{"id":8064,"date":"2024-06-12T14:33:47","date_gmt":"2024-06-12T17:33:47","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/uma-reflexao-sobre-o-impacto-da-pandemia-de-covid-19-na-arquitetura-e-no-urbanismo\/"},"modified":"2024-06-27T13:55:19","modified_gmt":"2024-06-27T16:55:19","slug":"uma-reflexao-sobre-o-impacto-da-pandemia-de-covid-19-na-arquitetura-e-no-urbanismo","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/uma-reflexao-sobre-o-impacto-da-pandemia-de-covid-19-na-arquitetura-e-no-urbanismo\/","title":{"rendered":"Uma reflex\u00e3o sobre o impacto da pandemia de Covid-19 na arquitetura e no urbanismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Resumo<\/strong><br \/>O presente artigo tem por objetivo mostrar como o momento de isolamento social, vivido com mais intensidade no ano de 2020, poder\u00e1 mudar os par\u00e2metros das resid\u00eancias no futuro. A metodologia usada foi a de pesquisa explicativa, na qual foram analisados trabalhos que mostram que as plantas baixas das casas, e suas mudan\u00e7as ao longo do tempo, apresentam uma radiografia do contexto econ\u00f4mico-social vivido na \u00e9poca de seu projeto. Os impactos vividos em 2020 devem gerar uma nova demanda, de um novo produto (resid\u00eancia), que ainda n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel no mercado. O estudo coloca em discuss\u00e3o algumas caracter\u00edsticas que os autores acreditam que dever\u00e3o mudar o atual conceito de projeto residencial. Al\u00e9m das mudan\u00e7as do produto, o trabalho exp\u00f5e algumas implica\u00e7\u00f5es sociais, que devem ocorrer devido \u00e0s mudan\u00e7as que a atual pandemia de Covid-19 ir\u00e1 demandar, alterando o contexto urbano atual. Embora considerarmos que a atual crise \u00e9 passageira, observa-se que os transtornos vividos dever\u00e3o deixar marcas e, por isso, conclui-se que as mudan\u00e7as identificadas poder\u00e3o impactar o futuro, implicando em mudan\u00e7as que ser\u00e3o decorrentes do momento vivido durante esta pandemia.<br \/><strong><br \/>Palavras-chave:<\/strong><br \/>Arquitetura p\u00f3s-Covid; casa do futuro; desdobramentos sociais p\u00f3s-Covid; din\u00e2mica urbana.<br \/><br \/>Introdu\u00e7\u00e3o<br \/>A pandemia gerada pela Covid-19, que teve seu in\u00edcio no come\u00e7o de 2020, gerou v\u00e1rios questionamentos sobre sua implica\u00e7\u00e3o na Arquitetura e no Urbanismo. Nos diversos debates realizados ao longo deste ano, se procurou achar uma solu\u00e7\u00e3o para os novos desafios impostos pela referida pandemia \u00e0 humanidade como um todo. Depois do que tem sido vivido, \u00e9 de se acreditar que futuros projetos residenciais n\u00e3o dispensar\u00e3o escrit\u00f3rios para os adultos e lugares mais amplos, onde as crian\u00e7as possam realizar as suas atividades escolares. Considera-se que as casas n\u00e3o ter\u00e3o mais apenas um computador para toda a fam\u00edlia, mas sim um por morador, independentemente de sua idade. Todas estas mudan\u00e7as n\u00e3o se dar\u00e3o apenas de forma estrutural, mas tamb\u00e9m comportamental.<br \/><br \/>Em uma destas mudan\u00e7as, observamos que as fam\u00edlias voltaram a cozinhar em casa, dando destaque ainda maior para o espa\u00e7o da cozinha, algo que j\u00e1 podia ser notado nos \u00faltimos anos, principalmente devido ao conceito de cozinha integrada e pela profus\u00e3o de programas televisivos de culin\u00e1ria. Segundo o site Consumidor Moderno (2020), ao se comparar este mesmo per\u00edodo de 2020 com o ano de 2019, observou-se um aumento de 45% no n\u00famero de seguidores de perfis de cozinheiros nas redes sociais, tal como o \"Panelinha\", da apresentadora Rita Lobo. Observou-se que as pessoas foram literalmente impedidas de sair de casa e obrigadas a cozinhar, aumentando o tempo de conviv\u00eancia, o que tamb\u00e9m implicou uma mudan\u00e7a no comportamento das fam\u00edlias, em que antes se observava que cada membro era uma ilha (Figura 1).&nbsp;<\/p>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164027169716402716977931660679.png\" \/><\/div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1 .<\/strong> Cada membro da fam\u00edlia \u00e9 uma ilha. Fonte: Hoy (2018).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Os pais, agora, s\u00e3o obrigados a auxiliar no desenvolvimento dos filhos e nas atividades escolares destes, em um momento em que o relacionamento entre professor, aluno e pais nunca tenha sido t\u00e3o importante em nossa hist\u00f3ria mais recente. Os professores, de suas casas, al\u00e9m de suas obriga\u00e7\u00f5es familiares, precisam montar verdadeiros est\u00fadios de grava\u00e7\u00e3o, em c\u00f4modos que antes geralmente tinham apenas ilumina\u00e7\u00e3o normal, e foram munidos de l\u00e2mpadas especiais, permitindo que as aulas pudessem ser gravadas ou transmitidas com maior qualidade, ficando acesas mesmo durante o dia.<br \/><br \/>\u00c9 irrefut\u00e1vel que a din\u00e2mica social das pessoas foi afetada durante a pandemia, com impactos profundos em nossa sociedade. Bjarke Ingels (2014 p.1), famoso arquiteto dinamarqu\u00eas, explica como a arquitetura \u00e9 um reflexo da maneira de como se vive: \"A arquitetura \u00e9 a arte e a ci\u00eancia de garantir que nossas cidades e edif\u00edcios se encaixem na maneira como queremos viver nossas vidas: o processo de manifestar\". Assim, considera-se que o momento que a sociedade passa \u00e9 de grande mudan\u00e7a social, a partir do qual, devido \u00e0s necessidades, h\u00e1 de surgir um novo modelo de resid\u00eancia, atendendo \u00e0s novas din\u00e2micas sociais.<br \/><br \/>O objetivo deste artigo \u00e9 colocar em pauta algumas mudan\u00e7as esperadas para os futuros projetos arquitet\u00f4nicos, em especial os projetos residenciais. Essas mudan\u00e7as s\u00e3o baseadas na din\u00e2mica social observada atualmente. Para sustentar os pontos aqui apresentados, foi mostrado de forma breve como, em outros momentos da hist\u00f3ria, a configura\u00e7\u00e3o de uma resid\u00eancia foi reflexo do momento vivido pela sociedade, mais precisamente o per\u00edodo compreendido entre 1980 e 2010. Al\u00e9m de apresentar argumentos para as mudan\u00e7as de projeto, algo concreto e palp\u00e1vel, o presente trabalho traz para o debate quest\u00f5es sociais que devem acontecer caso a sociedade realmente absorva algumas mudan\u00e7as na din\u00e2mica social como algo mais duradouro.