{"id":8752,"date":"2024-11-20T13:37:38","date_gmt":"2024-11-20T16:37:38","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/entrevistas\/"},"modified":"2024-11-20T14:28:43","modified_gmt":"2024-11-20T17:28:43","slug":"entrevistas","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/entrevistas\/","title":{"rendered":"Entrevistas"},"content":{"rendered":"<strong>Entrevista com o Coordenador Cient\u00edfico do Congresso de <\/strong><strong>Gest\u00e3o Financeira e Custos<\/strong><br \/><strong><br \/>S\u00e9rgio Lopez Bento<br \/><\/strong><br \/><strong>IPH -<\/strong> Quais os principais temas discutidos no Congresso de Gest\u00e3o Financeira e Custos?<br \/><br \/><strong>S\u00e9rgio Lopez Bento -<\/strong> O Congresso de Gest\u00e3o Financeira e Custos ser\u00e1 realizado num momento econ\u00f4mico desfavor\u00e1vel, com crescimento negativo do PIB, infla\u00e7\u00e3o elevada, moeda desvalorizada e taxa de juros em eleva\u00e7\u00e3o. Este cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel afeta negativamente todos os elos da cadeia de valor da sa\u00fade gerando, ao mesmo tempo, queda nos recursos que financiam a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os em sa\u00fade e aumento nos custos destes servi\u00e7os. Discutiremos as consequ\u00eancias deste cen\u00e1rio para o segmento, o que deve ser feito para mitigar os efeitos desta situa\u00e7\u00e3o e como aumentar o n\u00edvel de efici\u00eancia de nossos hospitais com o apoio da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. Outro ponto que abordaremos \u00e9 o impacto da legisla\u00e7\u00e3o que permitiu a entrada do capital estrangeiro para hospitais e como os hospitais brasileiros devem se preparar para enfrentar este novo desafio. Como costumamos fazer em nosso Congresso, apresentaremos alguns cases de sucesso na ado\u00e7\u00e3o de indicadores como instrumento de gest\u00e3o. Apresentaremos, ainda, duas ferramentas de apoio \u00e0 gest\u00e3o do corpo cl\u00ednico, que come\u00e7am a interessar aos hospitais: o DRG e o Payment for Performance, temas que ser\u00e3o abordados por dois especialistas nestas disciplinas. Finalmente, traremos dois pain\u00e9is sobre o Sistema Unimed, que hoje desempenha importante papel na sa\u00fade suplementar brasileira: um abordar\u00e1 o movimento de recursos pr\u00f3prios, analisado seus resultados e desafios, palestra que ser\u00e1 apresentada por um dos idealizadores deste movimento, e outro apresentando uma experi\u00eancia de sucesso em um novo modelo de gest\u00e3o numa cooperativa m\u00e9dica do interior do Estado de S\u00e3o Paulo.<br \/><br \/><strong>IPH -<\/strong> Dentro destes temas, qual \u00e9 a quest\u00e3o que o senhor acha mais relevante para o momento atual?<br \/><br \/><strong>S\u00e9rgio Lopez Bento -<\/strong> Creio que o mais relevante, no momento, frente ao cen\u00e1rio econ\u00f4mico, seja a necessidade dos gestores hospitalares de entenderem esta situa\u00e7\u00e3o, avaliarem o impacto da mesma para suas organiza\u00e7\u00f5es e planejar quais a\u00e7\u00f5es devem ser tomadas para \u201cbuscar recursos dentro de casa\u201d por meio do aumento da efici\u00eancia e produtividade em todas as \u00e1reas do hospital: assistencial, de apoio e administrativa. Uma intensa revis\u00e3o de processos, associada a um esfor\u00e7o por informatiza\u00e7\u00e3o e automa\u00e7\u00e3o dos processos, faz parte deste projeto, visando gerar recursos por meio de economias internas que podem ser obtidas eliminando retrabalhos e desperd\u00edcios. Outro ponto que considero crucial, este na sa\u00fade suplementar, \u00e9 a mudan\u00e7a de foco no relacionamento entre prestadores de servi\u00e7os e operadoras de planos de sa\u00fade, hoje caracterizado por intenso conflito, para um modelo que considere que as atividades de ambos s\u00e3o complementares, visando atender aos clientes\/pacientes. Estou certo de que este entendimento ser\u00e1 fundamental para garantir a sustentabilidade do segmento.<br \/><br \/><strong>IPH -<\/strong> Como o senhor v\u00ea a gest\u00e3o financeira dos hospitais frente ao novo e dif\u00edcil momento econ\u00f4mico brasileiro?