{"id":8088,"date":"2024-06-12T15:38:27","date_gmt":"2024-06-12T18:38:27","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/arquitetura-hospitalar-sensivel-a-demencia\/"},"modified":"2024-08-08T12:12:16","modified_gmt":"2024-08-08T15:12:16","slug":"arquitetura-hospitalar-sensivel-a-demencia","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/arquitetura-hospitalar-sensivel-a-demencia\/","title":{"rendered":"Arquitetura Hospitalar Sens\u00edvel \u00e0 Dem\u00eancia"},"content":{"rendered":"<strong>Resumo<\/strong><br \/>Tendo em vista que os quadros demenciais afetam mais de 1,2 milh\u00e3o de idosos no Brasil, neste artigo, s\u00e3o discutidas as contribui\u00e7\u00f5es do <em>design<\/em> arquitet\u00f4nico sens\u00edvel \u00e0 dem\u00eancia na sa\u00fade e na qualifica\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia do idoso em ambientes hospitalares. A partir de uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, foi realizada uma sele\u00e7\u00e3o de estudos que destacam os conceitos mais relevantes e que tenham contribu\u00eddo para o aprofundamento da compreens\u00e3o do <em>design<\/em> sens\u00edvel \u00e0 dem\u00eancia, apresentando alguns exemplos de projetos que incorporem esses conceitos e as teorias que os embasam. Este documento faz parte de uma pesquisa mais abrangente cujo objetivo \u00e9 identificar as implica\u00e7\u00f5es, os benef\u00edcios e as possibilidades terap\u00eauticas do uso da neuroci\u00eancia aplicada \u00e0 arquitetura em centros de sa\u00fade, a fim de estabelecer conceitos de projetos a serem aplicados em um estudo de caso de resid\u00eancias para idosos. Os resultados mostraram que vari\u00e1veis ambientais como a luz, a geometria, o leiaute e o acesso \u00e0 natureza tendem a afetar qualitativamente a experi\u00eancia desses pacientes, al\u00e9m de reduzir a carga de trabalho dos cuidadores.<br \/><br \/><strong>Palavras-chave<\/strong><br \/>ambientes hospitalares, arquitetura hospitalar, sa\u00fade, neuroci\u00eancia aplicada, dem\u00eancia.<br \/><strong><br \/>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>O aumento na expectativa de vida mundial elevou o n\u00famero de idosos com dem\u00eancia, condi\u00e7\u00e3o que atinge uma pessoa a cada sete segundos. Entre 2000 e 2019, a causa de morte por dem\u00eancia aumentou em 181%,sendo mais evidente em pa\u00edses subdesenvolvidos e tendo a doen\u00e7a de Alzheimer (DA) como 60% dos casos. No Brasil, estima-se que, em 2050,os casos de dem\u00eancia sofrer\u00e3o um crescimento de at\u00e9 240%, gerando diversas problem\u00e1ticas sociais, familiares e de sa\u00fade p\u00fablica, j\u00e1 que os sintomas demenciais comprometem gradativamente a autonomia cognitiva do indiv\u00edduo (<em>Alzheimer\u2019s Association<\/em>, 2020; GBD <em>Dementia Forecasting Collaborators<\/em>, 2022; IBGE, 2019).<br \/><br \/>Al\u00e9m disso, o encaminhamento para unidades hospitalares tem se mostrado um per\u00edodo desafiador para pacientes com comprometimento cerebral, tornando dif\u00edcil a adapta\u00e7\u00e3o a um ambiente desconhecido e a pessoas desconhecidas, como a equipe de sa\u00fade (Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, 2019). Estima-se que o custo da hospitaliza\u00e7\u00e3o de pessoas com dem\u00eancia seja quase tr\u00eas vezes maior em compara\u00e7\u00e3o a pacientes sem dem\u00eancia (Gutierrez et al., 2014). Idosos com dem\u00eancia possuem quase o dobro de interna\u00e7\u00f5es hospitalares anuais em rela\u00e7\u00e3o a idosos sem dem\u00eancia (Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, 2019). A deteriora\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o espacial \u00e9 um sintoma que se manifesta j\u00e1 nos est\u00e1gios iniciais e que passa a progredir a depender dos ambientes vividos pelos pacientes (Gazova et al., 2012).<br \/><br \/>Na cidade de S\u00e3o Paulo, por exemplo, uma significativa parcela da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por idosos, totalizando cerca de 1,9 milh\u00e3o de indiv\u00edduos, o que equivale a 15% do total. Essa popula\u00e7\u00e3o possui necessidades espec\u00edficas relacionadas a mobilidade, acessibilidade, lazer e sa\u00fade (Santos, 2022).<br \/><br \/>Para idosos em situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade fragilizada e com necessidades particulares, a considerar os sintomas demenciais, S\u00e3o Paulo conta comas Unidades de Refer\u00eancia \u00e0 Sa\u00fade do Idoso (Ursis). O encaminhamento para as Ursis ocorre ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da Avalia\u00e7\u00e3o Multidimensional daPessoa Idosa (AMPI-AB) pelas equipes das Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade(UBSs). A AMPI-AB proporciona uma avalia\u00e7\u00e3o precisa do processo de envelhecimento do idoso, seu n\u00edvel de fragilidade e suas demandas espec\u00edficas. No total, aproximadamente seis mil idosos recebem atendimento mensal nas Ursis. O objetivo principal \u00e9 garantir que os idosos possam envelhecer com autonomia e desfrutar de uma boa qualidade de vida nessa fase da vida (Andrade et al., 2020). No entanto, o aumento exponencial de idosos e a ambienta\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os de sa\u00fade comprometem a qualidade do servi\u00e7o, repercutindo em maior tempo de tratamento e gastos medicinais (GBD 2019 <em>Dementia Forecasting Collaborators,<\/em> 2022).<br \/><br \/>Nesse contexto, a pesquisa em arquitetura hospitalar desempenha um papel fundamental na sistematiza\u00e7\u00e3o de conhecimentos que possam ser aplic\u00e1veis nacionalmente. Tendo em vista a escassez de bibliografia nacional sobre arquitetura hospitalar aplicada ao idoso com dem\u00eancia(Wiener; Pazzaglia, 2021), a busca por solu\u00e7\u00f5es de <em>design<\/em> arquitet\u00f4nico adequadas \u00e0 crescente demanda desse p\u00fablico apresenta-se como essencial para proporcionar um ambiente terap\u00eautico, seguro e acolhedor para esses pacientes.<br \/><br \/><strong>Objetivo e metodologia<\/strong><br \/>Este estudo teve como objetivo explorar e discutir as implica\u00e7\u00f5es dessa problem\u00e1tica, destacando a import\u00e2ncia da pesquisa interdisciplinar entre arquitetos, profissionais de sa\u00fade e especialistas em gerontologia para o desenvolvimento de diretrizes de <em>design<\/em> arquitet\u00f4nico voltadas para unidades hospitalares destinadas ao cuidado de idosos com dem\u00eancia e outras fragilidades. Compreender as necessidades espec\u00edficas desses pacientes e entender como o ambiente f\u00edsico pode influenciar sua sa\u00fade e bem-estar \u00e9 fundamental para o desenvolvimento de espa\u00e7os que promovam a recupera\u00e7\u00e3o, o conforto e a dignidade.<br \/><br \/>Para a consecu\u00e7\u00e3o do presente estudo, foi realizada uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica acerca do conte\u00fado at\u00e9 ent\u00e3o existente sobre os temas envelhecimento, arquitetura, espa\u00e7os de sa\u00fade e quadros demenciais. Como resultado, foram analisadas mais a fundo as obras de Barrett, Sharma e Zeisel (2018), Lawton M. Powell (1997), Mariana G. Figueir\u00f3(2008) e Gesine Marquardt (2014), dentre outros autores relevantes no contexto da influ\u00eancia espacial em quadros de dem\u00eancia. O estudo ressalta a import\u00e2ncia da interdisciplinaridade que permeia o conhecimento da neuroci\u00eancia e do envelhecimento aplicados \u00e0 arquitetura hospitalar, visando fomentar um conjunto de recomenda\u00e7\u00f5es aplic\u00e1veis aos ambientes de sa\u00fade adequado ao p\u00fablico com dem\u00eancia.