{"id":8049,"date":"2024-06-12T13:49:04","date_gmt":"2024-06-12T16:49:04","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/perspectivas-para-projetos-a-partir-de-uma-iniciativa-de-pesquisa-sobre-salas-de-cirurgias-ambulatoriais-nos-estados-unidos\/"},"modified":"2024-11-15T18:45:28","modified_gmt":"2024-11-15T21:45:28","slug":"perspectivas-para-projetos-a-partir-de-uma-iniciativa-de-pesquisa-sobre-salas-de-cirurgias-ambulatoriais-nos-estados-unidos","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/perspectivas-para-projetos-a-partir-de-uma-iniciativa-de-pesquisa-sobre-salas-de-cirurgias-ambulatoriais-nos-estados-unidos\/","title":{"rendered":"Perspectivas para projetos a partir de uma iniciativa de pesquisa sobre salas de cirurgias ambulatoriais nos Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Resumo<\/strong><br \/>Este trabalho visa a relatar algumas implica\u00e7\u00f5es e conclus\u00f5es significativas sobre o projeto do espa\u00e7o f\u00edsico de uma iniciativa multidisciplinar de pesquisa para um projeto de um prot\u00f3tipo iterativo com foco no desenvolvimento e na avalia\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de um prot\u00f3tipo de uma sala de cirurgia ambulatorial. O objetivo geral deste projeto foi projetar um prot\u00f3tipo mais seguro, ergon\u00f4mico e eficiente de uma sala de cirurgia ambulatorial por meio de pesquisa baseada em evid\u00eancia capaz de fornecer informa\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento de futuras salas de opera\u00e7\u00f5es ambulatoriais. A metodologia incluiu pesquisa de estudos de caso, revis\u00e3o da literatura, observa\u00e7\u00f5es e codifica\u00e7\u00e3o de interfer\u00eancias nos fluxos de cirurgia em 35 procedimentos cir\u00fargicos relacionados e, no final, uma avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-ocupa\u00e7\u00e3o de uma sala de cirurgia em um novo estabelecimento projetado, em parte, com base nas conclus\u00f5es da pesquisa. Os resultados gerais do estudo incluem recomenda\u00e7\u00f5es de projeto acerca do tamanho e da configura\u00e7\u00e3o das salas de cirurgia em termos de disposi\u00e7\u00e3o da mesa cir\u00fargica e da localiza\u00e7\u00e3o dos pain\u00e9is de informa\u00e7\u00e3o e das esta\u00e7\u00f5es de trabalho.<br \/><br \/><strong>Palavras-chave: <\/strong><br \/>Ambiente cir\u00fargico, sala de cirurgia, ambiente de constru\u00e7\u00e3o, projeto com base em evid\u00eancia, desenvolvimento de prot\u00f3tipos.<br \/><br \/><strong>Introdu\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/strong><br \/>Pesquisas atuais, pr\u00e1ticas cl\u00ednicas e diretrizes de projeto para ambientes cir\u00fargicos indicam que a sala de cirurgia \u00e9 um ambiente complexo, capaz de causar um impacto significativo nos resultados cl\u00ednicos de pacientes, nos desdobramentos seguros tanto para pacientes como para m\u00e9dicos e na efici\u00eancia e efic\u00e1cia operacional dos resultados dos processos cir\u00fargicos (ELBARDISSI et al., 2011). As in\u00fameras exig\u00eancias e restri\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e funcionais que orientam as decis\u00f5es para o projeto de uma sala de cirurgia est\u00e3o em constante mudan\u00e7a, geralmente s\u00e3o cumulativas e, \u00e0s vezes, paradoxais em termos de otimiza\u00e7\u00e3o desses resultados (ROSTENBERG &amp; BARACH, 2012). Ao mesmo tempo, a configura\u00e7\u00e3o espacial das salas de cirurgia como um todo apresenta poucas mudan\u00e7as desde a metade do s\u00e9culo 20, consistindo, basicamente, de salas quadradas ou retangulares com a mesa cir\u00fargica localizada no eixo central.&nbsp;<br \/><br \/>De acordo com o Instituto de Medicina dos Estados Unidos, eventos adversos como infec\u00e7\u00f5es no local da cirurgia e erros m\u00e9dicos costumam ocorrer em decorr\u00eancia de sistemas falhos em vez de falhas dos profissionais (DONALDSON et al., 2000). Estudos mostram que tais eventos adversos acontecem no ambiente cir\u00fargico devido a atrasos cotidianos, interrup\u00e7\u00e3o de fluxos e erros menores, normalmente sobrepostos e interrelacionados, que, por sua vez, s\u00e3o causados por pol\u00edticas, processos, tecnologia e ambiente organizacionais em disson\u00e2ncia (PARKER et al., 2010; WIEGMANN et al., 2007). Estudos anteriores sugerem que o ambiente f\u00edsico \u00e9 um fator que contribui para a seguran\u00e7a e a efici\u00eancia dos procedimentos cir\u00fargicos gra\u00e7as a fatores como disposi\u00e7\u00e3o espacial, ilumina\u00e7\u00e3o, ac\u00fastica e ergonomia. Certas caracter\u00edsticas tamb\u00e9m contribuem potencialmente para a contamina\u00e7\u00e3o de superf\u00edcies e interfer\u00eancias no fluxo de ar, pessoas e equipamentos (AHMAD et al., 2016; JOSEPH et al., 2018-I).