{"id":8138,"date":"2024-06-25T18:26:28","date_gmt":"2024-06-25T21:26:28","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/a-experiencia-de-jarbas-karman-nos-anos-de-sesp\/"},"modified":"2024-11-15T17:28:32","modified_gmt":"2024-11-15T20:28:32","slug":"a-experiencia-de-jarbas-karman-nos-anos-de-sesp","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/a-experiencia-de-jarbas-karman-nos-anos-de-sesp\/","title":{"rendered":"A experi\u00eancia de Jarbas Karman nos anos de SESP"},"content":{"rendered":"<strong>Resumo<\/strong><br \/>Este artigo tem como objetivo realizar uma aproxima\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica de Jarbas Karman no per\u00edodo em que trabalhou para o SESP \u2013 Servi\u00e7o Especial de Sa\u00fade P\u00fablica.<br \/><br \/>O SESP foi criado em 1942 com o intuito de sanear territ\u00f3rios produtores de mat\u00e9ria-prima, al\u00e9m de capacitar profissionais por meio de interc\u00e2mbios.<br \/><br \/>Karman trabalhou na institui\u00e7\u00e3o entre os anos de 1949 e 1951, sendo respons\u00e1vel, entre outros trabalhos, pelo projeto da Maternidade Escola de Bel\u00e9m (1949) e do hospital sobre palafitas, em Marab\u00e1 (1950).<br \/><br \/>A experi\u00eancia no SESP foi de grande import\u00e2ncia para a forma\u00e7\u00e3o profissional de Karman. Fez com que o arquiteto tivesse contato direto com a realidade do interior do pa\u00eds e entendesse que o edif\u00edcio hospitalar precisava de maior aten\u00e7\u00e3o ao ser planejado e administrado.<br \/><br \/><strong>Palavras-chave<\/strong><br \/>Jarbas Karman, Sesp, arquitetura, hospital.<br \/><br \/><strong>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>A arquitetura de hospitais modificou-se intensamente ao longo do s\u00e9culo XX no Brasil. Levando em conta os escritos de Lauro Miquelin (1992), Luiz Carlos Toledo (2006), Renato da Gama-Rosa Costa (2011), Ana Amora Albano (2014), Elza Costeira (2014) e Ant\u00f4nio Pedro Alves de Carvalho (2014), pesquisadores dedicados \u00e0 pesquisa desse tema, pode-se dizer que a arquitetura dos hospitais passou por tr\u00eas mudan\u00e7as paradigm\u00e1ticas: primeiro, a ado\u00e7\u00e3o do modelo pavilhonar franc\u00eas oitocentista como melhor solu\u00e7\u00e3o projetual e construtiva (entre as d\u00e9cadas de 1900 e 1930); segundo, a verticaliza\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios, inspirada, inicialmente, nas experi\u00eancias estadunidenses da virada do s\u00e9culo e, posteriormente, no modernismo europeu, principalmente na arquitetura de Le Corbusier (entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1950); terceiro, a cr\u00edtica e o rompimento dos modelos preestabelecidos, retomando algumas das ideias do s\u00e9culo XIX, valorizando o bem-estar dos pacientes e incorporando as pr\u00e1ticas administrativas e operacionais mais avan\u00e7adas \u00e0 \u00e9poca.<br \/><br \/>Esta terceira mudan\u00e7a paradigm\u00e1tica teve como um de seus protagonistas o arquiteto Jarbas Karman, que dedicou 59 anos de sua carreira ao projeto, \u00e0 pesquisa e ao ensino na \u00e1rea da arquitetura, engenharia e administra\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es hospitalares.<br \/><br \/>Sua trajet\u00f3ria se inicia no Sesp \u2013 Servi\u00e7o Especial de Sa\u00fade P\u00fablica, bra\u00e7o do governo brasileiro que possu\u00eda como um de seus objetivos a realiza\u00e7\u00e3o de obras de equipamentos e infraestrutura na \u00e1rea sanit\u00e1ria. Karman trabalhou por cerca de um ano na institui\u00e7\u00e3o, por\u00e9m essa experi\u00eancia foi fundamental para a sua forma\u00e7\u00e3o profissional.<br \/><br \/>O objetivo deste artigo \u00e9 realizar uma an\u00e1lise de algumas das experi\u00eancias do arquiteto Jarbas Karman durante esse per\u00edodo.<br \/><br \/><strong>2. Jarbas Karman: um arquiteto em busca de conhecimento<\/strong><br \/>Nascido na cidade de Campanha, interior do estado de Minas Gerais, Jarbas Bela Karman se interessou pelo planejamento hospitalar ainda durante a sua especializa\u00e7\u00e3o como arquiteto. Primeiro, formou-se engenheiro civil, em 1941, pela Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 Poli USP. Durante a gradua\u00e7\u00e3o, cursou o CPOR (Centro de Prepara\u00e7\u00e3o de Oficiais da Reserva), tornando-se segundo tenente da reserva do Ex\u00e9rcito. Com a dupla titula\u00e7\u00e3o \u2013 tenente e engenheiro \u2013 prestou servi\u00e7o militar durante a Segunda Grande Guerra, em 1942, no Norte do Brasil, colaborando com a constru\u00e7\u00e3o de fortifica\u00e7\u00f5es.