<br \/><br \/><strong>Envelhecimento t\u00edpico e quadros demenciais<\/strong><br \/>Tanto o envelhecimento t\u00edpico quanto a dem\u00eancia resultam em decl\u00ednios significativos das habilidades de orienta\u00e7\u00e3o espacial e denavega\u00e7\u00e3o\u00b9 (Lester et al., 2017). A orienta\u00e7\u00e3o espacial e as habilidades de navega\u00e7\u00e3o come\u00e7am a deteriorar-se relativamente cedo no processo de envelhecimento, mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 defici\u00eancias aparentes em outras habilidades cognitivas (Harris; Wolbers, 2012). Essa perda gradual de habilidades de navega\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais evidente em indiv\u00edduos com comprometimento cognitivo leve (CCL) ou DA (Fasano et al., 2018), em que a desorienta\u00e7\u00e3o \u00e9 tipicamente um dos primeiros sintomas (Serino et al.,2015), especialmente em ambientes desconhecidos. Pesquisas sobre o envelhecimento t\u00edpico demonstraram que adultos mais velhos apresentam desempenho de caminhabilidade semelhante ao de adultos jovens em tarefas espaciais em ambientes familiares (Lopez et al., 2018). No entanto, o decl\u00ednio das habilidades de orienta\u00e7\u00e3o e navega\u00e7\u00e3o torna dif\u00edcil para os idosos caminhar e aprender em novos ambientes desconhecidos. Isso \u00e9 problem\u00e1tico, uma vez que uma propor\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel de idosos com e sem dem\u00eancia eventualmente se muda de seus ambientes familiares para locais desconhecidos, como hospitais, cl\u00ednicas e casas de cuidado assistido(Mufato et al., 2020). Em 2018, O ELSI-Brasil apontou que 75,3% dos idosos brasileiros dependem exclusivamente dos servi\u00e7os prestados pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade, sendo que 83,1% realizaram pelo menos uma consulta m\u00e9dica nos \u00faltimos 12 meses. Nesse per\u00edodo, foi identificado ainda que10,2% dos idosos foram hospitalizados uma ou mais vezes (Fiocruz et al.,2018).<br \/><br \/>Geralmente, projeto de complexos de servi\u00e7os de sa\u00fade n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es das habilidades de caminhabilidade dos idosos. Caso detivessem esse fator biol\u00f3gico durante a concep\u00e7\u00e3o do projeto, a transi\u00e7\u00e3o de idosos com DA para estabelecimentos desse porte poderia se tornar mais simples (O\u2019Malley et al., 2016). Para possibilitar que os leiautes de ambientes maiores, como casas de cuidados, resid\u00eancias de aposentados ou mesmo hospitais, sejam compreendidos com relativa facilidade, esses ambientes precisam ser projetados de forma a facilitara orienta\u00e7\u00e3o espacial e compensar a diminui\u00e7\u00e3o das habilidades de navega\u00e7\u00e3o. Isso permite aos residentes adaptarem-se mais facilmente \u00e0 nova acomoda\u00e7\u00e3o e melhoraria a sua qualidade de vida e seu bem-estar. Al\u00e9m de permitir a manuten\u00e7\u00e3o do maior grau de independ\u00eancia e redu\u00e7\u00e3o da carga de trabalho dos cuidadores (Marquardt; Schmieg, 2009).<br \/><br \/>Conforme O\u2019Malley et al. (2017), existem v\u00e1rias diretrizes de <em>design<\/em> arquitet\u00f4nico e ferramentas de manejo que abordam a \u201csensibilidade \u00e0 dem\u00eancia\u201d de um ambiente: a Ferramenta de Auditoria de Dem\u00eancia(DAT), desenvolvida no Centro de Desenvolvimento de Servi\u00e7os de Dem\u00eancia; o conjunto de ferramentas de <em>design<\/em> EVOLVE; a ferramenta de avalia\u00e7\u00e3o \u201cAprimorando o Ambiente de Cura\u201d (EHE), por The King\u2019s Fund; a Ferramenta de Auditoria Ambiental (EAT); e o documento de orienta\u00e7\u00e3o da NHS Scotland sobre orienta\u00e7\u00e3o, o \u00fanico dedicado exclusivamente \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o em instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, mas n\u00e3o especificamente focado em ambientes hospitalares sens\u00edveis \u00e0 dem\u00eancia (Estate, 2005).<br \/><br \/>Apesar de essas diretrizes fornecerem conselhos sobre como melhorar o <em>design<\/em> de ambientes de cuidados para apoiar pessoas com DA e outros tipos de dem\u00eancia, poucas sugest\u00f5es de <em>design<\/em> se concentram especificamente em aliviar a desorienta\u00e7\u00e3o e ajudar a navega\u00e7\u00e3o; aquelas que o fazem, muitas vezes, n\u00e3o s\u00e3o bem-fundamentadas por teorias neurocient\u00edficas de caminhabilidade (O\u2019Malley et al., 2016). Neste artigo, a partir da revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica de literatura pertinente ao tema, argumenta-se que as teorias neurocient\u00edficas de orienta\u00e7\u00e3o e navega\u00e7\u00e3o, respaldadas por evid\u00eancias experimentais e aplica\u00e7\u00f5es de projeto, podem e devem desempenhar um papel importante na melhoria do <em>design<\/em> de ambientes de cuidados \u00e0 sa\u00fade do idoso.<br \/><br \/>Os conceitos de envelhecimento e navega\u00e7\u00e3o espacial, a neuroci\u00eancia aplicada \u00e0 arquitetura e a influ\u00eancia das vari\u00e1veis ambientais aos usu\u00e1rios se destacam entre os mais utilizados na \u00e1rea de <em>design<\/em> arquitet\u00f4nico de espa\u00e7os destinados \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de sa\u00fade para idosos.<br \/><br \/><strong>Envelhecimento e navega\u00e7\u00e3o espacial (<em>wayfinding<\/em>)<\/strong><br \/>O <em>wayfinding<\/em> envolve movimento coordenado e orientado para um objetivo a ser realizado no ambiente (Montello et al., 2005), sendo definido como o processo de determinar e navegar em uma rota, de uma origem a um destino (Golledge et al., 1987). O <em>wayfinding<\/em> \u00e9 considerado tamb\u00e9m uma habilidade complexa e multissensorial suscet\u00edvel a amplas diferen\u00e7as individuais (Van Buuren; Mohammadi, 2021) a qual \u00e9 afetada por emo\u00e7\u00f5es e motiva\u00e7\u00f5es pessoais ou coletivas. Por exemplo, a ansiedade espacial tem um efeito prejudicial sobre o desempenho de <em>wayfinding<\/em>, especialmente em tarefas de navega\u00e7\u00e3o complexas (Marquardt, 2011). J\u00e1 o senso de autoefic\u00e1cia espacial e o prazer em explorar ambientes desconhecidos se correlacionam positivamente com o desempenho de <em>wayfinding<\/em> (Pazzaglia; Meneghetti, 2017).<br \/><br \/>Boas habilidades de <em>wayfinding<\/em> (derivadas da intera\u00e7\u00e3o entre fatores individuais e ambientais) s\u00e3o uma fonte importante de qualidade devida e autonomia. As emo\u00e7\u00f5es se tornam ainda mais relevantes no envelhecimento at\u00edpico quando pessoas com dem\u00eancia interagem com ambientes n\u00e3o familiares. V\u00e1rios estudos demonstraram que o papel do ambiente \u00e9 de extrema import\u00e2ncia na redu\u00e7\u00e3o do estresse e na promo\u00e7\u00e3o da qualidade de vida. Em uma revis\u00e3o sobre o impacto do <em>design<\/em> de ambientes constru\u00eddos em pessoas com dem\u00eancia, Marquardt et al. (2014) descobriu que ambientes em pequena escala, um aspecto ambiental estritamente relacionado \u00e0 navega\u00e7\u00e3o espacial (Marquardt; Schmieg, 2009), est\u00e3o associados \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do comportamento disfuncional e \u00e0 melhoria do bem-estar, incluindo sintomas depressivos reduzidos e melhoria do humor e da qualidade de vida.