<br \/><br \/><strong>Desenvolvimento<\/strong><br \/>Quando a evolu\u00e7\u00e3o das casas ao longo do tempo \u00e9 estudada, \u00e9 poss\u00edvel ver que houve mudan\u00e7as em sua configura\u00e7\u00e3o e \u00e1rea ao longo do tempo. Essas mudan\u00e7as sempre foram reflexo de mudan\u00e7as da sociedade. Isto pode ser verificado pelo trabalho da arquiteta Aline Carolino (2020), que faz uma an\u00e1lise da mudan\u00e7a projetual dos empreendimentos imobili\u00e1rios na cidade de Jo\u00e3o Pessoa, Para\u00edba. Seu trabalho estuda apartamentos com tipologias semelhantes ao longo do per\u00edodo de 1980 a 2016, avaliando todas as plantas de 48 edif\u00edcios, totalizando&nbsp;<\/div>\r\n<div>104 plantas.<br \/><br \/>Em seu trabalho, Carolino (2020) usa tr\u00eas diretrizes para avaliar as resid\u00eancias, sendo dado destaque \u00e0 an\u00e1lise dimensional. Este conceito deriva do que foi apresentado por Fran\u00e7a (2008), no qual relaciona a \u00e1rea total, as \u00e1reas por setores (social, \u00edntimo e servi\u00e7o) com o tamanho do espa\u00e7o mais importante de cada setor. Ao longo do tempo, \u00e9 poss\u00edvel ver que existe uma mudan\u00e7a na participa\u00e7\u00e3o de cada espa\u00e7o no todo da resid\u00eancia, como mostrado no Gr\u00e1fico 1.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:16402719251640271925633758869.png\" \/><\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Gr\u00e1fico 1 .<\/strong> Mudan\u00e7a dos setores de uma resid\u00eancia ao longo dos anos. Fonte: Carolino (2020).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Acerca do Gr\u00e1fico I, Carolino (2020, p.42) ainda afirma:<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>Quando comparados \u00e0 m\u00e9dia da \u00e1rea do setor de cada d\u00e9cada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia da \u00e1rea total dos apartamentos, observou-se que existem varia\u00e7\u00f5es para os projetos com diferentes programas de necessidades, conforme a quantidade de quartos. O que se pode notar \u00e9 que os apartamentos com uma su\u00edte e dois quartos apresentam propor\u00e7\u00f5es maiores na ocupa\u00e7\u00e3o do apartamento ao setor \u00edntimo, passando da m\u00e9dia de 48% em 1980 para at\u00e9 60% em alguns exemplares de 2010 (mesmo com a perda da varanda na su\u00edte). Isso ocorre prioritariamente em detrimento do setor de servi\u00e7o, mas, por vezes, do setor social.<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>Fica evidente que, ao longo dos anos, houve um aumento da \u00e1rea \u00edntima e uma redu\u00e7\u00e3o, principalmente, da \u00e1rea de servi\u00e7o. A tipologia analisada foi a de tr\u00eas quartos com su\u00edte, padr\u00e3o para a classe m\u00e9dia. A pesquisa ainda mostrou que, al\u00e9m da mudan\u00e7a da \u00e1rea em porcentagem, ocorreu uma diminui\u00e7\u00e3o de at\u00e9 30 metros quadrados no total constru\u00eddo. Essa mudan\u00e7a foi al\u00e9m da mudan\u00e7a na \u00e1rea constru\u00edda, atingindo tamb\u00e9m a configura\u00e7\u00e3o. Os primeiros empreendimentos possu\u00edam depend\u00eancias para empregada, com o passar dos anos, esse c\u00f4modo passou a ser um revers\u00edvel e, finalmente, foi extinto.<br \/><br \/>Os anos 2000 marcaram o fim das depend\u00eancias de empregada, e, embora o estudo de Carolino (2020) tenha tido a cidade de Jo\u00e3o Pessoa (PB) como foco, \u00e9 conhecido por todos que essa realidade alcan\u00e7ou todo o Brasil. As mudan\u00e7as nos apartamentos de tr\u00eas quartos foram para apresentar ao consumidor um novo produto, mais de acordo com suas expectativas. A extin\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia de empregada \u00e9 algo com que quase todos podem se identificar. A classe m\u00e9dia, na d\u00e9cada de 80, tinha pelo menos uma ajudante, que dormia na casa de seus empregadores, muitas vezes trabalhando de domingo a domingo. A Constitui\u00e7\u00e3o Federativa do Brasil de 1988 (BRASIL, 1988) mudou arranjos trabalhistas, que mudaram em parte o perfil da sociedade. Aos poucos, este funcion\u00e1rio come\u00e7ou a ir para sua casa aos fins de semana, e n\u00e3o estaria mais \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o 24 horas. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 sustentada pelo fato de, antes da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, as trabalhadoras dom\u00e9sticas n\u00e3o terem lei que as amparassem, principalmente no que diz respeito \u00e0 jornada de trabalho, repouso semanal remunerado, f\u00e9rias e outros direitos at\u00e9 ent\u00e3o distantes da categoria, como afirma Balduino (2018):<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 assegurou aos trabalhadores dom\u00e9sticos direito ao sal\u00e1rio-m\u00ednimo, ao 13\u00ba sal\u00e1rio, \u00e0 irredutibilidade salarial, ao repouso semanal remunerado, \u00e0 licen\u00e7a maternidade de 120 dias, \u00e0s f\u00e9rias + 1\/3, \u00e0 licen\u00e7a paternidade, \u00e0 aposentadoria, ao aviso pr\u00e9vio e \u00e0 previd\u00eancia social. [...] O par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 7\u00ba da CF\/88 foi alterado pela EC 72\/13, que garantiu a esses empregados a jornada de trabalho de 8 horas di\u00e1rias e 44 horas semanais. O empregador que n\u00e3o acatar a norma pagar\u00e1 horas extras com o m\u00ednimo de 50% superior ao valor da hora normal.<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>&nbsp;A idade com que as crian\u00e7as come\u00e7aram a frequentar escolas e creches tamb\u00e9m mudou a din\u00e2mica das casas, dispensando a bab\u00e1, algo comum at\u00e9 ent\u00e3o. As mudan\u00e7as sociais iam moldando as resid\u00eancias.