<br \/><br \/><strong>S\u00e9rgio Lopez Bento -<\/strong> Embora ao longo dos \u00faltimos anos tenha havido um esfor\u00e7o de profissionaliza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea financeira dos hospitais brasileiros, com a contrata\u00e7\u00e3o de profissionais de outros segmentos empresariais, o que observamos em nossa atividade profissional de consultoria, com abrang\u00eancia nacional, \u00e9 que este esfor\u00e7o ainda \u00e9 muito desigual, pois os hospitais de pequeno e m\u00e9dio porte ainda s\u00e3o, em sua maioria, geridos de forma quase amadora. Um exemplo desta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que a maioria dos hospitais brasileiros desconhece o custo de suas atividades e de seus procedimentos, pois n\u00e3o implantaram seus sistemas de apura\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de custos. Veja que estamos falando de uma informa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para a gest\u00e3o de qualquer atividade empresarial. Como definir pre\u00e7os se eu desconhe\u00e7o o custo dos meus servi\u00e7os e produtos? Como avaliar quais servi\u00e7os ou especialidades o hospital deveria prioriza se eu n\u00e3o conhe\u00e7o o resultado dos mesmos? Portanto, este esfor\u00e7o por melhoria na gest\u00e3o deve ser ainda mais priorizado num momento econ\u00f4mico desfavor\u00e1vel que o pa\u00eds enfrenta e com poucas perspectivas de melhora no m\u00e9dio prazo.<br \/><br \/><strong>Entrevista com o Coordenador Cient\u00edfico do Congresso de Engenharia, Arquitetura e Log\u00edstica<br \/><\/strong><br \/><strong>Ant\u00f4nio Jos\u00e9 Rodrigues Pereira<br \/><\/strong><br \/><strong>IPH -<\/strong> O que voc\u00ea espera deste Congresso, sobre as discuss\u00f5es que est\u00e3o colocadas aqui, quais s\u00e3o as expectativas para estes quatro dias e como \u00e9 que voc\u00ea est\u00e1 vendo a situa\u00e7\u00e3o atual com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 engenharia hospitalar?<br \/><br \/><strong>Ant\u00f4nio Jos\u00e9 Rodrigues -<\/strong> O que eu vejo nestes quatro dias de Congresso, o Congresso Hospitalar e a Feira Hospitalar, eu acho que na verdade junta-se um p\u00fablico que est\u00e1 sedento de informa\u00e7\u00f5es, ou seja, o cen\u00e1rio pol\u00edtico econ\u00f4mico do Brasil faz com que a gente tente observar conforme essa palestra muito brilhante, muito bem conduzida pelo Eng. Salim, sobre recursos h\u00eddricos. Onde est\u00e1 colocado que n\u00f3s temos que ter uma mudan\u00e7a de cultura dentro da sociedade? N\u00f3s temos que pensar n\u00e3o apenas em oferta, e sim em demanda. Como n\u00f3s, como cidad\u00e3os, e a\u00ed logicamente como gestores que est\u00e3o aqui, gestores de arquitetura, engenharia e administradores hospitalares, podemos fazer mais com o mesmo? Porque esse vai ser o grande dilema nos pr\u00f3ximos anos. Como eu posso fazer mais com o mesmo?<br \/><br \/>Eu espero dentro deste Congresso \u00e9 que a gente v\u00e1 disseminar as informa\u00e7\u00f5es, as informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem mais ficar concentradas em uma ou duas pessoas. E eu acho que o Congresso e a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Administradores Hospitalares almejam isso. E \u00e9 poss\u00edvel voc\u00ea disseminar a informa\u00e7\u00e3o com alguns interlocutores<br \/>onde, na verdade, os palestrantes e a plateia se fundem em um \u00fanico objetivo: dividir informa\u00e7\u00e3o, compartilhar informa\u00e7\u00e3o. Quem compartilha informa\u00e7\u00e3o, cresce e esta \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o deste Congresso, fazer com que todos tenham uma linearidade de informa\u00e7\u00e3o para a tomada de decis\u00f5es.<br \/><br \/><strong>Entrevista com Santiago Venegas <br \/><br \/>Red de Cl\u00ednicas Regionales - Santiago - Chile<br \/><\/strong><br \/><strong>IPH -<\/strong> Gostaria de saber como o senhor, que vem do Chile, est\u00e1 vendo este Congresso, a sa\u00fade no Brasil, a sa\u00fade brasileira? E o que est\u00e1 achando das discuss\u00f5es em geral que est\u00e3o sendo apresentadas?<br \/><br \/><strong>Santiago Venegas -<\/strong> Eu tenho a sorte de conhecer a Hospitalar h\u00e1 10 anos. Eu venho, praticamente, cada ano como palestrante para discutir diferentes t\u00f3picos na gest\u00e3o de sa\u00fade. Tanto a Federa\u00e7\u00e3o quanto a Hospitalar, todos os anos, apresentam grande desenvolvimento. \u00c9 impressionante o tamanho e a magnitude da Hospitalar e \u00e9 muito gratificante participar da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Administradores Hospitalares e do Congresso, porque \u00e9 um Congresso muito bem organizado, com t\u00f3picos muito relevantes da gest\u00e3o hospitalar atual e as quest\u00f5es que mais interessam aos administradores. Os problemas s\u00e3o similares no Chile. No Brasil, os tamanhos \u00e9 que s\u00e3o distintos. N\u00f3s temos cerca de 300 hospitais p\u00fablicos e privados, voc\u00eas, aqui, algumas pessoas falam em 5.500, outras pessoas falam em 7.000. Ent\u00e3o, para n\u00f3s, \u00e9 muita aprendizagem poder participar ano a ano com a Federa\u00e7\u00e3o no Congresso e na Hospitalar.