{"id":8135,"date":"2024-06-25T16:32:56","date_gmt":"2024-06-25T19:32:56","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/design-para-ambientes-de-saude-como-a-neurociencia-aplicada-a-arquitetura-pode-contribuir-para-a-saude-e-o-bem-estar-dos-seus-usuarios\/"},"modified":"2024-08-15T15:24:12","modified_gmt":"2024-08-15T18:24:12","slug":"design-para-ambientes-de-saude-como-a-neurociencia-aplicada-a-arquitetura-pode-contribuir-para-a-saude-e-o-bem-estar-dos-seus-usuarios","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/design-para-ambientes-de-saude-como-a-neurociencia-aplicada-a-arquitetura-pode-contribuir-para-a-saude-e-o-bem-estar-dos-seus-usuarios\/","title":{"rendered":"Design para ambientes de sa\u00fade: como a neuroci\u00eancia aplicada \u00e0 arquitetura pode contribuir para a sa\u00fade e o bem-estar dos seus usu\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<strong>Resumo<\/strong><br \/>N\u00f3s passamos a maior parte do nosso tempo em ambientes constru\u00eddos, e, muitas vezes, n\u00e3o temos a consci\u00eancia de como ele pode impactar de forma positiva ou negativa a nossa qualidade de vida, a sa\u00fade f\u00edsica e a mental. Existem muitos estudos na \u00e1rea da neuroci\u00eancia que trazem evid\u00eancias do impacto da arquitetura no nosso c\u00e9rebro, por meio dos nossos sentidos. Os est\u00edmulos provocados pelo ambiente s\u00e3o captados pelas nossas c\u00e9lulas receptoras, que os levam at\u00e9 o nosso sistema nervoso, provocando as sensa\u00e7\u00f5es, as emo\u00e7\u00f5es e os sentimentos que moldam nosso comportamento. Este trabalho tem como objetivo descrever os aspectos da neuroci\u00eancia com foco em ambientes de sa\u00fade por meio de pesquisas bibliogr\u00e1ficas e aplica\u00e7\u00e3o em projetos de arquitetura. Esses aspectos s\u00e3o estrat\u00e9gias ambientais aplicadas, como biofilia, ilumina\u00e7\u00e3o e conforto ac\u00fastico, considerando os cinco sentidos como principal via de acesso ao nosso c\u00e9rebro. Por<br \/>meio dos estudos da neuroarquitetua, \u00e9 poss\u00edvel projetar ambientes que podem melhorar o desempenho, o bem-estar, as rela\u00e7\u00f5es sociais e a recupera\u00e7\u00e3o dos seus usu\u00e1rios.<br \/><br \/><strong>Palavras-chave<\/strong><br \/>neuroci\u00eancia, neuroarquitetura, c\u00e9rebro, biofilia, sentidos, comportamento.<br \/><br \/><strong>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong>\r\n<blockquote>A arquitetura, desde os seus prim\u00f3rdios, trouxe para a humanidade a no\u00e7\u00e3o de solidez e seguran\u00e7a almejada pela esp\u00e9cie humana j\u00e1 na \u00e9poca em que o homem vivia nas cavernas, sob toda sorte de intemp\u00e9ries. Por meio de seus feitos, imp\u00e9rios se projetaram e deixaram suas marcas; tra\u00e7os de um povo passaram a ser definidos e a ser reconhecidos como caracter\u00edsticos de uma determinada cultura; a arte e o belo adquiriam outras propor\u00e7\u00f5es. Uma das \u00fanicas certezas mantidas no desenhar de toda sua evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica foi a de que a arquitetura confere sua aten\u00e7\u00e3o e oferece seus servi\u00e7os ao ser humano (CRIZEL, 2020, p. 34).<\/blockquote>\r\n<br \/>\"Levar a arquitetura a s\u00e9rio, portanto, nos imp\u00f5e algumas exig\u00eancias singulares e exaustivas. Ela requer que estejamos abertos \u00e0 ideia de que o ambiente em que vivemos nos afeta (BOTTON, 2006, p.25).<br \/><br \/>Villarouco (2021:9) traz reflex\u00f5es sobre os espa\u00e7os que habitamos e a quantidade de est\u00edmulos ambientais que recebemos e guiam nossas emo\u00e7\u00f5es, pensamentos e comportamentos. Elementos como luz, cor, som, natureza, textura e cheiro podem afetar o nosso bem-estar, muitas vezes, de forma inconsciente.<br \/><br \/>De acordo com a neurocientista Tieppo, (2019, p.1), o c\u00e9rebro controla todos os aspectos da vida humana, e fica cada vez mais claro que tudo o que vemos, ouvimos, cheiramos, digerimos, falamos, sentimos e pensamos depende de como o c\u00e9rebro reage. Inclusive como agimos e nos comportamos, nossas cren\u00e7as, mem\u00f3rias e desejos, nossa motiva\u00e7\u00e3o e at\u00e9 nossa pr\u00f3pria identidade.<br \/><br \/>Por essa l\u00f3gica, a arquitetura pode influenciar como o c\u00e9rebro reage aos est\u00edmulos provocados no ambiente constru\u00eddo. Segundo Eberhard (2009, p.753), a maioria dos neurocientistas pensa que a arquitetura \u00e9 uma profiss\u00e3o preocupada com beleza e est\u00e9tica, que percebemos pelo sistema visual, da harmonia, da simetria e das propor\u00e7\u00f5es. Mas arquitetura \u00e9 mais do que est\u00e9tica, ela precisa atender \u00e0s necessidades funcionais dos usu\u00e1rios, ter elementos como ilumina\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o naturais. Ele sugere que salas de aula devem proporcionar atividades cognitivas, quartos de interna\u00e7\u00e3o devem auxiliar na recupera\u00e7\u00e3o do paciente e que ambientes de trabalho devem ser mais produtivos.<br \/><br \/>Nanda (2005, p.164) descreve que um bom ambiente sensorial n\u00e3o \u00e9 aquele que desperta todos os sentidos intensamente, mas que proporciona uma sintonia entre eles, ou seja, n\u00e3o se trata de est\u00e9tica e apar\u00eancia, mas, sim, de est\u00e9tica da experi\u00eancia. O nosso sistema nervoso \u00e9 quem processa os est\u00edmulos recebidos a todo instante, tais como: o som do vento, a rua movimentada, os p\u00e1ssaros, a&nbsp;conversa dos colegas de trabalho, os carros que passam na rua, o cheiro de caf\u00e9 ou de algu\u00e9m fumando, o gosto doce de um brigadeiro, as cores, o frio ou o calor.<br \/><br \/>Muitas vezes, n\u00e3o conseguimos perceber esses est\u00edmulos de forma consciente. Levitin (2015, p.37) descreve como o c\u00e9rebro humano evoluiu para esconder de n\u00f3s certas coisas nas quais n\u00e3o prestamos aten\u00e7\u00e3o. Existe em n\u00f3s um ponto cego cognitivo, onde o c\u00e9rebro ignora completamente aquilo que n\u00e3o representa prioridade naquele momento, mesmo que esteja na frente dos nossos olhos. Segundo ele, os psic\u00f3logos cognitivos chamam esse ponto cego de cegueira por desaten\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Nesse sentido, conhecer e aplicar a neuroci\u00eancia \u00e0 arquitetura, comumente chamado de neuroarquitetura, auxilia na constru\u00e7\u00e3o de ambientes mais eficientes no seu prop\u00f3sito, promovendo bem-estar aos seus usu\u00e1rios.&nbsp;<br \/><br \/><strong>2. M\u00e9todo<\/strong><br \/>Este trabalho caracteriza-se como de natureza descritiva e pesquisa bibliogr\u00e1fica sobre neuroci\u00eancia e sua aplica\u00e7\u00e3o a projetos de arquitetura em ambientes de sa\u00fade. A metodologia utilizada foi pesquisa de artigos cient\u00edficos na internet, em sites especializados, como o Google acad\u00eamico, o Scielo, entre outros, de normas t\u00e9cnicas e de livros publicados relacionados ao tema. A coleta de dados baseou-se em: identifica\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo, refer\u00eancia te\u00f3rica, aplica\u00e7\u00e3o e resultados.