{"id":8694,"date":"2024-11-15T22:23:16","date_gmt":"2024-11-16T01:23:16","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/riscos-de-infeccoes-pela-presenca-do-fungo-aspergillus-sp-reformas-em-hospitais-e-sistemas-de-climatizacao-2\/"},"modified":"2024-11-15T22:37:47","modified_gmt":"2024-11-16T01:37:47","slug":"riscos-de-infeccoes-pela-presenca-do-fungo-aspergillus-sp-reformas-em-hospitais-e-sistemas-de-climatizacao-2","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/riscos-de-infeccoes-pela-presenca-do-fungo-aspergillus-sp-reformas-em-hospitais-e-sistemas-de-climatizacao-2\/","title":{"rendered":"Riscos de infec\u00e7\u00f5es pela presen\u00e7a do fungo Aspergillus.sp: Reformas em hospitais e sistemas de climatiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<strong>RESUMO<br \/><\/strong>O presente artigo objetiva constatar por meio da an\u00e1lise dos relat\u00f3rios de ensaios microbiol\u00f3gicos do ar, realizados na UTI de um hospital p\u00fablico de alta complexidade em S\u00e3o Paulo, a real presen\u00e7a dos microrganismos que oferecem riscos \u00e0 sa\u00fade humana, especialmente o fungo <em>Aspergillus<\/em>, que est\u00e1 diretamente associado aos ambientes de obras e sistemas de arcondicionado. Ratificar a import\u00e2ncia de prover um ar interno de qualidade satisfat\u00f3ria em hospitais, especialmente em Unidades de Terapia Intensiva, por meio de an\u00e1lise documental e liter\u00e1ria sobre os diversos fatores que envolvem o tema.<br \/><strong>PALAVRAS-CHAVE<br \/><\/strong>Tratamento de ar; Aspergillus; Ar-condicionado; Infec\u00e7\u00e3o Hospitalar; UTI.<br \/><br \/><strong>1. Introdu\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/strong><br \/>Os princ\u00edpios fundamentais que nortearam a escolha e o desenvolvimento do presente artigo foram baseados nos riscos que os ambientes de reforma e equipamentos de ar-condicionado podem representar aos pacientes internados, especialmente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Com base na literatura e em publica\u00e7\u00f5es, se procurou abordar quais os riscos oferecidos por microrganismos presentes em \u00e1reas com interven\u00e7\u00e3o de obras civis e, ainda, se associados a um sistema de climatiza\u00e7\u00e3o prec\u00e1rio, poderiam produzir um potencial efeito contr\u00e1rio \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Tamb\u00e9m s\u00e3o apresentados e analisados os relat\u00f3rios de ensaios microbiol\u00f3gicos realizados na UTI de um hospital de alta complexidade em S\u00e3o Paulo.<br \/><br \/><strong>2. Tratamento e qualidade do ar interior nos EAS como elemento de cura<\/strong><br \/>Nos Estabelecimentos de Assist\u00eancia a Sa\u00fade (EAS), em especial os hospitais, os projetos de ar-condicionado devem, obrigatoriamente, considerar todas as particularidades dos ambientes e analisar todos os n\u00edveis de exig\u00eancia de cada local, n\u00e3o somente o conforto t\u00e9rmico. Sistemas de condicionamento de ar podem constituir uma importante fonte de microrganismos. Consider\u00e1veis volumes de poluentes f\u00edsicos, qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos afetam os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o de pacientes, em especial aqueles com sistema imunol\u00f3gico depressivo (COSTA, 2007, p. 4).<br \/><br \/>Ambientes com baixas taxas de troca do ar promovem um avan\u00e7o quantitativo nos agrupamentos de poluentes qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos suspensos no ar, o que, consequentemente, prejudica a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Diante dessa constata\u00e7\u00e3o, a qualidade do ar interior (QAI) tornou-se objeto de pesquisa de suma import\u00e2ncia na \u00e1rea da sa\u00fade p\u00fablica (TURIEL et al., 1983 apud BRICKUS; AQUINO NETO, 1999). O cuidado com os sistemas de ar-condicionado deve ser redobrado, pois quanto mais limpo estiver o ar, menores s\u00e3o as possibilidades de microrganismos indesej\u00e1veis e contaminantes serem transportados em suspens\u00e3o. Esse risco aumenta proporcionalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s taxas de particulados presentes no ar (BICALHO, 2010).