{"id":8692,"date":"2024-11-15T22:11:21","date_gmt":"2024-11-16T01:11:21","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/o-caminho-da-morte-o-fluxo-e-a-relacao-entre-ambientes-e-utentes-2\/"},"modified":"2024-11-15T22:22:04","modified_gmt":"2024-11-16T01:22:04","slug":"o-caminho-da-morte-o-fluxo-e-a-relacao-entre-ambientes-e-utentes-2","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/o-caminho-da-morte-o-fluxo-e-a-relacao-entre-ambientes-e-utentes-2\/","title":{"rendered":"O caminho da morte: o fluxo e a rela\u00e7\u00e3o entre ambientes e utentes"},"content":{"rendered":"<p><strong>RESUMO<br \/><\/strong>A morte tem seu caminho no espa\u00e7o hospitalar e, assim como os demais fluxos, precisa ser pensada desde o in\u00edcio como uma das premissas de projeto. Este artigo tem por objetivo: relacionar espa\u00e7os hospitalares, a morte e os que vivem a morte, e como podem ser pensados os fluxos em meio a estas rela\u00e7\u00f5es. Para isto foi necess\u00e1rio caracterizar as publica\u00e7\u00f5es sobre morte e arquitetura e delinear como pode ser dada contribui\u00e7\u00e3o para elabora\u00e7\u00e3o de projeto em rela\u00e7\u00e3o ao caminho da morte. O m\u00e9todo de pesquisa empregado foi: revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica. Chegou-se \u00e0 conclus\u00e3o da necessidade de elencar recomenda\u00e7\u00f5es para a elabora\u00e7\u00e3o de projetos arquitet\u00f4nicos novos, vislumbrando a humaniza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os arquitet\u00f4nicos focando nos fluxos e no bem-estar dos utentes frente \u00e0 morte.<br \/><br \/><strong>PALAVRAS-CHAVE<br \/><\/strong>Morte; Fluxo; Arquitetura hospitalar; Concep\u00e7\u00e3o de Projetos<\/p>\r\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<br \/><\/strong>A morte sempre permeou o imagin\u00e1rio trazendo \u00e0 mem\u00f3ria aspectos negativos.&nbsp; Tra\u00e7ar quest\u00f5es envolvendo o ambiente arquitet\u00f4nico relacionado a este tema se faz necess\u00e1rio n\u00e3o para impedir sofrimento, ou para mascar\u00e1-lo, mas para tratar de forma humana o ambiente para que a morte seja vivida adequadamente por qualquer dos atores envolvidos.<\/p>\r\n<p>A busca por sa\u00fade vem mudando de foco e pr\u00e1tica ao decorrer dos s\u00e9culos.&nbsp; No tempo Cl\u00e1ssico, a busca por sa\u00fade era feita por meio da f\u00e9 religiosa e do m\u00edstico, normalmente usando-se as edifica\u00e7\u00f5es destinadas a esses fins para se atingir a sa\u00fade f\u00edsica e mental.&nbsp; Na Idade M\u00e9dia, a religi\u00e3o Cat\u00f3lica esteve comprometida com a promo\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade.&nbsp; Tamb\u00e9m havia os que adotavam pr\u00e1ticas consideradas pag\u00e3s, ocorrendo a vis\u00e3o de que o adoecimento era puni\u00e7\u00e3o, possess\u00e3o ou bruxaria, sendo este per\u00edodo conhecido como Idade das Trevas.&nbsp; Os locais destinados \u00e0 sa\u00fade, onde se buscava conforto e prolongamento da vida, logo se transformaram em dep\u00f3sitos de problemas sociais.&nbsp; Assim, ao final da Idade M\u00e9dia, os hospitais cresceram de tamanho e de fun\u00e7\u00e3o, absorvendo a popula\u00e7\u00e3o marginalizada e considerada como problema.&nbsp; Idosos, \u00f3rf\u00e3os, doentes mentais, desajustados socialmente, marginalizados, prostitutas, quem n\u00e3o possu\u00eda of\u00edcio e enfermos: os hospitais passaram a ter a imagem negativa potencializada com essa aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas em situa\u00e7\u00f5es diferentes.&nbsp; A morte era fato, hospital era sin\u00f4nimo de desordem e de morte.<\/p>\r\n<p>No s\u00e9culo XVIII iniciou-se a determina\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o do hospital como sendo um espa\u00e7o para curar. A medicina passou a ser reconhecida como ci\u00eancia e o hospital, local de tratamento. O foco era a enfermidade, as tecnologias, os medicamentos e procedimentos para alcan\u00e7ar a cura.