{"id":8774,"date":"2024-11-24T11:19:52","date_gmt":"2024-11-24T14:19:52","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/uma-abordagem-salutogenica-em-relacao-ao-projeto-de-ambientes-medicos-no-setor-publico-2\/"},"modified":"2024-11-24T11:36:48","modified_gmt":"2024-11-24T14:36:48","slug":"uma-abordagem-salutogenica-em-relacao-ao-projeto-de-ambientes-medicos-no-setor-publico-2","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/uma-abordagem-salutogenica-em-relacao-ao-projeto-de-ambientes-medicos-no-setor-publico-2\/","title":{"rendered":"Uma Abordagem Salutog\u00eanica em Rela\u00e7\u00e3o ao Projeto de Ambientes M\u00e9dicos no Setor P\u00fablico"},"content":{"rendered":"<em>Enquanto a pr\u00e1tica cl\u00ednica foca no tratamento de doen\u00e7as, existe um grande n\u00famero de pesquisas que sugerem que a qualidade de tudo o que nos cerca cotidianamente \u00e9 muito importante para a manuten\u00e7\u00e3o do bem-estar.<\/em><br \/><br \/>H\u00e1 d\u00e9cadas, a arquitetura e o design t\u00eam sido influenciados pelas sociedades industriais e, consequentemente, pr\u00e9dios p\u00fablicos, tais como aeroportos e hospitais, s\u00e3o frequentemente projetados para funcionar e ter a apar\u00eancia de f\u00e1bricas. A pr\u00e1tica cl\u00ednica em hospitais foca principalmente no tratamento de doen\u00e7as, ao mesmo tempo em que costuma negligenciar as necessidades psicol\u00f3gicas, sociais e espirituais do paciente. As qualidades ambientais que poderiam ser consideradas como um suporte psicol\u00f3gico ainda n\u00e3o foram propriamente desenvolvidas. Um projeto de apoio psicossocial estimula e encoraja as pessoas, mental e socialmente, e mant\u00e9m o sentido de coer\u00eancia do indiv\u00edduo. A fun\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de projetos de apoio psicossocial \u00e9 iniciar um processo mental para atrair a aten\u00e7\u00e3o humana, o que pode reduzir a ansiedade e promover emo\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas positivas. Os processos ligados \u00e0 sa\u00fade poderiam ser fortalecidos e promovidos a partir da implementa\u00e7\u00e3o de um projeto Salutog\u00eanico, ou seja, que foque naquilo que nos mant\u00eam bem, em vez de naquilo que nos faz mal. O objetivo de um projeto de apoio psicossocial \u00e9 estimular a mente para trazer a sensa\u00e7\u00e3o de prazer, criatividade, satisfa\u00e7\u00e3o e alegria. H\u00e1 uma importante rela\u00e7\u00e3o entre o sentido de coer\u00eancia de um indiv\u00edduo e as caracter\u00edsticas do ambiente f\u00edsico. Nesta revis\u00e3o de literatura, n\u00f3s estudamos mais de 300 artigos, assim como outras literaturas que possuem conex\u00e3o relevante \u00e0s seguintes \u00e1reas: ambiente f\u00edsico, sa\u00fade e comportamento - para esclarecer a quest\u00e3o do projeto de apoio psicossocial.<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:141709223414170922346817909106.jpg\" \/><br \/><strong>Figura 1-<\/strong> Uma abordagem salutog\u00eanica em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente f\u00edsico inclui projetar atributos que deem suporte ao nosso bem-estar. (Projetado por Anshen + Allen)<br \/><br \/><strong>Teorias e Perspectivas sobre a Sa\u00fade<\/strong><br \/>De acordo com Ewles e Simnet (1994), sa\u00fade \u00e9 um conceito dif\u00edcil de definir, uma vez que \u00e9 uma experi\u00eancia subjetiva: ela \u00e9 afetada por normas e expectativas e \u00e9 tamb\u00e9m formada por experi\u00eancias anteriores. (ibid.). Existem algumas defini\u00e7\u00f5es diferentes de sa\u00fade. Por exemplo, Lawrence definiu sa\u00fade como uma condi\u00e7\u00e3o em que recursos s\u00e3o desenvolvidos na rela\u00e7\u00e3o entre humanos e o seu ambiente biol\u00f3gico, qu\u00edmico, f\u00edsico e social (Lawrence, R.J. 2002). A compreens\u00e3o de sa\u00fade pode ser dividida em duas perspectivas diferentes: a biom\u00e9dica e a hol\u00edstica. &nbsp;Do ponto de vista biom\u00e9dico, a sa\u00fade \u00e9 considerada uma condi\u00e7\u00e3o sem doen\u00e7as (Andersen, G\u00f6ransson e Petersson, 2004). No mundo ocidental, a perspectiva biom\u00e9dica vem prevalecendo e, portanto, \u00e9 a base sobre a qual se estabeleceu as \u00e1reas m\u00e9dicas e de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade (Nordenfelt, 1991).<br \/><br \/>O ponto de vista hol\u00edstico enfatiza as m\u00faltiplas dimens\u00f5es do conceito de sa\u00fade, incluindo as sociais, psicol\u00f3gicas, emocionais, espirituais e sociais (ibid.). Da perspectiva da pesquisa, o conceito de sa\u00fade pode ser dividido do ponto de partida patog\u00eanico e Salutog\u00eanico. &nbsp;A pesquisa de patog\u00eanese tem como foco explicar por que certos fatores etiol\u00f3gicos causam doen\u00e7as e como eles se desenvolvem no organismo fisiol\u00f3gico (Antonovsky, 1979). Normalmente, o objetivo prim\u00e1rio da pesquisa de patog\u00eanese \u00e9 encontrar tratamentos m\u00e9dicos (ibid.). A pesquisa Salutog\u00eanica \u00e9 fundamentada na identifica\u00e7\u00e3o de fatores de bem-estar que mant\u00eam e promovem a sa\u00fade, em vez de investigar fatores que causam a doen\u00e7a (Antonovsky, 1991). Juntas, a abordagem patog\u00eanica e a Salutog\u00eanica oferecem um conhecimento e uma compreens\u00e3o mais profunda sobre sa\u00fade e doen\u00e7a. (ibid.). Para ser capaz de responder \u00e0 quest\u00e3o da Salutog\u00eanese - O que possibilita e mant\u00e9m pessoas saud\u00e1veis? - Antonovsky (1991) desenvolveu o conceito de um sentido de coer\u00eancia (SOC - sense of coherence). Ele defende que uma pessoa com grande sentido de coer\u00eancia escolhe a estrat\u00e9gia de supera\u00e7\u00e3o mais apropriada em uma situa\u00e7\u00e3o de estresse. Por exemplo, uma pessoa pode optar entre combater, escapar ou n\u00e3o fazer nada dependendo do tipo de agressor a que est\u00e1 exposta (ibid.). Pesquisas mostram ser poss\u00edvel medir o sentido de coer\u00eancia de uma pessoa e, consequentemente, prever a situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dela (Suominen, Helenius, Blomberg, Uutela e Koskenvuo, 2001).