{"id":8086,"date":"2024-06-12T15:36:29","date_gmt":"2024-06-12T18:36:29","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/construindo-saude-reflexoes-e-contribuicoes-para-um-ambiente-enriquecido\/"},"modified":"2024-08-08T14:01:58","modified_gmt":"2024-08-08T17:01:58","slug":"construindo-saude-reflexoes-e-contribuicoes-para-um-ambiente-enriquecido","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/construindo-saude-reflexoes-e-contribuicoes-para-um-ambiente-enriquecido\/","title":{"rendered":"Construindo sa\u00fade &#8211; reflex\u00f5es e contribui\u00e7\u00f5es para um ambiente enriquecido"},"content":{"rendered":"<div><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8283 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Artigo-05_imagem-01-300x240.jpg\" alt=\"\" width=\"654\" height=\"523\" \/><br \/>Tye Farrow \u00e9 um arquiteto canadense, formado em 1987 pela Universidade de Toronto, onde trabalhou e, posteriormente, estabeleceu a<em> Farrow Partners<\/em>. Desde 2004, esse escrit\u00f3rio tem se dedicado ao desenvolvimento de projetos na \u00e1rea da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e habita\u00e7\u00e3o, pautando-se por um design sens\u00edvel ao contexto local, caracterizado pela utiliza\u00e7\u00e3o de materiais naturais e de menor impacto ambiental, notadamente exemplificado pelas ondulantes estruturas de madeira engenheirada (<em>mass timber<\/em>) que marcam alguns de seus projetos mais recentes.<br \/><br \/>Com o lan\u00e7amento do livro <em>Constructing Health<\/em> (Construindo Sa\u00fade, em uma tradu\u00e7\u00e3o literal), Tye Farrow nos mostra como os conceitos advindos dos estudos sobre neuroci\u00eancia e salutog\u00eanese, dentre outros, podem oferecer um caminho para se \u201cconstruir a sa\u00fade por meio de qualidades e caracter\u00edsticas de design espec\u00edficas e mensur\u00e1veis\u201d, dessa forma melhorando o desempenho humano em constru\u00e7\u00f5es como habita\u00e7\u00f5es, escolas, espa\u00e7os de cura, espa\u00e7os urbanos e de conviv\u00eancia social.<br \/><br \/>Farrow inicia o livro como costuma iniciar suas palestras, com uma s\u00e9rie de frases e perguntas provocadoras, acompanhadas de imagens igualmente impactantes, como fotografias de locais emblem\u00e1ticos e registros de projetos realizados por seu escrit\u00f3rio. Nessa se\u00e7\u00e3o, o autor busca conquistar n\u00e3o apenas o olhar dos leitores, mas tamb\u00e9m sua reflex\u00e3o acerca dos principais temas que ser\u00e3o explorados mais adiante. O texto em si \u00e9 estruturado de forma despretensiosa, na primeira pessoa, enfatizando que se trata da experi\u00eancia do pr\u00f3prio arquiteto, pensador de espa\u00e7os, a partir da constata\u00e7\u00e3o de que os ambientes que desenha influenciam de maneiras diversas a sa\u00fade daqueles que os utilizam.<br \/><br \/>Com base nos estudos realizados durante uma especializa\u00e7\u00e3o em neuroarquitetura na Universidade de Veneza (It\u00e1lia), Farrow identifica os elementos-chave a serem observados para criar o que denomina \u201cambientes enriquecidos.\u201d Ao argumentar que a arquitetura de espa\u00e7os constru\u00eddos pode tanto \u201cpromover a sa\u00fade\u201d quanto, em contrapartida, prejudic\u00e1-la, especialmente no que tange \u00e0 sa\u00fade mental ou, como prefere o autor, a \u201csa\u00fade da mente\u201d, o autor oferece uma breve exposi\u00e7\u00e3o sobre os principais conceitos, teorias e defini\u00e7\u00f5es relacionados \u00e0 intera\u00e7\u00e3o entre ambiente e sa\u00fade. S\u00e3o assim identificados quais desses conceitos est\u00e3o gradualmente sendo adotados pelos designers contempor\u00e2neos, com uma breve explica\u00e7\u00e3o de cada um.<br \/><br \/>Nos cap\u00edtulos iniciais, o autor explora o funcionamento do c\u00e9rebro e da mente humana, abordando suas caracter\u00edsticas, como sensa\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es, sentimentos e percep\u00e7\u00f5es. Utilizando frequentemente a met\u00e1fora da alimenta\u00e7\u00e3o, Farrow argumenta que, al\u00e9m de promover a sa\u00fade, uma arquitetura enriquecedora tem o poder de nutrir os sentidos. S\u00e3o apresentados, em seguida, breves coment\u00e1rios sobre os principais conceitos relacionados \u00e0 sa\u00fade e ao bem-estar humano, destacando suas caracter\u00edsticas e varia\u00e7\u00f5es em diferentes contextos geogr\u00e1ficos e culturais ao longo dos \u00faltimos s\u00e9culos.