{"id":8090,"date":"2024-06-12T15:43:29","date_gmt":"2024-06-12T18:43:29","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/indicadores-de-desempenho-como-ferramenta-de-gestao-em-manutencao-predial-estudo-de-caso-em-um-hospital-publico\/"},"modified":"2024-08-08T12:34:26","modified_gmt":"2024-08-08T15:34:26","slug":"indicadores-de-desempenho-como-ferramenta-de-gestao-em-manutencao-predial-estudo-de-caso-em-um-hospital-publico","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/indicadores-de-desempenho-como-ferramenta-de-gestao-em-manutencao-predial-estudo-de-caso-em-um-hospital-publico\/","title":{"rendered":"Indicadores de desempenho como ferramenta de gest\u00e3o em manuten\u00e7\u00e3o predial \u2013 estudo de caso em um hospital p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<strong>Resumo<\/strong><br \/>O objetivo do presente trabalho \u00e9 apresentar o resultado do monitoramento de cinco indicadores de manuten\u00e7\u00e3o de um hospital de grande porte na cidade de Curitiba. A s\u00edntese deste trabalho \u00e9 o resultado de nove anos de monitoramento do servi\u00e7o de engenharia hospitalar da manuten\u00e7\u00e3o predial do Hospital de Cl\u00ednicas da UFPR, por meio de cinco indicadores de desempenho, utilizando como base uma ferramenta de controle denominada cronograma f\u00edsico. A metodologia utilizada neste trabalho foi a cria\u00e7\u00e3o de uma ferramenta no Microsoft Excel, denominada cronograma f\u00edsico, que permitiu o monitoramento do desempenho de quatro categorias de manuten\u00e7\u00e3o predial: Alvenaria e hidr\u00e1ulica, Serralheria, El\u00e9trica e refrigera\u00e7\u00e3o, e Marcenaria, que abrangem praticamente todos os servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o predial necess\u00e1rios para manter, em condi\u00e7\u00f5es de uso, os 60 mil m2 dos edif\u00edcios do Complexo Hospitalar de Cl\u00ednicas da Universidade Federal do Paran\u00e1. Essa ferramenta permitiu avaliar o desempenho de servi\u00e7os executados x servi\u00e7os procrastinados, m\u00e3o de obra empregada, custo da m\u00e3o de obra, custo da m\u00e3o de obra por servi\u00e7o executado e a caracter\u00edstica dos atendimentos realizados. Foi constatado que a m\u00e9dia de servi\u00e7os executados nas quatro \u00e1reas \u00e9 de 47% do total demandado, realizando, assim, uma m\u00e9dia de541 tarefas por ano. A quantidade m\u00e9dia de colaboradores utilizada para realizar essas tarefas foi de 45, com custo m\u00e9dio mensal de US$ 46.597,60e custo m\u00e9dio por posto de US$ 76,44, sendo que o custo de uma hora\/homem trabalhada em 2021 foi, em m\u00e9dia, de US$ 4,88.<br \/><strong><br \/>Palavras-chave<\/strong><br \/>manuten\u00e7\u00e3o predial hospitalar, desempenho, custo, engenharia hospitalar.<br \/><br \/><strong>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>O bem-estar dos pacientes est\u00e1 correlacionado \u00e0 qualidade e ao desempenho do edif\u00edcio hospitalar. Nesse contexto, para que a constru\u00e7\u00e3o atinja seus objetivos e forne\u00e7a os servi\u00e7os compat\u00edveis com suas atividades, usu\u00e1rios e administradores, a manuten\u00e7\u00e3o predial se torna um elemento primordial (OLANREWAJU, FANG e TAN, 2018).<br \/><br \/>Segundo Karman (2011), o hospital \u00e9 uma empresa destinada a assistir pessoas, prevenir doen\u00e7as, tratar e reabilitar pacientes, elevar o padr\u00e3o dos profissionais da sa\u00fade e realizar pesquisas. Por isso, requerem instala\u00e7\u00f5es especiais. Karman afirma ainda que os hospitais s\u00e3o os empreendimentos mais complexos do ponto de vista arquitet\u00f4nico, de engenharia, de instala\u00e7\u00f5es e de manuten\u00e7\u00e3o predial, pois funcionam 24 horas por dia, 365dias no ano, mencionando que a previs\u00e3o e a detec\u00e7\u00e3o precoce de falhas ou defeitos co\u00edbem interrup\u00e7\u00f5es e interdi\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de mobiliza\u00e7\u00f5es e recursos desnecess\u00e1rios.<br \/><br \/>Machado (2013) comenta que, por causa do n\u00edvel de operacionalidade exigido em um ambiente hospitalar, a indisponibilidade de espa\u00e7os, instala\u00e7\u00f5es ou equipamentos pode ter impactos negativos na atividade cl\u00ednica, inclusive com risco para vidas humanas.<br \/><br \/>No ambiente hospitalar, cada setor tem a sua pr\u00f3pria necessidade de manuten\u00e7\u00e3o, cuja falha, se n\u00e3o contornada, pode comprometer o servi\u00e7o local e a entrega do seu servi\u00e7o, influenciando diretamente a aten\u00e7\u00e3o ao paciente (SILVA, 2018).<br \/><br \/>Boeger (2009) comenta a import\u00e2ncia das condi\u00e7\u00f5es estruturais oferecidas pelo ambiente hospitalar ao paciente durante a sua estadia, frisando que podem afetar inclusive a sua recupera\u00e7\u00e3o. Por sua vez, a durabilidade de uma edifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 rotina de manuten\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 imposta e aos custos dispon\u00edveis (GUIMAR\u00c3ES, 2020).<br \/><br \/><strong>2. Revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica<\/strong><br \/><br \/><strong>2.1 Manuten\u00e7\u00e3o predial&nbsp;<\/strong><br \/>Segundo a Norma Europeia (EN 13306, 2017), manuten\u00e7\u00e3o predial pode ser definida como a combina\u00e7\u00e3o de todos os esfor\u00e7os t\u00e9cnicos e administrativos gerenci\u00e1veis que visam manter ou repor, as condi\u00e7\u00f5es de uso de um bem ou um ativo durante a sua vida \u00fatil.<br \/><br \/>A manuten\u00e7\u00e3o predial pode ser definida como uma ferramenta composta por diversos itens em que atividades t\u00e9cnicas e administrativas acontecem simultaneamente (SANTOS, ALVES e PINHEIRO, 2021). J\u00e1 para Donas(2004), a manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 a corre\u00e7\u00e3o e a preven\u00e7\u00e3o de falhas, sendo que, dependendo do ambiente da aplica\u00e7\u00e3o ou da criticidade da falha, a manuten\u00e7\u00e3o torna-se mais relevante, pois envolve elementos econ\u00f4micos como: produ\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, disponibilidade de equipamentos, vidas e a seguran\u00e7a dos usu\u00e1rios.