{"id":8688,"date":"2024-11-15T20:53:18","date_gmt":"2024-11-15T23:53:18","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/a-casa-de-parto-do-rio-de-janeiro-referencia-de-atendimento-ao-parto-humanizado-e-de-resistencia-aos-percalcos-da-gestao-publica-2\/"},"modified":"2024-11-15T21:47:53","modified_gmt":"2024-11-16T00:47:53","slug":"a-casa-de-parto-do-rio-de-janeiro-referencia-de-atendimento-ao-parto-humanizado-e-de-resistencia-aos-percalcos-da-gestao-publica-2","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/a-casa-de-parto-do-rio-de-janeiro-referencia-de-atendimento-ao-parto-humanizado-e-de-resistencia-aos-percalcos-da-gestao-publica-2\/","title":{"rendered":"A Casa de Parto do Rio de Janeiro: refer\u00eancia de atendimento ao parto humanizado e de resist\u00eancia aos percal\u00e7os da gest\u00e3o p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<strong>RESUMO<\/strong><br \/>O artigo \u00e9 parte da tese de doutorado em arquitetura apresentada pela autora ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Aborda os estudos sobre ambi\u00eancia e sua aplica\u00e7\u00e3o na qualifica\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade. Neste recorte s\u00e3o tratadas as quest\u00f5es sobre a humaniza\u00e7\u00e3o do parto e a influ\u00eancia dos atributos sens\u00edveis das ambi\u00eancias na percep\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios sobre os ambientes de sa\u00fade e do pr\u00f3prio resultado do cuidado. As conclus\u00f5es obtidas s\u00e3o demonstradas por meio do estudo de caso efetuado na Casa de Parto David Capistrano Filho, \u00fanico Centro de Parto Normal peri-hospitalar, p\u00fablico, na cidade do Rio de Janeiro, um modelo de excel\u00eancia na realiza\u00e7\u00e3o do parto humanizado. A Casa de Parto \u00e9 tamb\u00e9m um modelo para a composi\u00e7\u00e3o de ambi\u00eancias qualificadas para o parto e o nascimento.<br \/><br \/><strong>PALAVRAS-CHAVE<\/strong><br \/>Ambi\u00eancia; Ambiente de institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade; Centros de assist\u00eancia \u00e0 gravidez e ao parto.<br \/><br \/><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>Este artigo \u00e9 parte da tese apresentada pela autora ao PROARQ\/FAU\/UFRJ para obten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de doutoramento em arquitetura[1] . A tese trata do estudo da ambi\u00eancia nos espa\u00e7os de nascer, com recorte espec\u00edfico nos centros de parto normal, observando os aspectos sens\u00edveis que impactam e influenciam a percep\u00e7\u00e3o e a subjetividade dos usu\u00e1rios desses ambientes. Foram utilizadas metodologias de pesquisa qualitativa e quantitativa em dois estudos de caso, ambos em centros de parto normal na cidade do Rio de Janeiro. Um deles, a Casa de Parto David Capistrano Filho, \u00e9 apresentado como modelo, tanto em fun\u00e7\u00e3o do papel no hist\u00f3rico do movimento para humaniza\u00e7\u00e3o do parto nesta cidade quanto pelos resultados encontrados em sua avalia\u00e7\u00e3o como parte do estudo de caso.&nbsp; Os \"lugares de nascer\" (BITENCOURT, 2007), dentro da estrutura dos ambientes de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, podem ser pensados como locais aonde as pacientes v\u00e3o, n\u00e3o em busca de um diagn\u00f3stico - afinal como menciona um ditado popular: \"gravidez n\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a\" - mas principalmente de acompanhamento, cuidados e aten\u00e7\u00e3o para levar a termo com seguran\u00e7a o nascimento de seus filhos. Em contraponto \u00e0s associa\u00e7\u00f5es negativas geralmente trazidas pelo ambiente hospitalar, tais como medo e inseguran\u00e7a, inerentes ao estado de doen\u00e7a, s\u00e3o associados positivamente \u00e0 chegada da vida, ou deveriam ser, uma vez que esta n\u00e3o \u00e9 a realidade encontrada em grande parte das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas destinadas ao parto no Rio de Janeiro.<br \/><br \/>Os ambientes destinados ao parto e nascimento, em sua configura\u00e7\u00e3o formal e f\u00edsica estabelecida para os Centros de Parto Normal intra-hospitalares, n\u00e3o conseguem suprir as necessidades dos usu\u00e1rios no que se refere a propiciar ambi\u00eancias que proporcionem sensa\u00e7\u00f5es de privacidade, identidade, apropria\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e controle, dentre outros que direcionam e modificam as experi\u00eancias, a viv\u00eancia e a qualifica\u00e7\u00e3o pessoal dada por cada indiv\u00edduo aos ambientes. \u00c9 justamente neste contexto que se destaca a Casa de Parto David Capistrano Filho - a Casinha - ao obter resultados que demonstram ser um excelente exemplo de como planejar, projetar, construir e cuidar de um \"ambiente de nascer\" que atende a praticamente todas as expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ambi\u00eancia e deixa clara a necessidade de elementos que v\u00e3o al\u00e9m da composi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, envolvendo recursos, planejamento, metodologia de trabalho diferenciado, empatia, treinamento de equipes, educa\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, dentre outros que, juntos e em uma estrutura f\u00edsica adequada, resultam em experi\u00eancias muito positivas aos usu\u00e1rios no trabalho realizado, na conviv\u00eancia, no protagonismo e na experi\u00eancia positiva do parto para as mulheres e suas fam\u00edlias.<br \/><br \/><strong>1. Lugares de nascer - em busca da dimens\u00e3o humana<\/strong>\r\n<blockquote>A institucionaliza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia humanizada \u00e0 mulher, preconizada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, visa garantir a gestante o acesso ao atendimento digno e de qualidade no decorrer da gesta\u00e7\u00e3o, parto e puerp\u00e9rio. (BRASIL, 2000)<\/blockquote>\r\nO movimento pela humaniza\u00e7\u00e3o do parto no Brasil foi incentivado por experi\u00eancias acontecidas em v\u00e1rios estados, desde a d\u00e9cada de 1970, bem como por profissionais inspirados nas pr\u00e1ticas utilizadas pelas antigas parteiras ou mesmo pelas tribos ind\u00edgenas do Pa\u00eds. A d\u00e9cada de 1980 traz consigo a cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios grupos que n\u00e3o somente oferecem assist\u00eancia humanizada \u00e0 gravidez e ao parto, mas tamb\u00e9m prop\u00f5em mudan\u00e7as nas pr\u00e1ticas a estes relativas.&nbsp; Esses movimentos apoiam, promovem e reivindicam a pr\u00e1tica do atendimento humanizado ao parto\/nascimento em todas as suas etapas, a partir do protagonismo da mulher, da unidade m\u00e3e\/beb\u00ea e da medicina baseada em evid\u00eancias cient\u00edficas. Dentre seus objetivos, podem ser listados: a finaliza\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas aplicadas por simples conveni\u00eancia de uma ou ambas as partes (m\u00e9dico e paciente) ou do hospital; a institui\u00e7\u00e3o do respeito \u00e0s particularidades de cada mulher e \u00e0s suas prefer\u00eancias para o momento do parto; a redefini\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es humanas na assist\u00eancia; o entendimento do parto como um momento sagrado e, portanto, merecedor de rever\u00eancia (DINIZ, 2005).&nbsp;<br \/><br \/>No que tange \u00e0 arquitetura, a humaniza\u00e7\u00e3o do parto traz dois aspectos fundamentais: o primeiro \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o de que seja dever das unidades de sa\u00fade receber com dignidade a mulher, seus familiares e o rec\u00e9m-nascido, o que demanda, al\u00e9m da mudan\u00e7a no atendimento prestado por m\u00e9dicos e demais profissionais de sa\u00fade, interven\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica, de forma a criar um ambiente receptivo e acolhedor. O segundo determina a ado\u00e7\u00e3o de medidas e procedimentos sabidamente ben\u00e9ficos para o acompanhamento do parto e do nascimento (DINIZ, 2005), o que inclui pensar os ambientes destinados ao parto. No contexto da influ\u00eancia na arquitetura, cabe a esta encontrar meios de devolver ao parto o ambiente conhecido, acolhedor e familiar, cuja medicaliza\u00e7\u00e3o o levou para o ambiente hospitalar, frio, controlado e que pode ser percebido como um local \"impessoal e desconhecido\", criando situa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o do desconforto e frieza (COELHO, 2003) \u00e0 solid\u00e3o e \u00e0 depress\u00e3o.<br \/><br \/>Os projetos arquitet\u00f4nicos destinados ao parto e nascimento t\u00eam sido revistos e repensados nas \u00faltimas d\u00e9cadas em conjunto com as demais quest\u00f5es relacionadas \u00e0s pr\u00e1ticas dos cuidados obst\u00e9tricos no Brasil, com grande incentivo de programas institucionais, por meio de normas, manuais e cartilhas espec\u00edficas que delineiam propostas para a qualifica\u00e7\u00e3o e humaniza\u00e7\u00e3o da estrutura f\u00edsica nos ambientes de nascer.