&nbsp;<br \/><br \/>Entre os fatores ambientais que causam interfer\u00eancias na sala de cirurgia, incluem-se abertura de portas, sons e alarmes barulhentos, ambiente bagun\u00e7ado e espa\u00e7os limitados (WAHR et al., 2013; JOSEPH et al., 2018-I; JOSEPH et al., 2018-II). Se, a uma sala de cirurgia pequena e bagun\u00e7ada, somarmos elevado tr\u00e1fego de pessoal dentro da sala assim como elevado movimento dentro e fora, \u00e9 poss\u00edvel que haja interfer\u00eancia dos fluxos (como pessoas e equipamentos bloqueando a visibilidade e a comunica\u00e7\u00e3o entre os integrantes do time cir\u00fargico) e aumento do risco de infec\u00e7\u00e3o (por exemplo, funcion\u00e1rios sem esteriliza\u00e7\u00e3o em contato com a bandeja de instrumentos esterilizados) (PALMER et al., 2013; GURSES et al., 2012). Al\u00e9m disso, espa\u00e7os de armazenamento mal organizados e as longas dist\u00e2ncias entre \u00e1reas funcionais chave podem levar a percursos percorridos sem necessidade e perda de tempo durante procedimentos cir\u00fargicos, consequentemente acarretando atrasos e custos adicionais para as organiza\u00e7\u00f5es de sa\u00fade (GURSES et al., 2012; FREDENDALL et al., 2009).<br \/><br \/>Com o prop\u00f3sito de incorporar um processo de planejamento fundamentado em evid\u00eancias para revelar o papel do ambiente f\u00edsico nesse sistema de trabalho complexo das salas de cirurgias, o projeto de pesquisa apresentado neste trabalho (Consci\u00eancia da melhoria do cuidado ao paciente por meio de projetos humanizados para a sala de cirurgia - RIPCHD.OR) desenvolveu uma abordagem multidisciplinar de cinco anos para entender desenvolver e avaliar, de maneira iterativa, caracter\u00edsticas dos projetos de salas de cirurgia que impactam a seguran\u00e7a, a efici\u00eancia e as experi\u00eancias humanas. Como s\u00e3o necess\u00e1rios conhecimentos multidisciplinares para projetar ambientes cir\u00fargicos, o estudo incluiu times da Universidade Clemson (Departamentos de Arquitetura, Engenharia Industrial e Administra\u00e7\u00e3o) e a Universidade de Medicina da Carolina do Sul (MUSC). O time de pesquisa incluiu pesquisadores de projetos na \u00e1rea da sa\u00fade, arquitetos, profissionais de desenho industrial, profissionais das \u00e1reas sociais e de sa\u00fade, fornecedores de servi\u00e7os de sa\u00fade e parceiros industriais. Como retratado na Ilustra\u00e7\u00e3o 1, o projeto de pesquisa foi desenvolvido durante cinco anos, englobando uma fase extensiva para an\u00e1lise de problemas (ano 1), desenvolvimento de alternativas de projetos para salas de cirurgia com base nas evid\u00eancias encontradas (ano 2), processo iterativo para avaliar e refinar o projeto por meio de simula\u00e7\u00f5es (ano 3), e avalia\u00e7\u00e3o do prot\u00f3tipo do projeto final (ano 4).&nbsp;<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:16209307691620930769537166665.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 1.<\/strong> Linha do tempo do projeto de pesquisa RIPCHD.OR&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><strong>&nbsp;Resumo dos m\u00e9todos de pesquisa&nbsp;<\/strong><br \/>A pesquisa RIPCHD.OR come\u00e7ou com a revis\u00e3o de 198 artigos, que ajudaram a identificar categorias chave das consequ\u00eancias das salas de cirurgia (exemplo, interfer\u00eancias, erros, satisfa\u00e7\u00e3o, desempenho) e fatores do projeto que tiveram impacto para essas consequ\u00eancias (exemplo, qualidade do ar, ac\u00fastica, ilumina\u00e7\u00e3o, materiais, configura\u00e7\u00e3o, visibilidade). Resumidos em outra publica\u00e7\u00e3o, (JOSEPH et al., 2018-I), esses achados ajudaram o time em seus esfor\u00e7os para estabelecer o foco da curadoria dos dados, possibilitando estrutura para a condu\u00e7\u00e3o das observa\u00e7\u00f5es de v\u00eddeos e estudos de caso. Os dados coletados a partir da revis\u00e3o da literatura, das observa\u00e7\u00f5es e dos estudos de caso foram usados para desenvolver diversas alternativas de projeto para o prot\u00f3tipo, al\u00e9m de apresentar m\u00faltiplas estrat\u00e9gias de an\u00e1lises de dados, como os diagramas de espaguete e os modelos de simula\u00e7\u00e3o de eventos discretos criados para entender melhor os padr\u00f5es de fluxo na sala de cirurgia. O prot\u00f3tipo da sala de cirurgia foi refinado por meio de diversos est\u00e1gios de simula\u00e7\u00f5es de modelos, sendo que seus usu\u00e1rios finais (membros do time cir\u00fargicos) refinaram de maneira iterativa o prot\u00f3tipo da sala de cirurgia at\u00e9 sua vers\u00e3o final. O prot\u00f3tipo final da sala de cirurgia foi ent\u00e3o avaliado por meio de simula\u00e7\u00f5es de alta fidelidade de procedimentos cir\u00fargicos no modelo f\u00edsico, assim como por meio de uma simula\u00e7\u00e3o no computador (modelo proativo) testando vers\u00f5es diferentes do prot\u00f3tipo (tamanho, forma e configura\u00e7\u00e3o da sala diferentes) versus padr\u00f5es do fluxo de tr\u00e1fego predeterminados nas observa\u00e7\u00f5es. Finalmente, a pesquisa forneceu dados para a constru\u00e7\u00e3o de salas de cirurgias em um Centro Ambulatorial Cir\u00fargico no sudoeste dos Estados Unidos, cuja avalia\u00e7\u00e3o foi realizada por meio de um&nbsp;<br \/>estudo p\u00f3s-ocupa\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/><strong>Observa\u00e7\u00f5es por v\u00eddeo e decodifica\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>Por meio de uma abordagem que utiliza sistemas com foco em fatores humanos, (Iniciativa de Engenharia de Sistemas para a Seguran\u00e7a do Paciente 2.0 - SEIPS 2.0, por HOLDEN et al., 2013), o time de pesquisa observou 35 cirurgias ambulatoriais (procedimentos pedi\u00e1tricos e ortop\u00e9dicos) conduzidas em cinco salas de cirurgia diferentes em um estabelecimento de sa\u00fade. Por meio de c\u00e2meras de v\u00eddeo instaladas nos quatro cantos de cada sala, um software de codifica\u00e7\u00e3o (Noldus Observer\u00ae) e um protocolo de codifica\u00e7\u00e3o desenvolvido de um estudo anterior (PALMER et al., 2013), noves pesquisadores treinados registraram o tipo, a localiza\u00e7\u00e3o e a dura\u00e7\u00e3o das interfer\u00eancias nos fluxos cir\u00fargicos e nas atividades desempenhadas pelos membros-chave da equipe (como, enfermeiros circulantes e instrumentadores, cirurgi\u00f5es e anestesistas) e pelos objetos (como as bandejas de instrumentos) em cada cirurgia. Al\u00e9m disso, foram registradas as aberturas de portas e fases das cirurgias.