{"id":8050,"date":"2024-06-12T13:49:10","date_gmt":"2024-06-12T16:49:10","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/flexibilidade-espacial-e-extensibilidade-em-hospitais-planejados-por-joao-filgueiras-lima-haroldo-pinheiro\/"},"modified":"2024-11-15T18:28:44","modified_gmt":"2024-11-15T21:28:44","slug":"flexibilidade-espacial-e-extensibilidade-em-hospitais-planejados-por-joao-filgueiras-lima-haroldo-pinheiro","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/flexibilidade-espacial-e-extensibilidade-em-hospitais-planejados-por-joao-filgueiras-lima-haroldo-pinheiro\/","title":{"rendered":"Flexibilidade espacial e extensibilidade em hospitais planejados por Jo\u00e3o Filgueiras Lima Haroldo Pinheiro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Resumo<\/strong><br \/>O estudo em detalhe dos m\u00faltiplos elementos que constituem a edifica\u00e7\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tica constante no processo projetual do arquiteto Jo\u00e3o Filgueiras Lima, o Lel\u00e9; e a intera\u00e7\u00e3o l\u00f3gica entre esses componentes, meta cultivada com aplicada obstina\u00e7\u00e3o. A obra que realizou, particularmente na \u00e1rea hospitalar, registra elevado alinhamento dos sistemas construtivas em favor da efici\u00eancia da edifica\u00e7\u00e3o. Neste artigo comento algumas dessas contribui\u00e7\u00f5es sob meu pr\u00f3prio ponto de observa\u00e7\u00e3o, a partir da oportunidade que tive como testemunha, colaborador, ou associado em boa parte dessa produ\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/><strong>Palavras-chave<\/strong><br \/>jo\u00e3o filgueiras lima, lel\u00e9, sistema construtivo, estrutura, instala\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas.<br \/><strong><br \/>Estrutura e infraestrutura<\/strong><br \/>Dos cinco pontos da nova arquitetura, definidos por Le Corbusier, certamente a planta livre foi o que proporcionou maior ganho para os estabelecimentos assistenciais de sa\u00fade (EAS) modernos e contempor\u00e2neos.<br \/><br \/>De fato, a desvincula\u00e7\u00e3o entre a estrutura e as paredes divis\u00f3rias e de veda\u00e7\u00e3o elevou a longevidade e a efici\u00eancia das edifica\u00e7\u00f5es hospitalares - seja pela facilidade no remanejamento de espa\u00e7os internos para incorpora\u00e7\u00e3o de novas tecnologias para diagn\u00f3stico e tratamento, ou para ajuste a novas t\u00e9cnicas m\u00e9dicas, ou ainda para expans\u00e3o ordenada do edif\u00edcio sem interrup\u00e7\u00e3o das atividades m\u00e9dicas no decorrer das obras.<br \/><br \/>Todavia, para que as edifica\u00e7\u00f5es adquiram efetiva flexibilidade, \u00e9 desej\u00e1vel que o planejamento das instala\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas ofere\u00e7a a mesma liberdade proporcionada pela estrutura independente.<br \/><br \/>No planejamento dos EAS, observamos a estrat\u00e9gia dos arquitetos que alinham ou associam estrutura e instala\u00e7\u00f5es - a exemplo das instala\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que margeiam vias que estruturam a cidade e as acompanham, desde a expans\u00e3o urbana planejada, at\u00e9 vias locais secund\u00e1rias que eventualmente se incorporam ao planejado. Ou tal como as ra\u00edzes das \u00e1rvores garantem estabilidade e alimenta\u00e7\u00e3o progressivas e proporcionais ao crescimento de ramifica\u00e7\u00f5es frondosas.<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091461616209146168852539201.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>&nbsp;Imagem 01.<\/strong> Expans\u00e3o do hospital - estrutura e infraestrutura; croquis de Jo\u00e3o Filgueiras Lima (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p><br \/>Comento isto para chegar ao arquiteto Jo\u00e3o da Gama Filgueiras Lima - o Lel\u00e9, um dos arquitetos que mais pesquisou e realizou solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e construtivas que garantiram flexibilidade e expansibilidade a edifica\u00e7\u00f5es para programas variados, particularmente em EAS.