{"id":8046,"date":"2024-06-12T13:48:41","date_gmt":"2024-06-12T16:48:41","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/a-ventilacao-natural-em-ambientes-para-internacao-hospitalar-aspectos-historicos\/"},"modified":"2024-11-15T20:14:21","modified_gmt":"2024-11-15T23:14:21","slug":"a-ventilacao-natural-em-ambientes-para-internacao-hospitalar-aspectos-historicos","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/a-ventilacao-natural-em-ambientes-para-internacao-hospitalar-aspectos-historicos\/","title":{"rendered":"A Ventila\u00e7\u00e3o Natural em Ambientes para Interna\u00e7\u00e3o Hospitalar: aspectos hist\u00f3ricos"},"content":{"rendered":"<p><strong>RESUMO<\/strong><br \/>Este artigo \u00e9 o recorte da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado defendida em 2020, intitulada \"O Caminho dos Ventos: A Percep\u00e7\u00e3o da Ventila\u00e7\u00e3o Natural em Ambientes para Interna\u00e7\u00e3o Hospitalar\" apresentada ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Neste recorte aborda-se o panorama hist\u00f3rico dos ambientes de sa\u00fade com \u00eanfase na ventila\u00e7\u00e3o natural para assim, avaliarmos as modifica\u00e7\u00f5es ocorridas durante o processo de interna\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios.<br \/><br \/><strong>PALAVRAS-CHAVES:<\/strong><br \/>Arquitetura hospitalar, Ventila\u00e7\u00e3o natural, Conforto ambiental.<\/p>\r\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><br \/>Este artigo \u00e9 o recorte da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado defendida em 2020, intitulada \"O Caminho dos Ventos: A Percep\u00e7\u00e3o da Ventila\u00e7\u00e3o Natural em Ambientes para Interna\u00e7\u00e3o Hospitalar\" apresentada ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro na qual procurou-se mapear o panorama hist\u00f3rico da ventila\u00e7\u00e3o natural nos ambientes de sa\u00fade e a percep\u00e7\u00e3o atual dos usu\u00e1rios durante o processo de interna\u00e7\u00e3o. Para a obten\u00e7\u00e3o dos resultados foram escolhidos dois hospitais como estudos de caso: Hospital Universit\u00e1rio Gaffr\u00e9e e Guinle (HUGG) e o Hospital Municipal Louren\u00e7o Jorge (HMLJ). Como metodologia para a obten\u00e7\u00e3o dos resultados utilizaram-se simula\u00e7\u00f5es computacionais, entrevistas e medi\u00e7\u00f5es higrot\u00e9rmicas. Neste recorte aborda-se o panorama hist\u00f3rico dos ambientes de sa\u00fade com \u00eanfase na ventila\u00e7\u00e3o natural para, assim, avaliar as modifica\u00e7\u00f5es ocorridas durante o processo de interna\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios.<\/p>\r\n<p><strong>PANORAMA HIST\u00d3RICO DA VENTILA\u00c7\u00c3O NATURAL NOS AMBIENTES DE SA\u00daDE<\/strong><br \/>Os primeiros ambientes destinados \u00e0 cura surgiram na antiga Gr\u00e9cia e Roma. Principalmente em templos, como o de Ascl\u00e9pio, Deus da medicina. Ambientes sagrados que apontavam como repouso e tratamento de doen\u00e7as atrav\u00e9s de purifica\u00e7\u00f5es e sonhos. Na pr\u00e1tica um espa\u00e7o salubre e agrad\u00e1vel onde os doentes esperavam \u00e0 cura divina. Sua configura\u00e7\u00e3o espacial era linear, composta com tr\u00eas fachadas cegas, abertura frontal e pilares tipicamente gregos (THOMPSON e GOLDIN, 1975) (figura 1).<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162101836216210183621636457722.png\" \/>&nbsp;&nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">&nbsp;Fonte: Thompson e Goldin (1975).<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1.<\/strong> Planta baixa da enfermaria dupla no Templo de Ascl\u00e9pio, s\u00e9culo V a.C.