<br \/><br \/>A manuten\u00e7\u00e3o predial tamb\u00e9m pode ser definida ainda como o conjunto de todas as atividades relacionadas \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o, adequa\u00e7\u00e3o, restaura\u00e7\u00e3o, substitui\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas dos edif\u00edcios (PINTO e XAVIER, 2001).<br \/><br \/>Segundo Cabral (2009), a manuten\u00e7\u00e3o predial se divide basicamente em tr\u00eas modalidades: preventiva, corretiva e de melhoria. A manuten\u00e7\u00e3o preventiva \u00e9 realizada com o objetivo de evitar avarias, perdas ou redu\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00e3o. A corretiva \u00e9 a realizada na sequ\u00eancia de uma avaria ou perda de fun\u00e7\u00e3o. Finalmente, a de melhoria mant\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es de uso dobem ou atendimento \u00e0s normas legais vigentes.<br \/><br \/>Nos \u00faltimos anos, conforme pesquisa feita por Burgardt (2002), com os recentes incrementos evolutivos, na maioria das empresas, a \u00e1rea de manuten\u00e7\u00e3o deixou de ser apenas uma atividade rotineira e passou a ser uma atividade estrat\u00e9gica, sendo um diferencial competitivo entre as organiza\u00e7\u00f5es.<br \/><br \/>Alner e Fellows (1990) resumem que a principal estrat\u00e9gia de manuten\u00e7\u00e3o predial deve estar focada na seguran\u00e7a dos usu\u00e1rios e que as demais estrat\u00e9gias derivam desta.<br \/><br \/>A estrat\u00e9gia de manuten\u00e7\u00e3o predial adotada pelas organiza\u00e7\u00f5es deve ser eficiente e agregar valor aos ativos existentes. Para tanto, deve ser eficaz a tal ponto que consiga prolongar ao m\u00e1ximo a vida \u00fatil da edifica\u00e7\u00e3o e dos seus equipamentos (HORNER et al. 1997).<br \/><br \/>A pol\u00edtica e a estrat\u00e9gia de manuten\u00e7\u00e3o predial s\u00e3o os principais aspectos a serem considerados no processo de gerenciamento da opera\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o predial (LEE e SCOTT, 2008).<br \/><br \/>Os tr\u00eas elementos essenciais para essa pol\u00edtica s\u00e3o: a escolha da estrat\u00e9gia de manuten\u00e7\u00e3o, o padr\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o e a aloca\u00e7\u00e3o de recursos (LEE,2008).<br \/><br \/>Por sua vez, Lee e Worsworth (2001) observam que, sem uma pol\u00edtica bem definida de manuten\u00e7\u00e3o, todos os esfor\u00e7os nesse sentido ser\u00e3o aleat\u00f3rios. Para evitar tal situa\u00e7\u00e3o, os autores listam cinco princ\u00edpios b\u00e1sicos: (i) o intervalo adequado para a realiza\u00e7\u00e3o de uma opera\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o;(ii) a vida \u00fatil dos equipamentos e dos elementos do edif\u00edcio; (iii) o padr\u00e3o dos servi\u00e7os a serem mantidos; (iv) o tempo de resposta requerido entre a ocorr\u00eancia do defeito e o seu reparo; e (v) as exig\u00eancias legais a serem observadas.<br \/><br \/>Por outro lado, o padr\u00e3o aceit\u00e1vel de manuten\u00e7\u00e3o nas organiza\u00e7\u00f5es depende muito da disponibilidade de recursos e de fatores comuns tanto aos usu\u00e1rios como aos administradores do im\u00f3vel (EL-HARAM e HORNER,2002).<br \/><br \/>Outro aspecto importante citado por Pitt (1997) \u00e9 o fato de a equipe operacional de manuten\u00e7\u00e3o argumentar que o or\u00e7amento destinado a essa atividade est\u00e1 sempre abaixo das suas necessidades. Por outro lado, a alta administra\u00e7\u00e3o critica a inefici\u00eancia da manuten\u00e7\u00e3o quanto ao uso dos recursos alocados.<br \/><br \/>Por sua vez, Amaratunga et al. (2000) cita que a manuten\u00e7\u00e3o se tornou um importante foco para garantir a vida \u00fatil dos ativos dos edif\u00edcios constru\u00eddos, exigindo considera\u00e7\u00f5es que j\u00e1 devem ser levadas em conta na concep\u00e7\u00e3o do projeto.<br \/><br \/>Outro aspecto similar foi abordado por Arditi e Nawakorawit (1999). Em uma pesquisa feita nos Estados Unidos, os autores perceberam que a maioria dos propriet\u00e1rios de 230 edif\u00edcios pesquisados n\u00e3o estavam investindo recursos somente na manuten\u00e7\u00e3o reativa, mas tamb\u00e9m, principalmente, no planejamento e gerenciamento eficiente da manuten\u00e7\u00e3o predial, assim como em qualquer atividade corporativa.<br \/><br \/>No mesmo estudo, os autores notaram um incremento de 16% no n\u00famero de funcion\u00e1rios de manuten\u00e7\u00e3o predial durante os cinco anos de pesquisa.<br \/><br \/>Ao se considerar o desenvolvimento sustent\u00e1vel, \u00e9 muito importante levarem conta os custos de ciclo de vida (manuten\u00e7\u00e3o), especialmente porque estima-se que os edif\u00edcios s\u00e3o respons\u00e1veis por 40% de toda energia consumida na Uni\u00e3o Europeia (BORKOVI\u0106, 2005, citado por MARENJAK e KRSTI\u0106, 2012).<br \/><br \/>Segundo Shohet e Lebiovich (2003) o desempenho dos edif\u00edcios hospitalares depende, em grande parte, da efici\u00eancia da execu\u00e7\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Chanter e Swallow (2007) citam que entre os principais elementos a serem avaliados na gest\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o predial est\u00e1 a gest\u00e3o de pessoas.<br \/><br \/>Viana e Ribeiro (2017) realizaram uma pesquisa em rela\u00e7\u00e3o aos fatores que contribuem para o sucesso da gest\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o em empresas de minera\u00e7\u00e3o. O terceiro item mais apontado pelos entrevistados \u2013 gerentes, supervisores e engenheiros \u2013 foi a gest\u00e3o de pessoas.<br \/><br \/>Em um modelo pessoal de pesquisa, Al Zubadi e Christer (1997) analisaram os principais problemas de manuten\u00e7\u00e3o e o n\u00famero m\u00e9dio de funcion\u00e1rios para atender tais demandas, percebendo um grande d\u00e9ficit de colaboradores para solucion\u00e1-las.<br \/><br \/><strong>2.2 A import\u00e2ncia da manuten\u00e7\u00e3o predial no ambiente hospitalar.<\/strong><br \/>Servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o predial prec\u00e1rios ou com poucos investimentos s\u00e3o fatores de risco para pacientes, haja vista que os n\u00fameros de defeitos nas instala\u00e7\u00f5es tendem a aumentar, e o tempo de resposta de reparo, a subir, o que inabilita muitas vezes o atendimento adequado, quando n\u00e3o o impossibilita por completo (ABISUGA et al., 2016).