{"id":8691,"date":"2024-11-15T22:09:19","date_gmt":"2024-11-16T01:09:19","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/?post_type=materia&#038;p=8691"},"modified":"2024-11-15T22:09:19","modified_gmt":"2024-11-16T01:09:19","slug":"analise-de-setorizacao-e-conforto-em-hospitais-contemporaneos-pediatricos-2","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/analise-de-setorizacao-e-conforto-em-hospitais-contemporaneos-pediatricos-2\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise de setoriza\u00e7\u00e3o e conforto em hospitais contempor\u00e2neos pedi\u00e1tricos"},"content":{"rendered":"<strong>RESUMO<\/strong><br \/>Edif\u00edcios de sa\u00fade deixam de ser, cada vez mais, espa\u00e7os destinados ao cuidado de doen\u00e7as, passando a ser orientados para o cuidado da sa\u00fade. A relev\u00e2ncia da pesquisa se evidencia pela alta complexidade do edif\u00edcio hospitalar de ponta e pela quantidade de vidas diretamente influenciadas por suas atividades. Desta forma, o objetivo do presente artigo \u00e9 realizar a an\u00e1lise de setoriza\u00e7\u00e3o, de fluxos e de conforto de dois hospitais pedi\u00e1tricos contempor\u00e2neos, apresentando solu\u00e7\u00f5es e alternativas para o atendimento \u00e0s necessidades de todos seus usu\u00e1rios \u2013 pacientes e acompanhantes; equipe assistencial e n\u00e3o assistencial. O m\u00e9todo monogr\u00e1fico empregado por meio de pesquisa explicativa gerou contribui\u00e7\u00f5es para readequa\u00e7\u00f5es e para novos projetos de edif\u00edcios similares, identificando fatores de humaniza\u00e7\u00e3o da arquitetura no \u00e2mbito do conforto ambiental desse tipo de ambiente constru\u00eddo. A pesquisa foi pautada na an\u00e1lise da literatura atual nacional e internacional, na an\u00e1lise da norma RDC 50 (2002), considerando tamb\u00e9m o Desenho Universal, elementos hol\u00edsticos e solu\u00e7\u00f5es ergon\u00f4micas<br \/>para a tr\u00edplice inclus\u00e3o de seus usu\u00e1rios. Os resultados indicam a \u00eanfase na setoriza\u00e7\u00e3o conforme a movimenta\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios, a aten\u00e7\u00e3o aos cruzamentos de fluxos indesejados, a escolha de materiais l\u00fadicos de acabamento, a utiliza\u00e7\u00e3o ampla de recursos de controle de ilumina\u00e7\u00e3o, inclusive colorida e indireta quando adequada ao ambiente hospitalar pedi\u00e1trico e a ampla utiliza\u00e7\u00e3o de sistemas de automa\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/><strong>PALAVRAS-CHAVE<\/strong><br \/>Arquitetura de sa\u00fade; Hospitais contempor\u00e2neos; Conforto; Setoriza\u00e7\u00e3o; Fluxos.<br \/><br \/><strong>1. INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><br \/>A an\u00e1lise de pr\u00e9 e\/ou p\u00f3s-ocupa\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio de sa\u00fade \u00e9 uma ferramenta de extrema import\u00e2ncia na busca de melhores resultados e solu\u00e7\u00f5es para futuras instala\u00e7\u00f5es. Trabalhando com a setoriza\u00e7\u00e3o das atividades, an\u00e1lise de fluxos internos e externos, humaniza\u00e7\u00e3o da arquitetura e os Sete Princ\u00edpios do Desenho Universal de Ron Mace, busca-se sempre um edif\u00edcio com facilidade de acesso e comunica\u00e7\u00f5es, flexibilidade dos espa\u00e7os, efici\u00eancia no tratamento, al\u00e9m de ambientes que tragam conforto e desviem o foco da doen\u00e7a.<br \/><br \/>Neste contexto, o artigo exp\u00f5e a an\u00e1lise de dois hospitais pedi\u00e1tricos contempor\u00e2neos: o Suzhou Children's Hospital, localizado na cidade de Suzhou, na China, cujo projeto de arquitetura foi concebido em 2010, e o Ann &amp; Robert H. Lurie Children's Hospital, em Chicago, nos Estados Unidos, inaugurado em 2012. A an\u00e1lise foi desenvolvida com base nos materiais divulgados pelos escrit\u00f3rios respons\u00e1veis pelos projetos, levando em considera\u00e7\u00e3o os conceitos empregados em edif\u00edcios hospitalares de tipologia vertical. Os par\u00e2metros t\u00e9cnicos s\u00e3o advindos da norma RDC 50 (2002) e do estudo de refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas atuais.