{"id":8771,"date":"2024-11-24T11:10:51","date_gmt":"2024-11-24T14:10:51","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/entrevista-com-o-arquiteto-siegbert-zanettini-2\/"},"modified":"2024-11-24T11:19:00","modified_gmt":"2024-11-24T14:19:00","slug":"entrevista-com-o-arquiteto-siegbert-zanettini-2","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/entrevista-com-o-arquiteto-siegbert-zanettini-2\/","title":{"rendered":"Entrevista com o Arquiteto Siegbert Zanettini"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-8773 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-24-111734-300x250.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-24-111734-300x250.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-24-111734.png 358w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Siegbert Zanettini em seu escrit\u00f3rio.<\/p>\r\nNum belo dia de sol, a equipe do IPH teve o prazer de ser recebida por Zanettini, em seu escrit\u00f3rio na Vila Ol\u00edmpia, para uma conversa sobre os \u00faltimos 60 anos de arquitetura, a forma\u00e7\u00e3o de arquitetos, a arquitetura hospitalar e, claro, sobre a vis\u00e3o de como deve ser a boa arquitetura. &nbsp;A conversa se estendeu at\u00e9 o in\u00edcio da tarde e transcrevemos um trecho para os nossos leitores aqui.<br \/><br \/><strong>Revista IPH -<\/strong> Bom dia, Zanettini. Obrigada por nos receber. O IPH est\u00e1 completando 60 anos de atividades e gostar\u00edamos de entender como voc\u00ea compreende esses \u00faltimos 60 anos da arquitetura no Brasil. Voc\u00ea acompanhou os \u00faltimos 60 anos dessa hist\u00f3ria tanto como arquiteto como professor de arquitetura.<br \/><br \/><br \/><strong>Zanettini -<\/strong> O que aconteceu de diferente na \u00e1rea de trabalho \u00e9 que tamb\u00e9m lecionei 40 anos na FAU, de 1664 a 2004. &nbsp;Fiz toda a carreira docente, de rec\u00e9m-formado a professor titular, na FAU. Passei pelo doutorado em 1972, livre-doc\u00eancia em 2000 e professor titular em 2004. Enfim, fui galgando todas as etapas e cargos, de diretor de departamento a membro da congrega\u00e7\u00e3o. Ao lado desse trabalho acad\u00eamico, sempre fiz projetos, desde que me formei e at\u00e9 mesmo antes de me formar.&nbsp;<br \/><br \/>Quando cursava o 3\u00ba ano, j\u00e1 estava fazendo projetos e obras. Havia uma peculiaridade nessa \u00e9poca na FAU: a maioria dos professores era da Poli e a forma\u00e7\u00e3o de engenharia era muito boa, era um curso de dupla forma\u00e7\u00e3o; o que ocorre nas escolas de arquitetura hoje. O curso de dupla forma\u00e7\u00e3o apenas foi institu\u00eddo na FAU em 2004, e eu fui o coordenador. O aluno de arquitetura faz uma parte do curso na Poli e o de engenharia na FAU. Essa forma\u00e7\u00e3o ampliou meu conhecimento e introduziu na minha carreira alguns aspectos muito importantes. Primeiro, pela postura que marcou a minha atua\u00e7\u00e3o com inova\u00e7\u00f5es que, hoje, foram incorporadas e cuja constru\u00e7\u00e3o de boa parte delas foi eu que lancei. Alguns exemplos: fiz a primeira obra com vidro temperado e a primeira com ep\u00f3xi; fiz pain\u00e9is a partir de fachadas inutilizadas; introduzi cores em hospitais, algo que comecei em 61 porque me preocupava a aus\u00eancia de cores em hospitais. O Karman teve 58 anos de atividades em hospitais, eu 53. Desde o primeiro hospital, em 1961, fiz mais de 50, al\u00e9m de muitas outras obras. O meu escrit\u00f3rio \u00e9 chamado para obras de alta complexidade, como centros de pesquisa, de computa\u00e7\u00e3o e de outras tecnologias. &nbsp;Essa abordagem de integra\u00e7\u00e3o da arquitetura com a engenharia propiciou uma teoria sobre a arquitetura contempor\u00e2nea brasileira, que consta em meu livro e que integra a arquitetura com equil\u00edbrio e harmonia \u00e0 raz\u00e3o e sensibilidade, minha tese de livre-doc\u00eancia posteriormente lan\u00e7ada como livro: \"Siegbert Zanettini: Arquitetura, Raz\u00e3o e Sensibilidade\".