{"id":7989,"date":"2024-06-12T12:05:57","date_gmt":"2024-06-12T15:05:57","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/a-arquitetura-de-hospitais-de-irineu-breitman\/"},"modified":"2024-11-17T21:28:15","modified_gmt":"2024-11-18T00:28:15","slug":"a-arquitetura-de-hospitais-de-irineu-breitman","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/a-arquitetura-de-hospitais-de-irineu-breitman\/","title":{"rendered":"A arquitetura de hospitais de Irineu Breitman"},"content":{"rendered":"<div><strong>RESUMO<\/strong><br \/>Este artigo apresenta parte da carreira e da obra do arquiteto Irineu Breitman, com foco em seus projetos de edif\u00edcios assistenciais de sa\u00fade. Em 2018 o IPH \u2013 Instituto de Pesquisas Hospitalares Arquiteto Jarbas Karman \u2013 incorporou parte de seu acervo arquitet\u00f4nico com o intuito de recuperar, organizar e divulgar sua produ\u00e7\u00e3o, que conta com importantes hospitais da regi\u00e3o sul do Brasil. Entre os dias 30 de outubro e 1\u00ba de novembro, o Instituto organizou uma exposi\u00e7\u00e3o de sua obra durante o VIII Congresso Brasileiro para o Desenvolvimento do Edif\u00edcio Hospitalar, momento em que foi poss\u00edvel definir uma breve trajet\u00f3ria profissional e identificar alguns de seus principais trabalhos, destacando aspectos interessantes de sua arquitetura. Entre os projetos apresentados est\u00e3o o Hospital F\u00eamina (1954), Hospital Infantil Joana de Gusm\u00e3o (1977) e os Hospitais Regionais de Santa Catarina (1979).<br \/><br \/><strong>PALAVRAS-CHAVE<\/strong><br \/>Irineu Breitman; Edif\u00edcios Assistenciais de Sa\u00fade; Hospitais; Arquitetura Moderna Brasileira;<br \/><br \/><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><br \/>H\u00e1 poucas publica\u00e7\u00f5es dedicadas a documentar a arquitetura dos Edif\u00edcios Assistenciais de Sa\u00fade (EAS) brasileiros, apresentando projetos de forma a permitir uma maior compreens\u00e3o de seus aspectos f\u00edsico-funcionais. Essa quest\u00e3o se acentua com a produ\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica desenvolvida a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Podemos dizer que houve uma mudan\u00e7a significativa das ideias relacionadas ao projeto de hospitais na d\u00e9cada de 1950, motivada pela realiza\u00e7\u00e3o do&nbsp;<i>I Curso de Planejamento de Hospitais<\/i>, promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento de S\u00e3o Paulo (IAB-SP)[1]. Segundo Renato Gama-Rosa Costa, esse evento foi um marco para a consolida\u00e7\u00e3o dos arquitetos como \"protagonistas do processo de constru\u00e7\u00e3o dos hospitais, desde a sua concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a entrega da obra\", completando:<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>[...] O curso ministrado por m\u00e9dicos e arquitetos para m\u00e9dicos e arquitetos no IAB-SP, durante 6 dias, em abril de 1953, representou um&nbsp;<i>turning point<\/i> nesse processo no Brasil. O time de professores contava com os grandes autores de projetos hospitalares daqueles anos, como o pr\u00f3prio Rino Levi, Jarbas Karman, Jorge Machado Moreira, Roberto Cerqueira C\u00e9sar e Oscar Valdetaro, com uma participa\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos na concep\u00e7\u00e3o do projeto cada vez mais como consultores do que como co-autores (como no caso do Hospital das Clinicas de S\u00e3o Paulo). Entre os alunos, estavam alguns outros projetistas de hospitais, j\u00e1 profissionais ou ainda estudantes, como Paulo Antunes Ribeiro, autor do projeto da Maternidade Arnaldo de Moraes, no Rio de Janeiro; Aldary Toledo, \u00e0 \u00e9poca, arquiteto do Instituto de Aposentadoria e Pens\u00f5es dos Banc\u00e1rios; Arnaldo Mesquita, da Divis\u00e3o de Obras do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade; Jo\u00e3o Filgueiras Lima, estudante de arquitetura e futuro autor dos hospitais da Rede Sarah; etc. (Costa, 2011, p. 46)<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>Dessa forma, pesquisar os arquitetos que tiveram intensa produ\u00e7\u00e3o no campo hospitalar a partir de ent\u00e3o, propondo novas solu\u00e7\u00f5es e delineando estrat\u00e9gias projetuais que suscitaram em inova\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas, seja na organiza\u00e7\u00e3o do programa ou na concep\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, \u00e9 fundamental para compreendermos as transforma\u00e7\u00f5es dos edif\u00edcios assistenciais de sa\u00fade da segunda metade do s\u00e9culo XX.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Um desses arquitetos \u00e9 Irineu Breitman, profissional com s\u00f3lida produ\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o sul do Pa\u00eds entre os anos de 1954 e 1998. Ex-professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAU-UFRGS) e da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Breitman publicou alguns de seus projetos hospitalares em importantes revistas brasileiras, recebeu diversos pr\u00eamios e homenagens, tornando-se conhecido entre os arquitetos que se dedicam ao projeto de institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Luiz Carlos Toledo ao discorrer sobre a \"evolu\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio hospitalar no Brasil\" afirma que Breitman, juntamente com alguns outros arquitetos, possu\u00eda \"n\u00e3o s\u00f3 um amplo dom\u00ednio do projeto arquitet\u00f4nico\", mas tamb\u00e9m \"um profundo conhecimento das quest\u00f5es t\u00e9cnico-operacionais das unidades projetadas, principalmente no que se refere \u00e0 infraestrutura e \u00e0 gest\u00e3o hospitalar\" (Toledo, 2006, p.27).