<br \/><br \/>Assim, objetivou-se entender como o nosso sistema nervoso funciona e como podemos, por meio dos estudos da neuroci\u00eancia, projetar espa\u00e7os que possam contribuir para o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas em ambientes de sa\u00fade, como os hospitais. O resultado da pesquisa visa a despertar novos olhares em rela\u00e7\u00e3o ao modo de projetar, com foco na experi\u00eancia do usu\u00e1rio, seja ele paciente, seja acompanhante, seja funcion\u00e1rio. A pesquisa focou conhecer o nosso sistema nervoso e aplicar estrat\u00e9gias ambientais, como: biofilia, ilumina\u00e7\u00e3o e conforto ac\u00fastico, considerando os cinco sentidos. Visou-se, assim, a estabelecer uma abordagem multidisciplinar dos campos da medicina, biologia, arquitetura, entre outros.<br \/><br \/><strong>3. Compreendendo o sistema nervoso<\/strong><br \/>Na d\u00e9cada de 90, tivemos um grande avan\u00e7o no conhecimento do funcionamento do sistema nervoso humano. De acordo com Tieppo (2019, p.28), essa foi a d\u00e9cada do c\u00e9rebro, pois as neuroimagens obtidas por resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, tomografia e outros equipamentos auxiliaram no aprofundamento dos conhecimentos sobre o c\u00e9rebro.<br \/><br \/>Segundo Preuss (2014, p.1), os humanos possuem habilidades cognitivas muito diferentes das de outras criaturas, gra\u00e7as a uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas incomuns de nosso c\u00e9rebro, como, por exemplo, o fato de pesar, em m\u00e9dia, 1,3 kg, o que \u00e9 muito grande para o nosso corpo. A maior parte dessa diferen\u00e7a no tamanho do c\u00e9rebro se d\u00e1 \u00e0 expans\u00e3o evolutiva do c\u00f3rtex, uma regi\u00e3o que executa fun\u00e7\u00f5es cognitivas sofisticadas, como linguagem, consci\u00eancia e solu\u00e7\u00e3o de problemas. O tamanho do c\u00f3rtex \u00e9 parte do que torna o homem diferente dos outros animais.<br \/><br \/>De acordo com o material publicado na \u00e1rea de <em>brain anatomy and function<\/em>, do portal BrainFacts.org (2012, p.1), o sistema nervoso \u00e9 divido em duas partes: sistema nervoso central e sistema nervoso perif\u00e9rico. Ambas trabalham juntas para o corpo comunicar adequadamente as sensa\u00e7\u00f5es e suas necessidades. O sistema nervoso central \u00e9 formado pelo enc\u00e9falo e pela medula espinhal. O enc\u00e9falo fica dentro do cr\u00e2nio, e a medula espinhal \u00e9 protegida pela coluna vertebral. O sistema nervoso perif\u00e9rico consiste em nervos que percorrem o corpo todo. O c\u00e9rebro envia as mensagens pela medula espinhal aos nervos perif\u00e9ricos do corpo todo, al\u00e9m de servir para controlar os m\u00fasculos e \u00f3rg\u00e3os internos.O sistema nervoso perif\u00e9rico se subdivide em som\u00e1tico e visceral. O som\u00e1tico \u00e9 composto de neur\u00f4nios que conectam o sistema nervoso central \u00e0s partes do corpo que interagem com o ambiente exterior. J\u00e1 o visceral \u00e9 composto por neur\u00f4nios que conectam o sistema nervoso central aos \u00f3rg\u00e3os internos.<br \/><br \/>O sistema nervoso perif\u00e9rico tamb\u00e9m se subdivide em duas partes: simp\u00e1tico e parassimp\u00e1tico. O sistema simp\u00e1tico dispende energia e recursos para os momentos de estresse e excita\u00e7\u00e3o; enquanto o parassimp\u00e1tico conserva energia e recursos durante o estado de relaxamento, como, por exemplo, no sono.<br \/>\r\n<blockquote>O sistema nervoso \u00e9 um sistema de processamento de informa\u00e7\u00f5es. S\u00e3o informa\u00e7\u00f5es para l\u00e1 e para c\u00e1 a todo momento, feito carros se deslocando em grande velocidade em autoestradas. Atrav\u00e9s do sistema nervoso, recebemos informa\u00e7\u00f5es sobre o ambiente externo ? por meio da vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, tato, olfato, gusta\u00e7\u00e3o ? e do ambiente interno, nosso interior ? como dor, posi\u00e7\u00e3o do corpo, pensamentos, emo\u00e7\u00f5es, mem\u00f3rias, informa\u00e7\u00f5es das v\u00edsceras. Assim, selecionamos, processamos e combinamos as informa\u00e7\u00f5es, produzindo respostas a partir delas. Ou seja, o sistema nervoso recebe sinais do ambiente, de todas as partes do nosso corpo e d\u00e1 uma reposta aos est\u00edmulos recebidos, produzindo uma a\u00e7\u00e3o, um movimento, um comportamento (TIEPPO, 2019, p. 111).<\/blockquote>\r\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o consciente do nosso c\u00e9rebro do ambiente constru\u00eddo, pelos est\u00edmulos sensoriais, Paiva (2019, p.565) destaca que, para processar informa\u00e7\u00f5es conscientemente, usamos menos de 1% da capacidade de processamento inconsciente, de acordo com Eagleman.<br \/><br \/>Portanto, a maioria dos est\u00edmulos afetar\u00e1 os indiv\u00edduos em um n\u00edvel subconsciente. Embora as pessoas possam ser afetadas por est\u00edmulos, elas n\u00e3o est\u00e3o necessariamente cientes do efeito.<br \/>\r\n<blockquote>Os indiv\u00edduos est\u00e3o em constante intera\u00e7\u00e3o ativa com muitos ambientes ao seu redor. Uma sala quente pode causar pessoas suarem, se sentirem desconfort\u00e1veis e incapazes de se concentrarem. Uma sala escura pode fazer as pessoas sentirem medo, ficarem alertas e incapazes de relaxar. Uma sala de aula bem-iluminada, com luz natural, pode ajudar os alunos a estar atentos \u00e0 classe. O meio ambiente sempre afeta os indiv\u00edduos que o ocupam em algum n\u00edvel. Essa intera\u00e7\u00e3o pode ser chamada de arquitetura e rela\u00e7\u00e3o individual. Os espa\u00e7os podem mudar as pessoas (arquitetura e indiv\u00edduo), e as pessoas podem mudar os espa\u00e7os (arquitetura individual). Portanto, essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho de m\u00e3o dupla (PAIVA et al, 2019, p. 565).<\/blockquote>\r\nCom base nos conhecimentos da neuroci\u00eancia e da aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 arquitetura, o termo \"neuroarquitetura\" vem sendo estudado com mais profundidade. Acredita-se que o in\u00edcio da neuroci\u00eancia aplicada \u00e0 arquitetura, de acordo com Carbone (2021, p.13), deu-se com os estudos de Fred Gage. Este neurocientista, em 1998, descobriu que o c\u00e9rebro continuava a produzir horm\u00f4nios na idade adulta, o que o levou a se interessar por como o ambiente influencia a estrutura e o funcionamento do nosso c\u00e9rebro. Ao lado de John Eberhard e outros profissionais, Gage fundou a ANFA (Academia de Neuroci\u00eancia para a Arquitetura). Para ele, o design do espa\u00e7o no s\u00e9culo 21 precisa melhorar nosso bem-estar, aumentar o desempenho e reduzir o estresse e a fadiga nas cidades.<br \/><br \/>Em seguida, ser\u00e3o apresentadas estrat\u00e9gias ambientais fundamentadas no estudo da neuroci\u00eancia, que arquitetos e designers podem utilizar como ferramenta de projeto para enriquecer os ambientes, minimizar os efeitos negativos de curto e de longo prazo e potencializar os efeitos positivos. Ser\u00e3o apresentadas estrat\u00e9gias que estimulam os sentidos (vis\u00e3o, olfato, paladar, tato, audi\u00e7\u00e3o), em correla\u00e7\u00e3o a temas como biofilia, ilumina\u00e7\u00e3o, conforto ac\u00fastico e a como podem ser aplicadas em ambientes de sa\u00fade de forma pr\u00e1tica. Al\u00e9m disso, as estrat\u00e9gias ser\u00e3o demonstradas por meio de imagens de projetos em estudo e ambientes j\u00e1 constru\u00eddos.