<br \/><br \/>N\u00e3o deveriam existir obras sem essas duas \u00e1reas. E, no s\u00e9culo XXI, sem todas as \u00e1reas cient\u00edficas, humanas, biol\u00f3gicas, exatas, ambientais e econ\u00f4micas, que deveriam entrar em qualquer projeto. Pode haver maior intensidade de alguma \u00e1rea, mas de um modo geral todas elas est\u00e3o presentes quando voc\u00ea aborda a arquitetura com uma vis\u00e3o hol\u00edstica e sist\u00eamica. Nada para mim funciona de modo independente. A abordagem \u00e9 sempre global, nunca \u00e9 espec\u00edfica, vejo as partes sempre dentro do todo. Um projeto como o Centro de Pesquisas da Petrobras, por exemplo. \u00c9 o maior centro de pesquisa do Brasil e um dos maiores do mundo com milhares de cientistas e 270 laborat\u00f3rios diferenciados. D\u00e1 para imaginar a complexidade de um projeto desses, que foi premiado aqui e no exterior. Em um projeto como este, precisamos ter, desde as concep\u00e7\u00f5es iniciais, uma vis\u00e3o muito integrada de todas as ci\u00eancias, para n\u00e3o incorrermos em omiss\u00f5es marcantes que normalmente ocorrem em engenharia e arquitetura. O engenheiro faz engenharia e o arquiteto faz arquitetura isoladamente e n\u00e3o sistemicamente. Falta para o engenheiro a abordagem human\u00edstica, urban\u00edstica, paisag\u00edstica e ambiental e, para o arquiteto, maior conhecimento tecnol\u00f3gico, que nele \u00e9 prec\u00e1rio. Eu lutei a vida toda na universidade para tentar integrar esses dois cursos, porque n\u00e3o os via de forma independente. E n\u00e3o s\u00f3 eles, cursos como, por exemplo, o de geografia. &nbsp;As melhores teses de urbanismo s\u00e3o dos ge\u00f3grafos. A cidade metab\u00f3lica de Aziz Ab'Saber ou a abordagem de Richard Langenbeck, este com a melhor tese sobre a estrutura\u00e7\u00e3o da Grande S\u00e3o Paulo, foram, entre muitos outros, importantes &nbsp;na minha forma\u00e7\u00e3o. &nbsp;Conhecer essas outras \u00e1reas do conhecimento \u00e9 fundamental para abordar as quest\u00f5es de maneira cient\u00edfica, sem meias verdades. Hoje a arquitetura n\u00e3o tem mais achismo, n\u00e3o existe mais a solu\u00e7\u00e3o por tentativa e erro em sua forma usual de que se n\u00e3o der certo a gente vai ver adiante. Em 50 anos de atividades, nunca executei uma obra sem projeto completo de arquitetura.&nbsp;<br \/><br \/>J\u00e1 na d\u00e9cada de 60, a arquitetura moderna brasileira come\u00e7ou a declinar e, de causa que era, virou um estilo. &nbsp;A arquitetura c\u00fabica de concreto aparente ainda est\u00e1 presente em muitos projetos, mas n\u00e3o \u00e9 mais solu\u00e7\u00e3o para este s\u00e9culo complexo e de grande diversidade. Examinarmos de uma maneira hol\u00edstica e sist\u00eamica a abordagem sobre o que est\u00e1 se fazendo exige uma nova postura cuja parte do todo explica o todo. Na arquitetura \u00e9 a mesma coisa. Quando come\u00e7o um projeto, re\u00fano todas as especialidades para definirmos junto os conceitos antes de come\u00e7ar a desenvolv\u00ea-lo.<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:141864985414186498541868804162.jpg\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\">Siegbert Zanettini e Jarbas Karman, 2003, foto Acervo IPH.