{"id":7988,"date":"2024-06-12T12:03:45","date_gmt":"2024-06-12T15:03:45","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/humanizacao-no-ambiente-hospitalar\/"},"modified":"2024-11-17T22:08:06","modified_gmt":"2024-11-18T01:08:06","slug":"humanizacao-no-ambiente-hospitalar","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/humanizacao-no-ambiente-hospitalar\/","title":{"rendered":"Humaniza\u00e7\u00e3o no Ambiente Hospitalar"},"content":{"rendered":"<strong>RESUMO<\/strong><br \/>O presente artigo tem como objetivo refletir sobre os conceitos de humaniza\u00e7\u00e3o, enfocando as pr\u00e1ticas efetivas fomentadas pela Pol\u00edtica Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o da Assist\u00eancia Hospitalar (PNHAH). Essa concep\u00e7\u00e3o de projeto est\u00e1 cada vez mais condicionada na grande complexidade do mesmo, nas grandes quantidades de normas a se seguir e na busca pela melhoria da qualidade f\u00edsica do espa\u00e7o. Diante disto, as quest\u00f5es ambientais de conforto s\u00e3o desconsideradas nos ambientes<br \/>hospitalares, tornando-os, aos usu\u00e1rios, ambientes de dif\u00edcil perman\u00eancia.<br \/><br \/><strong>PALAVRAS-CHAVE<\/strong><br \/>Conforto ambiental; Humaniza\u00e7\u00e3o; Humaniza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia hospitalar; Espa\u00e7o f\u00edsico.<br \/><br \/><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><br \/>A humaniza\u00e7\u00e3o nos estabelecimentos de sa\u00fade est\u00e1 relacionada \u00e0 estrutura f\u00edsica espacial do edif\u00edcio, gerada a partir de projetos de arquitetura, esta busca padr\u00f5es de projeto que proporcionem a satisfa\u00e7\u00e3o e o bem-estar dos seus usu\u00e1rios utilizando-se de artif\u00edcios e de organiza\u00e7\u00e3o em sua ambienta\u00e7\u00e3o, tranquilizando o ser humano.<br \/><br \/>No Brasil, poucos estudos abordam a humaniza\u00e7\u00e3o hospitalar, pois o emprego desse termo pode, muitas vezes, ser utilizado para caracterizar a estrutura f\u00edsica de um estabelecimento ou do servi\u00e7o que ele presta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. <br \/><br \/>No tocante, h\u00e1 quem diga que, no ramo da assist\u00eancia m\u00e9dico-hospitalar, o ambiente humanizado \u00e9 uma pr\u00e1tica constante, principalmente, porque existe uma ideia de que para atrair clientes \u00e9 necess\u00e1rio ter um padr\u00e3o superior de qualidade. J\u00e1 para outros, ambiente humanizado \u00e9 aquele no qual existem pessoas que prestam trabalhos volunt\u00e1rios. Portanto, os conhecimentos cient\u00edficos proporcionaram um entendimento maior sobre a interfer\u00eancia do meio ambiente na sa\u00fade das pessoas. Sabe-se tamb\u00e9m que h\u00e1 diversas fontes que podem tanto causar danos \u00e0 sa\u00fade como ajudar nos tratamentos de doen\u00e7as, sendo importante considerar que a natureza do trabalho da assist\u00eancia m\u00e9dico-hospitalar vem se transformando ao longo dos anos, agregando-se novos valores em busca de uma melhor qualidade de vida para os clientes por meio de mudan\u00e7as nos aspectos ambientais dos estabelecimentos de sa\u00fade, passando a fazer parte da garantia e do cuidado com o cliente no resultado de seu tratamento.