dos diferentes fluidos, poss\u00edveis ve\u00edculos de cont\u00e1gio (GUIMAR\u00c3ES, 2001). A partir de 1880, as descobertas de Louis Pasteur levaram \u00e0 chamada&nbsp;<i>revolu\u00e7\u00e3o bacteriol\u00f3gica<\/i>&nbsp;e tiveram consequ\u00eancias significativas sobre esse pensamento, colocando em xeque a ideia de que os miasmas, as emana\u00e7\u00f5es pestilentas, fossem os causadores das doen\u00e7as. Longe disso, o cr\u00e9dito na dissemina\u00e7\u00e3o das enfermidades passou a ser dado aos organismos microsc\u00f3picos, transmitidos aos seres humanos pelos chamados&nbsp;<i>vetores<\/i>, dentre os quais se destacavam os insetos.&nbsp;<br \/><br \/>No plano urban\u00edstico, o novo paradigma implicou numa mudan\u00e7a na concep\u00e7\u00e3o de como intervir nas cidades e o verbo higienizar foi substitu\u00eddo pelo verbo sanear, o que significava uma vis\u00e3o t\u00e9cnica e devidamente ancorada na ci\u00eancia na qual a cidade foi pensada como uma grande engrenagem cujas pe\u00e7as deveriam se ajustar. Amparados no positivismo, os engenheiros, como os destacados Francisco Saturnino de Brito e Theodoro Sampaio, traduziram por meio do trip\u00e9&nbsp;<i>sanitarismo&nbsp;- circula\u00e7\u00e3o - est\u00e9tica&nbsp;<\/i>seus ideais cient\u00edficos nas interven\u00e7\u00f5es urbanas com planos de melhoramentos, nos quais se dava destaque ao saneamento, sobretudo visto como drenagem urbana, e \u00e0s redes de infraestrutura - circula\u00e7\u00e3o, ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, abastecimento d'\u00e1gua, esgotos sanit\u00e1rios (ABREU, 2001 e LEME, 1999).<br \/><br \/>As mudan\u00e7as relacionadas \u00e0 forma hospitalar nesse per\u00edodo n\u00e3o s\u00e3o significativas e as edifica\u00e7\u00f5es propostas ainda seguiram o modelo pavilhonar at\u00e9 a primeira metade do s\u00e9culo XX, sobretudo para os hospitais dedicados \u00e0s doen\u00e7as tratadas em regime de isolamento como a hansen\u00edase, a tuberculose e as doen\u00e7as mentais. Emerge, entretanto, nesse momento, o debate sobre a validade do uso de pavilh\u00f5es e sobre o despontar das possibilidades t\u00e9cnicas para a verticaliza\u00e7\u00e3o e para o modelo em bloco (Ilustra\u00e7\u00e3o 6).<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142305876014230587602133866587.jpg\" \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 6.<\/strong> Formas de Modelo em Bloco. Fonte: Mauro Camargo (1930)<\/div>\r\n<p><br \/>A quest\u00e3o do lugar e da qualidade do edif\u00edcio s\u00e3o argumentos questionados. Em rela\u00e7\u00e3o ao lugar, se discute o valor crescente da terra urbana como argumento v\u00e1lido para ambos os modelos. Com a teoria microbiana, tornara-se poss\u00edvel concentrar as diferentes enfermidades em um mesmo local e verticalizar seria a resposta dada pelos meios t\u00e9cnicos \u00e0 operacionaliza\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o (CARDOSO, 1927). O retorno da possibilidade da centralidade do edif\u00edcio hospitalar \u00e9, no entanto, refutado por aqueles que consideravam a paisagem urbana e a polui\u00e7\u00e3o sonora e do ar nocivas para a cura, com o ambiente hospitalar contaminado n\u00e3o mais por micr\u00f3bios, mas por poluentes advindos das atividades urbanas (CAMARGO, 1930).<br \/><br \/>A est\u00e9tica e a paisagem eram temas debatidos como contribuintes para a cura. Em artigo intitulado \"O hospital moderno\", publicado na revista&nbsp;<i>Ilustra\u00e7\u00e3o Brasileira<\/i>&nbsp;de julho de 1909, os novos hospitais s\u00e3o descritos como inspirados pelo padr\u00e3o&nbsp;<i>Tollet<\/i>, compostos por \"modestos pavilh\u00f5es t\u00e9rreos, alegres e claros, ao longo de canteiros floridos e por entre \u00e1rvores de um parque\" e aconselha-se a presen\u00e7a de obras de arte nos edif\u00edcios[12]. Essas caracter\u00edsticas das condi\u00e7\u00f5es do lugar tamb\u00e9m s\u00e3o propostas em um livro sobre arquitetura hospitalar difundido entre m\u00e9dicos, arquitetos e engenheiros