<br \/><br \/>Para citar alguns exemplos, foi constatado que, nos hospitais palestinos da faixa de Gaza, havia somente a manuten\u00e7\u00e3o corretiva dos sistemas de \u00e1gua e esgoto, colocando em risco muitas vezes a sa\u00fade dos pacientes por falta de inspe\u00e7\u00e3o preventiva desses sistemas (ENSHASSI et al., 2015).<br \/><br \/>Em um hospital localizado no sudoeste da Nig\u00e9ria, foi constatada a baixa efici\u00eancia do sistema de transporte vertical contra inc\u00eandio, al\u00e9m das v\u00e1rias falhas no sistema de fornecimento de energia el\u00e9trica (ADENUGA e IBIYEMI, 2009).<br \/><br \/>Uma auditoria realizada em hospitais cubanos concluiu que a causa raiz de muitas manifesta\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas nos edif\u00edcios estava ligada \u00e0 m\u00e1 gest\u00e3o das atividades de manuten\u00e7\u00e3o predial (GAL\u00c1N e EDITH, 2017).<br \/><br \/>Segundo Joshi e Murthy (2011), as atividades de manuten\u00e7\u00e3o predial nos hospitais n\u00e3o devem focar agregar valor \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o como acontece nos edif\u00edcios comerciais e resid\u00eancias, mas sim reduzir ao m\u00e1ximo o prazo da execu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e com o menor impacto poss\u00edvel \u00e0s atividades de rotina hospitalar.<br \/><br \/>O governo da Mal\u00e1sia por exemplo, come\u00e7ou a privatizar a gest\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o hospitalar dos 144 hospitais p\u00fablicos do pa\u00eds em 1996,<br \/>por meio de cinco cons\u00f3rcios diferentes. Ainda assim, depois de v\u00e1rios anos de servi\u00e7os prestados, esses cons\u00f3rcios, por v\u00e1rias raz\u00f5es, n\u00e3o conseguiram ainda apresentar resultados satisfat\u00f3rios de qualidade de servi\u00e7o perante a opini\u00e3o p\u00fablica do pa\u00eds (WONG et al., 2021).<br \/><br \/>Outro aspecto importante que n\u00e3o deve ser negligenciado nas opera\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o hospitalar \u00e9 a gest\u00e3o ambiental do ar e da ventila\u00e7\u00e3o dos sistemas de ar-condicionado e refrigera\u00e7\u00e3o, respons\u00e1veis por serem os maiores propagadores de doen\u00e7as infecciosas, como a aspergilose e a legioneliose (STREIFEL, 2005).<br \/><br \/>Tamb\u00e9m na Mal\u00e1sia, Pallis e Misnan (2018) listaram os principais fatores que afetam os custos de manuten\u00e7\u00e3o: aloca\u00e7\u00e3o de recursos pela gest\u00e3o, comportamento dos usu\u00e1rios, fatores clim\u00e1ticos, complexidade do uso e qualidade dos materiais e componentes utilizados.<br \/><br \/>Os autores citados anteriormente ainda d\u00e3o o exemplo dos sistemas defeituosos de ar-condicionado no Hospital Tengku Ampuah Rahimah, causando v\u00e1rias infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas em pacientes, entre outras ocorr\u00eancias registradas na Mal\u00e1sia por falta de manuten\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Conforme pesquisa realizada em 61 unidades de sa\u00fade no estado de Minas Gerais, apenas 3,3% atendem plenamente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es operacionais e de infraestrutura para a execu\u00e7\u00e3o de suas atividades, considerando o perfil de complexidade, e 96,7% atendem parcialmente (AMORIM et al., 2013).<br \/><br \/>Ainda na mesma pesquisa, os autores constataram que apenas duas unidades de sa\u00fade possuem quantitativo compat\u00edvel \u00e0s suas necessidades; 57 t\u00eam quantitativo que atende parcialmente \u00e0s necessidades, e duas possuem quantitativo totalmente insuficiente.<br \/><br \/><strong>2.3 Custos da manuten\u00e7\u00e3o predial<\/strong><br \/>Em uma pesquisa realizada no Reino Unido, Chanter e Swallow (2007) citam que os gastos totais com manuten\u00e7\u00e3o predial cresceram cerca de 90% entre 1993 e 2003, valor bem significativo e que merece a devida aten\u00e7\u00e3o dos gestores de manuten\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Uma pesquisa feita por Neely e Neathemer (1991) verificou que, em 34 tipos de edifica\u00e7\u00f5es diferentes (inclusive hospitais), foi constatado que os or\u00e7amentos com manuten\u00e7\u00e3o eram gastos da seguinte maneira: acabamento e constru\u00e7\u00e3o (34%); aquecimento e ar (29%); instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas (16%); instala\u00e7\u00f5es hidr\u00e1ulicas (10%); e fachadas externas (13%).<br \/><br \/>Na universidade de Barcelona, outro estudo foi realizado sobre os custos de um edif\u00edcio durante a sua vida \u00fatil. Constatou-se que 5% dos custos s\u00e3o de projeto; 20%, de constru\u00e7\u00e3o; 65%, de manuten\u00e7\u00e3o e funcionamento; e 10%, de reposi\u00e7\u00e3o ou demoli\u00e7\u00e3o. No entanto, em institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, os custos operacionais s\u00e3o maiores, principalmente pelo uso intenso (LOUSTAUNAU e BEGUER\u00cdA, 1992), (CALCEDO, 2014).<br \/><br \/>Em um estudo realizado com 700 edif\u00edcios hospitalares em Israel, se concluiu que, em 80 mil m2 estudados, com uma taxa de 8,25 leitos a cada mil m2, o custo m\u00e9dio anual com manuten\u00e7\u00e3o foi de US$ 37,2\/m2, sendo que 51,60% eram gastos com pessoal, 11,7%, com material, e o restante com despesas de \u00e1gua, luz e combust\u00edvel (SHOHET e LEIBOVICH, 2003).<br \/><br \/>Em um estudo realizado nos hospitais p\u00fablicos da Mal\u00e1sia, constatou-se que muitos problemas relacionados \u00e0 falta de manuten\u00e7\u00e3o nos hospitais est\u00e3o ligados diretamente \u00e0 falta de investimentos governamentais na sa\u00fade. Verificou-se que, enquanto a Inglaterra aplica US$ 3.867,00 por paciente, em m\u00e9dia, Cingapura, US$ 1.148,00, e Brasil, US$ 723,00, na Mal\u00e1sia, esse investimento \u00e9 da ordem de US$ 437,00 (OLANREWAJU, FANG e TAN, 2018).<br \/><br \/>Em 2002, na Mal\u00e1sia, o investimento total com manuten\u00e7\u00e3o predial foi de US$ 117.943,99, soma equivalente a 6% de todo o investimento do pa\u00eds em constru\u00e7\u00e3o civil, segundo o Conselho da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o da Mal\u00e1sia (OLANREWAJU, 2008).