<br \/><br \/><strong>2. OBJETIVO<\/strong><br \/>O objetivo do trabalho \u00e9 realizar a an\u00e1lise de setoriza\u00e7\u00e3o, dos fluxos e conforto de dois edif\u00edcios de sa\u00fade, hospitais pedi\u00e1tricos contempor\u00e2neos, apresentando solu\u00e7\u00f5es e alternativas para o atendimento \u00e0s necessidades de usu\u00e1rios, pacientes, acompanhantes, visitantes, equipe assistencial e n\u00e3o assistencial.<br \/><br \/><strong>3. M\u00c9TODO<\/strong><br \/>A metodologia de trabalho consistiu na realiza\u00e7\u00e3o de pesquisa explicativa a partir do levantamento e an\u00e1lise de refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas e dos principais conte\u00fados normativos; do levantamento e an\u00e1lise de informa\u00e7\u00f5es sobre os projetos estudados; da leitura e estudo de Avalia\u00e7\u00f5es P\u00f3s-Ocupa\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios de sa\u00fade pr\u00e9-existentes; da an\u00e1lise e interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados e do desenvolvimento da s\u00edntese dos resultados da pesquisa.<br \/><br \/><strong>3.1. Os hospitais selecionados<\/strong><br \/>Ambos os projetos selecionados s\u00e3o edif\u00edcios verticalizados com mais de 100.000 m\u00b2 de constru\u00e7\u00e3o. O hospital chin\u00eas possui 13 pavimentos na torre mais alta e abriga uma grande base horizontal no eixo leste-oeste, permitindo maiores aberturas e contatos com o ambiente externo, j\u00e1 o hospital estadunidense possui dois blocos verticais sobrepostos e totaliza 23 pavimentos.<br \/><br \/>O projeto do Hospital Pedi\u00e1trico de Suzhou foi concebido pelo escrit\u00f3rio HKS Architects e traz um extenso trabalho de setoriza\u00e7\u00e3o e humaniza\u00e7\u00e3o da arquitetura. O novo edif\u00edcio substituir\u00e1 o atual hospital, operacionalizado em uma edifica\u00e7\u00e3o de 80 anos que sofreu m\u00ednimas adapta\u00e7\u00f5es desde a concep\u00e7\u00e3o original. O novo projeto abriga conceitos atuais de tratamento pedi\u00e1trico, al\u00e9m de a arquitetura e a concep\u00e7\u00e3o terem enfoque em propiciar menos estresse e medo aos pacientes e visitantes. Os ambientes foram projetados para atender \u00e0s necessidades f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas da popula\u00e7\u00e3o local, considerando suas peculiaridades e caracter\u00edsticas. Como medida para humanizar o trabalho realizado pelo&nbsp;staff, foram inclu\u00eddos acessos \u00e0s \u00e1reas externas e arejadas, projetadas exclusivamente para eles, e foi realizado um completo estudo de setoriza\u00e7\u00e3o a fim de diminuir as dist\u00e2ncias internas percorridas (JORDANA, 2011). Foram providenciadas acomoda\u00e7\u00f5es para a equipe em um bloco exclusivo e observadas as quest\u00f5es ligadas \u00e0 ergonomia. A luz natural e sua rela\u00e7\u00e3o com o projeto \u00e9 outro ponto de destaque, utilizada ao m\u00e1ximo para o maior aproveitamento energ\u00e9tico em benef\u00edcio aos usu\u00e1rios. Al\u00e9m da preserva\u00e7\u00e3o dos ciclos circadianos, esse contato pode diminuir o tempo de interna\u00e7\u00e3o e a quantidade de medicamentos consumidos pelos pacientes internados. (ULRICH, 1999).