<br \/><br \/>Um sentido de coer\u00eancia forte indica uma boa sa\u00fade e um sentido de coer\u00eancia baixo indica uma sa\u00fade ruim (ibid.). &nbsp;Em seu estudo, Heiman (2004) mostrou que alunos com um sentido alto de coer\u00eancia n\u00e3o eram submetidos a altos n\u00edveis de estresse. A pesquisa tamb\u00e9m mostrou que estrat\u00e9gias de supera\u00e7\u00e3o demonstraram uma correla\u00e7\u00e3o significativa com o sentido de coer\u00eancia do indiv\u00edduo (ibid.). O conceito de sentido de coer\u00eancia tem tr\u00eas componentes vitais: (1) ser compreens\u00edvel, (2) ser administr\u00e1vel e (3) ser significativo (Antonovsky, 1991). Uma pessoa com um sentido de coer\u00eancia forte tem pontua\u00e7\u00e3o alta em todos os tr\u00eas componentes. De acordo com Antonovsky (1991), \"ser compreens\u00edvel\" implica que o indiv\u00edduo percebe o ambiente ao seu redor e que o que est\u00e1 acontecendo no mundo como sendo coerente. Se algum evento inesperado acontece, como um acidente ou um fracasso pessoal, a pessoa que compreende o motivo desses acontecimentos tem um sentido de compreens\u00e3o mais alto do que aqueles que n\u00e3o conseguem. Uma pessoa com baixo sentido de coer\u00eancia tem a percep\u00e7\u00e3o de ter falta de sorte.<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:141709223414170922348558669230.jpg\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 2-<\/strong> Fatores de bem-estar no ambiente, como a luz do dia e a natureza, ficam evidentes no abrigo de radiologia no Thunder Bay Regional Health Sciences Centre no Canad\u00e1, projetado por Farrow Partnership Architects<\/p>\r\n<br \/><strong>O Impacto de um Ambiente Constru\u00eddo sobre a Sa\u00fade e o Bem-Estar<\/strong><br \/>Existe uma intera\u00e7\u00e3o entre a sa\u00fade humana e o ambiente constru\u00eddo. De acordo com Dilani (2006), o ambiente f\u00edsico n\u00e3o \u00e9 apenas vital para uma boa sa\u00fade como tamb\u00e9m pode ser um agressor cr\u00edtico para o indiv\u00edduo. Os elementos f\u00edsicos de uma organiza\u00e7\u00e3o podem contribuir para o estresse e s\u00e3o, portanto, fatores essenciais para melhorar o conforto (Dilani, 2001). &nbsp;Apesar disso, a maioria dos ocidentais passa a maior parte do tempo em ambientes fechados; falta conhecimento sobre como esses ambientes afetam a sa\u00fade e o bem-estar de uma pessoa. &nbsp;Existe uma cren\u00e7a geral de que os seres humanos est\u00e3o constantemente se adaptando ao ambiente (ibid.). Frequentemente chamada de Teoria da Adapta\u00e7\u00e3o, essa cren\u00e7a indica que quanto mais uma pessoa mora ou trabalha em um determinado local menos consciente ela ser\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele ambiente (Carnvale, 1992). O senso comum dita que \u00e9 sinal de fraqueza se deixar afetar pelo mundo f\u00edsico \u00e0 nossa volta.<br \/><br \/>Para criar ambientes f\u00edsicos acolhedores, \u00e9 crucial entender as necessidades fundamentais do indiv\u00edduo (Heerwagen et al., 1995); al\u00e9m de ter profissionais de distintas disciplinas dispostos a colaborar no desenvolvimento das melhores condi\u00e7\u00f5es para seres humanos (Heerwagen et al. 1995; Lawrence, 2002). &nbsp;Antes de um zool\u00f3gico ser constru\u00eddo, \u00e9 comum que arquitetos, designers, bi\u00f3logos, paisagistas, psic\u00f3logos de animais e especialistas em constru\u00e7\u00e3o civil colaborem na cria\u00e7\u00e3o de um ambiente que otimize as condi\u00e7\u00f5es de moradia para os animais (Heerwagen et al., 1995). Fatores como, materiais, vegeta\u00e7\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o; os animais precisam de espa\u00e7o suficiente para comer, dormir e para decidir quando socializar ou ficar sozinho; e at\u00e9 mesmo a necessidade deles de controle e escolha \u00e9 considerada. O objetivo \u00e9 criar um ambiente que ofere\u00e7a respaldo ao bem-estar f\u00edsico, psicossocial e social dos animais. Ironicamente, os seres humanos n\u00e3o parecem fazer as mesmas exig\u00eancias quando um ambiente de trabalho est\u00e1 sendo projetado.&nbsp;<br \/><br \/>Heerwagen et al. (1995) criou um sistema com diretrizes para um projeto Salutog\u00eanico que destaca os seguintes fatores: &nbsp;(1) &nbsp;Coes\u00e3o social, pontos de encontro tanto formais quanto informais; &nbsp;(2) Controle pessoal de ilumina\u00e7\u00e3o, luz do dia, som, temperatura e acesso a quartos privativos; (3) Recupera\u00e7\u00e3o e relaxamento com quartos silenciosos, ilumina\u00e7\u00e3o suave, acesso \u00e0 natureza e uma bela vista. Stokols (1992) tamb\u00e9m contribuiu com sugest\u00f5es de projetos para ambientes promotores da sa\u00fade que partem de tr\u00eas dimens\u00f5es da sa\u00fade diferentes: f\u00edsica, mental e social. A sa\u00fade f\u00edsica pode ser promovida por meio de um projeto ergon\u00f4mico em ambientes n\u00e3o t\u00f3xicos. A sa\u00fade mental pode ser promovida por meio do controle pessoal e da possibilidade de adiantar situa\u00e7\u00f5es, assim como por elementos est\u00e9ticos, simb\u00f3licos e espirituais. A sa\u00fade social pode ser promovida por meio de acesso a uma rede de apoio social e da participa\u00e7\u00e3o no processo de projetar. Entretanto, nas pesquisas na \u00e1rea da sa\u00fade, n\u00e3o \u00e9 novidade entender o ambiente f\u00edsico como um fator promotor da sa\u00fade. J\u00e1 no s\u00e9culo 19, Florence Nightingale desenvolveu uma teoria sobre cuidados com a sa\u00fade na qual enfatizava que os elementos f\u00edsicos s\u00e3o vitais para a sa\u00fade do indiv\u00edduo (SHSTF, 1989). Barulho, ilumina\u00e7\u00e3o e a luz do dia, por exemplo, foram considerados fatores influ\u00eancia vitais sobre o humor de uma pessoa (ibid.).