<br \/><br \/>Tratando-se da cogni\u00e7\u00e3o, a navega\u00e7\u00e3o espacial depende de v\u00e1rios processos sensoriais e cognitivos, bem como de representa\u00e7\u00f5es espaciais duradouras e transit\u00f3rias (Wolbers; Hegarty, 2010). Est\u00edmulos visuais e auditivos captam as informa\u00e7\u00f5es do meio constru\u00eddo, permitindo a compreens\u00e3o espacial por parte do usu\u00e1rio. Est\u00edmulos visuais somados aos receptores vestibulares e proprioceptores fornecem informa\u00e7\u00f5es sobre como as pessoas se movem pelo espa\u00e7o. Todas essas entradas s\u00e3o processadas e integradas para permitir que o indiv\u00edduo se localize quanto sua posi\u00e7\u00e3o, se oriente e consiga planejar rotas para o destino pretendido.<br \/><br \/>A capacidade de planejar uma rota, mover-se em dire\u00e7\u00e3o a um destino e alcan\u00e7\u00e1-lo deriva da intera\u00e7\u00e3o entre habilidades individuais, sensoriais e fatores ambientais (Pazzaglia; Meneghetti, 2017). Nesse contexto, certos modelos interativos de navega\u00e7\u00e3o e <em>wayfinding<\/em> foram propostos. A seguir, foram revisados modelos interativos de navega\u00e7\u00e3o e estudos de navega\u00e7\u00e3o. Embora o objetivo deste artigo seja o de fornecer sugest\u00f5es de design arquitet\u00f4nico para os interiores dos ambientes de sa\u00fade e os ambientes de cuidados, observa-se que as pessoas empregam os mesmos mecanismos de caminhabilidade tanto em ambientes internos quanto externos. Portanto, citamos pesquisas que se utilizaram de ambos os tipos de ambientes.<br \/><br \/>Carpman e Grant (2002) analisaram o comportamento de <em>wayfinding<\/em> em ambientes internos em termos de sistemas nos quais combina\u00e7\u00f5es de fatores comportamentais (vari\u00e1veis cognitivas e diferen\u00e7as individuais),design de edif\u00edcios e elementos operacionais (por exemplo, sinaliza\u00e7\u00e3o interna, mapas de localiza\u00e7\u00e3o) interagem para criar um ambiente em que pode ser f\u00e1cil caminhar.<br \/><br \/>J\u00e1 Carlson et al. (2010) sugeriu considerar a complexidade do <em>wayfinding<\/em> interno em termos de vari\u00e1veis ambientais (caracter\u00edsticas de um edif\u00edcio), representa\u00e7\u00f5es espaciais das pessoas ou mapas cognitivos (uma esp\u00e9cie de imagem mental do ambiente) e fatores pessoais (habilidades e estrat\u00e9gias espaciais individuais). Conforme Tolman (1948), a forma como esses elementos interagem pode ser analisada em termos de: correspond\u00eancia (entre um edif\u00edcio e um mapa cognitivo); compatibilidade(entre um edif\u00edcio e as estrat\u00e9gias individuais); e completude (entre um mapa cognitivo e habilidades e estrat\u00e9gias espaciais individuais). A an\u00e1lise conjunta desses componentes pode gerar desdobramentos promissores acerca de problemas de navega\u00e7\u00e3o apresentados por um determinado edif\u00edcio.<br \/><br \/>Abordagem interativa semelhante \u00e9 adotada por modelos ecol\u00f3gicos de gerontologia que explicam a rela\u00e7\u00e3o entre caracter\u00edsticas individuais e ambientes em termos de ajuste usu\u00e1rio-ambiente (Kahana, 1982), em que a capacidade das pessoas de expressar seu pleno potencial depende de sua compatibilidade com seu ambiente.<br \/><br \/>A capacidade de lidar com o ambiente pode diminuir \u00e0 medida que as pessoas se tornam mais vulner\u00e1veis devido ao envelhecimento (Schr\u00f6der- Butterfill; Mariani, 2006). Essas vulnerabilidades resultam em pessoas se tornando cada vez mais dependentes de seu ambiente, conforme previsto pela <em>Hip\u00f3tese da Docilidade Ambiental<\/em> (Fornara et al., 2019; Lawton, 1977;Lawton e Simon, 1968). Isso tamb\u00e9m explica por que as diferen\u00e7as individuais no comportamento da mobilidade espacial de cada usu\u00e1rio devem ser analisadas, levando em considera\u00e7\u00e3o as vari\u00e1veis ambientais que facilitam ou inibem a navega\u00e7\u00e3o (Devlin, 2014).<br \/><br \/>Tal perspectiva pode ser observada no <em>design<\/em> arquitet\u00f4nico proposto pelo projeto habitacional voltado para a sa\u00fade do idoso com dem\u00eancia, <em>Hogeweyk Dementia Village<\/em>, na Holanda, cujos quartos dos pacientes com dem\u00eancia s\u00e3o personalizados conforme a cultura, o hist\u00f3rico de vida e as atividades de lazer (Figura 1). Conforme a <em>Hip\u00f3tese da Docilidade Ambiental<\/em>, ambientes reconhec\u00edveis contribuem para a resili\u00eancia emocional e a qualidade de vida (Lawton, 1977).<br \/>\r\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: center;\"><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8284 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-1-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-1-225x300.jpg 225w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-1-768x1024.jpg 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-1-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-1-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><br \/>Figura 1 .&nbsp;<\/strong>Em corredores e salas de espera, mobili\u00e1rios familiares e aconchegantes s\u00e3o aplicados, fomentando uma atmosfera diversificada da apar\u00eancia cl\u00e1ssica dos ambientes de sa\u00fade presentes em Hokeweyk. A vista lateral dos jardins presentes nas \u00e1reas externas auxilia nessa ambi\u00eancia. Fonte: homesmiths.co.uk (2020).<br \/><br \/><\/p>\r\nPor tais raz\u00f5es, foram analisados os aspectos cognitivos contemplados pela neuroci\u00eancia aplicada \u00e0 arquitetura, tendo em vista analisar as vari\u00e1veis ambientais que afetam qualitativamente a navega\u00e7\u00e3o de idosos saud\u00e1veis e com dem\u00eancia no ambiente constru\u00eddo. Evid\u00eancias desses fatores individuais e ambientais ser\u00e3o utilizados para fundamentar as diretrizes de design listadas na \u00faltima se\u00e7\u00e3o do artigo.<br \/><br \/><strong>Neuroci\u00eancia aplicada \u00e0 arquitetura<\/strong><br \/>Quando aplicada ao projeto de <em>design<\/em> arquitet\u00f4nico, a neuroci\u00eancia passa a ter o objetivo de melhorar os espa\u00e7os constru\u00eddos para gerar efeitos positivos na sa\u00fade f\u00edsica e mental dos seres humanos (Fajardo, 2018). Esse m\u00e9todo de uni\u00e3o entre pesquisa e projeto \u00e9 crucial, visto que as pessoas idosas passam mais de 87% do seu tempo em ambiente hospitalar fechado, e, possivelmente, esses espa\u00e7os n\u00e3o s\u00e3o adequados para elas (Bruchert; Baumgart; Bolte, 2021).