<br \/><br \/>Segundo Barylka (2016), citado por Plebankiewicz e Gracki (2013), um dos componentes dos custos do ciclo de vida de um edif\u00edcio dif\u00edceis de se determinar s\u00e3o os custos incorridos durante a opera\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio, em particular os de manuten\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Em pesquisa realizada em cinco hospitais p\u00fablicos da S\u00edria, Hassan e Haddad (2011) conclu\u00edram que 50,5% dos gastos com manuten\u00e7\u00e3o eram com elementos de arquitetura, 23,16% com eletricidade, 14,67% com instala\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas e 12,5% com outros elementos.<br \/><br \/>Do ponto de vista da gest\u00e3o, a manuten\u00e7\u00e3o n\u00e3o compreende apenas gastos que geram custos econ\u00f4micos, portanto devem ser considerados tamb\u00e9m custos de desligamentos, consumo de energia, emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas e o envelhecimento precoce dos equipamentos e sistemas em fun\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o ineficiente (KAPLAN e NORTON, 2004).<br \/><br \/><strong>2.4 Indicadores de manuten\u00e7\u00e3o hospitalar<\/strong><br \/>Para mensurar quanto a manuten\u00e7\u00e3o de uma determinada institui\u00e7\u00e3o \u00e9 eficiente ou n\u00e3o, deve-se criar e monitorar um n\u00famero suficiente de<br \/>indicadores, com o intuito de prever ou antecipar a\u00e7\u00f5es para alcan\u00e7ar a excel\u00eancia dos servi\u00e7os prestados com a manuten\u00e7\u00e3o predial (VERRI,<br \/>2007).<br \/><br \/>Branco Filho (2008) sugere como indicadores de manuten\u00e7\u00e3o predial os seguintes itens, entre outros:<br \/><br \/><strong>a<\/strong> Desempenho dos equipamentos;<br \/><strong>b<\/strong> Custos da manuten\u00e7\u00e3o;<br \/><strong>c<\/strong> Efici\u00eancia dos programas de manuten\u00e7\u00e3o;<br \/><strong>d<\/strong> Efici\u00eancia da manuten\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Outros dois indicadores interessantes s\u00e3o propostos por Pinto e Xavier (2001), sendo que um deles mede o cumprimento dos planos de<br \/>manuten\u00e7\u00e3o e \u00e9 definido pela seguinte equa\u00e7\u00e3o:<br \/><br \/>MP = Tarefa realizada no programa de manuten\u00e7\u00e3o x 100%&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; (1)<br \/>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Tarefas programadas no programa de manuten\u00e7\u00e3o<br \/><br \/>O valor desej\u00e1vel desse indicador \u00e9 a proximidade com o valor de 100%. <br \/><br \/>O outro indicador tem rela\u00e7\u00e3o com o acompanhamento dos custos de m\u00e3o de obra em rela\u00e7\u00e3o ao custo total dos servi\u00e7os e \u00e9 definido pela<br \/>seguinte equa\u00e7\u00e3o:<br \/><br \/>MO = Custo total com a m\u00e3o de obra empregada na tarefa x 100%<br \/>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Custo total da manuten\u00e7\u00e3o da tarefa<br \/><br \/>Quanto menor for a porcentagem, mais eficiente ser\u00e1 o custo de m\u00e3o de obra, exceto em casos que a manuten\u00e7\u00e3o tenha apenas o emprego de<br \/>m\u00e3o de obra e n\u00e3o possua nenhum insumo.<br \/><br \/>Em uma pesquisa realizada em um hospital de m\u00e9dio porte no oeste catarinense, na regi\u00e3o Sul do Brasil, que atende cerca de 114 leitos,<br \/>constatou-se que, entre janeiro e maio de 2017, o MP foi de 81,44% (QUADRI, 2017).<br \/><br \/>Heineck e Pazzenter (1989) afirmam que os grandes servi\u00e7os consomem elevadas quantidades de m\u00e3o de obra e possuem mais poder de dilui\u00e7\u00e3o dos tempos de mobiliza\u00e7\u00e3o e desmobiliza\u00e7\u00e3o para a execu\u00e7\u00e3o das tarefas. Os autores assumem como avalia\u00e7\u00e3o geral do n\u00edvel de incerteza que os consumos reais de m\u00e3o de obra se distribuem em torno de valores m\u00e9dios segundo um coeficiente de varia\u00e7\u00e3o entre 10% e 20%.<br \/><br \/>Com rela\u00e7\u00e3o ao coeficiente de varia\u00e7\u00e3o, alguns trabalhos apontam que, para uma amostra apresentar valor m\u00e9dio aceit\u00e1vel, o valor do coeficiente de varia\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser alto. Assim, de acordo com Nanni (1981), citado por Hirota (1987), consideram aceit\u00e1veis os valores iguais ou inferiores a 25%.<br \/><br \/>Em um trabalho realizado na cidade de Florian\u00f3polis, em que foi analisada a constru\u00e7\u00e3o de um edif\u00edcio de 8.916,93 m2, Parissoto (2003) percebeu que a m\u00e9dia de produ\u00e7\u00e3o da maioria dos servi\u00e7os de m\u00e3o de obra na execu\u00e7\u00e3o apresentou coeficientes de varia\u00e7\u00e3o entre 13% e 18%.<br \/><br \/>Em um estudo realizado no Hospital de Extremadura, na Espanha, foi constatado que, ao aumentar 6% do tempo total gasto em manuten\u00e7\u00e3o<br \/>preventiva, em um per\u00edodo de cinco anos, a demanda por manuten\u00e7\u00e3o corretiva foi reduzida em 20%, com economia m\u00e9dia anual de 500 MWh no consumo total de energia el\u00e9trica (CALCEDO e CHAPARRO, 2017).<br \/><br \/>No hospital citado anteriormente, as opera\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o s\u00e3o realizadas por nove funcion\u00e1rios que trabalham em turnos, cobrindo 24<br \/>horas por dia, o ano todo. O custo anual desse servi\u00e7o \u00e9 de \u20ac 335.417,00, sendo que esse hospital possui 75 leitos, distribu\u00eddos em uma \u00e1rea de 8.507,00 m2 (CALCEDO e CHAPARRO, 2017).<br \/><br \/>Durante a pesquisa, entre 2010 e 2015, os autores citados acima obtiveram o custo m\u00e9dio anual de \u20ac 252,55 por servi\u00e7o executado e de \u20ac<br \/>167,97 por hora de manuten\u00e7\u00e3o trabalhada.<br \/><br \/>Sezer et al. (2018) tamb\u00e9m salienta a import\u00e2ncia da coleta de dados ao longo do processo de manuten\u00e7\u00e3o para a previs\u00e3o de tend\u00eancias,<br \/>comportamentos e tomada de decis\u00e3o na melhoria cont\u00ednua da manuten\u00e7\u00e3o preditiva.&nbsp;<br \/><br \/><strong>3. Objetivo e metodologia<\/strong><br \/>O principal objetivo deste trabalho foi identificar os custos relacionados \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o hospitalar, bem como \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e ao percentual de<br \/>atendimento da demanda, utilizando uma ferramenta de gest\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o desenvolvida no software Microsoft Excel, na qual foram<br \/>compilados dados de nove anos de pesquisa e acompanhamento da execu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o em quatro \u00e1reas distintas do<br \/>ambiente hospitalar.