brasileiros, cuja primeira edi\u00e7\u00e3o \u00e9 de 1918. O autor, o arquiteto norte-americano Edward Stevens, diz que na implanta\u00e7\u00e3o dos hospitais deveria se levar em conta o local - sua localiza\u00e7\u00e3o e as caracter\u00edsticas f\u00edsicas do meio em que estaria inserido - como fator que contribuiria para a cura dos pacientes, (STEVENS, 1918). Stevens falava n\u00e3o s\u00f3 da orienta\u00e7\u00e3o dos terrenos quanto a insola\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o, mas sobre sua localiza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a ind\u00fastrias e outros elementos poluidores, acessibilidade ao p\u00fablico e, finalmente, a import\u00e2ncia do tratamento paisag\u00edstico do entorno das edifica\u00e7\u00f5es, propiciando locais de contempla\u00e7\u00e3o e descanso, coadjuvantes no tratamento dos enfermos.<br \/><br \/>Outro argumento acerca dessa preocupa\u00e7\u00e3o com a implanta\u00e7\u00e3o de hospitais na cidade refere-se \u00e0 exist\u00eancia do decreto 6.000 - C\u00f3digo de Obras e Legisla\u00e7\u00e3o Complementar - lan\u00e7ado em 1937 pelo Distrito Federal[13] para regulamentar as constru\u00e7\u00f5es na cidade do Rio de Janeiro. Esse instrumento urban\u00edstico aponta elementos para discutirmos as propostas de constru\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de sa\u00fade no Brasil, j\u00e1 que a capital do Pa\u00eds foi refer\u00eancia para as cidades brasileiras. Nessa regulamenta\u00e7\u00e3o, os hospitais foram classificados e separados em tr\u00eas grandes categorias: hospitais gerais; asilos, que inclu\u00edam os hospitais de alienados, cr\u00f4nicos, tuberculosos e doentes mentais; e os gratuitos; talvez se referindo aos postos de assist\u00eancia e aos ambulat\u00f3rios. O documento refletia acerca da localiza\u00e7\u00e3o dessas constru\u00e7\u00f5es na cidade e n\u00e3o permitia a constru\u00e7\u00e3o de novos hospitais e casas de sa\u00fade nas \u00e1reas majoritariamente industriais, portu\u00e1rias e comerciais, possibilitando a edifica\u00e7\u00e3o em algumas zonas residenciais, rurais e agr\u00edcolas (AMORA, COSTA, FILGUEIRAS e MAGALH\u00c3ES, 2014).<br \/><br \/>Nos anos seguintes, observaremos na constru\u00e7\u00e3o de hospitais gerais em bloco a aten\u00e7\u00e3o com o entorno das edifica\u00e7\u00f5es com a presen\u00e7a de jardins projetados, como contraponto \u00e0 sua presen\u00e7a em \u00e1reas mais urbanizadas ou para destac\u00e1-los e proteg\u00ea-los em um dado conjunto urbano. As parcerias de arquitetos cariocas com o paisagista Roberto Burle Marx garantiram a qualidade est\u00e9tica e funcional dos jardins dos hospitais. Diferentemente da tend\u00eancia internacional de pensar o jardim a partir da sua funcionalidade, aqui se tomou outro caminho, com o jardim concebido como parte da arquitetura, que se constitu\u00eda em um n\u00facleo duro, marcado pela arquitetura racional, e um n\u00facleo mole, composto pela organicidade do jardim[14]. Essa unidade se completava com a inser\u00e7\u00e3o da escultura e do painel mural, uma clara posi\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao conceito do projeto integral, jun\u00e7\u00e3o de todas as artes. Como exemplos devemos citar o Hospital da Lagoa, realizado em parceria com Oscar Niemeyer (1951-1959), e o Instituto de Puericultura, com Jorge Machado Moreira (1949-1953), que constituem patrim\u00f4nios modernos exemplares de hospitais integrados a jardins (Ilustra\u00e7\u00e3o 7). No Instituto de Puericultura, encontraremos ainda um painel de azulejos do paisagista, que realizou posteriormente o painel do sagu\u00e3o e o jardim vertical do Hospital Souza Aguiar com o arquiteto Ary Garcia Roza. Tais iniciativas, de arquitetos atentos e atualizados, corroboram para o argumento de que estariam presentes na concep\u00e7\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o de sa\u00fade moderna os aspectos est\u00e9ticos e de rela\u00e7\u00e3o com o lugar como elementos importantes para o tratamento e a cura dos doentes.