<br \/><br \/><strong>IPH -<\/strong> Como o senhor v\u00ea essa \u00faltima palestra a que assistimos em que se falou muito de mudan\u00e7a de paradigmas; de mudar a aten\u00e7\u00e3o do hospital para a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica; que muitos governos se preocupam em construir hospitais e com as especialidades e se esquecem um pouco do primeiro atendimento, da sa\u00fade da fam\u00edlia, da sa\u00fade das crian\u00e7as. Como o senhor v\u00ea isso no Chile como uma proposta at\u00e9 de desafogar os hospitais que acabam por atender a todas as demandas?<br \/><br \/><strong>Santiago Venegas -<\/strong> Acho isso muito relevante, muito importante, definir o foco correto do modelo de aten\u00e7\u00e3o cont\u00ednua das pessoas, dos pacientes. No Chile, 70% da demanda da aten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade s\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o de baixa complexidade, aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, 70%; 23% s\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o de m\u00e9dia complexidade, e s\u00f3 5 a 8% s\u00e3o de alta<br \/>complexidade, portanto, precisamos ter um foco na opera\u00e7\u00e3o em todas as unidades, principalmente na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Agora, uma quest\u00e3o que aprendi em todos esses anos \u00e9 que um hospital n\u00e3o se sustenta por si mesmo se n\u00e3o \u00e9 parte de uma rede. Um hospital, sobretudo, um hospital de alta complexidade, tem que estar vinculado, conectado, permanentemente com um modelo de encaminhamento e retorno com as unidades de aten\u00e7\u00e3o de m\u00e9dia e baixa complexidade. Isso \u00e9 fundamental para o sucesso do hospital e para o desenvolvimento e incorpora\u00e7\u00e3o de conhecimento e fluxo assistencial.<br \/><br \/><strong>Entrevista com o Coordenador Cient\u00edfico do Congresso de Gest\u00e3o de Pessoas &amp; Lideran\u00e7a<br \/><\/strong><br \/><strong>Cl\u00e1udio Collantonio<br \/><\/strong><br \/><strong>IPH -<\/strong> Sobre o Congresso de Gest\u00e3o de Pessoas e Lideran\u00e7a, quais s\u00e3o as principais discuss\u00f5es propostas para o ano de 2015?<br \/><br \/><strong>Cl\u00e1udio Collantonio -<\/strong> O Congresso de Gest\u00e3o de Pessoas e Lideran\u00e7a tem dois grandes fatores em termos de abordagem. O primeiro deles \u00e9 uma dificuldade que o segmento sa\u00fade tem como um todo, n\u00f3s temos um grande problema que n\u00f3s chamamos de \u201capag\u00e3o de m\u00e3o de obra\u201d. O que \u00e9 o \u201capag\u00e3o de m\u00e3o de obra\u201d? \u00c9 a m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e a disputa pelo mesmo profissional por diversas institui\u00e7\u00f5es que ocorre principalmente na regi\u00e3o Sul e Sudeste do Brasil. Tanto que n\u00f3s trouxemos palestrantes das duas regi\u00f5es para poder falar como eles est\u00e3o resolvendo isso. Descobrimos nestas palestras tr\u00eas a\u00e7\u00f5es bem diversificadas: a busca de alternativas de m\u00e3os de obra, o caso exemplificado foi o caso dos haitianos que est\u00e3o chegando ao Brasil; a outra foi a busca de forma\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria localidade, \u00e9 melhor formar do que tentar captar no mercado esse profissional; e a terceira solu\u00e7\u00e3o que foi apresentada para n\u00f3s foi a cria\u00e7\u00e3o dentro da institui\u00e7\u00e3o de celeiros de profissionais multidisciplinares para cobrir as escalas. O outro fator sobre o qual eu falei foi em termos da prepara\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a. N\u00f3s tivemos uma proposta de<br \/>enfocar o l\u00edder como um integrante da equipe, por isso, n\u00f3s abordamos equipes auto gerenci\u00e1veis. O l\u00edder, al\u00e9m de ter a expertise da a\u00e7\u00e3o dele, tamb\u00e9m precisa cuidar do relacionamento interpessoal, este passou a ser ponto fundamental, esta rela\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio \u00e9 o que garantiu ao l\u00edder ter maior assertividade. Buscamos palestrantes que pudessem, primeiro, enfocar neste prop\u00f3sito e, depois, medir este prop\u00f3sito. Tanto que uma das nossas palestras de op\u00e7\u00e3o foram os instrumentos que hoje fazem assessment profissional para entendermos como essas ferramentas (PPA, DISC, MBTI, Insights) atuam nesse mapeamento interno das institui\u00e7\u00f5es.