<br \/><br \/>Para Fontes (2004), a humaniza\u00e7\u00e3o em ambientes de sa\u00fade tem sido levada em considera\u00e7\u00e3o ao se projetar. O autor ainda argumenta que:<br \/>\r\n<blockquote>O conceito de humaniza\u00e7\u00e3o do atendimento tem sido aplicado nos mais recentes projetos em arquitetura da sa\u00fade, representando o desdobramento de um novo enfoque, centrado no usu\u00e1rio, que passa a ser entendido de forma hol\u00edstica, como parte de um contexto, e n\u00e3o mais como o conjunto de sintomas e patologias a serem estudadas pelas especialidades m\u00e9dica. (FONTES, 2004. p.59).No entanto, deve-se existir uma preocupa\u00e7\u00e3o com o paciente como um todo, eliminando, nesses espa\u00e7os, diversos fatores como ru\u00eddos; cores vibrantes; texturas; e polui\u00e7\u00e3o do ar, procurando colocar o usu\u00e1rio em contato com a natureza por meio de aberturas que propiciem maior vis\u00e3o ao meio externo. A inser\u00e7\u00e3o de jardins internos tem sido uma das alternativas para melhorar a qualidade no meio f\u00edsico.<\/blockquote>\r\nA cor \u00e9 considerada um estimulante ps\u00edquico de grande pot\u00eancia que pode afetar o humor, a sensibilidade e produzir impress\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es e reflexos sensoriais muito importantes, podendo perturbar o estado de consci\u00eancia, impulsionar um desejo, ativar a imagina\u00e7\u00e3o ou produzir um sentimento de simpatia ou repulsa, atuando como uma energia estimulante ou tranquilizante. Seu efeito pode ser quente ou frio, aproximativo ou retrocessivo, de tens\u00e3o ou de repouso (COSTI, 2002, p.115).<br \/><br \/>A utiliza\u00e7\u00e3o das cores deve ser levada em considera\u00e7\u00e3o, pois ajuda no processo terap\u00eautico e no equil\u00edbrio do corpo e da mente. Seu uso adequado promove o bem-estar, no entanto, \u00e9 prefer\u00edvel que exista harmonia entre ilumina\u00e7\u00e3o e o uso das cores nesses espa\u00e7os, deixando-os funcionais e ao mesmo tempo acolhedores, proporcionando est\u00edmulos e sensa\u00e7\u00f5es aos seus usu\u00e1rios.<br \/><br \/>Para Lida (2002), a cor atrai a aten\u00e7\u00e3o de acordo com sua visibilidade e depende do contraste e da pureza. Para que sejam bastante vis\u00edveis, elas devem ser usadas juntamente com as suas complementares, por\u00e9m suavizadas (com o branco) ou escurecidas (com o preto), por\u00e9m, para a aten\u00e7\u00e3o permanente, tornam-se cansativas, pois s\u00e3o vibrantes (amarelo, em fundo azul, verde em fundo magenta ou vermelho em fundo cyan).<br \/><br \/>No Brasil, outro fator de grande relev\u00e2ncia na maioria dos estabelecimentos de sa\u00fade \u00e9 que boa parte destes s\u00e3o desprovidos de qualquer tipo de ilumina\u00e7\u00e3o, ou seja, todos os ambientes s\u00e3o tratados da mesma forma. Todavia, esta n\u00e3o \u00e9 a maneira adequada, pois cada espa\u00e7o tem sua necessidade e o seu desempenho. <br \/><br \/>Neste contexto, deve-se verificar os benef\u00edcios que a luz traz \u00e0 sa\u00fade, n\u00e3o devendo ser somente tratada como um recurso puramente visual. Para a execu\u00e7\u00e3o das atividades nas unidades que comp\u00f5em o complexo hospitalar (como os procedimentos diversos, os exames, o repouso, o lazer e a vig\u00edlia) \u00e9 importante prever sistemas de ilumina\u00e7\u00e3o que favore\u00e7am a sua realiza\u00e7\u00e3o com qualidade e seguran\u00e7a (ANVISA, 2007).<br \/><br \/>A ilumina\u00e7\u00e3o natural deve ser inserida no edif\u00edcio com a inten\u00e7\u00e3o de melhorar a qualidade f\u00edsica do espa\u00e7o e contribuir para a recupera\u00e7\u00e3o dos doentes, esta tamb\u00e9m pode ser usada na redu\u00e7\u00e3o do consumo energ\u00e9tico, diminuindo a necessidade do uso da ilumina\u00e7\u00e3o artificial e de equipamentos de ar-condicionado. Por fim, as cores e a ilumina\u00e7\u00e3o, quando em harmonia, podem ajudar na recupera\u00e7\u00e3o dos pacientes, trazendo significativos avan\u00e7os ao tratamento bem como para a humaniza\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os, tornando estes agrad\u00e1veis e confort\u00e1veis.