<br \/><br \/>Farrow salienta que, ao longo da hist\u00f3ria, o conceito de sa\u00fade adquiriu diferentes significados, como no antigo Egito, na China e entre as tribos ind\u00edgenas norte-americanas. O autor argumenta que, agora, estamos entrando em uma \u201cterceira era\u201d da sa\u00fade p\u00fablica, caracterizada pela defini\u00e7\u00e3o mais abrangente de sa\u00fade, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), que a define como o estado completo de bem-estar f\u00edsico, mental e social, e n\u00e3o apenas como a aus\u00eancia de doen\u00e7a.<br \/><br \/>Em seguida, o autor passa a comentar as teorias e os conceitos mais atuais relacionados \u00e0 rela\u00e7\u00e3o pessoa-ambiente, com \u00eanfase nos conceitos apresentados pelo soci\u00f3logo Aaron Antonovsky em seu conhecido livro <em>Health, Stress and Coping<\/em>, em que desenvolve o conceito da salutog\u00eanese, que significou uma mudan\u00e7a de paradigma ao propor uma abordagem com foco nas causas da sa\u00fade, e n\u00e3o da doen\u00e7a (a patog\u00eanese).<br \/><br \/>Ao afirmar que \u201ca arquitetura nunca \u00e9 neutra\u201d, Farrow desenvolve o conceito de \u201cambiente enriquecido\u201d, que se caracteriza por suas qualidades neuroterap\u00eauticas que, al\u00e9m de satisfazerem aspectos funcionais e de conforto, estimulam a criatividade, facilitam conex\u00f5es sociais e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, promovem a sa\u00fade em sua acep\u00e7\u00e3o mais hol\u00edstica. A ideia \u00e9 complementada pela lista das diversas qualidades dos ambientes enriquecidos, entre elas: generosidade, variedade e vitalidade, autenticidade, esperan\u00e7a, natureza, sil\u00eancio, calma, solidez e intimidade.<br \/><br \/>O autor busca em seguida enumerar as qualidades ambientais que possuem o efeito de despertar os sentidos, tais como a vis\u00e3o, o olfato, o som, o toque e o gosto, relacionando-as \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar nas pessoas. Farrow defende que devemos priorizar o desenho de locais que otimizem o enriquecimento por meio de experi\u00eancias e multipliquem as oportunidades para a pessoa se destacar, se conectar e melhorar sua sa\u00fade e bem-estar.<br \/><br \/>Por fim, ele prop\u00f5e uma abordagem <em>saluto-sist\u00eamica<\/em> tanto para o processo quanto para as ideias formais no processo de projeto arquitet\u00f4nico. Esse tipo de perspectiva promove, segundo o autor, narrativas transformadoras, viabilizando h\u00e1bitos e comportamentos saud\u00e1veis entre aqueles que porventura precisem frequentar hospitais e outros espa\u00e7os de sa\u00fade, seja como paciente, seja como funcion\u00e1rio, seja como visitante.<br \/><br \/>Em suma, <em>Constructing Health<\/em> oferece uma vis\u00e3o cativante e transformadora sobre o papel da arquitetura na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e do bem-estar humano. Al\u00e9m disso, nos convida a pensar sobre as diversas qualidades desej\u00e1veis para que os ambientes que projetamos e constru\u00edmos possam nutrir os sentidos, estimular a criatividade e fortalecer as conex\u00f5es sociais, em prol de uma sa\u00fade hol\u00edstica.<br \/><br \/>Com mais de 300 imagens que ilustram a abordagem \u00fanica de Tye Farrow, trata-se de leitura obrigat\u00f3ria para todos os interessados em melhor compreender o poder do design para melhorar a vida das pessoas. O livro, rec\u00e9m-finalizado, j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel em vers\u00e3o impressa, em ingl\u00eas, no site da Editora da Universidade de Toronto (https:\/\/utorontopress.com\/) e nas principais livrarias on-line.<\/div>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8086","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8086","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8086"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}