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Nesta \u00e9poca a ideia de sa\u00fade estava relacionada ao equil\u00edbrio de humores no organismo e \u00e9 deste per\u00edodo a&nbsp; colet\u00e2nea de tratados m\u00e9dicos chamada de&nbsp;<i>Corpus Hippocraticum<\/i>: Ares, \u00e0guas e lugares, da segunda metade do s\u00e9c. V a.C relaciona a temperatura dos ventos de uma cidade com as doen\u00e7as da popula\u00e7\u00e3o e seus costumes (CAIRUS, 2005) e&nbsp;<i>Sobre os Ventos<\/i>&nbsp;- Gases, citando especificamente o ar como forma de cura ou de doen\u00e7as, do \u00faltimo quarto do s\u00e9c. V a.C. (REBOLLO, 2006). Acreditavam que as doen\u00e7as eram ocasionadas por miasmas doentios e que o ar era a fonte da vida (DELGADO, 2008).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Esse conceito perdurou at\u00e9 a Idade M\u00e9dia na Europa onde as doen\u00e7as infecciosas mesclavam-se com a caridade e a salva\u00e7\u00e3o (ROSEN, 1979). A alma e o corpo eram \u00fanicos e as doen\u00e7as, o sofrimento e a pobreza eram a des\u00edgnio de Deus.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Com essa premissa, surgem os primeiros hospitais. Sua fun\u00e7\u00e3o era receber qualquer pessoa que necessitasse de abrigo, conforto ou tratamento e neste contexto surge o H\u00f4tel-Dieu de Paris.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Dispondo de quatro pavimentos e longas enfermarias, era normal acomodar at\u00e9 seis indiv\u00edduos em cada leito conforme visto na figura 2, n\u00e3o possuindo nenhum tipo de sistema de ventila\u00e7\u00e3o natural na edifica\u00e7\u00e3o (TENON, 1996).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:16210183631621018363408340176.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">Fonte: Tollet (1892).<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 2.<\/strong>&nbsp;Ambiente de interna\u00e7\u00e3o do H\u00f4tel-Dieu.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>No s\u00e9culo XV, a preocupa\u00e7\u00e3o com a ventila\u00e7\u00e3o natural nos hospitais retornou, e o Ospedale Maggiore foi projetado na cidade de Mil\u00e3o em 1456. Seu projeto consistiu em enfermarias conectadas por portas a um p\u00e1tio externo (THOMPSON e GOLDIN, 1975) que hoje \u00e9 considerada a melhor tipologia pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (2009). Tamb\u00e9m foi usado para a renova\u00e7\u00e3o do ar e climatiza\u00e7\u00e3o chamin\u00e9s, realizando dessa forma a sa\u00edda do ar por press\u00e3o (figura 3).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162101836416210183648378717547.png\" \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">\r\n<div class=\"img-legend\">Fonte: Thompson e Goldin (1975).<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\"><strong>Figura 3.<\/strong> Corte dos corredores da Ospedale Maggiore em Mil\u00e3o, 1504.&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">&nbsp;<\/div>\r\n<div>Devido ao crescimento populacional, as epidemias, os cemit\u00e9rios e os esgotos no meio da cidade a teoria dos miasmas ressurge no s\u00e9culo XVIII e correlaciona o surgimento de doen\u00e7as \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o do ar (ROSEN, 1979).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A Teoria dos Miasmas ronda novamente o s\u00e9culo XVIII, associando o aparecimento de doen\u00e7as \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o do ar, devido ao aumento desordenado da popula\u00e7\u00e3o, das epidemias, dos cemit\u00e9rios e dos esgotos no meio urbano. Com a finalidade de purificar a cidade os doentes, loucos e os criminosos foram movidos para \u00e1reas isoladas (ROSEN, 1979).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Neste per\u00edodo, a pesquisa para a revoga\u00e7\u00e3o dos efeitos nocivos do hospital ocorreu a fim de evitar a contamina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o da cidade e manter a orem econ\u00f4mica e social em seu entorno (FOUCAULT, 2018).