<br \/><br \/>Portanto, uma institui\u00e7\u00e3o centrada no paciente inclui in\u00fameros fatores, sendo o ambiente f\u00edsico um deles. Para que o projeto arquitet\u00f4nico se aproxime das necessidades dos pacientes, as avalia\u00e7\u00f5es do edif\u00edcio, depois do in\u00edcio do seu funcionamento, tornam-se essenciais e devem fazer parte das etapas do projeto (CARPMAN et al., 1986; MALKIN, 1992).<br \/><br \/>No entanto, procura-se levar em considera\u00e7\u00e3o as quest\u00f5es de humaniza\u00e7\u00e3o, para a proje\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os que transmitam conforto aos pacientes, e assim buscar solu\u00e7\u00f5es que visem atender \u00e0s necessidades t\u00e9cnicas e humanas com a cria\u00e7\u00e3o de ambientes de lazer e conv\u00edvio que se integrem como instrumentos nas a\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas para o bem estar f\u00edsico e mental do paciente, fazendo, assim, com que a estrutura f\u00edsica do edif\u00edcio seja mais flex\u00edvel \u00e0s novas tecnologias para que possa desenvolver condi\u00e7\u00f5es mais humanas.<br \/><br \/><strong>METODOLOGIA<\/strong><br \/>Trata-se de um trabalho quantitativo de revis\u00e3o te\u00f3rica abordando a discuss\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es de conforto ambiental que auxiliem na melhoria da qualidade f\u00edsica do espa\u00e7o e no processo de humaniza\u00e7\u00e3o das unidades hospitalares em geral. Tal m\u00e9todo se fez por meio de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica em artigos cient\u00edficos; livros; trabalhos acad\u00eamicos; e bibliotecas virtuais de sa\u00fade, como o manual de Conforto Ambiental em Estabelecimentos Assistenciais de Sa\u00fade - ANVISA, Pol\u00edtica Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o e Humaniza\u00e7\u00e3o Hospitalar.<br \/><br \/><strong>CONFORTO AC\u00daSTICO<\/strong><br \/>O ambiente hospitalar exige condi\u00e7\u00f5es de conforto ac\u00fastico especial que ofere\u00e7a, por um lado, n\u00edveis de ru\u00eddo que atendam \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es estabelecidas pelas normas t\u00e9cnicas e, por outro, um local para situa\u00e7\u00f5es e equipamentos que produzam elevado n\u00edvel de ru\u00eddos, j\u00e1 que o ru\u00eddo desnecess\u00e1rio \u00e9 a mais cruel aus\u00eancia de cuidado (apud HOSKING, 1999, p. 163).<br \/><br \/>O arquiteto e engenheiro, Jarbas Karman, considera que dentre os v\u00edcios de origem da constru\u00e7\u00e3o dos estabelecimentos de sa\u00fade, os ru\u00eddos e as vibra\u00e7\u00f5es deixam poucas alternativas de solu\u00e7\u00f5es posteriores para a manuten\u00e7\u00e3o e a seguran\u00e7a. Ele avalia que os locais e os equipamentos prediais e especiais das instala\u00e7\u00f5es hospitalares s\u00e3o agrupamentos barulhentos que requerem implanta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica com delimita\u00e7\u00f5es de localiza\u00e7\u00e3o adequadas (KARMAN, 2011, p. 78).<br \/><br \/>Para o m\u00e9dico e professor J. C. Yoder, da Pritzker Escola de Medicina da Universidade de Chicago, os ru\u00eddos produzidos em ambientes hospitalares colocam os pacientes em condi\u00e7\u00f5es de risco. Ele argumenta que \"hospitais deveriam implementar interven\u00e7\u00f5es para reduzir os ru\u00eddos noturnos em um esfor\u00e7o para promover a satisfa\u00e7\u00e3o e a recupera\u00e7\u00e3o do paciente, pois reduzir ru\u00eddos pode ser uma forma simples de adotar h\u00e1bitos cuidadosos\" (YODER, 2012, p. 1).