<br \/><br \/><strong>Inicia\u00e7\u00e3o profissional, primeiros EAS<\/strong><br \/>Lel\u00e9 colou grau no final de 1955 na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil (atual UFRJ); aperfei\u00e7oou-se em projeto e constru\u00e7\u00e3o com o arquiteto Aldary Toledo, no Rio de Janeiro, e com Oscar Niemeyer, na experi\u00eancia de Bras\u00edlia.<br \/><br \/>Entre 1962 e 1965, participou do grupo fundador do curso de Arquitetura da Universidade de Bras\u00edlia, inicialmente como professor de T\u00e9cnica da Constru\u00e7\u00e3o, depois como coordenador do curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e secret\u00e1rio executivo do Centro de Planejamento da UnB (CEPLAN). Desenvolveu e detalhou os projetos de Oscar Niemeyer para o Campus, tais como os pr\u00e9dios do CEPLAN e Instituto de Artes, do Instituto Central de Ci\u00eancias (ICC, ou \"Minhoc\u00e3o\") e outros de autoria pr\u00f3pria, como os edif\u00edcios habitacionais da Colina e os blocos de Servi\u00e7os Gerais - sempre com solu\u00e7\u00f5es pr\u00e9-fabricadas, industrialmente ou em canteiro, tanto nos de Niemeyer quanto nos seus pr\u00f3prios.<br \/><br \/>Realizou viagens de estudo sobre pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o, \u00e0 Europa Oriental, em 1963; e para aperfei\u00e7oamento em planejamento hospitalar, \u00e0 Europa Ocidental e EUA, em 1969.<br \/><br \/>Em 1968 realizou o primeiro projeto hospitalar: o Hospital Regional de Taguatinga (HRT) - antes, havia realizado apenas o projeto para expans\u00e3o do ent\u00e3o Hospital Distrital de Bras\u00edlia, projeto original de Oscar Niemeyer.<br \/><br \/>No HRT, associou com \u00eaxito os conhecimentos adquiridos sobre pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o e planejamento hospitalar, conjugando solu\u00e7\u00f5es de estrutura e infraestrutura para garantia de flexibilidade e expansibilidade. Conforme o pr\u00f3prio Lel\u00e9 observou, \"o n\u00edvel de industrializa\u00e7\u00e3o estabelecido para a constru\u00e7\u00e3o desse hospital foi bastante ambicioso para a \u00e9poca\" (LIMA, 2012).<br \/><br \/>As \"vigas-shed\" de concreto do HRT, em \"V\" assim\u00e9trico, s\u00e3o similares \u00e0s que utilizou no edif\u00edcio das oficinas Disbrave de autom\u00f3veis em Bras\u00edlia (1965) - mas aqui incorporando canaletas acess\u00edveis \u00e0 base da viga para distribui\u00e7\u00e3o de fia\u00e7\u00f5es diversas, em substitui\u00e7\u00e3o aos eletrodutos.<br \/><br \/>O projeto tamb\u00e9m apresenta solu\u00e7\u00f5es para redu\u00e7\u00e3o no consumo de energia e uso de ar-condicionado, privilegiando alternativas naturais para redu\u00e7\u00e3o de carga t\u00e9rmica nas fachadas e para ilumina\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o zenitais, assim como para integra\u00e7\u00e3o paisag\u00edstica em ambientes internos - solu\u00e7\u00f5es que caracterizaram sua atua\u00e7\u00e3o profissional desde cedo e sempre.<\/p>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091579116209157911915365516.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>&nbsp;Imagem 02.<\/strong> Trecho do anteprojeto para o HRT - fig. 4: terra\u00e7os das enfermarias, previs\u00e3o de extensibilidade horizontal; fig 5: montagem das \"vigas-shed\", com concretagem \"in loco\" da viga-calha; fig. 6: montagem do bloco vertical de interna\u00e7\u00e3o - croquis de Jo\u00e3o Filgueiras Lima (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p>Entre 1969 e 1972, como consultor t\u00e9cnico da Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar do Distrito Federal, coordenou a obra do HRT, primorosamente realizada pelo ent\u00e3o jovem engenheiro Joaquim Ferreira Cambraia, e elaborou o anteprojeto para o Hospital de Base de Bras\u00edlia (HBB) - obra n\u00e3o realizada pelo governo do DF, que optou por \"promover\" o Hospital Distrital a Hospital de Base (ap\u00f3s amplia\u00e7\u00f5es e reformas realizadas por um escrit\u00f3rio sem v\u00ednculo com o autor do projeto original).