<br \/><br \/>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1940, no estado de S\u00e3o Paulo \u2013 local onde Karman viveu a maior parte de sua vida \u2013 as escolas de Arquitetura n\u00e3o haviam se emancipado do curso de Engenharia. A primeira a surgir foi a Faculdade de Arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 1947 e, um ano depois, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 FAU USP. Antes do surgimento das faculdades de Arquitetura, a forma\u00e7\u00e3o se dava como uma extens\u00e3o do curso de Engenharia Civil.<br \/><br \/>Ao retornar do servi\u00e7o militar, Karman cursou Arquitetura, formando-se em 1944, tamb\u00e9m pela Poli USP. Durante a especializa\u00e7\u00e3o, interessou-se pelo planejamento de hospitais, pois, de acordo com o pr\u00f3prio Karman, n\u00e3o obtinha respostas quanto \u00e0s d\u00favidas surgidas durante o ateli\u00ea de projeto sobre o tema, que, na \u00e9poca, era obrigat\u00f3rio para a forma\u00e7\u00e3o do arquiteto\u00b9.<br \/><br \/>Em 1949, seguindo seu desejo de trabalhar na \u00e1rea da sa\u00fade p\u00fablica, foi admitido no Servi\u00e7o Especial de Sa\u00fade P\u00fablica (Sesp). O cargo consistia em desenvolver e supervisionar projetos de constru\u00e7\u00e3o, reformas e adequa\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade para a popula\u00e7\u00e3o ribeirinha no Vale Amaz\u00f4nico e no Vale do Rio S\u00e3o Francisco.<br \/><br \/>Karman trabalhou no Sesp durante cerca de um ano. Mudou-se com sua esposa para Bel\u00e9m do Par\u00e1 e passou a desenvolver projetos de hospitais e centros de sa\u00fade para diversas cidades brasileiras.<br \/><br \/>Os depoimentos e manuscritos constantes em seu acervo indicam que a experi\u00eancia pelo Sesp foi fundamental para a sua forma\u00e7\u00e3o. Ao ter contato com a popula\u00e7\u00e3o ribeirinha e com povoados que n\u00e3o dispunham de saneamento b\u00e1sico e educa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, al\u00e9m dos parcos recursos para construir, reformar ou atualizar as unidades assistenciais, compreendeu que a arquitetura deveria, para atingir bons resultados na \u00e1rea da sa\u00fade p\u00fablica, irmanar-se \u00e0 gest\u00e3o hospitalar, al\u00e9m, obviamente, de compreender as quest\u00f5es sociais, culturais, econ\u00f4micas e geogr\u00e1ficas locais para aplicar os recursos da melhor maneira poss\u00edvel.<br \/><br \/>O Sesp foi criado a partir de uma parceria entre Brasil e EUA (assunto que ser\u00e1 tratado mais adiante). A parceria previa a concess\u00e3o de bolsas e custeio para forma\u00e7\u00e3o de profissionais no exterior. Sabendo disso, Karman pleiteou uma bolsa para cursar o mestrado em Arquitetura de<br \/>Hospitais da Universidade de Yale, em New Haven, Connecticut. A bolsa foi concedida e ele partiu para a Am\u00e9rica do Norte em 1951.<br \/><br \/>Sua experi\u00eancia no exterior foi bastante ampla: viajou pelo Canad\u00e1 e por dezenas de cidades nos EUA. Frequentou cursos sobre centros cir\u00fargicos e centrais de esteriliza\u00e7\u00e3o em Ont\u00e1rio, planejamento de hospitais em Nova York e seguran\u00e7a em hospitais em Boston.<br \/><br \/>Ap\u00f3s concluir o mestrado, em 1952, retornou ao Brasil, fundou, na cidade de S\u00e3o Paulo, seu escrit\u00f3rio de projetos e iniciou uma campanha para divulgar os conhecimentos que adquiriu durante sua experi\u00eancia no Sesp e com seus estudos na Am\u00e9rica do Norte.<br \/><br \/>Ao longo de sua carreira, o arquiteto colaborou com dezenas de cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o; participou de confer\u00eancias, congressos e semin\u00e1rios e proferiu aulas e palestras no Brasil e no exterior; publicou mais de uma centena de artigos em peri\u00f3dicos nacionais e internacionais e escreveu tr\u00eas livros: \u201cInicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Arquitetura Hospitalar\u201d (1972), \u201cManual de manuten\u00e7\u00e3o hospitalar\u201d (1994) e \u201cManuten\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a hospitalar preditivas\u201d (2011 \u2013 lan\u00e7ado postumamente), al\u00e9m de participar como organizador e autor da publica\u00e7\u00e3o \u201cPlanejamento de Hospitais\u201d (1954).Foi