&nbsp;<br \/><br \/>Para otimizar a codifica\u00e7\u00e3o e deixar os resultados mais relevantes, cada sala de cirurgia foi dividida em diversas zonas de localiza\u00e7\u00e3o com base em suas fun\u00e7\u00f5es (por exemplo, zona da bandeja de instrumentos, zona da esta\u00e7\u00e3o de trabalha da enfermeira circulante, zona de abastecimento) e as atividades foram classificadas de acordo com seu prop\u00f3sito (por exemplo, paciente, equipamento, informa\u00e7\u00e3o). Por outro lado, as interfer\u00eancias do fluxo cir\u00fargico foram classificadas segundo a que se referiram: configura\u00e7\u00e3o (uso inadequado do espa\u00e7o, visibilidade comprometida, time cir\u00fargico incapaz de desempenhar sua fun\u00e7\u00e3o devido \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do conector ou de m\u00f3veis), perigos ambientais (como, objetos causando colis\u00e3o\/choque ou o risco de escorregar, cair, trope\u00e7ar), usabilidade (como, m\u00f3vel ou equipamento com mal funcionamento), falha de equipamento e interrup\u00e7\u00f5es (como, membros do time cir\u00fargico respingando\/derramando\/pegando itens ou em busca de itens cir\u00fargicos perdidos). Ademais, as interfer\u00eancias nos fluxos cir\u00fargicos foram codificadas em termos da severidade (desde nenhum ou m\u00ednimo impacto at\u00e9 distra\u00e7\u00e3o, interfer\u00eancia moment\u00e2nea e tarefa repetida).<br \/><br \/><strong>Estudos de caso e mapeamento de fluxos<\/strong><br \/>Para investigar mais profundamente melhores pr\u00e1ticas no planejamento de salas de cirurgia pelos Estados Unidos, o time de pesquisa visitou tr\u00eas estabelecimentos cir\u00fargicos com configura\u00e7\u00f5es espaciais e modelos operacionais diversos, al\u00e9m do local de observa\u00e7\u00e3o. O objetivo n\u00e3o era apenas aprender li\u00e7\u00f5es sobre o que facilita e entrava os resultados da sala de cirurgia em respeito ao projeto e \u00e0 tecnologia, mas tamb\u00e9m adquirir perspectivas sobre os espa\u00e7os ao redor da sala de cirurgia, entender os m\u00faltiplos fluxos de pessoas e objetos que alimentam o procedimento cir\u00fargico percorrendo a sala cir\u00fargica e outras \u00e1reas, como o departamento de esteriliza\u00e7\u00e3o. Para atingir tais metas, o time de pesquisa desenvolveu uma metodologia de tour para o estudo de caso que inclu\u00eda uma ferramenta de mapeamento de fluxo (MACHRY et al., 2020) cujo foco era documentar e avaliar oito tipos diferentes de fluxos dentro da unidade cir\u00fargica (paciente, fam\u00edlia, cirurgi\u00e3o, anestesista, instrumentador, suprimentos, equipamentos m\u00f3veis e lixo) e como passos discretos nesses fluxos podem ser impactados pela configura\u00e7\u00e3o espacial. A ferramenta guiou entrevista com os atores, o desenvolvimento de diagramas de fluxos e uma estrutura de avalia\u00e7\u00e3o espacial com base em processos com foco na efici\u00eancia. Os espa\u00e7os usados para deslocamentos (como elevadores e corredores) ou as etapas de armazenamento, por exemplo, foram avaliados quanto \u00e0 possibilidade de apresentarem riscos de atraso para o pr\u00f3ximo caso cir\u00fargico na forma de gargalos e\/ou dist\u00e2ncias mais longas de uma etapa \u00e0 outra.<br \/><br \/><strong>Desenvolvimento e simula\u00e7\u00f5es do prot\u00f3tipo e modelos da sala de cirurgia<\/strong><br \/>Desenvolvidos em paralelo \u00e0 coleta de dados, o prot\u00f3tipo final e o modelo de alta fidelidade da sala de cirurgia resultaram dos nossos ciclos intensos de projeto-fabrica\u00e7\u00e3o-teste-refa\u00e7\u00e3o de projeto, um processo que envolveu o time de pesquisa multidisciplinar, um comit\u00ea consultivo e estudantes da gradua\u00e7\u00e3o. A tarefa inicial era construir de maneira coletiva uma estrutura fundamentada em evid\u00eancias para guiar o projeto do prot\u00f3tipo (Ilustra\u00e7\u00e3o 3 da pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o). Isso foi feito com base na revis\u00e3o da literatura e em workshops que reuniram o time para filtrar as evid\u00eancias e as melhores pr\u00e1ticas relevantes para o projeto. Ap\u00f3s chegar a um consenso e claridade sobre o projeto e as diretrizes nas quais focar, diversas solu\u00e7\u00f5es de projeto foram desenvolvidas, delimitadas e replicadas com fitas de baixa fidelidade no ch\u00e3o do modelo.