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Considerando esses fatos, em agosto de 2018, o Instituto de Pesquisas Hospitalares Arquiteto Jarbas Karman (IPH) incorporou parte do acervo de Breitman com o intuito de recuperar, organizar e divulgar sua produ\u00e7\u00e3o. No mesmo ano, entre os dias 30 de outubro e 1\u00ba de novembro, o Instituto organizou uma exposi\u00e7\u00e3o de sua obra com foco nos projetos arquitet\u00f4nicos de hospitais durante o VIII Congresso Brasileiro para o Desenvolvimento do Edif\u00edcio Hospitalar[2]. No processo de curadoria, do qual fui respons\u00e1vel juntamente com Eduardo Kariya Nishitani, foi poss\u00edvel definir uma breve trajet\u00f3ria profissional e identificar alguns de seus principais trabalhos, destacando aspectos interessantes de sua arquitetura. Trabalho que ser\u00e1 apresentado a seguir.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521669615452166968946952444.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 01.<\/strong> Exposi\u00e7\u00e3o da obra de Irineu Breitman em Curitiba<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH<br \/><br \/><\/div>\r\n<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521673115452167317797215185.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 02.<\/strong> Exposi\u00e7\u00e3o da obra de Irineu Breitman em Curitiba<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><strong>BREVE TRAJET\u00d3RIA PROFISSIONAL<\/strong><\/p>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521674715452167474517327343.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 03.<\/strong> Irineu Breitman<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Nascido em 3 de junho de 1930, Irineu \u00e9 natural de Cachoeira do Sul (munic\u00edpio do Estado do Rio Grande do Sul) e filho do premiado fot\u00f3grafo Sioma Breitman, ucraniano que imigrou para o Brasil em 1924 e que construiu sua carreira fotografando pessoas e lugares das cidades onde viveu.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Breitman, de acordo com depoimento gravado em v\u00eddeos[3], contou que seu destino era ser engenheiro civil e professor de matem\u00e1tica, mas o contato com uma revista argentina de arquitetura, apresentada por um colega, mudou seu destino. Acabou se matriculando no Instituto de Belas Artes, atual Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, formando-se em 25 de junho de 1953. Curiosamente, um ano antes de sua forma\u00e7\u00e3o, assinou o projeto do Col\u00e9gio Israelita Brasileiro de Porto Alegre, j\u00e1 demonstrando seu grande potencial.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521676015452167609505483124.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 04.<\/strong> Irineu Breitman ao lado da maquete do Col\u00e9gio Israelita Brasileiro<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Ainda na d\u00e9cada de 1950, projetou o Hospital F\u00eamina, que lhe rendeu uma medalha de bronze no VI Sal\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Riograndense de Artes Pl\u00e1sticas \"Francisco Lisboa\" (veremos mais sobre esse projeto a seguir), ganhou o concurso de projetos para a constru\u00e7\u00e3o do \"Lar dos Velhos\" e se tornou, pela primeira vez, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, divis\u00e3o Rio Grande do Sul (IAB-RS, entre os anos de 1958 a 1961).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521677815452167783523934182.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 05.<\/strong> Irineu Breitman, juntamente com a delega\u00e7\u00e3o do IAB, em viajem pela China<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Na d\u00e9cada seguinte, recebeu medalha de prata no I Sal\u00e3o de Arquitetura do Rio Grande do Sul, projetou uma s\u00e9rie de casas em Pelotas e Porto Alegre, voltou a ser presidente do IAB-RS (agora entre os anos de 1963 e 1965), tornou-se professor de projeto na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e projetou a Cl\u00ednica Pinel, destinada ao tratamento de doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:15452167891545216789269844084.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 06.<\/strong> Resid\u00eancia Isaac Aguinsky , 1963<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>Sua produ\u00e7\u00e3o se intensificou na d\u00e9cada de 1970 com a funda\u00e7\u00e3o da HOSPLAN, empresa que reuniu diversos profissionais com experi\u00eancias em projetos de institui\u00e7\u00f5es assistenciais de sa\u00fade. Nesse momento, teve in\u00edcio a parceria com o m\u00e9dico e administrador Paulo Lindolfo Lamb, que prestava consultoria na \u00e1rea de planejamento funcional, se tornando um importante colaborador na \u00e1rea hospitalar. Em 1974, projetou o Hospital Miguel Piltcher e, em 1977, o Hospital Infantil Joana de Gusm\u00e3o, exemplares que apontam uma crescente prefer\u00eancia pela horizontaliza\u00e7\u00e3o do programa f\u00edsico-funcional. Ainda em 1977, passa a lecionar Arquitetura Hospitalar no Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o Hospitalar da Associa\u00e7\u00e3o dos Hospitais do Estado do Rio Grande do Sul e na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul, dando in\u00edcio ao trabalho de educa\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o do conhecimento na \u00e1rea de arquitetura de edif\u00edcios hospitalares.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Em 1978, a HOSPLAN passa a se denominar HOSPITASA. Nesse momento, faziam parte da equipe o Dr. Paulo Lamb (consultor hospitalar), o eng. Paulo Azambuja (estrutura), o eng. Werner Laub (hidr\u00e1ulica e el\u00e9trica), o eng. Aldo dos Santos (gases medicinais), o eng. Fulvio Petracco (ar-condicionado), o eng. Jo\u00e3o Os\u00f3rio (caldeiras e vapor), o eng. Sergio Faerman (prote\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica), o agr. Robald Jamieson (paisagismo) e a arq. Ligia Botta (comunica\u00e7\u00e3o visual). Irineu, coordenador da equipe e autor dos projetos arquitet\u00f4nicos, considerava o trabalho multidisciplinar condi\u00e7\u00e3o important\u00edssima para se projetar adequadamente um hospital.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521680215452168028433582106.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 07.