<br \/><br \/>Antes dos anos 2000, os lan\u00e7amentos imobili\u00e1rios eram focados em resid\u00eancias para fam\u00edlias de quatro a cinco integrantes, mas a sociedade estava quebrando alguns paradigmas. Come\u00e7aram a aumentar o n\u00famero de constru\u00e7\u00f5es que tinham como p\u00fablico-alvo fam\u00edlias menores, at\u00e9 mesmo em decorr\u00eancia da diminui\u00e7\u00e3o da taxa de fecundidade (BRASIL.IBGE) (Gr\u00e1fico 2).<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164027192516402719253118121118.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><br \/><strong>Gr\u00e1fico 2 .<\/strong> Taxa de fecundidade - Brasil. Fonte: BRASIL.IBGE (2010).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\">&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;Essa queda ocorreu principalmente pelo avan\u00e7o dos direitos das mulheres, que, em sua maioria, puderam deixar o lar e buscar a realiza\u00e7\u00e3o profissional, se tornando cada vez mais independentes. Al\u00e9m deste fator, ficou cada vez mais comum casais sem filhos, pessoas solteiras e idosos que possu\u00edam necessidades diferentes da fam\u00edlia padr\u00e3o, ou seja, um casal e dois filhos. Essa mudan\u00e7a \u00e9 evidenciada por estudo realizado pelo IBGE, realizado entre os anos de 1995 e 2005 e publicado em 2006, como visto no trecho a seguir:<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>A S\u00edntese dos Indicadores Sociais revela que, entre 1995 e 2005, na regi\u00e3o Sudeste, o percentual de fam\u00edlias formadas por casais com filhos caiu de 56,6% para 48,5%. Fatores, como o crescimento da participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho, podem ter ocasionado mudan\u00e7as na estrutura das fam\u00edlias brasileiras: o n\u00famero das que eram chefiadas por mulheres cresceu 35% no per\u00edodo. Esse aumento vem ocorrendo mesmo nas fam\u00edlias onde h\u00e1 a presen\u00e7a do c\u00f4njuge. A S\u00edntese tamb\u00e9m revelou que, no Brasil, em 2005, havia quase seis milh\u00f5es de pessoas morando sozinhas. (BRASIL, 2006).<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>&nbsp;Essa mudan\u00e7a imobili\u00e1ria n\u00e3o foi imposta pelas construtoras, mas refletiam uma nova din\u00e2mica social. O que ditou essa mudan\u00e7a foram mudan\u00e7as culturais e econ\u00f4micas. Hoje as necessidades tamb\u00e9m est\u00e3o mudando, e assim deve surgir um novo produto, moldado de acordo com os anseios da sociedade.&nbsp;<br \/><br \/>Outra mudan\u00e7a, mais recente, na configura\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis ocorreu devido ao fato de muitas fam\u00edlias n\u00e3o terem mais uma cozinheira, motivado, sobretudo, por fatores econ\u00f4micos. Esta situa\u00e7\u00e3o foi impulsionada pela inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho, uma vez que, mais atarefadas e distantes de seus lares, as pessoas passaram a comer em restaurantes, o que \u00e9 confirmado por Carvalho (2017, p. 484, grifo do autor):<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a expans\u00e3o da ind\u00fastria e do mercado de alimenta\u00e7\u00e3o fora do lar s\u00e3o altera\u00e7\u00f5es substantivas, fomentadas n\u00e3o apenas por avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos na forma de produzir, armazenar, preparar e servir alimentos, mas tamb\u00e9m por quest\u00f5es de car\u00e1ter socioecon\u00f4mico e cultural, como a integra\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de mulheres ao mercado de trabalho e a efetiva separa\u00e7\u00e3o entre os espa\u00e7os laborais e de resid\u00eancia nas grandes cidades. Como observa Garcia (2003), \"em decorr\u00eancia de novas demandas geradas pelo modo de vida urbano, ao comensal \u00e9 imposta a necessidade de reequacionar sua vida segundo as condi\u00e7\u00f5es das quais disp\u00f5e, como tempo, recursos financeiros, locais dispon\u00edveis para se alimentar, local e periodicidade das compras, e outras\".<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>&nbsp;Assim, os membros das fam\u00edlias assumiram esse papel. Apesar de ser uma quebra de paradigma para os mais idosos, e podendo ser de dif\u00edcil aceita\u00e7\u00e3o, a cozinha integrada com a sala \u00e9 algo que muitos casais mais novos t\u00eam procurado. O ato de cozinhar, para muitos, deixou de ser uma obriga\u00e7\u00e3o e passou a ser um momento de conv\u00edvio da fam\u00edlia, ou at\u00e9 algo que faz parte da festa, estar com os amigos e cozinhar, resgatando valores antigos da din\u00e2mica social das fam\u00edlias. A integra\u00e7\u00e3o da cozinha e suas implica\u00e7\u00f5es sociais devem ser entendidas como explica Carvalho (2017, p.1):<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>A comensalidade, desta forma, condensaria os tra\u00e7os da hospitalidade com os de rituais \u00e0 mesa, al\u00e9m de representar uma fonte de prazer a partir do usufruto de companhias agrad\u00e1veis, tendo em vista que o ato de comer em grupo pode assumir dimens\u00f5es psicol\u00f3gicas transcendentes para o indiv\u00edduo e criar, como defendem Lashley, Morrinson e Randall (2005), experi\u00eancias de refei\u00e7\u00e3o \u00fanicas e inesquec\u00edveis.&nbsp;<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>A Covid-19 est\u00e1 trazendo novas necessidades e, com elas, novos desafios. Seria muita imaturidade achar que mudan\u00e7as n\u00e3o trazem efeitos colaterais, por isso, na pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o, foram apresentadas algumas mudan\u00e7as esperadas no produto casa e suas poss\u00edveis consequ\u00eancias.&nbsp;<\/div>\r\n<div><br \/><strong>Os novos desafios<\/strong><br \/>A situa\u00e7\u00e3o atual, de isolamento social devido \u00e0 Covid-19, fez com que algumas din\u00e2micas nos lares fossem alteradas, situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o&nbsp;<\/div>\r\n<div>eram previstas.<br \/><br \/>Hoje, quando se entra em uma casa, normalmente, se passa por uma \u00e1rea social ou \u00edntima, de f\u00e1cil conex\u00e3o com o restante da resid\u00eancia. Devido a quest\u00f5es sanit\u00e1rias, o ideal \u00e9 que se possa ter uma \u00e1rea de higieniza\u00e7\u00e3o antes de entrar na intimidade do lar (Figura 2). Este fato pode fazer com que futuros projetos tenham lavat\u00f3rios e uma \u00e1rea para troca de roupa, antes que se possa entrar em casa.