<br \/>Toda a Comiss\u00e3o Cient\u00edfica deste Congresso buscou estes dois fatores e por qu\u00ea? Porque a Comiss\u00e3o Cient\u00edfica \u00e9 composta por profissionais que atuam com estas dificuldades ou com estas \u201creclama\u00e7\u00f5es\u201d em n\u00e3o ter um l\u00edder enfocado dentro da equipe, assim foi esse o nosso prop\u00f3sito.<br \/><br \/><strong>IPH -<\/strong> Para um jovem que est\u00e1 come\u00e7ando os estudos em n\u00edvel superior ou para um rec\u00e9m-formado, que conselho o senhor daria a este jovem profissional ou at\u00e9 a um profissional que est\u00e1 tentando uma recoloca\u00e7\u00e3o no mercado. Como ele conseguiria se colocar, j\u00e1 que h\u00e1 uma demanda por m\u00e3o de obra qualificada, qual seria o nicho onde ele poderia investir para ter uma possibilidade de vaga?<br \/><br \/><strong>Cl\u00e1udio Collantonio -<\/strong> Hoje, eu diria que houve uma migra\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 90 para esse novo modelo que n\u00f3s praticamos. Houve uma \u00e9poca em que o nome da institui\u00e7\u00e3o acad\u00eamica pesava muito, hoje eu diria que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante o nome da institui\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Mas \u00e9 muito importante a pr\u00e1tica aliada ao conhecimento te\u00f3rico, quando o profissional consegue conciliar os dois, ele vem mais bem preparado para o mercado. No segmento de sa\u00fade, onde \u00e9 a porta de entrada? Primeiro, os programas trainees. Praticamente todas as institui\u00e7\u00f5es de porte do segmento de sa\u00fade t\u00eam modulado programas trainees para o t\u00e9cnico de enfermagem, para o enfermeiro, resid\u00eancias para profissionais m\u00e9dicos e para outras profiss\u00f5es que exigem resid\u00eancia, como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais. Ent\u00e3o, a grande porta de entrada \u00e9 a absor\u00e7\u00e3o do conhecimento por meio de programas trainees e est\u00e1gios durante o curso de forma\u00e7\u00e3o, porque esta experi\u00eancia j\u00e1 conta na hora da contrata\u00e7\u00e3o. Eu acho que este \u00e9 o grande caminho.<br \/><br \/><strong>Entrevista com o Coordenador Cient\u00edfico do Congresso Gest\u00e3o em Sa\u00fade<\/strong><br \/><strong><br \/>Gonzalo Vecina Neto<\/strong><br \/><br \/><strong>IPH -<\/strong> Os processos de sa\u00fade se apoiam nos processos administrativos, quais as estrat\u00e9gias para envolver a equipe m\u00e9dica nestes processos administrativos?<br \/><br \/><strong>Gonzalo Vecina -<\/strong> Esta \u00e9 a pergunta de um milh\u00e3o de d\u00f3lares. Como integrar o m\u00e9dico no processo de gest\u00e3o e como integrar o m\u00e9dico no processo de aten\u00e7\u00e3o, essa coisa do cuidar que n\u00f3s est\u00e1vamos discutindo agora, cuidar para curar. \u00c9 obvio que o m\u00e9dico \u00e9 um profissional singular nesse processo, porque ele, dentre os profissionais, \u00e9 o que realiza a atividade de diagn\u00f3stico e tratamento e isso o torna singular. Por outro lado, principalmente nos hospitais privados, quando voc\u00ea tem um corpo cl\u00ednico aberto, essa dificuldade \u00e9 uma dificuldade mais importante ainda. Nos hospitais p\u00fablicos e nos hospitais privados, que trabalham com um corpo cl\u00ednico fechado, existe um conjunto de regras que voc\u00ea pode adotar. E eu vejo isso tamb\u00e9m nos hospitais privados que trabalham com um corpo cl\u00ednico aberto nas unidades fechadas. Geralmente, nas unidades fechadas, tipo U.T.I., voc\u00ea trabalha com corpo cl\u00ednico fechado contratado, da\u00ed essa integra\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico na equipe, ela tem menos dificuldade, para n\u00e3o dizer mais facilidade. Mas nesse sentido, e levando em conta esses diferentes graus de dificuldade para integrar o m\u00e9dico \u00e0 equipe, n\u00f3s temos visto esta ideia que foi citada aqui, o cuidado focado no paciente com diferentes graus de profundidade. E como disse o nosso Osvaldo*, levar as coisas ao paciente em vez de levar o paciente \u00e0s coisas, com limita\u00e7\u00f5es \u00e9 obvio, \u00e9 algo que n\u00f3s temos que perseguir. A mesma coisa tem que acontecer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 equipe, quer dizer, n\u00f3s temos que pensar que, para um melhor cuidado para curar, n\u00f3s temos que repensar a divis\u00e3o de trabalho na \u00e1rea da sa\u00fade, n\u00f3s dividimos muito o trabalho na \u00e1rea da sa\u00fade. De tal forma que, hoje, voc\u00ea tem o cara que empurra a maca, o cara que tira o paciente da maca, o cara que p\u00f5e o paciente na maca, uma divis\u00e3o de trabalho doida. Ent\u00e3o a responsabilidade pela atividade de vida