<\/p>\r\n<p>Atualmente, o hospital tem por filosofia a humaniza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia, o que come\u00e7ou a ser delineado e ganhar for\u00e7a no final do s\u00e9culo XX, sendo preconizado n\u00e3o mais as doen\u00e7as e o alcance da cura, mas o paciente.<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p>Os estabelecimentos de atendimento \u00e0 sa\u00fade possuem um conjunto de ambientes definidos utilizados por diversos atores: pacientes, profissionais de sa\u00fade, administradores, acompanhantes, visitantes e colaboradores diversos.&nbsp; Cada um destes utentes com rela\u00e7\u00f5es e atividades pr\u00f3prias fazendo de um mesmo ambiente espa\u00e7os diferentes. (SANTOS, BURSZTYN, 2014, Cap.6)<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p><strong>Evidenciando o fluxo da morte: delimita\u00e7\u00e3o do problema<br \/><\/strong>Apesar de o hospital ter sofrido mudan\u00e7as profundas em suas fun\u00e7\u00f5es, tecnologias, espa\u00e7os e conceitos ao longo do tempo, a morte sempre esteve presente, sendo relevante o olhar da humaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p>No planejamento da arquitetura da sa\u00fade, a abordagem da humaniza\u00e7\u00e3o demanda uma nova vis\u00e3o de projeto, capaz de incorporar, aos necess\u00e1rios estudos t\u00e9cnicos, formais, funcionais e econ\u00f4micos, a considera\u00e7\u00e3o dos efeitos do ambiente sobre os seus usu\u00e1rios, explorando o potencial de contribui\u00e7\u00e3o para a sua autonomia, para o seu bem-estar e para o restabelecimento de sua sa\u00fade. (FONTES, 2007, p.55)<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p>Tanto em reformas como na concep\u00e7\u00e3o de novas edifica\u00e7\u00f5es hospitalares \u00e9 necess\u00e1ria a considera\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia do ambiente sobre seus utentes, e vice-versa, focando no bem-estar de todos e em todos os momentos, n\u00e3o descartando o momento do \u00f3bito e o morto para a elabora\u00e7\u00e3o do projeto arquitet\u00f4nico.<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p>Os elementos arquitecturais s\u00e3o nestas condi\u00e7\u00f5es uma das matrizes da experi\u00eancia individual e colectiva e tecem \u00e0 sua volta um contexto que \u00e9 humano e social. Neste sentido, o espa\u00e7o \u00e9 o objeto de uma nova interpreta\u00e7\u00e3o: a realidade dos nossos comportamentos, e tamb\u00e9m a vida social, produzem-se e desenvolvem-se em lugares diversos que s\u00e3o mais que puros envelopes exteriores. (FISCHER, 1994, p.16)<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p>O interesse pelo tema surgiu de uma conversa despretensiosa entre a autora e uma enfermeira, que buscou subs\u00eddios em mat\u00e9ria do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Arquitetura da UFRJ para contribuir com sua pesquisa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Nessa conversa foi descrita uma situa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel para o profissional de enfermagem: a necessidade de passar com rec\u00e9m-nascido, que havia acabado de falecer, por locais onde havia pais que esperavam por informa\u00e7\u00f5es de seus beb\u00eas que inspiravam cuidados e poderiam tamb\u00e9m vir a \u00f3bito. Por vezes, o profissional era parado por diferentes usu\u00e1rios atr\u00e1s de informa\u00e7\u00f5es e aquele, para n\u00e3o criar um sentimento desagrad\u00e1vel de descren\u00e7a e tristeza nestes, fingia carregar um beb\u00ea dormindo, disfar\u00e7ando para n\u00e3o criar desespero e mal-estar. Essa situa\u00e7\u00e3o exemplificou a import\u00e2ncia do pensamento sobre o fluxo levando-se em considera\u00e7\u00e3o o trabalho do profissional e o bem-estar dos demais usu\u00e1rios.<\/p>\r\n<p>Assim, revelou-se o problema central a ser desenvolvido: como trabalhar o fluxo do morto, com um limite de espa\u00e7o de um programa arquitet\u00f4nico, a fim de proporcionar a atividade adequada do profissional de sa\u00fade, considerando os que tiveram a perda e os demais usu\u00e1rios que podem ficar transtornados com a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<p><strong>O pensamento sobre a morte e o ambiente hospitalar<br \/><\/strong>Para justificar a import\u00e2ncia do tema e caracterizar a produ\u00e7\u00e3o nacional e internacional de arquitetura relacionada \u00e0 morte e ao ambiente hospitalar, realizou-se revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica no m\u00eas de fevereiro de 2019.