<br \/><br \/>De acordo com Jordana (2011), o partido do projeto foi inspirado nas pipas, uma brincadeira disseminada pelas crian\u00e7as locais e atividade milenar de mais de 2.800 anos. As cores das pipas voando pelo c\u00e9u trazem felicidade e conforto para as crian\u00e7as de todas as idades. Por conta disso, o Suzhou Children's Hospital tem suas pr\u00f3prias pipas gigantes no jardim e \u00e1reas de recrea\u00e7\u00e3o. Na entrada principal, a marquise tamb\u00e9m foi inspirada no conceito da pipa, trazendo prote\u00e7\u00e3o contra intemp\u00e9ries de forma l\u00fadica, al\u00e9m de cor e deleite para os usu\u00e1rios desde o primeiro contato com a unidade de sa\u00fade (ver Figura 1). Com o intuito de valorizar a cultura tradicional chinesa e, em espec\u00edfico, a cidade sede, foram projetados os jardins de \u00e1gua -&nbsp;water gardens, conhecidos pela beleza e tranquilidade. Os 396.000 m\u00b2 constru\u00eddos abrigam 600 leitos de interna\u00e7\u00e3o, e estima-se o atendimento di\u00e1rio de 3.000 pacientes gerais e de 500 em car\u00e1ter de urg\u00eancia.&nbsp;<br \/><br \/>O Ann &amp; Robert H. Lurie Children's Hospital of Chicago foi projetado pelos escrit\u00f3rios ZGF Architects, Solomon Cordwell Buenz e Anderson Mikos Architects. O edif\u00edcio \u00e9 uma torre verticalizada de 116.128,8 m\u00b2 (ver Figura 2) e est\u00e1 implantado em um terreno dentro do Campus de Medicina da Northwestern University. Ressalta-se tamb\u00e9m a proximidade e conex\u00e3o com o Prentice Women's Hospital. Hoje, o hospital totaliza 360 leitos, com mais de 288 quartos privativos e uma m\u00e9dia de 200.000 atendimentos por ano. Como diferenciais, o time de projeto agregou, na \u00e1rea externa, tr\u00eas pontes de acesso pedonais, uma conectada diretamente ao centro da instala\u00e7\u00e3o de estacionamentos e as outras duas com acesso ao Prentice Women's Hospital. Internamente, o projeto conta com um terra\u00e7o\/jardim; um&nbsp;lobby&nbsp;com cobertura transl\u00facida e vista externa de 180\u00ba voltada para o Seneca Park, o Museu de Arte Contempor\u00e2nea e a Water Tower; al\u00e9m disso, h\u00e1 tamb\u00e9m elementos para a humaniza\u00e7\u00e3o, como \u00e1rea de exposi\u00e7\u00e3o de baleias flutuantes; aqu\u00e1rio; pontos de informa\u00e7\u00e3o totalmente iluminados para aux\u00edlio do&nbsp;wayfinding; pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o com tem\u00e1tica de mercado-jardim; jardins de cura -&nbsp;healing gardens; palco para a\u00e7\u00f5es de entretenimento e uma casa na \u00e1rvore. Todas as medidas de projeto fizeram com que o hospital conquistasse a certifica\u00e7\u00e3o LEED (Leadership in Energy and Environment Design).<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157608594515760859455953203479.jpg\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1.<\/strong> Fachada do Suzhou Children\u2019s Hospital Cr\u00e9dito: imagem adaptada do original publicado no site ArchDaily. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.archdaily. com\/108031\/suzhouchildrens-hospital-hks. Acesso em 06\/04\/2019.<\/p>\r\n<img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:1573494895157349489596465969.jpg\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 2.<\/strong> Fachada do Lurie Children\u2019s Hospital Cr\u00e9dito: Ann &amp; Robert H. Lurie Children\u2019s Hospital of Chicago<\/p>\r\n<strong>3.1.1. Suzhou Children's Hospital<\/strong><br \/>O Suzhou Children's Hospital apresenta boa setoriza\u00e7\u00e3o inicial com segrega\u00e7\u00e3o dos usos para as diversas \u00e1reas espec\u00edficas. O complexo ocupa uma quadra completa e possui conex\u00e3o externa por tr\u00eas dos quatro lados, o que facilita o acesso aos blocos adjacentes a partir do edif\u00edcio principal (Administrativo, Educacional e Pesquisa; Acomoda\u00e7\u00f5es; Doen\u00e7as Infecciosas) sem comprometer o&nbsp;wayfinding, visto que a volumetria do hospital se mant\u00e9m imponente, caracter\u00edstica e com gabarito predominante. Ao todo, o complexo possui quatro acessos - dois que se ligam diretamente \u00e0 recep\u00e7\u00e3o principal do hospital e ao estacionamento do subsolo e outros dois focados nos servi\u00e7os auxiliares e acesso de funcion\u00e1rios. A presen\u00e7a de acessos controlados, sendo eles externos ao complexo, ou internos aos edif\u00edcios, traz maior seguran\u00e7a para os usu\u00e1rios, bem como seguran\u00e7a contra intrus\u00f5es nas \u00e1reas comuns (ver Figura 3).