<br \/><br \/>A metodologia de pesquisa adotada para este trabalho foi a explorat\u00f3ria, com an\u00e1lise de dados coletados em campo (GIL, 2007). A pesquisa foi realizada em um hospital p\u00fablico do estado do Paran\u00e1, Brasil, com \u00e1rea de 59.541,60 m2 e ocupa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 400 leitos, possuindo uma taxa m\u00e9dia de 6,71 leitos a cada mil m2.<br \/><br \/><strong>3.1 Ferramenta de gest\u00e3o \u2013 cronograma f\u00edsico<\/strong><br \/>A ferramenta de gest\u00e3o da pesquisa foi desenvolvida em um arquivo Excel, do pacote da Microsoft., dividido em linhas e colunas e no qual eram registradas as seguintes informa\u00e7\u00f5es:<br \/><br \/><strong>a<\/strong> N\u00famero do of\u00edcio do demandante;<br \/><strong>b<\/strong> Setor demandante;<br \/><strong>c<\/strong> Data de chegada;<br \/><strong>d<\/strong> Especifica\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o;<br \/><strong>e<\/strong> Classifica\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o;<br \/><strong>f<\/strong> Observa\u00e7\u00f5es.<br \/><br \/>A seguir, temos o exemplo da utiliza\u00e7\u00e3o dessa ferramenta, demonstrada pelo Quadro 1.<br \/>\r\n<div><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8298 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_quadro1-300x145.png\" alt=\"\" width=\"523\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_quadro1-300x145.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_quadro1.png 460w\" sizes=\"(max-width: 523px) 100vw, 523px\" \/><strong>Quadro 1 .<\/strong> Cronograma f\u00edsico de gest\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o hospitalar. Fonte: Autoria pr\u00f3pria.<\/div>\r\n<br \/>Para a realiza\u00e7\u00e3o desta pesquisa foram escolhidas quatro se\u00e7\u00f5es distintas de manuten\u00e7\u00e3o, sendo estas:<br \/><br \/><strong>a<\/strong> Alvenaria: abrangendo todos os servi\u00e7os de pintura, troca de forros, pisos, portas, incluindo tamb\u00e9m todos os servi\u00e7os realizado sem instala\u00e7\u00f5es hidr\u00e1ulicas e prumadas do edif\u00edcio. Vale salientar que a maioria dos servi\u00e7os realizados por esta se\u00e7\u00e3o (95%) \u00e9 feita em locais distintos, o que eleva o tempo de execu\u00e7\u00e3o das tarefas, pois o deslocamento horizontal de cada andar \u00e9 de aproximadamente 50m de extens\u00e3o, e o vertical pode variar entre 17, 7, 5 e 4 andares.&nbsp;<br \/><strong>b<\/strong> Serralheria: todos os servi\u00e7os relacionados a consertos, recupera\u00e7\u00e3o, pintura de todas as macas, camas, cadeiras, grades, portas e port\u00f5es de metal. Al\u00e9m do conserto de bombas hidr\u00e1ulicas, rede de vapor e gases medicinais do edif\u00edcio. Cerca de 90% das tarefas s\u00e3o realizadas na pr\u00f3pria se\u00e7\u00e3o.<br \/><strong>c<\/strong> El\u00e9trica: todos os servi\u00e7os relacionados a instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas, pain\u00e9is, troca de l\u00e2mpadas, lumin\u00e1rias, tomadas, disjuntores e todos os servi\u00e7os de instala\u00e7\u00e3o, reparo, manuten\u00e7\u00e3o dos equipamentos de ar-condicionado e refrigera\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio. Cerca de 80% das tarefas s\u00e3o executadas na pr\u00f3pria se\u00e7\u00e3o.<br \/><strong>d<\/strong> Marcenaria: elenca todos os servi\u00e7os de confec\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o, ajustes e instala\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis de madeira, bem como todos os servi\u00e7os de estofaria (recupera\u00e7\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o) existentes no complexo. Cerca de 90% das tarefas s\u00e3o executadas na pr\u00f3pria se\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Para facilitar a visualiza\u00e7\u00e3o do monitoramento realizado, foi adotado o uso de cores distintas para o status do atendimento requerido, sendo: branco, em espera; azul, em andamento; vermelho, em atraso; e verde, conclu\u00eddo.<br \/><br \/><strong>3.2 Coleta de dados \u2013 of\u00edcios demandados<\/strong><br \/>Todos os servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o predial do hospital em quest\u00e3o s\u00e3o dirigidos em forma de of\u00edcio \u00e0 ger\u00eancia administrativa do complexo. Em<br \/>seguida, s\u00e3o solicitados ao setor de infraestrutura f\u00edsica, onde \u00e9 feita a triagem de atendimento, com os seguintes par\u00e2metros:<br \/><br \/><strong>a<\/strong> Emerg\u00eancia: servi\u00e7os que causam ou podem causar a interrup\u00e7\u00e3o do atendimento ou suporte \u00e0 vida do paciente.<br \/><strong>b<\/strong> \u00c1reas cr\u00edticas: Unidade de Terapia Intensiva (UTIs), Centro de Terapia Semi-intensiva (CTSIs), Centro Cir\u00fargico, Servi\u00e7os de transplantes, Farm\u00e1cia de manipula\u00e7\u00e3o de quimioter\u00e1picos, Tomografia, Hemodin\u00e2mica e o Servi\u00e7o de Informa\u00e7\u00e3o.<br \/><strong>c<\/strong> \u00c1reas ambulatoriais: consult\u00f3rios, farm\u00e1cia, laborat\u00f3rios, cozinha e enfermarias.<strong><br \/>d<\/strong> \u00c1reas administrativas e demais locais.<br \/><br \/>A seguir, no Quadro 2, \u00e9 ilustrada a quantidade m\u00e9dia de solicita\u00e7\u00f5es realizadas e executadas no Setor de Infraestrutura Hospitalar durante os nove anos de pesquisa.<br \/>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8297 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_quadro2-300x137.png\" alt=\"\" width=\"613\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_quadro2-300x137.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_quadro2.png 491w\" sizes=\"(max-width: 613px) 100vw, 613px\" \/><strong>Quadro 2 .<\/strong> Demandas por of\u00edcio encaminhadas \u00e0 Infraestrutura, m\u00e9dia anual durante nove anos. Per\u00edodo entre 2013 e 2021. Fonte: Autoria pr\u00f3pria.<br \/><br \/>O Quadro 2 demonstra que, em m\u00e9dia, por ano, o Servi\u00e7o de Infraestrutura recebeu uma demanda de 1.092 notifica\u00e7\u00f5es, conseguindo<br \/>atender quase 50%.