membro de diversas institui\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 \u00e1rea hospitalar, inclusive no exterior, em que se destacam o \u201cGrupo de Sa\u00fade P\u00fablica da Uni\u00e3o Internacional dos Arquitetos\u201d (UIA-PHG) e o \u201cThe American Public Health Association\u201d; participou de diversas comiss\u00f5es para a elabora\u00e7\u00e3o de resolu\u00e7\u00f5es e normas t\u00e9cnicas de institui\u00e7\u00f5es como Anvisa e ABNT. Sob o comando do seu escrit\u00f3rio, desenvolveu mais de 300 projetos arquitet\u00f4nicos de edif\u00edcios assistenciais de sa\u00fade (EAS), entre novas constru\u00e7\u00f5es, reformas, amplia\u00e7\u00f5es e reformula\u00e7\u00f5es de diferentes escalas e programas.<br \/><br \/>Faleceu em S\u00e3o Paulo, no dia dois de junho de 2008.<br \/><br \/>Em um artigo escrito para a Revista IPH, no ano de 2004, Karman afirma que o Sesp teve o m\u00e9rito de ser seu \u201cest\u00e1gio brasileiro preparat\u00f3rio\u201d para sua forma\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Norte e para a cria\u00e7\u00e3o do IPH (Karman, 2004, p. 7). Para contribuir com as pesquisas sobre as transforma\u00e7\u00f5es dos hospitais brasileiros e para a documenta\u00e7\u00e3o da obra de Jarbas Karman, \u00e9 preciso conhecer melhor as a\u00e7\u00f5es desse servi\u00e7o vinculado ao governo brasileiro e a atua\u00e7\u00e3o do arquiteto enquanto seu colaborador.<br \/>\r\n<p><strong>3. Arquitetos do Sesp<\/strong><br \/>Pouco antes do fim da Segunda Guerra Mundial, com o acirramento das rela\u00e7\u00f5es com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, os estadunidenses criaram um programa de coopera\u00e7\u00e3o internacional entre as na\u00e7\u00f5es aliadas, com o intuito de estreitarem as rela\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-econ\u00f4micas, conhecido como Ponto IV. O Brasil foi um dos pa\u00edses favorecidos com recursos oriundos desse programa, destinados ao desenvolvimento t\u00e9cnico-cient\u00edfico em diversas \u00e1reas, entre elas, o campo sanit\u00e1rio.<br \/><br \/>Um dos desdobramentos dessa coopera\u00e7\u00e3o foi a cria\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o Especial de Sa\u00fade P\u00fablica - Sesp. Configurada como uma ag\u00eancia bilateral, foi criada pelo governo brasileiro com recursos e sob as orienta\u00e7\u00f5es do governo dos EUA ap\u00f3s a Terceira Reuni\u00e3o de Consulta aos Minist\u00e9rios das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores das Rep\u00fablicas Americanas, em 1942.<br \/><br \/>Os principais objetivos do Sesp consistiam em promover o saneamento b\u00e1sico das regi\u00f5es respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas estrat\u00e9gicas para a guerra, como borracha, min\u00e9rio de ferro e mica (Adriano; Pessoa, 2017). Era preciso melhorar a sa\u00fade dos trabalhadores da regi\u00e3o amaz\u00f4nica e do Vale do Rio Doce.<\/p>\r\n<p>A pesquisadora Lina Rodrigues Faria afirma que:<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p>\"Desde o s\u00e9culo XVI v\u00e1rias doen\u00e7as como a mal\u00e1ria, a var\u00edola, o sarampo, a ancilostom\u00edase, a disenteria e a febre amarela acometiam grande parte da popula\u00e7\u00e3o livre e escrava no Brasil\" (Faria, 2006).<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p>Faria ressalta em seu texto que a mal\u00e1ria foi o caso mais significativo, sendo que na regi\u00e3o amaz\u00f4nica \"havia vastas \u00e1reas end\u00eamicas da doen\u00e7a\". As popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas dos vales do Rio S\u00e3o Francisco e do Rio Doce foram duas das que mais sofreram com a a\u00e7\u00e3o devastadora da doen\u00e7a.<\/p>\r\n<p>Para contribuir com o saneamento b\u00e1sico dessas regi\u00f5es, o Sesp contratou arquitetos para desenvolver projetos de constru\u00e7\u00e3o e reforma de unidades de sa\u00fade. Fato de grande import\u00e2ncia no pa\u00eds, considerando que a participa\u00e7\u00e3o dos arquitetos no setor s\u00f3 se intensificaria a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX\u00b2.