<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091579016209157908529121057.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>&nbsp;Imagem 03.<\/strong> Trecho do anteprojeto para o HBB - \u00e0 esquerda, 1\u00aa etapa, com embasamento e uma torre de interna\u00e7\u00e3o para 600 leitos; \u00e0 direita, a etapa final, com embasamento ampliado e tr\u00eas torres, totalizando 1.800 leitos - croquis de Jo\u00e3o Filgueiras Lima (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div><br \/><strong>O Sarah\/DF<\/strong><br \/>Na d\u00e9cada dos 1970, inicia exitosa parceria com o m\u00e9dico Aloysio Campos da Paz Jr., ent\u00e3o diretor do Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o Sarah Kubitschek - a princ\u00edpio para a realiza\u00e7\u00e3o do Hospital do Aparelho Locomotor (o Sarah\/DF).<br \/><br \/>Nesta etapa, al\u00e9m do controle que sempre buscou exercer sobre projetos e respectivas obras, Lel\u00e9 coordena tamb\u00e9m o desenho do mobili\u00e1rio fixo e rodante para o hospital, com a parceria do designer Alex Chacon, vinda dos tempos da UnB.<br \/><br \/>Mais adiante, na expans\u00e3o da Rede Sarah de Hospitais, tamb\u00e9m passaria a conduzir projetos para diversos outros componentes dos edif\u00edcios, assumindo amplo e efetivo controle sobre as novas edifica\u00e7\u00f5es: projeto, constru\u00e7\u00e3o, coloniza\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s uso,&nbsp;<br \/>atualiza\u00e7\u00f5es e amplia\u00e7\u00f5es.<br \/><br \/>Feita toda essa contextualiza\u00e7\u00e3o, retorno ao tema: se nos projetos iniciais o desenho da estrutura j\u00e1 incorporava o caminho de algumas instala\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, no Sarah\/DF observamos um sistema construtivo que integra didaticamente estrutura e instala\u00e7\u00f5es.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091462016209146201044158028.png\" \/><\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 04.<\/strong> Sarah\/DF - esquema do sistema estrutural b\u00e1sico com tr\u00e2nsito de instala\u00e7\u00f5es: acima, corte na viga dupla e vista do pilar duplo; abaixo, planta do teto - croquis de Jo\u00e3o Filgueiras Lima (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<p>Neste hospital, lajes de concreto pr\u00e9-fabricadas nervuradas em \"V\" sim\u00e9trico, solidarizadas a vigas duplas ortogonais concretadas no local e sobre pilares tamb\u00e9m duplos, formam o sistema estrutural do embasamento do hospital - este escalonado em tr\u00eas n\u00edveis, para adapta\u00e7\u00e3o ao terreno: 0,00m (do acesso principal); -3,65m; e -7,30m.<br \/><br \/>Na base das nervuras em \"V\", mant\u00e9m a incis\u00e3o para embutimento de canaletas met\u00e1licas por onde correm fia\u00e7\u00f5es e se fixam lumin\u00e1rias ou equipamentos de som e detec\u00e7\u00e3o (solu\u00e7\u00e3o similar \u00e0 testada no Hospital de Taguatinga).<br \/><br \/>No leito superior das lajes nervuradas e das vigas duplas, transitam as instala\u00e7\u00f5es hidrossanit\u00e1rias; e nas \"cavernas\" inferiores das nervuras se encaixam os girodutos de ar-condicionado (onde necess\u00e1rio).<br \/><br \/>Entre os pilares duplos, sobem ou descem tubula\u00e7\u00f5es vindas das vigas duplas e se encaixam quadros de eletricidade ou de voz e dados, estabelecendo o sistema geral e a disciplina para o tr\u00e2nsito das instala\u00e7\u00f5es diversas.