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:16402719261640271926561713573.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><br \/><strong>Figura 2 .<\/strong> \u00c1rea de higieniza\u00e7\u00e3o. Fonte: Metr\u00f3pole (2019).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Grande parte das pessoas est\u00e1 trabalhando de casa, o que talvez seja o mais impactante, afetando tanto as resid\u00eancias quanto os estabelecimentos comerciais. As resid\u00eancias tiveram, em sua maioria, a mesa de jantar transformada em mesa de trabalho, onde cada um, de posse de seu computador, usa parte da mesa.<br \/><br \/>Essa mudan\u00e7a talvez traga transforma\u00e7\u00e3o no design do mobili\u00e1rio, como, por exemplo, mesa de jantar mais baixa, com menos impon\u00eancia, mas trazendo maior conforto para uso prolongado. At\u00e9 ent\u00e3o, era impensado que uma casa com cinco membros poderia ter todos precisando de um espa\u00e7o de escrit\u00f3rio simultaneamente. Somados \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos que est\u00e3o trabalhando em casa (<i>home office<\/i>), os alunos tamb\u00e9m devem ser inseridos neste contexto, pois est\u00e3o impedidos de irem at\u00e9 a escola e precisam de mesa para poder desempenhar suas atividades. Uma vez que todos est\u00e3o no mesmo ambiente, surge o problema: cada um em sua reuni\u00e3o virtual, o pai e a m\u00e3e com suas equipes de trabalho, e os filhos com seus professores, o barulho de tanta conversa \u00e9 insuport\u00e1vel.<br \/><br \/>Os futuros lan\u00e7amentos imobili\u00e1rios, provavelmente, ter\u00e3o quartos com \u00e1rea maior, de forma a poder acomodar cada um em seu pr\u00f3prio; ou haver\u00e1 uma esp\u00e9cie de ambiente onde haver\u00e1 uma grande bancada com divis\u00f3rias, permitindo a cada um exercer sua atividade (Figura 3).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:16402719251640271925828419480.png\" \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><br \/><strong>Figura 3 .<\/strong> \u00c1rea de trabalho coletivo. Fonte: Autor (2017).<\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\">&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>O segundo problema do&nbsp;<i>home office<\/i> \u00e9 que muitas empresas perceberam que o desempenho de seus funcion\u00e1rios n\u00e3o foi afetado pelo fato de estarem trabalhando em casa. Uma pesquisa feita pelo Instituto DataSenado (2020) entrevistou 5.000 pessoas que est\u00e3o trabalhando em casa. De acordo com o instituto, houve um aumento na produtividade de 41%, por parte dos funcion\u00e1rios, e de 38% da empresa como um todo. Estes dados s\u00e3o coerentes com Nascimento (2020, p .4), que, em sua pesquisa, determinou um aumento entre 15% e 30% de produtividade. Este fato est\u00e1 fazendo com que muitas empresas estejam repensando&nbsp; seu modelo de trabalho. Segundo a Revista InfoMoney (2020), o Banco do Brasil ir\u00e1 dispensar 19 dos 35 edif\u00edcios de escrit\u00f3rios pelo pa\u00eds. Uma vez que outras empresas adotem este exemplo, \u00e9 f\u00e1cil imaginar centros urbanos esvaziados. Este fato trar\u00e1 tanto vantagens como desvantagens. O primeiro impacto que se pode imaginar \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o do tr\u00e2nsito dos grandes centros urbanos, o que pode vir a contribuir muito para a melhora da qualidade do ar, bem como para a diminui\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o sonora. Assim, Maia (2020, p. 1) traz alguns benef\u00edcios que o isolamento provocado pela pandemia trouxe para o meio ambiente, como \u00e9 visto no trecho:<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>Diminui\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica em grandes cidades, \u00e1guas mais limpas, passagem incomum de animais silvestres em centros urbanos, praias vazias com tartarugas desovando em massa. Essas e outras consequ\u00eancias da redu\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o humana e o seu impacto no meio ambiente t\u00eam sido noticiadas durante a pandemia e s\u00e3o importantes para reflex\u00f5es sobre as quest\u00f5es ambientais no planeta. [...] Pela primeira vez em cerca de 80 anos, a montanha Dhauladhar, que faz parte da cordilheira do Himalaia, p\u00f4de ser avistada novamente na \u00cdndia. Esse fen\u00f4meno ocorreu devido \u00e0 queda da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica pela diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o nas f\u00e1bricas e o tr\u00e2nsito reduzido na quarentena. Na China, essa redu\u00e7\u00e3o chegou a 25% desde o in\u00edcio da pandemia, sendo que o isolamento social no pa\u00eds pode ter salvo entre 50 e 75 mil pessoas da morte devido \u00e0 polui\u00e7\u00e3o, de acordo com a Universidade Stanford.<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>A primeira desvantagem seria o abandono dos pr\u00e9dios comerciais (Figura 4), que, caso n\u00e3o seja feito algo, tornar\u00e1 esses lugares propensos a invas\u00f5es e crimes. Ser\u00e1 necess\u00e1rio mudan\u00e7as nos Planos Diretores das cidades, de forma a permitir mudan\u00e7a nas atividades naquele setor, como a mudan\u00e7a de um pr\u00e9dio comercial para um de uso misto, permitindo a moradia. Isso seria interessante sobretudo do ponto de vista da seguran\u00e7a p\u00fablica, fazendo com que um setor da cidade fosse ocupado n\u00e3o apenas no hor\u00e1rio comercial.&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164027192716402719271073672965.png\" \/><\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><br \/><strong>Figura 4 .<\/strong> Edif\u00edcio abandonado e invadido no centro de S\u00e3o Paulo. Fonte: Exarte (2019).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\">&nbsp;<\/div>\r\n<div>A segunda desvantagem seria que, com a diminui\u00e7\u00e3o dos estabelecimentos comerciais, haveria uma diminui\u00e7\u00e3o na oferta de empregos que requerem menor qualifica\u00e7\u00e3o, como vigilantes, manuten\u00e7\u00e3o, limpeza, copeira, secret\u00e1rias e tantos outros. Essa diminui\u00e7\u00e3o na oferta poderia trazer grandes problemas sociais, dos quais ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dimensionar o impacto.