<\/p>\r\n<p>O professor e pesquisador Ant\u00f4nio Pedro Alves de Carvalho, em um artigo sobre as normas brasileiras de projeto e constru\u00e7\u00e3o de hospitais, destaca a participa\u00e7\u00e3o do Sesp nesse processo:<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p>\"O Sesp atuou em diversos programas de sa\u00fade e saneamento rural at\u00e9 sua extin\u00e7\u00e3o, em 1990. Um dos grandes avan\u00e7os desse servi\u00e7o, na \u00e9poca, foi a forma\u00e7\u00e3o de especialistas em cursos nos Estados Unidos. Esse interc\u00e2mbio de conhecimentos tamb\u00e9m abarcou a arquitetura, com a cria\u00e7\u00e3o da se\u00e7\u00e3o de arquitetura hospitalar\" (CARVALHO, 2017, p. 22).<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p>Um dos desdobramentos da atua\u00e7\u00e3o dos arquitetos no Sesp foi a cria\u00e7\u00e3o do guia \"Padr\u00f5es M\u00ednimos Hospitalares\" (BRASIL, 194?), com orienta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para o projeto de hospitais gerais de pequeno e de m\u00e9dio porte. De autoria dos arquitetos cariocas Roberto Nadalutti e Oscar Valdetaro\u00b3, a publica\u00e7\u00e3o possui textos, plantas arquitet\u00f4nicas e listas detalhadas de mobili\u00e1rio e equipamentos. Carvalho aponta que esse guia \"pode ser considerado a base de toda a legisla\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da arquitetura de EAS no Brasil\" (Carvalho, 2017, p.24).<\/p>\r\n<p>Como mencionado acima, o interc\u00e2mbio de profissionais entre Brasil e Estados Unidos \u00e9 outro fator importante para entender as contribui\u00e7\u00f5es do Sesp para as transforma\u00e7\u00f5es dos edif\u00edcios hospitalares. Karman, Nadalutti e Valdetaro se beneficiaram de bolsas para estudar na Am\u00e9rica do Norte. Segundo o arquiteto e professor Luiz Carlos Toledo, al\u00e9m do mestrado de Karman em Yale, os tr\u00eas arquitetos fizeram um curso de especializa\u00e7\u00e3o oferecido pelo Public Health Service, Division of Hospitals Facilities, em 1952, nos EUA (Toledo, 2020, p.38).<\/p>\r\n<p>A produ\u00e7\u00e3o desses arquitetos nesse per\u00edodo ainda \u00e9 muito pouco conhecida.<\/p>\r\n<p>N\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas sobre seus projetos e feitos.<\/p>\r\n<p>Considerando a import\u00e2ncia que o pr\u00f3prio Karman destaca que o Sesp teve em sua forma\u00e7\u00e3o, faz-se importante conhecer melhor sua produ\u00e7\u00e3o anterior ao seu mestrado nos EUA.<\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>4. Dois hospitais projetados por Karman para o Sesp<\/strong><br \/>Informa\u00e7\u00f5es constantes na Cole\u00e7\u00e3o Jarbas Karman, que integra o Acervo IPH, apontam que o arquiteto desenvolveu ao menos dez projetos de edif\u00edcios de sa\u00fade enquanto trabalhou para o Sesp, em cidades localizadas nos estados do Par\u00e1, da Para\u00edba, de Pernambuco, da Bahia e de Minas Gerais.<br \/><br \/>N\u00e3o h\u00e1 desenhos de todos os projetos no acervo, o que impede uma pesquisa mais profunda sobre sua produ\u00e7\u00e3o antes de sua viagem \u00e0 Am\u00e9rica do Norte. Por\u00e9m, o arquiteto conseguiu conservar desenhos de dois projetos desse per\u00edodo, que ser\u00e3o apresentados a seguir.<br \/><br \/><strong>4.1. Maternidade Escola de Bel\u00e9m<\/strong><br \/>O primeiro hospital projetado por Karman foi a Maternidade Escola de Bel\u00e9m do Par\u00e1, em 1949. De consider\u00e1vel monumentalidade para a regi\u00e3o, o edif\u00edcio ocuparia aproximadamente um ter\u00e7o do quarteir\u00e3o conformado pela avenida Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, pela avenida Gentil Bitencourt, pela rua Deodoro de Mendon\u00e7a e pela rua Farias de Brito.<\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400;\">O lote estava reservado, \u00e0 \u00e9poca, para a constru\u00e7\u00e3o do Est\u00e1dio Municipal de Bel\u00e9m. Como \u00e9 poss\u00edvel ver na prancha de implanta\u00e7\u00e3o (imagem 1), o projeto \u00e9 composto por uma l\u00e2mina de seis pavimentos implantada na diagonal nordeste-sudoeste do lote, conectada por uma passarela a um volume de forma trapezoidal de altura equivalente a quatro pavimentos.<br \/><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8325 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-1-300x100.jpg\" alt=\"\" width=\"657\" height=\"219\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-1-300x100.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-1.jpg 538w\" sizes=\"(max-width: 657px) 100vw, 657px\" \/><\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Imagem 1 .<\/strong> Prancha de implanta\u00e7\u00e3o da Maternidade Escola de Bel\u00e9m Fonte: Acervo IPH\/Cole\u00e7\u00e3o Jarbas Karman.