<\/p>\r\n<br \/>O que me identificava muito com o Jarbas \u00e9 essa vis\u00e3o abrangente e sobre a qual convers\u00e1vamos muito. Todas as palestras que ele dava, eu comparecia e ele tamb\u00e9m assistia \u00e0s minhas e troc\u00e1vamos &nbsp;ideias sobre a abordagem, n\u00e3o s\u00f3 como arquiteto e engenheiro, mas de uma forma mais ampla. Em 2003, eu tive uma sala especial na Feira Hospitalar - ADH S\u00e3o Camilo. Ele compareceu e trocamos ideias sobre as experi\u00eancias expostas. Isso nos aproximava, porque a nossa forma de pensar era pr\u00f3xima. A postura de projetar um hospital para 50 anos, que \u00e9 o per\u00edodo durante o qual o mesmo deve estar funcionando sem problemas, era comum. Assim como era comum ter a vis\u00e3o preventiva ambiental, econ\u00f4mica e social que hoje se coloca como sustentabilidade. O projeto da Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha apresentava todas as condicionantes de uma proposta mais nova. Como n\u00e3o projetava s\u00f3 na \u00e1rea de hospitais, mas tamb\u00e9m em todas as outras \u00e1reas, levei delas muitas solu\u00e7\u00f5es para a \u00e1rea hospitalar. Inclusive a preocupa\u00e7\u00e3o que hoje se define como sustentabilidade e que, na d\u00e9cada de 70, eu chamava de arquitetura ecoeficiente e bioclim\u00e1tica. Por essa postura, e em decorr\u00eancia de todas as minhas atividades como professor e profissional, ganhei um pr\u00eamio internacional no ano retrasado, o pr\u00eamio internacional de empreendedorismo n\u00famero 1: o Pr\u00eamio Internacional David Gottfried Global Green Building Entrepreneurship Award - \"World Green Building Council 2012\".<br \/><br \/>O s\u00e9culo XXI, s\u00e9culo da raz\u00e3o e da sensibilidade, do intelecto e da cria\u00e7\u00e3o, deve ter uma abordagem diferente da do s\u00e9culo XX, que foi o s\u00e9culo da produ\u00e7\u00e3o. Neste s\u00e9culo, o comportamento cient\u00edfico \u00e9 fundamental. Isso que nos outros pa\u00edses j\u00e1 se faz normalmente n\u00e3o ocorre com a nossa arquitetura que, de um modo geral, est\u00e1 50 anos atrasada. Vou citar alguns exemplos: (i) A minha sede era o primeiro edif\u00edcio totalmente montado em 87. H\u00e1 tr\u00eas anos, quando decidimos mudar a sua localiza\u00e7\u00e3o, ele foi desmontado para ser remontado em 15 dias. Entretanto, n\u00e3o foi poss\u00edvel edific\u00e1-lo novamente em decorr\u00eancia das novas exig\u00eancias de recuo da Prefeitura. (ii) Estamos terminando o maior hospital de Belo Horizonte, o Mater Dei, todo ele montado em 2 anos. \u00c9 de estrutura met\u00e1lica, e o canteiro \u00e9 apenas o local de montagem. (iii) A amplia\u00e7\u00e3o do Centro de Pesquisas da Petrobras que \u00e9 uma obra de concep\u00e7\u00e3o industrializada total, com todo o controle de qualidade feito industrialmente. Existe um filme feito pela Petrobras sobre o Cenpes que mostra os cuidados cient\u00edficos e ambientais utilizados nesse projeto e parcialmente mostrados por meio do balan\u00e7o h\u00eddrico e energ\u00e9tico adotado.<br \/><br \/><strong>Revista IPH&nbsp;-<\/strong> A arquitetura que o Sr. faz em que a obra \u00e9 uma sequ\u00eancia de montagens, &nbsp;que vemos tamb\u00e9m no trabalho do Jarbas e ainda no trabalho do Lel\u00e9. Percebemos que h\u00e1 diferen\u00e7as, o Jarbas tinha uma defesa do hospital horizontal que nem sempre ele conseguiu concretizar. Hoje h\u00e1 a discuss\u00e3o do hospital vertical ou horizontal, do hospital modular e n\u00e3o modular.<br \/><br \/><strong>Zanettini -<\/strong> Eu n\u00e3o teria uma forma pr\u00e9-determinada, porque cada projeto \u00e9 uma hist\u00f3ria pr\u00f3pria que n\u00e3o se identifica em outro projeto. N\u00e3o concordo quando falam em adotar um projeto padr\u00e3o; constru\u00eddo para um lugar e reproduzi-lo em outro. Porque tudo \u00e9 diferente: relevo, clima, orienta\u00e7\u00e3o solar, programa e necessidades. Como e poss\u00edvel repeti-lo? S\u00e3o peculiaridades de cada projeto que necessitam solu\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias.&nbsp;<br \/><br \/>\u00c9 o caso do Hospital Mater Dei, na Avenida do contorno em Belo Horizonte. Uma obra de 70 mil metros quadrados, o maior hospital de Minas Gerais, com alta complexidade e extenso programa. S\u00f3 foi poss\u00edvel verticalizando, pois seria impratic\u00e1vel ocupar horizontalmente um hospital que serve \u00e0 Copa do Mundo com 850 vagas de autom\u00f3vel. &nbsp;Fizemos um estudo para a solu\u00e7\u00e3o do estacionamento em subsolo e precisar\u00edamos de 7 pavimentos, o que custaria na \u00e9poca 150 milh\u00f5es de reais, valor que se tornou &nbsp;invi\u00e1vel. Al\u00e9m disso, esse terreno tinha uma quest\u00e3o natural importante: um contorno todo de vegeta\u00e7\u00e3o magn\u00edfica, que mantivemos intacta. N\u00e3o cortamos uma \u00e1rvore e fizemos o projeto atendendo a todos os condicionantes locais, como o desn\u00edvel com cotas diferentes em todas as vias de contorno, possibilitando as entradas em n\u00edveis diversos: oncologia, pronto-socorro, entrada principal do hospital, acessos de servi\u00e7o e estacionamento. Outro projeto tamb\u00e9m desse porte \u00e9 o Hospital e Maternidade S\u00e3o Luiz Unidade An\u00e1lia Franco. Neste caso, alterou-se todo o local. &nbsp;O hospital organizou todo o contorno, que virou uma pra\u00e7a. Nessa vis\u00e3o hol\u00edstica e sist\u00eamica de arquitetura, define-se o conceito conjuntamente com o cliente, com a engenharia e com as disciplinas e sistemas que o constituem. A\u00ed v\u00e3o surgindo as necessidades. Para montar o Centro de Pesquisas da Petrobras, constitu\u00edmos uma equipe de 30 empresas diferentes para discutir o projeto. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 quest\u00e3o de forma, mas um grande conjunto de necessidades: tinha um pipe rack de instala\u00e7\u00f5es, uma avenida de 11 por 9 metros, com a condicionante de que cada laborat\u00f3rio tem um tipo espec\u00edfico de pesquisa. Um para produ\u00e7\u00e3o de energia com mamona, outro com hidrog\u00eanio, outro ainda com cana-de-a\u00e7\u00facar. S\u00e3o pesquisas de energia limpa e que precisavam ter laborat\u00f3rios customizados. S\u00e3o 270 laborat\u00f3rios diferentes, todos com sistemas que devem ser reorganizados conforme o tipo de pesquisa. Quando uma pesquisa termina, outra come\u00e7a, e s\u00f3 se alteram os layouts, pois os sistemas tem que servir a todos os laborat\u00f3rios. Essa avenida de tubos atende projetos das v\u00e1rias especialidades at\u00e9 de imagens em 3D. \u00c9 f\u00e1cil imaginar o que vai acontecer com um projeto desse tipo, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 forma, mas muda a cada fun\u00e7\u00e3o. Esse tipo de postura marcou muito a minha profiss\u00e3o com projetos de alta complexidade. N\u00e3o fa\u00e7o apartamentos, mas quando me perguntam quanto tempo demoro a conceber um, respondo: mais ou menos uns 3 minutos para definir os espa\u00e7os de su\u00edte, quarto, sala transform\u00e1vel em escrit\u00f3rio, sala de estar e \u00e1reas de servi\u00e7o e banheiros.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Revista IPH&nbsp;-<\/strong> Sobre esse complexo da Petrobras, o Jarbas falava muito do andar t\u00e9cnico, enquanto o Sr. fala do pipe rack dos laborat\u00f3rios. Seria esse espa\u00e7o o andar t\u00e9cnico que permite maior flexibilidade?<br \/><br \/><strong>Zanettini -<\/strong> Na d\u00e9cada de 80 come\u00e7amos a nos encontrar nos eventos de hospitais. Porque at\u00e9 ent\u00e3o era pouco comum a troca de experi\u00eancias, n\u00e3o havia di\u00e1logo, eles come\u00e7aram com as feiras. De modo geral, antes de ser executado, o projeto de um hospital precisa de v\u00e1rias reuni\u00f5es. Estamos fazendo a reforma do Hospital Universit\u00e1rio. Inicialmente, tivemos umas 100 reuni\u00f5es com os m\u00e9dicos, a dire\u00e7\u00e3o, o pessoal respons\u00e1vel e os m\u00e9dicos de cada setor, o que resultou na reforma completa do hospital. Eu tenho que saber como \u00e9 a forma de trabalho, quais s\u00e3o as necessidades que tem um hospital que serve tamb\u00e9m como lugar de ensino, que o aluno frequenta. Uma obra tem que funcionar bem durante 