&nbsp;<br \/><br \/>Flex\u00edvel o suficiente para refletir diversas alternativas de projeto, o primeiro modelo de fita no ch\u00e3o foi testado com uma s\u00e9rie de simula\u00e7\u00f5es usando os usu\u00e1rios finais para refinar o projeto. Esse modelo confirmou a \u00e1rea b\u00e1sica do piso e as dimens\u00f5es da sala. Testou tamb\u00e9m diversas localiza\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para a porta. Como retratado na Ilustra\u00e7\u00e3o 2, esse processo foi repetido duas vezes com modelos de papel\u00e3o, possibilitando uma dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de alternativas de projetos testar por vez e, consequentemente, levando ao desenvolvimento da vers\u00e3o final do prot\u00f3tipo a ser reproduzido em um modelo de alta fidelidade com paredes e equipamento cir\u00fargico de verdade.<\/p>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162093076916209307698311482092.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">&nbsp;<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 2.<\/strong> Quatro etapas do desenvolvimento do modelo. Modelo 1: Fita no ch\u00e3o (baixa fidelidade) Modelo 2: Papel\u00e3o (n\u00edvel 1) Modelo 3: Papel\u00e3o (n\u00edvel 2) Modelo 4: Paredes e equipamentos de verdade (alta fidelidade)<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p>Foram desenvolvidas simula\u00e7\u00f5es estruturadas ao redor do projeto do prot\u00f3tipo e da fabrica\u00e7\u00e3o do modelo para testar as alternativas de projeto da sala de cirurgia em cada est\u00e1gio descrito acima, e os resultados das simula\u00e7\u00f5es forneceram dados para a refa\u00e7\u00e3o do projeto de prot\u00f3tipo na fase seguinte. Um conjunto de ferramentas foi adaptado do Conselho de Qualidade da Sa\u00fade de Alberta (HQCA, 2016) para avaliar cada simula\u00e7\u00e3o, testando o projeto em contraste com as diretrizes estabelecidas na estrutura do projeto (para testar se o projeto era capaz de otimizar o movimento e o fluxo, por exemplo). Com base da estrutura do HQCA e com a assist\u00eancia dos cl\u00ednicos do time de pesquisa, foi desenvolvido um kit de ferramentas de avalia\u00e7\u00e3o com base nas simula\u00e7\u00f5es com cen\u00e1rios de simula\u00e7\u00e3o e protocolos personalizados para simular tarefas e sequ\u00eancias cir\u00fargicas (BAYRAMZADEH et al., 2017). Os cen\u00e1rios representavam diferentes tipos de procedimentos cir\u00fargicos ambulatoriais (cirurgias pedi\u00e1tricas e ortop\u00e9dicas espec\u00edficas), fases da cirurgia (pr\u00e9-operat\u00f3rio, peroperat\u00f3rio, p\u00f3s-operat\u00f3rio e fases de revers\u00e3o) e configura\u00e7\u00f5es da sala de cirurgia (por exemplo, com uma ou duas portas; com ou sem salas adjacentes, como a sala de indu\u00e7\u00e3o). Sempre com a inclus\u00e3o de usu\u00e1rios finais (como, cirurgi\u00f5es e enfermeiros), cada protocolo de simula\u00e7\u00e3o definia um diretor de simula\u00e7\u00e3o, os pap\u00e9is e tarefas dos participantes, o equipamento e as ferramentas envolvidas e um cronograma de simula\u00e7\u00e3o que inclu\u00eda uma sequ\u00eancia de simula\u00e7\u00f5es menores (como, sequ\u00eancias de entrada e alta do paciente). Cada simula\u00e7\u00e3o era seguida de reuni\u00f5es e grupos focais, imediatamente ap\u00f3s ter acontecido, para discutir as percep\u00e7\u00f5es e as li\u00e7\u00f5es aprendidas.<br \/><br \/>\u00c0 medida que a qualidade e a fidelidade dos modelos melhoravam, melhorava tamb\u00e9m o n\u00edvel de detalhes dos cen\u00e1rios das simula\u00e7\u00f5es (por exemplo, tarefas com m\u00f3veis ou equipamentos espec\u00edficos ficam dispon\u00edveis nos modelos de maior fidelidade) e as ferramentas de avalia\u00e7\u00e3o. Durante as duas primeiras rodadas de simula\u00e7\u00f5es (modelos 1 e 2), as conclus\u00f5es foram essencialmente tiradas com base na an\u00e1lise de conte\u00fado das anota\u00e7\u00f5es das reuni\u00f5es de&nbsp;debriefing, nos rascunhos anotados e nas plantas baixas. A terceira rodada de simula\u00e7\u00f5es (modelo 3) empregou cen\u00e1rios, tarefas, observa\u00e7\u00f5es e perguntas de avalia\u00e7\u00e3o mais estruturadas e detalhadas (mais detalhes na publica\u00e7\u00e3o BAYRAMZADEH et al., 2017). A rodada final de simula\u00e7\u00f5es, por outro lado, foi mais detalhada devido ao alto n\u00edvel de fidelidade do modelo (modelo 4) e incluiu simula\u00e7\u00f5es mais extensas, com menos interrup\u00e7\u00f5es (cirurgias inteiras em oposi\u00e7\u00e3o a apenas pequenos trechos), e observa\u00e7\u00f5es em v\u00eddeo. Por isso, foram utilizados procedimentos de coleta de dados mais avan\u00e7ados na rodada final das simula\u00e7\u00f5es, incluindo enquetes, mapeamento de comportamentos e codifica\u00e7\u00e3o (por exemplo, rastrear movimentos e as interfer\u00eancias do fluxo cir\u00fargico) e grupos focais.&nbsp;<br \/><br \/><strong>Simula\u00e7\u00f5es feitas em computador do prot\u00f3tipo da sala de cirurgia<\/strong><br \/>Ap\u00f3s ser definido e constru\u00eddo em modelo de alta fidelidade o projeto final da sala de cirurgia, foi empregada uma simula\u00e7\u00e3o digital para manipular algumas de suas caracter\u00edsticas (tamanho, forma e configura\u00e7\u00e3o) e testar seu desempenho em contraste com os padr\u00f5es de fluxos obtidos pelas observa\u00e7\u00f5es dos v\u00eddeos codificadores de cirurgias reais (Ilustra\u00e7\u00e3o 3). Como explicado em detalhes em outra publica\u00e7\u00e3o (TAAFFE et al., 2020), foi criada uma abordagem com um modelo de simula\u00e7\u00e3o via computador para simular esses padr\u00f5es de fluxos em diferentes vers\u00f5es do prot\u00f3tipo da sala de cirurgia (Ilustra\u00e7\u00e3o 4). Diferentes tamanhos de sala de cirurgia (aproximadamente 39, 54 e 68 metros quadrados), de formas (quadrada e retangular) e configura\u00e7\u00e3o (mesa cir\u00fargica posicionada de maneira perpendicular ou angular \u00e0s paredes da sala) foram comparadas para observar seu desempenho em termos de como medidas de fluxo impactam a seguran\u00e7a e a efici\u00eancia durante a cirurgia - o n\u00famero de contatos entre pessoas\/equipamentos, a dist\u00e2ncia percorrida pelos integrantes da equipe cir\u00fargica e o n\u00famero de transi\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximo da \u00e1rea da mesa.