&nbsp;<br \/><br \/>No pavimento t\u00e9rreo, o edif\u00edcio principal se conecta ao restante do complexo por meio de cinco acessos: dois destinados ao setor de atendimento imediato; dois laterais, para acessos de servi\u00e7os; e a entrada principal, para o acesso de pacientes ambulatoriais (vide Figura 4). No setor de diagn\u00f3sticos e terapia, a presen\u00e7a do jardim interno, ao longo de um corredor disposto no sentido leste-oeste, se torna uma alternativa agrad\u00e1vel para aprecia\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de aliviar os fluxos operantes na circula\u00e7\u00e3o principal (sentido norte-sul), facilitando a movimenta\u00e7\u00e3o e as atividades internas.<br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:15734949081573494908936239280.png\" \/><strong>Figura 3.<\/strong> Implanta\u00e7\u00e3o, Suzhou Children\u2019s Hospital Cr\u00e9dito: imagem adaptada do original publicado no site ArchDaily. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.archdaily.com\/108031\/suzhou-childrens-hospital-hks. Acesso em 06\/04\/2019.<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349491915734949192091551447.png\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 4.<\/strong> Pavimento t\u00e9rreo, Suzhou Children\u2019s Hospital Cr\u00e9dito: imagem adaptada do original publicado no site ArchDaily. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.archdaily.com\/108031\/suzhou-childrens-hospital-hks. Acesso em 06\/04\/2019.<\/p>\r\nAl\u00e9m dos jardins e dos terra\u00e7os com jardins, o projeto conta com alternativas sustent\u00e1veis, o que assegurou a obten\u00e7\u00e3o da Certifica\u00e7\u00e3o LEED. O projeto utiliza a \u00e1gua proveniente de um canal adjacente para a jardinagem, os water-gardens e sistemas de ventila\u00e7\u00e3o (ver Figura 3).&nbsp;<br \/><br \/>A circula\u00e7\u00e3o vertical acontece por meio de seis conjuntos principais, cinco deles equipados com elevadores e escadas compartimentadas e, um deles, por uma escada rolante central. Tr\u00eas dessas circula\u00e7\u00f5es se destinam ao uso de pacientes, equipe assistencial e acompanhantes - conforme identificado na planta do pavimento t\u00e9rreo com c\u00edrculos vermelhos; um dos conjuntos, totalmente focado nos pacientes internados e na equipe assistencial - em c\u00edrculo azul; e dois deles para o tr\u00e2nsito da equipe n\u00e3o assistencial, materiais e equipamentos - em c\u00edrculos roxos (ver Figura 4). Os conjuntos ficam em pontos que se interligam diretamente aos eixos de circula\u00e7\u00e3o leste-oeste, que \u00e9 replicado em todos os pavimentos superiores como circula\u00e7\u00e3o principal. Como medida preventiva contra inc\u00eandios, todos os blocos de elevadores possuem escadas compartimentadas anexas cujo posicionamento facilita o <em>wayfinding<\/em>. Nas escadas, n\u00e3o se identifica \u00e1reas de ref\u00fagio para o uso de pessoas com defici\u00eancia ou mobilidade reduzida - assim como exigido pela Instru\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica N\u00ba 11\/2018 - enquanto aguardam o resgate em caso de sinistro.