<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:141709224114170922416852747591.jpg\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 3-<\/strong> Modelo Te\u00f3rico para Doen\u00e7as Psicossociais Influenciadas pelo Ambiente, por L. Levi, 1972<\/p>\r\nDurante o s\u00e9culo 20, diferentes pesquisadores desenvolveram modelos de estresse que ilustram como o ambiente f\u00edsico pode afetar a sa\u00fade e o bem-estar do ser humano (Levi, 1972; Kagan e Levi, 1975; Dilani, 2001; Dilani 2006b). Levi (1972) fundou a teoria do estresse, a qual foi posteriormente desenvolvida por Kagan e Levi (1975). O modelo descreve como o ambiente f\u00edsico \u00e9 a funda\u00e7\u00e3o sobre a qual a organiza\u00e7\u00e3o, a estrutura e o objetivo da sociedade s\u00e3o constru\u00eddos e, no longo prazo, \u00e9 cr\u00edtico para a promo\u00e7\u00e3o tanto da sa\u00fade quanto da doen\u00e7a (Dilani, 2001). O modelo est\u00e1 constru\u00eddo sobre um sistema que nos leva a um entendimento mais profundo sobre o ambiente f\u00edsico e os diferentes componentes humanos (Kalimo, 2005). Ele descreve que o ambiente f\u00edsico \u00e9 a base para criar a organiza\u00e7\u00e3o social, a estrutura e as fun\u00e7\u00f5es na sociedade. De acordo com Dilani (2001), o modelo (veja Figura 3 acima) descreve como o ambiente f\u00edsico \u00e9 a funda\u00e7\u00e3o sobre a qual a organiza\u00e7\u00e3o, a estrutura e a fun\u00e7\u00e3o da sociedade s\u00e3o constru\u00eddas e, no longo prazo, promove tanto a sa\u00fade quanto a doen\u00e7a. O modelo \u00e9 usado no campo da arquitetura para integrar elementos do design com sa\u00fade e bem-estar.<br \/><br \/>O modelo \u00e9 usado no campo da arquitetura para integrar elementos do design com sa\u00fade e bem-estar. (ibid.). De acordo com Kalimo (2005) a teoria desenvolveu uma compreens\u00e3o mais profunda sobre o efeito do ambiente f\u00edsico nos seres humanos. Emdad (2005) desenvolveu um modelo chamado Instabilidade das Pir\u00e2mides do Estresse (Instability of Pyramids of Stress) em que a arquitetura e a arte s\u00e3o vari\u00e1veis mensur\u00e1veis. Emdad apresenta um novo sistema que leva em considera\u00e7\u00e3o a neuroergonomia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade no ambiente de trabalho. Por exemplo, existe um risco de o colaborador desenvolver sintomas relacionados ao estresse e doen\u00e7as se sofrer grandes demandas do ambiente ao seu redor e n\u00e3o for recompensado. Al\u00e9m disso, o colaborador vai sofrer estresse se a sua recompensa n\u00e3o for suficiente ou for inadequada. &nbsp;O colaborador tamb\u00e9m pode sofrer estresse se n\u00e3o tiver estrat\u00e9gias de esfor\u00e7o adequadas voltadas para fatores psicossociais, relacionados \u00e0 sua casa e \u00e0 sua fam\u00edlia ou \u00e0 neuroergonomia. O modelo integra todos esses fatores e foca em sa\u00fade, exaust\u00e3o, doen\u00e7a cardiovascular e mem\u00f3ria recente (ibid.).<br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:141709227514170922756515461987.jpg\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 4-<\/strong> Pesquisas sugerem que salas de cirurgia amplas e vastas, como esta do Broadgreen Hospital, Liverpool, projetada por Nightingale Associates, elevam o desempenho cir\u00fargico por meio do apoio social e profissional \u00e0 equipe.<\/p>\r\n<br \/><strong>Apoio Social e Superexposi\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00e3o ao Ambiente F\u00edsico<\/strong><br \/>O apoio social \u00e9 um fator importante quando o objetivo \u00e9 promover a sa\u00fade e o bem-estar do indiv\u00edduo (Costa, Clarke, Dobkin, Senecal, Fortin, Danoff e Esdaile, 1999; Saito, Sagawa, Kanagawa, 2005; Jacoby e Kozie-Peak, 1997; Oginska-Bulik, 2005). O conhecimento e a consci\u00eancia sobre o apoio social e a sua rela\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade cresceram nos anos 50 (Fleming, Baum e Singer, 1985). Ao mesmo tempo, pesquisadores estabeleceram que, quando o objetivo \u00e9 promover a sa\u00fade e o bem-estar, \u00e9 importante levar em considera\u00e7\u00e3o o ambiente f\u00edsico e a sua influ\u00eancia sobre as emo\u00e7\u00f5es, os comportamentos e as motiva\u00e7\u00f5es das pessoas (ibid.). \u00c9, portanto, essencial identificar fatores no ambiente f\u00edsico e, por meio do design e da arquitetura, criar pontos de encontro que possam promover intera\u00e7\u00f5es sociais espont\u00e2neas e apoio social (Fleming et al. 1985, Conners, 1983).<br \/><br \/><strong>Superexposi\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>A superexposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 intimamente ligada ao apoio social e \u00e9 frequentemente definida como o n\u00famero de pessoas em certa \u00e1rea ou o quanto de espa\u00e7o cada indiv\u00edduo tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o em uma determinada \u00e1rea (Geas, 1994). Altman (1975) descreve a superexposi\u00e7\u00e3o como uma condi\u00e7\u00e3o em que a esfera privada de uma pessoa \u00e9 invadida, por exemplo, quando uma pessoa ou um grupo \u00e9 exposto a mais intera\u00e7\u00e3o social do que seria desej\u00e1vel. Se h\u00e1 excesso de contato indesejado, um indiv\u00edduo pode ter a sensa\u00e7\u00e3o de superexposi\u00e7\u00e3o. Por outro lado, se um indiv\u00edduo experimenta escassez de contato, h\u00e1 o risco de ele se sentir solit\u00e1rio e isolado (ibid.). Esse equil\u00edbrio entre intera\u00e7\u00e3o social e solid\u00e3o desejada pode ser regulado e alcan\u00e7ado se \u00e9 dada \u00e0 pessoa a capacidade de controlar os seus pr\u00f3prios n\u00edveis de intera\u00e7\u00e3o social (Maxwell, 2006).