di\u00e1ria \u00e9 da enfermagem, a responsabilidade pela fisioterapia respirat\u00f3ria \u00e9 do fisioterapeuta. E a\u00ed o paciente fica muito agendado e o cuidar vai para o vinagre. Voc\u00ea fica s\u00f3 com a ideia do curar, e o cuidar \u00e9 t\u00e3o importante quanto o curar. A ideia que est\u00e1 hoje em alguns hospitais, nos Estados Unidos e na Europa, j\u00e1 \u00e9 a de focar no paciente, em que o profissional repensa o seu espa\u00e7o de trabalho. Aquele que est\u00e1 pr\u00f3ximo do paciente \u00e9 aquele que vai executar o cuidado que ele necessita no momento em que ele precisa que aquilo seja feito, pede para aquilo ser feito. Esta ideia exige uma reorganiza\u00e7\u00e3o do processo de trabalho, um agendamento do processo de trabalho e a cria\u00e7\u00e3o de novos pactos de trabalho dentro da unidade de interna\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 poss\u00edvel levar para dentro da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria tamb\u00e9m, quer dizer, com processo de atendimento diferenciado. Na verdade, \u00e9 um processo de atendimento diferenciado que voc\u00ea est\u00e1 fazendo, mas exige um pacto entre a equipe de profissionais. E o m\u00e9dico tem que entrar nesse pacto. Isso \u00e9 bem mais f\u00e1cil com a equipe multiprofissional, o m\u00e9dico tem que ser incorporado. Esta \u00e9 a ideia de gest\u00e3o do cuidado que tem que ser disseminada na equipe e o m\u00e9dico tem que comprar este projeto, \u00e9 poss\u00edvel, mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<br \/><br \/>*Osvaldo Artaza Barrios - Organizaci\u00f3n Panamericana de la Salud - M\u00e9xico.<br \/><br \/><strong>Depoimento da Coordenadora Cient\u00edfica do Congresso de Hotelaria Hospitalar<br \/><\/strong><br \/><strong>Teresinha Covas Lisboa<br \/><\/strong><br \/>O tema central dos congressos \u00e9 \u201cSa\u00fade Integral\u201d e o Congresso de Hotelaria procurou atender a esta vis\u00e3o. Os temas est\u00e3o focados no planejamento para atender, no atendimento direto ao paciente sob a \u00f3tica administrativa, analisando o espa\u00e7o f\u00edsico e a hospitalidade voltada para a humaniza\u00e7\u00e3o. Teremos a oportunidade de conhecer a vis\u00e3o internacional da hotelaria hospitalar, bem como na Inova\u00e7\u00e3o e Expans\u00e3o de Hospitais no Brasil. O importante \u00e9 que poderemos conhecer as experi\u00eancias de profissionais de renome nacional e internacional.<br \/><br \/>A quest\u00e3o est\u00e1 direcionada para o tema central, ou seja, \u201cSa\u00fade Integral\u201d, em que as vis\u00f5es administrativa, t\u00e9cnica e de humaniza\u00e7\u00e3o estar\u00e3o presentes em todas as palestras.<br \/><br \/>A Hotelaria Hospitalar est\u00e1 sendo implantada nos hospitais p\u00fablicos e adaptada \u00e0 realidade de cada regi\u00e3o. J\u00e1 possu\u00edmos colaboradores capacitados para assumirem esta \u00e1rea, desde o gerenciamento at\u00e9 o n\u00edvel operacional. <br \/><br \/>&nbsp;Essa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 evidenciada pela participa\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios e de empresas terceirizadas nos congressos e cursos referentes \u00e0 \u00e1rea. Assim como na vis\u00e3o de acolhimento do paciente atendido pelo SUS. O pr\u00f3prio HumanizaSus propicia essa implanta\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>\u201cA Pol\u00edtica Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o existe desde 2003 para efetivar os princ\u00edpios do SUS no cotidiano das pr\u00e1ticas de aten\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o, qualificando a sa\u00fade p\u00fablica no Brasil e incentivando trocas solid\u00e1rias entre gestores, trabalhadores e usu\u00e1rios\u201d (Minist\u00e9rio da Sa\u00fade).<br \/><br \/><strong>Entrevista com o Coordenador Cient\u00edfico do Congresso de Qualidade e Seguran\u00e7a do Paciente<br \/><br \/>Ant\u00f4nio Carlos Onofre de Lira<\/strong><br \/><br \/><strong>IPH -<\/strong> N\u00f3s gostar\u00edamos de um panorama geral. Quais s\u00e3o as suas expectativas para este congresso, o que voc\u00ea vai discutir especificamente na sua fala e, tamb\u00e9m, uma ideia geral do que \u00e9 que voc\u00ea espera para este evento de 2015.<br \/><br \/><strong>Ant\u00f4nio Lira -<\/strong> Bem, come\u00e7ando pelo fim, acho que o evento da Hospitalar em 2015 refor\u00e7a a import\u00e2ncia da \u00e1rea da sa\u00fade. Acredito que cada vez mais o Congresso em si, a Feira em si, traduz n\u00e3o s\u00f3 a import\u00e2ncia, mas o crescimento da \u00e1rea no nosso pa\u00eds e a influ\u00eancia do nosso pa\u00eds como refer\u00eancia para pa\u00edses irm\u00e3os, sobretudo aqui da Am\u00e9rica do Sul, e pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa. Ent\u00e3o, penso que este \u00e9 um contexto bastante interessante para n\u00f3s que participamos desta Feira h\u00e1 alguns anos.