<br \/><br \/><strong>4. Estimulando os sentidos<\/strong>\r\n<blockquote>N\u00e3o se enxerga o mundo como ele \u00e9, mas sim como se aprendeu a ver. A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 ent\u00e3o esse processo de colocar as informa\u00e7\u00f5es dentro do que a mem\u00f3ria permite reconhecer, unidas a fim de identificar situa\u00e7\u00f5es de perigo, posicionamento espacial, reconhecimento de formas. Contudo, parte desse reconhecimento envolve preencher lacunas e reaproveitar padr\u00f5es mais recorrentes, anulando certos elementos de variabilidade de&nbsp;informa\u00e7\u00f5es nesse processo. Essa caracter\u00edstica de funcionamento \u00e9 o que favorece a exist\u00eancia de fen\u00f4menos cognitivos como a const\u00e2ncia perceptiva e as ilus\u00f5es perceptivas (VILLAROUCO et al, 2021, p. 50).<\/blockquote>\r\nAs informa\u00e7\u00f5es recebidas dos ambientes variam, mas a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma. A luz natural, por exemplo, ao longo do dia, sofre varia\u00e7\u00f5es de temperatura e de cor. Mas o que percebemos ao redor n\u00e3o sofre altera\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Uma das fun\u00e7\u00f5es do ambiente constru\u00eddo \u00e9 promover emo\u00e7\u00e3o. \"Somos seres movidos, em grande parte, pela emo\u00e7\u00e3o [...] A emo\u00e7\u00e3o \u00e9 como uma montanha-russa, nos deixa desgovernados, em certos momentos, mas tamb\u00e9m nos d\u00e1 impulso. Somos seres emocionais.\" (TIEPPO, 2019, p.167).<br \/>\r\n<blockquote>A neuroarquitetura, como estudo que busca tamb\u00e9m compreender a leitura espacial feita pelos usu\u00e1rios, para que assim possa conferir a esses uma melhor experiencia em rela\u00e7\u00e3o aos ambientes projetados, nutrese do despertar de gatilhos mentais vinculados a sensa\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es e comportamentos na sua busca por resultados. Saber acessar, naturalmente, esse desafiador e rico sistema de integra\u00e7\u00f5es humanas, tendo como objetivo conferir aos usu\u00e1rios experi\u00eancias positivas diante do conv\u00edvio com ambientes, torna as pr\u00e1ticas projetuais eficientes em seu mais simb\u00f3lico prop\u00f3sito: promover uma experi\u00eancia emp\u00e1tica a quem est\u00e1 inserido nessas especialidades (CRIZEL, 2020, p.42).<\/blockquote>\r\nA parte do enc\u00e9falo que produz a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 o sistema l\u00edmbico, - Tieppo (2019, p.167) o define como o sistema emocional ?, que est\u00e1 presente em v\u00e1rias partes do enc\u00e9falo, processa est\u00edmulos e responde automaticamente a eles. Ele proporciona respostas r\u00e1pidas \u00e0s demandas ambientais. O sistema l\u00edmbico foi desenvolvido ao longo do processo evolutivo para poder se antecipar a situa\u00e7\u00f5es que demandem respostas r\u00e1pidas, como fuga, ataque e sobreviv\u00eancia. As situa\u00e7\u00f5es de maior emo\u00e7\u00e3o ficam fortemente gravadas na mem\u00f3ria, assim, o nosso sistema nervoso as reconhece e se antecipa \u00e0s respostas.<br \/><br \/>Tieppo (2019, p.116) explica que para sentir uma informa\u00e7\u00e3o, consciente ou inconscientemente, \u00e9 preciso que os receptores sensoriais sejam ativados. Esse conjunto de receptores \u00e9 chamado de sistema somest\u00e9sico ou somatossensorial. A somestesia inclui os cinco sentidos do nosso corpo, tal como a temperatura ao se tocar uma superf\u00edcie, a dor, a press\u00e3o e a propriocep\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Tais cita\u00e7\u00f5es mostram que o sistema nervoso \u00e9 influenciado pelo ambiente, causando emo\u00e7\u00f5es e moldando o comportamento humano. Essas emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o produzidas pelo sistema l\u00edmbico, que recebe e processa as informa\u00e7\u00f5es pelos sentidos: vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, olfato, paladar e tato. A seguir \u00e9 apresentada uma contextualiza\u00e7\u00e3o sobre como os sentidos s\u00e3o impactados pelo ambiente constru\u00eddo.&nbsp;<br \/><br \/><strong>4.1. Vis\u00e3o<\/strong><br \/>\"A vis\u00e3o \u00e9 o sentido mais usado para entender o espa\u00e7o em que se est\u00e1. Ela pode influenciar como as informa\u00e7\u00f5es captadas pelos demais sentidos ser\u00e3o interpretadas [...] n\u00e3o vemos o mundo apenas com nossos olhos, mas com nosso c\u00e9rebro\" (VILLAROUCO, 2021, p.101).<br \/><br \/>O sistema visual, conforme descreve Silva (2013, p.1), \u00e9 composto pelos olhos e suas estruturas, como p\u00e1lpebras, superc\u00edlios, m\u00fasculos, aparelho lacrimal, e pelos nervos. A vis\u00e3o funciona pelo processamento dos dados recebidos pelo enc\u00e9falo, por interm\u00e9dio dos receptores sensoriais ativados pela luz. No c\u00e9rebro, essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o tamb\u00e9m armazenadas.<br \/><br \/>De acordo com Tieppo (2019, p.132), a vis\u00e3o tem receptores que respondem \u00e0 luz, \u00e0 energia e \u00e0 energia eletromagn\u00e9tica. Esses receptores s\u00e3o chamados de fotorreceptores e ficam na retina, divididos em cones e bastonetes. Os cones s\u00e3o sens\u00edveis a tr\u00eas espectros de luz (verde, vermelho e azul). Os bastonetes s\u00e3o sens\u00edveis aos tons de preto e branco e ajudam a enxergar quando h\u00e1 menos luz.<br \/><br \/>O est\u00edmulo el\u00e9trico \u00e9 levado para alguns locais do c\u00e9rebro, segundo Villarouco (2021, p.106), sendo o primeiro destino o hipot\u00e1lamo, respons\u00e1vel por regular o metabolismo do nosso corpo e a sincroniza\u00e7\u00e3o do rel\u00f3gio biol\u00f3gico, ou seja, o ciclo dia e noite. Neste momento, entra a fun\u00e7\u00e3o dos cones e bastonetes, citados anteriormente. No escuro, os bastonetes s\u00e3o acionados, e, com pouca luz, o organismo tende a sentir sonol\u00eancia e falta de concentra\u00e7\u00e3o, orientado pelo rel\u00f3gio biol\u00f3gico.<br \/>\r\n<blockquote>A luz natural e artificial s\u00e3o \u00f3timos exemplos do impacto direto do ambiente f\u00edsico na regula\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica [...] sem a percep\u00e7\u00e3o consciente do indiv\u00edduo. Atrav\u00e9s da luz, o c\u00e9rebro sincroniza grande parte de sua opera\u00e7\u00e3o com o mundo externo (o ritmo circadiano) para cobrir o per\u00edodo de 24 horas em que as atividades do ciclo biol\u00f3gico acontecem. A luz tamb\u00e9m regula ritmos fisiol\u00f3gicos e psicol\u00f3gicos, afetando diretamente a vig\u00edlia e o sono, a secre\u00e7\u00e3o hormonal, a fun\u00e7\u00e3o celular e a express\u00e3o gen\u00e9tica (CRIZEL, 2020, p.274).<\/blockquote>\r\nA luz do sol \u00e9 o exemplo de ilumina\u00e7\u00e3o que respeita o ritmo biol\u00f3gico do corpo humano: de dia emite uma luz mais azulada e, conforme anoitece, uma luz mais amarelada.