<br \/><br \/><strong>1.1. Os centros de parto normal<\/strong><br \/>O trabalho de parto \u00e9 influenciado por uma s\u00e9rie de quest\u00f5es de car\u00e1ter f\u00edsico e emocional que interferem nas sensa\u00e7\u00f5es das mulheres, envolvendo aspectos psicol\u00f3gicos, f\u00edsicos, sociais, econ\u00f4micos e culturais. A oferta de um ambiente para o parto que possa proporcionar \u00e0s parturientes a possibilidade de apropria\u00e7\u00e3o e controle pode tamb\u00e9m minimizar o estranhamento e a inseguran\u00e7a provenientes de estarem em um ambiente que n\u00e3o lhes \u00e9 familiar e que remete a doen\u00e7a, do medo em rela\u00e7\u00e3o ao parto, em fun\u00e7\u00e3o de outras experi\u00eancias vividas ou contadas e at\u00e9 mesmo das quest\u00f5es relativas \u00e0 cultura e aos costumes familiares. \u00c9 justamente o que sugere o conceito de ambi\u00eancia quando estabelece a rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com o ambiente, observando-o por uma \u00f3tica direcionada por todos os aspectos pessoais que lhe s\u00e3o pertinentes: os sentimentos, o conhecimento, a cultura, as expectativas, os medos. Os efeitos subjetivos criados por essa gama de sensa\u00e7\u00f5es atuam sobre e em conjunto com a percep\u00e7\u00e3o do ambiente, ocasionando a experi\u00eancia sens\u00edvel vivida pelos sujeitos expostos a ele.<br \/><br \/>Ampliou-se o conceito de cuidados centrados na mulher e no beb\u00ea durante o processo do parto, e essas mudan\u00e7as de comportamento e protagonismo modificaram a forma de serem pensados e organizados os servi\u00e7os de maternidades. Ainda assim, mesmo com as in\u00fameras normativas e recomenda\u00e7\u00f5es vigentes, efetivamente, poucas mudan\u00e7as foram feitas. Deve ser considerada, ao projetarem-se ambientes destinados ao parto, a necessidade de seguran\u00e7a, conforto e privacidade que todas as mulheres t\u00eam em um momento t\u00e3o singular. Deve-se considerar tamb\u00e9m que essas sensa\u00e7\u00f5es, bem como a satisfa\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o pela experi\u00eancia vivida, s\u00e3o diretamente influenciadas dentre outros fatores, pelo ambiente onde se deu o parto\/nascimento, podendo marc\u00e1-la como traum\u00e1tica ou satisfat\u00f3ria.&nbsp; (WALSH, 2007)<br \/><br \/>O projeto de ambientes destinados ao parto deve considerar a necessidade de proporcionar \u00e0s mulheres a sensa\u00e7\u00e3o de liberdade para ir e vir, para que se sintam seguras e protegidas, com a possibilidade de receberem a companhia de amigos e familiares, caso desejem, proporcionar privacidade e controle pessoal, de forma que a mulher possa sentir-se segura, relaxada, confort\u00e1vel e protagonista de seu processo de parto. Esses s\u00e3o os conceitos que permeiam as recomenda\u00e7\u00f5es, normativas e a filosofia dos projetos destinados \u00e0s edifica\u00e7\u00f5es para o parto normal e\/ou natural [2] (SILVA, 2018b).<br \/><br \/>A estrat\u00e9gia de implanta\u00e7\u00e3o do CPN no Brasil teve in\u00edcio no final da d\u00e9cada de 1990, ganhando prioridade com a cria\u00e7\u00e3o da Rede Cegonha no ano de 2011 e constituindo-se em uma das principais estrat\u00e9gias no contexto das proposi\u00e7\u00f5es de um modelo obst\u00e9trico inovador para o parto e o nascimento (DE VICO, 2017).&nbsp; Os CPNs s\u00e3o unidades de sa\u00fade destinadas \u00e0 assist\u00eancia ao parto de risco habitual, pertencentes ou referenciados a um estabelecimento hospitalar, sendo localizado nas suas depend\u00eancias internas ou externas. S\u00e3o independentes do centro cir\u00fargico obst\u00e9trico, realizam o atendimento humanizado, exclusivamente ao parto normal sem dist\u00f3cia[3] e privilegiam a privacidade, a dignidade e a autonomia da mulher ao parir em um ambiente mais acolhedor e confort\u00e1vel, al\u00e9m de contar com a presen\u00e7a de acompanhante de sua livre escolha.<br \/><br \/>Os CPNs s\u00e3o unidades planejadas e dotadas de elementos para permitir \u00e0s mulheres que o trabalho de parto seja ativo e participativo, com a utiliza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas que o diferenciam da aten\u00e7\u00e3o obst\u00e9trica tradicional das \u00faltimas d\u00e9cadas e seguindo as recomenda\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade de 1996 (MACHADO E PRA\u00c7A, 2006). Os centros de parto normal foram criados com o objetivo de \"proporcionar \u00e0 gestante o exerc\u00edcio de seus direitos relativos \u00e0 privacidade e \u00e0 dignidade\" (MACHADO E PRA\u00c7A, 2006), permitindo que esta d\u00ea \u00e0 luz em condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s que encontraria no ambiente residencial e familiar sem, contudo, abrir m\u00e3o de acesso a recursos tecnol\u00f3gicos caso haja alguma intercorr\u00eancia no parto.&nbsp;&nbsp;<br \/><br \/>O modelo de assist\u00eancia dos CPNs minimiza a hierarquiza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o paciente\/profissional de sa\u00fade, traz a fam\u00edlia para o processo de parto, com o direito ao acompanhante em todo o processo e visa tornar o momento do parto mais prazeroso e seguro (SILVA, 2015).&nbsp; Para que essas necessidades sejam alcan\u00e7adas, obrigatoriamente o ambiente f\u00edsico destinado ao parto precisou passar por mudan\u00e7as, fazendo com que o projeto arquitet\u00f4nico dos CPNs passasse a ter fundamental import\u00e2ncia no cumprimento do papel da unidade de sa\u00fade e dos seus objetivos. \u00c9 necess\u00e1rio que o projetista passe a dimensionar, no processo de projeto, as implica\u00e7\u00f5es da rela\u00e7\u00e3o entre o ambiente e seus usu\u00e1rios, al\u00e9m das quest\u00f5es relativas \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 ergonomia.<br \/><br \/><strong>1.1.1. Rela\u00e7\u00e3o com os atributos da ambi\u00eancia - Projeto e pr\u00e1tica<\/strong><br \/>Existem in\u00fameras quest\u00f5es que interferem nas sensa\u00e7\u00f5es das mulheres no momento do parto, podendo at\u00e9 influenciar no andamento e condi\u00e7\u00f5es, quest\u00f5es estas que envolvem os aspectos f\u00edsicos e emocionais relativos ao parto em si, mas que tamb\u00e9m podem incluir aspectos psicol\u00f3gicos, f\u00edsicos, sociais, econ\u00f4micos e culturais. Considerando-se essas quest\u00f5es pela \u00f3tica dos projetos para os ambientes destinados ao parto, mais ainda se tratarmos dos centros de parto normal, torna-se ainda mais importante verificar quais sejam os elementos f\u00edsicos desses ambientes que possam ser relacionados aos atributos das ambi\u00eancias na busca da qualifica\u00e7\u00e3o do projeto e do pr\u00f3prio ambiente para o parto.<br \/><br \/>O conjunto de sensa\u00e7\u00f5es geradas pelos elementos materiais e imateriais, que identificam a forma de cada um perceber os espa\u00e7os, caracteriza a ambi\u00eancia de cada um deles. A ambi\u00eancia expressa as atmosferas materiais e morais que permeiam e envolvem sensa\u00e7\u00f5es relacionadas, por exemplo, \u00e0 luz, ao som e \u00e0 temperatura dos ambientes (AMPHOUX, 2004 citado em SILVA, 2018b), bem como as sensa\u00e7\u00f5es relacionadas a privacidade, identidade, controle, seguran\u00e7a, territorialidade, dentre outros.&nbsp; Nos estudos de ambi\u00eancia n\u00e3o se considera simplesmente a composi\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, mas a inter-rela\u00e7\u00e3o deste com a experi\u00eancia sens\u00edvel que \u00e9 ocasionada nos sujeitos que o habitam (SILVA, 2018a). Para este estudo foram observados atributos relacionados aos seguintes itens:<br \/>\r\n<ul>\r\n<li><strong>Recep\u00e7\u00e3o e acolhimento (porta de entrada):<\/strong> A recep\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro lugar onde a mulher e sua fam\u00edlia devem sentir-se abra\u00e7adas ao chegar \u00e0 maternidade. \u00c9 a porta de entrada para o local que se destina a oferecer confian\u00e7a, aux\u00edlio e sensa\u00e7\u00e3o de acolhimento \u00e0 parturiente, onde ela pode come\u00e7ar a sentir-se em seguran\u00e7a desde o in\u00edcio do processo de parto.&nbsp; \u00c9 tamb\u00e9m onde come\u00e7a a ser efetuado o acolhimento e, portanto, \u00e9 de primordial import\u00e2ncia que nela se inicie tamb\u00e9m o processo de humaniza\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o da ambi\u00eancia proporcionada aos usu\u00e1rios. <br \/>O acolhimento adequado da mulher e de seu acompanhante, considerando todos esses aspectos, contribui para o estabelecimento de um v\u00ednculo de confian\u00e7a e seguran\u00e7a, auxiliando na tranquilidade da gestante e no seu protagonismo no trabalho de parto.