<br \/><br \/>O ritmo acelerado das cidades e as longas jornadas de trabalho fizeram com que o almo\u00e7o, momento no passado de suma import\u00e2ncia para a fam\u00edlia, fosse abandonado, como j\u00e1 mostrado no trecho acima de Carvalho (2017, p.1). A grande verdade \u00e9 que a grande maioria das pessoas raramente tinha a oportunidade de almo\u00e7ar em casa e, aos poucos, esse evento foi perdendo import\u00e2ncia na din\u00e2mica familiar. Muitos passaram a depender quase que exclusivamente de servi\u00e7os de entrega e de comidas prontas. O isolamento social fez com que fam\u00edlias, antes distantes neste hor\u00e1rio, passassem a retomar este evento como um h\u00e1bito familiar. Movidos pela necessidade, muitas vezes at\u00e9 financeira, muitos que raramente se aventuravam na cozinha passaram a preparar o pr\u00f3prio alimento diariamente. O aumento das pessoas que passaram a cozinhar n\u00e3o foi a \u00fanica mudan\u00e7a, mas a pandemia trouxe v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es sociais no h\u00e1bito alimentar, algo que tem sido estudado em v\u00e1rias frentes, como vemos no trecho de Ferreira (2020):<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>Na pandemia, tudo mudou de lugar para dar espa\u00e7o a um novo modo de vida. A forma de se alimentar n\u00e3o ficou isenta do impacto do isolamento social. Uma pesquisa feita na USP avaliou como as mulheres brasileiras, de diferentes classes sociais e estados nutricionais, vivenciaram esse momento, afetado por aspectos psicol\u00f3gicos em rela\u00e7\u00e3o aos seus h\u00e1bitos e escolhas alimentares. Os dados mostram que elas cozinharam mais, diminu\u00edram as idas aos supermercados e usaram mais servi\u00e7os de entregas (<i>delivery<\/i>).&nbsp;<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>Devido ao fato de todos estarem em casa o tempo todo, essa tarefa passou a ser compartilhada, diferentemente da \u00e9poca dos nossos av\u00f3s, quando, principalmente, as mulheres tinham a cozinha por obriga\u00e7\u00e3o. Agora, as fam\u00edlias ocupam essa tarefa, trazendo a necessidade de maiores espa\u00e7os no futuro. O conceito aberto ou de cozinha americana (Figura 5) deve se consolidar no mercado imobili\u00e1rio.&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164027192616402719262089320576.png\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><br \/><strong>Figura 5 .<\/strong> Cozinha integrada. Fonte: VivaDecora (2020).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Assim como o&nbsp;<i>home office<\/i>, acreditamos que este novo conceito imposto de alimenta\u00e7\u00e3o deve tamb\u00e9m trazer um aumento de desemprego&nbsp;<\/div>\r\n<div>para pessoas que trabalhavam como dom\u00e9sticas e cozinheiras. As fam\u00edlias t\u00eam buscado restringir o acesso de outras pessoas aos seus lares, dispensando muitas funcion\u00e1rias. Uma vez que estes profissionais n\u00e3o sejam mais indispens\u00e1veis, \u00e9 o nosso entendimento que muitos lares os dispensem.&nbsp;<br \/><br \/>Dentre os espa\u00e7os de uma resid\u00eancia, talvez este setor seja considerado o de menor import\u00e2ncia, como aponta Carolino (2020, p.11, grifos do autor) no trecho:<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>No setor de servi\u00e7o, os apartamentos at\u00e9 os anos 1990, em sua maioria, apresentam programas que contam com cozinha, \u00e1rea de servi\u00e7o, depend\u00eancia de empregada e banheiro de servi\u00e7o, assim como encontrado nos apartamentos em Macei\u00f3, AL, por Lima e Toledo (2018). A partir dos anos 2000, na amostra estudada, esse setor passa a ser diminu\u00eddo quanto ao seu programa de modo mais expressivo. Essa d\u00e9cada apresenta, em sua maioria, apenas os ambientes indispens\u00e1veis a ele,&nbsp;<\/div>\r\n<div>que s\u00e3o \"cozinha\" e \"servi\u00e7o\" - este \u00faltimo muitas vezes diminu\u00eddo \u00e0 m\u00ednima \u00e1rea poss\u00edvel, por vezes apenas o espa\u00e7o de um tanque.<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>Foi justamente a cozinha que, em meio a esta crise, passou a desempenhar papel principal. Este espa\u00e7o pode ser dividido em duas partes, a de limpeza e a de despensa. <br \/><br \/>Apesar do isolamento social vivido, dificilmente algu\u00e9m possui condi\u00e7\u00e3o de passar mais de um m\u00eas sem sair de casa. Acontece que, ap\u00f3s essas sa\u00eddas, o ideal \u00e9 que tudo seja descontaminado, fazendo da \u00e1rea de servi\u00e7o um lugar importante. A verdade \u00e9 que, mesmo em empreendimentos voltados para a classe m\u00e9dia, este espa\u00e7o \u00e9 limitado pelo m\u00ednimo necess\u00e1rio para que caiba um tanque e uma m\u00e1quina de lavar. Em nossa avalia\u00e7\u00e3o, isso tem se provado insuficiente, principalmente para aqueles que foram obrigados a manter sua rotina de trabalho fora de casa. Hoje, existe muito mais rigor com a higiene das roupas, aumentando o fluxo na lavanderia, para a qual n\u00e3o deve ser contabilizado apenas o espa\u00e7o para a m\u00e1quina e o tanque, mas o espa\u00e7o para secar e armazenar, com separa\u00e7\u00e3o eficaz, as roupas limpas e as sujas. Este local, at\u00e9 mesmo por n\u00e3o haver mais a presen\u00e7a da empregada dom\u00e9stica da forma como ocorria no passado, foi o que sofreu a maior redu\u00e7\u00e3o. A aus\u00eancia da empregada dom\u00e9stica nos lares, apesar de muito mais comum atualmente, vem sendo amadurecida na mente dos arquitetos desde a d\u00e9cada de 40, como mostra Homem (2003, p.19):<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>Verificaremos que, pela primeira vez em S\u00e3o Paulo, se pensava a cozinha como um todo org\u00e2nico, o qual, aliado \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do equipamento dom\u00e9stico, provocaria not\u00e1veis modifica\u00e7\u00f5es no tocante \u00e0s grandes \u00e1reas de atividades da cozinha. Seja como for, a distribui\u00e7\u00e3o da cozinha ligada \u00e0 vertente norte-americana n\u00e3o era uma desconhecida, como vimos acima. Por outro lado, mais afins com a arquitetura europeia, os arquitetos modernos, que come\u00e7aram a trabalhar nas d\u00e9cadas de 30 e 40, eram conscientes quanto \u00e0 necessidade de organizar-se a cozinha no sentido de possibilitar \u00e0s usu\u00e1rias e aos usu\u00e1rios a economia de passos e energia, mesmo porque, a dificuldade de contar-se com a empregada dom\u00e9stica era cada vez maior. Mas, agora, se tratava da vulgariza\u00e7\u00e3o da cozinha moderna, na depend\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o de eletrodom\u00e9sticos e de&nbsp;<\/div>\r\n<div>utens\u00edlios afins.