<br \/><br \/>Por\u00e9m a sociedade moderna vive muito dentro de ambientes constru\u00eddos com a influ\u00eancia da ilumina\u00e7\u00e3o artificial, telas de computador e celular, provocando mudan\u00e7as comportamentais importantes. Em ambientes onde o indiv\u00edduo n\u00e3o consegue ter no\u00e7\u00e3o do dia ou da noite, o rel\u00f3gio biol\u00f3gico perde o controle do sistema pelo qual \u00e9 respons\u00e1vel, segundo Filho (2018, p. 30).<br \/>\r\n<blockquote>A luz vermelha ajuda a manter ou aumentar o n\u00edvel de atividade mental sem suprimir a produ\u00e7\u00e3o de melatonina, horm\u00f4nio que regula o sono,&nbsp;diferentemente da azul. Outros estudos haviam mostrado que luzes azuladas podem reduzir a produ\u00e7\u00e3o de melatonina, liberada pela gl\u00e2ndula pineal, localizada na base do c\u00e9rebro. A melatonina ajuda a regular o ritmo circadiano, varia\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos como frequ\u00eancia card\u00edaca e sono que oscila em per\u00edodos de aproximadamente 24 horas. Mais luz azul e menos melatonina poderiam deixar o organismo mais vulner\u00e1vel ao desenvolvimento de tumores, al\u00e9m de desregular o sono. Quem tem de permanecer acordado para trabalhar \u00e0 noite pode sentir um pouco mais de sono sob luz vermelha, mas o organismo provavelmente sofrer\u00e1 menos danos (FIORAVANTI, 2009, p.1).<\/blockquote>\r\nUm estudo feito no Brigham and Women?s Hospital, em Boston, EUA, por Rahman et al (2014, p.1), volunt\u00e1rios foram testados com exposi\u00e7\u00e3o a dois tipos de luz: azulada e esverdeada. Todos estavam com exames normais, tanto f\u00edsicos quanto psicol\u00f3gicos, e exames oftalmol\u00f3gicos negativos para teste de daltonismo. Foram monitorados sete dias antes do teste, com per\u00edodo de sono de oito horas por dia, e n\u00e3o puderam consumir nenhum tipo de medicamento, suplemento, cafe\u00edna, \u00e1lcool ou nicotina. Durante o teste, eles realizavam as suas atividades cotidianas de trabalho, durante seis horas e meia com uma luz azul acesa. Observou-se que, durante esse tempo, eles tinham maior concentra\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o mais agu\u00e7ada e ondas cerebrais que sugeriam que estavam em estado de alerta. J\u00e1 a luz esverdeada n\u00e3o resultou em nenhuma diferen\u00e7a significativa. O que a pesquisa tamb\u00e9m traz \u00e9 que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz azul no per\u00edodo noturno aumenta o estado de alerta, mas suprime a produ\u00e7\u00e3o de melatonina, horm\u00f4nio produzido pelo nosso corpo e cuja principal fun\u00e7\u00e3o \u00e9 regular o ciclo circadiano.<br \/><br \/>Aplicando este resultado aos ambientes de sa\u00fade, como os hospitais, que funcionam 24 horas, a luz azul durante o dia auxilia o corpo cl\u00ednico a executar suas atividades em estado de alerta, foco e concentra\u00e7\u00e3o. \u00c0 noite, essa luz pode ser utilizada para manter os profissionais concentrados, por\u00e9m deve-se ter o cuidado de n\u00e3o a usar em excesso, para n\u00e3o interferir no ciclo circadiano. Para o paciente, reduzir a quantidade de luz no corredor minimiza a interfer\u00eancia da luz dentro do quarto de interna\u00e7\u00e3o ou no leito de UTI, evitando a interrup\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de melatonina do paciente durante o sono.<br \/><br \/>Em locais destinados \u00e0 interna\u00e7\u00e3o, onde o usu\u00e1rio pode permanecer por muitas horas ou dias, as boas condi\u00e7\u00f5es de ilumina\u00e7\u00e3o artificial e a visualiza\u00e7\u00e3o do ambiente externo podem trazer conforto, al\u00e9m da importante percep\u00e7\u00e3o ou orienta\u00e7\u00e3o do tempo em face do ciclo circadiano. Para os ambientes de emerg\u00eancia, salas cir\u00fargicas, unidades de terapia intensiva e demais \u00e1reas cr\u00edticas, a ilumina\u00e7\u00e3o excessiva sobre o impacto visual pode resultar em desconfortos emocionais relevantes, produzindo irrita\u00e7\u00e3o e estresse, emo\u00e7\u00f5es que reduzem a qualidade da assist\u00eancia (ANVISA, 2014).<br \/><br \/>Portanto, \u00e9 muito importante que se tenha ilumina\u00e7\u00e3o natural, tanto para o paciente quanto para os profissionais da sa\u00fade. A ilumina\u00e7\u00e3o artificial deve seguir par\u00e2metros conforme normas e ser dimensionada para o tipo de ambiente e atividade a ser desenvolvida. Al\u00e9m disso, quando poss\u00edvel, deve ter dimeriza\u00e7\u00e3o para controlar a intensidade de luz.<br \/><br \/>De acordo com a norma ANVISA (2002), para ambientes como quartos de interna\u00e7\u00e3o e leitos de Unidade de Terapia Intensiva, al\u00e9m de ilumina\u00e7\u00e3o artificial direta e ilumina\u00e7\u00e3o natural, \u00e9 obrigat\u00f3ria a luz de vig\u00edlia nas paredes, para orienta\u00e7\u00e3o espacial durante a noite no percurso at\u00e9 o banheiro. Essa luz n\u00e3o pode influenciar o sono, nem a produ\u00e7\u00e3o de melatonina. Portanto, n\u00e3o deve possuir espectro de luz azul, de acordo com o estudo acima citado. Pode-se ver, na imagem 1, uma ilumina\u00e7\u00e3o instalada sobre rodap\u00e9, que fica acesa durante a noite e possibilita a identifica\u00e7\u00e3o espacial do quarto, proporcionando seguran\u00e7a para o paciente ao levantar-se. No teto, a ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 dimeriz\u00e1vel, sendo acesa na maior intensidade apenas durante o procedimento m\u00e9dico ou de enfermagem. O paciente e seu acompanhante t\u00eam autonomia para regular a intensidade de luz conforme suas necessidades.<br \/>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><b><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8332 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-1-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"657\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-1-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-1-1.jpg 519w\" sizes=\"(max-width: 657px) 100vw, 657px\" \/>Imagem 1<\/b>. Quarto de interna\u00e7\u00e3o. Fonte: Imagem produzida pela autora (2021).<\/div>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\nSe alguns ambientes do hospital n\u00e3o possu\u00edrem ilumina\u00e7\u00e3o natural, ser\u00e1 poss\u00edvel instalar placas que simulem o c\u00e9u, para que se tenha a no\u00e7\u00e3o de dia, como mostra a imagem 2. A noite, ao serem desligadas, a ilumina\u00e7\u00e3o no ambiente muda a temperatura de cor: do azul para o amarelo, auxiliando na produ\u00e7\u00e3o de melatonina.<br \/><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-8331 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-2-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"655\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-2-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-2-1.jpg 519w\" sizes=\"(max-width: 655px) 100vw, 655px\" \/>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><b>Imagem 2.<\/b> Posto de enfermagem. Fonte: Imagem produzida pela autora (2021).<\/div>\r\n<br \/>Um outro ponto importante a ser abordado \u00e9 o olhar para a natureza. Muitos estudos foram feitos relacionando o contato direto e indireto com a natureza para auxiliar na recupera\u00e7\u00e3o de pacientes.