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Em conjunto com essas modifica\u00e7\u00f5es e o colapso nos hospitais existentes, Jacques-Ren\u00e9 Tenon, ap\u00f3s sucessivas visitas a ambientes hospitalares define rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero de doentes, leitos, \u00e1rea \u00fatil, assim como altura, largura e comprimento dos ambientes e cubagem de ar (FOUCAULT, 2018). Seguindo as recomenda\u00e7\u00f5es de Tenon, em 1846 o hospital&nbsp;<i>Laribosi\u00e8re<\/i>&nbsp;foi projetado, apresentando p\u00e9 direito alto, a fim de alcan\u00e7ar a cubagem necess\u00e1ria para a renova\u00e7\u00e3o do ar.&nbsp; Composto por cinco blocos e tr\u00eas pavimentos, separados por p\u00e1tios com jardins internos e ligados por um amplo corredor com dois eixos longitudinais (THOMPSON e GOLDIN, 1975) conforme planta baixa localizada na&nbsp;<i>figura 4<\/i>, o hospital dispunha de um complexo sistema de ventila\u00e7\u00e3o e aquecimento para a \u00e9poca (GALLO, 2003), conforme figura 5. Suas janelas eram abertas ocasionalmente, especialmente na parte da manh\u00e3 renovando o ar das enfermarias e quando necess\u00e1rio a climatiza\u00e7\u00e3o (aquecimento) entraria com a renova\u00e7\u00e3o de ar vinda pelos dutos que atendiam ao hospital (NIGHTINGALE, 1858).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162101836216210183623194525902.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">Fonte: (GALLO, 2003). Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/38JFIWs&gt;, Acesso em 08 fev. 2019.&nbsp;<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 4.<\/strong> Planta Baixa do Hospital Lariboisi\u00e8re.&nbsp;&nbsp;<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\">&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162101836216210183625258454685.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">Fonte: (GALLO, 2003). Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/38JFIWs&gt;, Acesso em 08 fev. 2019.&nbsp;<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 5.<\/strong> Corte do Hospital Lariboisi\u00e8re demonstrando os dutos de ventila\u00e7\u00e3o e climatiza\u00e7\u00e3o para os ambientes.&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>No s\u00e9culo XIX, Florence Nightingale v\u00ea o doente como a ess\u00eancia do hospital e durante seu voluntariado na Guerra da Crim\u00e9ia observa que os doentes morriam dez vezes mais de doen\u00e7as como tifo, febre tifoide, c\u00f3lera e disenteria do que de feridas de batalha. Em seu retorno a Inglaterra escreve&nbsp;<i>Notes on Hospitals<\/i>&nbsp;em 1859 e&nbsp;<i>Notes on Nursing<\/i>&nbsp;em 1860 e descreveu regras e princ\u00edpios projetuais para o cuidado do pacientem projetando uma enfermaria ideal (figura 6).<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:16210183631621018363756915259.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">Fonte: Nightingale (1859).&nbsp;<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 6.<\/strong> Enfermaria ideal segundo Nightingale.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Neles, elencou m\u00e9todos de introdu\u00e7\u00e3o de ar fresco na enfermaria e alegou que o ar fresco \u00e9 o que maior causador de danos \u00e0 sa\u00fade durante a interna\u00e7\u00e3o do paciente. Segundo Nightingale a primeira aten\u00e7\u00e3o das enfermeiras deveria ser para com a pureza do ar interno relativa \u00e0 do ar externo, a fim de evitar mortes de pacientes.