&nbsp;<\/li>\r\n<li><strong>Quarto PPP:<\/strong> Um dos principais ambientes a caracterizar os centros de parto normal s\u00e3o justamente os quartos PPP, destinados \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dos procedimentos de pr\u00e9-parto, parto e p\u00f3s-parto. A RDC n\u00ba 36\/2008 os descreve como \"um ambiente \u00fanico e reservado para o acompanhamento e realiza\u00e7\u00e3o do trabalho de parto, parto e observa\u00e7\u00e3o da mulher e seu rec\u00e9m-nascido na primeira hora de vida\". A reuni\u00e3o de todos os procedimentos relacionados \u00e0s fases do parto em um s\u00f3 ambiente destina-se a evitar as transfer\u00eancias das mulheres em trabalho de parto de um ambiente para outro, al\u00e9m de proporcionar \u00e0 mulher, ao beb\u00ea e aos acompanhantes um local reservado e tranquilo tamb\u00e9m no per\u00edodo p\u00f3s-parto, mesmo que durante o per\u00edodo m\u00ednimo estabelecido normativamente. Nas Casas de Parto, a estadia nos quartos PPP \u00e9 prolongada desde o pr\u00e9-parto at\u00e9 a alta da m\u00e3e e do beb\u00ea. Os ambientes PPP, em geral, s\u00e3o projetados de forma a recriar um ambiente residencial, familiar e com configura\u00e7\u00e3o completamente diferente das salas cir\u00fargicas tradicionais, o que traz \u00e0 paciente sensa\u00e7\u00f5es de conforto, bem-estar e confian\u00e7a. S\u00e3o locais onde as mulheres podem vivenciar o parto assistidas por cuidadores familiares ou amigos, que podem fornecer cuidados cont\u00ednuos.&nbsp; As mulheres s\u00e3o ajudadas a se tornarem confiantes e otimistas em espa\u00e7os privados, sagrados e seguros (WALSH, 2007).<\/li>\r\n<li><strong>Aspectos relativos \u00e0 cultura e \u00e0 quest\u00e3o dos acompanhantes:<\/strong> \u00c9 necess\u00e1rio observar outros aspectos relacionados aos espa\u00e7os de nascer que podem gerar diferentes percep\u00e7\u00f5es de ambiente de acordo com os aspectos culturais que envolvem os sujeitos, uma vez que, de um ponto de vista simb\u00f3lico, o meio ambiente e seus componentes est\u00e3o relacionados aos c\u00f3digos culturais e sociais que s\u00e3o humanos.&nbsp; Os seres vivem, n\u00e3o s\u00f3 incorporando, mas tamb\u00e9m reproduzindo in\u00fameros significados relacionados aos espa\u00e7os arquitet\u00f4nicos constru\u00eddos e suas fun\u00e7\u00f5es&nbsp; (SILVA, 2018 a). Neste aspecto \u00e9 fundamental considerar n\u00e3o somente a m\u00e3e e o beb\u00ea, mas tamb\u00e9m aqueles escolhidos por ela para acompanhar o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o pessoal, familiar e social representado pelo parto e a chegada desta nova pessoa ao conv\u00edvio de todos.&nbsp; &nbsp;<\/li>\r\n<\/ul>\r\nMesmo considerando a gravidez e o parto como aspectos normais e fisiol\u00f3gicos das mulheres, cada uma delas o vivencia como um momento especial e diferente, com experi\u00eancias \u00fanicas, que incluem mudan\u00e7as s\u00fabitas f\u00edsicas, emocionais, sociais e familiares, compartilhado com familiares, amigos e grupos sociais aos quais pertence. Permitir a presen\u00e7a do companheiro\/acompanhante de livre escolha da mulher na recep\u00e7\u00e3o, trabalho, parto e p\u00f3s-parto imediato, al\u00e9m de ser um direito adquirido, tamb\u00e9m \u00e9 uma das prerrogativas diretamente relacionadas ao cumprimento dessas condi\u00e7\u00f5es de conforto, tranquilidade e seguran\u00e7a desejadas no processo de parto e nascimento. Mesmo com a regulamenta\u00e7\u00e3o legal e in\u00fameras pesquisas que indicam os benef\u00edcios da presen\u00e7a de um acompanhante \u00e0 mulher durante o parto, o percentual de gestantes que passam por esse momento sem acompanhamento de algu\u00e9m de sua livre escolha, seja por desconhecimento dos direitos seja por imposi\u00e7\u00e3o da \u00e1rea assistencial, em unidades p\u00fablicas e privadas de sa\u00fade ainda alcan\u00e7a patamares significativos (FERREIRA E MADEIRA, 2016; RODRIGUEZ ET AL, 2017).<br \/><br \/>A presen\u00e7a do acompanhante no processo do nascimento \u00e9 uma pr\u00e1tica que favorece a seguran\u00e7a, a qualidade do atendimento, a humaniza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia, a incorpora\u00e7\u00e3o e o cumprimento das pol\u00edticas do SUS sobre integralidade, universalidade e equidade no cuidado da sa\u00fade da mulher. Pode-se esperar de sua completa implanta\u00e7\u00e3o mudan\u00e7as positivas: para a mulher, aumento da sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e apoio, respeito, conforto e estabelecimento de v\u00ednculo com sua rede familiar e social; para as equipes, estimulo \u00e0 mudan\u00e7a dos paradigmas relativos \u00e0s pr\u00e1ticas obst\u00e9tricas estabelecidas e a abra\u00e7ar novas formas de pensar o cuidado e os modos de gest\u00e3o da sa\u00fade (PAZ e FENSTERSEIFER, 2011; DINIZ ET AL, 2014).<br \/><br \/><strong>2. Casa de Parto David Capistrano Filho - A \"Casinha\"<\/strong><br \/>A Casa de Parto David Capistrano Filho foi inaugurada em 08\/03\/2004 pela Secretaria Municipal de Sa\u00fade do Rio de Janeiro, localizando-se no bairro de Realengo, Zona Oeste da cidade. A \"Casa de Parto\" ou \"Casinha\", como \u00e9 chamada pelos usu\u00e1rios, possui 374,50 m\u00b2 de \u00e1rea constru\u00edda e est\u00e1 implantada em uma \u00e1rea extremamente carente da cidade, com recursos assistenciais parcos. Ainda assim, tem fundamental import\u00e2ncia como refer\u00eancia para o atendimento pr\u00e9-natal e o parto natural nesta regi\u00e3o e no entorno (AZEVEDO, 2008).<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157348407515734840759147779979.png\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1.<\/strong>&nbsp;Casa de Parto David Capistrano Filho - RJ. Imagem cedida por Adriana Medeiros (2018)<br \/><br \/><\/p>\r\n<strong>2.1. Hist\u00f3rico da implanta\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>A implanta\u00e7\u00e3o da CPDC, \u00fanica do g\u00eanero na cidade at\u00e9 os dias atuais, \u00e9 resultado direto das discuss\u00f5es sobre a medicaliza\u00e7\u00e3o do parto e o excesso de interven\u00e7\u00f5es a que este era submetido, que cresceram no Brasil na d\u00e9cada de oitenta com a promo\u00e7\u00e3o de f\u00f3runs de discuss\u00e3o que mobilizavam a sociedade, os profissionais e o meio acad\u00eamico envolvidos nas quest\u00f5es sobre a qualifica\u00e7\u00e3o do cuidado obst\u00e9trico no Pa\u00eds. Esses debates e movimentos incentivam diversas a\u00e7\u00f5es governamentais na busca da humaniza\u00e7\u00e3o do parto, tais como a inser\u00e7\u00e3o da enfermagem obst\u00e9trica nos partos, a qualifica\u00e7\u00e3o dessa categoria profissional, a limita\u00e7\u00e3o da quantidade de cesarianas realizadas por meio do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) (PEREIRA ET AL., 2012), bem como a preocupa\u00e7\u00e3o com a qualifica\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o destinado ao parto e nascimento.<br \/><br \/>Mesmo com a motiva\u00e7\u00e3o de qualificar e humanizar o parto, a inser\u00e7\u00e3o da enfermagem obst\u00e9trica nos centros de parto municipais repete o questionamento hist\u00f3rico sobre a qualifica\u00e7\u00e3o e a necessidade do \"saber m\u00e9dico\" em detrimento do conhecimento e da atua\u00e7\u00e3o da enfermagem para conduzir e auxiliar as mulheres nesse processo. S\u00e3o questionadas, al\u00e9m da compet\u00eancia profissional da enfermagem obst\u00e9trica, as pr\u00e1ticas direcionadas \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o do cuidado, tais como a deambula\u00e7\u00e3o, a utiliza\u00e7\u00e3o de bolas, o parto na \u00e1gua, a utiliza\u00e7\u00e3o de outras posi\u00e7\u00f5es de parto, al\u00e9m da tradicional deitada, a restri\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o de episiotomia[4] e de outras interven\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias (PEREIRA ET AL., 2012). Neste contexto das a\u00e7\u00f5es e discuss\u00f5es sobre a\u00e7\u00f5es para a humaniza\u00e7\u00e3o do parto, s\u00e3o institu\u00eddos tamb\u00e9m no Pa\u00eds, por meio da Portaria\/GM n.\u00ba 985\/1999, os Centros de Parto Normal no SUS, viabilizando sua implanta\u00e7\u00e3o nos sistemas de sa\u00fade municipais.<br \/><br \/>Mesmo formalmente estabelecida por essa primeira Portaria do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, como um ideal de unidade de sa\u00fade para a realiza\u00e7\u00e3o do parto normal, a implanta\u00e7\u00e3o da Casa de Parto no Rio de Janeiro n\u00e3o teve um hist\u00f3rico r\u00e1pido, tampouco tranquilo. A iniciativa da Secretaria Municipal de Sa\u00fade - SMS\/RJ surge ap\u00f3s a abertura da Casa de Parto de Sapopemba (SP), feita pelo Sanitarista David Capistrano[5] que, em 1999, coordenava a regulamenta\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o dessa tipologia de unidade de sa\u00fade para o SUS. A CPDCF \u00e9 a terceira nesse modelo constru\u00edda no Pa\u00eds antes da cria\u00e7\u00e3o de qualquer normativa para os projetos a ele destinados.<br \/><br \/>A Casa de Parto David Capistrano Filho, inaugurada em 08 de mar\u00e7o de 2004, protagonizou ao longo de seu hist\u00f3rico de exist\u00eancia in\u00fameros conflitos resultantes das disputas entre os segmentos favor\u00e1veis e desfavor\u00e1veis a essa tipologia de assist\u00eancia, chegando a envolver at\u00e9 a\u00e7\u00f5es no Minist\u00e9rio P\u00fablico (PEREIRA ET AL., 2012). Foram desde processos impetrados pelo CREMERJ (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro), com questionamentos sobre a \"ilegalidade dos servi\u00e7os\" em fun\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia de m\u00e9dicos no atendimento (PEREIRA E MOURA, 2009), at\u00e9 interdi\u00e7\u00f5es pela Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria Estadual por falta de uma licen\u00e7a que o pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o emitira por n\u00e3o reconhecer normativamente o novo modelo de estabelecimento de sa\u00fade.