50 anos, a obra brasileira dura 3\/4 anos, porque faltam tecnologia e conhecimento cient\u00edfico. Resolver apenas como forma, n\u00e3o atende o resto que \u00e9 fundamental. Se essas quest\u00f5es s\u00e3o colocadas desde o in\u00edcio, o projeto ganha em qualidade; n\u00e3o apenas na \u00e1rea de arquitetura, mas tamb\u00e9m na de engenharia. &nbsp;Fizemos uma distribui\u00e7\u00e3o de lumin\u00e1rias no projeto da Petrobras. Em vez de instalar lumin\u00e1rias no meio de cada ambiente, n\u00f3s propusemos linhas paralelas \u00e0 luz natural das aberturas distribu\u00eddas. Desta forma, a luz come\u00e7a do lado escuro para o lado claro, o que mudou a maneira de focar toda a ilumina\u00e7\u00e3o artificial. Essa solu\u00e7\u00e3o combinada ao sistema fotovoltaico e de aquecimento propicia uma economia de 50 mil reais por m\u00eas em energia. &nbsp;Voc\u00ea imagina uma obra no Rio de Janeiro sem ar-condicionado? Aproveitamos a brisa marinha, possibilitada pela correta orienta\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios que se voltam para o norte e recebem os ventos leste e sudeste transversalmente. N\u00e3o existe coisa melhor do que a brisa marinha. E o Cenpes se situa ao lado do mar, o que torna os ambientes muito agrad\u00e1veis; aspecto otimizado pela prote\u00e7\u00e3o termoac\u00fastica de cobertura. Esses espa\u00e7os sob a cobertura foram ajardinados, o que \u00e9 um complemento importante para o meio ambiente. E com tudo isso junto o resultado foi excelente. Os usu\u00e1rios e visitantes consideram a solu\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica. E comentam: \"\u00c9 fant\u00e1stico que um complexo desse possa funcionar sem ar-condicionado no Rio de Janeiro sob 40 graus.\". Nessa nova moda de caixas de vidro escuro que se v\u00ea em S\u00e3o Paulo e outras cidades, temos um pr\u00e9dio que acaba com uma face boa, a sul, e tr\u00eas faces ruins, pois o vidro n\u00e3o tem massa para diminuir o calor e os raios solares v\u00eam diretamente. Se for preciso usar computador, p\u00f5e-se cortina, tornando necess\u00e1ria a luz artificial. E como as esquadrias n\u00e3o abrem, \u00e9 necess\u00e1rio usar ar-condicionado o dia inteiro. A carga de energia \u00e9 imensa. O que evidencia o equ\u00edvoco deste modelo internacional que serve para pa\u00edses como os Estados Unidos, pois a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 prevista para temperaturas de 15, 20, 30 graus abaixo de zero, motivo do fechamento em vidro. N\u00e3o sou contra o vidro, ele \u00e9 excelente quando se tem sombra ou quando \u00e9 usado com sombreamento por beirais ou varandas, solu\u00e7\u00f5es que s\u00e3o tradi\u00e7\u00e3o da arquitetura brasileira. Fiz todas as circula\u00e7\u00f5es no Cenpes com varandas, pois elas funcionam como um microclima entre o sol externo e o ambiente interno e reduzem gradativamente a temperatura, solu\u00e7\u00e3o antiga que resulta da nossa tradi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds tropical.&nbsp;<br \/><br \/><em>Coment\u00e1rios sobre o Hospital do Gale\u00e3o, sobre os nichos de vegeta\u00e7\u00e3o (microclimas) para amenizar a temperatura.&nbsp;<\/em><br \/><br \/><strong>Zanettini -<\/strong> \u00c9 o que eu coloco sempre. &nbsp;N\u00e3o existe nada melhor para se proteger do sol do que a sombra de uma \u00e1rvore, pois ela produz o microclima correto com o seu sombreamento. &nbsp;\u00c9 o mais completo brise que existe, pois passa luz filtrada que refresca os espa\u00e7os que sombreia.&nbsp;<br \/><br \/><strong>Revista IPH -<\/strong> Polemizando, sempre existe o discurso da quest\u00e3o econ\u00f4mica. Quando voc\u00ea tem reuni\u00f5es para fazer um hospital, o custo do projeto e o custo da constru\u00e7\u00e3o e da tecnologia, que \u00e9 maior do que o custo da obra. Grosso modo, j\u00e1 est\u00e1 come\u00e7ando a surgir, com um pouco mais de consist\u00eancia, o custo ambiental, pois s\u00e3o poucos os que colocam na ponta do l\u00e1pis quanto vai custar o ar-condicionado por m\u00eas pela sobrecarga de uso de energia, recursos naturais...