{"id":8065,"date":"2024-06-12T14:36:44","date_gmt":"2024-06-12T17:36:44","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/como-a-sintaxe-espacial-pode-ajudar-a-mitigar-o-efeito-de-futuras-pandemias-no-brasil\/"},"modified":"2024-06-27T13:42:13","modified_gmt":"2024-06-27T16:42:13","slug":"como-a-sintaxe-espacial-pode-ajudar-a-mitigar-o-efeito-de-futuras-pandemias-no-brasil","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/como-a-sintaxe-espacial-pode-ajudar-a-mitigar-o-efeito-de-futuras-pandemias-no-brasil\/","title":{"rendered":"Como a sintaxe espacial pode ajudar a mitigar o efeito de futuras pandemias no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Resumo<\/strong><br \/>O estudo teve por objetivo principal estabelecer a rela\u00e7\u00e3o entre a dissemina\u00e7\u00e3o da Covid-19, no Brasil, e as rodovias federais. A sintaxe espacial, campo de estudo do urbanismo, foi usada para analisar o espa\u00e7o e sua rela\u00e7\u00e3o com as pessoas, sendo o n\u00edvel de integra\u00e7\u00e3o das vias o fator dominante. Nesta pesquisa, o n\u00edvel de integra\u00e7\u00e3o das rodovias foi aliado ao mapa de densidade de infectados com o v\u00edrus, assim permitindo analisar a rela\u00e7\u00e3o entre os dois. O desenvolvimento deste trabalho se deu pelo estudo de caso ao longo dos meses de janeiro, fevereiro e mar\u00e7o do ano de 2020, no Brasil. O estudo foi feito de forma horizontal, pois apenas a repeti\u00e7\u00e3o dos fatos poderia confirmar ou n\u00e3o um padr\u00e3o de comportamento. O n\u00famero de infectados e as caracter\u00edsticas espaciais foram considerados como dados prim\u00e1rios, e a sobreposi\u00e7\u00e3o destes permitiu estabelecer a rela\u00e7\u00e3o entre as partes. O estudo constatou que as regi\u00f5es mais atingidas foram as que contam com rodovias mais integradas. As diretrizes propostas visam \u00e0 otimiza\u00e7\u00e3o dos recursos humanos e econ\u00f4micos.<br \/><strong><br \/>Palavras-chave:<\/strong><br \/>Sintaxe espacial; Covid-19; estrat\u00e9gias contra a pandemia; rodovias federais; isolamento preventivo.<br \/><br \/><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>O primeiro semestre do ano de 2020 estar\u00e1 para sempre marcado na hist\u00f3ria: a primeira pandemia da era digital. Nunca foi dada tanta import\u00e2ncia \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do georreferenciamento e tecnologia, que permitem saber a exata localiza\u00e7\u00e3o de um evento, tendo todo seu esfor\u00e7o voltado para a Covid-19. Saber onde tudo come\u00e7ou e como \u00e9 o seu padr\u00e3o de dispers\u00e3o s\u00e3o not\u00edcias frequentes nos jornais. Talvez a maior d\u00favida seja como se pode eliminar o coronav\u00edrus, e aqui cabe ressaltar que o esfor\u00e7o \u00e9 multidisciplinar, mas, independentemente do campo de estudo, existem duas abordagens principais: a preven\u00e7\u00e3o e o combate.<br \/><br \/>O combate n\u00e3o tem sido feito apenas por aqueles que est\u00e3o no dia a dia lidando com o problema na linha de frente, sendo necess\u00e1rio ressaltar os atos heroicos dos profissionais de sa\u00fade, mas tamb\u00e9m por aqueles que t\u00eam feito sua contribui\u00e7\u00e3o de dentro de seus laborat\u00f3rios, por meio de pesquisas que permitem o melhor entendimento deste fen\u00f4meno e a compreens\u00e3o da doen\u00e7a. A situa\u00e7\u00e3o que o mundo passa \u00e9 a de guerra, sendo que a vit\u00f3ria s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando o inimigo \u00e9 entendido. A busca por compreender o inimigo tem inclu\u00eddo profissionais das ci\u00eancias biol\u00f3gicas e da sa\u00fade, que buscam entender como o v\u00edrus funciona, qual o seu ciclo de vida e outras frentes; matem\u00e1ticos e estat\u00edsticos, que buscam formar modelos que possam prever o comportamento e a dispers\u00e3o do v\u00edrus; psic\u00f3logos, psiquiatras e soci\u00f3logos, que buscam entender os efeitos deste isolamento social na psique humana; e tantos outros profissionais. Ge\u00f3logos e urbanistas t\u00eam estudado os dados georreferenciados colhidos que permitem o estudo do fen\u00f4meno que, aliados a outros campos de estudo, possibilitam entender padr\u00f5es que possam ajudar na preven\u00e7\u00e3o da dissemina\u00e7\u00e3o dessa doen\u00e7a.