<br \/><br \/>Em cada um desses entraves, foi fundamental a grande mobiliza\u00e7\u00e3o por parte de entidades que defendem o parto humanizado e o direito feminino em escolher o local e a forma mais adequada para o parto, caso n\u00e3o haja intercorr\u00eancias.&nbsp; Essa mobiliza\u00e7\u00e3o findou por vencer a resist\u00eancia, resultando na autoriza\u00e7\u00e3o de funcionamento pela Superintend\u00eancia de Vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria em novembro de 2009 (PEREIRA et al., 2012).<br \/><br \/><strong>2.2. Projeto e implanta\u00e7\u00e3o:<\/strong><br \/>Uma dificuldade inicial enfrentada na concep\u00e7\u00e3o da Casa de Parto dizia respeito diretamente \u00e0 formata\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os, uma vez que ainda n\u00e3o havia diretrizes estabelecidas para o projeto dessa nova tipologia de ambiente para o parto. O principal norteamento do projeto para a CP carioca foi, ent\u00e3o, a busca da domesticidade, ou seja, de refer\u00eancias que remetessem ao espa\u00e7o seguro do lar. E o resultado foi uma Casa de Parto que n\u00e3o tinha \"o espelho da unidade de parto hospitalar, em hip\u00f3tese nenhuma\" (BITENCOURT E COSTEIRA, 2018).&nbsp; Al\u00e9m das quest\u00f5es relativas \u00e0 necessidade de elaborar-se um novo modelo para a edifica\u00e7\u00e3o destinada ao parto normal na cidade, havia tamb\u00e9m uma grande press\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o desse novo modelo.<br \/><br \/>O projeto foi elaborado pela arquiteta Iva Rosa Coped\u00e9, da SMS\/RJ, com a orienta\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o de F\u00e1bio Bitencourt, tendo como ponto de partida para sua formaliza\u00e7\u00e3o um conceito que segue a forma b\u00e1sica do s\u00edmbolo do SUS e da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade: uma cruz (figura 2). A partir dessa cruz, foram criadas alas e, destas, se definiriam as ideias de como abrigar a assist\u00eancia a ser prestada. Segundo explicou F\u00e1bio Bitencourt, a concep\u00e7\u00e3o partiu de um desenho inicial em torno dessa cruz, onde foram criadas alas (figura 3).&nbsp; Partindo dessa conforma\u00e7\u00e3o, foi criada uma grande \u00e1rea para a assist\u00eancia efetiva, que seria exatamente o espa\u00e7o maior (figura 4).&nbsp; Ficavam ent\u00e3o definidas as \u00e1reas principais que dariam base \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o (figura 5) e que seriam subdivididas em ambientes diversos (figura 6). Posteriormente, essa ideia de setoriza\u00e7\u00e3o foi tomando forma (figura 7) e conjugando-se na ideia final (figura 8) para o primeiro esbo\u00e7o da arquitetura que seria desenvolvida para a casa de parto (BITENCOURT E COSTEIRA, 2018).<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157348410615734841066797406396.png\" \/><br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 2.<\/strong> Ilustra\u00e7\u00e3o sobre os primeiros itens destinados \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o do conceito da Casa de Parto Carioca: conceito arquitet\u00f4nico, disponibilidade financeira e local. Fonte: Desenho de F\u00e1bio Bitencourt (2018)<\/p>\r\n<br \/>Ainda assim, havia um longo caminho pela frente para se descobrir quais seriam os ambientes necess\u00e1rios e de como adequ\u00e1-los \u00e0s normativas gen\u00e9ricas vigentes para o projeto de unidades de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade destinadas ao parto nos moldes que eram propostos pelos profissionais de enfermagem obst\u00e9trica e pelos arquitetos envolvidos no projeto. Ainda havia processos de trabalho em defini\u00e7\u00e3o e ambientes, tais como o quarto PPP, que j\u00e1 recebia este nome, mas ainda era uma esp\u00e9cie de n\u00f3 a ser desatado pelos arquitetos na concep\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Os profissionais que trabalhavam na \u00e1rea da sa\u00fade da mulher se interessavam e tentavam auxiliar nos processos, uma vez que era uma ideia ainda em desenvolvimento para todos. N\u00e3o havia um programa de necessidades arquitet\u00f4nicas definido, como atualmente. A primeira legisla\u00e7\u00e3o que iria regular os moldes minimamente pr\u00f3ximos \u00e0s normativas atuais, a RDC 36, s\u00f3 seria regulamentada em 2008, quase uma d\u00e9cada depois. Cada parte da casa de parto foi pensada, ent\u00e3o, como uma novidade, desenhando-se em fun\u00e7\u00e3o das atividades que iam surgindo e das necessidades que iam sendo adivinhadas pouco a pouco pelos profissionais envolvidos na concep\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Os ambientes foram pensados e criados come\u00e7ando pela entrada principal: deveria ter salas para as atividades da m\u00e3e, o programa de amamenta\u00e7\u00e3o, o programa para as mulheres que j\u00e1 tinham experi\u00eancia em parto normal; sanit\u00e1rios; uma sala onde pudessem ser realizadas festas e reuni\u00f5es, em conjunto com o espa\u00e7o exterior, bastante amplo; uma recep\u00e7\u00e3o; um consult\u00f3rio de ginecologia com banheiro acoplado e uma sala para a administra\u00e7\u00e3o da casa. Os dois \"m\u00f3dulos laterais da cruz\" iriam concentrar os servi\u00e7os e o apoio t\u00e9cnico log\u00edstico de um lado, do outro lado, teria uma \u00e1rea para proporcionar entrada e sa\u00edda, al\u00e9m de acesso \u00e0 ambul\u00e2ncia de plant\u00e3o. Na \u00e1rea de servi\u00e7o, seriam localizados uma \u00e1rea de expurgo, uma lavanderia com configura\u00e7\u00e3o similar \u00e0 de uma \u00e1rea de servi\u00e7o caseira e uma copa\/cozinha. Entre a recep\u00e7\u00e3o e a \u00e1rea interna haveria um balc\u00e3o, uma recep\u00e7\u00e3o que fizesse a transi\u00e7\u00e3o para o espa\u00e7o interior, onde haveria um posto de enfermagem, uma outra sala, que seria destinada \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de curetagem, procedimentos de ginecologia, aten\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o das mulheres. Al\u00e9m disso, foram projetados tamb\u00e9m quatro quartos PPP. Um deles, posteriormente, foi transformado em \u00e1rea de repouso da equipe de enfermagem. Na \u00e1rea central, seria localizado um posto de enfermagem\/\u00e1rea de prescri\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>\r\n<table border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349016715734901675012169094.png\" \/><\/div>\r\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 3<\/p>\r\n<\/td>\r\n<td style=\"text-align: center;\">\r\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:15734901851573490185865742503.png\" \/><\/p>\r\n<p>Figura 4<\/p>\r\n<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td style=\"text-align: center;\">\r\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349021615734902161801950566.png\" \/><\/p>\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<p>Figura 5<\/p>\r\n<\/td>\r\n<td>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:15734902531573490253213853385.png\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 6<\/p>\r\n<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349026915734902691559964095.png\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 7<br \/><strong>Figuras 3 a 7.<\/strong> Processo de planejamento conceitual inicial para a Casa de Parto Fonte: Adaptados do Desenho de F\u00e1bio Bitencourt (2018)<\/p>\r\n<p>Cada um desses ambientes, bem como suas interliga\u00e7\u00f5es, vai caminhando para um desenho arquitet\u00f4nico definido como dois grandes eixos que se cruzam e v\u00e3o recebendo complementa\u00e7\u00f5es para fechamento dos blocos pensados pelos arquitetos: o bloco mais pesado, que \u00e9 o da assist\u00eancia efetiva (os quartos PPP, a sala de atendimento, o posto de enfermagem e a \u00e1rea de prescri\u00e7\u00e3o), os blocos laterais, que atendem \u00e0 \u00e1rea de servi\u00e7o e a entrada e sa\u00edda alternativa para pacientes e pessoal da ambul\u00e2ncia, e a \u00e1rea frontal, destinada a recep\u00e7\u00e3o, acolhimento, eventos, reuni\u00f5es e administra\u00e7\u00e3o. \u00c9 segundo a distribui\u00e7\u00e3o desses usos e dos processos neles inseridos que a arquitetura ganha forma, adequando-se \u00e0s dimens\u00f5es do terreno disponibilizado para a implanta\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<br \/>A composi\u00e7\u00e3o final do projeto \u00e9 uma estrutura muito simples, finalizada contando com consult\u00f3rio, sala para reuni\u00e3o de grupos educativos (ainda denominada como sala de utilidades), sala de espera, posto de enfermagem, sala de parto ou sala de cuidados que podia funcionar como consult\u00f3rio, tr\u00eas su\u00edtes para interna\u00e7\u00e3o, sala da dire\u00e7\u00e3o, lavanderia, sala de guarda de material de consumo e cozinha e sol\u00e1rio na \u00e1rea central. Externamente, foram localizados o estacionamento e a varanda.&nbsp; Para toda a casa, foi utilizada \"uma ambienta\u00e7\u00e3o em tons suaves, mobili\u00e1rio de vime, almofadas coloridas, fotos de mulheres e de crian\u00e7as em atividades na pr\u00f3pria unidade, tornando o ambiente bastante acolhedor\" (AZEVEDO, 2008).