<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091461716209146174225607359.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\">&nbsp;<strong>Imagens 05 e 06.<\/strong> Sarah\/DF -lajes nervuradas com canaletas para fia\u00e7\u00f5es; vigas e pilares duplos para passagem de instala\u00e7\u00f5es diversas (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>No bloco vertical, as oito torres (que servem \u00e0 circula\u00e7\u00e3o vertical e aos ambientes sanit\u00e1rios) sustentam vigas Vierendeel que, por sua vez, recebem as mesmas vigas pr\u00e9-fabricadas nervuradas, aqui compondo os seis pavimentos do bloco de Interna\u00e7\u00e3o e resid\u00eancia m\u00e9dica.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091461716209146172026707281.png\" \/><\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 07.<\/strong> Trecho do anteprojeto para o Sarah\/DF - \u00e0 esquerda: lajes nervuradas em \"V\" - com passagens para instala\u00e7\u00f5es hidrossanit\u00e1rias, ar-condicionado, fia\u00e7\u00f5es diversas - comp\u00f5em lajes, \"sheds\", p\u00e9rgulas, jardins suspensos; \u00e0 direita: montagem do bloco vertical de Interna\u00e7\u00e3o - croquis de Jo\u00e3o Filgueiras Lima (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O tr\u00e2nsito vertical das instala\u00e7\u00f5es no bloco de Interna\u00e7\u00e3o \u00e9 feito por \"shafts\" organizados em conjuntos de arm\u00e1rios met\u00e1licos ordenados e visit\u00e1veis, situados nas torres que suportam as vigas Vierendeel, estas posicionadas alternadamente para forma\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/div>\r\n<div>das varandas das enfermarias.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Complementam o sistema: uma casa de m\u00e1quinas para abrigar as unidades \"fan+coil\" do ar-condicionado, ao lado do Centro Cir\u00fargico (n\u00edvel -3,65m); galerias de instala\u00e7\u00f5es (n\u00edvel -7,30m) sob Laborat\u00f3rio e Centro de Imagem; e a galeria principal para distribui\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es (n\u00edvel -10,05m) sob o bloco de Servi\u00e7os Gerais e centrais de instala\u00e7\u00f5es.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A obra foi realizada pelo engenheiro Joaquim Cambraia, o mesmo do HRT, e com igual esmero. Inaugurado em 1980, passou por adapta\u00e7\u00f5es e amplia\u00e7\u00f5es nestes 40 anos, sem transtornos para as atividades rotineiras do hospital. Essa solu\u00e7\u00e3o construtiva foi ainda utilizada com aperfei\u00e7oamentos e pequenas varia\u00e7\u00f5es em outros EAS particulares e p\u00fablicos planejados pelo escrit\u00f3rio Jo\u00e3o Filgueiras Lima.<\/div>\r\n<div><br \/><strong>A rede Sarah de hospitais<\/strong><br \/>O plano para expans\u00e3o da rede Sarah de hospitais foi elaborado por uma equipe ampla e especializada, cujo n\u00facleo era formado pelo m\u00e9dico Aloysio Campos da Paz Jr., o economista Eduardo de Mello Kert\u00e9sz e o arquiteto Jo\u00e3o Filgueiras Lima.<br \/><br \/>Ap\u00f3s o do DF, os pr\u00f3ximos hospitais seriam o da Bahia, em Salvador; o do Maranh\u00e3o, em S\u00e3o Luiz; e o do Paran\u00e1, em Curitiba. Projetados em um inovador sistema pr\u00e9-fabricado leve em argamassa armada, seriam produzidos pela F\u00e1brica de Equipamentos Comunit\u00e1rios (FAEC) da Prefeitura de Salvador, ent\u00e3o coordenada por Lel\u00e9.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091461816209146184408944972.png\" \/><\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 08.