<\/strong> Placa de obra da empresa HOSPITASA<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Em 1979, projetou tr\u00eas hospitais p\u00fablicos de grande porte no Estado de Santa Catarina: Hospital Regional Dr. Hans Dieter Schmidt, em Joinville; Hospital Regional S\u00e3o Jos\u00e9, na Grande Florian\u00f3polis; Hospital Regional do Oeste, em Chapec\u00f3. O primeiro \u00e9 um hospital horizontal que se desenvolve em apenas dois pisos, e os outros dois possuem uma base horizontal e uma torre laminar.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521681615452168166263716412.jpg\" \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">\r\n<div><strong>Imagem 08.<\/strong> Irineu Breitman e Paulo Lamb (ambos \u00e0 esquerda) ao lado das maquetes dos hospitais regionais de Santa Catarina<\/div>\r\n<div>Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Nas d\u00e9cadas subsequentes, participou de uma s\u00e9rie de congressos e eventos nacionais e internacionais voltados para a \u00e1rea da sa\u00fade, divulgando suas experi\u00eancias com os projetos de edif\u00edcios hospitalares, defendendo o desenvolvimento horizontal e o cuidado para com o conforto f\u00edsico e psicol\u00f3gico dos usu\u00e1rios. Em 1998, projetou o Hospital Escola para a Universidade de Passo Fundo, juntamente com seu filho e tamb\u00e9m arquiteto Lucio Breitman; o edif\u00edcio n\u00e3o chegou a ser constru\u00eddo. Foi homenageado em diversas oportunidades, como no Congresso da ADH em 2004, na Faculdade de Arquitetura da PUC-RS em 2010, e no VIII Congresso Brasileiro para o Desenvolvimento do Edif\u00edcio Hospitalar em 2018.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521682715452168279957403094.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 09.<\/strong> Irineu Breitman (\u00e0 esquerda) e Jarbas Karman em apresenta\u00e7\u00e3o durante a \"Asamblea de la Federaci\u00f3n Latinoamericana de Hospitales\", 1980<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><strong>DO HOSPITAL MODERNO AO CONTEMPOR\u00c2NEO<\/strong><\/div>\r\n<div>De acordo com seu curr\u00edculo profissional, Irineu Breitman projetou cerca de 58 edif\u00edcios assistenciais de sa\u00fade, entre obras novas, amplia\u00e7\u00f5es e reformas. Infelizmente, como \u00e9 comum a muitos acervos de arquitetura, boa parte dos desenhos e memoriais se perderam ao longo do tempo. Para recuperar, preservar e divulgar sua produ\u00e7\u00e3o, o IPH recebeu parte de seu acervo arquitet\u00f4nico, correspondente a 14 projetos desenvolvidos entre 1954 e 1998.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Do material que o IPH recebeu, numa primeira observa\u00e7\u00e3o, foram destacados 8 projetos, dos quais 7 foram constru\u00eddos. Esses projetos foram selecionados para compor parte da exposi\u00e7\u00e3o, pois oferecem um panorama da obra de Breitman.<br \/><br \/><strong>Hospital F\u00eamina<br \/><\/strong>Sua primeira experi\u00eancia com a arquitetura de edif\u00edcios hospitalares foi em 1954, com o Hospital F\u00eamina, constru\u00eddo na cidade de Porto Alegre. Com apenas um ano de formado, Breitman assumiu a responsabilidade de projetar o que se tornaria um dos principais hospitais de Porto Alegre dedicado \u00e0 sa\u00fade da mulher.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521684515452168457936795807.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 10.<\/strong> Hospital F\u00eamina<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Inspirado nos princ\u00edpios da Escola Carioca, mais precisamente na arquitetura de Jorge Machado Moreira, o projeto prop\u00f5e uma l\u00e2mina vertical suspensa por pilotis com nove pavimentos (t\u00e9rreo, mezanino e mais oito andares), um pavimento inferior permeado por dois grandes jardins e um volume com tr\u00eas pavimentos localizado mais ao fundo do lote. O hospital, que n\u00e3o chegou a ser constru\u00eddo de acordo com o projeto inicial, teve consultoria do arquiteto Jarbas Karman, que provavelmente influenciou no desenho de um espa\u00e7o t\u00e9cnico destinado a equipamentos e instala\u00e7\u00f5es entre o primeiro e segundo pavimentos[4], com p\u00e9-direito de aproximadamente 1,80m, fato muito pouco comum para a \u00e9poca e solu\u00e7\u00e3o amplamente defendida por Karman ao longo de sua carreira.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Os andares dedicados \u00e0s enfermarias contam com unidades \"simplesmente carregadas\"[5], com os postos de enfermagem centralizados no pavimento e uma ampla sala de estar\/sol\u00e1rio destinada ao conv\u00edvio de pacientes e familiares.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521686015452168605604421341.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 11.<\/strong> Planta do 7\u00ba, 8\u00ba, 9\u00ba e 10\u00ba pavimentos - Hospital F\u00eamina<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O Hospital sofreu muitas modifica\u00e7\u00f5es internas e algumas amplia\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas vazias do lote, mas ainda preserva boa parte dos aspectos originais do projeto em suas fachadas, como as pastilhas azuis dos pilotis e as cor-de-rosa dos guarda-corpos da torre.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521687015452168707515687656.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 12.<\/strong> Estado atual do Hospital F\u00eamina<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521688115452168816136157684.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 13.<\/strong> Estado atual do Hospital F\u00eamina<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><strong>Cl\u00ednica Pinel<br \/><\/strong>Irineu teve experi\u00eancias com diferentes programas f\u00edsico-funcionais hospitalares. Uma delas foi o projeto para o novo edif\u00edcio da Cl\u00ednica Pinel, realizado em 1968, destinado ao tratamento de doentes psiqui\u00e1tricos.<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521689815452168985413658596.