<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>A verdade, em nosso ponto de vista,&nbsp; \u00e9 que a sociedade est\u00e1 em processo de aprendizado, e uma das preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 como evitar sair de casa. O principal motivo que nos leva a sair de casa ainda \u00e9 a necessidade de alimentos, por isso a despensa deve tornar a ter sua import\u00e2ncia. At\u00e9 pouco tempo, muitos haviam se acostumado a fazer compras semanais, conforme a necessidade, mas nem sempre foi assim. No passado, durante a hiperinfla\u00e7\u00e3o, a pr\u00e1tica era estocar, assim, o preju\u00edzo financeiro seria menor. Acerca deste per\u00edodo, Rossi (2013) explica:<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>No Brasil, a hiperinfla\u00e7\u00e3o ocorreu nos anos 80 e in\u00edcio dos anos 90, quando a infla\u00e7\u00e3o galopante chegou a superar os 80% ao m\u00eas - sim, ao m\u00eas. Ou seja, o mesmo produto chegava a quase dobrar de pre\u00e7o de um m\u00eas para o outro. Dados da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe) mostram que, entre 1980 e 1989, a infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia no pa\u00eds foi de 233,5% ao ano. Na d\u00e9cada seguinte, entre os anos de 1990 e 1999, a varia\u00e7\u00e3o anual subiu para 499,2%.<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>Com o fim deste per\u00edodo, as despensas foram diminuindo sua participa\u00e7\u00e3o na metragem de uma casa. Hoje em dia, muitos apartamentos possuem apenas um arm\u00e1rio para guardar alimentos, e muitas pessoas desejam ter mais espa\u00e7o. Os projetos do futuro devem aumentar este espa\u00e7o t\u00e3o negligenciado at\u00e9 pouco tempo. <br \/><br \/>O esvaziamento dos centros urbanos talvez seja a maior preocupa\u00e7\u00e3o para os urbanistas. O Brasil foi fortemente influenciado pelo Modernismo, assim, muitas de nossas capitais possuem setores comerciais com zoneamento espec\u00edfico. Uma vez que a ocupa\u00e7\u00e3o destes locais diminua, ser\u00e1 poss\u00edvel haver pr\u00e9dios totalmente vazios, o abandono ser\u00e1 a pr\u00f3xima etapa.&nbsp;<br \/><br \/>O abandono de um pr\u00e9dio, ou at\u00e9 de um conjunto todo, implica v\u00e1rias mazelas sociais. \u00c0 medida que um lugar \u00e9 abandonado, passa a ser descuidado, e logo haver\u00e1 a deteriora\u00e7\u00e3o daquele patrim\u00f4nio. Segundo a Teoria das Janelas Quebradas, desenvolvida por James Wilson e George Kelling (1969), como explica Ortega (2016, s.p.):<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>Os autores da teoria defendiam que, se uma janela de uma f\u00e1brica fosse quebrada e n\u00e3o fosse de imediato realizado seu conserto, as pessoas que passassem pelo local presumiriam que ningu\u00e9m se importava com aquilo e que, naquela regi\u00e3o, n\u00e3o havia autoridade respons\u00e1vel por punir os respons\u00e1veis pela atitude danosa. Em pouco tempo, outras pessoas come\u00e7ariam a atirar pedras para quebrar as demais janelas.<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>A Teoria nos mostra que os pr\u00e9dios abandonados logo seriam locais prop\u00edcios a atividades il\u00edcitas. Al\u00e9m da criminalidade, o local poder\u00e1 ser um atrativo para invas\u00f5es de movimentos, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto), sendo os pr\u00e9dios abandonados nos centros urbanos o principal foco deste movimento, como demonstra Ramos (2009) em sua disserta\u00e7\u00e3o intitulada: \"A guerra dos lugares nas ocupa\u00e7\u00f5es de edif\u00edcios abandonados de S\u00e3o Paulo\". Hoje, existe no Brasil um exemplo de uma regi\u00e3o que se encontra nesta situa\u00e7\u00e3o: a Cracol\u00e2ndia, no centro da cidade de S\u00e3o Paulo. O ideal \u00e9 que os governos estaduais monitorem esta situa\u00e7\u00e3o e desenvolvam planos urban\u00edsticos para estes centros, podendo at\u00e9 mesmo readequar pr\u00e9dios comerciais para servirem como resid\u00eancias, voltadas muitas vezes para a popula\u00e7\u00e3o de&nbsp;<\/div>\r\n<div>baixa renda. <br \/><br \/>Ao trazer o morador de baixa renda, que geralmente mora muito distante da cidade, para o centro, ser\u00e1 evitado o abandono do local. Muito al\u00e9m de apenas novos pr\u00e9dios residenciais, haver\u00e1 a revitaliza\u00e7\u00e3o dos centros. N\u00e3o uma revitaliza\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, como existem muitas em nosso pa\u00eds, mas uma revitaliza\u00e7\u00e3o humana.&nbsp;<br \/><br \/><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><br \/>A primeira coisa que devemos entender \u00e9 que o mercado imobili\u00e1rio, apesar de pouco se importar com quest\u00f5es sociais, por uma&nbsp;<\/div>\r\n<div>quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, ir\u00e1 agir conforme os anseios do mercado. Os novos desafios para as futuras moradias aqui propostos ir\u00e3o se tornar realidade \u00e0 medida que houver uma demanda no mercado, ou que isso se torne um \"facilitador\" de vendas, que traga vantagens comerciais para as construtoras.