<br \/><br \/>Portanto, \u00e9 recomend\u00e1vel que na ocasi\u00e3o da escolha dos materiais de revestimento destinados a corrigir as performances ac\u00fasticas se utilize de prud\u00eancia e conhecimento t\u00e9cnico para combinar elementos higi\u00eanicos com elementos ac\u00fasticos. A escolha do piso pode facilitar a manuten\u00e7\u00e3o de um ambiente saud\u00e1vel, contribuindo para o controle da infec\u00e7\u00e3o hospitalar e, consequentemente, para o conforto do paciente e dos demais usu\u00e1rios. Esse material deve ser resistente \u00e0 abras\u00e3o e a outros impactos aos quais ser\u00e1 submetido, bem como \u00e0 lavagem e \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos para desinfec\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de considerar o desgaste resultante da circula\u00e7\u00e3o das pessoas e dos equipamentos (MIGUEZ, 2013, p. 2).<br \/><br \/>O uso de determinados materiais em revestimentos de pisos, como mantas ou placas vin\u00edlicas, borracha ou lin\u00f3leos, pode reduzir a reverbera\u00e7\u00e3o de ru\u00eddos no ambiente hospitalar. Al\u00e9m dos revestimentos emborrachados e vin\u00edlicos, existem pisos condutivos especiais para salas cir\u00fargicas e outros ambientes que exijam condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de aterramento (ANVISA, 2014).<br \/><br \/>Os materiais para revestimento de teto podem ser importantes auxiliares na qualidade do conforto ac\u00fastico nos ambientes de sa\u00fade, os mesmos podem ser fixos ou remov\u00edveis e, para cada um destes, h\u00e1 fatores a se considerar sob o aspecto da contribui\u00e7\u00e3o para a redu\u00e7\u00e3o dos ru\u00eddos, em que se deve levar em conta tanto a preven\u00e7\u00e3o quanto o controle de infec\u00e7\u00e3o com base nas recomenda\u00e7\u00f5es de assepsia e limpeza, pois, de acordo com a RDC n. 50, os materiais adequados para o revestimento de paredes, pisos e tetos de ambientes de \u00e1reas cr\u00edticas e semicr\u00edticas devem ser resistentes \u00e0 lavagem e ao uso de desinfetantes (BRASIL, 2002, p. 107).<br \/><br \/>Alguns ru\u00eddos espec\u00edficos gerados em estabelecimentos de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade s\u00e3o fontes significativas de desconforto tanto para pacientes quanto para os profissionais que lidam diretamente com as atividades assistenciais. Geralmente, pouco se tem controle sobre esses ru\u00eddos, o que resulta em uma situa\u00e7\u00e3o com representativo valor de desconforto humano no ambiente hospitalar (ANVISA, 2014).<br \/><br \/>No entanto, deve-se observar a intensidade do impacto de reverbera\u00e7\u00e3o do som que cada um desses materiais pode produzir no ambiente e, por consequ\u00eancia, o desconforto ac\u00fastico em que cada um pode gerar.<br \/><br \/><strong>CONFORTO VISUAL: ILUMINA\u00c7\u00c3O E CORES<\/strong><br \/>Para se estabelecer a qualidade do ambiente constru\u00eddo para assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, h\u00e1 de se considerar os aspectos de conforto visual proporcionado pelos componentes de luz e cor com o objetivo de facilitar o desempenho das atividades a serem desenvolvidas.<br \/><br \/>Para a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas (ABNT), em sua NBR ISO\/CIE 8.995 -1 - Ilumina\u00e7\u00e3o de ambientes de trabalho (2013, p. 1).:<br \/>\r\n<blockquote>Uma boa ilumina\u00e7\u00e3o propicia a visualiza\u00e7\u00e3o do ambiente, permitindo que as pessoas vejam, se movam com seguran\u00e7a e desempenhem tarefas visuais de maneira eficiente, precisa e segura, sem causar fadiga visual e desconforto. A ilumina\u00e7\u00e3o pode ser natural, artificial ou uma combina\u00e7\u00e3o de ambas. Portanto, o controle do uso da luz e de sua intensidade deve constituir uma preocupa\u00e7\u00e3o na hora de projetar ambientes hospitalares, o conforto visual do ambiente pode encorajar a ativa consci\u00eancia na participa\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o terap\u00eautica. O desenho do ambiente deve, portanto, levar em conta as demandas lum\u00ednicas do usu\u00e1rio, al\u00e9m da essencialidade das condi\u00e7\u00f5es naturais do ambiente.