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 14.<\/strong> Cl\u00ednica Pinel<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A Cl\u00ednica Pinel foi fundada em 1959 pelo m\u00e9dico psiquiatra Marcello Blaya Perez. Na d\u00e9cada de 1950, o Dr. Perez fez uma viagem aos EUA e Canad\u00e1 e passou um per\u00edodo de aprendizado no Menninger School of Psychiatry, localizado na cidade de Topeka, estado do Kansas, onde teve contato com uma psiquiatria fortemente embasada na psican\u00e1lise. Quando voltou ao Brasil, introduziu seus novos conhecimentos em Porto Alegre. Sua cl\u00ednica funcionou em casar\u00f5es adaptados at\u00e9 adquirir um lote com dimens\u00f5es adequadas e contratar Irineu Breitman para desenvolver o projeto de um edif\u00edcio adequado para a pr\u00e1tica de sua psiquiatria.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O programa arquitet\u00f4nico prop\u00f5e duas etapas de atendimento: o primeiro dedicado ao acolhimento, ao ambulat\u00f3rio e ao Hospital Dia, e o segundo, \u00e0 hospitaliza\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica com foco no controle dos pacientes em surto.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O projeto apresenta duas l\u00e2minas perpendiculares com fachadas distintas. A primeira, paralela \u00e0 rua Santana, possui tr\u00eas pavimentos e \u00e9 composta de uma grelha cujos fechamentos s\u00e3o recuados e os peitoris revestidos com tijolos cer\u00e2micos; a segunda, perpendicular \u00e0 primeira, possui quatro pavimentos e tamb\u00e9m \u00e9 composta por uma grelha, por\u00e9m com os peitoris sobressalientes com alturas diferentes e revestidos com pastilhas azul-turquesa.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:15452169131545216913128176668.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 15.<\/strong> Perspectiva frontal da Cl\u00ednica Pinel<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:15452169221545216922373465975.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 16.<\/strong> Perspectiva a\u00e9rea da Cl\u00ednica Pinel<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Outro detalhe interessante \u00e9 o desenho das janelas, executadas em venezianas basculantes cujas dist\u00e2ncias das l\u00e2minas n\u00e3o permitiam que os pacientes as atravessassem, dispensando a instala\u00e7\u00e3o de grades de seguran\u00e7a, comuns aos hospitais psiqui\u00e1tricos da \u00e9poca. Houve tamb\u00e9m uma aten\u00e7\u00e3o especial para que os muros e os jardins n\u00e3o gerassem a sensa\u00e7\u00e3o de enclausuramento. Outro fator de destaque do projeto s\u00e3o os generosos espa\u00e7os coletivos, como as salas de conviv\u00eancia, com amplas aberturas para o exterior, e as \u00e1reas externas de lazer, com piscina e quadra poliesportiva.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521693515452169359618395890.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 17.<\/strong> Perspectiva da sala de conviv\u00eancia da Cl\u00ednica Pinel<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521694515452169457189147535.jpg\" \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">\r\n<div><strong>Imagem 18.<\/strong> Sala de conviv\u00eancia da Cl\u00ednica Pinel<\/div>\r\n<div>Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><strong>Hospital Miguel Piltcher<br \/><\/strong>As experi\u00eancias com o \"Lar dos Velhos\", em 1958, e com a Cl\u00ednica Pinel fizeram Breitman optar pela \"horizontaliza\u00e7\u00e3o\" do programa hospitalar com o passar do tempo. O Hospital Miguel Piltcher, projetado em 1974 na cidade de Pelotas, marca a transi\u00e7\u00e3o entre os conceitos da Escola Carioca e a busca por solu\u00e7\u00f5es formais e est\u00e9ticas que correspondessem mais \u00e0s quest\u00f5es funcionais dos edif\u00edcios hospitalares.<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521695815452169589439721430.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 19.<\/strong> Hospital Miguel Piltcher<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O edif\u00edcio adota uma tipologia mista, definida por Lauro Miquelin como \"bloco-torre\" (Miquelin, 1992, p.59 e 60), conhecida tamb\u00e9m por \"base-torre\". Essa tipologia \u00e9 muito comum at\u00e9 hoje pois \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o que possibilita localizar diversos servi\u00e7os hospitalares afins no mesmo pavimento. Possui um bloco t\u00e9rreo que abriga os servi\u00e7os de atendimento ao paciente externo, os setores de diagn\u00f3stico, terapia, apoio log\u00edstico e administrativo. As enfermarias ficam localizadas nos pavimentos elevados da torre laminar, que se localiza na faixa oposta ao acesso principal.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Outra quest\u00e3o importante de se destacar \u00e9 o uso de Sheds na cobertura do pavimento t\u00e9rreo. Irineu sempre se preocupou com o conforto higrot\u00e9rmico e com o conforto psicol\u00f3gico dos usu\u00e1rios. A ado\u00e7\u00e3o de um \u00fanico pavimento para abrigar mais da metade do programa funcional e as dimens\u00f5es reduzidas do lote (que foi praticamente todo ocupado com a proje\u00e7\u00e3o horizontal do edif\u00edcio) dificultaram a cria\u00e7\u00e3o de jardins, fator que em muito colabora para a qualidade ambiental. Sendo assim, para proporcionar ilumina\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o naturais aos ambientes internos, Irineu desenhou uma sequ\u00eancia de Sheds, executados em concreto armado, dispostos longitudinalmente (paralelos \u00e0 torre), possibilitando a instala\u00e7\u00e3o de janelas altas em quase todas as salas do pavimento t\u00e9rreo. Essa estrat\u00e9gia projetual acabou sendo utilizada em quase todos os seus projetos hospitalares desde ent\u00e3o.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521697615452169762798398789.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 20.