<br \/><br \/>A superexposi\u00e7\u00e3o pode ser reduzida pela cria\u00e7\u00e3o de edifica\u00e7\u00f5es e espa\u00e7os em que o indiv\u00edduo pode controlar e decidir se gostaria de ficar em privacidade ou participar de intera\u00e7\u00f5es sociais (Altman, 1975). Por exemplo, pesquisas mostram que determinado tamanho e desenho de resid\u00eancias estudantis pode aumentar o n\u00famero de atividades sociais e promover a intera\u00e7\u00e3o social, criar uma sensa\u00e7\u00e3o maior de controle e reduzir a sensa\u00e7\u00e3o de superexposi\u00e7\u00e3o (Baum &amp; Davis, 1980). Mesmo um p\u00e9-direito alto pode contribuir para a redu\u00e7\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o de superexposi\u00e7\u00e3o. Apesar de possuir a mesma \u00e1rea, as pessoas t\u00eam a sensa\u00e7\u00e3o de um quarto com p\u00e9-direito alto ser mais claro e espa\u00e7oso.<br \/><br \/>Portanto, se a arquitetura e o design podem criar espa\u00e7os que diminuam a superexposi\u00e7\u00e3o, eles podem reduzir a experi\u00eancia de estresse e promover a intera\u00e7\u00e3o social (Baum e Valins, 1977). A superexposi\u00e7\u00e3o pode tamb\u00e9m dificultar a intera\u00e7\u00e3o social e o apoio social (Geas, 1994), que est\u00e3o intimamente ligados \u00e0 sa\u00fade e ao bem-estar (Costa, Clarke, Dobkin, Senecal, Fortin, Danoff e Esdaile, 1999; Saito, Sagawa e Kanagawa, 2005; Jacoby e Kozie-Peak, 1997; Oginska-Bulik, 2005). Isso ilustra a import\u00e2ncia de identificar fatores no ambiente f\u00edsico que promovam intera\u00e7\u00f5es e apoios sociais espont\u00e2neos (Fleming et al., 1985).<br \/><br \/><strong>A Natureza e o seu Significado para a Sa\u00fade<\/strong><br \/>A maioria das pessoas tem algum tipo de rela\u00e7\u00e3o com a natureza e existem muitas pessoas que valorizam muito ambientes naturais diversos. H\u00e1 tamb\u00e9m muitas pessoas que querem dar um tempo da vida cotidiana durante os fins de semana e feriados para recuperar suas energias em locais recreativos, relaxantes e naturais. O que faz com que as pessoas se sintam em paz na natureza? O ambiente natural afeta as pessoas de diferentes maneiras? \u00c9 poss\u00edvel chegar a alguma conclus\u00e3o generalizada sobre a influ\u00eancia da natureza no ser humano?<br \/><br \/>Kaplan e Kaplan (1989) desenvolveram a Teoria da Aten\u00e7\u00e3o e da Recupera\u00e7\u00e3o (Attentional Restorative Theory (ART), que identifica dois sistemas de aten\u00e7\u00e3o e como eles est\u00e3o relacionados. Os pesquisadores optaram por denomin\u00e1-los aten\u00e7\u00e3o direta e indireta. A aten\u00e7\u00e3o indireta n\u00e3o exige qualquer energia ou esfor\u00e7o da pessoa e \u00e9 ativada quando alguma coisa excitante acontece de repente ou quando algu\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 focando em alguma coisa em particular. A dire\u00e7\u00e3o direta \u00e9 ativada assim que uma pessoa precisa se concentrar e focar em uma tarefa, bloqueando simultaneamente qualquer outro est\u00edmulo perturbador. Ap\u00f3s um per\u00edodo intenso de aten\u00e7\u00e3o direta, a pessoa precisa se recuperar, do contr\u00e1rio, ela entrar\u00e1 facilmente em um estado de exaust\u00e3o mental. Pessoas em constante estado de aten\u00e7\u00e3o direta, sem descanso, irritam-se e tornam-se impacientes facilmente; e tem sido mostrado que pessoas mentalmente exauridas costumas cometer os chamados \"erros humanos\" (ibid). Uma pessoa incapaz de se concentrar normalmente se torna descuidada, menos colaborativa e menos competente (Kaplan e Kaplan 1989; Kaplan 1995; Herzog, Maguire, e Nebel, 2003). Portanto, para ser eficiente no trabalho, \u00e9 vital ter um sistema de aten\u00e7\u00e3o em funcionamento perfeito e achar tempo para a recupera\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Em seus estudos, Kaplan e Kaplan (1989; 1995) conseguiram distinguir quatro necessidades concernentes a quando um indiv\u00edduo precisa recuperar-se e divertir-se. (1) Necessidade de afastar-se da vida cotidiana e suas rotinas, sons e multid\u00f5es etc. (2) Necessidade de ter um est\u00edmulo vital, o qual estimula o indiv\u00edduo sem esfor\u00e7o e diminui o risco de t\u00e9dio. (3) Necessidade de extens\u00e3o (espa\u00e7o para respirar) que ao mesmo tempo pode criar a sensa\u00e7\u00e3o de estar em um mundo completamente diferente. (4) Necessidade de compatibilidade enquanto desempenha suas fun\u00e7\u00f5es (ibid.).<br \/><br \/>O ambiente de recupera\u00e7\u00e3o deve ser convidativo e equilibrado com uma beleza est\u00e9tica que permita \u00e0s pessoas refletir (Herzog, et al. 2003). A natureza oferece diversas cores, formas e aromas que podem estimular as pessoas a esquecer sobre suas rotinas (Kaplan e Kaplan, 1989; Kaplan 1995; Herzog et al. 2003). Ambientes naturais normalmente oferecem uma atmosfera em que a necessidade de harmonia e de compatibilidade dos indiv\u00edduos \u00e9 respeitada. \u00c9, portanto, muito importante que ambientes naturais sejam acess\u00edveis nos locais de trabalho (ibid.). &nbsp;A Teoria da Aten\u00e7\u00e3o e da Recupera\u00e7\u00e3o vem sendo testada e confirmada por diversos pesquisadores (Herzog et al. &nbsp;2003; Tennessen e Cimprich, 1995). Um dos estudos (Herzog et al., 2003) mostrou que tr\u00eas dos quatro componentes - afastar-se do cotidiano; extens\u00e3o; e compatibilidade - s\u00e3o vistos como indicadores mensur\u00e1veis de como criar um ambiente de recupera\u00e7\u00e3o. Muitos estudos tamb\u00e9m confirmaram que os seres humanos acreditam que os ambientes naturais s\u00e3o mais capazes de promover a recupera\u00e7\u00e3o do que os ambientes urbanos (Van den Berg, Hartig e Staats, 2007). Por isso, quando os seres humanos se sentem cansados e exauridos mentalmente, a natureza \u00e9 o local apropriado para a recupera\u00e7\u00e3o. Outros estudos mostraram que observar a natureza atrav\u00e9s de uma janela oferece resultados positivos (Moore, 1981-1982; Ulrich, 1984; Leather, Beale e Lawrence, 1998; Frumkin, 2001).