<br \/><br \/><strong>Zanettini -<\/strong> Em 40 anos, a manuten\u00e7\u00e3o e a opera\u00e7\u00e3o custam 4 vezes o valor da constru\u00e7\u00e3o, aspecto important\u00edssimo num hospital que tem manuten\u00e7\u00e3o constante. Al\u00e9m das mudan\u00e7as causadas por novas necessidades e equipamentos, obrigando o uso de shafts visit\u00e1veis verticais e horizontais em que basta abrir uma porta para mexer nas instala\u00e7\u00f5es, em vez de quebrar paredes. Quando surgem projetos de hospitais antigos para fazer o retrofit \u00e9 necess\u00e1rio arrebentar paredes, porque est\u00e1 tudo embutido. Quando existem locais por onde passa toda a rede, basta abrir um arm\u00e1rio para encontrar toda a tubula\u00e7\u00e3o numerada e identificada com cor e etiqueta. Acabei de inaugurar um projeto na Rubem Berta, o Hospital Mori\u00e1h, o pessoal ficou encantado ao entrar na \u00e1rea de m\u00e1quinas.&nbsp;<br \/><br \/><strong>Revista IPH -<\/strong> Uma coisa pouco debatida foi forma e fun\u00e7\u00e3o no projeto de um hospital. Um hospital \u00e9 muito mais a fun\u00e7\u00e3o que deve traduzir um programa. Voc\u00ea comentou sobre a necessidade da urg\u00eancia do paciente, a UTI ao lado do raio-X &nbsp;etc. Como seria fazer um programa em cima dessa urg\u00eancia?<br \/><br \/><strong>Zanettini -<\/strong> Depende do tipo de hospital. N\u00e3o existe projeto padr\u00e3o, existem tecnologias que podem ser reutilizadas, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio inventar a roda todos os dias. Existem solu\u00e7\u00f5es j\u00e1 conquistadas que s\u00e3o boas e duradouras. N\u00e3o temos que inovar em tudo, mas sim quando \u00e9 conveniente que haja inova\u00e7\u00e3o e que traga economia de custos, energia e identifica\u00e7\u00e3o com o meio ambiente.<br \/>[...]<br \/><br \/><strong>Revista IPH&nbsp;-<\/strong> Como o senhor, com a sua experi\u00eancia de professor universit\u00e1rio e de arquiteto de obra, v\u00ea a quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do arquiteto? (N\u00e3o s\u00f3 na USP). O Sr. j\u00e1 comentou sobre a &nbsp;necessidade de integra\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias disciplinas. Quando entende que seria o momento de se trabalhar a arquitetura hospitalar ou outras tipologias de mesma complexidade? Seria na gradua\u00e7\u00e3o ou mais a frente?&nbsp;<br \/><br \/><strong>Zanettini -<\/strong> Acho muito complexo o projeto de um hospital para o n\u00edvel de gradua\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos, porque o aluno consegue ver apenas o que \u00e9 mais aparente, aquilo que \u00e9 mais inicial. Fiz parte de v\u00e1rias bancas julgadoras de final de curso de gradua\u00e7\u00e3o quando alguns alunos se propuseram a fazer um hospital. Geralmente, a dificuldade \u00e9 muito grande, porque o aluno n\u00e3o tem ideia da complexidade. &nbsp;Tem que haver um aprofundamento, n\u00e3o s\u00f3 na \u00e1rea de arquitetura, mas nas quest\u00f5es m\u00e9dicas e t\u00e9cnicas, inclusive em como atender \u00e0s necessidades da cont\u00ednua transforma\u00e7\u00e3o que \u00e9 o s\u00e9culo XXI. Mudam os equipamentos e tudo o que vai em volta, como o tratamento das superf\u00edcies, por exemplo, a prote\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica que o projeto deve considerar. \u00c9 t\u00e3o importante a concep\u00e7\u00e3o como o detalhe que deve atender a essa concep\u00e7\u00e3o. &nbsp;O projeto \u00e9 global e deve ser visto de uma maneira mais integrada para atendimento por um longo per\u00edodo. &nbsp;Outra quest\u00e3o importante \u00e9 o