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Em seus livros pontuou a defici\u00eancia de espa\u00e7o, de ventila\u00e7\u00e3o e de luz natural como defici\u00eancia projetual nos hospitais e que o ar fresco, a luz, a amplitude de espa\u00e7o e a separa\u00e7\u00e3o de doentes em pavilh\u00f5es ou edif\u00edcios seriam condi\u00e7\u00f5es essenciais para o bem estar dos usu\u00e1rios. Tamb\u00e9m descreveu normas e dimens\u00f5es m\u00ednimas para os ambientes para a sa\u00fade, recomendando uma enfermaria modelo. Assim como no texto Sobre os Ventos (REBOLLO, 2006), Nightingale tamb\u00e9m afirma que o ar fresco \u00e9 a fonte da vida (1859).&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Casimir Tollet em 1892, sugeriu uma nova tipologia para a renova\u00e7\u00e3o de ar nas enfermarias. Utilizando a arquitetura g\u00f3tica, tirou premissa das paredes em arco para obter a circula\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, garantindo assim a renova\u00e7\u00e3o adequada por ele normatizada de 100 l\/s\/m\u00b3 de ar por paciente. Para Tollet uma taxa de ventila\u00e7\u00e3o de 70 l\/s\/m\u00b3 seria um progresso para a \u00e9poca (1892).&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Tollet (1892) projetou entradas de ar pelas varandas (A), Sa\u00eddas de ar pelo teto atrav\u00e9s de uma chamin\u00e9 ou pelo piso para o andar inferir (B), Entrada de ar entre forro (C), pelas extremidades das enfermarias (D) e por exaust\u00e3o (E) (figura 7) .<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162101836616210183660789800905.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">Fonte: Tollet (1892) adaptado pela autora.<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 7.<\/strong> Corte da enfermaria de Tollet para o Hospital Civil e Militar de Montpellier, 1884 com a circula\u00e7\u00e3o de ar na edifica\u00e7\u00e3o.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Com o surgimento da tuberculose, no final do s\u00e9culo XIX, surgem os sanat\u00f3rios. Sempre com amplas janelas varandas a ventila\u00e7\u00e3o natural fazia parte da cura da doen\u00e7a (BRASILEIRO, 2002).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O m\u00e9dico Spengler, durante o atendimento aos seus pacientes observou que o clima e a altitude teriam propriedades salutog\u00eanicas nos pacientes. Para ele o ar da montanha, o repouso e uma boa alimenta\u00e7\u00e3o seriam a cura para a doen\u00e7a e assim em Davos na Su\u00ed\u00e7a surgiu um complexo balne\u00e1rio clim\u00e1tico (ASPETAR SPORTS MEDICINE JOURNAL, 2016).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162101836216210183629618967795.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">Fonte: Moralez e Diaz (2017).&nbsp;<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 8.<\/strong> Sanat\u00f3rio Queen Alexandra em Davos, Platz, 1906-1909.&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Concomitante com as transforma\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX, a forma de adoecer e de cuidar dos doentes mudaram.&nbsp; \"Mudam os doentes, mudam as doen\u00e7as, mudam os espa\u00e7os. Transforma\u00e7\u00f5es no processo de cogni\u00e7\u00e3o, atitudes, representa\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas m\u00e9dicas tiveram sempre uma correspond\u00eancia com mudan\u00e7as na arquitetura do espa\u00e7o hospitalar\" (SANTOS e BURSZTYN, 2004, p. 146). A caridade \u00e9 deixada de lado e o hospital passa a ser uma m\u00e1quina de cura (VERDERBER e FINE, 2000).&nbsp; \"A mudan\u00e7a pode ser tamb\u00e9m descrita (...) como da passagem do per\u00edodo pr\u00e9-antiss\u00e9ptico para o antiss\u00e9ptico (...) Se a bacteriologia estava certa a necessidade dos pavilh\u00f5es tinha acabado\" (1997, p. 158).&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Por meio de todos esses avan\u00e7os, sucedeu o hospital monobloco, como o Hospital Beaujon (figura 9), exemplificado por Verderber (2010) como o hospital mais inovador da Europa, com 1.100 leitos e constru\u00eddo em a\u00e7o e concreto e com isso, as janelas s\u00e3o lacradas entrando em cena a climatiza\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica. A palavra de ordem \u00e9 a efici\u00eancia e flexibilidade e n\u00e3o mais ar e luz (KISACK, 2017).