<br \/><br \/>A Teoria da Sintaxe Espacial foi proposta por Bill Hillier e seus colaboradores da Universidade de Londres, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980 (SABOYA, 2007). E, embora ainda seja considerada algo novo cientificamente, \u00e9 usada com grande efic\u00e1cia como ferramenta projetual de novas cidades e no entendimento de padr\u00f5es comportamentais. Este ramo do urbanismo estabelece que um fen\u00f4meno apenas ocorrer\u00e1 se for poss\u00edvel que o agente possa chegar ao seu destino, criando assim um acontecimento. O conceito de isolamento social\u00b9, ou at\u00e9 mesmo o <em>lockdown\u00b2<\/em>, possui o mesmo princ\u00edpio: uma vez que as pessoas parem de interagir, o v\u00edrus n\u00e3o ter\u00e1 como se espalhar, pois o meio de transmiss\u00e3o foi eliminado.<br \/><br \/>Foi poss\u00edvel determinar onde tudo come\u00e7ou, Wuhan, China. Mas, hoje, muito mais do que \u201cpor onde come\u00e7ou\u201d, a sociedade deseja saber como ele se espalha e como se pode combater a sua dissemina\u00e7\u00e3o. A busca pela vacina ou pelo medicamento que venha a combater esse v\u00edrus \u00e9 de grande ajuda, mas \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o somente para os problemas atuais. Um novo v\u00edrus pode n\u00e3o ser vencido pela vacina de combate ao coronav\u00edrus ou pelo medicamento para a Covid-19, mas explorar\u00e1 as mesmas fraquezas encontradas por este v\u00edrus, se alastrando com a mesma facilidade. Apesar da import\u00e2ncia de uma solu\u00e7\u00e3o para a atual pandemia, as pesquisas tamb\u00e9m devem analisar os fatores que levaram ao \u00eaxito da dissemina\u00e7\u00e3o da Covid-19. Este trabalho pretende contribuir com o planejamento futuro para evitar a situa\u00e7\u00e3o vivida atualmente<br \/><br \/><strong>Desenvolvimento<\/strong><br \/>O entendimento do padr\u00e3o de dispers\u00e3o da doen\u00e7a permitir\u00e1 o conhecimento e a implementa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas que evitem futuras pandemias. A sintaxe espacial se dedica ao estudo de fen\u00f4menos que ocorrem devido ao deslocamento pelas vias terrestres, permitindo que fatores relacionados \u00e0 configura\u00e7\u00e3o possam ser medidos matematicamente e visualizados de forma clara, objetiva e impessoal (SIQUEIRA, 2020). Acerca do uso da sintaxe e o mapa axial, Siqueira (2020, p. 36, grifos do autor) diz:<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<blockquote>\r\n<div>Ao olharmos o sistema vi\u00e1rio, percebemos que algumas ruas se cruzam; nesta regi\u00e3o onde as vias se cruzam chamamos de \"n\u00f3\". A teoria dos n\u00f3s data do final do s\u00e9c. XIX (ROSA 2012, p. 80) e estuda a topologia, ou seja, estuda a estrutura dos objetos sem se preocupar com o tamanho, formato ou geometria. A partir destas informa\u00e7\u00f5es, podemos ent\u00e3o criar um mapa que codifica o n\u00famero de n\u00f3s de cada via. Este mapa nos ajuda a entender com quantas outras ruas ela interage. Reiterando o que disse Saboya (2007) acerca da Sintaxe Espacial e a integra\u00e7\u00e3o das vias: \"das medidas poss\u00edveis de an\u00e1lise sint\u00e1tica, a principal \u00e9 a chamada integra\u00e7\u00e3o\". Ela \u00e9 \u00fatil na previs\u00e3o de fluxos de pedestres e ve\u00edculos e no entendimento da l\u00f3gica de localiza\u00e7\u00e3o de usos urbanos e dos encontros sociais.<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>Apesar de o v\u00edrus ter inicialmente se disseminado por meio de passageiros a\u00e9reos, uma vez que estes passageiros chegaram ao seu destino, a dissemina\u00e7\u00e3o da Covid-19 se fez entre pessoas em seus locais de resid\u00eancia: lares, bairros, cidades e Estados. Este trabalho visou ao estudo das rotas terrestres (principal meio de contato entre cidades), avaliando-se a rela\u00e7\u00e3o entre as rodovias federais no Brasil e a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Os dados da evolu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus foram disponibilizados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (RS.UFRGS, 2020), por meio do software&nbsp;<i>ArcGIS<\/i>, criou o Painel do Coronav\u00edrus, com todos os casos confirmados no Brasil entre 26 de fevereiro e 30 de abril de 2020. <br \/><br \/>O estudo relacionou o mapa criado pelo UFRGS com o mapa axial\u00b3 das rodovias federais, onde a integra\u00e7\u00e3o foi avaliada para determinar essa rela\u00e7\u00e3o. O mapa axial foi gerado a partir do desenho das rodovias (Mapa 1) no software <i>AutoCad<\/i>, e sua an\u00e1lise, no software&nbsp;<i>Depthmap<\/i>. O crit\u00e9rio adotado foi observar de maneira visual a rela\u00e7\u00e3o entre os dois mapas, procurando situa\u00e7\u00f5es em que os fatos se repetiam e pudessem estabelecer um padr\u00e3o. O v\u00edrus se comporta de forma din\u00e2mica, assim, o estudo avaliou os mapas mencionados tamb\u00e9m de forma din\u00e2mica, avaliando-se a dispers\u00e3o por quinzena. Apenas o m\u00eas de fevereiro de 2020 foi avaliado como um todo, por n\u00e3o ter sido identificada altera\u00e7\u00e3o relevante neste per\u00edodo.