&nbsp;<br \/><br \/>Ao compararmos os empreendimentos da d\u00e9cada de 80 com os atuais, vimos que houve a diminui\u00e7\u00e3o da \u00e1rea total constru\u00edda. Com isso em mente, acreditamos que, dificilmente, os im\u00f3veis ir\u00e3o aumentar a sua \u00e1rea, mas, provavelmente, outras partes ser\u00e3o sacrificadas para que estes novos ambientes possam ser oferecidos. Na verdade, somos v\u00edtimas de um sistema que avalia um im\u00f3vel por metragem, e n\u00e3o por qualidade. Isso pode ser comprovado quando analisamos o c\u00f3digo de obras de qualquer cidade brasileira e notamos que ali est\u00e3o estabelecidos metragens, aberturas e acabamentos m\u00ednimos para que uma obra seja aprovada. Buscando evitar a cita\u00e7\u00e3o de todos os c\u00f3digos de todas as unidades federativas do Brasil, deixamos o C\u00f3digo de Obras do Distrito Federal para aqueles que quiserem verificar (Secretaria de Estado e Desenvolvimento Urbano e Habita\u00e7\u00e3o, C\u00f3digos de Obras do Distrito Federal, 2015). Al\u00e9m do C\u00f3digo de Obras, a condicionante para que a constru\u00e7\u00e3o de um im\u00f3vel seja financiada pela Caixa Econ\u00f4mica Federal - banco p\u00fablico-privado usado para fomentar o mercado imobili\u00e1rio como pol\u00edtica de estado -, por meio do seu Caderno de Orienta\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas (2019), , trata muito mais das quest\u00f5es m\u00ednimas do que da qualidade. Uma vez que a \u00e1rea fosse aumentada, mesmo que isso trouxesse pouco impacto financeiro \u00e0 construtora, o efeito para o comprador seria substancial.&nbsp;&nbsp;<br \/><br \/>As implica\u00e7\u00f5es nas cidades talvez sejam as mais observadas hoje. O fato de ruas, parques, escolas, restaurantes e tantos outros lugares estarem vazios \u00e9&nbsp; dificilmente impercept\u00edvel. Talvez um dos fatores mais estranhos seja n\u00e3o ouvir o barulho de crian\u00e7as em parquinhos, escolas ou at\u00e9 mesmo brincando na rua. Por um lado, o isolamento social uniu mais as fam\u00edlias, mas praticamente extinguiu o conv\u00edvio social. O urbanista ter\u00e1 novos desafios; buscar entender a nova din\u00e2mica social ser\u00e1 complexo e trar\u00e1 muitos obst\u00e1culos.&nbsp;<br \/><br \/>As escolas, o com\u00e9rcio e os escrit\u00f3rios est\u00e3o acumulando poeira, e provavelmente muitos continuar\u00e3o fechados, mesmo ap\u00f3s a libera\u00e7\u00e3o das atividades. Alguns permanecer\u00e3o fechados devido a fatores financeiros, outros, por receio de que ainda possa surgir uma segunda onda. A verdade \u00e9 que ningu\u00e9m pode afirmar o que ir\u00e1 acontecer com as cidades. A cidade descrita pela Carta de Athenas (1933), dispon\u00edvel no site do IPHAN (BRASIL.IPHAN, 2019), que seria setorizada, cada parte desempenhando sua fun\u00e7\u00e3o como uma m\u00e1quina, talvez seja algo que ficar\u00e1 para os livros de hist\u00f3ria.&nbsp;<br \/><br \/>Apesar de os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos terem sido essenciais para que a vida n\u00e3o parasse em meio a esta pandemia, eles tamb\u00e9m ser\u00e3o o motivo de mudan\u00e7as irrevers\u00edveis em nossa sociedade. Assim como mencionado anteriormente sobre o Banco do Brasil desocupar 19 pr\u00e9dios (InfoMoney, 2020), outras empresas seguir\u00e3o este caminho. Existem mudan\u00e7as que aconteceram devido \u00e0 Covid-19, mas que n\u00e3o devem retornar ao&nbsp; estado anterior. As implica\u00e7\u00f5es que isso trar\u00e1 para as cidades s\u00f3 era visto em obras de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<br \/><br \/>O futuro das cidades e as implica\u00e7\u00f5es deste per\u00edodo de isolamento ser\u00e3o objeto de estudo de v\u00e1rios profissionais, como soci\u00f3logos, psiquiatras e urbanistas. No atual momento, apenas \u00e9 poss\u00edvel tentar prever situa\u00e7\u00f5es hipot\u00e9ticas e estar preparado caso a situa\u00e7\u00e3o se apresente. N\u00e3o \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o do autor ser alarmista ou pessimista, mas prever o maior n\u00famero de situa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis e, assim, tentar estar preparado para o futuro, diminuindo o impacto das mudan\u00e7as.&nbsp;<br \/><br \/><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BALDUINO, D. Empregados dom\u00e9sticos: uma an\u00e1lise da discrimina\u00e7\u00e3o legal em face do princ\u00edpio constitucional da igualdade.&nbsp;<b>Jusbrasil<\/b>. 2018. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/jus.com.br\/artigos\/67289\/empregados-domesticos-uma-analise-da-discriminacao-legal-em-face-do-principio-constitucional-da-igualdade. Acesso em 11 out., 2021.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BRASIL.&nbsp;<b>Constitui\u00e7\u00e3o Federativa do Brasil de 1988<\/b>. Bras\u00edlia: Planalto, 1988.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BRASIL.IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica.&nbsp;<b>Fecundidade<\/b>&nbsp;- S\u00e9rie hist\u00f3rica. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/cnae.ibge.gov.br\/en\/component\/content\/article\/95-7a12\/7a12-vamos-conhecer-o-brasil\/nosso-povo\/1472-nupcialidade-e-fecundidade.html?Itemid=6160#:~:text=%20ou%20separados%20judicialmente-,Fecundidade,dois%2C%20tr%C3%AAs%20ou%20mais%20filhos.&nbsp;Acesso em 12 jul., 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BRASIL.IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica.&nbsp;<b>IBGE detecta mudan\u00e7as na fam\u00edlia brasileira (2006).<\/b>&nbsp;Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/censo2010.ibge.gov.br\/noticias-censo.html?view=noticia&amp;id=1&amp;idnoticia=774&amp;busca=1&amp;t=ibge-detecta-mudancas-familia-brasileira.Acesso em 11 out., 2021.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BRASIL.IPHAN. Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional.&nbsp;<b>Carta de Atenas<\/b>. Carta de Atenas, 1933. Dispon\u00edvel em&nbsp;&nbsp;http:\/\/portal.iphan.gov.br\/uploads\/ckfinder\/arquivos\/Carta%20de%20Atenas%201931.pdf.&nbsp;Acesso em 12 jul., 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BRASIL.DATASENADO, Senado Federal do Brasil.&nbsp;<b>Pandemia aumenta o n\u00famero de brasileiros com experi\u00eancia em teletrabalho (2020)<\/b>. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/www12.senado.leg.br\/institucional\/datasenado\/publicacaodatasenado?id=pandemia-aumenta-o-numero-de-brasileiros-com-experiencia-em-teletrabalho.&nbsp;Acesso em 15 out., 2021.