<br \/><br \/><strong>Luz do Dia, Luz do Sol, Janelas e o Efeito da Ilumina\u00e7\u00e3o sobre a Sa\u00fade<\/strong><br \/>H\u00e1 uma extensa pesquisa sobre os efeitos positivos da luz do dia sobre o bem-estar psicol\u00f3gico dos seres humanos (Evans, 2003). A falta de luz do dia pode levar tanto a dificuldades fisiol\u00f3gicas quanto psicol\u00f3gicas (Janssen e Laike, 2006). Outro pesquisador estudou uma institui\u00e7\u00e3o corretiva no Michigan e os resultados provaram que internos com celas e janelas voltadas ao p\u00e1tio da pris\u00e3o iam \u00e0 enfermaria com mais frequ\u00eancia do que aqueles com as janelas voltadas para a floresta e campos de planta\u00e7\u00e3o (Moore, 1981-1982). Ulrich e Lund\u00e9n (1984) mostraram que pacientes de hospitais internados em quartos com vista para a natureza tinham uma reabilita\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida do que aqueles com vista para a parede. A pesquisa tamb\u00e9m mostrou que a incid\u00eancia da luz do dia em salas de aula \u00e9 necess\u00e1ria para manter os n\u00edveis de horm\u00f4nios dos alunos balanceados (K\u00fcller e Lindsten, 1992).<br \/><br \/>As janelas tamb\u00e9m podem trazer resultados positivos para os pacientes (Verderber, 1986; Lawson, 2001). Por exemplo, a janela pode contribuir para uma melhora da sa\u00fade ao permitir a entrada de ar fresco e luz do dia, ao fornecer uma vista e uma conex\u00e3o com o mundo externo, desta forma satisfazendo a necessidade do paciente ou do prisioneiro de presenciar as varia\u00e7\u00f5es sazonais (Verderber, 1986; Lawson, 2001). Outro estudo mostrou que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz direta atrav\u00e9s da janela no ambiente de trabalho elevou o bem-estar dos trabalhadores e teve um impacto positivo sobre as suas atitudes e satisfa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho (Leather et al., 1998).<br \/><br \/>Quartos sem janela podem afetar a sa\u00fade e o bem-estar do ser humano de forma negativa (Janssen &amp; Laike, 2006; K\u00fcller e Lindsten, 1992; Verderber, 1986). Um dos estudos mostrou que oper\u00e1rios trabalhando em quartos sem janelas experimentaram mais tens\u00e3o e tinham uma atitude mais negativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas de trabalho do que trabalhadores com escrit\u00f3rios e janelas (Heerwagen e Orians, 1986). Pacientes internados em quartos sem janelas podem desenvolver escassez sensorial e rea\u00e7\u00f5es depressivas, al\u00e9m de percep\u00e7\u00e3o, cogni\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o exacerbadas (Verderber, 1986).<br \/><br \/>Uma vez que a luz do dia impacta positivamente a fisiologia humana, ela deve ser priorizada no lugar da luz do dia artificial, a qual alguns alegam ter o mesmo efeito. De acordo com algumas pesquisas, a luz do dia artificial pode afetar positivamente os n\u00edveis de cortisol de alunos e talvez contribuir para menos dias de aus\u00eancia por doen\u00e7a (K\u00fcller e Lindsten, 1992). Lack e Wright (1993) mostraram que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz durante alguns momentos em um per\u00edodo de 24 horas pode prolongar o sono e melhorar a sua qualidade. O consumo e os custos com energia podem diminuir se o indiv\u00edduo tiver a habilidade de controlar os n\u00edveis de ilumina\u00e7\u00e3o (ibid.), o que tamb\u00e9m ter\u00e1 um efeito positivo sobre os recursos naturais (Moore, Carter and Slater, 2004). Al\u00e9m disso, a satisfa\u00e7\u00e3o geral de um indiv\u00edduo era maior quando ele tinha a habilidade de controlar, sozinho, os n\u00edveis de ilumina\u00e7\u00e3o (ibid.). A conclus\u00e3o de K\u00fcller (2002) sugere que a ilumina\u00e7\u00e3o vai se tornar mais importante no futuro, especialmente pelo fato de ser cada vez mais comum pr\u00e9dios sem janelas que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 luz do dia.<br \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:141709227514170922752695850524.jpg\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 5-<\/strong> Cores e formas como pontos de refer\u00eancia para facilitar a orienta\u00e7\u00e3o. Projetado por BMJ Architects Glasgow - Esc\u00f3cia<\/p>\r\n<strong>Cores, Espa\u00e7o e Pontos de Refer\u00eancia para o Bem-estar<\/strong><br \/>As cores podem afetar a atividade cerebral e criar uma sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar e originalidade na arquitetura (Janssen, 2001). As cores podem tamb\u00e9m ter valor simb\u00f3lico e, desta forma, contribuir para a identidade e\/ou para o significado cultural do pr\u00e9dio. Planejadores urbanos deveriam ter grande interesse pelo uso das cores, principalmente pelo valor est\u00e9tico, mas tamb\u00e9m pelo valor simb\u00f3lico que podem refletir a filosofia da organiza\u00e7\u00e3o (ibid.). \u00c0s chamadas cores quentes (vermelho, amarelo e laranja) \u00e9 atribu\u00eddo o efeito de agita\u00e7\u00e3o; e \u00e0s chamadas cores frias (azul, roxo e verde), o efeito de relaxamento (K\u00fcller, 1995). K\u00fcller (1995) refere-se ao conhecido estudo sobre cores de 1958 no qual pesquisadores conduziram testes psicol\u00f3gicos diferentes para investigar a atividade cerebral durante a exposi\u00e7\u00e3o a diferentes cores. Ap\u00f3s exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 cor vermelha, a atividade cerebral dos pacientes aumentou mais do que quando eles foram expostos \u00e0 cor azul. Os resultados mostraram diferen\u00e7as na press\u00e3o sangu\u00ednea, na respira\u00e7\u00e3o e na frequ\u00eancia ao piscar (ibid.). Outro estudo mostrou que a recupera\u00e7\u00e3o era mais completa quando os participantes foram expostos ao azul claro, confirmando que as cores de fato afetam a atividade cerebral (Ali, 1972).