<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349028915734902899831430702.png\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 8.<\/strong> Figura final do planejamento conceitual para a Casa de Parto Fonte: Desenho de F\u00e1bio Bitencourt (2018)<br \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349030515734903055621498147.png\" \/><br \/><strong>Figura 09.<\/strong> Implanta\u00e7\u00e3o - Casa de Parto David Capistrano Filho - Projeto para reforma - 2009 Fonte: SMSDC\/RJ<br \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349031815734903185078921016.png\" \/><br \/><strong>Figura 10.<\/strong> Layout atual da Casa de Parto David Capistrano Filho Fonte: As-built da autora, 2018.<\/p>\r\nAl\u00e9m da configura\u00e7\u00e3o f\u00edsica e estrutural da constru\u00e7\u00e3o, o \"clima de domesticidade\" inicialmente buscado e que norteou a programa\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica para a casa de parto, \u00e9 intensificado pela ambienta\u00e7\u00e3o planejada e instalada, com pintura interna e externa em tons de rosa e salm\u00e3o; mobili\u00e1rio que remete a um ambiente caseiro desde a recep\u00e7\u00e3o at\u00e9 os quartos PPP, incluindo poltronas, almofadas, camas de casal, entre outros que podem ser encontrados em qualquer resid\u00eancia; gerando ambientes reconhec\u00edveis e acolhedores para as \"clientes\", seus familiares e todos os demais que a frequentam. Essas caracter\u00edsticas permanecem praticamente inalteradas at\u00e9 os dias atuais, depois de quinze anos de funcionamento. Mesmo sendo percept\u00edvel a necessidade atual da Casinha de receber cuidados, tais como repintura; corre\u00e7\u00e3o de infiltra\u00e7\u00f5es por capilaridade, comuns nas \u00e1reas circunvizinhas; corte de grama e reparos variados na estrutura f\u00edsica, o que chama aten\u00e7\u00e3o logo que se adentra na \u00e1rea de recep\u00e7\u00e3o \u00e9 a atmosfera do lugar, que recebe, acolhe e deixa \u00e0 vontade todos os visitantes.<br \/><br \/><strong>2.3. Referencial assistencial<\/strong><br \/>Por tratar-se de um Centro de Parto Normal Peri-Hospitalar (independente das depend\u00eancias de um hospital), a Casa de Parto tem como refer\u00eancia para o atendimento de intercorr\u00eancias o Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, no bairro de Bangu. O hospital de refer\u00eancia fica a uma dist\u00e2ncia aproximada de cinco quil\u00f4metros da CPDCF, dist\u00e2ncia esta que pode ser percorrida em ambul\u00e2ncia, com sirene ligada, em um prazo de aproximadamente dez a quinze minutos no hor\u00e1rio de pior tr\u00e2nsito.<br \/><br \/>Este CPN oferece \u00e0s suas parturientes o tratamento pr\u00e9-natal durante todos os per\u00edodos da gesta\u00e7\u00e3o, tendo como principais resultados n\u00e3o somente o melhor monitoramento das condi\u00e7\u00f5es da gestante, visando ao parto normal, mas tamb\u00e9m o \"conhecimento pr\u00e9vio da gestante e fam\u00edlia, de sua situa\u00e7\u00e3o social, emocional e biol\u00f3gica, a possibilidade de v\u00ednculo aos profissionais e \u00e0 unidade\" (AZEVEDO, 2008).<br \/><br \/>S\u00e3o premissas do atendimento na Casa de Parto oferecer \"um espa\u00e7o seguro e agrad\u00e1vel para mulheres e fam\u00edlias que queiram (...) o parto natural com um m\u00ednimo de interven\u00e7\u00f5es, participa\u00e7\u00e3o ativa da mulher, direito a escuta, manifesta\u00e7\u00f5es verbais e corporais\", al\u00e9m de desconstruir o modelo medicalizado atual do parto, em retorno a um momento fisiol\u00f3gico e feminino, em um modelo \"emancipador, pol\u00eamico e contra hegem\u00f4nico\" (CPDCF, 2018).<br \/><br \/>A Casa de Parto, por suas caracter\u00edsticas e hist\u00f3rico, trabalha com gestantes de risco m\u00ednimo, atendendo n\u00e3o somente mulheres de sua \u00e1rea de abrang\u00eancia, mas todas que se encaixem fora do limite das restri\u00e7\u00f5es impostas para a seguran\u00e7a assistencial das pr\u00f3prias mulheres e seus beb\u00eas. Foram realizados na casa de parto, at\u00e9 janeiro de 2019, mais de 3.260 partos, sem nenhum registro de mortalidade materna e apenas dois casos de complica\u00e7\u00f5es com os beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos, que foram encaminhados e atendidos no hospital de refer\u00eancia.<br \/><br \/><strong>3. A Casa de Parto David Capistrano Filho - avalia\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios<\/strong><br \/>A pesquisa da qual se originou este artigo partiu da avalia\u00e7\u00e3o de aspectos da ambi\u00eancia encontrada nos centros de parto analisados a fim de verificar possibilidades de detectar fatores que efetivamente pudessem interferir e influenciar na percep\u00e7\u00e3o e na experi\u00eancia desses ambientes por seus usu\u00e1rios. O quadro comparativo (quadro 1) demonstra a associa\u00e7\u00e3o feita entre os atributos da ambi\u00eancia considerados nos formul\u00e1rios da ferramenta qualitativa - Aspect - na cartilha da Ambi\u00eancia institucional e nos atributos considerados pela pesquisadora para o estudo:<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349037615734903769462507996.png\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Quadro 1.<\/strong> Rela\u00e7\u00e3o dos itens pontuados nos formul\u00e1rios x Cartilha da Ambi\u00eancia x atributos considerados para a pesquisa. Fonte: a autora<\/p>\r\nA tabela 1 apresenta as notas individuais atribu\u00eddas a cada um dos itens constantes dos formul\u00e1rios de avalia\u00e7\u00e3o da ferramenta Aspect, segundo a opini\u00e3o de cada participante da pesquisa sobre a Casa de Parto.<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349039715734903973795260243.png\" \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:15758971831575897183580119963.png\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tabela 1.<\/strong> Sum\u00e1rio dos resultados por categoria - Casa de Parto Fonte: a autora<\/p>\r\nA maior parte dos aspectos avaliados recebeu notas\/avalia\u00e7\u00f5es similares de quase a totalidade dos respondentes. De forma geral, as avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o positivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s afirmativas. Os resultados foram avaliados tamb\u00e9m, a t\u00edtulo de verifica\u00e7\u00e3o, pelo c\u00e1lculo de desvio padr\u00e3o, com resultados bastante similares. Foram avaliados os seguintes itens:<br \/>\r\n<ul>\r\n<li><strong>Privacidade, companhia e dignidade:<\/strong> Pacientes, acompanhantes e funcion\u00e1rios reconhecem ser este um aspecto plenamente atendido pelas instala\u00e7\u00f5es f\u00edsicas projetadas para a Casa de Parto. Este item relaciona-se diretamente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de confortabilidade, com foco na privacidade e individualidade dos usu\u00e1rios. As quest\u00f5es relativas a delimita\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o pessoal, controle e privacidade s\u00e3o diretamente atendidas pela exist\u00eancia e utiliza\u00e7\u00e3o dos quartos PPP.&nbsp; Esses ambientes permitem \u00e0s \"clientes\" a possibilidade de obter um espa\u00e7o individualizado e confort\u00e1vel, dotado de equipamentos voltados a proporcionar \u00e0 mulher a possibilidade de escolha e controle sobre quase todos os aspectos de seu parto e estadia. O quarto PPP, conforme utilizado na Casa de Parto, propicia tamb\u00e9m a possibilidade de escolha entre relacionar-se ou n\u00e3o com pessoas fora do c\u00edrculo familiar e de amigos, o que n\u00e3o existe em uma enfermaria compartilhada, e, primordialmente, o relacionamento da pr\u00f3pria fam\u00edlia com o novo membro rec\u00e9m-nascido.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<p style=\"text-align: center;\">&nbsp;<\/p>\r\n<table border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349048115734904811693615268.jpg\" \/><\/td>\r\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349048015734904809457985239.jpg\" \/><\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<strong>Figura 11.<\/strong> Pacientes, acompanhantes e profissionais - parto e p\u00f3s-parto no quarto PPP. Fotografias cedidas por Adriana Medeiros (2018)\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\nAinda em rela\u00e7\u00e3o ao controle, um aspecto primordial a ser mencionado \u00e9 que, sempre que poss\u00edvel, todas as determina\u00e7\u00f5es e desejos estabelecidos pela mulher em seu plano de parto[6] sejam seguidos conforme sua vontade, desde que n\u00e3o impliquem em risco \u00e0 m\u00e3e e ao beb\u00ea. As quest\u00f5es relativas a apropria\u00e7\u00e3o, identidade e territorialidade perpassam a utiliza\u00e7\u00e3o dos quartos PPP, mas tamb\u00e9m sofrem grande influ\u00eancia da atmosfera caseira e da apar\u00eancia geral da Casa de Parto, que remetem diretamente a ambientes reconhec\u00edveis e acolhedores, oferecendo uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a completamente diferenciada daquela que pode ser obtida em um ambiente com caracter\u00edsticas iminentemente hospitalares.