<br \/><br \/>A neuroci\u00eancia apresenta-se como o campo cient\u00edfico dedicado ao estudo do funcionamento e da compreens\u00e3o do sistema nervoso, composto por c\u00e9rebro, medula espinhal e nervos perif\u00e9ricos. Nesse sentido, a neuroci\u00eancia aplicada ao meio constru\u00eddo passa a trazer estrat\u00e9gias de <em>design<\/em> para estimular o acolhimento (Sol\u00eds; Herrera, 2017), o bem-estar(Paiva; Jedon, 2019), recupera\u00e7\u00f5es mais r\u00e1pidas e efeitos terap\u00eauticos(Shaaban et al., 2023). Alguns exemplos dessas estrat\u00e9gias incluem o uso de materiais naturais, ilumina\u00e7\u00e3o natural, cores, formas arquitet\u00f4nicas, texturas, materiais naturais e a disposi\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis e objetos.<br \/><br \/>De acordo com Browning, Ryan e Clancy (2014), constru\u00e7\u00f5es que possuem conex\u00f5es multissensoriais com o mundo exterior podem proporcionar benef\u00edcios terap\u00eauticos, pois os ocupantes expressam consistentemente uma prefer\u00eancia por envolvimento visual e n\u00e3o visual com a natureza e a paisagem. Al\u00e9m disso, Kellert (2008) argumenta que a presen\u00e7a da \u00e1gua \u00e9 esteticamente atraente e tem a capacidade de estimular uma ampla gama de sentidos, incluindo audi\u00e7\u00e3o, movimento, tato, paladar e olfato. O envolvimento multissensorial e atemporal faz dela uma escolha ideal para a incorpora\u00e7\u00e3o em espa\u00e7os ao ar livre cujo prop\u00f3sito seja mitigara ansiedade e o estresse por parte dos pacientes em tratamento ou at\u00e9 mesmo servir como um marco visual para a orienta\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. Esses s\u00e3o apenas alguns exemplos de estrat\u00e9gias de design que a neuroci\u00eancia aplicada \u00e0 arquitetura utiliza para alcan\u00e7ar seus objetivos.<br \/><br \/>Nesse aspecto, o ambiente constru\u00eddo \u00e9 inicialmente percebido por meio das emo\u00e7\u00f5es, um sistema instintivo e eficiente, sens\u00edvel a repercuss\u00f5es emocionais tanto negativas quanto positivas\u00b2. Paiva e Jedon (2019)afirmam que indiv\u00edduos em um ambiente quente, por exemplo, podem suar, sentir-se desconfort\u00e1veis e ser incapazes de se concentrar. Outro exemplo s\u00e3o os sentimentos de medo, ansiedade e alerta que podem ser gerados em ambientes escuros e desconhecidos.<br \/><br \/>Tal intera\u00e7\u00e3o entre o ambiente e o indiv\u00edduo pode ocorrer sem que os usu\u00e1rios percebam, tendo em vista que algumas sensa\u00e7\u00f5es s\u00e3o captadas inconscientemente pelo c\u00e9rebro, conforme os estudos de Eberhard (2009).Paiva (2018) e Khaleghimoghaddam et al. (2022) argumentam que tais intera\u00e7\u00f5es podem resultar em altera\u00e7\u00f5es no estado fisiol\u00f3gico, como mudan\u00e7as nos n\u00edveis de horm\u00f4nios, frequ\u00eancia card\u00edaca, condut\u00e2ncia da pele, press\u00e3o sangu\u00ednea, temperatura corporal e tens\u00e3o muscular. Tamb\u00e9m podem modificar o estado emocional, o comportamento, a tomada de decis\u00e3o e a sa\u00fade mental. Villarouco et al. (2021) corrobora ao destacar que:\r\n<blockquote>[...] o ambiente fornece constantemente est\u00edmulos \u2014 de maior ou menor intensidade \u2014 que s\u00e3o captados pelo corpo como sensa\u00e7\u00f5es para a mente processar, gerando percep\u00e7\u00f5es e consci\u00eancia, que podem desencadear uma resposta comportamental (Villarouco et al., 2021, p. 20).<\/blockquote>\r\nEm outras palavras, as caracter\u00edsticas do ambiente causam rea\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas que podem aumentar ou reduzir a capacidade mental de realizar uma tarefa espec\u00edfica. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio criar espa\u00e7os que possam estimular os seres humanos a melhorarem seu desempenho, deforma a manter o bem-estar e a sa\u00fade dos usu\u00e1rios.<br \/><br \/>Com a neuroci\u00eancia aplicada ao projeto de design arquitet\u00f4nico, \u00e9 poss\u00edvel projetar ambientes para idosos com dem\u00eancia que sejam capazes de compensar certas fragilidades cognitivas, como a perda do equil\u00edbrio durante uma caminhada, possibilitando autonomia e melhoria na experi\u00eancia desses pacientes em ambientes hospitalares. Sa\u00fade mental, seguran\u00e7a ao caminhar pelos corredores, bem-estar e n\u00edveis de estresse menores em ambientes hospitalares podem ser alcan\u00e7ados a depender das estrat\u00e9gias de design arquitet\u00f4nico aplicadas \u00e0s vari\u00e1veis do ambiente hospitalar. A seguir, ser\u00e3o apresentadas as vari\u00e1veis ambientais evidenciadas pela neuroci\u00eancia que podem qualificar a experi\u00eancia de pacientes idosos com dem\u00eancia nos ambientes de sa\u00fade.<br \/><br \/><strong>Influ\u00eancia das vari\u00e1veis ambientais sobre os usu\u00e1rios no espa\u00e7o constru\u00eddo<\/strong><br \/>Como citado, \u00e0 medida que o ser humano envelhece, especialmente com o advento de quadros neurodegenerativos, a capacidade de percorrer livremente pelo espa\u00e7o tende a diminuir, tornando desafiadora a explora\u00e7\u00e3o de ambientes desconhecidos sem o apoio de um cuidador(Wolbers; Hegarty, 2010). Ademais, quando o idoso precisa ir ao ambiente de sa\u00fade, seja hospitalar, seja a resid\u00eancia assistida, sejam cl\u00ednicas de reabilita\u00e7\u00e3o, \u00e9 essencial promover melhorias espaciais no <em>design<\/em> arquitet\u00f4nico que compensem as habilidades de orienta\u00e7\u00e3o em decl\u00ednio desse paciente (Wiener; Pazzaglia, 2021).<br \/><br \/>Ressalta-se que os ambientes de cuidados diferem muito em tamanho, arquitetura, recursos dispon\u00edveis e liberdade para implementar altera\u00e7\u00f5es. Portanto, objetiva-se fornecer princ\u00edpios de design arquitet\u00f4nico gen\u00e9ricos baseados em evid\u00eancias cient\u00edficas, em vez de solu\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Esses princ\u00edpios de design podem, ent\u00e3o, ser traduzidos em solu\u00e7\u00f5es personalizadas para ambientes espec\u00edficos, a depender de como ser\u00e3o utilizados pelos projetistas dos ambientes hospitalares.<br \/><br \/>Tendo em vista a navega\u00e7\u00e3o espacial, ser\u00e3o apresentados o leiaute, a luz, a geometria e o acesso \u00e0 natureza como principais influ\u00eancias ambientais que podem qualificar a experi\u00eancia de idosos, cuidadores e colaboradores nos ambientes de sa\u00fade.<br \/><br \/><strong>Leiaute<\/strong><br \/>Ao desenvolver ambientes para pessoas com habilidades de navega\u00e7\u00e3o em decl\u00ednio, o design deve considerar leiautes de corredores simples, excelente acesso visual, pouca uniformidade, um sistema de sinaliza\u00e7\u00e3o claro e a presen\u00e7a de marcos visuais. Os leiautes mais eficazes para a receptividade de idosos s\u00e3o acomoda\u00e7\u00f5es em pequenos espa\u00e7os, onde tudo o que um residente precisa fique sempre \u00e0 vista, de forma confort\u00e1vel, permitindo que eles caminhem entre seus pr\u00f3prios quartos e as \u00e1reas comuns com facilidade. Acomoda\u00e7\u00f5es de menor \u00e1rea com bom acesso visual reduzem a desorienta\u00e7\u00e3o espacial porque esse leiaute facilita o processamento da mem\u00f3ria espacial e a recorda\u00e7\u00e3o, bem como as decis\u00f5es de caminhos redundantes, com in\u00edcio e fim bem delimitados e de f\u00e1cil compreens\u00e3o. Nesse sentido, a disposi\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o desempenha um papel central.