<br \/><br \/>As demandas s\u00e3o classificadas em tr\u00eas grupos:<br \/><br \/><strong>a<\/strong> Demandas do tipo grande \u2013 servi\u00e7os complexos que utilizam, no m\u00ednimo, mais de dois postos de trabalho por vez e precisam de mais<br \/>de cinco dias de \u00fateis para execu\u00e7\u00e3o; em m\u00e9dia, representam 4% do total.<br \/><strong>b<\/strong> Demandas do tipo m\u00e9dia \u2013 servi\u00e7os cuja complexidade exige, no m\u00ednimo, mais de um posto de trabalho e de 2 a 5 dias \u00fateis de execu\u00e7\u00e3o; em m\u00e9dia, representam 18% do total.<br \/><strong>c<\/strong> Demandas do tipo pequena \u2013 servi\u00e7os cuja complexidade exige, no m\u00e1ximo, um posto de trabalho e at\u00e9 dois dias \u00fateis de execu\u00e7\u00e3o; em m\u00e9dia, representam 78% do total.<br \/><br \/>Uma observa\u00e7\u00e3o importante a ser feita \u00e9 que al\u00e9m deste o Servi\u00e7o de Infraestrutura recebe cerca de 14 mil ordens de servi\u00e7o de manuten\u00e7\u00e3o<br \/>para executar por ano com a mesma equipe, essas ordens s\u00e3o de simples resolu\u00e7\u00e3o, em sua grande maioria, com um tempo m\u00e9dio de resolu\u00e7\u00e3o de uma hora por posto de trabalho.<br \/><br \/>Os servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o predial s\u00e3o distribu\u00eddos em sete edif\u00edcios distintos que variam de 17 pavimentos, no maior, a tr\u00eas pavimentos,<br \/>no menor, dependendo muitas vezes da disponibilidade do transporte vertical, que nem sempre est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, aumentando o tempo de<br \/>execu\u00e7\u00e3o das tarefas.<br \/><br \/>Al\u00e9m disso, o Complexo Hospitalar possui oito casas externas, um barrac\u00e3o de arquivo situado a 15 km e um edif\u00edcio localizado a 6 km, que demandam servi\u00e7os dessa natureza.<br \/><br \/>A Tabela 1 mostra o monitoramento da quantidade de of\u00edcios executados por se\u00e7\u00e3o ao longo de nove anos de pesquisa em porcentagem:<br \/><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-8296 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_tabela1-300x234.png\" alt=\"\" width=\"629\" height=\"491\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_tabela1-300x234.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_tabela1.png 498w\" sizes=\"(max-width: 629px) 100vw, 629px\" \/><strong>Tabela 1 .<\/strong> Demandas por of\u00edcio para a Infraestrutura, percentual por ano executado. Fonte: Autoria pr\u00f3pria.<br \/><br \/>Estipulando-se o limite m\u00e1ximo de coeficiente de varia\u00e7\u00e3o de 15%, conforme recomenda\u00e7\u00e3o de alguns autores, os valores de m\u00e9dia dos<br \/>atendimentos por se\u00e7\u00e3o, bem como dos outros itens pesquisados, passaram a apresentar novos valores, mais coerentes com a realidade do dia a dia da manuten\u00e7\u00e3o hospitalar, conforme ser\u00e1 mostrado a seguir.<br \/><strong><br \/>3.3 Coleta de dados \u2013 Postos de trabalho<\/strong><br \/>Ao longo dos nove anos de pesquisa, houve mudan\u00e7as no n\u00famero de postos a serem contratados, seja por restri\u00e7\u00e3o financeira, seja por decis\u00e3o administrativa. Para ilustrar, cito que 2015 foi o ano de maior contingente, com cerca de 52 postos, e o de 2016, o de menor, com cerca de 35 postos. O Quadro 3 mostra a quantidade m\u00e9dia total e por se\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo pesquisado.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8295 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_quadro3-300x148.png\" alt=\"\" width=\"616\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_quadro3-300x148.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_quadro3.png 423w\" sizes=\"(max-width: 616px) 100vw, 616px\" \/><strong>Quadro 3 .<\/strong> Postos de trabalho contratados pela Infraestrutura, m\u00e9dia anual. Fonte: Autoria pr\u00f3pria.<br \/><br \/>Conforme se observa no Quadro 3, o n\u00famero m\u00e9dio de postos de trabalho para execu\u00e7\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o hospitalar durante os nove anos foi de 45 postos\/ano.<br \/><br \/>Percebe-se que, apesar de a equipe da alvenaria ser a maior em n\u00famero, devido \u00e0 complexidade de algumas atividades, o percentual de conclus\u00e3o de of\u00edcios \u00e9 um pouco menor que o da se\u00e7\u00e3o de marcenaria ou serralheria, conforme visto na Tabela 1.<br \/><br \/>Ap\u00f3s a coleta de dados dos servi\u00e7os executados e da quantidade de postos utilizada durante o per\u00edodo pesquisado, ser\u00e1 feita uma an\u00e1lise<br \/>dos custos totais, por \u00e1rea e por posto de cada se\u00e7\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o hospitalar.<br \/><br \/>Tamb\u00e9m ser\u00e1 feito um tratamento estat\u00edstico dos dados coletados, utilizando a m\u00e9dia, desvio padr\u00e3o e coeficiente de varia\u00e7\u00e3o, com a<br \/>exclus\u00e3o das amostras para composi\u00e7\u00e3o da m\u00e9dia, as amostras que estiverem fora do intervalo de 20% do coeficiente de varia\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Outro aspecto a ser considerado \u00e9 que esta pesquisa s\u00f3 avaliou o custo e o desempenho com a m\u00e3o de obra alocada, n\u00e3o sendo objeto deste<br \/>estudo apresentar dados como o custo com insumos, tarifas de energia el\u00e9trica, de \u00e1gua e o combust\u00edvel utilizado para a produ\u00e7\u00e3o de vapor e<br \/>aquecimento da \u00e1gua.<br \/><br \/><strong>4 Resultados<br \/><\/strong><br \/><strong>4.1 Custos com manuten\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>Os custos totais com manuten\u00e7\u00e3o variam em fun\u00e7\u00e3o da aloca\u00e7\u00e3o de recursos por parte da administra\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, varia\u00e7\u00f5es dos<br \/>pre\u00e7os dos insumos e outros fatores que devem ser ponderados.<br \/><br \/>Este trabalho avaliou apenas o desempenho e os custos com a m\u00e3o de obra alocada, n\u00e3o considerando os custos referentes a insumos, tarifas<br \/>de energia el\u00e9trica, de \u00e1gua e o combust\u00edvel utilizado para a produ\u00e7\u00e3o de vapor e aquecimento da \u00e1gua, como ser\u00e1 apresentado a seguir na Tabela 2, que demonstra somente os custos com colaboradores desembolsados em m\u00e9dia por m\u00eas, durante os nove anos pesquisados, para cada se\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de manuten\u00e7\u00e3o hospitalar.