<\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na segunda prancha, que cont\u00e9m uma perspectiva do conjunto, \u00e9 poss\u00edvel observar que a l\u00e2mina possui um amplo beiral na cobertura e balan\u00e7os generosos em todos os pavimentos em suas quatro faces, que poderiam ser utilizados como varandas ou corredores abertos. J\u00e1 o volume trapezoidal, que abrigaria o audit\u00f3rio, possui conceito formal e estrutural semelhante \u00e0s propostas para o Pal\u00e1cio do Sovietes, de Le Corbusier e Pierre Jeannereti (Moscou, 1931); para o Audit\u00f3rio da Universidade do Brasil, de L\u00facio Costa e equipe (Rio de Janeiro, 1936); e para o Teatro Municipal de Belo Horizonte, de Oscar Niemeyer (Minas Gerais, 1943); em que os pilares externos e as vigas da cobertura, organizados em eixos radiais, sustentam o volume principal, com parte dele suspenso do ch\u00e3o.<br \/><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-8324 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-2-300x102.jpg\" alt=\"\" width=\"653\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-2-300x102.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-2.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Imagem 2 .&nbsp;<\/strong>perspectiva da Maternidade Escola de Bel\u00e9m. Fonte: Acervo IPH\/Cole\u00e7\u00e3o Jarbas Karman.<\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ainda na prancha de implanta\u00e7\u00e3o, Karman apresenta os estudos que orientaram a implanta\u00e7\u00e3o do conjunto. O arquiteto considerou, para a disposi\u00e7\u00e3o dos volumes, a melhor insola\u00e7\u00e3o e o aproveitamento dos ventos dominantes.<\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400;\">O edif\u00edcio n\u00e3o foi constru\u00eddo de acordo com as ideias de Karman. Em uma pesquisa recente, desenvolvida por Arist\u00f3teles Guilliod de Miranda, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Par\u00e1, e publicada no site do Laborat\u00f3rio Virtual - FAU ITEC UFPA (2015), houve significativas mudan\u00e7as no projeto original. A justificativa foi que era preciso adequar a proposta \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o vigente. Algum tempo depois, foi destinado a abrigar o Col\u00e9gio Augusto Meira, passando por uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica de uso. O projeto constru\u00eddo guarda poucos vest\u00edgios do original. A implanta\u00e7\u00e3o foi ajustada para o eixo norte-sul e houve o acr\u00e9scimo de outros volumes. Do desenho de Karman, sobrou apenas a rela\u00e7\u00e3o da l\u00e2mina com o volume trapezoidal do audit\u00f3rio<sup>4<\/sup>.<\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400;\">O projeto foi capa do n\u00famero IV, ano III, do Boletim da L.B.A. (Legi\u00e3o Brasileira de Assist\u00eancia) - Comiss\u00e3o Estadual do Par\u00e1 -, em junho de 1950.<\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><b><strong><br \/><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-8323 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-3-223x300.jpg\" alt=\"\" width=\"619\" height=\"833\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-3-223x300.jpg 223w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-3.jpg 265w\" sizes=\"(max-width: 619px) 100vw, 619px\" \/><br \/><\/strong><\/b><strong>Imagem 3 .<\/strong>&nbsp;Capa do Boletim da L.B.A. Fonte: Acervo IPH\/Cole\u00e7\u00e3o Jarbas Karman.<b><strong><br \/><\/strong><\/b><\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 300;\"><strong>4.2. Hospital em Marab\u00e1<\/strong><br \/>O hospital de Marab\u00e1 data de 1950. O edif\u00edcio foi implantado a 250 metros da margem do Rio Tocantins, em um quarteir\u00e3o conformado pelas atuais avenida Ant\u00f4nio Maia (antiga rua Ant\u00f4nio Maia), travessia do Hospital, rua Cinco de Abril (antiga rua Duque de Caxias) e travessa Santa Teresinha.<br \/><br \/>H\u00e1 duas vers\u00f5es do projeto. Uma datada em 30 de maio de 1950 e outra n\u00e3o datada. As duas vers\u00f5es possuem um s\u00f3 pavimento suspenso do solo por pilares de concreto.<br \/><br \/>A n\u00e3o datada, que ser\u00e1 chamada neste artigo de primeira vers\u00e3o, possui duas pranchas: uma com a planta geral do hospital implantado no lote, na escala 1:200; outra com um corte esquem\u00e1tico, uma eleva\u00e7\u00e3o e detalhes construtivos, em escalas variadas.