<br \/><br \/>Leiautes simplificados e diretos, conforme apontado por Marquardt (2011), t\u00eam o potencial de proporcionar uma compreens\u00e3o mais intuitiva do ambiente, o que \u00e9 crucial para pacientes com decl\u00ednios cognitivos. Esses leiautes evitam confus\u00e3o e ansiedade, permitindo que os pacientes se movam com mais facilidade (Lithfous; Dufour; Despr\u00e9s, 2013). Al\u00e9m disso, a visibilidade e a identifica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas s\u00e3o cruciais para uma caminhabilidade bem-sucedida. Estudos de Garling, Book e Lindberg (1986) ressaltam a import\u00e2ncia de um acesso visual claro e amplo, permitindo que os residentes identifiquem rapidamente diferentes partes do ambiente. A presen\u00e7a de elementos visuais distintos e pontos de refer\u00eancia ajuda a construir uma rede mental de orienta\u00e7\u00e3o espacial, conforme proposto por Ishikawa e Nakamura (2012).<br \/><br \/>O estudo de Van Buuren e Mohammadi (2021) analisou 14 plantas baixas de espa\u00e7os de cuidado para idosos com dem\u00eancia. Tais plantas foram avaliadas por 14 crit\u00e9rios de projeto dedicados ao apoio das habilidades de orienta\u00e7\u00e3o para o grupo-alvo. A partir de an\u00e1lises qualitativas e quantitativas do estudo, constatou-se melhores desempenhos de caminhabilidade espacial em 3 das 14 plantas. Leiautes de corredores semelhantes foram encontrados no estudo de Marquardt, ainda em 2011(Figura 2). Ademais, sugere-se, em ambos os estudos, aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 configura\u00e7\u00e3o das plantas baixas, a forma e a luz natural do corredor (VanBuuren; Mohammadi, 2021; Marquardt, 2011).<br \/>\r\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-8285 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-2-300x103.png\" alt=\"\" width=\"792\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-2-300x103.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-2-1024x351.png 1024w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-2-768x263.png 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-2-1536x526.png 1536w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-2.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 792px) 100vw, 792px\" \/><br \/>Figura 2 .<\/strong> Leiautes de corredores constatados nos estudos de Marquardt (2011) e Van Buuren e Mohammadi (2021). (I) Corredor estreito, retil\u00edneo e uniforme; (II) Caminho cont\u00ednuo em torno de um p\u00e1tio interno; (III) Sistema de circula\u00e7\u00e3o em forma de L com mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o. Fonte: Adaptado de Marquardt (2011).<br \/><br \/><\/p>\r\nEmbora interven\u00e7\u00f5es, como sinaliza\u00e7\u00e3o, mob\u00edlia, ilumina\u00e7\u00e3o e cores, possam qualificar o desempenho na orienta\u00e7\u00e3o de idosos com dem\u00eancia, elas n\u00e3o conseguem compensar o design arquitet\u00f4nico inadequado presente no leiaute (Marquardt; Schmieg, 2009). Assim, com base nos resultados dos estudos discutidos, pode-se formular a hip\u00f3tese de que os projetos cujos leiautes s\u00e3o concebidos com os que foram apresentados desempenham um papel significativo no apoio \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o espacial e \u00e0 navega\u00e7\u00e3o de pessoas com dem\u00eancia.<br \/><br \/><strong>Ilumina\u00e7\u00e3o em ambientes de sa\u00fade<\/strong><br \/>O contato com a ilumina\u00e7\u00e3o natural \u00e9 de evidente import\u00e2ncia para a sa\u00fade humana. Estudos apontam que esse recurso afeta o ciclo circadiano, a performance, a energia, a qualidade do sono, os n\u00edveis de vitamina D e de serotonina no organismo, al\u00e9m da sa\u00fade ocular (Kellert; Calabrese, 2015).<br \/><br \/>Os estudos de Eberhard (2009) observaram que a ilumina\u00e7\u00e3o natural, quando aplicada ao ambiente constru\u00eddo, foi capaz de afetar a reten\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria dos usu\u00e1rios presentes no ambiente. Os resultados dos testes de memoriza\u00e7\u00e3o feitos entre o grupo com ilumina\u00e7\u00e3o natural e apenas o grupo com ilumina\u00e7\u00e3o artificial demonstraram tal teoria. Pesquisas mostram que, em salas de aula com grandes aberturas para luz natural, foram encontrados n\u00edveis mais altos de aten\u00e7\u00e3o e melhor aprendizado (Kaplan, 1995). Al\u00e9m disso, estudos como o de Boubekri et al. (2014, p.14) demonstram que \u201c[...] pessoas que trabalham em ambiente ensolarado dormem melhor e riem mais do que aquelas que passam o dia em escrit\u00f3rios mal iluminados\u201d, al\u00e9m de contribuir para melhorias na qualidade do sono e na redu\u00e7\u00e3o de problemas f\u00edsicos e mentais.<br \/><br \/>No que se refere aos pacientes idosos, ap\u00f3s os 60 anos, diversas modifica\u00e7\u00f5es estruturais no globo ocular passam a ser mais expressivas do que na fase adulta. O olhar envelhecido passa a ter maior sensibilidade, menor acuidade visual, menor abertura da pupila e capta\u00e7\u00e3o de luz do meio externo (Chang; Guarente, 2013). O amarelecimento do cristalino promove menor capta\u00e7\u00e3o da luz de comprimento azul presente no sol e nos ambientes internos durante o dia (Sahar; Farajnia et al., 2012).<br \/><br \/>Essa mudan\u00e7a, quando somada \u00e0 pouca capta\u00e7\u00e3o de luz durante o dia por parte do idoso, ocasiona transtornos metab\u00f3licos, entre eles: pior efici\u00eancia do sono; aumento do despertar noturno e da lat\u00eancia do sono; e maiores n\u00edveis de sonol\u00eancia diurna por n\u00e3o captarem de forma efetiva os est\u00edmulos de luz di\u00e1rios (Feinslier et al., 2017).<br \/><br \/>Ao serem levados para casas de repouso, idosos saud\u00e1veis e com quadros demenciais passam a ser, na maioria dos casos, expostos amenos est\u00edmulos ambientais, a menos atividades f\u00edsicas e a menor exposi\u00e7\u00e3o a est\u00edmulos luminosos, contribuindo ao aumento dos sintomas neurodegenerativos (Feinslier et al., 2017). Nesse sentido de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz, a temperatura da cor emitida pela ilumina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica pode ser modificada de acordo com o ritmo circadiano dos pacientes internos, variando entre 6.500 K ao amanhecer, 4.000 K ao entardecer e menos de2.800 K ao anoitecer. Quando realizado, esse sistema de ilumina\u00e7\u00e3o pode proporcionar melhorias ao humor, ao sono e \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o dos transtornos comportamentais presentes em pacientes com dem\u00eancia (Barret et al., 2018). Para facilitar essas modifica\u00e7\u00f5es de temperatura de cor, s\u00e3o utilizados os sistemas de ilumina\u00e7\u00e3o Tunable White, por serem capazes de mimetizar a intensidade da ilumina\u00e7\u00e3o natural, conforme mostrado na Figura 3 (Tuaycharoen, 2020).