<br \/><br \/>A preocupa\u00e7\u00e3o com a qualidade do ar, bem como seu conceito, \u00e9 aplic\u00e1vel a todas as \u00e1reas climatizadas, sem exce\u00e7\u00e3o. No entanto, Quadros (2008) destaca que a qualidade do ar em unidades de sa\u00fade se torna um fator de maior criticidade, pois pode interferir diretamente na velocidade de recupera\u00e7\u00e3o dos pacientes, assim como na preven\u00e7\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es hospitalares. Estudos dessa natureza t\u00eam ainda maior import\u00e2ncia quando s\u00e3o consideradas as unidades de tratamento de c\u00e2ncer e doen\u00e7as imunodepressoras, que afetam os sistemas imunol\u00f3gicos dos pacientes (QUADROS, 2008).<br \/><br \/>A vasta maioria dos pacientes com acesso a servi\u00e7os m\u00e9dicos, hoje, \u00e9 curada. H\u00e1 uma parcela, no entanto, que sofre de consequ\u00eancias n\u00e3o intencionais do cuidado, tais como as infec\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade (SINGH; BRENNAN; BELL, 2008).<br \/><br \/>Dos ambientes hospitalares, a UTI \u00e9 um dos mais prop\u00edcios para o avan\u00e7o de infec\u00e7\u00f5es e desenvolvimento de resist\u00eancia bacteriana, j\u00e1 que os pacientes est\u00e3o mais expostos a procedimentos de risco e condi\u00e7\u00f5es peculiares dessas unidades. A contamina\u00e7\u00e3o por microrganismos presentes no ambiente hospitalar \u00e9 beneficiada pelo estado suscet\u00edvel do paciente, considerando as condutas terap\u00eauticas e diagn\u00f3sticas que podem provocar a quebra das barreiras mec\u00e2nicas da pele e das mucosas (BARBOSA, 2010 apud MORAES; RAU, 2011).<br \/><br \/>A propaga\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de esporos de fungos pelo sistema de ventila\u00e7\u00e3o do hospital e pelas roupas contaminadas pela perturba\u00e7\u00e3o do ar figuram com destaque entre as infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas mais frequentes. Elas s\u00e3o importantes respons\u00e1veis pela morbidade e mortalidade de pacientes imunocomprometidos (FRARE, 2009).<br \/><br \/>Tratando das fontes de transmiss\u00e3o de infec\u00e7\u00e3o hospitalar atrav\u00e9s do ar, Dias, Costa e Pataro (2014, p. 31) mostram que:<br \/>\r\n<blockquote>A import\u00e2ncia da avalia\u00e7\u00e3o microbiol\u00f3gica do ar ambiente \u00e9 devida a ocorr\u00eancia de surtos de infec\u00e7\u00f5es por fungos e bact\u00e9rias frequentemente associados a constru\u00e7\u00f5es e reformas nos hospitais. Um estudo realizado por VONBERG &amp; GASTMEIER, (2006) avaliou 53 surtos de infec\u00e7\u00e3o por Aspergilose invasiva e observou que 49,1% dos casos prov\u00e1veis ou poss\u00edveis de infec\u00e7\u00f5es por Aspergillus spp. estavam relacionados a constru\u00e7\u00f5es e reformas nos hospitais e 17% estavam relacionados a problemas de refrigera\u00e7\u00e3o. A fonte de transmiss\u00e3o mais comum foi o ar, sendo o trato respirat\u00f3rio inferior o principal local de infec\u00e7\u00e3o, seguido de infec\u00e7\u00f5es em feridas operat\u00f3rias e de pele.<\/blockquote>\r\nA afirma\u00e7\u00e3o acima \u00e9 complementada por Frare (2009), quando cita Frech (2005), relatando o aumento de casos de Aspergilose em pacientes imunodeprimidos durante per\u00edodos de obras e reformas no ambiente hospitalar al\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o incerta dos filtros de ar. Salienta, assim, a relev\u00e2ncia de haver total integra\u00e7\u00e3o nos processos de trabalho e comunica\u00e7\u00e3o entre as Comiss\u00f5es de Controle de Infec\u00e7\u00e3o Hospitalar (CCIH) e as \u00e1reas de engenharia, visando \u00e0 preven\u00e7\u00e3o dessas infec\u00e7\u00f5es e evitando os surtos hospitalares.