<br \/><br \/><\/p>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 7.&nbsp;<\/strong>Hospitais Modernos e Jardins.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142305878414230587844942362094.jpg\" \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Hospital da Lagoa - Projeto de Oscar Niemeyer; Jardim de Roberto Burle Marx. Fonte: Revista M\u00f3dulo, v. III, n. 14, 1959<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142305879614230587961191960105.jpg\" \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Hospital de Puericultura - Projeto de Jorge Machado Moreira; Jardim de Roberto Burle Marx. Fonte: CZAJKOWSKI, Jorge (Org.). Jorge Machado Moreira. Rio de Janeiro: SMU; Centro de Arquitetura e Urbanismo, 1999.<\/div>\r\n<p><br \/><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><br \/>Ocorreu historicamente uma rela\u00e7\u00e3o entre a proposi\u00e7\u00e3o de uma moderna arquitetura de sa\u00fade e o pensamento sobre a cidade. Esse pensamento se estruturou na articula\u00e7\u00e3o do campo da sa\u00fade, do urbanismo e da arquitetura e buscou dar solu\u00e7\u00f5es para a complexidade do crescimento urbano e para os problemas do campo da sa\u00fade. No Brasil, vai se alicer\u00e7ar dentro de um processo em que o Estado, ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de 1930, ser\u00e1 o promotor da moderniza\u00e7\u00e3o, objetivando a constru\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o e da nacionalidade, o que implicar\u00e1 em crescentes investimentos em obras p\u00fablicas e em pessoas qualificadas para projet\u00e1-las (AMORA, 2006).<br \/><br \/>Por sua vez, a arquitetura produzida na Europa e nos Estados Unidos influenciou na constru\u00e7\u00e3o de modelos perif\u00e9ricos, que foram adaptados \u00e0s necessidades e condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, aos materiais e \u00e0s est\u00e9ticas locais, que vieram a se tornar suportes de significados e podem ser considerados como \"lugares de mem\u00f3ria\" (NORA, 1993), como mem\u00f3rias concretas tendo a dupla fun\u00e7\u00e3o de documentos e monumentos para o entendimento da espacializa\u00e7\u00e3o do pensamento m\u00e9dico e arquitet\u00f4nico (LE GOFF, 1996; AMORA, 2010).<br \/><br \/>Consideramos que os modernos edif\u00edcios de sa\u00fade possam ser inclu\u00eddos como suportes para arcabou\u00e7os simb\u00f3licos e que possam difundir ideias a partir dos elementos formais e funcionais da arquitetura, que cumpre o papel de ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o de massas, como uma obra cuja recep\u00e7\u00e3o se d\u00e1 coletivamente no cotidiano da cidade (BENJAMIN, 1985). Muitas dessas edifica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade foram pensadas para terem o que Alois Riegl (1987) chamou de valor intencional de recorda\u00e7\u00e3o, pois, ao longo da hist\u00f3ria, os campos do conhecimento foram representados por meio da cria\u00e7\u00e3o de aparatos simb\u00f3licos, os quais incorporaram a arquitetura e as edifica\u00e7\u00f5es com car\u00e1ter mais espetacular, com vista a adicionar distin\u00e7\u00e3o a um determinado grupo social.<br \/><br \/>Ilustrativa desse aspecto funcional e simb\u00f3lico \u00e9 a rica literatura que encontramos sobre arquitetura hospitalar, produzida durante a primeira metade do s\u00e9culo XX em que estava presente uma discuss\u00e3o sobre a quest\u00e3o do lugar e a inser\u00e7\u00e3o desses edif\u00edcios nas cidades. A moderna arquitetura carioca hospitalar dos anos de 1950 se vale da rela\u00e7\u00e3o entre edif\u00edcio e jardim para criar um contraponto entre o hospital e a cidade, destacando a constru\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo dando-lhe condi\u00e7\u00f5es ambientais favor\u00e1veis para sua finalidade de tratamento e cura.