<br \/><br \/>Nesse aspecto, a pesquisa conduzida na \u00c1sia avaliou o comportamento de 308 idosos tailandeses com idades entre 61 e 79 anos, provenientes de seis diferentes ambientes de sa\u00fade controlados. Constatou-se que os idosos tailandeses passam a adquirir maior autonomia e independ\u00eancia em um ambiente favor\u00e1vel e que compense suas necessidades biol\u00f3gicas e funcionais ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o do sistema de ilumina\u00e7\u00e3o <em>Tunable White<\/em>\u00b3, presente na Figura 3 (Tuaycharoen, 2020). Nesse estudo, fatores significativos inclu\u00edram o tipo de abertura, o tipo de lumin\u00e1ria, o tipo de l\u00e2mpada e o tipo de vista, bem como outros fatores relacionados \u00e0 cor, \u00e0 sinaliza\u00e7\u00e3o e ao mobili\u00e1rio dos ambientes das casas de repouso. Em outro estudo, observou-se que a ilumina\u00e7\u00e3o e as caracter\u00edsticas arquitet\u00f4nicas apropriadas em termos de cor, sinaliza\u00e7\u00e3o e mobili\u00e1rio promoveram a descoberta de caminhos internos, melhorias no humor e na qualidade do sono em idosos residentes em casas de repouso ou internos em ambientes de sa\u00fade (Figueir\u00f3, 2008).<br \/>\r\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-8286 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-3-300x143.png\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-3-300x143.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-3-1024x489.png 1024w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-3-768x366.png 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-3.png 1482w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><br \/>Figura 3 .<\/strong> Exemplos de imagens de teste na primeira parte. O efeito do CCT ( a ) frio (6.500 K), ( b ) branco (4.000 K), ( c ) quente (2.800 K). O efeito da cor da sala: ( d ) superf\u00edcie da sala em tom de cor fria, ( e ) superf\u00edcie da sala em tom de cor branca e ( f ) superf\u00edcie da sala em tom de cor quente. Fonte: Tuaycharoen (2020).<br \/><br \/><\/p>\r\nA aplica\u00e7\u00e3o de ilumina\u00e7\u00e3o com temperatura de cor quente, cerca de 2.800 K, \u00e0 noite nos quartos de residentes em lares de idosos evidenciou: diminui\u00e7\u00e3o dos dist\u00farbios do sono; melhora do humor e do comportamento dos residentes; melhorias na qualidade do tratamento de quadros demenciais e cognitivos; e menor sobrecarga aos enfermeiros (Figueir\u00f3 et al., 2011). Outro estudo semelhante ao de Figueir\u00f3 (2011)considerou que o uso de luz extra perto do piso e de cores contrastantes entre piso e parede pode auxiliar os pacientes em ambientes de sa\u00fade a encontrar o caminho do seu respectivo quarto mais facilmente (Wolkove et al., 2007).<br \/><br \/>Em outro experimento feito em uma casa de idosos para cuidados demenciais, a modifica\u00e7\u00e3o da ilumina\u00e7\u00e3o para uma cuidadosamente especificada e implementada propiciou melhorias no sono e no humor durante o dia por parte dos pacientes com DA (Figueir\u00f3 et al., 2019).Dessa forma, a ilumina\u00e7\u00e3o integrada ao ritmo circadiano, quando cuidadosamente especificada e implementada, propicia melhorias no humor, no sono e diminui\u00e7\u00e3o dos transtornos comportamentais presentes em pacientes com dem\u00eancia.<br \/><br \/>Por fim, o estudo recente de Figueir\u00f3 et al. (2020) teve como objetivo analisar a qualidade do sono de 47 idosos com dem\u00eancia em nove diferentes ambientes de sa\u00fade controlados. O ensaio cl\u00ednico foi feito em 25 semanas a partir de modifica\u00e7\u00f5es administradas \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o durante todo o dia. Foram empregadas medidas de actigrafia4 no pulso e medidas padronizadas de qualidade do sono, humor e comportamento (Figueir\u00f3 et al., 2020). O estudo constatou que uma interven\u00e7\u00e3o regular de ilumina\u00e7\u00e3o diurna com efic\u00e1cia circadiana pode melhorar o sono noturno e reduzira depress\u00e3o e a agita\u00e7\u00e3o em pacientes com dem\u00eancia que vivem em ambientes de sa\u00fade controlados.<br \/><br \/>Dessa forma, tendo em vista os estudos demonstrados, pode-se afirmar que a ilumina\u00e7\u00e3o desempenha forte influ\u00eancia no humor, no sono e na capacidade de recupera\u00e7\u00e3o e bem-estar dos usu\u00e1rios dos espa\u00e7os internos, especialmente pacientes idosos. Logo, faz-se essencial consider\u00e1-la em um projeto hospitalar receptivo a pacientes com dem\u00eancia.<br \/><br \/><strong>Cor<\/strong><br \/>A escolha de cores adequadas \u00e9 crucial no design arquitet\u00f4nico para pessoas com dem\u00eancia. O uso de cores presentes na natureza e de alto contraste entre parede, piso e teto pode melhorar a caminhabilidade e a recorda\u00e7\u00e3o de objetos. As prefer\u00eancias de cores parecem permanecer est\u00e1veis, ent\u00e3o, personalizar as cores dos quartos pode ser ben\u00e9fico (Ishikawa; Nakamura, 2012). Al\u00e9m disso, cores claras podem criar uma sensa\u00e7\u00e3o de amplitude espacial, enquanto cores e contrastes adequado podem ser usados para diferenciar \u00e1reas e corredores. No entanto, \u00e9 importante considerar a capacidade das pessoas com dem\u00eancia de discriminar cores e contrastes, que pode ser reduzida devido ao processo de amarelecimento do cristalino (Ishikawa; Nakamura, 2012).<br \/><br \/>O\u2019Connor (2020) corrobora ao averiguar em seu estudo melhorias de leitura, inclus\u00e3o, conforto ambiental e independ\u00eancia no caminhar. O objetivo principal era fomentar estrat\u00e9gias de leitura para o p\u00fablico com dem\u00eancia a partir da trabalhabilidade do contraste com cores em textos e pain\u00e9is de sinaliza\u00e7\u00e3o. O resultado foi efetivo na qualidade de agregar possibilidades de independ\u00eancia ao p\u00fablico com dem\u00eancia a partir da f\u00e1cil leitura das sinaliza\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas (O\u2019Connor, 2020).<br \/><br \/>O uso de cores artificiais deve ser aplicado com cautela, especialmente as que apresentem brilho na composi\u00e7\u00e3o. Tons e arranjos imag\u00e9ticos de tons naturais mimetizando flores, p\u00f4r do sol, arco-\u00edris, plantas e animais podem ser aplicados em locais cuja fun\u00e7\u00e3o seja promover tranquilidade (Duzenli et al., 2018). Kellert e Calabrese (2015) corroboram a sugest\u00e3o do uso decores naturais para atmosferas acolhedoras e tranquilizantes, tendo em&nbsp; vista que tais tonalidades criam conex\u00f5es entre o ambiente constru\u00eddo e a natureza. Verde, azul e amarelo, por exemplo, s\u00e3o tonalidades relacionadas \u00e0 natureza, permitindo influ\u00eancias na redu\u00e7\u00e3o do estresse ao estimular o senso de conforto ambiental e a proximidade com o meio externo (Fern\u00e1ndez, 2019). Por outro lado, indiv\u00edduos expostos \u00e0 cor vermelha, ou demais cores com alto grau de satura\u00e7\u00e3o, podem ter seu estado fisiol\u00f3gico alterado, como aumento da tens\u00e3o muscular, libera\u00e7\u00e3o de adrenalina, aumento do metabolismo, da frequ\u00eancia card\u00edaca e das atividades fisiol\u00f3gicas do sistema digestivo (Roth; Clar, 2018).<br \/><br \/>Nesse quesito, o uso de cores pode promover val\u00eancias emocionais de cunho positivo ou negativo nos idosos com dem\u00eancia em ambientes de sa\u00fade, a depender de como e em qual lugar determinada tonalidade for utilizada. Portanto, torna-se uma vari\u00e1vel ambiental a ser levada em considera\u00e7\u00e3o em projetos de ambientes sens\u00edveis \u00e0 dem\u00eancia.