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162101836316210183639186394497.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">Fonte: Geneanet. Dispon\u00edvel em:&nbsp;&lt;http:\/\/bit.ly\/2Hax846&gt;&nbsp;, Acesso em 11 fev. (2020).&nbsp;<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 9.<\/strong> Hospital Beaujon, 1932 - 1935.&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Segundo Verderber e Fine (2000), a tipologia do hospital monobloco proporciona a compacta\u00e7\u00e3o das unidades hospitalares, facilitando assim o atendimento nas enfermarias. A ventila\u00e7\u00e3o natural n\u00e3o \u00e9 mais uma premissa projetual nos edif\u00edcios de sa\u00fade nesta tipologia.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>J\u00e1 no final do s\u00e9culo XXI surgem discuss\u00f5es sobre a humaniza\u00e7\u00e3o hospitalar (SANTOS e BURSZTYN, 2004).&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>S\u00e9rgio Bernardes, Jarbas Karman, Domingos Fiorentini, Siegbert Zanettini e Jo\u00e3o Filgueiras Lima, o Lel\u00e9, foram os vanguardistas do uso da ventila\u00e7\u00e3o natural nos ambientes para sa\u00fade.&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>S\u00e9rgio Bernardes em 1951, projetou no munic\u00edpio do Rio de Janeiro - RJ o Conjunto Sanatorial de Curicica, hoje Hospital Municipal Raphael de Paula Souza para tratamento da tuberculose, de tipologia pavilhonar e vasta \u00e1rea verde, possui a ventila\u00e7\u00e3o e a ilumina\u00e7\u00e3o natural como principais premissas (COSTA, PESSOA,&nbsp;<i>et al<\/i>., 2002) (figura 10).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162101836616210183663854386064.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">Fonte: Arquivo pessoal (2014).&nbsp;<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 10.<\/strong> Vista da circula\u00e7\u00e3o externa do Hospital Municipal Raphael de Paula Souza.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Para o Hospital das cl\u00ednicas de Pelotas - RS (figura 11), Jarbas Karman projetou v\u00e3os entre os andares a fim de permear no edif\u00edcio a ventila\u00e7\u00e3o e a ilumina\u00e7\u00e3o natural para os ambientes internos. Seu projeto n\u00e3o foi constru\u00eddo em sua totalidade, perdendo seus v\u00e3os entre os andares tornando o edif\u00edcio monobloco (IPH - INSTITUTO DE PESQUISAS JARBAS KARMAN, 2015).<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162101836516210183658821755891.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">Fonte: IPH (2015).&nbsp;<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 11.<\/strong> Hospital de Cl\u00ednicas de Pelotas.&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Em 1993, os arquitetos Jarbas Karman, Jorge Wilheim e Domingos Fiorentini projetaram o edif\u00edcio Jozef Feh\u00e9r, uma expans\u00e3o do Hospital Albert Einstein em S\u00e3o Paulo - SP, com janelas oper\u00e1veis, o usu\u00e1rio possui a escolha de qual melhor climatiza\u00e7\u00e3o para ele em sua interna\u00e7\u00e3o (MACHRY, 2010).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A Rede Sarah de Hospitais de Reabilita\u00e7\u00e3o, projetada por Jo\u00e3o Filgueiras Lima tem como premissa o usu\u00e1rio, e a ventila\u00e7\u00e3o natural possui um papel importante para o edif\u00edcio. Para ele como n\u00f3s moramos \"nos tr\u00f3picos s\u00f3 podemos fazer a arquitetura assim. Do contr\u00e1rio, est\u00e1 errado\" (LIMA, 2012, p. 71). Em seu \u00faltimo hospital, o Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o no bairro da Barra da Tijuca no munic\u00edpio do Rio de Janeiro - RJ a ventila\u00e7\u00e3o natural, a ventila\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e a climatiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o utilizadas dependendo da temperatura exterior&nbsp; (RISSELDA e RIS\u00c9RIO, 2010).