<br \/><br \/>Observamos, entretanto, que essa atitude de preservar o edif\u00edcio hospitalar do cotidiano urbano se faz presente no projeto mais contempor\u00e2neo do arquiteto mineiro, formado pela Escola Polit\u00e9cnica de S\u00e3o Paulo, Jarbas Karman para o Hospital Geral da Guarni\u00e7\u00e3o do Gale\u00e3o, projetado em 1967 e conclu\u00eddo em 1976. H\u00e1 nesse projeto uma generosidade para com o usu\u00e1rio, mas, sobretudo a explicita\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre a import\u00e2ncia da exist\u00eancia dos espa\u00e7os abertos ajardinados (Ilustra\u00e7\u00e3o 8)[15]. Isso talvez n\u00e3o tenha sido apenas adquirido pela consulta \u00e0 bibliografia, mas pelo \u00e2mbito do interc\u00e2mbio prof\u00edcuo que promoveu entre arquitetos dedicados aos projetos de sa\u00fade, como na organiza\u00e7\u00e3o do I Curso de Planejamento de Hospitais no IAB de S\u00e3o Paulo em 1953. Nesse curso esteve presente o arquiteto Jorge Machado Moreira, autor do Instituto de Puericultura no Campus da UFRJ na Ilha do Fund\u00e3o, um dos membros da equipe liderada por Lucio Costa de arquitetos autores do edif\u00edcio do MESP, atual Pal\u00e1cio Capanema, grupo que dispensou especial aten\u00e7\u00e3o ao jardim como parte integrante do projeto na edifica\u00e7\u00e3o moderna.<br \/><br \/>Finalizando, consideramos que cabe a n\u00f3s, pesquisadores, desvendar os significados ocultos desses projetos e retorn\u00e1-los aos usu\u00e1rios das edifica\u00e7\u00f5es e aos habitantes das cidades em geral, permitindo-lhes a percep\u00e7\u00e3o dessa rela\u00e7\u00e3o entre a arquitetura para a sa\u00fade e a constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das cidades, propiciando \u00e0s pessoas comuns o entendimento dessa dimens\u00e3o temporal do urbano e do valor desses edif\u00edcios.<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142305880814230588086845816291.jpg\" \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:142305882114230588211516821144.jpg\" \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 8.<\/strong> Hospital Geral da Guarni\u00e7\u00e3o do Gale\u00e3o. Vistas dos p\u00e1tios ajardinados. Fonte: Acervo IPH<\/div>\r\n<p><br \/><strong>Notas<\/strong><\/p>\r\n<div>[1] Tais poderes eram detidos por leigos, pela Igreja, por comunidades religiosas, corpora\u00e7\u00f5es com autonomia e jurisdi\u00e7\u00e3o pr\u00f3prias, al\u00e9m de representantes do poder estatal.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[2] Foucault (1979) refere-se ao processo de urbaniza\u00e7\u00e3o com o consequente deslocamento da popula\u00e7\u00e3o camponesa e suas contradi\u00e7\u00f5es, com as classes que detinham capital e poder, do campo para as cidades.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[3] Segundo Foucault (1979), quando se pensa na transfer\u00eancia do Cemit\u00e9rio dos Inocentes no s\u00e9culo XVIII para fora de Paris, se solicita a Antoine Fran\u00e7ois de Fourcroy (1755-1809), grande qu\u00edmico da \u00e9poca, um parecer sobre o que se deveria fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 influ\u00eancia desse equipamento na cidade.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[4] Os relat\u00f3rios foram publicados por Tenon em forma de livro sob o t\u00edtulo \"M\u00e9moire sur l\u00eas H\u00f4pitaus de Paris\", em 1788.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[5] Nikolaus Pevsner, em History of building types, cita trabalhos sobre a import\u00e2ncia da ventila\u00e7\u00e3o nos hospitais, entre eles o de Henri Louis Duhamel de Moreau -&nbsp;<i>Diff\u00e9rents moyens pour renouveler l'air des infermeries<\/i>&nbsp;(1748), o de Stephen Hales -&nbsp;<i>Description of ventilators<\/i>&nbsp;(1743) e o de Claude Leopold, de Gennet\u00e9 -&nbsp;<i>Nouvelle construction de chemin\u00e9es<\/i>&nbsp;(1759) (PEVSNER, 1997 [1970]). No s\u00e9culo XIX, a contribui\u00e7\u00e3o de Casimir Tollet marcou \u00e9poca. Em 1878, as \"salas Tollet\" com abobadas favoreciam a circula\u00e7\u00e3o do ar viciado das enfermarias hospitalares, e receberam o primeiro pr\u00eamio do j\u00fari da Exposi\u00e7\u00e3o Universal de Paris (CABANAS; IBANEZ, 2006, apud TOLEDO, 2008).