&nbsp;&nbsp;<br \/><br \/><\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:16401163161640116317265446.jpg\" \/><br \/><strong>Mapa 1 .<\/strong> Rodovias Federais do Brasil. Fonte: BRASILMINFRA (2020).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O mapa axial foi estudado com&nbsp; foco na integra\u00e7<em>\u00e3o<sup>4<\/sup>&nbsp;<\/em> de uma via com as demais, ou seja, a facilidade existente para se chegar a um determinado local (Mapa 2).&nbsp; O mapa de integra\u00e7\u00e3o codifica cada via por cor, sendo seu desempenho demonstrado das cores mais quentes (vermelho) para as mais frias (azul), em que usou-se um raio para o c\u00e1lculo de n=7. As rodovias com cores mais quentes representam&nbsp; maior integra\u00e7\u00e3o; assim, o estudo tentou estabelecer a rela\u00e7\u00e3o das vias mais integradas como vetores de dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.&nbsp;<br \/><br \/><\/div>\r\n<div><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164011631316401163138495235073.jpg\" width=\"996\" height=\"560\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong> Mapa 2 .<\/strong> Mapa de integra\u00e7\u00e3o das rodovias brasileiras x contamina\u00e7\u00e3o por Covid-19. Fonte: Autor (2020).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Ao relacionar os Mapas 1 e 2, pode-se observar que algumas cidades atuam como polos de integra\u00e7\u00e3o, como as cidades de Juazeiro do Norte (CE), Feira de Santana (BA), Rio de Janeiro (RJ), S\u00e3o Paulo (SP), Uberl\u00e2ndia (MG), Bras\u00edlia (DF), Montes Claros (MG), Porto Alegre (RS) e Cascavel (PR). Al\u00e9m dessas cidades, \u00e9 poss\u00edvel notar que o trecho ou cruzamento de algumas rodovias tamb\u00e9m apresenta melhor grau de integra\u00e7\u00e3o, como se pode ver nos trechos da BR-116 (Rio de Janeiro a Fortaleza); BR-376 (Maring\u00e1 a Ponta Grossa); no cruzamento entre a BR-232 e a BR-116; e na regi\u00e3o de Campos Novos (SC), com a BR-282 a oeste e a BR-470 a leste. Diferentemente do v\u00edrus, essa an\u00e1lise pode ser feita de maneira est\u00e1tica, em que apenas a constru\u00e7\u00e3o de uma nova rodovia alteraria os \u00edndices encontrados. Assim, a an\u00e1lise aqui encontrada foi mantida ao longo do tempo. A seguir, pode-se ver os mapas de dispers\u00e3o do v\u00edrus aliados ao mapa de integra\u00e7\u00e3o:<br \/><br \/><\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164011631616401163166548181530.jpg\" \/><br \/><br \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Quadro 1 .<\/strong> Dispers\u00e3o dos casos confirmados da&nbsp; Covid-19 ao longo do tempo - 1\u00ba\/3\/2020 a 30\/4\/2020. Fonte: Autor, com base em mapa da UFRGS (2020).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Os mapas no Quadro 1 mostram o r\u00e1pido crescimento do n\u00famero de casos confirmados da COVID-19 no Brasil, fato que fica ainda mais claro ao analisar o Gr\u00e1fico 1, que o demonstra de forma mais precisa.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164011631316401163131431519374.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Gr\u00e1fico 1 .<\/strong> Infectados com Covid-19 Fonte: Autor (2020), com base em dados do BRASIL.MS (2020).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div style=\"text-align: center;\">Para melhor entendimento deste fen\u00f4meno, \u00e9 mostrado o mapa do Quadro 1 de forma individual e ampliada. Assim, foi estudada, primeiramente, a primeira quinzena do m\u00eas de mar\u00e7o de 2020, como mostra o Mapa 3.<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164011631416401163143323278636.jpg\" \/><br \/><br \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Mapa 3 .<\/strong> Mapa de integra\u00e7\u00e3o das rodovias brasileiras x contamina\u00e7\u00e3o por Covid-19 - 1\u00ba\/3\/2020 a 16\/3\/2020. Fonte: Autor (2020).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O Mapa 2 mostra apenas alguns casos registrados em fevereiro, em que as cidades infectadas possuem em comum o grande fluxo de passageiros em seus aeroportos, sendo esta a porta de entrada do v\u00edrus em nosso pa\u00eds. Vale ressaltar que o m\u00eas de fevereiro foi marcado por um evento nacional popular que dura dia e noite, o Carnaval, aumentando muito o fluxo de passageiros. <br \/><br \/>O Mapa 3 retrata a primeira quinzena de mar\u00e7o de 2020, em que \u00e9 not\u00f3ria a mudan\u00e7a, tanto pelo mapa quanto pelo Gr\u00e1fico 1. Neste per\u00edodo, apenas as cidades de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro tiveram um registro significativo, apresentando 64 e 23 casos respectivamente. Foi a partir deste momento, no qual o v\u00edrus come\u00e7ou a se fazer not\u00f3rio no Brasil, que sua difus\u00e3o entre as cidades n\u00e3o ocorreu exclusivamente por via a\u00e9rea, mas se deu tamb\u00e9m por meio terrestre.