<br \/><br \/>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o espec\u00edfica do Congresso, estou na coordena\u00e7\u00e3o e na presid\u00eancia cient\u00edfica do Congresso de Qualidade e Seguran\u00e7a do Paciente. Pela segunda vez, estou \u00e0 frente deste Congresso, desse desafio. O Congresso deste ano, em certo grau, complementa o Congresso do ano passado, quando n\u00f3s t\u00ednhamos um Congresso mais voltado para discutir avan\u00e7os de seguran\u00e7a do paciente no mundo de um modo geral. Dar uma tinta importante, pelo menos chamar mais aten\u00e7\u00e3o, \u00e0s metas internacionais de seguran\u00e7a do paciente, que \u00e9 um compromisso da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, dentro desta l\u00f3gica do refor\u00e7o, praticamente do lan\u00e7amento do Programa Nacional de Seguran\u00e7a do Paciente que aconteceu em 2013 e do qual n\u00f3s fazemos parte. Eu represento a institui\u00e7\u00e3o Hospital S\u00edrio Liban\u00eas, Sociedade Beneficente de Senhoras do Hospital S\u00edrio Liban\u00eas, estou como superintendente t\u00e9cnico hospitalar, e para mim \u00e9 muito honroso estar \u00e0 frente deste Congresso e desta participa\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Este ano, n\u00f3s estamos renovando um compromisso com a transpar\u00eancia, particularmente o compromisso da abertura dos dados, da discuss\u00e3o dos dados de cada institui\u00e7\u00e3o. Estamos com essa bandeira apoiando que cada vez mais as institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade t\u00eam que estar transparentes para o paciente, para a sociedade de um<br \/>modo geral. Acho que este \u00e9 um momento muito importante do Congresso, refor\u00e7amos a quest\u00e3o da seguran\u00e7a do paciente, mas agora tentando fotografar n\u00e3o s\u00f3 as metas internacionais, mas o quanto que - na pr\u00e1tica da institui\u00e7\u00e3o - a quest\u00e3o da seguran\u00e7a no cotidiano da institui\u00e7\u00e3o pode ser retratada. Ent\u00e3o a gente tem uma fotografia, uma conversa num painel bem interessante, sobre cultura de seguran\u00e7a que \u00e9 uma forma de medir o quanto a seguran\u00e7a est\u00e1 inserida na pr\u00e1tica da institui\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Temos ainda uma abordagem, um aprofundamento, sobre a quest\u00e3o da rastreabilidade dos medicamentos que sempre \u00e9 um tema importante relacionado \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 qualidade do paciente. Pois erros relacionados aos medicamentos de um modo geral s\u00e3o os eventos adversos mais comuns que acontecem. Ent\u00e3o acho que tem uma palestra bastante importante. Refor\u00e7amos a quest\u00e3o da sa\u00fade integral, tentando sair do ambiente hospitalar, vamos chamar assim, e, como em toda cadeia de cuidado do paciente, a seguran\u00e7a pode se fazer presente e como esta seguran\u00e7a se torna um elemento, um dos pilares para a integralidade do cuidado.<br \/><br \/>Por fim, temos a abordagem de um panorama geral sobre seguran\u00e7a do paciente no pa\u00eds e na Am\u00e9rica Latina com a palestra do nosso colega colombiano sobre processo de acredita\u00e7\u00e3o naquele pa\u00eds. Al\u00e9m disso, um painel espec\u00edfico sobre seguran\u00e7a no ambiente hospitalar com vi\u00e9s mais de infraestrutura de processos e de informatiza\u00e7\u00e3o, alertando inclusive para esta \u00faltima, discutindo como uma tentativa de melhoria de seguran\u00e7a pode, muitas vezes, trazer elementos de risco que a gente precisa conhecer. De um modo geral, \u00e9 este o panorama deste Congresso e eu acho que a Feira em si est\u00e1 novamente bastante potente e bastante interessante para todos.<br \/><br \/><strong>Entrevista com o Presidente da FBAH<br \/><\/strong><br \/><strong>Valdesir Galvan<br \/><\/strong><br \/><strong>IPH -<\/strong> Quais s\u00e3o os planos da FBAH para os anos de 2015 e 2016? Como voc\u00ea v\u00ea as discuss\u00f5es que est\u00e3o em pauta no Congresso? Sabemos que h\u00e1 quest\u00f5es bastante s\u00e9rias na sa\u00fade brasileira, financiamento, a situa\u00e7\u00e3o dos planos privados muito onerosos, a crise econ\u00f4mica que afeta a todos, n\u00e3o s\u00f3 a \u00e1rea da sa\u00fade. Entre um dos administradores da \u00e1rea da sa\u00fade e como presidente da Federa\u00e7\u00e3o, como voc\u00ea percebe este momento atual no Brasil? E os parceiros, entre os latino-americanos, acredito que seja um ganho esse di\u00e1logo latino-americano, como voc\u00ea v\u00ea a busca de solu\u00e7\u00f5es para a Sa\u00fade?