<\/p>\r\n<p>Para tanto, foram selecionados os seguintes termos como descritores: Arquitetura hospitalar, Planejamento hospitalar, Arquitetura de sa\u00fade, Espa\u00e7os de sa\u00fade, Instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, Arquitetura de institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, Morte, Atitudes frente \u00e0 morte e Tanatologia. Foi realizada a busca por descritores no portal da Biblioteca Virtual em Sa\u00fade - BVS\/Decs. Os descritores relacionados \u00e0 morte foram combinados por pares com os descritores de arquitetura.<\/p>\r\n<p>A pesquisa, aplicando-se os descritores, foi realizada na base CAPES e no portal Minerva da UFRJ e, como resultado, chegou-se ao total de 1.267 textos, conforme demonstrado no quadro 01.&nbsp; Foram estabelecidos limites com o intuito de melhor especificar, reduzindo a amostra com exclus\u00e3o de: textos em duplicidade, os baseados em pesquisa quantitativa, e os que se desviassem do tema em quest\u00e3o.&nbsp; Os considerados relevantes para o estudo foram os textos que tivessem trabalhos completos dispon\u00edveis eletronicamente, em portugu\u00eas, ingl\u00eas ou espanhol, e que realmente, ap\u00f3s leitura do resumo e de partes espec\u00edficas dos textos, possu\u00edssem correla\u00e7\u00e3o com o tema pretendido do trabalho em tela.&nbsp; Segue abaixo resumo da busca:<\/p>\r\n<table style=\"height: 534px;\" border=\"1\" width=\"685\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td colspan=\"2\">Descritores<\/td>\r\n<td colspan=\"2\">Banco de dados<\/td>\r\n<td>Total<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>&nbsp;<\/td>\r\n<td>&nbsp;<\/td>\r\n<td>MINERVA<\/td>\r\n<td>CAPES<\/td>\r\n<td>&nbsp;<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>1<\/td>\r\n<td>Arquitetura hospitalar and morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>44<\/td>\r\n<td>44<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>2<\/td>\r\n<td>Arquitetura hospitalar and tanatologia<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>3<\/td>\r\n<td>Arquitetura hospitalar and atitude frente \u00e0 morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>12<\/td>\r\n<td>12<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>4<\/td>\r\n<td>Planejamento hospitalar and morte<\/td>\r\n<td>1<\/td>\r\n<td>414<\/td>\r\n<td>415<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>5<\/td>\r\n<td>Planejamento hospitalar and tanatologia<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>3<\/td>\r\n<td>3<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>6<\/td>\r\n<td>Planejamento hospitalar and atitude frente \u00e0 morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>44<\/td>\r\n<td>44<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>7<\/td>\r\n<td>Instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade and morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>293<\/td>\r\n<td>293<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>8<\/td>\r\n<td>Instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade and tanatologia<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>1<\/td>\r\n<td>1<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>9<\/td>\r\n<td>Instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade and atitude frente \u00e0 morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>72<\/td>\r\n<td>72<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>10<\/td>\r\n<td>Arquitetura de institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade and morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>82<\/td>\r\n<td>82<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>11<\/td>\r\n<td>Arquitetura de institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade and tanatologia<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>1<\/td>\r\n<td>1<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>12<\/td>\r\n<td>Arquitetura de institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade and atitude frente \u00e0 morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>36<\/td>\r\n<td>36<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>13<\/td>\r\n<td>Humaniza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia and morte<\/td>\r\n<td>3<\/td>\r\n<td>222<\/td>\r\n<td>225<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>14<\/td>\r\n<td>Humaniza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia and tanatologia<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>9<\/td>\r\n<td>9<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>15<\/td>\r\n<td>Humaniza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia and atitude frente \u00e0 morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>30<\/td>\r\n<td>30<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td colspan=\"2\">TOTAL<\/td>\r\n<td>4<\/td>\r\n<td>1.263<\/td>\r\n<td>1267<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Quadro 01.<\/strong> Resultado da busca utilizando descritores<\/p>\r\nO quadro 01 demonstra o total dos textos segundo as bases de dados e a conjuga\u00e7\u00e3o dos descritores. A busca em tela foi realizada em fevereiro de 2019.<br \/>\r\n<table border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td colspan=\"2\">Descritores<\/td>\r\n<td colspan=\"2\">Banco de dados<\/td>\r\n<td>Total<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>&nbsp;<\/td>\r\n<td>&nbsp;<\/td>\r\n<td>MINERVA<\/td>\r\n<td>CAPES<\/td>\r\n<td>&nbsp;<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>1<\/td>\r\n<td>Arquitetura hospitalar and morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>2<\/td>\r\n<td>2<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>2<\/td>\r\n<td>Arquitetura hospitalar and tanatologia<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>3<\/td>\r\n<td>Arquitetura hospitalar and atitude frente \u00e0 morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>4<\/td>\r\n<td>Planejamento hospitalar and morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>1<\/td>\r\n<td>1<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>5<\/td>\r\n<td>Planejamento hospitalar and tanatologia<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>6<\/td>\r\n<td>Planejamento hospitalar and atitude frente \u00e0 morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>7<\/td>\r\n<td>Instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade and morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>8<\/td>\r\n<td>Instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade and tanatologia<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>9<\/td>\r\n<td>Instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade and atitude frente \u00e0 morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>10<\/td>\r\n<td>Arquitetura de institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade and morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>1<\/td>\r\n<td>1<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>11<\/td>\r\n<td>Arquitetura de institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade and tanatologia<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>12<\/td>\r\n<td>Arquitetura de institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade and atitude frente \u00e0 morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>13<\/td>\r\n<td>Humaniza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia and morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>3<\/td>\r\n<td>3<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>14<\/td>\r\n<td>Humaniza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia and tanatologia<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>15<\/td>\r\n<td>Humaniza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia and atitude frente \u00e0 morte<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td colspan=\"2\">TOTAL<\/td>\r\n<td>0<\/td>\r\n<td>7<\/td>\r\n<td>7<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Quadro 02.