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8294 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_tabela2-300x140.png\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_tabela2-300x140.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_tabela2.png 482w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><strong>Tabela 2 .<\/strong> Custo total com postos de manuten\u00e7\u00e3o m\u00e9dia por m\u00eas. Fonte: Autoria pr\u00f3pria.<br \/><br \/>Conforme apresentado na Tabela 2, observa-se que, em m\u00e9dia, a manuten\u00e7\u00e3o hospitalar despende cerca de US$ 46.597,60 por m\u00eas<br \/>para atender \u00e0s suas demandas, ou seja, um custo anual m\u00e9dio de US$ 559.171,30.<br \/><br \/>Importante ressaltar que os custos dos postos n\u00e3o s\u00e3o iguais, sendo que os profissionais da se\u00e7\u00e3o de alvenaria custam, em m\u00e9dia, US$ 967,23, os de serralheria, cerca de US$ 1.157,87, os de el\u00e9trica, cerca de US$ 1.058,16, e os de marcenaria, cerca de US$ 1.072,58. Tem-se, assim, o custo m\u00e9dio de hora\/homem trabalhada em torno de US$ 4,88.<br \/><br \/>Essas diferen\u00e7as salarias se devem \u00e0s especialidades de cada se\u00e7\u00e3o, adicionais de insalubridade e periculosidade distintos e ao piso salarial<br \/>determinado pela conven\u00e7\u00e3o coletiva do sindicato da categoria da regi\u00e3o.<br \/><br \/><strong>4.2 Produ\u00e7\u00e3o por posto<\/strong><br \/>A seguir, s\u00e3o apresentados os dados referentes \u00e0 m\u00e9dia de produ\u00e7\u00e3o por posto, levando em conta a demanda de of\u00edcios executados por ano, em m\u00e9dia, durante todo o per\u00edodo pesquisado.<br \/><br \/>Esse indicador serve para que a gest\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o predial possa avaliar poss\u00edveis ajustes e controlar o desempenho das suas equipes nos<br \/>pr\u00f3ximos anos.<br \/><br \/>A Tabela 3 compila esses dados, apresentando o n\u00famero de of\u00edcios realizados por posto contratado, em m\u00e9dia, por ano.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8293 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_tabela3-300x129.png\" alt=\"\" width=\"577\" height=\"248\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_tabela3-300x129.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_tabela3.png 501w\" sizes=\"(max-width: 577px) 100vw, 577px\" \/><strong>Tabela 3 .<\/strong> Produ\u00e7\u00e3o por posto, em m\u00e9dia, por ano. Fonte: Autoria pr\u00f3pria.<br \/><br \/>Neste levantamento, percebe-se que, em 12 meses, s\u00e3o necess\u00e1rios 45 postos de trabalho em m\u00e9dia para conseguir executar cerca de 541<br \/>tarefas por ano, sendo 20 colaboradores na alvenaria, 7 na serralheria, 11 na el\u00e9trica\/ar-condicionado e 7 na marcenaria, contabilizando as 541 tarefas por ano.<br \/><br \/><strong>4.3. Custo m\u00e9dio por of\u00edcio executado<\/strong><br \/>Na sequ\u00eancia, compilou-se os dados de produ\u00e7\u00e3o com o custo de cada se\u00e7\u00e3o e obteve-se o custo m\u00e9dio por of\u00edcio realizado durante o per\u00edodo<br \/>pesquisado.<br \/><br \/>A Tabela 4 mostra o resumo dessa compila\u00e7\u00e3o.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8292 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_tabela4-300x108.png\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_tabela4-300x108.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/artigo-2_tabela4.png 491w\" sizes=\"(max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><strong>Tabela 4 .<\/strong> Custo m\u00e9dio por of\u00edcio produzido. Fonte: Autoria pr\u00f3pria.<br \/><br \/>Com este levantamento, pode-se perceber que o custo m\u00e9dio com m\u00e3o de obra para se realizar uma demanda de manuten\u00e7\u00e3o hospitalar varia entre US$ 61,80 e US$ 97,41.<br \/><br \/>Essa varia\u00e7\u00e3o ocorre, principalmente pela diversidade das tarefas executadas, por exemplo: substituir uma tubula\u00e7\u00e3o com vazamento<br \/>demanda mais tempo do que trocar uma l\u00e2mpada; reconstruir um revestimento em azulejo demanda mais tempo do que consertar uma gaveta de um m\u00f3vel ou pendurar um suporte de metal na parede, e assim por diante. Essas situa\u00e7\u00f5es geram diferen\u00e7as no custo m\u00e9dio por se\u00e7\u00e3o, al\u00e9m disso, o custo de um eletricista \u00e9 maior do que o do marceneiro ou pedreiro, refletindo tamb\u00e9m no custo m\u00e9dio de cada tarefa a ser realizada.<br \/><br \/>Outro aspecto que interfere diretamente no custo de cada se\u00e7\u00e3o \u00e9 o deslocamento dentro do complexo hospitalar. Os servi\u00e7os de el\u00e9trica e<br \/>de alvenaria geralmente s\u00e3o realizados fora das oficinas. Por outro lado, os servi\u00e7os de marcenaria e serralheria s\u00e3o feitos, na sua maioria, nas pr\u00f3prias se\u00e7\u00f5es, o que evita deslocamentos extras e paralisa\u00e7\u00f5es durante a execu\u00e7\u00e3o das tarefas.<br \/><br \/>No contrato vigente de pessoal pr\u00f3prio de manuten\u00e7\u00e3o, um posto de servi\u00e7o de oficial, que abrange pedreiro, pintor, marceneiro e serralheiro, custa US$ 1.073,58 por m\u00eas; j\u00e1 o posto de eletricista custa US$ 1.214,40, e o de mec\u00e2nico de refrigera\u00e7\u00e3o, US$ 1.314,75.<br \/><br \/><strong>5 Discuss\u00e3o<\/strong><br \/>Apesar de os resultados encontrados apresentarem um rendimento menor na execu\u00e7\u00e3o das tarefas demandadas comparadas \u00e0 pesquisa feita<br \/>por Quadri (2017) em um hospital na cidade de Chapec\u00f3, h\u00e1 de se levar em conta que o n\u00famero de leitos deste hospital \u00e9 de 114 leitos, o que<br \/>equivale a 28,5 % da quantidade de leitos do hospital pesquisado.<br \/><br \/>Os servi\u00e7os da equipe de alvenaria s\u00e3o realizados, geralmente, fora da se\u00e7\u00e3o propriamente dita, ou seja, fora da sua base de trabalho,<br \/>diferentemente das demais se\u00e7\u00f5es, que realizam boa parte dos seus trabalhos nas oficinas pr\u00f3prias; nota-se que o rendimento dessa se\u00e7\u00e3o \u00e9<br \/>inferior ao das demais, conforme percebido no Quadro 1 e na Tabela 2.