<\/blockquote>\r\n<br \/>Dessa forma, a inser\u00e7\u00e3o de aberturas para a paisagem externa deve ser um componente efetivamente integrado \u00e0s solu\u00e7\u00f5es projetuais por meio de materiais e elementos arquitet\u00f4nicos que contemplem a privacidade dos usu\u00e1rios do ambiente hospitalar, como brise-soleil\/quebra-sol; varandas; e demais elementos arquitet\u00f4nicos que contribuam para o aproveitamento das condi\u00e7\u00f5es naturais. (ANVISA, 2014).<br \/><br \/>Em locais destinados \u00e0 interna\u00e7\u00e3o, onde o usu\u00e1rio pode permanecer por muitas horas ou dias, as condi\u00e7\u00f5es de ilumina\u00e7\u00e3o artificial e a visualiza\u00e7\u00e3o do ambiente externo podem trazer conforto, al\u00e9m da importante percep\u00e7\u00e3o ou orienta\u00e7\u00e3o do tempo em face do ciclo circadiano. O projeto dever\u00e1 contemplar tamb\u00e9m a especificidade da atividade desenvolvida em cada ambiente e o impacto ergon\u00f4mico da ilumina\u00e7\u00e3o sobre os usu\u00e1rios. Para os ambientes de emerg\u00eancia, salas cir\u00fargicas, unidades de terapia intensiva e demais \u00e1reas cr\u00edticas, os efeitos do impacto visual provocado pela ilumina\u00e7\u00e3o excessiva podem resultar em desconfortos emocionais relevantes, produzindo irrita\u00e7\u00e3o e estresse, emo\u00e7\u00f5es que reduzem a qualidade da assist\u00eancia. (ANVISA, 2014).<br \/><br \/>No entanto, uma abordagem importante a ser considerada em projetos de ambientes de sa\u00fade que se proponham a oferecer melhor qualidade de conforto refere-se \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es da FGI quanto a ilumina\u00e7\u00e3o natural e vista para a paisagem natural sempre que for poss\u00edvel (FGI, 2010, p. 15).<br \/><br \/><strong>CORES<\/strong><br \/>A utiliza\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias crom\u00e1ticas na ambienta\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios de sa\u00fade tem sido uma pr\u00e1tica recorrente. Solu\u00e7\u00f5es humanizadas, como salas do centro cir\u00fargico com cores distintas e janelas entre elas e com face ao exterior; e uma unidade de terapia intensiva igualmente tratada e com visualiza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es crom\u00e1ticas externas, podem tornar o ambiente hospitalar menos austero e, ao mesmo tempo, manter o rigor e a formalidade inerentes aos seus procedimentos e fun\u00e7\u00f5es. (ANVISA, 2014).<br \/><br \/>O projeto arquitet\u00f4nico \u00e9 um elo fundamental entre as expectativas do usu\u00e1rio e a efetividade das a\u00e7\u00f5es desenvolvidas no ambiente constru\u00eddo. O mesmo deve compatibilizar a produ\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os para os quais foi projetado com a fun\u00e7\u00e3o terap\u00eautica complementar ao cuidado m\u00e9dico que a edifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ter\u00e1 de assumir. Se n\u00e3o for poss\u00edvel comprovar-se essa fun\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, deve-se esperar, ao menos, que a arquitetura n\u00e3o interfira negativamente no tratamento dos pacientes. (ANVISA, 2014).