<br \/><br \/><strong>Valdesir Galvan -<\/strong> O grande foco de discuss\u00f5es deste Congresso \u00e9 exatamente esta crise econ\u00f4mica pela qual o pa\u00eds passa. Ent\u00e3o o ser humano acaba focando na crise e esquece da grande oportunidade no Sistema de Sa\u00fade. Porque, se formos olhar do ponto de vista do financiamento, o Sistema de Sa\u00fade P\u00fablico no Brasil<br \/>est\u00e1 em crise h\u00e1 muito tempo. Ele \u00e9 subfinanciado, ele vem enfrentando todas essas dificuldades. Por isso, eu vejo que \u00e9 uma grande oportunidade de sair da zona de conforto, j\u00e1 que estamos discutindo exatamente isso, e fazer a coisa diferente. Porque fazendo da forma que estamos fazendo nesta crise, se n\u00e3o mudarmos essa forma de fazer, realmente n\u00f3s vamos sentir muito mais a crise. Ent\u00e3o o que tem que ser feito \u00e9 exatamente buscar outras formas de fazer gest\u00e3o, rever processos, rever modelos. Acho que o Brasil est\u00e1 precisando, hoje, rever o modelo de remunera\u00e7\u00e3o, tanto na sa\u00fade p\u00fablica quanto na privada. Acredito que o p\u00fablico-privado tem que ter uma parceria maior, uma integra\u00e7\u00e3o maior. Acho que o p\u00fablico-privado pode contribuir bastante com a sa\u00fade p\u00fablica e, principalmente, com o modelo de remunera\u00e7\u00e3o. O modelo de remunera\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 satisfat\u00f3rio para ningu\u00e9m. Nem para quem paga a conta e nem para quem recebe o servi\u00e7o, ent\u00e3o ele est\u00e1 meio sem controle.&nbsp;<br \/><br \/>No privado voc\u00ea v\u00ea a\u00ed recentemente a situa\u00e7\u00e3o da chamada m\u00e1fia de \u00f3rteses e pr\u00f3teses que \u00e9 um mercado que sempre existiu, uma hora \u00e9 na cardiologia, outra na ortopedia, outra hora \u00e9 na oncologia. Como sempre tem isso, eu acho que \u00e9 o momento de se discutir a forma de remunera\u00e7\u00e3o. Porque durante muito tempo os hospitais se concentraram em cima de ganhos em materiais e medicamentos e esqueceram um pouco da hotelaria. Por qu\u00ea? Porque tamb\u00e9m os planos de sa\u00fade na outra ponta n\u00e3o reconhecia esse trabalho, a infraestrutura dos hospitais remunerava muito pouco, ent\u00e3o os hospitais acharam a sa\u00edda nos materiais e medicamentos.<br \/><br \/>Do ponto de vista p\u00fablico, acho que o subfinanciamento est\u00e1 muito claro. O SUS, o formato dele, a tabela do SUS est\u00e1 condenada, porque \u00e9 imposs\u00edvel hoje. Eu n\u00e3o conhe\u00e7o nenhuma institui\u00e7\u00e3o que sobreviva do SUS, n\u00e3o consegue se manter, porque o valor que as institui\u00e7\u00f5es recebem de remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 30% dos custos. Ent\u00e3o, de cada cem reais que custa um procedimento, o SUS paga trinta reais. Ou seja, voc\u00ea tem que arrumar mais setenta reais de outra forma para cobrir esse custo. Eu acho que esse \u00e9 um grande questionamento que o Sistema de Sa\u00fade passa no momento para discutir este modelo, mais especificamente do ponto de vista do financiamento. N\u00f3s temos ainda a dificuldade do acesso, nem todo mundo tem acesso ao Sistema de Sa\u00fade adequado, temos acompanhado muito isso na m\u00eddia que tem filas, a dificuldade de agendar consultas por falta de m\u00e9dicos. Por isso, acredito que \u00e9 o momento de rever este modelo. Neste Congresso, a Federa\u00e7\u00e3o entrou exatamente nesse sentido para discutir um pouco esses modelos, discutir um pouco a situa\u00e7\u00e3o atual. Cabe a n\u00f3s, gestores, encontrar uma sa\u00edda para essa situa\u00e7\u00e3o toda, pelo menos tentar achar uma situa\u00e7\u00e3o mais confort\u00e1vel.<br \/><br \/><strong>Entrevista com o Presidente do 38\u00ba Congresso<br \/><\/strong><br \/><strong>Paulo Roberto Segatelli Camara<\/strong><br \/><strong><br \/>IPH -<\/strong> Como parte do 38\u00ba Congresso Brasileiro de Administra\u00e7\u00e3o Hospitalar e Gest\u00e3o em Sa\u00fade, o IPH entrevista o Sr.Paulo C\u00e2mara, presidente do Congresso, sobre a sua vis\u00e3o sobre o evento e as propostas da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Administradores Hospitalares.