<br \/><br \/>Essas quest\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e3o diretamente ligadas aos elos de empatia criados ao longo do atendimento pr\u00e9-natal, por meio das reuni\u00f5es de grupo voltadas para o esclarecimento de quest\u00f5es ligadas \u00e0 gravidez, ao parto e aos cuidados com o beb\u00ea, das quais participam a gestante e seus acompanhantes. Essas reuni\u00f5es colaboram tamb\u00e9m para o conhecimento e o reconhecimento entre profissionais, pacientes, familiares e o pr\u00f3prio ambiente da Casa de Parto, formando v\u00ednculos e apropria\u00e7\u00e3o, dando significado aos espa\u00e7os e fazendo deles um \"lugar\" para todos os seus frequentadores, apelidado carinhosamente de \"Casinha\".<br \/><br \/>Os dois \u00faltimos itens considerados, percep\u00e7\u00e3o ambiental e cultura, permeiam todos os demais e, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Casa de Parto, s\u00e3o por eles influenciados, devolvendo aos demais a mesma influ\u00eancia.&nbsp; A percep\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 influenciada n\u00e3o somente pelos aspectos f\u00edsicos e de composi\u00e7\u00e3o dos ambientes - como forma, cores, tipologia de mobili\u00e1rio, a utiliza\u00e7\u00e3o das paredes como murais para express\u00e3o das expectativas das clientes - como tamb\u00e9m pelas orienta\u00e7\u00f5es sobre os direitos das mulheres e o cheiro de bolo assando na cozinha, que chega at\u00e9 a recep\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\">&nbsp;<\/p>\r\n<table border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349051715734905175031527511.jpg\" \/><\/td>\r\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349051715734905177418973141.jpg\" \/><\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<br \/><strong>Figura 12.<\/strong> Reuni\u00f5es de grupo e cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos - Casa de Parto Fotografias cedidas por Adriana Medeiros (2018)\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\nTudo na Casa de Parto acolhe. Esse acolhimento, se considerado em conjunto com a sensa\u00e7\u00e3o de ter privacidade e controle, de ter consigo refer\u00eancias pessoais, a presen\u00e7a do acompanhante escolhido, al\u00e9m do tratamento assistencial diferenciado, s\u00e3o fundamentais, segundo o depoimento de algumas pacientes, para trazer a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e conforto em rela\u00e7\u00e3o ao parto, minimizando os medos e preocupa\u00e7\u00f5es trazidos dos relatos ouvidos ou de experi\u00eancias passadas.<br \/><br \/>\r\n<div>\r\n<table border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349054615734905463829648892.jpg\" \/><\/td>\r\n<td style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349057615734905761934887905.jpg\" \/><\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349059115734905911239259719.jpg\" \/><\/p>\r\n<\/td>\r\n<td>\r\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349059615734905969238359578.jpg\" \/><\/p>\r\n<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<\/div>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 13.<\/strong> Acolhimento, clima, ambiente - Casa de Parto Fonte: Fotografias cedidas por Adriana Medeiros (2018)<\/p>\r\n<ul>\r\n<li>Vistas externas: Pacientes, acompanhantes e funcion\u00e1rios concordam ser este um aspecto plenamente atendido pela Casa de Parto. A Casa de Parto oferece aos clientes e funcion\u00e1rios amplo acesso \u00e0 paisagem externa pelas janelas existentes nos quartos e consult\u00f3rios, bem como pelas portas sempre abertas para os jardins, ainda que lhes falte a necess\u00e1ria manuten\u00e7\u00e3o. A ilumina\u00e7\u00e3o natural tamb\u00e9m \u00e9 presente, passando atrav\u00e9s de janelas, portas abertas, tijolos de vidro e claraboias. O tr\u00e2nsito pelas \u00e1reas externas tamb\u00e9m \u00e9 livre, facilitando ainda mais a possibilidade de acesso a essas \u00e1reas.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<div>\r\n<table border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349062515734906250515265908.jpg\" \/><\/td>\r\n<td style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349062915734906291215184556.jpg\" \/><\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<strong>Figura 14.<\/strong> Vista externa e ilumina\u00e7\u00e3o natural Fotografias da autora (2018)<\/div>\r\n<ul>\r\n<li><strong>Natureza e ar livre:<\/strong> Pacientes, acompanhantes e funcion\u00e1rios concordam ser este um aspecto plenamente atendido pela Casa de Parto. Este item interfere com os aspectos relativos ao controle e \u00e0 percep\u00e7\u00e3o ambiental. O controle \u00e9 dado, justamente, pela possibilidade de circula\u00e7\u00e3o irrestrita e acesso a todos os ambientes, permitindo que clientes e funcion\u00e1rios variem o olhar sobre ambientes onde permanecem por v\u00e1rias horas seguidas, caso desejarem.<br \/>Apesar da pontua\u00e7\u00e3o expressiva, \u00e9 necess\u00e1rio ponderar que, mesmo havendo a possibilidade de acesso ao meio externo e \u00e0 sua contempla\u00e7\u00e3o pelas aberturas existentes nos ambientes, este \u00e9 pouco visitado e percebido, principalmente pelas clientes, que, em geral, preferem permanecer nos quartos. Esse fato pode ter algumas causas principais, tais como: o extremo calor que \u00e9 usual do bairro e da pr\u00f3pria zona oeste; a impossibilidade de uma manuten\u00e7\u00e3o mais adequada dos espa\u00e7os ajardinados no terreno da Casa de Parto; a falta de equipamentos que visem dar conforto e prote\u00e7\u00e3o aos clientes, que porventura desejem utilizar o espa\u00e7o externo, tanto contra o sol quanto a vis\u00e3o de quem passa nas ruas que rodeiam a Casa de Parto.&nbsp;&nbsp;<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<table border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349066515734906651851670103.jpg\" \/><\/td>\r\n<td style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349066515734906654424885787.jpg\" \/><\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 15.<\/strong> \u00c1rea externa - jardins - Casa de Parto Fotografias da autora (2018)<\/p>\r\n<ul>\r\n<li><strong>Conforto e Controle:<\/strong> Pacientes, acompanhantes e funcion\u00e1rios concordam ser este um aspecto plenamente atendido pela Casa de Parto. A possibilidade de estar em um espa\u00e7o privado, durante o per\u00edodo de perman\u00eancia, \u00e9 um item primordial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o dos clientes sobre o espa\u00e7o pessoal, possibilitando a\u00e7\u00f5es que seriam imposs\u00edveis em enfermarias compartilhadas e atuando na apropria\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e na manuten\u00e7\u00e3o da identidade.&nbsp; As fam\u00edlias podem levar itens pessoais para exibir e utilizar durante sua estadia e contam com alternativas para regular a incid\u00eancia de ilumina\u00e7\u00e3o. Um dos itens primordiais sobre a sensa\u00e7\u00e3o de conforto e controle proporcionado \u00e0s mulheres refere-se \u00e0 possibilidade de realizarem o parto da forma como desejaram, em um ambiente conhecido e com refer\u00eancias pessoais, utilizando para isso o m\u00e9todo e a posi\u00e7\u00e3o que escolheram, sempre que poss\u00edvel.<\/li>\r\n<li><strong>Legibilidade do lugar:<\/strong> Pacientes, acompanhantes e funcion\u00e1rios concordam ser este um aspecto plenamente atendido pela Casa de Parto. Relaciona-se principalmente ao controle e \u00e0 percep\u00e7\u00e3o ambiental, ambos referindo-se principalmente \u00e0 possibilidade de tomada de decis\u00f5es e \u00e0 seguran\u00e7a sobre o ambiente em que os indiv\u00edduos se encontram, de que forma podem neles atuar, transitar, entrar ou sair, localizar-se e obterem informa\u00e7\u00f5es sobre procedimentos, processos e direitos primordiais para a tipologia de atendimento ali executada. A possibilidade de legibilidade do lugar traz consigo tamb\u00e9m a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, proveniente do conhecimento e da apropria\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<div>\r\n<table class=\"aligncenter\" border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349069615734906960696655202.jpg\" \/><\/td>\r\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349069515734906958342100239.jpg\" \/><\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<\/div>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 16.<\/strong> \u00c1rea externa - acessos e entorno Fotografias da autora (2018)<\/p>\r\n<div>\r\n<table class=\"aligncenter\" border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349073315734907336732489160.jpg\" \/><\/td>\r\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349074915734907498486837512.jpg\" \/><\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349077515734907753239469355.jpg\" \/><\/td>\r\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349078715734907873172144583.jpg\" \/><\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<\/div>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 17.