<br \/><br \/>Goldstein (1942) chama a aten\u00e7\u00e3o para um importante ponto de vista que afirma que as experi\u00eancias pr\u00e9vias do indiv\u00edduo podem afetar as suas emo\u00e7\u00f5es, a\u00e7\u00f5es e comportamentos, dependendo a qual cor ele for exposto. Existem fatores geogr\u00e1ficos, culturais e hist\u00f3ricos que podem afetar a escolha de cor de uma pessoa; al\u00e9m disso, algumas cores possuem um significado religioso (ibid). Berlyne (1971) e Janssen (2001) destacam que as cores devem ser apropriadas ao contexto do ambiente e que \u00e9 importante ativ\u00e1-las de forma equilibrada e combinada com o ambiente.<br \/><br \/>O espa\u00e7o \u00e9 tanto aquilo que separa as pessoas umas das outras como aquilo que as une (Lawson, 2001). \u00c9 a arquitetura com os seus pr\u00e9dios, salas, superf\u00edcies e facilidades que criam os pr\u00e9-requisitos para que os indiv\u00edduos cooperem, trabalhem em privacidade, desenvolvam relacionamentos e alcancem as suas necessidades sociais, psicol\u00f3gicas e fisiol\u00f3gicas gerais (ibid.). De acordo com Vischer (2005), a imagem e a identidade da organiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o identificadas e expressas por meio das facilidades arquitet\u00f4nicas. Vischer (2005) tamb\u00e9m defende que a identidade laboral e a fun\u00e7\u00e3o do colaborador est\u00e3o associadas ao ambiente de trabalho e, portanto, o projeto arquitet\u00f4nico forma, em parte, a identidade do colaborador. Al\u00e9m disso, o projeto do ambiente f\u00edsico de trabalho tem um efeito profundo sobre o desempenho do colaborador e, no longo prazo, afeta a produtividade da organiza\u00e7\u00e3o. O conforto f\u00edsico, psicol\u00f3gico e funcional pode ter resultados positivos sobre o desempenho e a moral do colaborador (ibid.).<br \/><br \/>Outros fatores para o bem-estar s\u00e3o os pontos de refer\u00eancia das edifica\u00e7\u00f5es (Dilani, 2004; 2006b). Pontos de refer\u00eancia est\u00e3o intimamente relacionados \u00e0 percep\u00e7\u00e3o do estresse (Dilani, 2004), servindo como pontos de refer\u00eancia em pr\u00e9dios para facilitar a orienta\u00e7\u00e3o e ajudar a criar mapas cognitivos para o ambiente (Dilani, 2006b). Esses pontos de refer\u00eancia podem ser objetos como esculturas, pinturas, aqu\u00e1rios ou cores diferentes em salas diferentes.<br \/><br \/><strong>Barulho<\/strong><br \/>O barulho \u00e9 um dos problemas mais evidentes em institui\u00e7\u00f5es corretivas. N\u00edveis elevados de barulho podem perturbar o sono, aumentar o estresse e dificultar a comunica\u00e7\u00e3o (Janssen e Laike, 2006). Estudos t\u00eam mostrado que o barulho pode contribuir para a irrita\u00e7\u00e3o, a qual pode levar ao estresse e a doen\u00e7as relacionadas ao estresse (Dijk, Souman e De Vires, 1987). Pesquisas tamb\u00e9m mostram que o barulho pode levar a n\u00edveis elevados de cortisol (Brandenberger, Follenius, Wittersheim e Salame, 1980; Evans, Bullinger e Hygge, 1998). Outros pesquisadores provaram que o barulho pode aumentar a press\u00e3o sangu\u00ednea de uma pessoa (Lang, Fouriaud e Jacquinet-Salord, 1992; e Evans et al., 1998). Al\u00e9m disso, o barulho pode tamb\u00e9m influenciar de forma negativa o processo de cura (Fife e Rappaport, 1976) e contribuir para a exaust\u00e3o mental, o que por sua vez pode afetar a quantidade de medicamentos que um paciente toma (Persinger, Tiller e Koren, 1999; Yoshida, Osada, Kawaguchi, Hosuhiyama, Yoshida e Yamamoto, 1997). Algumas investiga\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m estabeleceram conex\u00f5es entre barulho, irrita\u00e7\u00e3o e falta de concentra\u00e7\u00e3o (Dijk et al., 1987). Finalmente, outros estudos indicam que a percep\u00e7\u00e3o da qualidade de vida diminui em um ambiente barulhento (Evans et al., 1998) e n\u00edveis elevados de barulho podem tamb\u00e9m inibir a intera\u00e7\u00e3o social (Mathewes &amp; Canon, 1975).<br \/><br \/>Leather, Beale e Sullivan (2003) mostram que o barulho pode estar significantemente relacionado \u00e0s demandas de trabalho, uma vez que a percep\u00e7\u00e3o que o trabalhador tem do estresse do trabalho enfraquece com n\u00edveis mais baixos de barulho. Os pesquisadores explicam que trabalhadores em um ambiente menos barulhento precisam de menos estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o para lidar com o ambiente f\u00edsico e, portanto, podem focar a energia e as estrat\u00e9gias em outros eventos estressantes. Desta forma, o ambiente auditivo f\u00edsico pode ser um fator vital para ajudar os indiv\u00edduos a lidar com outros agressores (ibid.). \u00c9 importante tamb\u00e9m perceber que a experi\u00eancia do som \u00e9 altamente individual (Staples, 1996). Kryter (1994) descreve tr\u00eas vari\u00e1veis que afetam a experi\u00eancia de som de um indiv\u00edduo: volume, previs\u00e3o, e possibilidades de controle.