<br \/>\r\n<blockquote>As rela\u00e7\u00f5es estabelecidas entre os seres humanos e a natureza fomentaram altera\u00e7\u00f5es significativas na percep\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o dos elementos naturais ao longo do seu percurso evolutivo. As rela\u00e7\u00f5es, inicialmente instigadas por instintos de sobreviv\u00eancia, transpuseram-se para a domina\u00e7\u00e3o e o controle com o advento da agricultura. Contudo, as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas decorrentes disso n\u00e3o extinguiram a necessidade da conex\u00e3o entre elementos bi\u00f3ticos e abi\u00f3ticos condicionantes da homeostase dos ecossistemas, assim demandando, ap\u00f3s curto per\u00edodo de afastamento ? correspondente a menos de 5% da exist\u00eancia humana ?, a retomada gradual de atitudes positivas vinculadas \u00e0 natureza (ZANATTA, 2019, p. 950).<\/blockquote>\r\nA rela\u00e7\u00e3o do homem com a natureza \u00e9 denominada biofilia. Este termo, cunhado e popularizado pelo bi\u00f3logo Edward O. Wilson, em seu livro Biophilia, significa a tend\u00eancia inata dos seres humanos (de qualquer idade, local e cultura) a desenvolver uma liga\u00e7\u00e3o emocional com a vida e os processos vivos (FONSECA, 2009, p. 602).<br \/>\r\n<blockquote>Os resultados sugerem que os indiv\u00edduos estressados se sentem significativamente melhor ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o a cenas da natureza, em vez de cenas urbanas sem elementos da natureza. Em compara\u00e7\u00e3o com as influ\u00eancias das cenas urbanas, o efeito saliente das exposi\u00e7\u00f5es da natureza foi aumentar o Afeto Positivo - incluindo sentimentos de amizade afetuosa, l\u00fadica e exalta\u00e7\u00e3o. O aumento no afeto positivo produzido pelas cenas da natureza \u00e9 consistente com a descoberta de que as exposi\u00e7\u00f5es da natureza tamb\u00e9m reduziram significativamente o Despertar do Medo (ULRICH, 2007, p. 17).<\/blockquote>\r\nConforme cita Gressler (2013, p. 489), Roger Ulrich realizou um estudo no Hospital da Pensilv\u00e2nia, entre 1972 e 1981, em que pacientes com o mesmo quadro cl\u00ednico foram submetidos \u00e0 mesma cirurgia e colocados em leitos hospitalares para recupera\u00e7\u00e3o: metade em quartos com vista para a natureza e metade com vista para um muro de tijolo do pr\u00e9dio vizinho. Os pacientes com vista para a natureza tiveram menor tempo de interna\u00e7\u00e3o p\u00f3s-cir\u00fargica e utilizaram menos analg\u00e9sicos. Os resultados dessa pesquisa sugerem que apenas um vislumbre da natureza pode possibilitar a recupera\u00e7\u00e3o do estresse.<br \/><br \/>Na imagem 3, o quarto de interna\u00e7\u00e3o tem ampla janela e vista para uma \u00e1rea verde. Por isso, \u00e9 muito importante escolher as faces dos edif\u00edcios que possibilitem quartos de interna\u00e7\u00e3o com vista para a natureza e, quando n\u00e3o for poss\u00edvel, simul\u00e1-la com imagens em forma de quadros ou papel de parede.<br \/><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-8330 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-3-1-300x170.jpg\" alt=\"\" width=\"656\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-3-1-300x170.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-3-1.jpg 519w\" sizes=\"(max-width: 656px) 100vw, 656px\" \/>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><b>Imagem 3.<\/b>&nbsp;Vista da janela quarto de interna\u00e7\u00e3o. Fonte: Imagem produzida pela autora (2021).<\/div>\r\n<br \/>Ulrich (2002, p.1) descreve em seu artigo resultados de pesquisas sobre a redu\u00e7\u00e3o do estresse quando em contato com a natureza durante cinco minutos. Pacientes expostos \u00e0 natureza por per\u00edodos mais longos acalmam-se e apresentam melhora cl\u00ednica, reduzindo a ingest\u00e3o de analg\u00e9sico e a diminui\u00e7\u00e3o do tempo de interna\u00e7\u00e3o. Ele sugere que jardins terap\u00eauticos em hospitais trazem, al\u00e9m dos benef\u00edcios citados anteriormente, momentos de fuga positiva dos ambientes cl\u00ednicos estressantes. Um lugar que n\u00e3o s\u00f3 os pacientes possam desfrutar, mas tamb\u00e9m seus familiares e os profissionais da sa\u00fade.<br \/><br \/>A imagem 4 mostra a planta baixa do pilotis de um hospital, com galerias comerciais, lojas, restaurantes e \u00e1reas de conviv\u00eancia, al\u00e9m de um jardim terap\u00eautico. S\u00e3o percursos para mobilidade onde as habilidades f\u00edsicas do paciente s\u00e3o testadas e aprimoradas, com pontos de contempla\u00e7\u00e3o, ilhas de vegeta\u00e7\u00e3o para cria\u00e7\u00e3o de um microclima diferenciado e pontos de sombreamento.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8329 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-4-1-300x123.jpg\" alt=\"\" width=\"656\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-4-1-300x123.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-4-1.jpg 618w\" sizes=\"(max-width: 656px) 100vw, 656px\" \/>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><b>Imagem 4.<\/b>&nbsp;Galeria e jardim terap\u00eautico de um hospital. Fonte: Imagem produzida pela autora (2021).<br \/><br \/><\/div>\r\nO hospital \u00e9 uma edifica\u00e7\u00e3o com \u00e1reas que precisam ser \"limpas\", por isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o de plantas naturais em muitos setores. Para incluir a natureza nesses ambientes, considerados cr\u00edticos e semicr\u00edticos, como unidades de interna\u00e7\u00e3o, centro cir\u00fargico, Unidades de Terapia Intensiva, entre outros, a empresa <em>Skyfactory<\/em> colaborou com um estudo pioneiro em neuroarquitetura, liderado pelo Departamento de Design e pela Faculdade de Ci\u00eancias Humanas da Texas Tech University. Debajyoti (2015, p.1) examinou como a inser\u00e7\u00e3o da natureza simulada, na forma de composi\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas do c\u00e9u montadas no teto, influenciava os resultados dos pacientes. Estudos anteriores mostravam que a natureza tem uma influ\u00eancia positiva nos pacientes, por\u00e9m tinham como refer\u00eancia quadros com representa\u00e7\u00f5es da natureza, n\u00e3o simula\u00e7\u00e3o real\u00edstica. Nesse experimento, foram colocadas, em cinco quartos, lumin\u00e1rias de teto como uma claraboia projetada com imagem real\u00edstica e, em outros cinco n\u00e3o havia interven\u00e7\u00e3o. Foram coletados dados de 181 pacientes em 11 resultados. Percebeu-se satisfa\u00e7\u00e3o ambiental 12% maior e redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de estresse e ansiedade de 53,4% e 34,79%, respectivamente, no grupo com acesso \u00e0s imagens. Abaixo, na imagem 5, h\u00e1 um exemplo de como aplicar essas placas no teto em leito de UTI, uma vez que o paciente est\u00e1 deitado, de costas para a janela, com monitoramento frontal pela enfermagem, com a possibilidade de visualizar a natureza e ter no\u00e7\u00e3o de que \u00e9 dia. \u00c0 noite, a placa \u00e9 desligada, as luzes ficam mais indiretas e com temperatura de cor mais amarela, sem o espectro da luz azul, colaborando para o sono do paciente e a restaura\u00e7\u00e3o da sua sa\u00fade.