<\/p>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162093077016209307708485306443.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 3.<\/strong> Diagramas de espaguete retratam padr\u00f5es de fluxos obtidos pelas observa\u00e7\u00f5es dos v\u00eddeos codificadores de 35 cirurgias.<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 4.<\/strong> Manipula\u00e7\u00f5es do prot\u00f3tipo da sala de cirurgia em termos de tamanho, forma e configura\u00e7\u00e3o testadas versus simula\u00e7\u00f5es proativas de padr\u00f5es de fluxos.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-ocupa\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o constru\u00edda<\/strong><br \/>Para completar o ciclo de pesquisa com base em evid\u00eancias, foi conduzida uma avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-ocupa\u00e7\u00e3o para avaliar de maneira complementar as caracter\u00edsticas do prot\u00f3tipo do projeto da sala de cirurgia durante procedimentos cir\u00fargicos reais. Amplamente projetadas para refletir as descobertas das simula\u00e7\u00f5es supra citadas, as salas de cirurgia constru\u00eddas no Centro de Cirurgia Ambulatorial (ASC) eram similares ao seu prot\u00f3tipo quanto ao tamanho e \u00e0 configura\u00e7\u00e3o (por exemplo, localiza\u00e7\u00e3o\/posi\u00e7\u00e3o da mesa cir\u00fargica) e diferentes em termos de caracter\u00edsticas como o n\u00famero e a posi\u00e7\u00e3o de portas e dos pain\u00e9is de informa\u00e7\u00f5es. Veja a Ilustra\u00e7\u00e3o&nbsp;5, que compara ambas as salas.<\/p>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:16209307701620930770532390110.png\" \/>&nbsp;<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">&nbsp;<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:16209307691620930769218332944.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 5.<\/strong> Compara\u00e7\u00e3o entre o prot\u00f3tipo e a constru\u00e7\u00e3o da sala de cirurgia.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p>Ao replicar alguns procedimentos de coleta de dados j\u00e1 descritos (observa\u00e7\u00f5es de v\u00eddeo, codifica\u00e7\u00e3o, mapeamento de fluxos, enquetes e grupos focais), os resultados da avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-ocupa\u00e7\u00e3o foram comparados aos resultados das simula\u00e7\u00f5es feitas com o modelo de alta fidelidade.<br \/><br \/><strong>Descobertas arquitet\u00f4nicas relevantes&nbsp;<\/strong><br \/>Um resultado importante advindo das fases iniciais desta pesquisa (revis\u00e3o da literatura, observa\u00e7\u00f5es de v\u00eddeo e workshops de&nbsp;brainstorming) \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o de projeto e de uma s\u00e9rie de objetivos e diretrizes de projeto com base em evid\u00eancia. Um conjunto de cinco objetivos com base em evid\u00eancias - 1) otimizar a efici\u00eancia e a efic\u00e1cia operacional; 2) otimizar resultados cl\u00ednicos, a sa\u00fade e a seguran\u00e7a; 3) otimizar a experi\u00eancia para pacientes e equipe, 4) otimizar pr\u00e1ticas verdes e sustent\u00e1veis; e 5) otimizar a habilidade de acomodar novas necessidades ao longo do tempo - levou a uma s\u00e9rie de nove diretrizes interrelacionadas para o projeto de sala de cirurgia - otimizar movimentos e processos, maximizar a aten\u00e7\u00e3o visual, painel de informa\u00e7\u00e3o integrado, minimizar a confus\u00e3o institucional, minimizar a contamina\u00e7\u00e3o do ar e das superf\u00edcies, acesso controlado da luz do dia e ilumina\u00e7\u00e3o artificial apropriada para as atividades na sala de cirurgia e um chassi flex\u00edvel de quarto com plugues flex\u00edveis e intercambi\u00e1veis. Veja a Ilustra\u00e7\u00e3o 6 que retrata a estrutura que guia o projeto do prot\u00f3tipo da sala de cirurgia, que \u00e9 ent\u00e3o representada como planta baixa na Ilustra\u00e7\u00e3o 7.<\/p>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162093164416209316444451842872.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 6.<\/strong> Diagrama da estrutura que serve de guia para o projeto do prot\u00f3tipo da sala de cirurgia.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><strong>Tamanho e forma da sala de cirurgia<\/strong><br \/>A dimens\u00e3o geral da \u00e1rea efetiva do prot\u00f3tipo final da sala de cirurgia foi de aproximadamente 6.7 x 7.9 metros. Com um nicho para alocar uma esta\u00e7\u00e3o de trabalho para enfermeiras circulantes e um estoque, a \u00e1rea efetiva da sala acabou sendo 53.8 metros quadrados. Como descrito antes, a \u00e1rea e a dimens\u00e3o foram avaliadas em modelos de simula\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o a \u00e1reas e dimens\u00f5es de salas maiores. As descobertas decorrentes das simula\u00e7\u00f5es (tanto via modelo como via computador) indicam que o tamanho e as dimens\u00f5es do prot\u00f3tipo desempenharam bem em termos de padr\u00f5es de fluxo e interfer\u00eancias, mostrando menos incurs\u00f5es na zona esterilizada do que as salas menores e menos percursos\/passos percorridos&nbsp; do que nas salas maiores (TAAFFE et al., 2020).