<br \/><br \/><strong>Sons que Promovem a Sa\u00fade<\/strong><br \/>H\u00e1 sons que podem promover a sa\u00fade e Lai, Chen, Chang, Hseih, Huang, Chang e Peng (2006) sustentam que a m\u00fasica \u00e9 um deles, uma vez que pode contribuir para a desacelera\u00e7\u00e3o do sistema nervoso simp\u00e1tico. A m\u00fasica tem efeitos psicol\u00f3gicos e pode unir as pessoas, expandir os seus sentidos e ajud\u00e1-las a lidar com dificuldades e traumas. A m\u00fasica pode levar tamb\u00e9m a frequ\u00eancias respirat\u00f3rias e card\u00edacas mais baixas e ao aumento da temperatura corp\u00f3rea (ibid.). Lee, Chung, Chan e Chan (2005) conclu\u00edram que a m\u00fasica pode ser um m\u00e9todo eficaz para reduzir efeitos fisiol\u00f3gicos negativos quando as pessoas est\u00e3o sofrendo de ansiedade e estresse. A m\u00fasica, seja sozinha ou associada a um tratamento terap\u00eautico, pode melhorar o processo de cura do paciente (Nilsson, 2003). Por exemplo, McCaffrey e Good (2000) mostraram que pacientes que escutaram m\u00fasica depois da cirurgia sentiram menos dor, ansiedade e medo do que aqueles que n\u00e3o escutaram. Os pacientes alegaram que em vez de sentirem-se frustrados pela dor e pelo medo, a m\u00fasica os ajudou a focar na cura (ibid.). Em sua pesquisa, Spychiger (2000) mostrou que mais aulas de m\u00fasica na escola possibilitaram mais respostas emocionais, sociais e cognitivas e que os alunos que receberam uma educa\u00e7\u00e3o musical mais extensa cooperaram mais e tiveram mais motiva\u00e7\u00e3o para aprender do que os alunos com menos aulas.<br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iph.org.br\/img\/revistas:141709227514170922754918158909.jpg\" \/><br \/>Figura 6-<\/strong> Pesquisas sugerem que o som da m\u00fasica pode diminuir o estresse e a ansiedade<\/p>\r\n<strong>M\u00fasica - Uma Atividade Promotora da Sa\u00fade<\/strong><br \/>Participar de atividades culturais traz efeitos positivos para a sa\u00fade humana (Koonlaan, 2001). O seu estudo mostrou que indiv\u00edduos que n\u00e3o participaram de atividades culturais tiveram um risco de mortalidade 57% maior do que aqueles que participaram. A pesquisa mostrou que aqueles que inicialmente n\u00e3o participaram em atividades culturais, mas mudaram o comportamento e tornaram-se consumidores ativos de cultura, no fim do estudo, estavam com a sa\u00fade quase t\u00e3o boa quanto a daqueles que participaram desde o princ\u00edpio. &nbsp;Neste estudo, Koonlaan (2001) provou a conex\u00e3o \u00edntima existente entre ser um consumidor cultural ativo e ser capaz de melhorar o pr\u00f3prio estado de sa\u00fade. Koonlaan tamb\u00e9m encontrou apoio para a sua hip\u00f3tese de que se a pessoa modifica o seu comportamento para participar de atividades culturais, a sua percep\u00e7\u00e3o de sa\u00fade torna-se mais positiva. Outro estudo mostrou que pessoas que se engajam em atividades culturais potencialmente vivem vidas mais longas (Bygren, Benson e Johannson, 1996). Theorell (2000) conclui que o consumo cultural \u00e9 muito importante do ponto de vista da sa\u00fade p\u00fablica.<br \/><br \/>A m\u00fasica pode ser uma atividade promotora da sa\u00fade em um ambiente predial. Silber (2005) estudou um projeto de coro em uma institui\u00e7\u00e3o corretiva israelense para mulheres em que os resultados indicaram que a participa\u00e7\u00e3o no coro teve efeitos positivos. Por exemplo, o coro transformou-se em uma nova plataforma social em que os participantes desenvolveram la\u00e7os sociais entre si. As internas aprenderam a se escutar, receber cr\u00edticas e expressar-se de uma forma diferente. A pesquisa de Silber (2005) enfatiza o valor dos coros em pris\u00f5es e explica que o coro pode ajudar os prisioneiros a melhorar as suas percep\u00e7\u00f5es e relacionamentos interpessoais, beneficiando inclusive pessoas autorit\u00e1rias (ibid.). Em um coro, os membros precisam seguir e confiar no maestro, o que pode ser um bom treino para os prisioneiros que normalmente t\u00eam problemas com figuras de autoridade. Em uma pris\u00e3o, podem surgir conflitos relacionados ao poder e ao controle entre prisioneiros e carcereiros, os \u00faltimos representando a autoridade. Com o condutor, os prisioneiros precisam cooperar e juntos lutar por um objetivo em comum que n\u00e3o implica poder nem controle (ibid.). Al\u00e9m disso, o coro gera uma inter-rela\u00e7\u00e3o din\u00e2mica entre os seus membros. Cada membro precisa controlar a pr\u00f3pria voz e, ao mesmo tempo, escutar e cooperar.<br \/><br \/>Para alcan\u00e7ar isso, os coristas treinam autocontrole, paci\u00eancia, intui\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a, o que pode fortalecer a autoestima dos prisioneiros e dar a eles uma percep\u00e7\u00e3o mais positiva deles mesmos. Pratt (1990) considera que a m\u00fasica pode criar uma nova realidade, a qual pode tornar poss\u00edvel para o prisioneiro encontrar-se em um contexto diferente. A m\u00fasica pode criar uma sensa\u00e7\u00e3o de liberdade que pode dar aos prisioneiros nova inspira\u00e7\u00e3o e for\u00e7a para mudar o comportamento deles. Pode ajudar o indiv\u00edduo a sobreviver, crescer e criar uma identidade pessoal e coletiva. Pratt tamb\u00e9m explica que o espa\u00e7o criado pela m\u00fasica faz com que as pessoas se lembrem da sua necessidade fundamental e psicol\u00f3gica de liberdade. A m\u00fasica pode fazer uma pessoa esquecer pensamentos e emo\u00e7\u00f5es preocupantes, permitindo que ela, por um momento, viva o presente (ibid.). A pesquisa sobre os efeitos positivos, sociais e terap\u00eauticos do coral no ambiente prisional \u00e9 limitada (Silber, 2005). Entretanto, h\u00e1 muitas raz\u00f5es pelas quais valem a pena investigar como um coro pode ser um bom m\u00e9todo para ajudar prisioneiros a mudar o comportamento criminal, como o fato de aumentar a autoestima do prisioneiro, a empatia, o autocontrole e de diminuir a agress\u00e3o e a necessidade de reconhecimento imediato (ibid.).