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8322 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-4-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"655\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-4-300x192.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-4.jpg 646w\" sizes=\"(max-width: 655px) 100vw, 655px\" \/><\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Imagem 4 .<\/strong>&nbsp;Prancha com planta baixa da primeira vers\u00e3o do Hospital de Marab\u00e1. Fonte: Acervo IPH\/Cole\u00e7\u00e3o Jarbas Karman.<\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400;\">A primeira vers\u00e3o, com capacidade para 40 leitos, possui quatro pavilh\u00f5es de diferentes tamanhos, conectados entre si, sendo um pr\u00f3ximo e alinhado \u00e0 travessa Santa Teresinha; dois posicionados mais ao centro do lote, paralelos entre si e alinhados \u00e0 rua Ant\u00f4nio Maia; e um terceiro posicionado de forma diagonal aos demais, no sentido nordeste-sudoeste. H\u00e1 dois acessos: um para os pacientes, voltado para a travessa Santa Teresinha, e outro para os colaboradores e servi\u00e7os gerais, voltado para a rua Ant\u00f4nio Maia. Ambos os acessos s\u00e3o rampados, de modo a permitir a entrada nivelada dos usu\u00e1rios, uma vez que todo o hospital estaria suspenso do solo. O programa previa atendimento ambulatorial, exames de raio x, laborat\u00f3rio de an\u00e1lises cl\u00ednicas, maternidade, centro obst\u00e9trico (com uma sala de parto), centro cir\u00fargico (com uma sala de cirurgia), apoio administrativo e apoio t\u00e9cnico-log\u00edstico - composto por central de esteriliza\u00e7\u00e3o, cozinha, almoxarifado, lavanderia, morgue, caldeiras e sala para gerador. Interessante notar que, j\u00e1 em 1950, Karman propunha a separa\u00e7\u00e3o de dois leitos por quarto e a descentraliza\u00e7\u00e3o do posto de enfermagem (15 leitos para cada posto na interna\u00e7\u00e3o geral).<\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ao observar a eleva\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel perceber que o projeto propunha um piso inclinado, definido por ele como \"?aclive das alas\", ou seja, com um piso rampado em toda a extens\u00e3o dos pavilh\u00f5es, com varia\u00e7\u00e3o de altura entre 1,50 m (nos acessos) e 4,00 m (nas extremidades dos pavilh\u00f5es) do solo.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8321 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-5-300x153.jpg\" alt=\"\" width=\"655\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-5-300x153.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-5.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 655px) 100vw, 655px\" \/><\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Imagem 5 .<\/strong>&nbsp;Prancha com eleva\u00e7\u00e3o, corte e detalhes da primeira vers\u00e3o do Hospital de Marab\u00e1. Fonte: Acervo IPH\/Cole\u00e7\u00e3o Jarbas Karman.<\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400;\">As justificativas apresentadas por Karman s\u00e3o<sup>5<\/sup>:&nbsp;<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p style=\"font-weight: 400;\">\"1\u00ba Pr\u00e9dio efetivamente a salvo de inunda\u00e7\u00f5es<br \/>2\u00ba Ganho de altura com a economia de rampas e colunas<br \/>3\u00ba Aproveitamento da parte sob o hospital<br \/>4\u00ba Efeito est\u00e9tico<br \/>5\u00ba Maior higiene e ventila\u00e7\u00e3o<br \/>6\u00ba Possibilidade de tanque s\u00e9ptico elevado<br \/>7\u00ba Declive aos esgotos<br \/>8\u00ba Maior isolamento dos quartos\" (Karman, 1950).<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p style=\"font-weight: 400;\">O corte esquem\u00e1tico e o detalhe dos brises evidenciam a preocupa\u00e7\u00e3o de Karman com o clima local. O projeto prop\u00f5e beirais maiores para as faces com maior insola\u00e7\u00e3o, um espa\u00e7o ventilado entre o telhado e o forro e brises m\u00f3veis de alum\u00ednio e madeira, o que permitiria aos pacientes controlar a quantidade de luz natural nos quartos.<\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400;\">A prancha datada, que, neste artigo \u00e9 referida como a segunda vers\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 composta por quatro pavilh\u00f5es conectados entre si, sendo tr\u00eas ortogonais e um em diagonal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ruas. Com capacidade para os mesmos 40 leitos, possui um programa mais elaborado, com tr\u00eas acessos, em vez de dois, sendo: um para colaboradores e servi\u00e7os gerais; um para a emerg\u00eancia (voltado para a travessa Santa Teresinha); e outro para o ambulat\u00f3rio (voltado para a rua Ant\u00f4nio Maia. Os acessos s\u00e3o rampados, o que indica que essa proposta mant\u00e9m a ideia de elevar o hospital do solo.