<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162093169916209316996669225724.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<p class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 7.<\/strong> Planta baixa do prot\u00f3tipo final da sala de cirurgia.<\/p>\r\n<\/div>\r\n<p><strong>Configura\u00e7\u00e3o da sala de cirurgia<\/strong><br \/>O prot\u00f3tipo da sala de cirurgia \u00e9 fundamentalmente organizado em quatro zonas designadas ao redor do setor esterilizado da mesa cir\u00fargica: uma zona de trabalho para anestesia (AZ) na cabe\u00e7a da mesa, zonas de trabalhos cir\u00fargicos (SZ) de cada lado, dependendo da presen\u00e7a de cirurgi\u00f5es destros ou canhotos e uma zona de circula\u00e7\u00e3o (CZ) na parte de baixo e na entrada da sala. Essas zonas foram demarcadas no prot\u00f3tipo por meio de colora\u00e7\u00e3o do piso, que facilitou o fluxo cir\u00fargico, segundo os grupos focais. A localiza\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o da mesa cir\u00fargica fora do centro e em diagonal na sala abre as \u00e1reas inferiores e laterais ao redor da mesa para circula\u00e7\u00e3o, montagem de equipamentos e procedimentos ao mesmo tempo que situa a \u00e1rea de trabalho do anestesista de maneira a ficar mais protegida e menos exposta a movimentos de outros membros da equipe cir\u00fargica. Segundo as simula\u00e7\u00f5es e a avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-ocupa\u00e7\u00e3o, tal posicionamento at\u00edpico da mesa cir\u00fargica tamb\u00e9m permite um uso mais eficiente e efetivo do espa\u00e7o na sala ao eliminar a necessidade de acessar de acessar um espa\u00e7o tipicamente encontrado no canto mais distante da sala, atr\u00e1s da anestesia e entre a zona prim\u00e1ria de cirurgia e a zona de anestesia, que de outra maneira seria acessada atrav\u00e9s da zona de esta\u00e7\u00e3o de trabalho do anestesista ou do cirurgi\u00e3o. Al\u00e9m disso, as conclus\u00f5es da pesquisa mostraram que a orienta\u00e7\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o da mesa cir\u00fargica longe da porta de entrada do paciente facilita a manobra e minimiza os esfor\u00e7os durante o fluxo da maca do paciente na entrada e na sa\u00edda da sala.<br \/><br \/><strong>Posto de trabalho m\u00f3vel de enfermeira circulante<\/strong><br \/>Com base no feedback de simula\u00e7\u00f5es baseadas em modelos, o prot\u00f3tipo da sala de cirurgia prop\u00f4s uma esta\u00e7\u00e3o de trabalho m\u00f3vel para enfermeira circulante que permite flexibilidade para a posi\u00e7\u00e3o da enfermeira durante a cirurgia, facilitando assim o reposicionamento baseado nas necessidades de visibilidade e fluxo, independentemente da orienta\u00e7\u00e3o da mesa cir\u00fargica. Isso permite \u00e0 enfermeira circulante posicionar o posto de trabalho de forma ideal para visualizar o procedimento enquanto documenta ou monitora a cirurgia no computador. Um nicho de estacionamento \u00e9 fornecido para esta esta\u00e7\u00e3o de trabalho quando ela n\u00e3o estiver em uso (por exemplo, durante as fases de turnaround ou p\u00f3s-operat\u00f3ria). Observa\u00e7\u00f5es e grupos focais tamb\u00e9m destacaram a import\u00e2ncia do gerenciamento dos cabos, do posicionamento das tomadas e da localiza\u00e7\u00e3o dos dispositivos de controle ambiental (por exemplo, ilumina\u00e7\u00e3o) quando se trata da esta\u00e7\u00e3o de trabalho m\u00f3vel, pois requer uma tomada el\u00e9trica para carregamento e alguns funcion\u00e1rios relataram prefer\u00eancia por ter a esta\u00e7\u00e3o de trabalho conectada&nbsp;<br \/>o tempo todo.<br \/><br \/><strong>Pain\u00e9is de informa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>O prot\u00f3tipo da sala de cirurgia foi projetado com tecnologia integrada de recupera\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es do paciente, al\u00e9m de pain\u00e9is ajust\u00e1veis montados em barras ao redor da mesa cir\u00fargica. Os pain\u00e9is de informa\u00e7\u00e3o propostos para montagem em parede foram localizados em tr\u00eas paredes do prot\u00f3tipo, prevendo uma faixa cont\u00ednua de painel digital integrado aos pain\u00e9is de parede que circundam toda a sala. O prot\u00f3tipo foi fabricado com tr\u00eas monitores montados na parede: um em cada parede mais extensa e um na parede de fundo da sala. Com o objetivo de aumentar a consci\u00eancia situacional, os monitores foram posicionados para permitir uma \u00f3tima visibilidade para toda a equipe cir\u00fargica a qualquer momento durante a cirurgia, em ambos os lados da mesa cir\u00fargica, e enquanto se movimentam pela sala. As simula\u00e7\u00f5es constataram que os displays foram inicialmente instalados muito em cima para uma vis\u00e3o confort\u00e1vel, e as linhas de vis\u00e3o foram bloqueadas de alguns pontos por barras e luzes cir\u00fargicas a\u00e9reas.