tempo de vida \u00fatil da obra, que deve ser de 40\/50 anos sem altera\u00e7\u00f5es representativas. H\u00e1 hospitais meus da d\u00e9cada de 60 quase sem altera\u00e7\u00f5es. Hoje se fala em considerar a obra sustent\u00e1vel, aspecto contido em todos os meus projetos. Somos um pa\u00eds pobre, n\u00e3o temos dinheiro para jogar fora ou para fazer est\u00e1dios como estamos fazendo. Fiz uma an\u00e1lise para uma firma no Rio de Janeiro sobre o est\u00e1dio de Manaus que \u00e9 uma loucura. Gastou-se mais de 1bilh\u00e3o de reais pra funcionar um m\u00eas e Manaus n\u00e3o tem futebol. &nbsp;O que \u00e9 que v\u00e3o fazer com aquele elefante branco? L\u00e1 j\u00e1 havia sido constru\u00eddo um projeto do Arquiteto Severiano Porto para 17 mil lugares. Suficiente para a regi\u00e3o e sem equ\u00edvoco de planejamento. O problema todo resulta dessa maldita corrup\u00e7\u00e3o que administra esse pa\u00eds, ela \u00e9 end\u00eamica, a \u00e1rea pol\u00edtica brasileira \u00e9 infernal. Ent\u00e3o o que acontece, vem uma entidade de fora que encontra um governo corrupto e determina que ocupemos o pa\u00eds todo porque isso interessa politicamente. &nbsp;Vamos fazer no Brasil todo, cuja extens\u00e3o \u00e9 continental. Quem vai assistir a jogos l\u00e1 em Manaus depois da Copa? (risos). \u00c9 um est\u00e1dio projetado no exterior e edificado com 40% de a\u00e7o a mais. N\u00f3s vamos ficar com mais alguns elefantes brancos quando precisamos investir em outras \u00e1reas profundamente necessitadas como, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Precisamos de mais m\u00e9dicos, importamos de Cuba (risos). O governo deveria investir aqui e aproveitar os alunos do 3\u00ba ou 4\u00ba ano da universidade que poderiam muito bem ir para o Norte e o Nordeste fazer um est\u00e1gio e atender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o naquilo que \u00e9 corriqueiro e de necessidade da grande maioria. Necessitando de especialidade, encaminha o paciente para um centro maior, que \u00e9 muito mais barato. Tudo no Brasil \u00e9 condicionado pela nossa p\u00e9ssima elite pol\u00edtica e econ\u00f4mica. Todos me perguntam por que n\u00e3o s\u00e3o programadas obras que s\u00e3o mais necess\u00e1rias na constru\u00e7\u00e3o brasileira. A raz\u00e3o \u00e9 porque se perpetua a postura de exercitar verdadeiros pombais de p\u00e9ssimas solu\u00e7\u00f5es urban\u00edsticas, arquitet\u00f4nicas e de constru\u00e7\u00e3o, como o \"Minha Casa Minha Vida\". Porque na realidade \u00e9 isso que d\u00e1 voto.<br \/><br \/><strong>Revista IPH&nbsp;-<\/strong> Mas eu acho que tamb\u00e9m \u00e9 um pouco falta de vis\u00e3o dos governantes de n\u00e3o entender que, de repente, um bom hospital tamb\u00e9m d\u00e1 voto, uma casa melhor tamb\u00e9m vai dar mais votos do que uma casa prec\u00e1ria.<br \/><br \/><strong>Zanettini -<\/strong> Sim, mas quando eles entrevistam o pessoal mais simpl\u00f3rio da popula\u00e7\u00e3o e perguntam, \"O que voc\u00ea acha da sua casa?\", a resposta \u00e9, \"Excelente.\". Mas eles antes viviam embaixo de viaduto. Essa refer\u00eancia \u00e9 resultante da nossa pobreza econ\u00f4mica e cultural.<br \/><br \/><strong>Revista IPH -<\/strong> Na opini\u00e3o do Sr., qual seria o maior problema a ser enfrentado em termos de arquitetura hospitalar no Brasil hoje? Talvez em termos talvez de sa\u00fade p\u00fablica para ampliar um pouco.