<\/strong> Apar\u00eancia interna - ambienta\u00e7\u00e3o Fotografias da autora (2018)<\/p>\r\n<ul>\r\n<li><strong>Apar\u00eancia interna:<\/strong> Pacientes, acompanhantes e funcion\u00e1rios concordam ser este um aspecto plenamente atendido pela Casa de Parto. Relaciona-se principalmente ao espa\u00e7o pessoal, \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o e \u00e0 identidade, \u00e0 percep\u00e7\u00e3o ambiental e \u00e0 cultura.&nbsp; Por ser um dos itens cuja interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais profundamente influenciada por gosto pessoal, experi\u00eancia, hist\u00f3ria e prefer\u00eancias dos indiv\u00edduos que observam, poderia ter avalia\u00e7\u00f5es mais diversas, por\u00e9m, com raras exce\u00e7\u00f5es, recebeu nota abaixo de cinco pontos, mesmo com as vis\u00edveis necessidades de manuten\u00e7\u00e3o percebidas em quase todos os ambientes. Apesar de os problemas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 apar\u00eancia serem vis\u00edveis e percebidos por clientes, visitantes e funcion\u00e1rios, eles perdem peso e import\u00e2ncia frente ao conjunto do trabalho ali executado e aos resultados alcan\u00e7ados.<\/li>\r\n<\/ul>\r\nOs itens relacionados no quesito apar\u00eancia interna mencionam espa\u00e7os que remetem a ambientes caseiros e reconhec\u00edveis, o que \u00e9 perfeitamente encontrado na Casa de Parto. Esses ambientes s\u00e3o mantidos extremamente limpos, os ventiladores de teto ajudam a driblar as temperaturas nas \u00e1reas sem ar-condicionado. Portas e janelas abertas passam a sensa\u00e7\u00e3o de leveza e arejamento. Os revestimentos existentes, de piso, parede e teto, nada t\u00eam de incomum, s\u00e3o os mesmos desde a inaugura\u00e7\u00e3o e se repetem pelos ambientes, desde o rosa das paredes at\u00e9 a cer\u00e2mica dos pisos. N\u00e3o h\u00e1 variedade nem luxo, mas h\u00e1 um caleidosc\u00f3pio de cartazes, quadros com mensagens dos clientes, quadros com pessoas importantes para a Casinha, pr\u00eamios diversos recebidos, jardim interno com flores de pl\u00e1stico, cadeiras de materiais diferentes, porta-retratos nas mesas e paredes, m\u00f3biles feitos pelas enfermeiras para alguma festa dependurados no teto. N\u00e3o faz nenhuma falta a diversidade de materiais de revestimento ou da cor de pintura das paredes. A apar\u00eancia interna da Casa de Parto \u00e9, ao mesmo tempo, toda parecida e completamente diferente. Tem identidade pr\u00f3pria, acolhedora e agrada completamente aos seus admiradores, que sentem falta de mais cuidado com a preserva\u00e7\u00e3o, mas identificam-se completamente com os ambientes, participam em maior ou menor grau de sua ambienta\u00e7\u00e3o e deles se apropriam completamente.<br \/>\r\n<ul>\r\n<li><strong>Instala\u00e7\u00f5es:<\/strong> Pacientes, acompanhantes e funcion\u00e1rios reconhecem que, ainda que a Casa de Parto atenda satisfatoriamente, h\u00e1 necessidade de melhoria nos aspectos considerados. O item trata das comodidades em geral, oferecidas aos clientes, e das condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e conforto encontradas nos ambientes e, principalmente, nos banheiros dos quartos PPP. Grande parte dos itens listados foi bem pontuada, podendo-se afirmar que a nota proporcionalmente menor do que a dos demais itens deve-se principalmente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o e \u00e0 apar\u00eancia dos banheiros, onde as mulheres exercem muitas vezes a possibilidade de realizar o parto nas banheiras ali instaladas. As banheiras n\u00e3o atendem \u00e0 conforma\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o atual quanto \u00e0s dimens\u00f5es, o posicionamento em rela\u00e7\u00e3o ao banheiro dificulta o trabalho dos profissionais na hora do parto e as condi\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o trazem inseguran\u00e7a \u00e0s mulheres, ainda que muitas optem, ainda assim, por realizar o parto na \u00e1gua. A condi\u00e7\u00e3o dos revestimentos nessas instala\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se encontra bastante comprometida, n\u00e3o colaborando para a boa percep\u00e7\u00e3o nem seguran\u00e7a na utiliza\u00e7\u00e3o do ambiente.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<table border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td>\r\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349091015734909109846178346.jpg\" \/><\/p>\r\n<\/td>\r\n<td style=\"text-align: center;\">\r\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349091115734909112898952824.jpg\" \/><\/p>\r\n<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 18.<\/strong> Banheiros de quarto PPP Fonte: Fotos da autora (2018)<\/p>\r\n<ul>\r\n<li><strong>Avalia\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios:<\/strong> Os funcion\u00e1rios reconhecem que, mesmo havendo problemas diversos a serem sanados quanto ao pr\u00f3prio conforto e condi\u00e7\u00f5es de trabalho, sentem-se atendidos de forma satisfat\u00f3ria pelas instala\u00e7\u00f5es da Casa de Parto nos aspectos considerados. Este item relaciona-se diretamente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de confortabilidade, \u00e0 vis\u00e3o do espa\u00e7o como facilitador do processo de trabalho e \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o por meio da aplica\u00e7\u00e3o do conhecimento e da experi\u00eancia dos profissionais. Interfere com os aspectos relacionados, por\u00e9m com vis\u00e3o direcionada exclusivamente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es encontradas e percebidas pelas equipes diversas de funcion\u00e1rios. Interfere ainda nas quest\u00f5es relativas ao espa\u00e7o pessoal, controle e privacidade dos funcion\u00e1rios, ao observar as condi\u00e7\u00f5es dos ambientes dadas a estes profissionais.<\/li>\r\n<\/ul>\r\nOs ambientes da casinha s\u00e3o destinados primordialmente a atender ao servi\u00e7o assistencial, o que faz com bastante qualidade, mas necessita de um olhar mais abrangente quanto \u00e0s \u00e1reas de conforto, de trabalho e aos equipamentos destinados aos profissionais que nela prestam servi\u00e7os. Quest\u00f5es como a falta de manuten\u00e7\u00e3o e a necessidade de amplia\u00e7\u00e3o de setores da Casa de Parto para melhor atendimento do p\u00fablico foram mencionadas por usu\u00e1rios participantes e n\u00e3o participantes da pesquisa em conversas informais durante as visitas, o que foi entendido como consequ\u00eancia de quest\u00f5es administrativas e da falta de financiamento para atender \u00e0s necessidades da unidade, mas n\u00e3o se tornam empecilhos para a realiza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia prestada, mesmo que influenciem a todos na percep\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho dispon\u00edveis.<br \/><br \/>\r\n<table class=\"aligncenter\" border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349095615734909564202984481.jpg\" \/><\/td>\r\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349095615734909566721310410.jpg\" \/><\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 19.<\/strong> Bancada de anota\u00e7\u00f5es e prontu\u00e1rios Fonte: Fotografias cedidas por Adriana Medeiros (2018)<\/p>\r\n<ul>\r\n<li><strong>Acessos:<\/strong> Item avaliado com a menor nota de todos os apresentados nos formul\u00e1rios de avalia\u00e7\u00e3o. As quest\u00f5es referem-se \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de acesso, \u00e0 acessibilidade e \u00e0 seguran\u00e7a dos usu\u00e1rios, principalmente tratando-se de mulheres gr\u00e1vidas, ou que podem j\u00e1 estar em trabalho de parto, al\u00e9m de fam\u00edlias com beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos. Interferem diretamente na percep\u00e7\u00e3o dos clientes sobre a possibilidade de chegarem e sa\u00edrem do local com seguran\u00e7a e facilidade. Aliada \u00e0 dist\u00e2ncia da via principal, outra quest\u00e3o fundamental que afeta a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 o entorno imediato da Casa de Parto, com ruas \u00e1ridas e muito vazias, com relatos diversos de inseguran\u00e7a p\u00fablica. Essas dificuldades de acesso e inseguran\u00e7a afetam n\u00e3o somente os clientes, mas tamb\u00e9m os profissionais e prestadores de servi\u00e7o que atuam na unidade.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<strong>4. Considera\u00e7\u00f5es sobre o \"modelo\" e a Casinha<\/strong><br \/>O modelo de Centro de Parto Normal, representado neste estudo pela Casa de Parto David Capistrano Filho, mostra, por meio dos resultados das avalia\u00e7\u00f5es efetuadas, tratar-se da s\u00edntese dos aspectos apresentados nas teorias, recomenda\u00e7\u00f5es e normativas para ambientes destinados ao parto humanizado, opini\u00e3o que \u00e9 compartilhada n\u00e3o somente pelas mulheres, mas tamb\u00e9m pelos acompanhantes e funcion\u00e1rios.<br \/><br \/>A Casinha tamb\u00e9m deixa claro que, apesar dos aspectos formais que fazem imensa diferen\u00e7a, a ambi\u00eancia n\u00e3o depende somente da estrutura f\u00edsica. Nessa unidade de aten\u00e7\u00e3o ao parto, com a estrutura f\u00edsica deficit\u00e1ria e necessitando n\u00e3o somente de manuten\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de amplia\u00e7\u00e3o, a metodologia de trabalho utilizada, a dimens\u00e3o da empatia assimilada, o conhecimento e o reconhecimento, todos trabalhando em conjunto, fazem imensa diferen\u00e7a no resultado final do servi\u00e7o a que se prop\u00f5em os que l\u00e1 trabalham e que recebem os que buscam o cuidado.