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[6] Durand, disc\u00edpulo de Etienne-Louis Boull\u00e9, foi professor da&nbsp;<i>Polytechnique<\/i>&nbsp;e teve uma contribui\u00e7\u00e3o inestim\u00e1vel para a teoria arquitet\u00f4nica ao considerar como finalidade primeira da arquitetura a sua&nbsp;<i>utilidade<\/i>&nbsp;social, propondo pela primeira vez uma padroniza\u00e7\u00e3o do projeto arquitet\u00f4nico (BIERMANN&nbsp;<i>et al.<\/i>, 2003), subordinando a quest\u00e3o art\u00edstica \u00e0 fun\u00e7\u00e3o.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[7] Essa reflex\u00e3o acerca da moderniza\u00e7\u00e3o do campo da arquitetura para a sa\u00fade \u00e9 parte da tem\u00e1tica dos estudos de p\u00f3s-doutorado que realizei junto \u00e0 Casa de Oswaldo Cruz, sob a supervis\u00e3o de Jaime Benchimol.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[8] Fran\u00e7oise Choay (2005) chamou as ideias sobre como deveriam ser as novas cidades apresentadas por intelectuais, m\u00e9dicos e polemistas no s\u00e9culo XIX de pr\u00e9-urbanismo.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[9] O texto est\u00e1 publicado no website do&nbsp;<i>Observat\u00f3rio Geogr\u00e1fico de Am\u00e9rica Latin&nbsp;<\/i>(http:\/\/observatoriogeograficoamericalatina.org.mx\/) nas mem\u00f3rias dos encontros e n\u00e3o est\u00e1 paginado.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[10] A obra do m\u00e9dico grego Hip\u00f3crates, o chamado \"pai da medicina\", que viveu entre os anos de 460 a.C. e 370 a.C., apesar de descobertas significativas, norteou o pensamento m\u00e9dico at\u00e9 &nbsp;Pasteur.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[11] Esta autora chama aten\u00e7\u00e3o para a exist\u00eancia de documenta\u00e7\u00e3o em que \u00e9 poss\u00edvel perceber a inten\u00e7\u00e3o de um maior cuidado para com o espa\u00e7o citadino e sua salubridade. A primeira delas \u00e9 o inqu\u00e9rito promovido pelo Senado da C\u00e2mara do Rio de Janeiro em 1798 em que foram feitas sete quest\u00f5es para serem respondidas, quatro delas eram referentes \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 salubridade. A outra documenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a publica\u00e7\u00e3o, em 1813, de texto contendo respostas ao question\u00e1rio.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[12] Revista Ilustra\u00e7\u00e3o Brasileira, ano 1, n\u00famero 3, julho de 1908, p\u00e1g. 54.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[13] Refere-se \u00e0 cidade do Rio de Janeiro, que foi capital da rep\u00fablica de 1891 - ano da proclama\u00e7\u00e3o - a 1960, quando esse posto foi ocupado pela cidade planejada de Bras\u00edlia.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[14] Agrade\u00e7o ao amigo Cesar Floriano dos Santos, estudioso de Roberto Burle Marx e de Hist\u00f3ria e Teoria da Arquitetura, por essas reflex\u00f5es.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>[15] Vale destacar a volta dessa tend\u00eancia e o retorno do edif\u00edcio hospitalar em pavilh\u00f5es conectados, que pudemos perceber em apresenta\u00e7\u00f5es de novos projetos hospitalares durante o \u00faltimo congresso da ABDEH em 2014. Os projetos de grande qualidade, apresentados pelo arquiteto argentino Mario Corea, seguiam esse caminho.<\/div>\r\n<p><br \/><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\r\n<div>ABREU, Maur\u00edcio de Almeida. \"Cidade brasileira, 1870-1930\". In: Memorias de los Encuentros Geogr\u00e1ficos de Am\u00e9rica latina - EGAL 8. Santiago do Chile, 2001. Dispon\u00edvel em: http:\/\/observatoriogeograficoamericalatina.org.mx\/egal8\/Geografiasocioeconomica\/Geografiaurbana\/62.pdf<\/div>\r\n<p><br \/>AMORA, Ana Albano. O nacional e o moderno: a arquitetura e sa\u00fade no Estado Novo nas cidades catarinenses. 2006. 340 f. Tese (Doutorado em Planejamento Urbano e Regional) - Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.