<br \/><br \/><strong>Formas<\/strong><br \/>As formas arquitet\u00f4nicas tamb\u00e9m causam impacto ao c\u00e9rebro humano. Espa\u00e7os quadrados podem transmitir sensa\u00e7\u00e3o de confinamento, pois o c\u00e9rebro entende que est\u00e1 em um espa\u00e7o fechado. Os estudos de Lei Xia (2020) mostram que \u00e2ngulos agudos em mobili\u00e1rios, por exemplo, podem evocar uma sensa\u00e7\u00e3o de perigo, devido ao fato de o ser humano ser instintivamente amea\u00e7ado por objetos pontiagudos, considerados um potencial risco a machucados. Tal risco tende a causar estresse e ansiedade, mesmo que de forma inconsciente (Lei Xia, 2020).<br \/><br \/>Em contraste, o uso de curvas ou contornos suaves transmite uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e conforto, pois se assemelham a formas naturais (Kellert; Calabrese, 2015). Portanto, a mistura de geometrias curvas cria uma sensa\u00e7\u00e3o de dinamismo, tornando o espa\u00e7o menos est\u00e1tico e criando ambientes semelhantes \u00e0 natureza, em constante mudan\u00e7a (Shaaban; Kamel; Khodeir, 2023).<br \/><br \/>De forma geral, as pessoas preferem objetos com contornos curvos em detrimento de objetivos com contornos afiados, como as pontas de uma mesa de jantar retangular. \u201cEssa tend\u00eancia [...] parece estar relacionada \u00e0 percep\u00e7\u00e3o impl\u00edcita da mente humana de que formas pontiagudas s\u00e3o amea\u00e7adoras e, portanto, podem machucar\u201d (Pati et al., 2016, p.175).<br \/><br \/>Outro elemento importante para evocar emo\u00e7\u00f5es na arquitetura \u00e9 a textura, devido ao seu efeito visual e, principalmente, \u00e0 possibilidade de sensa\u00e7\u00e3o t\u00e1til, conforme Roth e Clar (2018). O sentido do tato desempenha um papel relevante nas percep\u00e7\u00f5es, pois promove a a\u00e7\u00e3o de gerar e modificar sensa\u00e7\u00f5es. Texturas e emo\u00e7\u00f5es est\u00e3o associadas e podem ser medidas com base na temperatura, na suavidade, na rugosidade e no prazer que proporcionam ao indiv\u00edduo (Iosifyan; Korolkova, 2019). A textura pode ser fornecida por materiais naturais, como madeira, pedra natural, bambu, palha e argila, que trazem texturas e cores reminiscentes da natureza (Kellert; Heerwagen; Mador, 2011).<br \/><br \/>Al\u00e9m disso, a altura do teto influencia a jornada da experi\u00eancia no ambiente constru\u00eddo e, consequentemente, afeta os n\u00edveis de concentra\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio. Tal influ\u00eancia foi mostrada nas pesquisas de Fern\u00e1ndez (2019) e Shaaban, Kamel e Khodeir (2023). Tetos altos, por exemplo, s\u00e3o adequados em ambientes para atividades criativas. Foi registrado, nesse caso, que a altura do teto acima de 2,5 metros promove a ativa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas do sistema nervoso central relacionadas \u00e0 liberdade e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o por parte do usu\u00e1rio. Essa ativa\u00e7\u00e3o possibilita a promo\u00e7\u00e3o tanto de criatividade quanto de comportamentos espont\u00e2neos. Por outro lado, tetos mais pr\u00f3ximos do ch\u00e3o, com p\u00e9-direito menor do que 2,5metros, favorecem tarefas que exigem mais concentra\u00e7\u00e3o e repeti\u00e7\u00e3o. Ambos os estudos registraram que as \u00e1reas do sistema nervoso central relacionadas \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de metas, aos objetivos e ao foco atencional s\u00e3o ativadas nesses espa\u00e7os (Fern\u00e1ndez, 2019; Shaaban, Kamel e Khodeir,2023). Dessa forma, ambos os distanciamentos entre o ch\u00e3o e o teto influenciam o comportamento inconsciente do c\u00e9rebro dos usu\u00e1rios de ambientes constru\u00eddos.<br \/><br \/>No ambiente de sa\u00fade sens\u00edvel \u00e0 dem\u00eancia, fica percept\u00edvel o uso estrat\u00e9gico de cores, caminhos curvil\u00edneos, padr\u00f5es e materiais que remetem \u00e0 natureza. Tais recursos proporcionam uma f\u00e1cil orienta\u00e7\u00e3o na torre South Hill pertencente ao lar de idosos Rockwood Retirement Communities, localizado em Spokane, Washington. Isso auxilia os residentes a navegarem pelo edif\u00edcio de forma independente, contribuindo para sentimentos de confian\u00e7a e autoestima (Figura 4).<br \/>\r\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8287 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-4-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"648\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Figura-4-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 648px) 100vw, 648px\" \/><\/p>\r\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 4 .<\/strong> Torre <em>South Hill<\/em> do lar de idosos <em>Rockwood Retirement Communities<\/em>, localizada em Spokane, Washington (2019)\/Foto; Ben Benschneider (2019).<\/p>\r\n<br \/><strong>Acesso \u00e0 natureza<\/strong><br \/>Ao considerar o acesso \u00e0 natureza, a <em>Teoria da Redu\u00e7\u00e3o do Estresse<\/em>, desenvolvida nos anos 90 por Roger Ulrich, sugere que os ambientes naturais podem reduzir o estresse fisiol\u00f3gico e as emo\u00e7\u00f5es aversivas. Outra teoria relevante foi a desenvolvida por Kaplan (1995): a <em>Teoria do <\/em><em>Restauro da Aten\u00e7\u00e3o<\/em>, que defende que a natureza auxilia a renovar a aten\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o desgaste dos recursos cognitivos utilizados durante as atividades di\u00e1rias. A teoria sugere que os recursos mentais dos seres humanos s\u00e3o limitados e, portanto, atividades envolvendo a cogni\u00e7\u00e3o, o autocontrole, a criatividade e a concentra\u00e7\u00e3o consomem grande parte dos recursos energ\u00e9ticos do corpo humano. Dessa forma, ambas as teorias prop\u00f5em que a aproxima\u00e7\u00e3o de recursos ambientais colabora para o fomento de ambientes apraz\u00edveis aos ocupantes dos espa\u00e7os constru\u00eddos(Kaplan, 1995; Ulrich, 1993). Logo, a introdu\u00e7\u00e3o do contato direto ou indireto com aspectos naturais nos ambientes de sa\u00fade torna-se uma estrat\u00e9gia de design arquitet\u00f4nico promissora para mitigar os fatores estressantes para idosos com dem\u00eancia.<br \/><br \/>No que tange \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de superf\u00edcies que remontam a aspectos da natureza, o trabalho conduzido por Ikei et al. (2017) revelou que \u201c[...] tocar a madeira com a palma da m\u00e3o acalma a atividade do c\u00f3rtex pr\u00e9-frontale induz a atividade nervosa parassimp\u00e1tica mais do que outros materiais [...]\u201d, induzindo, assim, o relaxamento fisiol\u00f3gico dos usu\u00e1rios. Isso foi tamb\u00e9m evidenciado no estudo de Bhatta et al. (2017) ao mostrar que superf\u00edcies de madeira natural e lisa foram percebidas de forma mais positiva no toque emocional do que as revestidas com materiais inexistentes no ambiente natural.<br \/><br \/>Trabalhos referentes \u00e0 \u201cpaisagem sonora\u201d, tamb\u00e9m conhecida como <em>soundscape<\/em>, mostraram que a sonoridade do ambiente influencia a val\u00eancia emocional de idosos com dem\u00eancia em lares de apoio cl\u00ednico. O trabalho conduzido por Devos et al. (2019) evidenciou que o monitoramento adequado de ru\u00eddos e a aplica\u00e7\u00e3o de sons considerados \u201ccalmantes\u201d, como os de p\u00e1ssaros e os advindos da natureza, propiciam val\u00eancias emocionais positivas, como sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar, conforto e seguran\u00e7a (Devos et al., 2019).