<br \/><br \/>Esse modelo n\u00e3o se resume aos aspectos construtivos e tang\u00edveis dos ambientes edificados, mas a uma composi\u00e7\u00e3o destes com a forma do cuidado, com a familiaridade gerada pelos protocolos de informa\u00e7\u00e3o e esclarecimentos, por permitir a privacidade, mas incentivar a conviv\u00eancia, pela liberdade de tr\u00e2nsito, por tornar-se parte do dia a dia das fam\u00edlias que o procuram, durante a gravidez e ap\u00f3s o nascimento.&nbsp; A Casa de Parto torna-se a Casinha de todos, o parto retorna \u00e0 sua origem e \u00e0 fam\u00edlia. As fam\u00edlias voltam para acompanhar as gesta\u00e7\u00f5es futuras, as crian\u00e7as l\u00e1 nascidas s\u00e3o vistas pelos corredores, acompanhando outras barrigas que trazem novas crian\u00e7as. Juntam-se \u00e0 comunidade local em mutir\u00f5es para auxiliar nas fases mais dif\u00edceis de falta de verbas ou a passeatas pela manuten\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, periodicamente amea\u00e7ado de fechamento, participam de uma organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria (ReParto - Rede de Apoio \u00e0 Casa de Parto David Capistrano), composta de funcion\u00e1rios, amigos e usu\u00e1rios da Casa de Parto. Apropriam-se e estabelecem territ\u00f3rio.<br \/><br \/>Os processos de trabalho e a tipologia de atendimento dado na Casinha resultam de protocolos escritos e experi\u00eancias vividas pela equipe assistencial, da qual muitos profissionais participam desde antes da inaugura\u00e7\u00e3o. S\u00e3o provenientes do conhecimento acumulado durante toda a exist\u00eancia da casa e dos partos l\u00e1 executados e de toda a experi\u00eancia e seguran\u00e7a e confian\u00e7a passadas pelos profissionais sobre a qualidade do trabalho executado. A confian\u00e7a passada pela equipe assistencial atua em conjunto com a empatia e o ambiente, ampliando a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar f\u00edsico e emocional dos indiv\u00edduos, influenciando positivamente na percep\u00e7\u00e3o dos ambientes como um todo, de forma a minimizar aspectos que poderiam ser percebidos de maneira negativa, estes oriundos das dificuldades de manuten\u00e7\u00e3o pelas quais a Casa de Parto passa atualmente.<br \/><br \/>A Casa de Parto atende tamb\u00e9m \u00e0s prerrogativas da humaniza\u00e7\u00e3o do parto sobre a necessidade de retorno do parto com risco habitual a ambientes reconhec\u00edveis, que remetam ao caseiro, por\u00e9m com possibilidade imensamente menor de intercorr\u00eancias, em fun\u00e7\u00e3o do controle exercido sobre a sa\u00fade das mulheres e da experi\u00eancia e conhecimento da enfermagem obst\u00e9trica, capaz e legalmente habilitada para esse exerc\u00edcio. Cabe a n\u00f3s reconhecer a necessidade de um grande processo de mudan\u00e7a para que esse modelo de CPN seja n\u00e3o s\u00f3 aceito, mas tamb\u00e9m multiplicado como uma importante ferramenta para as necess\u00e1rias mudan\u00e7as no modelo de parto e nascimento no Pa\u00eds. Para isto, cabe reconhec\u00ea-lo tamb\u00e9m como importante auxiliar na redu\u00e7\u00e3o da mortalidade materna e neonatal, o que implica em mudar tamb\u00e9m a cultura do parto ces\u00e1reo, por meio da amplia\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e dos esclarecimentos sobre o tema, n\u00e3o somente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral, mas at\u00e9 mesmo a gestores e profissionais de sa\u00fade, que ainda questionam a seguran\u00e7a dessa tipologia de unidade de assist\u00eancia ao parto e nascimento.<br \/><br \/><strong>Notas<\/strong><br \/><strong>[1]<\/strong> \"Por ambi\u00eancias sens\u00edveis nos lugares de nascer. Percep\u00e7\u00e3o e subjetividade nos centros de parto normal.\"<br \/><strong>[2]<\/strong> Parto normal costuma ser usado como sin\u00f4nimo de \"parto vaginal\". Quando se fala em parto natural, al\u00e9m de a via de parto ser a vaginal, quer se enfatizar que o beb\u00ea nasce sem interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, como anestesia, analg\u00e9sicos ou subst\u00e2ncias para acelerar as contra\u00e7\u00f5es.<br \/><strong>[3]<\/strong> Distocia fetal \u00e9 a ocorr\u00eancia de anormalidades de tamanho ou posi\u00e7\u00e3o fetal, resultando em dificuldades no parto. O diagn\u00f3stico \u00e9 feito por exame cl\u00ednico, ultrassonografia ou pela resposta \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do trabalho de parto.<br \/><strong>[4] Episiotomia<\/strong> \u00e9 uma incis\u00e3o efetuada na regi\u00e3o do per\u00edneo para ampliar o canal de parto. Esta \u00e9 uma das principais interven\u00e7\u00f5es condenadas nas boas pr\u00e1ticas do parto estabelecidas pela OMS (WHO, 1985).<br \/><strong>[5]<\/strong> M\u00e9dico e mestre em sa\u00fade coletiva, David Capistrano da Costa Filho foi l\u00edder de movimento estudantil. Sua participa\u00e7\u00e3o constante nas Confer\u00eancias Nacionais de Sa\u00fade o destacou nacionalmente pelo car\u00e1ter inovador de pensar a sa\u00fade. Sua import\u00e2ncia na sa\u00fade p\u00fablica se d\u00e1 principalmente por ter sido um dos colaboradores para a 'cria\u00e7\u00e3o' do SUS. Foi respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o da primeira Casa de Parto (AZEVEDO, 2008).<br \/><strong>[6]<\/strong> O Plano de Parto pode ser uma carta ou uma lista em que a gestante determina o que gostaria e o que n\u00e3o gostaria que acontecesse em seu parto para garantir a qualidade da assist\u00eancia e da experi\u00eancia. As gestantes s\u00e3o orientadas sobre a abrang\u00eancia poss\u00edvel e limita\u00e7\u00f5es das solicita\u00e7\u00f5es nas reuni\u00f5es de grupo, durante o pr\u00e9-natal.<br \/><br \/><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><br \/>AZEVEDO, L.G.F.<strong> Estrat\u00e9gias de luta das enfermeiras obst\u00e9tricas para manter o modelo desmedicalizado na Casa de Parto David Capistrano Filho.<\/strong> Disserta\u00e7\u00e3o apresentada, como requisito para obten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de Mestre, ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 2008.<br \/><br \/>BITENCOURT, F. <strong>Arquitetura do Ambiente de Nascer: Investiga\u00e7\u00e3o, reflex\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es projetuais sobre conforto humano em centros obst\u00e9tricos.<\/strong> Tese de doutoramento em arquitetura apresentada ao Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Arquitetura da faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro - PROARQ\/FAU\/UFRJ. 2007.<br \/><br \/>BITENCOURT, F. e COSTEIRA, F. <strong>Entrevista<\/strong>. Entrevistador: Cristiane N. Silva. Rio de Janeiro - RJ, 2010. 1 arquivo .mp3 (110 min.).<br \/><br \/>BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. <strong>Programa de assist\u00eancia integral \u00e0 sa\u00fade da mulher.<\/strong> p.7-12 2000.<br \/><br \/>_______ Regulamento T\u00e9cnico para Funcionamento dos Servi\u00e7os de Aten\u00e7\u00e3o Obst\u00e9trica e Neonatal - <strong>Resolu\u00e7\u00e3o da Diretoria Colegiada<\/strong> - RDC N\u00b0 36, de 03 de junho de 2008. Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria. Bras\u00edlia - DF.&nbsp; 2008.<br \/><br \/>_______ <strong>Oficina de Ambi\u00eancia para o Parto e Nascimento. Rede Cegonha. HumanizaSUS.<\/strong> Pol\u00edtica Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o DAPES \/SAS Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. S\u00e3o Paulo - SP. 2012<br \/><br \/>COELHO, G. <strong>A arquitetura e a assist\u00eancia ao parto e nascimento: Humanizando o Espa\u00e7o.<\/strong> Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado submetida ao Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Arquitetura, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. 2003.<br \/><br \/>CPDCF - CASA DE PARTO DAVID CAPISTRANO FILHO. <strong>Casa de Parto.<\/strong> Dispon\u00edvel em: http:\/\/smsdc-casadeparto.blogspot.com\/p\/quem-somos.html. Acesso em: junho de 2018.<br \/><br \/>DE VICO. A. F. <strong>Avalia\u00e7\u00e3o da Implanta\u00e7\u00e3o dos Centros de Parto Normal no Sistema \u00danico de Sa\u00fade.<\/strong> Disserta\u00e7\u00e3o apresentada \u00e0 P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade da Crian\u00e7a e da Mulher, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz e do Instituto Nacional de Sa\u00fade da Mulher, da Crian\u00e7a e do Adolescente Fernandes Figueira. 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Atua na gest\u00e3o do servi\u00e7o de infraestrutura hospitalar da Superintend\u00eancia Estadual do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no Rio de Janeiro e como professora de gest\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios de sa\u00fade.","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8688","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}