<br \/><br \/>A segunda quinzena de mar\u00e7o, mostrada pelo Mapa 4, evidencia a evolu\u00e7\u00e3o de forma mais clara, possibilitando at\u00e9 mesmo a cria\u00e7\u00e3o de vetores que apontaram a dire\u00e7\u00e3o de dissemina\u00e7\u00e3o da Covid-19.<br \/><br \/><\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164011631516401163157932399042.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Mapa 4 .<\/strong> Mapa de integra\u00e7\u00e3o das rodovias brasileiras x contamina\u00e7\u00e3o por Covid - 16\/3\/2020 a 31\/3\/2020. Fonte: Autor (2020)<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O Mapa 4 mostra maior ocorr\u00eancia nas capitais brasileiras, o que refor\u00e7a a tese de que parte da dissemina\u00e7\u00e3o ocorreu por via terrestre, j\u00e1 que as capitais s\u00e3o interligadas pelas rodovias federais, podendo se destacar as rodovias BR-116 e BR-101, que interligam v\u00e1rias cidades litor\u00e2neas, desde o litoral norte ao litoral sul do pa\u00eds. Outra rodovia&nbsp; evidenciada pelo mapa \u00e9 a BR-381, que liga Belo Horizonte a S\u00e3o Paulo, e a BR-040, que une Belo Horizonte ao Rio de Janeiro. As rodovias mencionadas possuem alto n\u00edvel de integra\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando, portanto, a ideia de que as rodovias mais integradas facilitaram a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.<br \/><br \/>Ainda se tem o fato de que, dentre as capitais, as cidades tur\u00edsticas tiveram n\u00fameros de contaminados mais expressivos. \u00c9 preciso lembrar que o v\u00edrus possui um per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o de at\u00e9 14 dias (BRASIL.MS.FIOCRUZ, 2020). Assim, o Carnaval e o per\u00edodo de f\u00e9rias letivas deste ano foram de grande contribui\u00e7\u00e3o para a propaga\u00e7\u00e3o da Covid-19. Este fato pode ter demonstrado uma tend\u00eancia: a dissemina\u00e7\u00e3o inicial foi principalmente ocasionada pelo turismo. Al\u00e9m do turismo, as regi\u00f5es de grandes ind\u00fastrias e produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola tamb\u00e9m estimulam o&nbsp;<\/div>\r\n<div>tr\u00e2nsito de pessoas, neste caso, pessoas de pequenas cidades e zonas rurais tendem a ser contaminadas por pessoas que estiveram nos grandes centros.<br \/><br \/>O m\u00eas de mar\u00e7o tamb\u00e9m marcou o in\u00edcio do isolamento social em quase todos os estados da federa\u00e7\u00e3o, como mostra o Quadro 2(dados retirados dos Decretos de cada estado no ano de 2020): <br \/><br \/>O isolamento social marcou um momento em que o tr\u00e2nsito de pessoas nas cidades e entre as cidades foi reduzido ao m\u00ednimo necess\u00e1rio. Assim, os pr\u00f3ximos casos neste estudo apresentaram pouca ou nenhuma influ\u00eancia de pessoas fora de suas cidades ou estados, havendo a participa\u00e7\u00e3o predominante da popula\u00e7\u00e3o local de cada cidade.&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<table border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td>Acre<\/td>\r\n<td>16\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Maranh\u00e3o&nbsp;<\/td>\r\n<td>30\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Rio de Janeiro&nbsp;<\/td>\r\n<td>11\/03\/2020<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>Alagoas<\/td>\r\n<td>18\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Mato Grosso<\/td>\r\n<td>31\/03\/2020<\/td>\r\n<td>&nbsp;Rio Grande do Norte<\/td>\r\n<td>13\/03\/2020<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>Amap\u00e1&nbsp;<\/td>\r\n<td>17\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Mato Grosso do Sul<\/td>\r\n<td>16\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Rio Grande do Sul&nbsp;<\/td>\r\n<td>01\/04\/2020<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>Amazonas<\/td>\r\n<td>23\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Minas