<br \/><br \/>O primeiro pavimento mostra a mesma setoriza\u00e7\u00e3o e os fluxos principais do pavimento inferior, o que colabora para o&nbsp;<em>wayfinding&nbsp;<\/em>e d\u00e1 maior tranquilidade aos usu\u00e1rios. O pavimento abriga o centro cir\u00fargico, localizado na por\u00e7\u00e3o superior da planta, os atendimentos ambulatoriais, e o hospital dia em sua por\u00e7\u00e3o central, conforme identificado na Figura 5. O apoio t\u00e9cnico \u00e9 reservado para expans\u00e3o.<br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349493015734949307607644597.png\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 5.<\/strong>&nbsp; Primeiro pavimento, Suzhou Children\u2019s Hospital Cr\u00e9dito: imagem adaptada do original publicado no site ArchDaily. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.archdaily.com\/108031\/suzhou-childrens-hospital-hks. Acesso em 06\/04\/2019.<\/p>\r\nNo pavimento tipo, de interna\u00e7\u00e3o, o fluxo de usu\u00e1rios ocorre na dire\u00e7\u00e3o leste-oeste, nos dois sentidos (vide Figura 6). \u00c0 frente dos elevadores centrais, dois ambientes sim\u00e9tricos segregam o fluxo diretamente para a asa leste ou oeste, contribuindo para o monitoramento, a seguran\u00e7a e o controle de fluxos indesejados no pavimento.&nbsp;<br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349494215734949420435581326.png\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 6.<\/strong> Pavimento tipo, Suzhou Children\u2019s Hospital Cr\u00e9dito: imagem adaptada do original publicado no site ArchDaily. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.archdaily.com\/108031\/suzhou-childrens-hospital-hks. Acesso em 06\/04\/2019.<\/p>\r\n<br \/>Destaca-se no pavimento tipo o posicionamento dos quartos de interna\u00e7\u00e3o voltados para a face sul, permitindo melhor ventila\u00e7\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o natural, o que tamb\u00e9m se baseia na cren\u00e7a local da cura por meio desses elementos (JORDANA, 2011). Essa medida de projeto valoriza o conforto visual e a renova\u00e7\u00e3o do ar, visto que o hospital se localiza em uma \u00e1rea cercada por elementos vegetativos; tais medidas tamb\u00e9m valorizam e colocam em pr\u00e1tica os preceitos da ISO 6241:1984 sobre padr\u00f5es de desempenho na constru\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/><strong>3.1.2. Lurie Children's Hospital<\/strong><br \/>O Ann &amp; Robert H. Lurie Children's Hospital of Chicago apresenta tipologia totalmente verticalizada, \u00e9 mais alto, com mais plantas, todas com setoriza\u00e7\u00e3o bem definida e eixos de circula\u00e7\u00f5es principais caracter\u00edsticos em pavimentos com a mesma setoriza\u00e7\u00e3o vertical. O edif\u00edcio n\u00e3o apresenta subsolo.<br \/><br \/>O pavimento t\u00e9rreo tem conex\u00e3o direta com duas vias de acesso e \u00e9 o centro de distribui\u00e7\u00e3o para os pavimentos superiores, a \u00e1rea de parada de ambul\u00e2ncias, a entrada exclusiva de funcion\u00e1rios, a doca de carga e descarga e as salas de emerg\u00eancia e elevadores, que levam aos andares superiores assistenciais (ver Figura 7). Com setoriza\u00e7\u00e3o vertical bem definida, entre o t\u00e9rreo e o segundo pavimento localizam-se os setores de emerg\u00eancia e hospital dia. Do terceiro ao sexto, localizam-se o apoio ao diagn\u00f3stico e a terapia. O oitavo andar \u00e9 destinado \u00e0 \u00e1rea de suporte (central de materiais, farm\u00e1cia central, administrativo), seguido pelo pavimento t\u00e9cnico, no nono andar. A interna\u00e7\u00e3o fica nos pavimentos mais altos (entre o 12\u00ba e 21\u00ba) para melhor controle de fluxos.<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349495415734949540533110591.png\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 7.<\/strong> Pavimento t\u00e9rreo, Ann &amp; Robert H. Lurie Children\u2019s Hospital Cr\u00e9dito: imagem adaptada do original publicado no site ArchDaily. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www. archdaily.com\/909319\/ann-and-robert-h-lurie-childrens-hospital-of-chicago-zgf-architects-plus- cbarchitects-plus-anderson-mikos-architects. Acesso em 06\/04\/2019.<\/p>\r\n<br \/>Como alternativa l\u00fadica de conforto, o hospital apresenta elementos projetados para o entretenimento infantil, propiciando maior conex\u00e3o entre a crian\u00e7a e o espa\u00e7o e tirando o foco da doen\u00e7a pela promo\u00e7\u00e3o de ambientes prop\u00edcios para brincadeiras e divers\u00f5es ali, ainda que seja um ambiente da sa\u00fade. A humaniza\u00e7\u00e3o nesse exemplo se revela como um procedimento geral pensado desde a concep\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio at\u00e9 nas atitudes e aplica\u00e7\u00e3o de metodologias de realiza\u00e7\u00e3o de procedimentos empregadas pela equipe assistencial.<br \/><br \/>No d\u00e9cimo pavimento (ver Figura 8) a setoriza\u00e7\u00e3o vertical se altera e abriga espa\u00e7os p\u00fablicos para a fam\u00edlia e seus acompanhantes. Com outra linguagem projetual, o pavimento providencia mais conforto antropom\u00e9trico e um novo bloco de elevadores destinados ao transporte dos acompanhantes. O pavimento se torna uma \u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o e abriga formas mais fluidas e l\u00fadicas, com destaque para o&nbsp;<em>sky-garden<\/em>&nbsp;de p\u00e9 direito duplo para uso e relaxamento dos acompanhantes. O&nbsp;<em>sky-garden<\/em>&nbsp;\u00e9 totalmente conectado \u00e0 pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o e ao terra\u00e7o jardim. Ainda nesse pavimento, encontra-se a \u00e1rea destinada a educa\u00e7\u00e3o e confer\u00eancias.&nbsp;<br \/><br \/>Na planta dos pavimentos da interna\u00e7\u00e3o, os quartos de interna\u00e7\u00e3o est\u00e3o implantados no per\u00edmetro, de forma a garantir ilumina\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o naturais para os leitos (vide Figura 9). Os postos de enfermagem est\u00e3o dispostos de frente para os quartos e trazem seguran\u00e7a aos pacientes, al\u00e9m de maior controle para a equipe. O pavimento apresenta salas de apoio para o&nbsp;staff&nbsp;e circula\u00e7\u00e3o bem organizada, dividindo o fluxo de pacientes e acompanhantes do fluxo operacional das equipes assistenciais e n\u00e3o assistenciais. Identifica-se tamb\u00e9m a presen\u00e7a de salas de isolamento.<br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349496415734949649644491781.png\" \/><strong>Figura 8.<\/strong> D\u00e9cimo pavimento Ann &amp; Robert H. Lurie Children\u2019s Hospital Cr\u00e9dito: imagem adaptada do original publicado no site ArchDaily. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www. archdaily.com\/909319\/ann-and-robert-h-lurie-childrens-hospital-of-chicago-zgf-architectsplus-scb- rchitects-plus-anderson-mikos-architects. Acesso em 06\/04\/2019.<br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157349497615734949764057225876.png\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 9.<\/strong> D\u00e9cimo primeiro pavimento, Ann &amp; Robert H. Lurie Children\u2019s Hospital Cr\u00e9dito: imagem adaptada do original publicado no site ArchDaily. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www. archdaily.com\/909319\/ann-and-robert-h-lurie-childrens-hospital-of-chicago-zgf-architectsplus-scb-architects-plus-anderson-mikos-architects. Acesso em 06\/04\/2019.<\/p>\r\n<br \/><strong>4. RESULTADOS<\/strong><br \/>Os dois hospitais pedi\u00e1tricos trazem em seu seio a busca pela humaniza\u00e7\u00e3o, adequando seus ambientes para uma melhor experi\u00eancia dos usu\u00e1rios. Como consequ\u00eancia, as an\u00e1lises apontaram resultados positivos nos dois estudos de caso, com claras organiza\u00e7\u00f5es setoriais e fluxos internos sistematizados.