<br \/>________.&nbsp;Mem\u00f3rias de concreto: urbanidade e arquitetura de sa\u00fade, Santa Catarina (1930-1945). In: GANDARA, Gercinair Silv\u00e9rio. Rios e cidades: olhares da hist\u00f3ria e meio ambiente. Goi\u00e2nia: Editora PUC Goi\u00e1s, 2010.<br \/>BENCHIMOL, J. Manguinhos do sonho \u00e0 vida. A ci\u00eancia na Belle \u00c9poque. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, 1990.<br \/>BENJAMIN, Walter. Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica: ensaios sobre literatura e hist\u00f3ria da cultura. S\u00e3o Paulo: Editora Brasiliense, 1985. (Obras escolhidas, v. 1)<br \/>BIERMANN, V (et alli). Teoria da arquitetura, do Renascimento aos nossos dias. [S.l.]: TASCHEN, 2003.<br \/>CAMARGO, Mauro \u00c1lvaro de Souza.&nbsp;<i>Hospitaes<\/i>. S\u00e3o Paulo: Escolas Profissionais Salesianas, 1930.<br \/>CARDOSO, Vicente Licinio. I - A margem das architecturas grega e romana; II - Principios geraes modernos de hygiene hospitalar e sua aplica\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro (Theses apresentadas no concurso para provimento da cadeira \"architectura civil\" na Escola Polytechnica (Universidade do Rio de Janeiro)). Rio de Janeiro: Typographia do Annuario Brasil, 1927.<br \/>CHOAY, F. O urbanismo: utopias e realidades, uma antologia. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2005.<br \/>FONSECA, M.Rachel Fr\u00f3es. A sa\u00fade p\u00fablica no Rio de Janeiro Imperial. In: PORTO, \u00c2ngela; SANGLARD, Gisele; FONSECA, M.Rachel Fr\u00f3es da; COSTA, Renato Gama-Rosa (Org.). Hist\u00f3ria da sa\u00fade no Rio de Janeiro: institui\u00e7\u00f5es e patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico (1808-1958). Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2008.<br \/>FOUCAULT, Michel. Microf\u00edsica do poder. Rio de Janeiro: Editora Graal, 1979.<br \/>GUIMAR\u00c3ES, Raul Borges. Sa\u00fade urbana: velho tema, novas quest\u00f5es. Terra Livre, S\u00e3o Paulo, n.17, p. 155-170 , 2\u00b0 semestre\/2001.<br \/>LE GOFF, Jacques. Hist\u00f3ria e mem\u00f3ria. Campinas: Editora da UNICAMP, 1996.<br \/>LEME, Maria Cristina da Silva (coord.). Urbanismo no Brasil, 1895-1965. S\u00e3o Paulo: Studio Nobel; FAUSP; FUPAM, 1999.<br \/>NORA, Pierre. Entre a mem\u00f3ria e a hist\u00f3ria: a problem\u00e1tica dos lugares. Projeto Hist\u00f3ria: Revista do Programa de Estudos de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria e do Departamento de Hist\u00f3ria da PUC-SP, n. 10, dez, 1993 (p.7 a 28).<br \/>PEVSNER, N. A history of building types. Princeton, NJ: Princeton Paper Back, 1997 [1970].<br \/>RIEGL, Alo\u00efs. El culto moderno a los monumentos. Madrid, Visor, 1987.<br \/>SENNETT, Richard. Carne e pedra: O corpo e a cidade na civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. &nbsp;Rio de Janeiro: Record, 2008.<br \/>TOLEDO, L. C. M. D. FEITOS PARA CUIDAR: a arquitetura como um gesto m\u00e9dico e a humaniza\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio hospitalar (tese de doutorado). Rio de Janeiro: Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Arquitetura - PROARQ. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2008.<br \/>TOLLET, C. Les h\u00f4pitaux modernes au XIXe si\u00e8cle: description des principaux h\u00f4pitaux fran\u00e7ais et \u00e9trangers les plus r\u00e9cemment \u00e9difi\u00e9s, divis\u00e9s en dix sections par contr\u00e9es, \u00e9tudes comparatives sur leurs principales conditions d'\u00e9tablissement. Paris: [s.n.], 1894.<br \/>URTEAGA, Luis. Miseria, miasmas y microbios: las topograf\u00edas m\u00e9dicas y el estudio del medio ambiente en el siglo XIX. GeoCritica - Cuadernos Criticos de Geograf\u00eda Humana. Ano V. N\u00famero: 29, nov. 1980. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.ub.es\/geocrit\/geo29.htm. Acesso em: 3\/3\/2008.<\/p>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-7580","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/7580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}