<br \/><br \/>Levando em conta a realidade brasileira no \u00e2mbito p\u00fablico referente \u00e0 aloca\u00e7\u00e3o de recursos para todas \u00e0s \u00e1reas, inclusive a sa\u00fade, percebe-se<br \/>um investimento cinco vezes menor do que o feito na Inglaterra, 58% menor do que em Cingapura e 65% maior do que na Mal\u00e1sia, conforme<br \/>cita Olarnewaju, Fang e Tan (2018) em um trabalho feito na Mal\u00e1sia sobre manuten\u00e7\u00e3o hospitalar.<br \/><br \/>Conforme os par\u00e2metros apresentados, percebe-se que o servi\u00e7o de manuten\u00e7\u00e3o hospitalar consegue atender cerca de 50% de toda demanda<br \/>encaminhada, ou seja, em m\u00e9dia, dos 1.041 atendimentos solicitados, 541 s\u00e3o conclu\u00eddos . Conforme observa-se nos resultados apresentados no Quadro 2, pode-se deduzir que o servi\u00e7o est\u00e1 a contento, considerando a quantidade disponibilizada de recursos aos servi\u00e7os de sa\u00fade no Brasil.<br \/><br \/>Com base no resultado desta pesquisa, estima-se que a equipe m\u00ednima de manuten\u00e7\u00e3o a ser mantida para um hospital vertical de 400 leitos ativos \u00e9 de, aproximadamente, 45 postos, distribu\u00eddos nas se\u00e7\u00f5es de alvenaria, serralheria, el\u00e9trica e marcenaria. Esse \u00edndice foi estimado com base no levantamento de nove anos de monitoramento, utilizando-se a m\u00e9dia desse per\u00edodo, excluindo-se os dados que ficaram fora do intervalo de varia\u00e7\u00e3o de 20%.<br \/><br \/>O hospital no qual foi realizado o levantamento de dados possui v\u00e1rios ambulat\u00f3rios, um centro cir\u00fargico com mais de 14 salas de cirurgia, um centro obst\u00e9trico com oito salas, laborat\u00f3rios de diversas especialidades, farm\u00e1cias de manipula\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, um centro de pesquisa e outros ambientes que ocupam a \u00e1rea f\u00edsica e n\u00e3o s\u00e3o destinados a leitos hospitalares.<br \/><br \/>Comparativamente, em uma pesquisa realizada em Israel com 34 hospitais do pa\u00eds, descrita por Shohet e Leibovich (2003), foi encontrada uma taxa de 8,25 leitos a cada 1.000 m2, j\u00e1 no Complexo Hospitalar de Cl\u00ednicas pesquisado tem-se atualmente 400 leitos ativos e uma \u00e1rea de 59.541,60 m2. Com isso, obt\u00e9m-se uma taxa de 6,71eitos a cada 1.000 m2, ou seja, um \u00edndice de ocupa\u00e7\u00e3o muito similar \u00e0 taxa de ocupa\u00e7\u00e3o encontrada em Israel.<br \/><br \/><strong>6 Conclus\u00f5es<\/strong><br \/>A utiliza\u00e7\u00e3o da ferramenta de coleta e compila\u00e7\u00e3o de dados denominada cronograma f\u00edsico para a realiza\u00e7\u00e3o desta pesquisa apresentou tr\u00eas<br \/>indicadores quantitativos relacionados ao monitoramento e ao controle das atividades desenvolvidas no \u00e2mbito da manuten\u00e7\u00e3o hospitalar, que podem servir de base para o planejamento futuro da manuten\u00e7\u00e3o predial, sendo estes: custo m\u00e9dio mensal com a m\u00e3o de obra alocada, custo m\u00e9dio com m\u00e3o de obra por tarefa executada e n\u00famero m\u00e9dio de postos utilizados por ano.<br \/><br \/>Com base na pesquisa realizada, conclui-se que o custo m\u00e9dio consumido por m\u00e3o de obra durante o ano por of\u00edcio executado \u00e9 de US$ 76,44. Ou seja, esse \u00e9 o valor despendido pelo hospital para a realiza\u00e7\u00e3o de uma tarefa que consome de um a cinco dias para ser realizada. Levando-se em conta o custo di\u00e1rio de um pedreiro, US$ 35,78, pode-se dizer que tarefas realizadas at\u00e9 2,4 dias est\u00e3o economicamente customizadas, acima disso, o custo se torna maior do que o valor contratado do posto.<br \/><br \/>Com essa ferramenta, foi poss\u00edvel constatar que, ao longo do per\u00edodo pesquisado, houve varia\u00e7\u00f5es que v\u00e3o de 15,78% a 30,43%, tanto nos<br \/>custos como na quantidade empregada de m\u00e3o de obra e no desempenho alcan\u00e7ado, fato que se deve principalmente \u00e0 mudan\u00e7a de contrato<br \/>durante o per\u00edodo pesquisado, que abrangeu tr\u00eas empresas diferentes.<br \/><br \/>Tamb\u00e9m \u00e9 importante ressaltar que, durante os nove anos pesquisados, houve varia\u00e7\u00e3o na aloca\u00e7\u00e3o de insumos de manuten\u00e7\u00e3o no hospital, al\u00e9m de mudan\u00e7as na sua gest\u00e3o administrativa, com a presen\u00e7a de quatro gestores diferentes, aspectos que causaram oscila\u00e7\u00f5es da demanda e aloca\u00e7\u00e3o de recursos para a manuten\u00e7\u00e3o hospitalar.<br \/><br \/>Apesar de todas as varia\u00e7\u00f5es citadas anteriormente, a m\u00e9dia pesquisada de cumprimento das demandas encaminhadas foi de 50%, com uma<br \/>equipe de 45 postos de trabalho distribu\u00eddos em todas as \u00e1reas do Complexo Hospitalar pesquisado.<br \/><br \/>Observa-se que o Plano de Manuten\u00e7\u00e3o (MP) m\u00e9dio durante os nove anos de pesquisa foi de 50%, percentual menor do que o encontrado, por exemplo, em um hospital privado de Santa Catarina, que foi de 81,44%.<br \/><br \/>Finalizando, a t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, enquanto, nos hospitais de alguns pa\u00edses, o custo m\u00e9dio levantado para a m\u00e3o de obra de manuten\u00e7\u00e3o<br \/>hospitalar foi de US$ 19,19 \/m2, na pesquisa realizada, obteve-se o valor m\u00e9dio de US$ 9,39\/m2, considerando a cota\u00e7\u00e3o da moeda americana a R$ 5,35, isso demonstra que os custos com manuten\u00e7\u00e3o no hospital pesquisado s\u00e3o equivalentes a 48,93% dos custos israelenses com os servi\u00e7os de m\u00e3o de obra de manuten\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>De certa forma, pode-se dizer que o custo da m\u00e3o de obra do objeto de estudo foi menor do que o pesquisado em Israel, mas \u00e9 preciso salientar que existem vari\u00e1veis que podem afetar essa conclus\u00e3o, como a cota\u00e7\u00e3o cambial e o valor dos sal\u00e1rios pagos com m\u00e3o de obra em um pa\u00eds mais desenvolvido, assim como o custo de \u20ac 252,55 por tarefa executada apresentado por pesquisadores espanh\u00f3is.<br \/><br \/><strong><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<br \/><br \/><\/strong><\/strong>\r\n<div style=\"text-align: left;\">ABISUGA, A.O.; FAMAKIN, I.O.; OSHODI, O.S.&nbsp;<b>Educational building conditions and the health of users.<\/b> Constr. 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