Gerais<\/td>\r\n<td>19\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Rond\u00f4nia<\/td>\r\n<td>17\/03\/2020<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>Bahia<\/td>\r\n<td>16\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Par\u00e1&nbsp;<\/td>\r\n<td>18\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Roraima<\/td>\r\n<td>27\/03\/2020<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>Cear\u00e1<\/td>\r\n<td>19\/03\/2020<\/td>\r\n<td>&nbsp;Paran\u00e1<\/td>\r\n<td>16\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Santa Catarina<\/td>\r\n<td>23\/03\/2020<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>Distrito Federal<\/td>\r\n<td>19\/03\/2020<\/td>\r\n<td>&nbsp;Para\u00edba<\/td>\r\n<td>17\/03\/2020<\/td>\r\n<td>S\u00e3o Paulo<\/td>\r\n<td>13\/03\/2020<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>Esp\u00edrito Santo<\/td>\r\n<td>13\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Pernambuco<\/td>\r\n<td>14\/03\/2020<\/td>\r\n<td>&nbsp;Sergipe<\/td>\r\n<td>16\/03\/2020<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>Goi\u00e1s&nbsp;<\/td>\r\n<td>13\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Piau\u00ed&nbsp;<\/td>\r\n<td>23\/03\/2020<\/td>\r\n<td>Tocantins&nbsp;<\/td>\r\n<td>21\/04\/2020<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><br \/><strong>Quadro 2 .<\/strong> Data do in\u00edcio do isolamento social por unidade da Federa\u00e7\u00e3o. Fonte: Autor (2020), com base em Decretos dos estados e territ\u00f3rios.<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Apesar de, at\u00e9 o final do m\u00eas de mar\u00e7o de 2020, praticamente todas as unidades da Federa\u00e7\u00e3o terem decretado isolamento social como medida de conten\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o da Covid-19, devido ao tempo de incuba\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, os efeitos foram sentidos apenas ap\u00f3s a segunda quinzena de abril.&nbsp;<\/div>\r\n<div><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164011631516401163150867557393.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Mapa 5 .<\/strong> Mapa de integra\u00e7\u00e3o das rodovias brasileiras x contamina\u00e7\u00e3o por Covid - 1\u00ba\/4\/2020 - 15\/4\/2020. Fonte: Autor (2020).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O Mapa 5 j\u00e1 mostra um n\u00famero muito grande de cidades infectadas, mas a grande maioria abaixo de 300 casos, como se pode ver pelos c\u00edrculos laranjas que representam a densidade dos contagiados no local. O cont\u00e1gio do v\u00edrus ocorre de forma exponencial (BRASIL.MS.FIOCRUZ, 2020), ou seja, cada contaminado transmite o v\u00edrus para, pelo menos,&nbsp; dezesseis pessoas, como mostra a Figura 1.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164011631616401163161942932732.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><br \/><strong>Figura 1 .<\/strong> Progress\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o por Covid-19. Autor (2020). Fonte: BBC (2020).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Assim, duas pessoas contaminam quatro, e assim por diante, gerando uma s\u00e9rie exponencial, como mostra o Gr\u00e1fico 2. Ap\u00f3s 20 dias, \u00e9 poss\u00edvel chegar a 1.048.576 infectados.<br \/><br \/><\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164011631516401163154337662595.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Gr\u00e1fico 2 .<\/strong> N\u00famero de infectados x dias. Fonte: Autor (2020).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>Assim, apenas um indiv\u00edduo pode ser o respons\u00e1vel pela contamina\u00e7\u00e3o de 300 pessoas em pouco menos de 18 dias, dificultando-se muito apontar um padr\u00e3o ao alto n\u00famero de infectados. Apesar das dificuldades, percebeu-se que os fatos observados no Mapa 4 continuam a exercer rela\u00e7\u00e3o com a dispers\u00e3o da doen\u00e7a. Al\u00e9m dos fatos elencados para o Mapa 4, \u00e9 poss\u00edvel notar que a Covid-19 se espalha de forma radial nas capitais, havendo uma maior ocorr\u00eancia nas cidades mais pr\u00f3ximas, que se encontram nas rodovias com melhor n\u00edvel de integra\u00e7\u00e3o. Apesar de tanto a BR-116 quanto a BR-101 atuarem como vetores de dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, \u00e9 percebido que a BR-101 exerce mais influ\u00eancia. As cidades de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro formaram um grande polo disseminador da doen\u00e7a, pois grande e importantes rodovias que partem destas metr\u00f3poles ajudaram a transmitir o v\u00edrus.