<br \/><br \/>A arquitetura e a ambienta\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o importante na humaniza\u00e7\u00e3o, pois se os medicamentos podem aliviar as dores f\u00edsicas, as cores podem aliviar a monotonia de prolongados confinamentos. As cores nas paredes de um ambiente onde s\u00e3o realizados servi\u00e7os de sa\u00fade representam valores abstratos, percep\u00e7\u00e3o \u00fanica para cada usu\u00e1rio. De um modo ou de outro, a qualidade da assist\u00eancia n\u00e3o ser\u00e1 alterada pelas cores, mas elas poder\u00e3o oferecer uma sensa\u00e7\u00e3o tanto quanto necess\u00e1ria aos usu\u00e1rios do local. <br \/><br \/>As cores apresentam diversas fun\u00e7\u00f5es e efeitos, al\u00e9m do componente de plasticidade sobre o indiv\u00edduo: efeitos biol\u00f3gicos, efeitos psicol\u00f3gicos, simbologia de seguran\u00e7a como ordenador e orientador do espa\u00e7o (COSTI, 2002; GRANDJEAN,1998; IIDA, 1997).<br \/><br \/>A cor \u00e9 o aspecto mais percept\u00edvel, pois estabelece um v\u00ednculo social, geogr\u00e1fico e cultural com a idade e a sensibilidade de cada pessoa. N\u00e3o existe uma recomenda\u00e7\u00e3o de cor padr\u00e3o, nenhum tratamento crom\u00e1tico pode ser definido como regra, n\u00e3o existe solu\u00e7\u00e3o un\u00edvoca, mas \u00e9 sempre \u00fatil criar um ambiente identificado com a cultura local, avizinhado ao ambiente dom\u00e9stico capaz de dar um sentido de calor (ROMANELLO, 2006, p. 84).<br \/><br \/>Contudo, os ambientes de sa\u00fade requerem cuidados pela diversidade de usu\u00e1rios. A cor \u00e9 um poderoso idioma que pode afetar muito mais do que condi\u00e7\u00f5es mentais, \u00e2nimo e percep\u00e7\u00e3o de tempo, mas podem influir tamb\u00e9m em nossa percep\u00e7\u00e3o de volume, forma, espa\u00e7o e perspectiva (HOSKING, 1999, p. 119).<br \/><br \/><strong>REFERENCIAL TE\u00d3RICO<\/strong><br \/>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o hospital tem se tornado um espa\u00e7o para cura de v\u00e1rias enfermidades. A preocupa\u00e7\u00e3o em se ter ambientes mais arejados, bem iluminados, que possam garantir as atividades dos usu\u00e1rios e amenizar a perman\u00eancia desgastante de seus pacientes proporciona cada vez mais discuss\u00f5es e melhorias para esses espa\u00e7os.<br \/>\r\n<blockquote>\"Humanizar significa dar condi\u00e7\u00f5es humanas a qualquer coisa ou lugar. \u00c9 entendida como valor, na medida que resgata o respeito \u00e0 vida humana. Abrange circunst\u00e2ncias sociais, \u00e9ticas, educacionais e ps\u00edquicas presentes em todo relacionamento humano.\" (VASCONCELLOS, 2004, p.23).<\/blockquote>\r\nOs edif\u00edcios hospitalares foram evoluindo ao longo do tempo com as novas tecnologias de cada \u00e9poca, as preocupa\u00e7\u00f5es com a higieniza\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os e as solu\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas que priorizam ilumina\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o naturais, dentre outros (COSTI, 2002).<br \/><br \/>Sendo assim, a influ\u00eancia da luz no ambiente hospitalar, tanto nos espa\u00e7os destinados ao uso de pacientes quanto naqueles destinados aos trabalhadores, tem sido tratada por alguns profissionais a partir das novas abordagens da ilumina\u00e7\u00e3o para esses locais (FONSECA, 2000 apud HOREVICZ e DE CUNTO, 2007). <br \/><br \/>Para Toledo (2006), a percep\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o hospitalar no Brasil tem sido pouco explorada com enfoque na humaniza\u00e7\u00e3o, limitando o atendimento das expectativas e necessidades dos usu\u00e1rios nesses estabelecimentos. Tal limita\u00e7\u00e3o, consequentemente, ir\u00e1 refletir, segundo o autor, na qualidade do projeto e na humaniza\u00e7\u00e3o dos ambientes hospitalares.