<\/strong> Especificando as amostras<\/p>\r\n<p>O quadro 02 demonstra o total dos textos segundo as bases de dados e a conjuga\u00e7\u00e3o dos descritores com a aplica\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios de inclus\u00e3o, de exclus\u00e3o e eliminando textos repetidos.<\/p>\r\n<p>A partir dessa primeira busca, verificou-se que a produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica do tema morte relacionado ao fluxo no ambiente hospitalar e ao projeto arquitet\u00f4nico n\u00e3o foi ainda alvo de estudo, ou seja, a princ\u00edpio, o tema seria in\u00e9dito, caracterizando, assim, a relev\u00e2ncia do assunto.<\/p>\r\n<p><strong>O caminho da pesquisa<br \/><\/strong>A metodologia de trabalho est\u00e1 baseada em duas vertentes: a utiliza\u00e7\u00e3o de bibliografias sobre arquitetura hospitalar e morte e a an\u00e1lise de edifica\u00e7\u00f5es hospitalares.&nbsp; Al\u00e9m de bibliografias conseguidas em pesquisas nas bases, ser\u00e3o utilizadas as obtidas no decorrer de aulas das disciplinas Arquitetura e Projeto do Lugar e Espa\u00e7os de Sa\u00fade, Hist\u00f3ria e Tend\u00eancias do curso do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o de Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro - PROARQ\/FAU-UFRJ.<\/p>\r\n<p>Para se ter mais subs\u00eddios para o estudo em tela foram considerados os ensinamentos de YIN (2010) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 metodologia de pesquisa, sendo definidos primeiramente questionamentos-chave para nortear a realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa:<\/p>\r\n<ol>\r\n<li>Como os fluxos do morto podem ser pensados desde o in\u00edcio do projeto arquitet\u00f4nico?<\/li>\r\n<li>Como o morto influencia psicossocialmente os usu\u00e1rios do espa\u00e7o hospitalar?<\/li>\r\n<li>O que pode ser identificado em projetos j\u00e1 concebidos como boa pr\u00e1tica, ou n\u00e3o, no caminho do morto dentro de um fluxo hospitalar?<\/li>\r\n<li>O que pode ser feito durante a concep\u00e7\u00e3o de projetos de arquitetura para humanizar a quest\u00e3o da morte em rela\u00e7\u00e3o ao caminho feito e aos diferentes usu\u00e1rios?<\/li>\r\n<li>Como a arquitetura pode influenciar nessa quest\u00e3o focando o profissional de sa\u00fade?<\/li>\r\n<\/ol>\r\n<p>Segue quadro onde pode ser verificado qual o m\u00e9todo de pesquisa mais adequado baseando-se nas perguntas elaboradas:<\/p>\r\n<table border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td>M\u00e9todo<\/td>\r\n<td>(I) Forma de quest\u00e3o de pesquisa<\/td>\r\n<td>(2) Exige controle dos eventos comportamentais?<\/td>\r\n<td>(3) Foca eventos contempor\u00e2neos?<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>Experimento<\/td>\r\n<td>Como, por qu\u00ea?<\/td>\r\n<td>Sim<\/td>\r\n<td>Sim<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>Levantamento (survey)<\/td>\r\n<td>Quem, o que, onde, quantos, quanto?<\/td>\r\n<td>N\u00e3o<\/td>\r\n<td>Sim<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>An\u00e1lise de arquivos<\/td>\r\n<td>Quem, o que, onde, quantos, quanto?<\/td>\r\n<td>N\u00e3o<\/td>\r\n<td>Sim\/N\u00e3o<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>Pesquisa hist\u00f3rica<\/td>\r\n<td>Como, por qu\u00ea?<\/td>\r\n<td>N\u00e3o<\/td>\r\n<td>N\u00e3o<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr>\r\n<td>Estudo de caso<\/td>\r\n<td>Como, por qu\u00ea?<\/td>\r\n<td>N\u00e3o<\/td>\r\n<td>Sim<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Quadro 03.<\/strong>&nbsp; Situa\u00e7\u00f5es relevantes para diferentes m\u00e9todos de pesquisa. Fonte: YIN (2010), p. 29.<\/p>\r\n<p>Tendo tr\u00eas, dos cinco questionamentos, utilizado o termo \"Como\", evidencia-se o favorecimento da utiliza\u00e7\u00e3o da metodologia do Estudo de Casos.