<br \/><br \/>O Mapa 5 ainda mostra que Manaus, por estar isolada das demais cidades infectadas, em um estudo futuro, seria a melhor cidade para compreender o comportamento do v\u00edrus. Isso se deve ao fato de sua popula\u00e7\u00e3o possuir pouco contato com as demais regi\u00f5es, havendo pouca influ\u00eancia externa e podendo ser considerada um sistema isolado. Este fato anula o que \u00e9 conhecido como efeito de borda.&nbsp;<br \/><br \/><\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:1640116314164011631474913454.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><br \/><strong>Mapa 6 .<\/strong> Mapa de integra\u00e7\u00e3o das rodovias brasileiras x contamina\u00e7\u00e3o por Covid-19 - 16\/4\/2020 a 30\/4\/2020. Fonte: Autor (2020).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div class=\"img-legend\">&nbsp;<\/div>\r\n<div>O Mapa 6 j\u00e1 mostra boa parte do territ\u00f3rio nacional tomada pelo v\u00edrus. Devido ao confinamento, a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus deve ocorrer quase sem a influ\u00eancia do transporte por meio de rodovias, ou at\u00e9 mesmo por meio a\u00e9reo. A dispers\u00e3o passou a ser quase que exclusivamente feita por agentes locais. Ademais, foi poss\u00edvel perceber que os locais que apresentavam altos n\u00fameros continuaram em uma curva ascendente, sobretudo a cidade de S\u00e3o Paulo. O Gr\u00e1fico 3 mostra algumas das principais cidades afetadas e o seu comportamento durante o per\u00edodo deste estudo.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164011631716401163173346348136.jpg\" \/>&nbsp;<\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><strong>Gr\u00e1fico 3 .<\/strong> Principais cidades afetadas. Fonte: Autor (2020), com base em dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (BRASIL.MS, 2020).<br \/><br \/><\/div>\r\n<\/div>\r\n<div><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><br \/>A velocidade com que a Covid-19 se espalhou pelo mundo mostrou a fragilidade do sistema de sa\u00fade mundial, nivelando tanto os pa\u00edses mais abastados quanto os mais necessitados. A pandemia vem provocando n\u00e3o s\u00f3 uma crise na sa\u00fade, mas apresenta graves efeitos colaterais, sobretudo na economia. A verdade \u00e9 que, em uma pandemia, pouco se pode fazer para mudar a situa\u00e7\u00e3o mundial, mas existem diretrizes que podem ser implementadas nas fronteiras para preservar a na\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>At\u00e9 18 de maio de 2020, o Brasil possu\u00eda um or\u00e7amento, oriundo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, destinado ao combate da Covid-19 de R$ 24.167.950.734,00 (PRESID\u00caNCIA DA REP\u00daBLICA, CONTROLADORIA-GERAL DA UNI\u00c3O, 2020), sendo que apenas cerca de 35% deste montante foi gasto at\u00e9 a data mencionada. O or\u00e7amento anual para a Sa\u00fade, previsto em 2019, para o ano de 2020, era de R$ 19,3 bilh\u00f5es (REVISTA EXAME, 2019), ou seja, ainda nem se havia chegado \u00e0 metade do ano de 2020 e o or\u00e7amento anual previsto j\u00e1 havia sido ultrapassado. A pandemia da Covid-19 provocou v\u00e1rios efeitos, que j\u00e1 podem ser sentidos, sendo o econ\u00f4mico e o desabastecimento os mais percept\u00edveis, mas muito ainda est\u00e1 por vir.<br \/><br \/>O trabalho parte do pressuposto de que se deve, sim, fazer o poss\u00edvel para conter os avan\u00e7os do v\u00edrus, protegendo a vida ao m\u00e1ximo. Mas o fato \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o vivida \u00e9 de guerra. O planejamento \u00e9 realizado reativamente, sempre ap\u00f3s a movimenta\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio, Uma vez terminada a batalha, com certeza, haver\u00e1 v\u00e1rios aprendizados. Certamente, esta n\u00e3o ser\u00e1 a \u00faltima pandemia vivida no Brasil, e este foi o ponto central deste estudo: tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de conten\u00e7\u00e3o para uma poss\u00edvel nova epidemia, n\u00e3o apenas para preservar a vida, mas tamb\u00e9m para que cause menos impactos em nosso pa\u00eds, sobretudo na economia. Apesar de o foco ter sido encontrar solu\u00e7\u00f5es para futuras pandemias, este modelo n\u00e3o se limita apenas a esta aplica\u00e7\u00e3o. As solu\u00e7\u00f5es aqui propostas podem ser aplicadas em campanhas de vacina\u00e7\u00e3o, epidemias, bem como em outras al\u00e9m da \u00e1rea da sa\u00fade. Os pontos de maior integra\u00e7\u00e3o apontam os lugares onde o controle de fluxo pode ser mais efetivo.