<br \/><br \/>Ressalta ainda que os requisitos visuais de ambos os usu\u00e1rios abrangem elementos quantitativos e qualitativos referentes \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o. No entanto, s\u00e3o usualmente adotados padr\u00f5es projetuais j\u00e1 consagrados que nem sempre se revelam como os mais adequados, resultando em solu\u00e7\u00f5es insuficientes ou que n\u00e3o refletem as necessidades de atendimento ou da demanda pretendida (TOLEDO, 2006, p. 96).<br \/><br \/>Para Zumtobel (2008), a luz natural \u00e9 fator dominante durante o dia nesses ambientes em que se deve prever a demarca\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es principais com a ilumina\u00e7\u00e3o artificial adequada para a utiliza\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo noturno. Em locais com pouca ilumina\u00e7\u00e3o natural, h\u00e1 a possibilidade de se criar, com ilumina\u00e7\u00e3o artificial, os efeitos da luz natural diurna com varia\u00e7\u00f5es nos diversos hor\u00e1rios do dia, visto que, tais efeitos podem reduzir a tens\u00e3o da espera gerando bem-estar e auxiliando no relaxamento dos acompanhantes. Desse modo, o projeto de ilumina\u00e7\u00e3o dos ambientes do complexo hospitalar constitui-se em uma importante etapa do planejamento do edif\u00edcio como um todo, principalmente, se pensado como principal fator para promover a humaniza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o f\u00edsico (ZUMTOBEL, 2008).<br \/><br \/>Mezono (1995) ressalta que a humaniza\u00e7\u00e3o nos hospitais passa pela humaniza\u00e7\u00e3o da sociedade como um todo, n\u00e3o se esquecendo de que uma sociedade violenta, in\u00edqua e excludente interfere no contexto das institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, a hospitalar principalmente. Humaniza\u00e7\u00e3o em institui\u00e7\u00f5es hospitalares significa tudo quanto seja necess\u00e1rio para tornar a institui\u00e7\u00e3o adequada ao indiv\u00edduo e aos seus direitos.<br \/><br \/>Dessa maneira, fica evidente que edif\u00edcios hospitalares bem ventilados e iluminados, com boas condi\u00e7\u00f5es de conforto no seu interior, aceleram o processo de cura dos pacientes, j\u00e1 que estes se sentem mais confort\u00e1veis ao enfrentarem as rotinas desgastantes de suas interna\u00e7\u00f5es.<br \/><br \/>No Brasil, conceitos de humaniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o estabelecidos por programas de governo por meio do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, como, por exemplo, o Programa Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o da Assist\u00eancia Hospitalar (PNHAH); o Programa de Humaniza\u00e7\u00e3o no Pr\u00e9-natal e Nascimento (PHPN); e a Pol\u00edtica Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o (PNH) (VAITSMAN; ANDRADE, 2005). J\u00e1 o HumanizaSUS foi criado com o objetivo de levar assist\u00eancia humanizada aos usu\u00e1rios do Sistema \u00danico de Sa\u00fade, pois acredita-se que os investimentos em equipamentos, tecnologias e recupera\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos estabelecimentos devem estar aliados \u00e0 qualidade do gerenciamento das institui\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m aos atendimentos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o (BRASIL, 2002).<br \/><br \/>A\u00e7\u00f5es em parceria com Secretarias de Sa\u00fade e hospitais t\u00eam tido avan\u00e7os importantes na rela\u00e7\u00e3o entre usu\u00e1rios e profissionais, al\u00e9m da melhor organiza\u00e7\u00e3o dos atendimentos; nos cuidados das instala\u00e7\u00f5es; na melhoraria do acesso; nas formas de comunica\u00e7\u00e3o do hospital; e no treinamento para a implanta\u00e7\u00e3o de projetos de humaniza\u00e7\u00e3o (BRASIL, 2002).