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8320 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-6-300x187.jpg\" alt=\"\" width=\"653\" height=\"407\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-6-300x187.jpg 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/imagem-6.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/p>\r\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Imagem 6 .<\/strong> Prancha com planta baixa da segunda vers\u00e3o do Hospital de Marab\u00e1. Fonte: Acervo IPH\/Cole\u00e7\u00e3o Jarbas Karman.<\/p>\r\nA distribui\u00e7\u00e3o do programa segue l\u00f3gica parecida: quartos com um ou dois leitos, postos de enfermagem descentralizados e agrupamento do apoio t\u00e9cnico-log\u00edstico. Por\u00e9m, essa vers\u00e3o apresenta uma configura\u00e7\u00e3o diferente da do centro cir\u00fargico e do centro obst\u00e9trico. As unidades est\u00e3o justapostas, quase formando uma s\u00f3 unidade, com acessos independentes, pr\u00f3ximas \u00e0 central de esteriliza\u00e7\u00e3o e praticamente equidistantes da maternidade e da interna\u00e7\u00e3o geral. O layout dessas unidades, quase aglutinado, ser\u00e1 aprimorado por Karman anos depois, como \u00e9 poss\u00edvel notar nos projetos para o Hospital de Cl\u00ednicas de Pelotas Dr. Francisco Sim\u00f5es, em Pelotas (1956), e para o Hospital S\u00e3o Domingos, em Uberaba (1958).<br \/><br \/>N\u00e3o foi poss\u00edvel aferir se a segunda vers\u00e3o manteve a proposta de inclina\u00e7\u00e3o da laje do t\u00e9rreo, assim como foi pensado para a outra vers\u00e3o.<br \/><br \/>Considerando as mudan\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o e no posicionamento do centro cir\u00fargico e do centro obst\u00e9trico, e que essas mudan\u00e7as seriam aprimoradas em projetos posteriores, \u00e9 poss\u00edvel dizer que a segunda vers\u00e3o \u00e9 a mais recente, sendo que o arquiteto a desenvolveu para aperfei\u00e7oar o projeto.<br \/><br \/>Atualmente, h\u00e1 um hospital constru\u00eddo no local, chamado Hospital Materno Infantil de Marab\u00e1. A implanta\u00e7\u00e3o do conjunto n\u00e3o corresponde a nenhuma das duas vers\u00f5es desenvolvidas por Karman. Por\u00e9m, as caracter\u00edsticas dos fechamentos externos (modula\u00e7\u00e3o da caixilharia), o uso de telhados aparentes e, principalmente, a suspens\u00e3o do t\u00e9rreo em rela\u00e7\u00e3o ao solo por pilotis sugerem que as ideias do arquiteto serviram de base para a constru\u00e7\u00e3o do hospital.\r\n<p style=\"font-weight: 300;\"><strong>5. Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><br \/>Os dois projetos desenvolvidos por Jarbas Karman durante sua jornada pelo Sesp deixam claro que suas preocupa\u00e7\u00f5es acerca de uma melhor setoriza\u00e7\u00e3o f\u00edsico-funcional, a separa\u00e7\u00e3o dos acessos por tipo de usu\u00e1rio, a aproxima\u00e7\u00e3o de unidades funcionais com afinidades operacionais e o cuidado para o conforto f\u00edsico e psicol\u00f3gico dos pacientes s\u00e3o algumas das quest\u00f5es j\u00e1 presentes na pr\u00e1tica profissional do arquiteto, mesmo antes do seu per\u00edodo de estudos nos EUA.<\/p>\r\nO arrojo formal do projeto para Bel\u00e9m e a leveza do conjunto arquitet\u00f4nico suspenso por pilotis, al\u00e9m das quest\u00f5es organizacionais da segunda vers\u00e3o do projeto para Marab\u00e1, s\u00e3o ind\u00edcios de que Karman j\u00e1 n\u00e3o concordava com as pr\u00e1ticas comuns do in\u00edcio do s\u00e9culo XX e j\u00e1 ensaiava o rompimento com os modelos preestabelecidos, voltando a valorizar o bem-estar dos pacientes e sugerindo novos arranjos arquitet\u00f4nicos para tornar as institui\u00e7\u00f5es mais eficientes e seguras.<br \/><br \/>Sua experi\u00eancia no Sesp foi significativa ao ponto de ele ter sido desobrigado a desenvolver o trabalho de gradua\u00e7\u00e3o de mestrado, cujo tema era o projeto de um hospital geral. A pesquisadora Monica Cytrynowicz, ao escrever sobre as origens do IPH, revela que o orientador de Karman em Yale, professor Bouis, permitiu que ele, por j\u00e1 ter projetado e constru\u00eddo hospitais de porte consider\u00e1vel, apenas se dedicasse \u00e0 pesquisa e aos estudos te\u00f3ricos sobre o tema (CYTRYNOWICZ, 2014, p.23).