&nbsp; Para YIN (2010) \u00e9 mais apropriado, uma vez que esse tipo de questionamento lida com v\u00ednculos operacionais que necessitam ser tra\u00e7ados ao longo do tempo, mais do que meras frequ\u00eancias ou incid\u00eancias, sendo caracterizado como explorat\u00f3rio. Ainda \u00e9 importante destacar que:<\/p>\r\n<p>O estudo de caso \u00e9 preferido no exame dos eventos contempor\u00e2neos, mas quando os comportamentos relevantes n\u00e3o podem ser manipulados.&nbsp; (...) a for\u00e7a exclusiva do estudo de caso \u00e9 sua capacidade de lidar com uma ampla variedade de evid\u00eancias - documentos, artefatos, entrevistas e observa\u00e7\u00f5es (...). (YIN, 2010, p. 32.)<\/p>\r\n<p>O termo \"O que\", dos outros dois questionamentos, possibilita a utiliza\u00e7\u00e3o de duas vertentes de metodologia: levantamento e an\u00e1lise de arquivo.&nbsp; Nesse sentido, \u00e9 apropriada a utiliza\u00e7\u00e3o desses m\u00e9todos de pesquisa quando a intens\u00e3o \u00e9 voltada \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 enumera\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<p>Tendo em vista a an\u00e1lise dos questionamentos elaborados, o estudo de casos como m\u00e9todo a ser utilizado \u00e9 o mais adequado, j\u00e1 que, segundo YIN (2010), esta \u00e9 uma investiga\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00e3o baseada na experi\u00eancia, verificando-se o fen\u00f4meno contempor\u00e2neo da vida real quando os limites entre o fen\u00f4meno e o contexto n\u00e3o s\u00e3o evidentes.&nbsp; Os fluxos em diferentes estabelecimentos de sa\u00fade perfazem situa\u00e7\u00f5es tecnicamente diferenciadas, onde existem mais vari\u00e1veis como interesse do que dados, tendo amplas fontes de evid\u00eancia.<\/p>\r\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><br \/>O caminho da morte, dentro do conceito de humaniza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os hospitalares, deve ser considerado como preceito j\u00e1 na concep\u00e7\u00e3o do projeto. Tendo em vista a escassa bibliografia sobre o tema morte relacionado ao ambiente hospitalar, o artigo em tela vem demonstrar a relev\u00e2ncia do tema. Com isto, chega-se \u00e0 conclus\u00e3o da necessidade do estudo de equipamentos hospitalares j\u00e1 edificados, verificando tecnicamente os fluxos e circula\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o dos utentes com o espa\u00e7o hospitalar e a morte.<\/p>\r\n<p>O estudo de casos mostrou ser o m\u00e9todo de pesquisa mais adequado e, com o intuito de caracterizar o pensamento sobre a morte e o morto, a rela\u00e7\u00e3o entre os que utilizam os ambientes hospitalares e o projetar da arquitetura hospitalar, chega-se \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 necess\u00e1rio elencar recomenda\u00e7\u00f5es para a elabora\u00e7\u00e3o de projetos arquitet\u00f4nicos novos, vislumbrando a humaniza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os arquitet\u00f4nicos com foco nos fluxos e no bem-estar dos utentes frente \u00e0 morte.<\/p>\r\n<p><strong>Refer\u00eancias<br \/><\/strong>FISCHER, Gustave.&nbsp;<strong>Psicologia Social do Ambiente.<\/strong> Instituto Piaget. Lisboa, 1994. (ISBN: 978-97-2929-542-3).<\/p>\r\n<p>FONTES, Maria Paula Zambrano.&nbsp;<strong>Humaniza\u00e7\u00e3o dos Espa\u00e7os de Sa\u00fade: Contribui\u00e7\u00f5es para a Arquitetura na Avalia\u00e7\u00e3o da Qualidade do Atendimento.<\/strong> Rio de Janeiro: FAU\/PROARQ, 2007. [Tese]. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.<\/p>\r\n<p>SANTOS, Mauro, BURSZTYN, Ivani.&nbsp;<strong>O Caminho do Paciente: Conceitos e Ferramentas para a Avalia\u00e7\u00e3o de Estabelecimentos de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade.<\/strong> Livro Arquitetura e Engenharia Hospitalar: Planejamento, Projetos e Perspectivas - Cap\u00edtulo 6. Rio de Janeiro, Rio Books, 2015. (ISBN: 978-85-6155-658-7).<\/p>\r\n<p>YIN, K, Robert.&nbsp;<strong>Estudo de Caso: Planejamento e M\u00e9todos.<\/strong> S\u00e3o Paulo, Bookmed, 2010. (ISBN: 978-85-7780-655-3).<\/p>\r\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8692","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8692","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}