<br \/><br \/>Kosters et al. (2019) corrobora ao identificar a redu\u00e7\u00e3o clinicamente relevante dos sintomas neuropsiqui\u00e1tricos de 110 idosos com dem\u00eancia em cinco casas de apoio cl\u00ednico ao mitigar os ru\u00eddos urbanos e introduzir sonoridades naturais, bem como as apontadas por Devos et al. (2019).Outro estudo, de De Pessemier et al. (2022), sugere que a incorpora\u00e7\u00e3o de <em>soundscapes<\/em> reconhec\u00edveis como naturais e apreciados pelo p\u00fablico com dem\u00eancia em lares de apoio cl\u00ednico contribui positivamente para a val\u00eancia emocional dos ocupantes. Na investiga\u00e7\u00e3o, evidenciou-se que aproximadamente 70% dos usu\u00e1rios obtiveram melhorias em rela\u00e7\u00e3o ao bem-estar e ao conforto ambiental (De Pessemier et al., 2022).<br \/><br \/>Referente aos aromas naturais, o estudo realizado por Silva et al. (2023) verificou a efic\u00e1cia do <em>Lavandula angustifolia Mill<\/em>. como \u00f3leo essencial para o al\u00edvio da dor e a diminui\u00e7\u00e3o da ansiedade. Nesta pesquisa, foram avaliados 83 estudos provenientes de diversos pa\u00edses, envolvendo diversos m\u00e9todos, aplica\u00e7\u00f5es e efeitos. Dos estudos avaliados, 83% envolviam a inala\u00e7\u00e3o do \u00f3leo; 14%, a aplica\u00e7\u00e3o do \u00f3leo na pele; e 3%, a ingest\u00e3o de p\u00edlulas contendo tal subst\u00e2ncia (Silva et al., 2023). Dessa forma, a aplica\u00e7\u00e3o dessa ess\u00eancia natural ao projeto de arquitetura apresenta-se como est\u00edmulo sensorial promissor no que tange ao comportamento ansiol\u00edtico e ao bem-estar dos pacientes idosos com dem\u00eancia em ambientes de sa\u00fade.<br \/><br \/><strong>Conclus\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>O design arquitet\u00f4nico sens\u00edvel ao idoso com dem\u00eancia deve considerar cuidadosamente as formas, as texturas, o p\u00e9-direito, o acesso \u00e0 natureza, as superf\u00edcies que remetem \u00e0 natureza e os aromas naturais para criar ambientes que promovam o bem-estar e a qualidade de vida desses indiv\u00edduos. Esses elementos podem desempenhar um papel significativo na melhoria do ambiente constru\u00eddo para atender \u00e0s necessidades espec\u00edficas das pessoas com dem\u00eancia.<br \/><br \/><strong>a <\/strong>Wayfinding (navega\u00e7\u00e3o no ambiente): o wayfinding \u00e9 um aspecto cr\u00edtico no design de ambientes para idosos com dem\u00eancia, pois essas pessoas, muitas vezes, enfrentam desafios de orienta\u00e7\u00e3o espacial. O leiaute do ambiente, incluindo corredores simples, acesso visual claro, pouca uniformidade, sinaliza\u00e7\u00e3o eficaz e marcos visuais, desempenha um papel fundamental na melhoria da caminhabilidade desses indiv\u00edduos.<br \/><strong>b<\/strong> Ilumina\u00e7\u00e3o natural: a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o natural \u00e9 essencial para a sa\u00fade f\u00edsica e mental dos idosos, incluindo aqueles com dem\u00eancia. A luz natural afeta o ritmo circadiano, melhora o humor, promove o bem-estar e pode ajudar a reduzir os dist\u00farbios do sono. A integra\u00e7\u00e3o de sistemas de ilumina\u00e7\u00e3o Tunable White, que imitam a intensidade da luz natural, pode ser ben\u00e9fica.<br \/><strong>c<\/strong> Ilumina\u00e7\u00e3o artificial: a ilumina\u00e7\u00e3o artificial cuidadosamente projetada e implementada, incluindo a ilumina\u00e7\u00e3o circadiana, pode melhorar o sono noturno, reduzir a depress\u00e3o e a agita\u00e7\u00e3o em pacientes com dem\u00eancia. A ilumina\u00e7\u00e3o deve ser adaptada \u00e0s necessidades dos pacientes, levando em considera\u00e7\u00e3o o envelhecimento dos olhos e as necessidades individuais.<br \/><strong>d<\/strong> Uso de cores: a escolha de cores adequadas desempenha um papel significativo na cria\u00e7\u00e3o de ambientes acolhedores e tranquilos para pacientes com dem\u00eancia. Cores naturais e tons suaves est\u00e3o associados \u00e0 natureza e podem promover sensa\u00e7\u00f5es de conforto e conex\u00e3o com o ambiente. Deve-se evitar o uso excessivo de cores brilhantes e saturadas, que podem causar agita\u00e7\u00e3o.<br \/><strong>e<\/strong> Formas arquitet\u00f4nicas: evitar \u00e2ngulos agudos e formas pontiagudas, optando por curvas e contornos suaves para transmitir sensa\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e conforto.<br \/><strong>f<\/strong> Texturas na arquitetura: utilizar materiais naturais que proporcionem texturas e cores reminiscentes da natureza para criar uma sensa\u00e7\u00e3o de familiaridade e conex\u00e3o com o ambiente.<br \/><strong>g<\/strong> Altura do teto: estabelecer a altura do p\u00e9-direito de acordo com o prop\u00f3sito do espa\u00e7o. Tetos mais altos podem ser ideais para ambientes criativos, enquanto os rebaixados podem favorecer a concentra\u00e7\u00e3o.<br \/><strong>h<\/strong> Acesso \u00e0 natureza: integrar elementos naturais, como \u00e1reas verdes, luz natural e vistas para a natureza, para reduzir o estresse e melhorar o bem-estar dos residentes.<br \/><strong>i<\/strong> Superf\u00edcies que remetem \u00e0 natureza: utilizar materiais que remetam \u00e0 natureza, como madeira natural, para criar ambientes acolhedores e reconfortantes.<br \/><strong>j<\/strong> Paisagem sonora e aromas naturais: considerar a paisagem sonora, incorporando sons naturais calmantes, como os de p\u00e1ssaros, e aromas naturais, como o \u00f3leo essencial de Lavandula angustifolia Mill., para criar ambientes que promovam sentimentos de bem-estar, conforto e seguran\u00e7a.<br \/><br \/>Em resumo, o design arquitet\u00f4nico sens\u00edvel ao idoso com dem\u00eancia deve ser pensado de forma sist\u00eamica, levando em considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas os aspectos f\u00edsicos do ambiente, mas tamb\u00e9m os elementos sensoriais que podem influenciar positivamente o estado emocional e cognitivo dos residentes. Essa abordagem pode contribuir para a cria\u00e7\u00e3o de ambientes terap\u00eauticos que melhorem a qualidade e a experi\u00eancia de vida das pessoas com dem\u00eancia, promovendo independ\u00eancia, bem-estar e menor sobrecarga de trabalho aos cuidadores e familiares envolvidos.<br \/><br \/><strong>Refer\u00eancias<br \/><\/strong>\r\n<p dir=\"ltr\">ALZHEIMER'S ASSOCIATION. <strong>2020 Alzheimer's Disease Facts and Figures<\/strong>. Alzheimers Dement 2020, v. 16, n. 3, p. 391. Dispon\u00edvel em:&lt;https:\/\/www.alz.org\/media\/Documents\/alzheimers-facts-and-figures.pdf&gt;. Acesso em: 2 jun 2020.<\/p>\r\n<p dir=\"ltr\">ANDRADE, S. C. V. DE et al. Perfil de sa\u00fade dos idosos assistidos pelo Programa Acompanhante de Idosos na Rede de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade do Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. <strong>Einstein Journal<\/strong>, v. 18, p. -, 2020.<\/p>\r\n<p dir=\"ltr\">BARRETT, P.; SHARMA, M.; ZEISEL, J. 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