<br \/><br \/><strong>Paulo C\u00e2mara -<\/strong> Primeiro eu gostaria de agradecer a voc\u00eas do Instituto de Pesquisas Hospitalares Arquiteto Jarbas Karman, que sempre nos deu a honra e a participa\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios eventos da Federa\u00e7\u00e3o, parceiro de longa data. Registro aqui nosso agradecimento de toda Diretoria da Federa\u00e7\u00e3o nessa participa\u00e7\u00e3o t\u00e3o importante dessa entidade que sempre representou o que somos hoje, que \u00e9 o profissionalismo na gest\u00e3o de sa\u00fade deste pa\u00eds. O IPH sempre pensou nisso e n\u00f3s continuamos esse projeto dentro da Federa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a profissionaliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade em todos os termos, em todas as \u00e1reas da gest\u00e3o, seja arquitetura, gest\u00e3o, m\u00e9dica, de enfermagem. Este ano n\u00f3s estamos com um tema, que sob o meu ponto de vista, \u00e9 muito interessante: Sa\u00fade Integral.<br \/><br \/>Pensar a Sa\u00fade Integral \u00e9 muito mais amplo do que pensar a sa\u00fade de hospitais. N\u00f3s estamos propondo reflex\u00f5es sobre o meio ambiente, o tratamento de \u00e1gua, o reaproveitamento, a reutiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua que n\u00f3s estamos t\u00e3o carentes, principalmente aqui na nossa cidade de S\u00e3o Paulo, na polui\u00e7\u00e3o, nos transportes, nos meios<br \/>de locomo\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Hoje, os nossos funcion\u00e1rios da \u00e1rea da sa\u00fade, e outros tamb\u00e9m, perdem duas ou tr\u00eas horas no tr\u00e2nsito e isso gera um desgaste na sa\u00fade da pessoa. Trabalhar uma alimenta\u00e7\u00e3o melhor, uma alimenta\u00e7\u00e3o mais adequada, quer dizer que n\u00f3s estamos pensando em Sa\u00fade Integral, uma coisa muito ampla para a popula\u00e7\u00e3o. N\u00f3s achamos que s\u00f3 vamos resolver a sa\u00fade se a gente pensar a sa\u00fade nesse sentido amplo. Com tratamento de \u00e1gua adequado, tratamento de esgoto. Porque se voc\u00ea n\u00e3o fizer isso, n\u00f3s n\u00e3o vamos ter sa\u00fade e vai ser muito dif\u00edcil segurar os custos para fazer tratamentos se n\u00f3s n\u00e3o fizermos essas preven\u00e7\u00f5es nesse in\u00edcio. Por isso, Sa\u00fade Integral. Ent\u00e3o nosso in\u00edcio \u00e9 Sa\u00fade Integral: Planejar para atender. Planejar. No nosso ponto de vista, n\u00f3s temos que melhorar muito o planejamento de sa\u00fade no pa\u00eds, temos que aproveitar melhor os recursos, praticamente voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea nenhuma estrutura de sa\u00fade trabalhando em rede, hoje, cada entidade de sa\u00fade, no meu ponto de vista, trabalha de forma independente, ela n\u00e3o tem liga\u00e7\u00f5es com outras unidades de sa\u00fade. E para que o sistema de sa\u00fade comece a funcionar em nosso pa\u00eds e em outros tamb\u00e9m, \u00e9 preciso pensar em trabalho em rede, toda a rede de sa\u00fade se conectando, uma encaminhando e reencaminhando para outra, para que a gente possa atender bem a nossa popula\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Hoje, por exemplo, muitas vezes uma pessoa procura uma unidade de sa\u00fade, mas depois ela n\u00e3o consegue dar continuidade ao seu tratamento porque n\u00e3o h\u00e1 essa conex\u00e3o, esse trabalho em rede, e todo o trabalho fica prejudicado. Consequentemente, n\u00e3o h\u00e1 o t\u00e9rmino no tratamento dessa pessoa, ou seja, na reabilita\u00e7\u00e3o, ou seja, no diagn\u00f3stico. Ela s\u00f3 tem a primeira consulta, muitas vezes s\u00f3 emerg\u00eancia, muitas vezes ela busca a emerg\u00eancia erroneamente por n\u00e3o ter acesso \u00e0s unidades de sa\u00fade. \u00c9 por isso que n\u00f3s pensamos em planejar para atender, porque tamb\u00e9m achamos que a nossa popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 sendo bem atendida. Hoje, ela fica em filas de anos para fazer uma cirurgia de h\u00e9rnia, o idoso fica anos e anos na fila para fazer uma cirurgia de catarata. A gente v\u00ea maternidades superlotadas, m\u00e3es dando \u00e0 luz em ambul\u00e2ncias, recep\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o eu acho que n\u00f3s temos que repensar, replanejar, planejar a sa\u00fade para poder atender a popula\u00e7\u00e3o brasileira que, em minha opini\u00e3o, ainda est\u00e1 muito mal atendida em praticamente todas as regi\u00f5es do nosso pa\u00eds \u2013 apesar de j\u00e1 termos evolu\u00eddo bastante. Eu viajo muito, conhe\u00e7o muitos lugares, muitas unidades de sa\u00fade, p\u00fablicas e privadas, UPAS, UBS, e eu vejo que as dificuldades est\u00e3o em praticamente todos os Estados do Brasil.","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8752","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}