<br \/><br \/><strong>Zanettini -<\/strong> A quest\u00e3o central \u00e9 cultural. Vejo que s\u00f3 a sociedade civil organizada poder\u00e1 elaborar um Projeto de Pa\u00eds capaz de durar v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es com crescimento ordenado, desenvolvido e sustent\u00e1vel e n\u00e3o os costumeiros planos med\u00edocres de cada administra\u00e7\u00e3o feitos por aqueles que ocupam os cargos de plant\u00e3o. Um pa\u00eds n\u00e3o cresce assim. Agora com o PT que h\u00e1 12 anos adota a\u00e7\u00f5es populistas o tempo todo s\u00f3 para atender aqueles 40% dos votos de que eles precisam. Tudo \u00e9 feito para a obten\u00e7\u00e3o de votos, inclusive o Bolsa Fam\u00edlia, que nada mais \u00e9 do que uma &nbsp;esmola para manter a popula\u00e7\u00e3o mais &nbsp;modesta na ignor\u00e2ncia. Como \u00e9 poss\u00edvel um pa\u00eds se desenvolver quando a pol\u00edtica \u00e9 manter a educa\u00e7\u00e3o em baixo n\u00edvel e a sa\u00fade num n\u00edvel precar\u00edssimo para uma popula\u00e7\u00e3o que precisa de sa\u00fade? O pa\u00eds est\u00e1 de cabe\u00e7a para baixo. Como mudar um pa\u00eds se a estrutura que o comanda \u00e9 podre? N\u00e3o tem jeito. Enquanto o pa\u00eds n\u00e3o alcan\u00e7ar com as novas gera\u00e7\u00f5es - que n\u00e3o sei se \u00e9 para este s\u00e9culo - formadas com orienta\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o, por gente capaz, e orientadas para um futuro longo e estruturado, n\u00e3o vejo sa\u00edda. Continuar\u00e3o a destruir as nossas matas e a plantar soja no pa\u00eds inteiro, perpetuando o nosso r\u00f3tulo de pa\u00eds exportador de commodities; o que ocorre h\u00e1 500 anos. H\u00e1 500 anos nascemos assim, com a delapida\u00e7\u00e3o do pau-brasil, da cana de a\u00e7\u00facar, depois do ouro, do caf\u00e9 e, agora, do min\u00e9rio. A Vale do Rio Doce \u00e9 um desastre, pois deveria produzir perfis aqui e n\u00e3o exportar min\u00e9rio. Ela s\u00f3 esburaca o estado de Minas Gerais inteiro e ningu\u00e9m cuida, deixando aquelas enormes crateras abandonadas. &nbsp;O que precisa ser mudado \u00e9 a arquitetura? N\u00e3o, \u00e9 todo o contexto de pa\u00eds. Precisamos de um pa\u00eds que tenha uma linha correta em que prevale\u00e7a a intelig\u00eancia, congregando v\u00e1rias ci\u00eancias para desenvolver um pa\u00eds que tem tudo de bom. Nenhum pa\u00eds tem as condi\u00e7\u00f5es que n\u00f3s temos e n\u00f3s o estamos acabando. Destru\u00edmos as florestas, os nossos rios s\u00e3o esgotos e o ar \u00e9 polu\u00eddo. Estamos fazendo um esfor\u00e7o grande para acabarmos com tudo, quando deveria ser o contr\u00e1rio. N\u00f3s somos aben\u00e7oados por Deus, \u00e9 um pa\u00eds que tem tudo: \u00e1gua, sol, clima, mata, mas vamos detonando com tudo. As cidades s\u00e3o um amontoado de constru\u00e7\u00f5es sem nenhuma ordem, sem nenhum plano. N\u00e3o tem lugar para ficar, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7os p\u00fablicos nas nossas cidades.&nbsp;<br \/>[...]<br \/>Voc\u00ea vai a qualquer pa\u00eds do mundo e o rio \u00e9 a alma do lugar, aqui \u00e9 s\u00f3 esgoto e encoberto. O Brasil est\u00e1 virado de cabe\u00e7a para baixo e, para superar isso, vai levar muito tempo. Ent\u00e3o como se comportar? Eu procuro agir corretamente e ter postura \u00e9tica e profissional. Eu sempre funcionei assim, o Jarbas e o Lel\u00e9 tamb\u00e9m, e outros que poderia apontar. N\u00f3s estamos no mundo contempor\u00e2neo e continuam exercendo a arquitetura moderna que acabou em 70. Como Anatole Kopp escreveu h\u00e1 cinquenta anos, a arquitetura moderna deixou de ser uma causa para se transformar num estilo.<br \/>[...]<br \/>\u00c9 toda uma nova postura cultural que precisa ser constru\u00edda. Tem que haver um projeto de pa\u00eds, que n\u00e3o dependa dos governantes.&nbsp;<br \/><br \/><strong>Revista IPH&nbsp;-<\/strong> Acho que as quest\u00f5es principais foram colocadas, agradecemos pela disponibilidade, pelo seu tempo e pela franqueza em responder \u00e0s quest\u00f5es.","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8771","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8771","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8771"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}