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8328 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-5-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"657\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-5-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-5-1.jpg 519w\" sizes=\"(max-width: 657px) 100vw, 657px\" \/>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><b>Imagem 5.<\/b>&nbsp;Leito de UTI. Fonte: Imagem produzida pela autora (2021).<br \/><br \/><\/div>\r\n<p><strong>4.2. Audi\u00e7\u00e3o<br \/><\/strong>\"A percep\u00e7\u00e3o do som envolve estruturas cerebrais, tais como c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, c\u00f3rtex pr\u00e9-motor, c\u00f3rtex motor, c\u00f3rtex somatosensorial, lobos temporais, c\u00f3rtex parietal, c\u00f3rtex occipital, cerebelo, sistema l\u00edmbico, incluindo a am\u00edgdala e o t\u00e1lamo\" (OVERY; MOLNAR-SZACKACS, 2009 apud ROCHA, 2013, p. 133).<br \/><br \/>Para Tuan (1980, p.10), a audi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito desenvolvida nos seres humanos e nos primatas. Os olhos obt\u00eam informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas e precisas sobre o meio ambiente do que os ouvidos, mas, geralmente, somos mais sensibilizados pelo que ouvimos do que pelo que vemos. Para muitos, a m\u00fasica \u00e9 a experi\u00eancia emocional mais forte do que as artes pl\u00e1sticas ou os cen\u00e1rios. Somos mais vulner\u00e1veis aos sons, porque n\u00e3o podemos fechar os ouvidos como podemos fazer com os olhos.<\/p>\r\n<blockquote>O c\u00e9rebro \u00e9 capaz de trabalhar em muitas coisas ao mesmo tempo, com sobreposi\u00e7\u00e3o e paralelismo. \u00c9 assim que o nosso sistema auditivo processa o som: ele n\u00e3o precisa esperar at\u00e9 descobrir a altura de um som para saber de onde procede [...]. Nosso c\u00e9rebro est\u00e1 permanentemente atualizando suas opini\u00f5es, especialmente quando se trata de perceber est\u00edmulos visuais e auditivos, centenas de vezes por segundo, e sequer sabemos disto (LEVITIN, 2021, p. 90).&nbsp;<\/blockquote>\r\nEm ambientes de sa\u00fade, por exemplo, o som pode influenciar a recupera\u00e7\u00e3o do paciente ou interferir na execu\u00e7\u00e3o do trabalho do profissional de sa\u00fade.<br \/><br \/>NERBASS (2015, p. 108) apresenta uma pesquisa sobre fatores ambientais que prejudicam o sono de paciente em UTI. Um desses fatores \u00e9 o ru\u00eddo provocado pelos aparelhos ligados no paciente, conversas paralelas das equipes assistenciais ou visitantes e acompanhantes. O excesso de ru\u00eddo tem sido considerado o fator mais perturbador do sono na UTI, com efeitos prejudiciais n\u00e3o s\u00f3 sobre a recupera\u00e7\u00e3o dos pacientes, mas tamb\u00e9m sobre a sa\u00fade dos profissionais.<br \/><br \/>O conceito predominante de unidade de terapia intensiva, por exemplo, s\u00e3o leitos dispostos em sal\u00e3o, separados por cortina, para se ter uma melhor visualiza\u00e7\u00e3o do paciente. Por\u00e9m este modelo tem se mostrado muito ineficiente em rela\u00e7\u00e3o ao conforto ac\u00fastico. Um novo conceito que tem sido adotado s\u00e3o os leitos fechados com vidro, permitindo visualiza\u00e7\u00e3o do paciente e garantindo um n\u00edvel de ru\u00eddo mais adequado, como pode ser visto na imagem 6.&nbsp;<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8327 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-6-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"657\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-6-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-6-1.jpg 519w\" sizes=\"(max-width: 657px) 100vw, 657px\" \/>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><b>Imagem 6.<\/b>&nbsp;Leitos de UTI. Fonte: Imagem produzida pela autora (2021).<br \/>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\nBittencourt (2021, p.14) descreve alternativas para se reduzir o ru\u00eddo dentro das UTIs, como: substituir os alarmes ac\u00fasticos por visuais, distinguir os alarmes para priorizar o de amea\u00e7a \u00e0 vida, aferir o n\u00edvel ac\u00fastico periodicamente e mostrar \u00e0 equipe pesquisas sobre o assunto, conscientizando-a sobre os poss\u00edveis efeitos negativos do excesso de ru\u00eddo.<br \/><br \/>Em contrapartida a presen\u00e7a de m\u00fasica nesses ambientes tem se mostrado, por meio de estudos cient\u00edficos, ben\u00e9fica para o paciente em UTI, por exemplo.<br \/><br \/>De acordo com a pesquisa de JUNIOR (2018, p.6), h\u00e1 evid\u00eancias da redu\u00e7\u00e3o dos sintomas de desconforto, aumento de sensa\u00e7\u00f5es positivas, facilita\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o pessoal e interpessoal, maior sociabilidade, redu\u00e7\u00e3o de dores f\u00edsicas e mentais, mudan\u00e7as ben\u00e9ficas em padr\u00f5es fisiol\u00f3gicos e de est\u00edmulo corporal com o uso da musicoterapia. Dos 35 estudos analisados por ele, 14,5% apontam que a m\u00fasica auxilia na redu\u00e7\u00e3o da ansiedade; 31,7% recomendam o uso da m\u00fasica como interven\u00e7\u00e3o da enfermagem; 18,4% concluem que a m\u00fasica atua nas respostas fisiol\u00f3gicas; 12,4% referem-se \u00e0 m\u00fasica como alternativa vi\u00e1vel para uso sedativo e ansiol\u00edtico; e 17,9% concluem que a m\u00fasica auxilia na redu\u00e7\u00e3o da dor. Contudo, 3,2% registram que n\u00e3o houve resultados significativos para os clientes quanto \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica.<br \/><br \/>A partir do final do s\u00e9culo XX, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estabeleceu estrat\u00e9gias importantes de conforto na Pol\u00edtica Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o da Aten\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o no Sistema \u00danico de Sa\u00fade ? Humaniza SUS. Dentre as recomenda\u00e7\u00f5es para ambi\u00eancias humanizadas, o ru\u00eddo tem abordagem destacada, e prop\u00f5e-se \"a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00fasica ambiente em alguns espa\u00e7os, como enfermarias e esperas. Em outro \u00e2mbito, \u00e9 importante considerar tamb\u00e9m a prote\u00e7\u00e3o ac\u00fastica que garanta a privacidade e o controle de alguns ru\u00eddos\" (BRASIL, 2010, p. 122).<br \/>\r\n<blockquote>Uma medida de humaniza\u00e7\u00e3o para os pacientes internados refere-se ao uso da m\u00fasica de modo individual, utilizando fones de ouvidos descart\u00e1veis. Solu\u00e7\u00e3o para o conforto aos pacientes recomendada por estudos cient\u00edficos e por profissionais que lidam com o componente de conforto ac\u00fastico. Essa medida tem apresentado resultados \"que podem regular o humor, reduzir a agressividade e a depress\u00e3o\" justificada porque o \"processo de audi\u00e7\u00e3o musical afeta de forma positiva a libera\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas cerebrais\" (ARA\u00daJO, 2013:1319APUD BITTENCOURT, 2021, p. 13).<\/blockquote>\r\n<br \/>Os materiais de acabamento tamb\u00e9m devem ser considerados como estrat\u00e9gia para reduzir o ru\u00eddo. Existem normas que regulamentam o n\u00edvel de ru\u00eddo dentro dos ambientes constru\u00eddos. Uma delas \u00e9 a NBR 10.152, que regula os n\u00edveis de ru\u00eddo para conforto ac\u00fastico, cujos limites dependem do tipo de ambiente e da atividade executada.