<\/strong> Ambientes internos iluminados pelos Sheds<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521698715452169878132982269.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 21.<\/strong> Ambientes internos iluminados pelos Sheds<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<p><strong>Hospital Infantil Joana de Gusm\u00e3o<\/strong><br \/>A prefer\u00eancia pelos hospitais horizontais se consolidou em 1977 com o projeto do Hospital Infantil Joana de Gusm\u00e3o, institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica localizada na cidade de Florian\u00f3polis, em Santa Catarina. Possui 14.835 m\u00b2 de \u00e1rea constru\u00edda e capacidade para at\u00e9 280 leitos.<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521699915452169997097186751.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 22.<\/strong> Hospital Infantil Joana de Gusm\u00e3o<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Esse hospital foi concebido para substituir o antigo Hospital Infantil Edith Gama Ramos, inaugurado em 1964 e primeiro do Estado catarinense dedicado \u00e0 sa\u00fade da crian\u00e7a. Hoje, o Joana de Gusm\u00e3o \u00e9 considerado um dos mais importantes hospitais infantis e de ensino de pediatria da Am\u00e9rica Latina[6].<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O edif\u00edcio \u00e9 composto por tr\u00eas volumes dispostos paralelamente. O bloco oeste e o bloco central possuem dois pavimentos, j\u00e1 o bloco leste possui tr\u00eas (sendo o primeiro n\u00edvel destinado a vagas de estacionamento). Enquanto os blocos perif\u00e9ricos possuem n\u00edveis correspondentes, o bloco central foi posicionado a \"meio-n\u00edvel\", possibilitando a ado\u00e7\u00e3o de \"meias-rampas\" no desenvolvimento das circula\u00e7\u00f5es verticais. Essa estrat\u00e9gia, de criar n\u00edveis intermedi\u00e1rios para possibilitar o uso de \"meias-rampas\", se tornou importante na obra de Breitman, pois possibilitava a horizontaliza\u00e7\u00e3o do conjunto hospitalar sem aumentar demasiadamente as dist\u00e2ncias percorridas pelos usu\u00e1rios.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521701015452170103916656418.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 23.<\/strong> Perspectiva a\u00e9rea - Hospital Infantil Joana de Gusm\u00e3o<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521702115452170216056734310.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 24.<\/strong> Perspectiva das \"meias-rampas\" - Hospital Infantil Joana de Gusm\u00e3o<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A distribui\u00e7\u00e3o do programa tamb\u00e9m contribuiu para a diminui\u00e7\u00e3o dos percursos, pois o posicionamento das unidades funcionais considera suas inter-rela\u00e7\u00f5es. O pavimento t\u00e9rreo (n\u00edvel 2 dos blocos perif\u00e9ricos) abriga os ambulat\u00f3rios, a emerg\u00eancia, a radiologia, o laborat\u00f3rio, a neonatologia, a administra\u00e7\u00e3o e o conforto m\u00e9dico. O primeiro pavimento, que fica sobre o t\u00e9rreo (n\u00edvel 3 dos blocos perif\u00e9ricos) concentra as unidades de interna\u00e7\u00e3o. O segundo piso do bloco central (n\u00edvel 2,5) est\u00e1 posicionado entre os dois n\u00edveis dos blocos perif\u00e9ricos e abriga as unidades que atendem todo o hospital, como o centro cir\u00fargico, a UTI, a CME e as \u00e1reas de apoio t\u00e9cnico e log\u00edstico (cozinha, lavanderia, almoxarifado, centrais de abastecimento etc.). Sendo assim, para se atingir os setores localizados no segundo piso do bloco central, \u00e9 preciso percorrer apenas meio lance de rampa.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Podemos notar uma mudan\u00e7a significativa na distribui\u00e7\u00e3o espacial das interna\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos projetos anteriores. Os quartos est\u00e3o posicionados praticamente em ambas as fachadas, as \u00e1reas de terapia e o apoio t\u00e9cnico est\u00e3o no miolo do andar e h\u00e1 dois postos de enfermagem, cada qual atendendo cerca de 36 leitos. Essa foi a primeira experi\u00eancia de Irineu com as unidades de interna\u00e7\u00e3o \"duplamente carregas\"[7] e com a descentraliza\u00e7\u00e3o dos postos de enfermagem, estrat\u00e9gias que aparecer\u00e3o, de formas diferentes, em todos os projetos hospitalares seguintes.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:1545217037154521703774668827.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 25.<\/strong> Planta da interna\u00e7\u00e3o - Hospital Infantil Joana de Gusm\u00e3o<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p>Outro aspecto importante \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de diversos jardins. O hospital, al\u00e9m de estar envolvido por uma grande \u00e1rea verde, possui jardins que permeiam os blocos, gerando uma rela\u00e7\u00e3o intensa entre edif\u00edcio e natureza, condi\u00e7\u00e3o que em muito colabora com a recupera\u00e7\u00e3o dos doentes.<\/p>\r\n<p><strong>Os hospitais regionais de Santa Catarina<\/strong><br \/>Mais tarde, em 1979, Irineu e sua equipe da HOSPITASA projetaram tr\u00eas hospitais p\u00fablicos de grande porte em Santa Catarina: Hospital Regional Dr. Hans Dieter Schmidt, em Joinville; Hospital Regional S\u00e3o Jos\u00e9, na Grande Florian\u00f3polis; Hospital Regional do Oeste, em Chapec\u00f3.<\/p>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521704815452170486345326372.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 26.<\/strong> Hospital Regional Dr. Hans Dieter Schmidt<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521706315452170636234129749.jpg\" \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">\r\n<div><strong>Imagem 27.<\/strong> Hospital Regional S\u00e3o Jos\u00e9<\/div>\r\n<div>Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:15452170761545217076226966779.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 28.