&nbsp;<br \/><br \/>Ambos s\u00e3o hospitais pedi\u00e1tricos de excel\u00eancia e apresentam diferen\u00e7as relevantes. Enquanto o hospital ocidental ocupa apenas um lote da movimentada e verticalizada regi\u00e3o central de Chicago, o hospital oriental disp\u00f5e de um quarteir\u00e3o com circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e assegura boa distribui\u00e7\u00e3o de fluxos e elimina congestionamentos por meio dos quatro acessos \u00e0 unidade. O hospital americano concentra o maior n\u00famero de acessos externos, o que pode ser justificado por estar implantado em uma esquina. O menor n\u00famero de acessos externos possibilita maior controle dos fluxos internos.<br \/><br \/>Considerando que a origem dos fluxos parte da setoriza\u00e7\u00e3o, o Suzhou Children's Hospital possui intensa movimenta\u00e7\u00e3o horizontal, focada no eixo leste-oeste e, em decorr\u00eancia, apresenta grandes aberturas e excelente comunica\u00e7\u00e3o com o exterior. Ao mesmo tempo, a tipologia vertical do hospital estadunidense gera menor movimenta\u00e7\u00e3o horizontal e maior uso das circula\u00e7\u00f5es verticais, com clara segrega\u00e7\u00e3o de fluxos por meio da barreira psicol\u00f3gica imposta pela diferen\u00e7a de n\u00edveis. Em ambos os casos, o corpo assistencial localiza-se na regi\u00e3o central dos blocos, fato mais bem explorado no Lurie Children's Hospital.<br \/><br \/>Em ambos os casos, a circula\u00e7\u00e3o vertical \u00e9 bem segregada e localizada em pontos de f\u00e1cil acesso. Nota-se a utiliza\u00e7\u00e3o de tr\u00eas grupos principais de usu\u00e1rios para diferencia\u00e7\u00e3o dos blocos: pacientes externos e visitantes; materiais, equipamentos, equipe n\u00e3o assistencial; e pacientes internados, equipe assistencial e administrativo.&nbsp;<br \/><br \/>O mapeamento dos fluxos mostra a movimenta\u00e7\u00e3o interna das unidades pedi\u00e1tricas; entretanto, em ambos os casos, h\u00e1 fluxos sobrecarregados em alguns corredores, o que pode gerar congestionamentos e intersec\u00e7\u00f5es indesejadas. No geral, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o oferece risco de contamina\u00e7\u00e3o e promove a privacidade e socializa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de dist\u00e2ncias menores para os usu\u00e1rios percorrerem.<br \/><br \/>O&nbsp;<em>wayfinding&nbsp;<\/em>do hospital chin\u00eas \u00e9 not\u00f3rio, com a grande marquise frontal colorida e a diferen\u00e7a de p\u00e9-direito. No hospital americano, o&nbsp;<em>wayfinding&nbsp;<\/em>pode n\u00e3o ser t\u00e3o definido externamente, por\u00e9m, internamente, destaca-se pela organiza\u00e7\u00e3o e setoriza\u00e7\u00e3o, reduzindo os cruzamentos indesejados.<br \/><br \/>Deve-se considerar tamb\u00e9m as diferen\u00e7as culturais entre ambos os edif\u00edcios, bem como as altera\u00e7\u00f5es acarretadas pelo uso, visto que o Lurie est\u00e1 em pleno funcionamento desde 2012 e j\u00e1 sofreu algumas altera\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o f\u00edsico, enquanto o Suzhou ainda est\u00e1 em projeto.<br \/><br \/><strong>5. CONCLUS\u00d5ES<\/strong><br \/>O desenvolvimento da presente pesquisa revelou os aspectos funcionais relevantes ao conforto dos ambientes dos estudos de caso analisados. Novas pesquisas em edif\u00edcios semelhantes, com a inclus\u00e3o da opini\u00e3o dos usu\u00e1rios, v\u00eam a corroborar e ampliar os conte\u00fados apresentados. Assim, permitir\u00e3o a constitui\u00e7\u00e3o de um banco de dados cada vez mais refinado cujo compartilhamento promover\u00e1 a progress\u00e3o constante da qualidade dos novos projetos e de suas readequa\u00e7\u00f5es face \u00e0 necessidade de incorpora\u00e7\u00e3o das inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas dispon\u00edveis para o setor da sa\u00fade.