&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Para Jo\u00e3o Filgueiras Lima, o edif\u00edcio de sa\u00fade completamente \"herm\u00e9tico\" (IBIDEM, p. 68) fortalece as bact\u00e9rias, propiciando as infec\u00e7\u00f5es hospitalares e \"uma tecnologia dispon\u00edvel, que est\u00e1 para ser usada\" (IBIDEM, p. 68). A figura 12 mostra o audit\u00f3rio da Rede Sarah do Rio de Janeiro que quando poss\u00edvel \u00e9 aberto para que ocorra a renova\u00e7\u00e3o do ar e sua climatiza\u00e7\u00e3o.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162101836516210183654676735617.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">Fonte: Risselda e Ris\u00e9rio (2010).&nbsp;<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 12.<\/strong> Aspecto externo do audit\u00f3rio e estudos para a composi\u00e7\u00e3o da estrutura - Rede Sarah - Rio de Janeiro.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><br \/>Observa-se que a ado\u00e7\u00e3o da ventila\u00e7\u00e3o natural nos ambientes de sa\u00fade apesar de renegada e por vezes at\u00e9 desprezada, foi e continua sendo utilizada nos ambientes de sa\u00fade como forma de apoio \u00e0 cura. Com o surgimento da climatiza\u00e7\u00e3o artificial a ventila\u00e7\u00e3o natural foi perdendo espa\u00e7o pela dificuldade de se comprovar a troca de ar ou seu fluxo, ou seja, o caminho dos ventos. Para o melhor aproveitamento da ventila\u00e7\u00e3o natural a localiza\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio, o clima, seu entorno (qualidade do ar, ru\u00eddos dentre outros) e as altera\u00e7\u00f5es da malha urbana durante o ciclo de vida do edif\u00edcio precisam ser levados em considera\u00e7\u00e3o desde a fase inicial do projeto.&nbsp;&nbsp;<\/p>\r\n<div>O caminho dos ventos dentro de uma edifica\u00e7\u00e3o para sa\u00fade \u00e9 de vital import\u00e2ncia, pois sua falta ou seu excesso podem causar mais danos do que benef\u00edcios aos usu\u00e1rios. Correntes de ar n\u00e3o s\u00e3o bem vindas e \u00e9 necess\u00e1rio que as temperaturas e a umidade do ambiente tamb\u00e9m propiciem conforto aos usu\u00e1rios. Para tal, uma boa arquitetura \u00e9 de vital import\u00e2ncia.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>De igual modo nem todos os ambientes para sa\u00fade podem utilizar a ventila\u00e7\u00e3o natural pois os ambientes semicr\u00edticos e \/ou cr\u00edticos precisam de controle rigoroso da qualidade do ar, de temperatura e de umidade.&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A possibilidade da opera\u00e7\u00e3o da janela passa a ser um elo entre o ambiente externo e o interno da edifica\u00e7\u00e3o e proporciona a escolha entre uma conex\u00e3o ou barreira de fatores ambientais, propiciando a escolha do usu\u00e1rio. Isso, deveria ser fator preponderante no desenvolvimento de projetos, especialmente se tratando de ambientes de cura.<\/div>\r\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<br \/><\/strong>ASPETAR SPORTS MEDICINE JOURNAL.&nbsp;https:\/\/www.aspetar.com\/journal\/Default.aspx.<b>&nbsp;Aspetar Sports Medicine Journal<\/b>, 2016. Disponivel em: &lt;https:\/\/www.aspetar.com\/journal\/upload\/PDF\/2016523102735.pdf&gt;. Acesso em: 22 jun. 2019.<br \/><br \/>BRASILEIRO, C. D. F. L.&nbsp;<b>Arquitetura antituberculose em Pernambuco<\/b>: um estudo anal\u00edtico dos dispens\u00e1rios de tuberculose de Recife (1950-1960) como instrumentos de profilaxia da peste branca. [S.l.]: [s.n.], 2002. Disponivel em: &lt;https:\/\/repositorio.ufpe.br\/handle\/123456789\/11138&gt;.