<\/strong> Hospital Regional do Oeste<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Mesmo que o programa arquitet\u00f4nico seja muito semelhante entre os tr\u00eas, os projetos possuem caracter\u00edsticas diferentes, cada qual com um partido formal que melhor adequasse o programa \u00e0 geografia do lote.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O primeiro \u00e9 um hospital horizontal, com desenvolvimento em dois pavimentos e meio, com pisos desencontrados e conectados por \"meias-rampas\", muito semelhantes ao Joana de Gusm\u00e3o. Composto basicamente por tr\u00eas volumes principais, paralelos, as interna\u00e7\u00f5es e as unidades de atendimento ao paciente externo est\u00e3o locadas nos blocos perif\u00e9ricos, enquanto o centro cir\u00fargico, a UTI e as unidades de apoio t\u00e9cnico-log\u00edstico est\u00e3o no bloco central, posicionados a meio n\u00edvel.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521709515452170954365661272.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 29.<\/strong> Perspectiva - Hospital Regional Dr. Hans Dieter Schmidt<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Os outros dois seguem a tipologia \"base-torre\", semelhante ao projeto do Hospital Miguel Piltcher. Ambos possuem uma base (volumes que variam de dois a quatro pavimentos) e uma torre laminar (ambas com quatro pavimentos). Os pavimentos que comp\u00f5em a base abrigam o atendimento aos pacientes externos, as \u00e1reas de diagn\u00f3stico, as \u00e1reas administrativas e os setores de apoio t\u00e9cnico-log\u00edstico. Os pavimentos elevados, que comp\u00f5em a torre, abrigam principalmente as unidades de interna\u00e7\u00e3o.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521711215452171123533423302.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 30.<\/strong> Perspectiva - Hospital Regional S\u00e3o Jos\u00e9<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521712315452171230132619620.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 31.<\/strong> Perspectiva - Hospital Regional do Oeste<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Esses tr\u00eas hospitais apresentam algumas caracter\u00edsticas interessantes de serem observadas. A primeira s\u00e3o as unidades de interna\u00e7\u00e3o com quartos ocupando as duas fachadas longitudinais, um corredor central, um posto de enfermagem para - em m\u00e9dia - 32 leitos e uma varia\u00e7\u00e3o na distribui\u00e7\u00e3o dos pacientes em apartamentos (1 leito), quartos (2 leitos) e enfermarias (3 leitos). Essa varia\u00e7\u00e3o entre apartamentos e enfermarias gerou quartos com comprimentos diferentes, sendo que os maiores foram estruturados em balan\u00e7o, conferindo um belo jogo de altern\u00e2ncia volum\u00e9trica nas fachadas.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521713715452171379413305546.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 32.<\/strong> Planta da interna\u00e7\u00e3o - Hospital Regional S\u00e3o Jos\u00e9<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A segunda \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o de por\u00f5es t\u00e9cnicos sob todo o conjunto hospitalar, suspendendo o edif\u00edcio do solo, permitindo a execu\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es totalmente aparentes (n\u00e3o embutidas em lajes ou forros), facilitando o trabalho das equipes de reparos e reduzindo os custos de manuten\u00e7\u00e3o.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521715515452171558255425784.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 33.<\/strong> Corte do bloco de interna\u00e7\u00e3o - Hospital Regional Dr. Hans Dieter Schmidt<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Por \u00faltimo, assim como no projeto para o Miguel Piltcher, as coberturas dos \u00faltimos pavimentos das bases foram executadas em Sheds de concreto armado para prover aos ambientes internos ilumina\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o naturais.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:15452171681545217168624941654.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 34.<\/strong> Cobertura em Sheds - Hospital Regional S\u00e3o Jos\u00e9<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><strong><br \/>Hospital Escola da Universidade de Passo Fundo<br \/><\/strong>A Funda\u00e7\u00e3o Universidade de Passo Fundo (FUPF) \u00e9 mantenedora da Universidade de Passo Fundo (UPF), que oferece diversos cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de ci\u00eancias da sa\u00fade, como medicina e farm\u00e1cia. Em 1998, a funda\u00e7\u00e3o contratou Breitman para desenvolver o projeto para seu futuro hospital escola, que serviria tanto para a forma\u00e7\u00e3o de futuros profissionais quanto para a presta\u00e7\u00e3o de atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, incrementando a rede hospitalar local. O edif\u00edcio seria implantado no campus da universidade em um lote de 62.573,00 m\u00b2, totalizando 29.034m\u00b2 de \u00e1rea constru\u00edda e possuiria 300 leitos de interna\u00e7\u00e3o e 47 leitos de UTI. Infelizmente, o projeto n\u00e3o foi executado.<\/p>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:154521718515452171852659892096.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 35.<\/strong> Perspectiva eletr\u00f4nica - Hospital Escola da UPF<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Seguindo as premissas do Joana de Gusm\u00e3o, e muito semelhante ao Dr. Hans Dieter Schmidt, o projeto para esse hospital escola \u00e9 composto por dois pavimentos e meio, distribu\u00eddos em, basicamente, tr\u00eas volumes. A circula\u00e7\u00e3o vertical se desenvolve por duas \"meias-rampas\", a ilumina\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o naturais dos ambientes localizados no interior dos pavimentos s\u00e3o feitas por Sheds e o conjunto est\u00e1 suspenso, em sua maioria, a um metro do solo, gerando um grande por\u00e3o t\u00e9cnico. A distribui\u00e7\u00e3o do programa arquitet\u00f4nico tamb\u00e9m segue a mesma premissa do hospital em Joinville, com a diferen\u00e7a de que esse \u00e9 um hospital universit\u00e1rio e a \u00e1rea de ensino e pesquisa se concentra em um edif\u00edcio de cinco pavimentos localizado a noroeste do conjunto.