<br \/><br \/>Bittencourt (2021, p.20) cita alguns aspectos projetuais para edifica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, a fim de auxiliar na diminui\u00e7\u00e3o de ru\u00eddo, tais como: estabelecer a adequada sele\u00e7\u00e3o do terreno e a devida considera\u00e7\u00e3o sobre os aspectos ambientais que possam impactar no conforto ac\u00fastico; avaliar o impacto das condi\u00e7\u00f5es naturais, relevo, topografia e condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas na implanta\u00e7\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o, escolher e definir a forma do edif\u00edcio e sua rela\u00e7\u00e3o com as demais edifica\u00e7\u00f5es do entorno imediato, ordenar e distribuir os espa\u00e7os internos, considerando fluxos e rela\u00e7\u00f5es funcionais, estabelecer a distribui\u00e7\u00e3o espacial e a adequa\u00e7\u00e3o da forma interna da edifica\u00e7\u00e3o, definir a utiliza\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es de constru\u00e7\u00e3o que reduzam a transmissibilidade dos ru\u00eddos, definir e aplicar materiais que reduzam a reverbera\u00e7\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o dos ru\u00eddos, utilizar e aplicar detalhes construtivos que contribuam para melhor qualidade ac\u00fastica.<br \/><br \/><strong>4.3. Olfato<\/strong><br \/>Segundo BARBEITOS (2010, p.2), a partir da sensa\u00e7\u00e3o, o odor \u00e9 memorizado num processo de aprendizado, sendo importante na sele\u00e7\u00e3o alimentar e em processos e experi\u00eancias emocionais. O aprendizado olfativo est\u00e1 relacionado diretamente \u00e0s experi\u00eancias individuais e as coletivas, podendo alterar estados afetivos e relacionamento quanto ao comportamento social e sexual. Assim, mem\u00f3rias evocadas por meio de odores s\u00e3o distintas de outras, em raz\u00e3o da sua grande pot\u00eancia emocional.<br \/><br \/>NANDA (2005, p.60) descreve que o sentido do olfato registra varia\u00e7\u00f5es no odor dentro de uma faixa limitada. Nas dist\u00e2ncias de aproximadamente um metro \u00e9 poss\u00edvel sentir odores mais \u00edntimos, como cheiro do cabelo, da pele, da roupa. Perfumes e outros odores mais fortes podem ser percebidos de dois a tr\u00eas metros. Cheiros mais f\u00e9tidos, como peixe podre, podem ser percebidos a dist\u00e2ncias mais longas.<br \/>Esses conceitos trazem reflex\u00f5es de qu\u00e3o importante \u00e9 o est\u00edmulo do olfato dentro dos ambientes. O quanto ele pode interferir no bem-estar do usu\u00e1rio, considerando mem\u00f3rias afetivas, odores agrad\u00e1veis e desagrad\u00e1veis.<br \/><br \/>Em ambientes hospitalares, segundo WOSNY (2004, p.1), o hospital tem um odor pr\u00f3prio. O \u201ccheiro de hospital\u201d \u00e9 indicativo de qualidade em sa\u00fade e, principalmente, de condi\u00e7\u00f5es de risco de infec\u00e7\u00e3o hospitalar.<br \/><br \/>Cheiros como os de rem\u00e9dio, \u201ccomida de hospital\u201d, desinfetante, s\u00e3o recorrentes nas falas de quem permanece no hospital, seja para uma consulta eletiva, seja para uma interna\u00e7\u00e3o mais prolongada.\r\n<blockquote>\r\n<div>Todo odor comunica algo. Agrad\u00e1veis ou desagrad\u00e1veis, os odores enviam alguma mensagem, \u00f3bvias em diversas situa\u00e7\u00f5es, em outras, requerendo decodifica\u00e7\u00e3o. Podem significar algum perigo iminente presente no ambiente, causa ou resultado de algum dano ou desconforto ao indiv\u00edduo. A interpreta\u00e7\u00e3o destas mensagens olfativas pela enfermagem, dependendo da sua resposta, pode ser decisiva na condu\u00e7\u00e3o e desenlace do ato de cuidar mediado pela rela\u00e7\u00e3o percep\u00e7\u00e3o olfativa\/a\u00e7\u00e3o de Enfermagem. Pode ser sugestiva de emana\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica resultante da a\u00e7\u00e3o de determinada patologia portada pelo cliente. A percep\u00e7\u00e3o olfativa, mais agu\u00e7ada em uns e menos em outros, responde \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es variadas. A maior compreens\u00e3o est\u00e9tico\/filos\u00f3fica e t\u00e9cnico\/cient\u00edfica das emana\u00e7\u00f5es odorantes, poder\u00e3o favorecer no diagn\u00f3stico de Enfermagem e planejamento da assist\u00eancia, vigil\u00e2ncia da qualidade ambiental e terap\u00eautica (WOSNY, 2004, p. 1).<\/div>\r\n<\/blockquote>\r\n<div>Alguns cuidados devem ser tomados ao projetar ambientes hospitalares, como a escolha de materiais de acabamentos inodoros, local onde os produtos e medicamentos s\u00e3o manipulados e localiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o da cozinha distante dos pacientes, para n\u00e3o impactar de forma negativa o bem-estar de seus usu\u00e1rios.<br \/><br \/>Utilizando estrat\u00e9gias de biofilia, tema citado em cap\u00edtulo anterior, a natureza se conecta de forma positiva com o homem reduzindo dor, estresse e ansiedade. Portanto, aromas da natureza para os ambientes hospitalares podem ajudar na restaura\u00e7\u00e3o dos pacientes e no bem-estar dos profissionais de sa\u00fade. Essa estrat\u00e9gia pode ser utilizada por meio de aromatizadores el\u00e9tricos com \u00f3leos essenciais.<br \/><br \/><strong>4.4. Paladar<\/strong>\r\n<blockquote>O paladar ou a gusta\u00e7\u00e3o \u00e9 um sentido qu\u00edmico, ou seja, que depende de quimiorreceptores (receptores sensoriais que transformam energia qu\u00edmica em el\u00e9trica). Temos esses receptores qu\u00edmicos presentes em diferentes partes da l\u00edngua e que s\u00e3o sens\u00edveis a cinco tipos espec\u00edficos de subst\u00e2ncias: h\u00e1 receptores diferentes para doce, amargo, \u00e1cido, salgado e umami. Esse \u00faltimo, apesar do nome esquisito, \u00e9 estimulado por algo que conhecemos bem, o sabor do glutamato monoss\u00f3dico, o chamado real\u00e7ador do paladar. Esses receptores de umami, quando estimulados, d\u00e3o ao alimento a sensa\u00e7\u00e3o de saboroso e agrad\u00e1vel. Com esses cinco receptores, somos capazes de identificar os mais variados sabores nos alimentos e nos deliciar com as mais fant\u00e1sticas guloseimas (TIEPPO, 2019, p. 129).<\/blockquote>\r\nNo \u00e2mbito hospitalar, s\u00e3o diferentes os usu\u00e1rios que recebem alimenta\u00e7\u00e3o todos os dias. Funcion\u00e1rios, alunos, acompanhantes e pacientes se alimentam diariamente no hospital. Os pacientes recebem at\u00e9 cinco refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. Como trazer essa experi\u00eancia de forma positiva, de maneira a auxiliar no processo de recupera\u00e7\u00e3o?<br \/>\r\n<blockquote>O acesso a uma variedade de alimentos seguros e saud\u00e1veis \u00e9 um direito humano fundamental. O cuidado nutricional adequado, incluindo a qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o, tem efeitos ben\u00e9ficos na recupera\u00e7\u00e3o dos pacientes e na sua qualidade de vida. A apresenta\u00e7\u00e3o da refei\u00e7\u00e3o, a variedade de produtos e o local f\u00edsico s\u00e3o os fatores prim\u00e1rios que contribuem para a percep\u00e7\u00e3o negativa do usu\u00e1rio e para atitudes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s refei\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es. Geralmente, o p\u00fablico observa os hospitais como institui\u00e7\u00f5es, tendo a vis\u00e3o de que elas s\u00e3o menos favorecidas em recursos. A imagem negativa da refei\u00e7\u00e3o hospitalar \u00e9 generalizada e, portanto, n\u00e3o necessariamente relacionada aos alimentos por si s\u00f3 (GARCIA, 2010, p. 474).