<br \/><br \/>Frente a esses fatos, n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o aos projetos de Karman, mas tamb\u00e9m \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do primeiro guia de projeto e constru\u00e7\u00e3o de hospitais, por Nadalutti e Valdetaro, \u00e9 evidente que a produ\u00e7\u00e3o dos arquitetos do Sesp contribuiu de maneira relevante para as transforma\u00e7\u00f5es dos edif\u00edcios assistenciais de sa\u00fade brasileiros. Esse assunto carece de maior documenta\u00e7\u00e3o e de outras pesquisas.<br \/><br \/><strong>Refer\u00eancias<br \/><\/strong><br \/><strong>Peri\u00f3dicos e internet<\/strong><br \/>ADRIANO, Tatiana.; PESSOA, Alexandre.&nbsp;<strong>SESP: 75 ANOS DE LUTA PELA SA\u00daDE P\u00daBLICA,&nbsp;2017.<\/strong> Dispon\u00edvel em: https:\/\/pnsr.desa.ufmg.br\/sesp-75-anos-de-luta-pela-saude-publica\/. Acesso em: 22 de dezembro, 2022.<br \/><br \/>AMORA, Ana Albano. A moderna arquitetura de sa\u00fade e a cidade.&nbsp;<strong>Revista IPH<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n\u00ba 11, p\u00e1ginas 30-43, 2014.<br \/><br \/>CAMPOS, Rodrigo Pires de.&nbsp;<strong>POL\u00cdTICAS INTERNACIONAIS DE SA\u00daDE NA ERA VARGAS: O SERVI\u00c7O ESPECIAL DE SA\u00daDE P\u00daBLICA, 1942-1960.<\/strong>&nbsp;Cadernos de Sa\u00fade P\u00fablica, Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2006. 318 pp.<br \/><br \/>CARVALHO, Antonio Pedro Alves. Normas de Arquitetura de Estabelecimentos Assistenciais de Sa\u00fade no Brasil.&nbsp;<strong>Revista IPH<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n\u00ba 14, p\u00e1ginas 21-38, 2017.<br \/><br \/>FARIA, Lina Rodrigues de.&nbsp;Mal\u00e1ria em dois tempos. <strong>Hist\u00f3ria, Ci\u00eancias, Sa\u00fade - Manguinhos<\/strong>, Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz; 2000. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.scielo.br\/j\/hcsm\/a\/h8t9ZcrxGfJcf4JFqGjryGx\/?lang=pt&gt;. Acesso em: 22 de dezembro, 2022.<br \/><br \/>Karman, Jarbas B. IPH cinquent\u00e3o - 1954-2004: hist\u00f3ria da sua funda\u00e7\u00e3o. <strong>Revista IPH<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n\u00ba 5, ano 3, dezembro de 2004.<br \/><br \/><strong>Livros<\/strong><br \/>AQUINO, Paulo Mauro Mayer de; COSTA, Ana Beatriz Bueno Ferraz; VICENTE, Erick Rodrigo da Silva.&nbsp;<strong>O desenho de hospitais de Jarbas Karman: exposi\u00e7\u00e3o realizada durante o VII Congresso Brasileiro para o Desenvolvimento do Edif\u00edcio Hospitalar.<\/strong> S\u00e3o Paulo: IPH, 2017.<br \/><br \/>CARVALHO, Antonio Pedro Alves.&nbsp;<strong>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 arquitetura hospitalar.<\/strong> Salvador, BA: UFBA, FA, GEA-hosp, 2014.<br \/><br \/>COSTA, Renato Gama-Rosa.&nbsp;<strong>Arquitetura hospitalar em S\u00e3o Paulo.<\/strong> In: MOTT, Maria L\u00facia; SANGLARD, Gisele (Org.).&nbsp;Hist\u00f3ria da sa\u00fade: S\u00e3o Paulo: institui\u00e7\u00f5es e patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e arquitet\u00f4nico (1808-1958). Barueri, SP: Minha Editora, 2011. p. 25-61.<br \/><br \/>COSTEIRA, Elza.&nbsp;<strong>Reflex\u00f5es sobre a edifica\u00e7\u00e3o hospitalar: um olhar sobre a moderna arquitetura de sa\u00fade no Brasil.<\/strong> In: Bitencourt, F\u00e1bio; Costeira, Elza (org). Arquitetura e engenharia hospitalar. Rio de Janeiro: Rio Books, 2014. p. 101-140.<br \/><br \/>CYTRYNOWICZ, Monica Musatti.&nbsp;<strong>Instituto de pesquisas hospitalares arquiteto Jarbas Karman - IPH: 60 anos de hist\u00f3ria.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Narrativa Um, 2014.<br \/><br \/>KARMAN, Jarbas B.; LEVI, Rino; PRADO, Amador Cintra do.&nbsp;<strong>Planejamento de Hospitais.&nbsp;<\/strong>S\u00e3o Paulo: IAB-SP, 1954.<br \/><br \/>MIQUELIN, Lauro Carlos.&nbsp;<strong>Anatomia dos edif\u00edcios hospitalares.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Cedas, 1992.<br \/><br \/>TOLEDO, Luiz Carlos.&nbsp;<strong>Feitos para curar: arquitetura hospitalar e processo projetual no Brasil.&nbsp;<\/strong>Rio de Janeiro: ABDEH, 2006.","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8138","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}