<br \/><br \/><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><br \/>Ann &amp; Robert H. Lurie Children's Hospital of Chicago \/ ZGF Architects + Solomon Cordwell Buenz + Anderson Mikos Architects 14 Jan 2019. ArchDaily. Accesso dia 06\/04\/2019. &lt;https:\/\/www.archdaily.com\/909319\/ann-and-robert-h-lurie-childrens-hospital-of-chicago-zgf-architects-plus-scb-architects-plus-anderson-mikos-architects\/&gt; ISSN 0719-8884<br \/><br \/>ANN &amp; ROBERT H. LURIE CHILDREN'S HOSPITAL OF CHICAGO, 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.luriechildrens.org&gt;. Acesso em 15 abril 2019<br \/><br \/>Corpo de Bombeiros.<strong>&nbsp;Instru\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica n\u00ba 11\/2015 - Sa\u00eddas de emerg\u00eancia.<\/strong> S\u00e3o Paulo. 2015.<br \/><br \/>ISO 6241:1984 Performance standards in building - Principles for their preparation and factors to be considered<br \/><br \/>PREISER, W. F. E. Abstract: <strong>Design and Health. International Academy for Design and Health<\/strong>. 2003<br \/><br \/>Sebastian Jordana. \"Suzhou Children's Hospital \/ HKS\" 31 Jan 2011. ArchDaily. Accesso 06\/04\/2019. &lt;https:\/\/www.archdaily.com\/108031\/suzhou-childrens-hospital-hks\/&gt; ISSN 0719-8884<br \/><br \/>THOMAZONI, A.D.L; ORSTEIN, S.O.. Avalia\u00e7\u00e3o P\u00f3s-Ocupa\u00e7\u00e3o em hospitais complexos. In: ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONSTRU\u00cdDO, 16., 2016. S\u00e3o Paulo.&nbsp;<strong>Anais<\/strong>, S\u00e3o Paulo: ENTAC, 2016.<br \/><br \/>THOMAZONI, Andrea D. L.; ORSTEIN, S. W. O processo de projetos de centros de diagn\u00f3stico por imagem sob o ponto de vista da an\u00e1lise dos fluxos. In: VI Congresso Brasileiro para o Desenvolvimento do Edif\u00edcio Hospitalar.&nbsp;Anais&nbsp;(CD-ROM). Florian\u00f3polis, Santa Catarina, 2014, p. 103 - 108.<br \/><br \/>ULRICH, R.S. Effects of gardens on health outcomes: Theory and research. In: COOPERMARCUS, C.; BARNES, M.&nbsp;Healing gardens: therapeutic benefits and design recommendations. New York: John Wiley, 1999.<br \/><br \/>WANG, Zhe; PUKSZTA, Michael; PETZOLDT, Natalie R.; CAYTON, Jennifer H. Cancer Treatment Environments: From pre-design research to post-occupancy evaluation. In:&nbsp;World Health Design, p. 68 - 74. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.healthdesign.org\/sites\/default\/files\/cancercaredesign.pdf&gt;<br \/><br \/>ZGF ARCHITECTS, 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;&nbsp;https:\/\/www.zgf.com\/project\/lurie-childrens\/&gt;. Acesso em 15 abril 2019.<br \/><br \/><strong>Sobre os autores<\/strong><br \/><strong>Jo\u00e3o Pedro S. Nozela<\/strong><br \/>Bacharel, Arquiteto e Urbanista, joaopedronozela@outlook.com, Estudante Especial da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Universidade Estadual de Campinas, Rua Carlos Gobbi, 190 - Jaguari\u00fana\/SP - CEP 13919-414.<br \/><br \/><strong>Andrea D. Leitner<\/strong><br \/>Professora Doutora, Arquiteta e Urbanista, andrealeitner@terra.com.br, Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Universidade Estadual de Campinas, Rua Saturnino de Brito, 224, Cidade Universit\u00e1ria, Campinas\/SP - CEP 13083-889.<br \/><br \/><strong>Silvia A. M. G. Pina<\/strong><br \/>Professora Livre-docente, Arquiteta e Urbanista, smikami@fec.unicamp.br, Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Universidade Estadual de Campinas, Rua Saturnino de Brito, 224, Cidade Universit\u00e1ria, Campinas\/SP - CEP 13083-889.","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8691","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}