<br \/><br \/><strong>Flexibilidade da sala de cirurgia<\/strong><br \/>O chassi b\u00e1sico do prot\u00f3tipo da sala de cirurgia foi projetado para acomodar v\u00e1rias configura\u00e7\u00f5es de su\u00edte, incluindo um n\u00facleo limpo para armazenamento de suprimentos est\u00e9reis que requerem acesso pelo lado da sala de cirurgia oposto ao corredor para paciente-equipe. Com base nas observa\u00e7\u00f5es de um dos estudos de caso, o prot\u00f3tipo de chassi foi projetado para acomodar a op\u00e7\u00e3o de uma sala de indu\u00e7\u00e3o adjacente para casos pedi\u00e1tricos. Dado que a maioria das cirurgias pedi\u00e1tricas s\u00e3o de curta dura\u00e7\u00e3o com um est\u00e1gio pr\u00e9-operat\u00f3rio mais longo envolvendo indu\u00e7\u00e3o, isso permite que o pr\u00f3ximo caso inicie o processo de indu\u00e7\u00e3o com uma equipe de anestesia separada fora da sala de cirurgia enquanto um procedimento ainda estiver em andamento. Isso permite o processamento paralelo com tempos de retorno mais r\u00e1pidos e rendimento dos casos cir\u00fargicos em um determinado dia. A sala de indu\u00e7\u00e3o separada tamb\u00e9m permite que membros da fam\u00edlia estejam com a crian\u00e7a durante o intimidante processo de indu\u00e7\u00e3o sem a necessidade de roupas especiais.&nbsp;<br \/><br \/>As simula\u00e7\u00f5es mostraram que a configura\u00e7\u00e3o do prot\u00f3tipo da sala de cirurgia foi capaz de acomodar essas diferentes configura\u00e7\u00f5es ap\u00f3s altera\u00e7\u00f5es m\u00ednimas, incorporando salas auxiliares adjacentes, tais como uma sala de indu\u00e7\u00e3o ou uma sala de instrumentaliza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-operat\u00f3ria e um nicho com entrada para uma pia de esteriliza\u00e7\u00e3o. O prot\u00f3tipo foi testado em simula\u00e7\u00e3o tanto para a instrumentaliza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-operat\u00f3ria associada a cirurgias ortop\u00e9dicas como para a indu\u00e7\u00e3o fora da sala de cirurgia para cirurgia pedi\u00e1trica. Os cen\u00e1rios da sala de indu\u00e7\u00e3o foram vistos como ben\u00e9ficos para casos pedi\u00e1tricos de curta dura\u00e7\u00e3o e, finalmente, adotados nas instala\u00e7\u00f5es posteriormente constru\u00eddas como um meio de melhorar a rotatividade da sala e a produtividade como um todo.<br \/><br \/>O prot\u00f3tipo foi constru\u00eddo com uma estrutura modular adapt\u00e1vel suspensa para apoiar as barras cir\u00fargicas, luzes cir\u00fargicas e outros itens fixos no teto (Ilustra\u00e7\u00e3o 8). Ele foi projetado para permitir a realoca\u00e7\u00e3o desses elementos a\u00e9reos com esfor\u00e7o e custo m\u00ednimos. As simula\u00e7\u00f5es n\u00e3o avaliaram explicitamente a coloca\u00e7\u00e3o original das barras cir\u00fargicas suspensas e das luzes, embora o feedback causal tenha indicado alguma dificuldade no posicionamento ideal da barra cir\u00fargica e das luzes atrav\u00e9s de diferentes procedimentos e posicionamento do m\u00e9dico. As imagens indicaram que os locais de montagem das barras estavam muito pr\u00f3ximos do centro da mesa de cirurgia e que seria melhor que estivessem mais afastadas para minimizar conflitos nas rota\u00e7\u00f5es das barras.&nbsp;<\/p>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162093170016209317000793860860.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o 8.<\/strong> Barra suspensa e estrutura de ilumina\u00e7\u00e3o.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><strong>Caracter\u00edsticas da sala de cirurgia aplicadas, mas n\u00e3o testadas<\/strong><br \/>Como a estrutura modular no teto, foi inclu\u00edda uma simula\u00e7\u00e3o de janela no prot\u00f3tipo, mas que n\u00e3o foi testada no estudo de pesquisa considerando a falta de \u00e1rea externa e a impossibilidade de simular a experi\u00eancia ou exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz do dia. No entanto, a janela foi inclu\u00edda no prot\u00f3tipo com base em evid\u00eancias causais que mostram como janelas com luz do dia adequadamente controlada, privacidade e controles t\u00e9rmicos s\u00e3o tanto desej\u00e1veis quanto ben\u00e9ficas para os membros da equipe cir\u00fargica. Tamb\u00e9m se especula que janelas com acesso \u00e0 luz do dia e \u00e0 vista externa podem reduzir o estresse de pacientes de cirurgia ambulatorial, o que \u00e9 especialmente relevante com o aumento de cirurgias minimamente invasivas e o progresso nas estrat\u00e9gias anest\u00e9sicas. Isso sugere que mais pacientes no futuro poder\u00e3o manter algum n\u00edvel de consci\u00eancia por, pelo menos, certos per\u00edodos de tempo na sala de cirurgia, aumentando potencialmente a necessidade de distra\u00e7\u00f5es&nbsp;<br \/>positivas na sala.&nbsp;<br \/><br \/>O prot\u00f3tipo da sala de cirurgia tamb\u00e9m incluiu portas corredi\u00e7as muito comuns em alguns pa\u00edses, mas sem ado\u00e7\u00e3o generalizada nos EUA. Argumenta-se que portas corredi\u00e7as reduzem o esfor\u00e7o, as interrup\u00e7\u00f5es de fluxo e a turbul\u00eancia do ar na sala de cirurgia, mas tais caracter\u00edsticas tamb\u00e9m n\u00e3o foram avaliadas em simula\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, os conceitos gerais de ilumina\u00e7\u00e3o da sala foram concebidos no projeto, mas n\u00e3o foram incorporados ou avaliados em simula\u00e7\u00f5es. O prot\u00f3tipo foi projetado para minimizar a desordem institucional, as manobras desnecess\u00e1rias sobre superf\u00edcies e diminuir as superf\u00edcies horizontais desnecess\u00e1rias para facilitar a limpeza, assim potencialmente reduzindo a contamina\u00e7\u00e3o superficial. Novamente, essas caracter\u00edsticas n\u00e3o foram testadas.