<\/strong> Sarah\/BA (1\u00aa vers\u00e3o) - prot\u00f3tipo do sistema industrializado em argamassa armada (na foto, vigas-calhas, telhas, capas de telhas, \"sheds\" e capas de \"sheds\", sem os pilares), produzido pelo CTRS para o projeto original - foto: Haroldo Pinheiro (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Problemas diversos impediram o in\u00edcio das obras em 1988 e o projeto de Salvador s\u00f3 veio a ser retomado em 1991, quando a FAEC j\u00e1 n\u00e3o estava dispon\u00edvel. Sem uma f\u00e1brica para produzir tal volume de pr\u00e9-moldados de argamassa armada, foram estudadas adapta\u00e7\u00f5es do projeto original para outros sistemas construtivos.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O hospital de S\u00e3o Luiz foi adaptado para pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o em concreto armado pelo escrit\u00f3rio de um ex-colaborador local, com anu\u00eancia do autor. O de Salvador foi adaptado pelo meu escrit\u00f3rio, tamb\u00e9m com assentimento do Lel\u00e9; e, neste caso, optamos por uma estrutura met\u00e1lica leve, pass\u00edvel de montagem sobre as galerias subterr\u00e2neas industrializadas em argamassa armada, que tinha 70% das pe\u00e7as fabricadas para o projeto anterior e estavam dispon\u00edveis.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A versatilidade da estrutura met\u00e1lica e sua vincula\u00e7\u00e3o \u00e0s galerias originais tornou efetiva a associa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e econ\u00f4mica entre estrutura e instala\u00e7\u00f5es, como planejadas na proposta original.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O projeto - de planta horizontal, em dois n\u00edveis para adapta\u00e7\u00e3o ao terreno - previa uma ampla rede de galerias sob a edifica\u00e7\u00e3o. Essa quantidade de corredores t\u00e9cnicos foi viabilizada economicamente pelo processo construtivo idealizado por Lel\u00e9: pe\u00e7as em argamassa armada muito leves, com pouco consumo de material (pain\u00e9is com espessura de 2,5cm) e montagem manual.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Afora o processo construtivo, a tripla fun\u00e7\u00e3o planejada para as galerias tamb\u00e9m contribuiu para sua viabiliza\u00e7\u00e3o: (1) como sistema de ventila\u00e7\u00e3o e climatiza\u00e7\u00e3o; (2) como pavimento t\u00e9cnico para instala\u00e7\u00f5es e manuten\u00e7\u00e3o; e (3) como funda\u00e7\u00f5es para a edifica\u00e7\u00e3o.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091579116209157916422590467.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>&nbsp;Imagem 09.<\/strong> Sarah\/BA - sistema de ventila\u00e7\u00e3o natural e for\u00e7ada: abaixo, planta de das galerias (trecho); acima, corte longitudinal na galeria e na estrutura superior com cobertura em \"shed\" - croquis de Jo\u00e3o Filgueiras Lima (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>(1) As galerias s\u00e3o voltadas para os ventos dominantes e disp\u00f5em de exaustores de baixa rota\u00e7\u00e3o acionados automaticamente quando h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o na velocidade da brisa; aspersores d'\u00e1gua em recircula\u00e7\u00e3o servem para a filtragem de part\u00edculas suspensas no ar e para redu\u00e7\u00e3o de sua temperatura; captores em concha dirigem o ar para arm\u00e1rios com difusores que injetam o ar nos ambientes superiores que n\u00e3o exigem controle rigoroso de temperatura; e a tiragem do ar \u00e9 feita pelos \"sheds\", por convec\u00e7\u00e3o e suc\u00e7\u00e3o.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>(2) As instala\u00e7\u00f5es limpas s\u00e3o distribu\u00eddas nos tetos e em uma das laterais da galeria, mantendo passagem livre para pessoal de manuten\u00e7\u00e3o; as instala\u00e7\u00f5es de esgoto sanit\u00e1rio transitam externamente \u00e0 galeria, visit\u00e1veis por janelas laterais fechadas hermeticamente; nos locais em que os ambientes superiores requerem ar-condicionado, s\u00e3o montadas casas de m\u00e1quinas anexas \u00e0s galerias (com os mesmos pain\u00e9is) para abrigo das unidades \"fan+coil\".