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:15452171981545217198622760760.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 36.<\/strong> Implanta\u00e7\u00e3o - Hospital Escola da UPF<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Fonte: Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<p><b>CONSIDEREA\u00c7\u00d5ES FINAIS<br \/><\/b>A arquitetura de hospitais sofreu grandes transforma\u00e7\u00f5es na segunda metade do s\u00e9culo XX. A participa\u00e7\u00e3o mais efetiva dos arquitetos no processo de projeto e constru\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o das primeiras normas t\u00e9cnicas, os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e a cria\u00e7\u00e3o de eventos dedicados ao ensino e \u00e0 pesquisa no campo hospitalar ampliaram o debate e proporcionaram grandes avan\u00e7os de infraestrutura. Conhecer esse processo \u00e9 importante para compreender melhor o edif\u00edcio hospitalar contempor\u00e2neo e imaginar as institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade do futuro. A obra de Irineu Breitman pertence a esse per\u00edodo e se transformou ao longo desses acontecimentos. Observ\u00e1-la, na tentativa de conhecer seus m\u00faltiplos aspectos, certamente nos oferecer\u00e1 informa\u00e7\u00f5es valiosas para cumprirmos a \u00e1rdua tarefa de desbravar os conceitos que permeiam os Edif\u00edcios Assistenciais de Sa\u00fade (EAS) do passado e do presente.<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Irineu come\u00e7ou sua trajet\u00f3ria nessa \u00e1rea muito cedo, projetando seu primeiro hospital com apenas um ano de formado, cujo resultado foi um edif\u00edcio que espelha os paradigmas da Escola Carioca, que foram levados na d\u00e9cada de 1940 a Porto Alegre por um grupo de professores formados no Rio de Janeiro e no estrangeiro. Por\u00e9m, nos projetos de EAS seguintes buscou se alinhar com novos conceitos, investigando minuciosamente o planejamento f\u00edsico-funcional e as tecnologias mais avan\u00e7adas, se tornando um pesquisador criterioso e, consequentemente, um importante professor.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>S\u00e3o muitos os aspectos que sobressaem em sua obra, desde a s\u00e1bia organiza\u00e7\u00e3o do programa funcional at\u00e9 sua preocupa\u00e7\u00e3o com o conforto dos usu\u00e1rios. Com o tempo, as formas de seus edif\u00edcios passaram a corresponder a um determinado conjunto de conceitos que buscavam a efici\u00eancia operacional, a redu\u00e7\u00e3o dos custos operacionais, a seguran\u00e7a e o conforto dos usu\u00e1rios, mas sem abrir m\u00e3o de praticar a arquitetura em sua plenitude, conferindo significado est\u00e9tico e urbano aos seus edif\u00edcios.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que Toledo tem raz\u00e3o em destacar Irineu Breitman como um importante nome da arquitetura brasileira de EAS do s\u00e9culo XX. Sua obra carece de maiores pesquisas, posto que as observa\u00e7\u00f5es aqui apresentadas ainda s\u00e3o poucas para se fazer uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica mais profunda sobre sua arquitetura, mas fica claro, quando nos deparamos com seus projetos e escritos, que temos muito o que aprender com o seu trabalho.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><hr \/><\/div>\r\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\r\n<div><b>01.<\/b>&nbsp;O&nbsp;<i>I Curso de Planejamento de Hospitais<\/i>&nbsp;foi uma realiza\u00e7\u00e3o do IAB-SP e ocorreu em S\u00e3o Paulo, entre os dias 13 e 17 de abril de 1953. Foi organizado pela Comiss\u00e3o de Planejamento de Hospitais, formada pelos arquitetos Amador Cintra do Prado, Jarbas Karman e Rino Levi. No ano seguinte, foi publicado um livro com uma colet\u00e2nea das aulas e debates. Al\u00e9m da lista de presen\u00e7a dos participantes, incluindo professores e alunos.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><b>02.<\/b>&nbsp;O Congresso para o Desenvolvimento do Edif\u00edcio Hospitalar (CBDEH) \u00e9 organizado de dois em dois anos pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira para o Desenvolvimento do Edif\u00edcio Hospitalar (ABDEH). Atualmente, \u00e9 o evento mais importante da \u00e1rea de planejamento f\u00edsico e funcional de EAS e congrega arquitetos, engenheiros e diversos profissionais da sa\u00fade do Brasil e do exterior.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><b>03.<\/b>&nbsp;Depoimento que faz parte de uma entrevista de Irineu Breitman concedida ao Arq. Maturino Luz, gravada em v\u00eddeo pela cineasta Fl\u00e1via Seligman. O v\u00eddeo pode ser consultado no Acervo IPH \/ Cole\u00e7\u00e3o Irineu Breitman.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><b>04.<\/b>&nbsp;Na publica\u00e7\u00e3o da Revista IPH, o projeto para o Hospital F\u00eamina apresenta uma nomenclatura diferente dos pavimentos \u00e0 adotada no artigo, sendo que o andar abaixo do espa\u00e7o t\u00e9cnico \u00e9 o \"3\u00ba pavimento\" e o andar acima \u00e9 o \"4\u00ba pavimento\".<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><b>05.<\/b>&nbsp;O termo \"simplesmente carregada\" \u00e9 um jarg\u00e3o t\u00e9cnico usado para denominar uma enfermaria que possui quartos de um s\u00f3 lado do corredor de circula\u00e7\u00e3o, sendo que do outro normalmente se localizam os postos de enfermagem e os ambientes de apoio.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><b>06.<\/b>&nbsp;De acordo com as informa\u00e7\u00f5es pesquisadas na p\u00e1gina da web do pr\u00f3prio hospital consultada em 11\/12\/2018. Endere\u00e7o: http:\/\/www.hijg.saude.sc.gov.br\/index.php\/institucional.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><b>07.