<br \/><br \/>Karman (2011) destaca que o fungo&nbsp;<em>Aspergillus<\/em>, com um di\u00e2metro m\u00e9dio de 2 a 3,5\u00b5m, incluindo o esporo, \u00e9 resistente a desidrata\u00e7\u00e3o e pode permanecer suspenso no ar por tempo indeterminado se associado \u00e0 poeira e \u00e0 umidade.&nbsp;<br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157547656115754765618968440304.jpg\" \/><br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1.<\/strong> Fungo Aspergillus Cr\u00e9dito: Mogana Das Murtey and Patchamuthu Ramasamy [CC BY-SA 3.0 (https:\/\/ creativecommons.org\/ licenses\/by-sa\/3.0)<\/p>\r\n<p>As tecnologias modernas dos sistemas de climatiza\u00e7\u00e3o podem contribuir para aumentar a qualidade do ar interno em rela\u00e7\u00e3o ao externo, pois \u00e9 poss\u00edvel dimensionar sistemas apropriados de filtragem e controle de temperatura com regulagens que possibilitem atender a diversas condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Contudo, devem ser empregadas com plena consci\u00eancia dos impactos desfavor\u00e1veis para a sa\u00fade humana. Embora os filtros retirem part\u00edculas indesej\u00e1veis e part\u00edculas respir\u00e1veis do ar provenientes do meio externo, estes formam um ambiente para o desenvolvimento de uma multiplicidade de bact\u00e9rias e outros agentes infecciosos. Desta forma, se faz necess\u00e1rio prever os custos de manuten\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio para acompanhamento e substitui\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica dos filtros (STERLING; COLLET; RUMEL, 1991).<\/p>\r\n<p>Dentre as diversas doen\u00e7as existentes, provocadas por fungos e bact\u00e9rias que se propagam pelos sistemas de climatiza\u00e7\u00e3o nos hospitais e estabelecimentos de sa\u00fade como um todo, o g\u00eanero&nbsp;<em>Aspergillus&nbsp;<\/em>revela-se um dos principais agentes respons\u00e1veis pelas infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas, apresentando altos \u00edndices de mortalidade, entre 68% e 95% (FRARE, 2009). Como afirma Bernal (2015):<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p><em>Aspergillus<\/em> spp. \u00e9 uma sapr\u00f3fita oportunista amplamente distribu\u00edda na natureza. Pode causar uma ampla gama de doen\u00e7as que v\u00e3o desde alergias a infec\u00e7\u00f5es invasivas em seres humanos. A Aspergilose invasiva (IA) \u00e9 a infec\u00e7\u00e3o mais grave causada por&nbsp;Aspergillus spp. Ela afeta principalmente os pulm\u00f5es de pacientes imunossuprimidos e \u00e9 capaz de migrar para \u00f3rg\u00e3os profundos. (BERNAL, 2015, p. 315, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p>A Aspergilose \u00e9 uma das infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas mais recorrentes em pacientes imunocomprometidos, sendo a causa dominante dos \u00f3bitos entre esses pacientes. A doen\u00e7a \u00e9 adquirida por inala\u00e7\u00e3o dos esporos f\u00fangicos existentes no sistema de ventila\u00e7\u00e3o dos hospitais; do ar contaminado por constru\u00e7\u00f5es e reformas; e da poeira e materiais contaminados. Unidades de tratamento de c\u00e2ncer e transplantes, com destaque para aquelas que n\u00e3o possuem sistema de filtragem e renova\u00e7\u00e3o do ar, s\u00e3o ambientes de elevado risco para surtos de Aspergilose (FRARE, 2009).&nbsp;<\/p>\r\n<p><strong>3. Ensaio de qualidade do ar interior da UTI de um hospital especializado de alta complexidade<br \/><\/strong>Com o objetivo de testificar a presen\u00e7a do fungo&nbsp;<em>Aspergillus&nbsp;<\/em>no setor, ser\u00e3o apresentados e analisados, a seguir, os resultados de ensaios microbiol\u00f3gicos do ar captado na \u00e1rea coletiva de tratamento da UTI de um hospital especializado de m\u00e9dio porte e alta complexidade, pertencente \u00e0 rede p\u00fablica estadual e localizado no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo.<\/p>\r\n<p>A UTI desse hospital passou por reforma no primeiro semestre de 2017, que foi conclu\u00edda no m\u00eas de julho do mesmo ano. Para essa pesquisa, foram escolhidas estrategicamente tr\u00eas coletas de amostras da qualidade do ar, sendo: a primeira em dezembro de 2016, em condi\u00e7\u00f5es normais antes do in\u00edcio da reforma; a segunda logo ap\u00f3s o fim das obras, em agosto de 2017; e, a \u00faltima, em novembro. Em agosto, foi realizada a substitui\u00e7\u00e3o dos filtros finos e absolutos no sistema de condicionamento de ar que supre o local. Todo o sistema recebe manuten\u00e7\u00e3o preventiva periodicamente e corretiva quando necess\u00e1rio sob responsabilidade t\u00e9cnica de um profissional engenheiro mec\u00e2nico. Antes da reforma, foi elaborado um plano imprescind\u00edvel e contingencial com a equipe de CCIH da Institui\u00e7\u00e3o, visando causar menor impacto aos pacientes e demais \u00e1reas hospitalares.<\/p>\r\n<div>\r\n<table border=\"1\">\r\n<tbody>\r\n<tr>\r\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157321397815732139788551266856.jpg\" \/><\/td>\r\n<td style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157321397915732139799529851284.jpg\" \/><\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<\/div>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figuras 2 e 3.<\/strong> Substitui\u00e7\u00e3o de filtro-bolsa F7 saturado, agosto de 2017. Fonte: Acervo pessoal.<\/p>\r\nAs an\u00e1lises da qualidade do ar interior foram realizadas sob as recomenda\u00e7\u00f5es da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas (ABNT) ISO\/IEC 17025, NBR 10719 e da Resolu\u00e7\u00e3o - RE n\u00ba 09, do MS\/ANVISA, de 16 de janeiro de 2003. Com base nos par\u00e2metros normativos, seguem os resultados obtidos nos tr\u00eas ensaios:<br \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157321440515732144055701106199.jpg\" \/><br \/><strong>Tabela 1.<\/strong> Norma T\u00e9cnica 01 Fonte: Relat\u00f3rio de ensaio da qualidade do ar interno. Acervo pessoal.<br \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:157321440515732144050978849202.jpg\" \/><br \/><strong>Tabela 2.<\/strong> Normas T\u00e9cnicas 2 e 3 Fonte: Relat\u00f3rio de ensaio da qualidade do ar interno. Acervo pessoal.<br \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:15732144041573214404462653056.jpg\" \/><br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tabela 3.<\/strong> Norma T\u00e9cnica 04 Fonte: Relat\u00f3rio de ensaio da qualidade do ar interno. Acervo pessoal.<\/p>\r\nNo que se refere \u00e0s Normas T\u00e9cnicas expostas, quantitativamente, todos os resultados se apresentam dentro dos n\u00edveis aceit\u00e1veis. Entretanto, sob a \u00f3tica qualitativa, se verifica na tabela referente \u00e0 Norma T\u00e9cnica 001 a presen\u00e7a do fungo Aspergillus no ambiente em per\u00edodo quase concomitante ao da execu\u00e7\u00e3o das obras.<br \/><br \/>A partir disso, com base te\u00f3rica, \u00e9 poss\u00edvel constatar de fato que a presen\u00e7a desse microrganismo est\u00e1 relacionada diretamente ao per\u00edodo da interven\u00e7\u00e3o, corroborando o que afirma Karman (2011, p. 151):<br \/>\r\n<blockquote>A agita\u00e7\u00e3o provocada por obras e reformas, principalmente em ambientes de EAS, podem dispersar poeiras contendo esporos aerotransportados de fungos Aspergillus, potencialmente letais para pacientes imunodeprimidos. O fungo Aspergillus, que tem de 2 a 3,5 \u00b5m de di\u00e2metro, \u00e9 encontrado em solos, ambientes \u00famidos e vegetais em decomposi\u00e7\u00e3o. Encontra-se tamb\u00e9m presente em sistemas de ventila\u00e7\u00e3o que estejam funcionando inadequadamente: filtros de ar, aparelhos de ar-condicionado de janela, exaustores, forros falsos, forros ac\u00fasticos, canteiros de obras, portas ou janelas expostas, aspiradores de limpeza hospitalar, plantas ornamentais, pombos etc. A poeira proveniente de obras vizinhas tamb\u00e9m pode afetar o EAS, pois o Aspergillus \u00e9 esporulado e veiculado pelo ar (airbone bact\u00e9ria). A umidade do ambiente tamb\u00e9m contribui para sua prolifera\u00e7\u00e3o. Assim, equipamentos e instrumental colonizados com o fungo, quando armazenados em ambientes \u00famidos, podem tornar-se fontes de infec\u00e7\u00e3o.