<br \/><br \/>O estudo mostrou que as rodovias e os aeroportos foram os principais difusores do v\u00edrus. Com isto em mente, cabem algumas observa\u00e7\u00f5es quanto \u00e0s estrat\u00e9gias tomadas. O isolamento social foi necess\u00e1rio, mas possui uma \u00f3tica de dentro para fora. Neste estudo, observou-se que essa vis\u00e3o, em que a popula\u00e7\u00e3o foi confinada \u00e0s suas casas, tende a ser parcial, e n\u00e3o considera o todo. Em um est\u00e1gio inicial, o oposto tende a ser mais eficaz sob o ponto de vista da sintaxe espacial, como mostra a Figura 2, adotando uma vis\u00e3o macro da situa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<br \/><br \/><\/div>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/img\/revistas:164011631616401163163643896976.jpg\" \/><\/div>\r\n<div>\r\n<div class=\"img-legend\" style=\"text-align: center;\"><br \/><strong>Figura 2 .<\/strong> Isolamento social x Controle de fluxos. Fonte: Autor (2020).<\/div>\r\n<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>O modelo proposto \u00e9 o de controle de fluxos, em que aeroportos e pontos estrat\u00e9gicos de algumas rodovias fossem monitorados, e apenas as cidades com alto grau de cont\u00e1gio sofressem estrat\u00e9gias, como o isolamento social. Al\u00e9m do aspecto de conten\u00e7\u00e3o do cont\u00e1gio, isso levaria a uma enorme economia para a Uni\u00e3o e as Unidades Federativas. Hoje, os recursos s\u00e3o alocados conforme a necessidade e, por maior que seja o esfor\u00e7o, sempre est\u00e3o um passo atr\u00e1s do problema. A mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia faria com que os recursos fossem alocados em pontos fixos, e os infectados seriam direcionados at\u00e9 os pontos de controle. Essa pol\u00edtica seria ainda proveitosa por conseguir isolar aqueles doentes assintom\u00e1ticos que, geralmente, s\u00e3o os respons\u00e1veis por grande parte da dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Caso aconte\u00e7a outra pandemia, esse modelo ser\u00e1 muito mais produtivo e econ\u00f4mico, estabelecendo uma estrat\u00e9gia que n\u00e3o ser\u00e1 apenas moment\u00e2nea, mas que poder\u00e1 ser usada em v\u00e1rias outras emerg\u00eancias.&nbsp;<br \/><br \/>A sugest\u00e3o \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de setores de triagem em aeroportos, principalmente os que recebem e oferecem voos internacionais, sobretudo em cidades tur\u00edsticas, com testes r\u00e1pidos. No caso de contamina\u00e7\u00e3o, dentro do pr\u00f3prio aeroporto, deveria haver um pequeno hospital com capacidade para interna\u00e7\u00e3o de pacientes, assim, o passageiro poderia receber cuidados m\u00e9dicos at\u00e9 o restabelecimento de sua sa\u00fade. O estudo mostrou que usar a sintaxe espacial, sobretudo o estudo da integra\u00e7\u00e3o das vias, \u00e9 ben\u00e9fico para tra\u00e7ar estrat\u00e9gias sobre onde colocar pontos de controle. Que fique claro que o intento desta estrat\u00e9gia n\u00e3o \u00e9 o fechamento das fronteiras, mas o exame dos que ali passarem, de forma a garantir a sa\u00fade. A an\u00e1lise do mapa axial e da integra\u00e7\u00e3o das vias mostrou que a BR-101, a BR-116, a BR-376 e as sa\u00eddas das cidades de Bras\u00edlia, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre s\u00e3o primordiais para o controle de uma pandemia. No caso das rodovias e cidades, poderiam ser constru\u00eddas pequenas unidades de sa\u00fade para os contaminados, perto dos postos de fiscaliza\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal, ou at\u00e9 mesmo haver carretas preparadas para este servi\u00e7o, que poderiam se deslocar conforme a necessidade. Essas estrat\u00e9gias seriam muito mais eficazes e menos impactantes do ponto de vista social, possibilitando um impacto econ\u00f4mico muito menor.<br \/><br \/>Este estudo levou em conta apenas as rodovias federais, mas o seu aprofundamento, incluindo as estaduais e aliando o n\u00edvel de integra\u00e7\u00e3o das vias com dados estat\u00edsticos do fluxo de pessoas, refinaria ainda mais as diretrizes aqui propostas. O intuito deste trabalho foi sugerir poss\u00edveis diretrizes a serem tomadas em uma futura pandemia, otimizando os recursos humanos e financeiros. Devido \u00e0 grande dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no Brasil, os pontos aqui mostrados seriam de pouca efic\u00e1cia no momento presente, devendo ser implementados de forma preventiva.<\/div>\r\n<div><br \/><strong>Refer\u00eancias<br \/><\/strong><br \/>BBC. <strong>Cont\u00e1gio por coronav\u00edrus: o que \u00e9 o vi\u00e9s matem\u00e1tico que <\/strong><strong>dificulta o combate \u00e0 pandemia de Covid-19<\/strong>, 19 de ago. 2020, Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/vert-fut-53822007. Acesso em 18 out., 2021.