<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091461816209146182843220.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>&nbsp;Imagem 10.<\/strong> Sarah\/CE - corte transversal na galeria de instala\u00e7\u00f5es\/ventila\u00e7\u00e3o\/funda\u00e7\u00f5es, com nova estrutura met\u00e1lica - croquis: Jo\u00e3o Filgueiras Lima (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>(3) Os tetos das galerias t\u00eam recept\u00e1culos para os pilares tubulares de a\u00e7o (tamb\u00e9m passagens de \u00e1guas pluviais) e os pain\u00e9is verticais laterais s\u00e3o montados sobre \"radier\" corrido.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:1620914620162091462042198391.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 11.<\/strong> Sarah\/BA - rede de galerias, com esperas para montagem dos pilares tubulares - foto: Haroldo Pinheiro (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Dispostas sob os diversos ambientes, as galerias permitem reorganizar as instala\u00e7\u00f5es conforme novas necessidades. As tubula\u00e7\u00f5es diversas sobem pelos vazios das divis\u00f3rias pr\u00e9-fabricadas em argamassa armada (dois pain\u00e9is, com planta em \"U\", contrapostos, com modula\u00e7\u00e3o horizontal de 0,625m) ou por arm\u00e1rios t\u00e9cnicos (eletricidade, voz e dados, hidrantes etc.) que substituem m\u00f3dulos da divis\u00f3ria&nbsp;<\/div>\r\n<div>quando necess\u00e1rio.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091462216209146229855990837.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>&nbsp;Imagem 12.<\/strong> Sarah\/CE - planta das divis\u00f3rias de argamassa armada: espessura do painel = 2,5cm; largura total montada = 25cm - desenho: escrit\u00f3rio Haroldo Pinheiro (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>As fia\u00e7\u00f5es atingem a estrutura met\u00e1lica da cobertura e passam a transitar horizontalmente por canaletas formadas nas vigas duplas de a\u00e7o (em \"U\" enrijecido, deitado) e nas vigotas de amarra\u00e7\u00e3o ortogonais (estas desenhadas em \"U\" enrijecido, justapostas pelas paredes). Lumin\u00e1rias, alto falantes, ventiladores, detectores e outros elementos se acoplam \u00e0s vigas duplas ou \u00e0s vigas de amarra\u00e7\u00e3o.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091462316209146231104795198.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>&nbsp;Imagem 13.<\/strong> Sarah\/BA - montagem das vigas longitudinais duplas e vigotas transversais de amarra\u00e7\u00e3o e travamento - foto: Haroldo Pinheiro (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>As vigas duplas abrigam calhas de a\u00e7o inoxid\u00e1vel para capta\u00e7\u00e3o das \u00e1guas pluviais, que descem pelos pilares tubulares e seguem pelas galerias para reaproveitamento.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091462016209146208289486128.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>&nbsp;Imagem 14.<\/strong> Sarah\/CE - detalhe da viga dupla, canaletas inferiores para fia\u00e7\u00f5es (corte transversal) - desenho: escrit\u00f3rio Haroldo Pinheiro (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Os arcos da cobertura servem para passagem dos dutos de ar-condicionado, sempre que necess\u00e1rio (Centro Cir\u00fargico, Imagenologia, Laborat\u00f3rios, Audit\u00f3rio).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>No restante do hospital, nos ambientes em que n\u00e3o h\u00e1 exig\u00eancia t\u00e9cnica de ar-condicionado, a cobertura fechada \u00e9 substitu\u00edda por \"sheds\" que proporcionam ilumina\u00e7\u00e3o natural e o citado fluxo vertical de ventila\u00e7\u00e3o resfriada, desde as galerias, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 ventila\u00e7\u00e3o cruzada.