<\/blockquote>\r\n<br \/>Apesar da constata\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do fungo em quantidade dentro dos par\u00e2metros, \u00e9 refor\u00e7ado que as precau\u00e7\u00f5es relacionadas aos ambientes de reforma s\u00e3o imprescind\u00edveis para manter as manuten\u00e7\u00f5es nos sistemas de climatiza\u00e7\u00e3o dos ambientes atualizadas e, assim, evitar que estes se constituam em um agente potencializador de riscos. Nessa interven\u00e7\u00e3o especificamente, n\u00e3o foram constatadas, pela CCIH, infec\u00e7\u00f5es que indiquem o&nbsp;Aspergillus&nbsp;como principal fonte causadora. Por\u00e9m, claro, ele representa uma amea\u00e7a especialmente aos pacientes, e tamb\u00e9m a outros usu\u00e1rios e colaboradores.<br \/><br \/><strong>4. Conclus\u00e3o<\/strong><br \/>Neste artigo, foi poss\u00edvel concluir que reformas em ambientes hospitalares aumentam a circula\u00e7\u00e3o do&nbsp;Aspergillus.sp&nbsp;no espa\u00e7o, com risco maior ao setor de UTI. Portanto, a prud\u00eancia na montagem das barreiras f\u00edsicas e, sobretudo, a adequada manuten\u00e7\u00e3o dos sistemas de climatiza\u00e7\u00e3o podem evitar o alojamento e a dissemina\u00e7\u00e3o desse fungo pelos dutos, representando potenciais riscos aos pacientes. No caso apresentado, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que a fonte do microrganismo estava associada diretamente ao sistema de climatiza\u00e7\u00e3o, contudo, a manuten\u00e7\u00e3o realizada no equipamento de ar-condicionado certamente colaborou para isolar e negativar o crescimento do fungo&nbsp;Aspergillus.sp&nbsp;no ambiente.<br \/><br \/>De fato, fica claro que o presente tema \u00e9 de grande expressividade e merece aten\u00e7\u00e3o especial. Sobretudo, serve de alerta para as amea\u00e7as decorrentes da circula\u00e7\u00e3o de fungos com maior risco patog\u00eanico e faz jus ao aprofundamento com foco na aplica\u00e7\u00e3o hospitalar por profissionais que despendam um olhar sens\u00edvel a essas quest\u00f5es e vislumbrem o futuro das edifica\u00e7\u00f5es para, efetivamente, prover a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade.<br \/><br \/><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>BERNAL, M. L.; ALASTRUEY, I.; CIENCA, E. M. <strong>Diagnostics and susceptibility testing in Aspergillus.<\/strong> 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.id-hub.com\/2017\/02\/24\/diagnostics-susceptibility-testing-aspergillus\/&gt;. Acesso em: 12 dez. 2017.<br \/><br \/>BICALHO, F. de C.&nbsp;<strong>A Arquitetura e a Engenharia no controle de infec\u00e7\u00f5es.<\/strong> Rio de Janeiro: Rio Books, 2010. 135 p.<br \/><br \/>BRICKUS, L. S. R.; AQUINO NETO, F. R. de. A qualidade do ar de interiores e a qu\u00edmica.&nbsp;<strong>Qu\u00edmica nova,<\/strong> v. 22, n. 1, p. 65-74, 1999.<br \/><br \/>COSTA, M. R.&nbsp;<strong>Recomenda\u00e7\u00f5es para o controle de qualidade do ar climatizado.<\/strong> 2007. 12 f. Tese (Doutorado) - Curso de Comiss\u00e3o de Controle de Infec\u00e7\u00e3o Hospitalar, Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s, Goi\u00e2nia, 2007.<br \/><br \/>DIAS, R. S.; COSTA, P. D.; PATARO, C. S. Ambiente hospitalar como fator de risco para a ocorr\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es oportunistas por&nbsp;Staphylococcus Aureus&nbsp;Multirresistentes.<strong>Peri\u00f3dico Cient\u00edfico do N\u00facleo de Bioci\u00eancias: Centro Universit\u00e1rio Metodista Izabela Hendrix,<\/strong> Belo Horizonte, v. 4, n. 7, p. 27-35, ago. 2014.