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>CAIXA ECON\u00d4MICA FEDERAL.&nbsp;<b>Caderno de Orienta\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas<\/b>. 2015. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/www.cauce.gov.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/COT_FinancImobPF_v018.pdf.&nbsp;Acesso em 17 out., 2021.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>CAROLINO, A. An\u00e1lise de plantas de apartamentos em Jo\u00e3o Pessoa, PB (1980-2016): renova\u00e7\u00f5es e reprodu\u00e7\u00f5es nos arranjos espaciais. In: S<b>imp\u00f3sio Brasileiro de Qualidade de Projeto no Ambiente Constru\u00eddo<\/b>, vol. 20, no. 3. 2020. Porto Alegre. Dispon\u00edvel em&nbsp; &nbsp;https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1678-86212020000300031&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt.&nbsp;Acesso em 12 jul., 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>CONSUMIDOR MODERNO.&nbsp;<b>A quarentena e o movimento de cozinhar em casa<\/b>. 2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/www.consumidormoderno.com.br\/2020\/05\/15\/quarentena-cozinhar.&nbsp;Acesso em 12 jul., 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>EXARTE.<b>&nbsp;Pr\u00e9dio invadido no centro de S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/b>2019. Dispon\u00edvel em&nbsp;&nbsp;https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Moradia_no_Centro.jpg.&nbsp;Acesso em 12 jul., 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>FERREIRA, I.&nbsp;<b>Brasileiras passaram a cozinhar mais e abandonaram dietas na pandemia.<\/b>&nbsp;2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/brasileiras-passaram-a-cozinhar-mais-e-abandonaram-dietas-na-pandemia\/. Acesso em 13 out., 2021.&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>CARVALHO, L.&nbsp;<b>Comensalidade na fam\u00edlia nuclear paulistana<\/b>: 1950 a 2000. 2016. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/www.redalyc.org\/journal\/4735\/473548636029\/html\/. Acesso em 14 out., 2021.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>HOMEM, M.&nbsp;<b>O princ\u00edpio da racionalidade e a g\u00eanese da cozinha moderna<\/b>. 2003. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/www.revistas.usp.br\/posfau\/article\/view\/47751\/51479.&nbsp;Acesso em 14 out., 2021.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>HOY.&nbsp;<b>A amea\u00e7a que est\u00e1 em (quase) todas as fam\u00edlias<\/b>. 2018. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/www.hoylosangeles.com\/vidayestilo\/familia\/efe-3570923-14014814-20180402-story.html&nbsp;&nbsp;Acesso em 12 jul., 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>INFOMONEY.&nbsp;<b>Com&nbsp;<i>home office<\/i>, Banco do Brasil vai devolver 19 de 35 edif\u00edcios de escrit\u00f3rio no pa\u00eds.<\/b>&nbsp;2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/www.infomoney.com.br\/negocios\/com-home-office-banco-do-brasil-vai-devolver-19-de-35-edificios-de-escritorios-no-pais\/&nbsp;&nbsp;Acesso em 12 jul., 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>INGELS, B. Bjarke Ingels in ArchDaily.&nbsp;<b>AD Interviews.<\/b>&nbsp;2014. Dispon\u00edvel em&nbsp;&nbsp;https:\/\/www.archdaily.com\/477737\/ad-interviews-bjarke-ingels-big&nbsp;&nbsp;Acesso em 12 jul., 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>MAIA, C.&nbsp;<b>Isolamento social muda a din\u00e2mica do meio ambiente durante a pandemia<\/b>. 2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/www.comciencia.br\/isolamento-social-muda-a-dinamica-do-meio-ambiente-durante-a-pandemia\/&nbsp;&nbsp;Acesso em 18 out., 2021.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>METROPOLES. Mud Room. 2019. Dispon\u00edvel em&nbsp;http:\/\/metropolerevista.com.br\/casa-e-decoracao\/mud-room\/16813&nbsp;Acesso em 12 jul., 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>NASCIMENTO, A.&nbsp;<b><i>HOME OFFICE<\/i><\/b>: pr\u00e1tica de trabalho promovida pela pandemia de Covid-19. 2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/www.aedb.br\/seget\/arquivos\/artigos20\/6930120.pdf&nbsp;Acesso em 15 out., 2021.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>ORTEGA, F. Em que consiste a Teoria das Janelas Quebradas?&nbsp;<b>Jusbrasil<\/b>. 2016. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/draflaviaortega.jusbrasil.com.br\/noticias\/381710932\/o-que-consiste-a-teoria-das-janelas-quebradas&nbsp;Acesso em 12 jul., 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>RAMOS, D.&nbsp;<b>A guerra dos lugares nas ocupa\u00e7\u00f5es de edif\u00edcios abandonados do centro de S\u00e3o Paulo<\/b>. Disserta\u00e7\u00e3o - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo p.148. 2009. Dispon\u00edvel em&nbsp;ttps:\/\/teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/16\/16139\/tde-12082010-131844\/publico\/dissertacao_Diana_HELENE.pdf&nbsp;Acesso em 18 out., 2021.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>ROSSI, P.&nbsp;<b>Como o Brasil chegou \u00e0 hiperinfla\u00e7\u00e3o<\/b>. 2015. Dispon\u00edvel em&nbsp;http:\/\/g1.globo.com\/economia\/inflacao-como-os-governos-controlam\/platb\/category\/sem-categoria\/#:~:text=No%20Brasil%2C%20a%20hiperinfla%C3%A7%C3%A3o%20ocorreu,um%20m%C3%AAs%20para%20o%20outro.&amp;text=Foram%20cerca%20de%2015%20anos,d%C3%ADgitos%20e%20de%20corre%C3%A7%C3%A3o%20monet%C3%A1ria&nbsp; Acesso em 18 out., 2021,<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>DF - SECRETARIA DE ESTADO E DESENVOLVIMENTO URBANO E HABITA\u00c7\u00c3O.&nbsp;<b>C\u00f3digo de Obras do Distrito Federal.<\/b>&nbsp;2015. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/www.seduh.df.gov.br\/codigo-de-obras\/&nbsp;Acesso em 17 out., 2021.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>VIVADECORA.&nbsp;<b>Cozinha Americana Pequena<\/b>. 2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/www.vivadecora.com.br\/revista\/cozinha-americana-pequena\/&nbsp;Acesso em 12 jul., 2020.<\/div>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8064","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8064","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}