<\/b>&nbsp;Em contraponto ao termo \"simplesmente carregada\", uma interna\u00e7\u00e3o \"duplamente carregada\" \u00e9 um jarg\u00e3o t\u00e9cnico usado para denominar uma enfermaria que possui quartos dos dois lados do corredor de circula\u00e7\u00e3o, ou que ocupam ambas as fachadas dos edif\u00edcios. Os postos de enfermagem e os ambientes de apoio podem ficar entre os quartos ou em uma faixa central do pavimento.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><hr \/><\/div>\r\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<br \/><\/strong><\/p>\r\n<div>ALMEIDA, Guilherme de; BUENO, Marcos; DONADUSSI, Marcelo.&nbsp;<b>Irineu Breitman: Exposi\u00e7\u00e3o sobre a obra de um dos pioneiros da arquitetura moderna ga\u00facha<\/b>. 2011. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.vitruvius.com.br\/revistas\/read\/drops\/11.043\/3825&gt; Acesso em: 7 dez. 2018.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BLAYA, Marcello; BREITMAN, Irineu. Hospital Psiqui\u00e1trico Encarnaci\u00f3n Blaya.&nbsp;<b>Arquitetura<\/b>, Rio de Janeiro, n. 35, p.18-19, 1965.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BLAYA, Marcello; BREITMAN, Irineu. Ante-projeto do Psiquiatrico Encarnaci\u00f3n Blaya.&nbsp;<b>Hospital de Hoje<\/b>, S\u00e3o Paulo, n. 27, p.17-20, 1966.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BREITMAN, Irineu. Hospital Escola da Funda\u00e7\u00e3o Universidade de Passo Fundo.&nbsp;<b>Revista IPH<\/b>, S\u00e3o Paulo, n. 04, p.39-42, 2004.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BREITMAN, Irineu. Apologia ao Hospital Horizontal.&nbsp;<b>Revista IPH<\/b>, S\u00e3o Paulo, n. 05, p.34-37, 2004.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BREITMAN, Irineu. Projeto do Hospital Infantil de Florian\u00f3polis.&nbsp;<b>Revista Ga\u00facha dos Hospitais<\/b>, Porto Alegre, v. 5, n. 3, p.67-71, 1977.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BREITMAN, Irineu; KARMAN, Jarbas. Hospital F\u00eamina.&nbsp;<b>Hospital de Hoje<\/b>, S\u00e3o Paulo, n. 13, p.415-418, 1959.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BREITMAN, Irineu; LAMB, Paulo Lindolfo. Hospital Hans Dieter Schmidt: Ambientes acolhedores em contraponto aos partidos verticais.&nbsp;<b>Projeto<\/b>, S\u00e3o Paulo, n. 162, p.66-70, 1993.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>COLE\u00c7\u00c3O PIRELLI \/ MASP DE FOTOGRAFIA (S\u00e3o Paulo) (Comp.).&nbsp;<b>Sioma Breitman.&nbsp;<\/b>2006. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/colecaopirellimasp.art.br\/autores\/231&gt;. Acesso em: 7 dez. 2018.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>COSTA, Renato Gama-Rosa. Arquitetura hospitalar em S\u00e3o Paulo. In: MOTT, Maria L\u00facia; SANGLARD, Gisele (Org.).&nbsp;<b>Hist\u00f3ria da sa\u00fade: S\u00e3o Paulo: institui\u00e7\u00f5es e patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e arquitet\u00f4nico (1808-1958)<\/b>. Barueri, SP: Minha Editora, 2011.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>FLORIAN\u00d3POLIS. Hospital Infantil Joana de Gusm\u00e3o. Secretaria do Estado da Sa\u00fade.&nbsp;<b>Institucional: Sobre o HIJG<\/b>. 2018. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.hijg.saude.sc.gov.br\/index.php\/institucional&gt;. Acesso em: 7 dez. 2018.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>KARMAN, Jarbas B.; LEVI, Rino; PRADO, Amador Cintra do.&nbsp;<b>Planejamento de Hospitais<\/b>. S\u00e3o Paulo: IAB-SP, 1954.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>LUCCAS, Lu\u00eds Henrique Haas.&nbsp;<b>Arquitetura Moderna em Porto Alegre (Parte I):&nbsp;<\/b>Antecedentes e a linhagem Corbusiana dos anos 50. 2016. ISSN 0719-8906. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.archdaily.com.br\/br\/790990\/arquitetura-moderna-em-porto-alegre-antecedentes-e-a-linhagem-corbusiana-dos-anos-50-luis-henrique-haas-luccas&gt; Acesso em: 7 dez. 2018.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>LUCCAS, Lu\u00eds Henrique Haas.&nbsp;<b>Arquitetura Moderna em Porto Alegre (Parte II):&nbsp;<\/b>Entre o \"Estilo Internacional\" e o padr\u00e3o brutalista nos anos 60\/70. 2016. ISSN 0719-8906. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.archdaily.com.br\/br\/791414\/arquitetura-moderna-em-porto-alegre-parte-ii-entre-o-estilo-internacional-e-o-padrao-brutalista-nos-anos-60-70&gt; Acesso em: 7 dez. 2018.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>MIQUELIN, Lauro Carlos.&nbsp;<b>Anatomia dos edif\u00edcios hospitalares<\/b>. S\u00e3o Paulo: CEDAS, 1992.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>MUSEU DA HIST\u00d3RIA DA MEDICINA DO RIO GRANDE DO SUL (Porto Alegre) (Ed.).&nbsp;<strong>Dr. Marcello Blaya Perez.&nbsp;<\/strong>2012. Projeto de Hist\u00f3ria Oral M\u00e9dicos do Rio Grande do Sul: fa\u00e7o parte desta hist\u00f3ria. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4z36K7wqGms&gt;. Acesso em: 7 dez. 2018.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>NARDINO, J\u00falio C\u00e9sar dos Santos.&nbsp;<b>Hospital F\u00eamina: obra emblem\u00e1tica da arquitetura moderna hospitalar de Irineu Breitman<\/b>. 2017. 1 v. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado) - Curso de Arquitetura, Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Arquitetura e Urbanismo, Centro Universit\u00e1rio Ritter dos Reis - Universidade Presbiteriana Mackenzie, Porto Alegre, 2017.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>SERRANO, Eneida; EMERICH, Karina.&nbsp;<b>Sioma:&nbsp;O papel da fotografia<\/b>. 2014. V\u00eddeo. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=x23bz9QfYuI&gt; Acesso em: 7 dez. 2018.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>TOLEDO, Luiz Carlos.&nbsp;<b>Feitos para curar: arquitetura hospitalar e processo projetual no Brasil<\/b>. Rio de Janeiro: ABDEH, 2006.<\/div>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-7989","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/7989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}