<br \/><br \/>FRARE, F.&nbsp;<strong>Infec\u00e7\u00e3o hospitalar por&nbsp;aspergillus: an\u00e1lise da implanta\u00e7\u00e3o de uma unidade de ambiente protegido.<\/strong> 2009. 28 f. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Gradua\u00e7\u00e3o) - Curso de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009.<br \/><br \/>KARMAN, J. B.&nbsp;<strong>Manuten\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a hospitalar preditivas.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Esta\u00e7\u00e3o Liberdade, 2011. 437 p.<br \/><br \/>MORAES, F. M.; RAU, C.&nbsp;<strong>Infec\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade (IRAS): impacto na sa\u00fade e desafios para seu controle e preven\u00e7\u00e3o.<\/strong> 2011. 17 f. Monografia (Especializa\u00e7\u00e3o) - Curso de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria, Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s, 2011.<br \/><br \/>QUADROS, M. E.&nbsp;<strong>Qualidade do ar em ambientes internos hospitalares: par\u00e2metros f\u00edsico-qu\u00edmicos e microbiol\u00f3gicos.<\/strong> 2008. 135 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado) - Curso de Engenharia Ambiental, Universidade Federal de Santa Catarina, Florian\u00f3polis, 2008.<br \/><br \/>SILVA, E. B.; GOMES, S. R. Ar-condicionado: her\u00f3i ou vil\u00e3o em unidades de terapia intensiva?<strong>REINPEC: Revista Interdisciplinar do Pensamento Cient\u00edfico,<\/strong> Itaperuna, v. 1, n. 1, p. 222-232, jan. 2015.<br \/><br \/>SINGH, N.; BRENNAN, P. J.; BELL, M. A compedium of strategies to prevent healthcare-associated infections in acute care hospitals: um comp\u00eandio de estrat\u00e9gias para a preven\u00e7\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade em Hosp.&nbsp;<strong>Infection Control And Hospital Epidemiology,<\/strong> Cambridge, v. 29, n. 10, p. 901-994, out. 2008.<br \/><br \/>STERLING, T. D.; COLLET, C.; RUMEL, D. A epidemiologia dos \"edif\u00edcios doentes\".&nbsp;<strong>Revista Sa\u00fade P\u00fablica,<\/strong> S\u00e3o Paulo, v. 25, n. 1, p. 56-63, jan. 1991.&nbsp;<br \/><br \/><strong>Refer\u00eancias normativas<\/strong><br \/><br \/>ANVISA - Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria.&nbsp;<strong>Import\u00e2ncia dos projetos de sistemas de climatiza\u00e7\u00e3o em estabelecimentos assistenciais de sa\u00fade (EAS).<\/strong> Bras\u00edlia: Anvisa, 2009. 4 p.<br \/><br \/>______.&nbsp;<strong>RDC n\u00ba 50 Normas para projetos f\u00edsicos de estabelecimentos assistenciais de sa\u00fade.<\/strong> 2. ed. Bras\u00edlia: Anvisa, 2004. 160 p.<br \/><br \/>______. Resolu\u00e7\u00e3o RE n\u00ba 09, de 16 de janeiro de 2003.&nbsp;<strong>Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o,<\/strong> Orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica elaborada por Grupo T\u00e9cnico Assessor sobre padr\u00f5es referenciais de qualidade do ar interior em ambientes climatizados artificialmente de uso p\u00fablico e coletivo. Bras\u00edlia, DF: Imprensa Oficial, 20 jan. 2003. n. 14, Se\u00e7\u00e3o 1, p. 35-37.<br \/><br \/>BRASIL. Constitui\u00e7\u00e3o (1992). Portaria n\u00ba 930, de 27 de agosto de 1992.<strong>&nbsp;Infec\u00e7\u00e3o Hospitalar:<\/strong> Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/www.ebah.com.br\/content\/ABAAAAr90AL\/portaria-n-930-27-agosto-1992&gt;. Acesso em: 21 jun. 2017.<br \/><br \/>BRASIL. Constitui\u00e7\u00e3o (1998).<strong> Portaria n\u00ba 3.523, de 28 de agosto de 1998.<\/strong> Regulamento T\u00e9cnico. Procedimentos de verifica\u00e7\u00e3o de limpeza, remo\u00e7\u00e3o de sujidades por m\u00e9todos f\u00edsicos e manuten\u00e7\u00e3o do estado de integridade e efici\u00eancia de todos os componentes dos sistemas de climatiza\u00e7\u00e3o.","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8694","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}