<\/blockquote>\r\nPara Hesse (2016, p.53), os hospitais, na \u00faltima d\u00e9cada, viram uma oportunidade de aprimorar o atendimento ao paciente, al\u00e9m de proporcionar um diferencial competitivo e como forma de redu\u00e7\u00e3o de custos. No hospital, a nutri\u00e7\u00e3o trabalha de forma integrada e considera as limita\u00e7\u00f5es de cada paciente em rela\u00e7\u00e3o ao seu estado cl\u00ednico. Para ele, a refei\u00e7\u00e3o deve ser apresentada de forma agrad\u00e1vel, para suscitar a vontade de comer. Nos cinco artigos estudados por Hesse, o tempo de interna\u00e7\u00e3o e os card\u00e1pios bem-planejados s\u00e3o citados como determinantes na aceita\u00e7\u00e3o da refei\u00e7\u00e3o hospitalar.<br \/><br \/>O paciente internado, seja no leito de UTI, seja no de interna\u00e7\u00e3o, recebe sua alimenta\u00e7\u00e3o na cama, muitas vezes numa mesa alta, sem muita ergonomia, ou em uma bancada de refei\u00e7\u00e3o. O ambiente onde ele passa o dia n\u00e3o estimula de forma satisfat\u00f3ria a gusta\u00e7\u00e3o. Por isso, a import\u00e2ncia de melhorar essa experi\u00eancia por meio de uma boa apresenta\u00e7\u00e3o da refei\u00e7\u00e3o, estimulando mais de um sentido.<br \/><br \/>Os funcion\u00e1rios do hospital ou mesmo os acompanhantes que fazem suas refei\u00e7\u00f5es em refeit\u00f3rios tamb\u00e9m precisam de espa\u00e7os adequados, com revestimentos que absorvam os ru\u00eddos, com presen\u00e7a de natureza viva ou simulada, com cores e est\u00edmulos que tornem a experi\u00eancia agrad\u00e1vel e prazerosa, como podemos ver na imagem 7.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8326 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-7-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"653\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-7-300x169.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-7.jpg 519w\" sizes=\"(max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><b>Imagem 7.<\/b>&nbsp;Refeit\u00f3rio de Hospital. Fonte: Imagem produzida pela autora (2022).<br \/>\r\n<div>&nbsp;<\/div>\r\n<\/div>\r\nUm bom ambiente sensorial n\u00e3o \u00e9 aquele que agride todos os sentidos, mas que cria uma conversa envolvente dentro deles. \u00c9 um passo inicial para al\u00e9m da est\u00e9tica da apar\u00eancia, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 est\u00e9tica da experi\u00eancia (NANDA, 2005, p.164).<br \/><br \/><strong>4.5. Tato<\/strong><br \/>\u201cO \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelo tato \u00e9 o maior \u00f3rg\u00e3o do corpo humano: a pele. Os mecanismos respons\u00e1veis pelo tato est\u00e3o na segunda camada da<br \/>pele, a derme. O tato \u00e9 o primeiro sentido a se desenvolver no embri\u00e3o humano\u201d (Pacievitch, 2013, p. 1).<br \/><br \/>Tieppo (2019, p.117) traz o conceito de tato acompanhado da sensibilidade. Quando tocamos algo, experienciamos n\u00e3o apenas o toque, mas tamb\u00e9m sensa\u00e7\u00f5es, como c\u00f3cegas, press\u00e3o, vibra\u00e7\u00e3o ou movimento, temperatura, dor e posi\u00e7\u00e3o das partes do corpo.<br \/><br \/>O tato est\u00e1 relacionado ao desenvolvimento e \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 tocando nas coisas que o beb\u00ea come\u00e7a a identificar os diferentes formatos e texturas dos objetos. Ele tamb\u00e9m passa a entender o pr\u00f3prio corpo e a diferenciar as pessoas. As pessoas com defici\u00eancia visual, por meio do tato e da propriocep\u00e7\u00e3o, utilizam as pontas dos dedos para \u201cler\u201d os relevos de uma superf\u00edcie e se orientar no espa\u00e7o.<br \/><br \/>Em projetos de ambientes hospitalares, deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o a experi\u00eancia do tato para priorizar a leitura espacial pelo braile, utilizar diferentes materiais de acabamento e mobili\u00e1rio para identificar a caracter\u00edstica do local e agregar outras sensa\u00e7\u00f5es do sistema somatossensorial, como temperatura adequada do ambiente, por meio de ventila\u00e7\u00e3o natural ou artificial.<br \/><br \/><strong>5. Conclus\u00e3o<\/strong><br \/>O estudo da neuroci\u00eancia aplicada \u00e0 arquitetura traz aspectos importantes ao processo de projeto que v\u00e3o al\u00e9m da est\u00e9tica e priorizam a melhor experi\u00eancia do usu\u00e1rio. O principal aspecto estudado neste artigo foi o est\u00edmulo dos sentidos, via de acesso ao nosso sistema nervoso, por meio da vis\u00e3o, do olfato, da audi\u00e7\u00e3o, do paladar e do tato, assim como o impacto positivo ou negativo na qualidade de vida das pessoas. Nosso sistema nervoso capta os est\u00edmulos desses ambientes e os transmite para o nosso corpo por meio das c\u00e9lulas receptoras, provocando sensa\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es e moldando nosso comportamento. Este trabalho trouxe reflex\u00f5es de como o ambiente constru\u00eddo pode afetar nosso c\u00e9rebro e impactar a vida das pessoas com foco em ambientes de sa\u00fade e de como aplicar estrat\u00e9gias ambientais que estimulem os sentidos, tais como: biofilia, ilumina\u00e7\u00e3o e conforto ac\u00fastico. Assim, foi apresentado: como a biofilia pode ser aplicada por meio da presen\u00e7a de paisagens vivas ou simuladas, texturas e aromas, podendo reduzir o tempo de interna\u00e7\u00e3o dos pacientes, o uso de medicamentos e o estresse dos profissionais de sa\u00fade; como a ilumina\u00e7\u00e3o, natural ou artificial, regula o rel\u00f3gio biol\u00f3gico do ser humano e, quando aplicada de forma adequada, auxilia na produ\u00e7\u00e3o de melatonina durante a noite e no foco e na concentra\u00e7\u00e3o durante o dia; e como o conforto ac\u00fastico contribui para que se tenha uma recupera\u00e7\u00e3o mais efetiva ou um trabalho com maior foco e concentra\u00e7\u00e3o. Os estudos da neuroarquitetura e os futuros avan\u00e7os da neuroci\u00eancia podem contribuir para melhorar o design dos edif\u00edcios, para deix\u00e1-los mais atrativos e melhorar a sa\u00fade e o bem-estar dos seus usu\u00e1rios.<br \/><br \/><strong>Refer\u00eancias<br \/><\/strong><br \/>\r\n<div>BARBEITOS, Carmo Ledna Pereira.&nbsp;<b>Percep\u00e7\u00e3o do olfato: folhas que n\u00e3o guardei.<\/b> 2010. Dispon\u00edvel em:&lt;https:\/\/docplayer.com.br\/24178589-Percepcao-do-olfato-folhas-que-nao guardei.html &gt;. Acesso em 16 dez. 2021.<br \/><br \/>BRASIL. ANVISA. Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria.&nbsp;<b>Conforto Ambiental em Estabelecimentos Assistenciais de Sa\u00fade \/ Tecnologia em Servi\u00e7os de Sa\u00fade.<\/b>&nbsp;Bras\u00edlia: 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria, 2014.<br \/><br \/>BRASIL. ANVISA. 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