<\/p>\r\n<div>CAIRUS, H. F. 5 - Ares, \u00e1guas e lugares. In: CAIRUS, H.; RIBEIRO JR., W. Textos&nbsp;<b>hipocr\u00e1ticos o doente, o m\u00e9dico e a doen\u00e7a [online]<\/b>. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2005. p. 91-129. Disponivel em: &lt;http:\/\/books.scielo.org\/id\/9n2wg\/pdf\/cairus-9788575413753-07.pdf&gt;. Acesso em: 5 out. 2018.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>COSTA, R. D. G.-R. et al. O sanat\u00f3rio de Curicica: Uma obra pouco conhecida de S\u00e9rgio Bernardes.&nbsp;<b>Vitruvius<\/b>, julho 2002. Disponivel em: &lt;https:\/\/www.vitruvius.com.br\/revistas\/read\/arquitextos\/03.026\/766&gt;. Acesso em: 11 fevereiro 2019.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>DELGADO, B. B.<b>&nbsp;Sobre os Ventos<\/b>: Mito e raz\u00e3o na Gr\u00e9cia antiga atrav\u00e9s de um tratado hipocr\u00e1tico. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2008. Disponivel em: &lt;http:\/\/hdl.handle.net\/1843\/ECAP-7D3NJ6&gt;. Acesso em: 2019 2019.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>FOUCAULT, M.&nbsp;<b>Microf\u00edsica do Poder<\/b>. 7\u00ba edi\u00e7\u00e3o. ed. Rio de Janeiro | S\u00e3o paulo: Paz e Terra, 2018.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>GALLO, E. Ventilating and Heating Lariboisi\u00e8re Hospital, a Scientific Debate in Paris 1848-1878 \u00bb.&nbsp;<b>poster pour la 3\u00e8me conf\u00e9rence internationale pour l'histoire des h\u00f4pitaux Form+Function, the Hospital , McGill University<\/b>, Montr\u00e9al - Canad\u00e1, 19-21 Junho 2003.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>IPH - INSTITUTO DE PESQUISA HOSPITALARES JARBAS KARMAN. ACERVO: Projetos Arquitet\u00f4nicos.<b>&nbsp;IPH - Instituto de Pesquisa Hospitalares Jarbas Karman,&nbsp;<\/b>2015. Disponivel em: &lt;http:\/\/www.iph.org.br\/acervo\/projetos-arquitetonicos\/hospital-sao-luiz-158&gt;. Acesso em: 09 abr. 2019.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>IPH - INSTITUTO DE PESQUISAS JARBAS KARMAN.<b>&nbsp;O Desenho de Hospitais de Jarbas Karman<\/b>. 1\u00ba Edi\u00e7\u00e3o. ed. S\u00e3o Paulo: IPH, 2015.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>KISACK, J. Quando a ventila\u00e7\u00e3o saiu de moda nos hospitais.<b>&nbsp;Instituto de pesquisas Hospitalares Arquiteto Jarbas Karman<\/b>, n. 14\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 2017. Disponivel em: &lt;http:\/\/www.iph.org.br\/revista-iph\/materia\/quando-a-ventilacao-natural-saiu-de-moda-nos-hospitais&gt;. Acesso em: 06 julho 2018.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>LIMA, J. F.&nbsp;<b>Arquitetura<\/b>: uma experi\u00eancia na \u00e1rea de sa\u00fade \/ Jo\u00e3o Filgeiras Lima. S\u00e3o Paulo: Romano Guerra editora, 2012.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>MACHRY, H. S.&nbsp;<b>O Impacto dos Avan\u00e7os da Tecnologia nas Transforma\u00e7\u00f5es Arquitet\u00f4nicas dos Edif\u00edcios Hospitalares<\/b>. S\u00e3o Paulo: [s.n.], 2010. Disponivel em: &lt;http:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/16\/16132\/tde-15062010-130613\/&gt;.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>MORALES, E. J.; DIAZ, I. C. V. 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Acesso em: 15 maio 2019.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>VERDERBER, S.<b>&nbsp;Innovations in Hospital Architetcure.<\/b>&nbsp;New York: Routledge, 2010.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>VERDERBER, S.; FINE, D. J.&nbsp;<b>Healthcare Architecture<\/b>: In an Era Radical Transformation. London: Yale University, 2000.<\/div>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8046","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8046","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}