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div><b>BRASIL.IO. Boletins informativos e casos de coronav\u00edrus por munic\u00edpio por dia<\/b>. 2020. Dispon\u00edvel em:&nbsp;https:\/\/brasil.io\/dataset\/covid19\/caso\/. Acesso em 11 maio, 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BRASIL.MINIST\u00c9RIO DA INFRAESTRUTURA.&nbsp;<b>Mapa Rodovi\u00e1rio Federal<\/b>. 2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/infraestrutura.gov.br\/rodovias-brasileiras.html. Acesso em 10 maio, 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>BRASIL.MS.FUNDA\u00c7\u00c3O OSWALDO CRUZ.&nbsp;<b>Qual o tempo de incuba\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus<\/b>. 2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/portal.fiocruz.br\/pergunta\/qual-e-o-tempo-de-incubacao-do-novo-coronavirus. Acesso em 18 maio, 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>______.&nbsp;<b>Tend\u00eancias atuais da pandemia de Covid 19: interioriza\u00e7\u00e3o e acelera\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o em alguns estados<\/b>. 2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;http:\/\/revistafitos.far. fiocruz.br\/fitos\/index.php\/noticias\/tendencias-atuais-da-pandemia-de-covid-19-interiorizacao-e-aceleracao-da-transmissao-em-alguns-estados. Acesso em 19 maio, 2020.&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>MEDEIROS, V.&nbsp;<b>Urbis Bras\u00edlia e ou sobre cidades do Brasil: inserindo assentamentos urbanos do pa\u00eds em investiga\u00e7\u00f5es configuracionais comparativas<\/b>. 520 f. Tese (Doutorado) - Curso de Arquitetura e Urbanismo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia, 2006. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/repositorio.unb.br\/handle\/10482\/1557. Acesso em 30 abr., 2019.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>MINAS GERAIS.&nbsp;<b>Decreto n\u00ba 47.890<\/b>, de 19 de mar\u00e7o de 2020. 2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;https: \/\/www.legisweb.com.br\/legislacao\/?id=391039. Acesso em 18 maio, 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>PRESID\u00caNCIA DA REP\u00daBLICA (Brasil); CONTROLADORIA-GERAL DA UNI\u00c3O - CGU. Portal da Transpar\u00eancia do Governo Federal,&nbsp;<b>Enfrentamento da Emerg\u00eancia de Sa\u00fade P\u00fablica de Import\u00e2ncia Internacional decorrente do Coronav\u00edrus<\/b>. 2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;http:\/\/www.portaltransparencia.gov.br\/orcamento\/despesas?paginacao Simples=false&amp;tamanhoPagina=&amp;offset=&amp;direcaoOrdenacao=asc&amp;de=2020&amp;ate=2020&amp;acao=21C0&amp;colunasSelecionadas=ano%2CorcamentoAtualizado%2CpercentualRealizado%2CorcamentoRealizado&amp;ordenarPor=ano&amp;direcao=desc.&nbsp;Acesso em 16 maio, 2020.&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>REVISTA EXAME. GOVERNO diz que or\u00e7amento de 2020 excede o m\u00ednimo em Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o.<b>&nbsp;Exame<\/b>. 30 de ago., 2019. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/exame.abril.com.br \/economia\/governo-diz-que-orcamento-de-2020-excede-o-minimo-em-saude-e-educacao\/. Acesso em 16 maio, 2020.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>RS. UFRS.&nbsp;<b>Painel do Coronav\u00edrus<\/b>&nbsp;(<b>Covid-19<\/b>) - casos confirmados por munic\u00edpios brasileiros. 2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/ufrgs.maps.arcgis.com\/apps\/ opsdashboard\/index.html#\/03fb27b449a74927a6e4033187b251f2. Acesso em 12 maio, 2020.&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>SABOYA, R.&nbsp;<b>Sintaxe Espacial<\/b>. 2007. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/urbanidades.arq.br\/? p=33. Acesso em 4 maio, 2019.<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>SIQUEIRA, P.&nbsp;<b>O espa\u00e7o urbano e o crime: um estudo de caso da rela\u00e7\u00e3o entre os crimes contra transeuntes em Regi\u00f5es Administrativas do Distrito Federal<\/b>. 2020. 160 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Instituto CEUB de Pesquisa e Desenvolvimento, UniCEUB, Distrito Federal.&nbsp;<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<div>TOCANTINS.&nbsp;<b>Decreto n\u00ba 6.083<\/b>, de 27 de mar\u00e7o de 2020. 2020. Dispon\u00edvel em&nbsp;https:\/\/ www.legisweb.com.br\/legislacao\/?id=392927. Acesso em 18 maio, 2020.<\/div>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8065","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8065","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8065"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}