<br \/><br \/>A humaniza\u00e7\u00e3o pode ser compreendida como a democratiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre trabalhadores, usu\u00e1rios e gestores. A Pol\u00edtica Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o (HumanizaSUS) \u00e9 entendida como um modelo de produ\u00e7\u00e3o de cuidado com maior resolutividade e com foco central em comunicar e trocar informa\u00e7\u00f5es entre os saberes, di\u00e1logo, escuta e decis\u00f5es compartilhadas entre trabalhadores, gestores e usu\u00e1rios (KLOCK et al., 2006).<br \/><br \/>No entanto, a integra\u00e7\u00e3o desses ambientes hospitalares faz parte de um processo de humaniza\u00e7\u00e3o que tem se tornado cada vez mais comum a esses estabelecimentos de sa\u00fade, pois a forma como o usu\u00e1rio percebe o ambiente ir\u00e1 definir a conduta de intera\u00e7\u00e3o usu\u00e1rio\/espa\u00e7o, esta podendo ser positiva ou negativa para sua recupera\u00e7\u00e3o.<br \/>\r\n<blockquote>A qualidade do ambiente hospitalar pode acelerar o processo de cura, reduzindo o tempo de interna\u00e7\u00e3o e, consequentemente, os custos com manuten\u00e7\u00e3o de pacientes hospitalizados. A humaniza\u00e7\u00e3o destes ambientes torna o paciente o centro das aten\u00e7\u00f5es. Torna indivis\u00edvel a rela\u00e7\u00e3o existente entre o corpo, mente e esp\u00edrito. Por isso, considera-se a qualidade do ambiente e a influ\u00eancia f\u00edsica ou psicol\u00f3gica, que ele exerce sobre o paciente, uma contribui\u00e7\u00e3o fundamental para o processo de tratamento. (LINTON, 1992, p. 126).<\/blockquote>\r\n<br \/><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><br \/>Abordou-se neste artigo o termo humaniza\u00e7\u00e3o como principal campo da arquitetura hospitalar nos estabelecimentos assistenciais de sa\u00fade.<br \/><br \/>No Brasil, esse conceito de ambiente humanizado ainda se encontra em fase inicial, visto que os hospitais, por serem grandes constru\u00e7\u00f5es com v\u00e1rias especificidades t\u00e9cnicas e fluxos diferenciados, necessitam de uma base te\u00f3rica consistente para projet\u00e1-los, a qual precisa reavaliar a verdadeira fun\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio hospitalar, criando ambientes que contribuam efetivamente para a recupera\u00e7\u00e3o do paciente.<br \/><br \/>A humaniza\u00e7\u00e3o dos estabelecimentos de sa\u00fade \u00e9 de suma import\u00e2ncia, pois, al\u00e9m de contribuir para o processo terap\u00eautico do paciente, contribui para a qualidade dos servi\u00e7os de sa\u00fade prestados pelos profissionais ali inseridos.<br \/><br \/>Portanto, a integra\u00e7\u00e3o interior\/exterior \u00e9 importante no ambiente hospitalar tanto para pacientes se sentirem bem e se recuperarem de forma mais r\u00e1pida quanto para funcion\u00e1rios desempenharem melhor suas atividades por trabalharem em ambientes mais agrad\u00e1veis e com menor n\u00edvel de estresse, garantindo, assim, uma economia significativa devido ao menor tempo de hospitaliza\u00e7\u00e3o dos pacientes e ao menor consumo de medicamentos, pol\u00edtica esta que envolve todos os atores e pode ser colocada em pr\u00e1tica de imediato por exigir apenas uma decis\u00e3o de mudar a forma de ver o outro.<br \/>________________________________________<br \/><br \/><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><br \/>ASSOCIA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA DE NORMAS T\u00c9CNICAS (ABNT). <strong>Ilumina\u00e7\u00e3o de Ambientes de Trabalho.<\/strong> Parte 1: interior. 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