<br \/><br \/><strong>Conclus\u00f5es&nbsp;<\/strong><br \/>O tamanho, as dimens\u00f5es e a configura\u00e7\u00e3o do prot\u00f3tipo da sala de cirurgia permitiram uma utiliza\u00e7\u00e3o eficaz e eficiente de seu espa\u00e7o. Um dos resultados mais importantes e validado por simula\u00e7\u00f5es, assim como pela avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-ocupa\u00e7\u00e3o, mostrou que, ao colocar a mesa cir\u00fargica na diagonal, fora do centro e longe da entrada na sala retangular, o movimento e o fluxo na sala de cirurgia melhoraram, facilitando a entrada, a transfer\u00eancia e o posicionamento do paciente. Al\u00e9m disso, essa posi\u00e7\u00e3o da mesa cir\u00fargica facilita o movimento ao redor da sala sem interferir nas zonas de anestesia e nas zonas est\u00e9reis ao redor do paciente, evitando interrup\u00e7\u00f5es de fluxo nessas \u00e1reas, tais como solavancos, percursos e riscos relacionados \u00e0 seguran\u00e7a de pacientes e funcion\u00e1rios. O projeto do prot\u00f3tipo tamb\u00e9m foi bem-sucedido ao melhorar a consci\u00eancia situacional com a localiza\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o da mesa cir\u00fargica, da esta\u00e7\u00e3o de trabalho m\u00f3vel da enfermeira e de m\u00faltiplos pain\u00e9is de informa\u00e7\u00e3o montados na parede. Combinadas, essas caracter\u00edsticas possibilitaram ampla visibilidade entre os membros da equipe cir\u00fargica e facilitaram a movimenta\u00e7\u00e3o da enfermeira circulante, um papel fundamental de apoio a todo o procedimento cir\u00fargico. \u00c0 medida que a capacidade e a confiabilidade de recarga aumentam, teremos cada vez mais \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dispositivos de controle sem fio e a integra\u00e7\u00e3o com sistemas inteligentes amplamente adotada, aumentando a flexibilidade e a capacidade de posicionar e operar esta\u00e7\u00f5es m\u00f3veis de trabalho na<br \/>sala de cirurgia.<br \/><br \/>As simula\u00e7\u00f5es do prot\u00f3tipo de modelo indicaram que o projeto geral da sala oferece flexibilidade para uma variedade de procedimentos pedi\u00e1tricos e ortop\u00e9dicos ambulatoriais que requerem diferentes equipes cir\u00fargicas, equipamentos e posicionamento do procedimento e dos membros da equipe. Outras caracter\u00edsticas do prot\u00f3tipo que n\u00e3o foram testadas s\u00e3o antecipadas para permitir a padroniza\u00e7\u00e3o do chassi da sala com flexibilidade e adaptabilidade dos componentes ao longo da vida \u00fatil da sala. Caracter\u00edsticas significativas para a flexibilidade incluem um sistema de montagem estrutural no teto que pode permitir o f\u00e1cil reposicionamento do suporte estrutural e a coloca\u00e7\u00e3o de barras e luzes cir\u00fargicas suspensas. Os pain\u00e9is modulares de parede feitos de a\u00e7o inoxid\u00e1vel, plug and play, s\u00e3o projetados para permitir a reconfigura\u00e7\u00e3o dos sistemas integrados e para serem montados na parede e permitir reparo r\u00e1pido e limpo com tempo de parada e interrup\u00e7\u00e3o m\u00ednimo.<br \/><br \/><strong>Limita\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>A maioria das limita\u00e7\u00f5es constatadas na avalia\u00e7\u00e3o do projeto do prot\u00f3tipo j\u00e1 era conhecida no in\u00edcio e foi englobada pelo escopo, cronograma, or\u00e7amento e local do modelo do estudo. As avalia\u00e7\u00f5es do prot\u00f3tipo focaram em um n\u00famero limitado de procedimentos cir\u00fargicos pedi\u00e1tricos e ortop\u00e9dicos ambulatoriais.&nbsp; V\u00e1rias caracter\u00edsticas do projeto arquitet\u00f4nico do prot\u00f3tipo da sala de cirurgia n\u00e3o foram avaliadas devido a uma variedade de limita\u00e7\u00f5es. A pesquisa n\u00e3o estudou quest\u00f5es de ilumina\u00e7\u00e3o geral da sala nem avaliou a configura\u00e7\u00e3o das barras suspensas e das luzes cir\u00fargicas. Devido \u00e0 natureza das simula\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es gerais de espa\u00e7o, tempo e financiamento, o prot\u00f3tipo n\u00e3o incluiu sistemas mec\u00e2nicos, nem puderam ser realizados procedimentos cir\u00fargicos reais por raz\u00f5es \u00f3bvias, portanto o estudo n\u00e3o avaliou o projeto do modelo em termos de controle de infec\u00e7\u00e3o. Com base em limita\u00e7\u00f5es similares, o estudo n\u00e3o avaliou o impacto de incid\u00eancia de ilumina\u00e7\u00e3o artificial, luz do dia ou conex\u00f5es com a natureza nem para pacientes nem para a equipe, apesar de uma aten\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel ter sido dedicada a considerar esses atributos no projeto do prot\u00f3tipo.&nbsp; Da mesma forma, o estudo n\u00e3o p\u00f4de testar quest\u00f5es de flexibilidade al\u00e9m de acomodar uma seleta variedade de procedimentos cir\u00fargicos ambulatoriais pedi\u00e1tricos. Todas essas quest\u00f5es merecem maior considera\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o no futuro.<br \/><br \/><strong>Bibliografia<\/strong><br \/>AHMAD, N., HUSSEIN, A. A., CAVUOTO, L., SHARIF, M., ALLERS, J. C., HINATA, N., ... &amp; GURU, K. 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