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:16209146211620914621005489804.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>&nbsp;Imagem 15.<\/strong> Sarah\/BA - vigas duplas com lumin\u00e1rias acopladas, vigas de amarra\u00e7\u00e3o e cobertura em fase de montagem: primeiro plano com \"shed\"; ao fundo, sem \"shed\" (para varandas e locais climatizados) - foto: Haroldo Pinheiro (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o do Sarah\/BA, Lel\u00e9 planejou e implantou o Centro de Tecnologia da Rede Sarah (CTRS), tamb\u00e9m em Salvador, e em vinte anos produziu e montou hospitais e outras edifica\u00e7\u00f5es p\u00fablicas; equipamentos urbanos (passarelas, sistemas de arrimo e conten\u00e7\u00e3o de encostas, mobili\u00e1rio urbano); mobili\u00e1rio hospitalar fixo e rodante; e outros equipamentos para as edifica\u00e7\u00f5es projetadas e realizadas pelo CTRS (elevadores, eclusas, ventiladores\/exaustores, lumin\u00e1rias, alto-falantes, \"brise-soleil\" com movimenta\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, coberturas retr\u00e1teis).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>A solu\u00e7\u00e3o estudada para Salvador, apesar de ter sido uma adapta\u00e7\u00e3o do projeto originalmente projetado para industrializa\u00e7\u00e3o em argamassa armada, funcionou bem e evoluiu, acolhendo varia\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para adapta\u00e7\u00e3o a outras caracter\u00edsticas dos locais de implanta\u00e7\u00e3o, como topografia, dimens\u00f5es dos lotes, condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Foram fabricados hospitais para Belo Horizonte e Fortaleza e amplia\u00e7\u00f5es para o DF, tamb\u00e9m sob coordena\u00e7\u00e3o do meu escrit\u00f3rio, e outros para Bel\u00e9m, Bras\u00edlia\/Lago Norte, Macap\u00e1 e Rio de Janeiro. Foram ainda projetados mais dois no mesmo sistema, para Pernambuco e Rio Grande do Norte, ainda n\u00e3o realizados.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O hospital do Rio de Janeiro (Sarah\/RJ), fabricado pelo CTRS e montado com esmero pela arquiteta Adriana Rabello Filgueiras Lima, foi o \u00faltimo EAS projetado por Lel\u00e9.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:16209146211620914621958385052.png\" \/><\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:162091462216209146228136653262.png\" \/>&nbsp; &nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 16.<\/strong> Sarah\/RJ - vista a\u00e9rea e croquis de Jo\u00e3o Filgueiras Lima (acervo do autor).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>N\u00e3o o incluo na sequ\u00eancia deste breve artigo propositadamente, pois o considero um cap\u00edtulo muito especial e diferenciado na evolu\u00e7\u00e3o da obra de Jo\u00e3o Filgueiras Lima - certamente merece um artigo espec\u00edfico.<\/div>\r\n<div><br \/><strong>Refer\u00eancia<\/strong><br \/>LIMA, Jo\u00e3o Filgueiras. <strong>Arquitetura: uma experi\u00eancia na \u00e1rea da sa\u00fade.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Romano Guerra Editora, 2012. 336p.<br \/><br \/><strong>Sobre o autor<\/strong><br \/>Haroldo Pinheiro Villar de Queiroz, arquiteto pelo Instituto de Artes e Arquitetura da Universidade de Bras\u00edlia (IAA\/UnB, 1980). Colaborador e associado do arquiteto Jo\u00e3o Filgueiras Lima (1976\/2014). Consultor T\u00e9cnico da Associa\u00e7\u00e3o das Pioneiras Sociais \/ Rede Sarah de Hospitais (1988\/98). 1\u00ba colocado no Concurso P\u00fablico de Arquitetura para o Hospital Regional do Guar\u00e1\/DF (1989). Presidente nacional do IAB (2000\/04). Presidente fundador do CAU\/BR (2011\/17).<\/div>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8050","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8050","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}