<br \/><br \/><strong>Arte, Cura e Bem-estar<\/strong><br \/>De acordo com historiadores da arte, os seres humanos vivem, hoje, em mundo mais est\u00e9tico, onde a arte, a moda e o design oferecem incont\u00e1veis experi\u00eancias est\u00e9ticas (Leder, Belke, Oeberst e Augustin, 20004). Quando uma pessoa observa e aprecia cenas visuais diferentes, como uma obra de arte, processos cognitivos e emocionais complexos afloram (Keith, 2001). &nbsp;Para compreender o significado de uma pintura \u00e9 importante entender as suas distintas partes antes de entend\u00ea-la em sua completude. Durante a observa\u00e7\u00e3o de uma pintura e no processo de compreend\u00ea-la, uma pessoa pode, por exemplo, sentir alegria, participa\u00e7\u00e3o, desconforto ou interesse. Essas respostas emocionais e cognitivas s\u00e3o chamadas de experi\u00eancias est\u00e9ticas (ibid.) e normalmente levam o observador a uma experi\u00eancia positiva, satisfat\u00f3ria e recompensadora (Leder et al., 2004).<br \/><br \/>Segundo Kreitler e Kreitler (1972), a psicologia da arte \u00e9 uma disciplina emp\u00edrica e cient\u00edfica que foca no comportamento interno e externo de uma pessoa e em como eles est\u00e3o relacionados \u00e0 arte. H\u00e1 diversas teorias psicol\u00f3gicas que tentam explicar e descrever a experi\u00eancia que um indiv\u00edduo tem com a arte. Em resumo, Kreitler e Kreitler acreditam que modelos psicol\u00f3gicos concernentes \u00e0 percep\u00e7\u00e3o art\u00edstica deveriam estar fundamentados sobre o modelo comportamental homeost\u00e1tico, o qual sugere que h\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica espec\u00edfica na qual os seres humanos lutam para alcan\u00e7ar o equil\u00edbrio entre tens\u00e3o e relaxamento. Essa condi\u00e7\u00e3o de homeostase pode explicar algumas partes do relacionamento do indiv\u00edduo com a arte e como a experi\u00eancia art\u00edstica pode ajudar um indiv\u00edduo a recuperar o equil\u00edbrio homeost\u00e1tico. (ibid.).<br \/><br \/>A arteterapia (terapia com m\u00fasica, dan\u00e7a, pintura e teatro) tem um potencial \u00fanico de atingir pacientes com doen\u00e7as psicossom\u00e1ticas que, com m\u00e9todos terap\u00eauticos tradicionais, dificultariam a aproxima\u00e7\u00e3o (Theorell e Konarski, 1998). Argyle (2003), por exemplo, mostrou como um grupo de pessoas identificadas como estando na zona de perigo para doen\u00e7as mentais participou de projetos de arte diferentes e melhoraram o seu bem-estar social e mental. Os participantes atestaram que o projeto fortaleceu a autoestima deles, dando a eles uma sensa\u00e7\u00e3o de pertencer a um grupo social. Esse projeto de arte promotor da sa\u00fade \u00e9 eficaz em rela\u00e7\u00e3o ao seu custo (ibid.). Gardner (1994) tamb\u00e9m sustenta que &nbsp;participar de processos de arte diferentes pode dar ao indiv\u00edduo as ferramentas para expressar sentimentos e experi\u00eancias de forma n\u00e3o verbal.<br \/><br \/><strong>O Ambiente F\u00edsico e a Produtividade<\/strong><br \/>Quando a administra\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o quer aumentar a produtividade, normalmente foca na compet\u00eancia do colaborador e na motiva\u00e7\u00e3o pessoal, em vez de no ambiente f\u00edsico e no projeto de design (Heerwagen et al., 1995). Em seu estudo, Herzberg (1966) observou a motiva\u00e7\u00e3o dos colaboradores e a rela\u00e7\u00e3o entre o comportamento do trabalhador e o ambiente f\u00edsico. Quando o ambiente f\u00edsico \u00e9 percebido como perturbador, ele pode ter um efeito negativo sobre a motiva\u00e7\u00e3o do colaborador, consequentemente, diminuindo a produtividade. Herzberg enfatizou que \u00e9 necess\u00e1rio ter acesso a um ambiente f\u00edsico compreensivo, o que pode contribuir para a motiva\u00e7\u00e3o do colaborador (ibid.). A teoria da motiva\u00e7\u00e3o de Maslow (1987) \u00e9 uma das mais conhecidas teorias relacionadas \u00e0 motiva\u00e7\u00e3o e \u00e0 necessidade humana. A teoria de Maslow foi desenvolvida para analisar e explicar o ambiente social, mas pode tamb\u00e9m ser aplicada ao ambiente f\u00edsico (Heerwagen et al. 1995). Por exemplo, a necessidade de seguran\u00e7a pode ser conquistada por meio de ambientes projetados que permitam \u00e0s pessoas uma boa perspectiva visual (ibid.). Se os seres humanos n\u00e3o forem estimulados por aquilo que os cercam, eles podem facilmente perder o interesse, o que pode levar a um desempenho pobre (Lawson, 2001). Por outro lado, o excesso de est\u00edmulo pode levar ao estresse, j\u00e1 que uma pessoa pode n\u00e3o ter a capacidade de lidar com o est\u00edmulo (ibid.).<br \/><br \/>Quanto mais conhecimento e mais consci\u00eancia tivermos da rela\u00e7\u00e3o entre sa\u00fade melhorada e lucro crescente, mais poderemos afetar a maneira como designers, arquitetos e gerentes projetam, constroem e mant\u00eam pr\u00e9dios (Fisk, 2000). Por exemplo, um clima interno mais agrad\u00e1vel pode melhorar a sa\u00fade do colaborador, diminuir a quantidade de faltas por doen\u00e7a, reduzir as necessidades de cuidados com a sa\u00fade e aumentar a produtividade, o que por sua vez, fortalece o capital humano e leva a um maior lucro da empresa. A melhoria ergon\u00f4mica para os colaboradores tamb\u00e9m provou ser ben\u00e9fica para o aumento do lucro da empresa (ibid.). Por exemplo, a IBM investiu 186.000 d\u00f3lares (aproximadamente R$ 446.000) em educa\u00e7\u00e3o ergon\u00f4mica e implementou mudan\u00e7as ergon\u00f4micas extensivas que inclu\u00edram mudar o desenho do local de trabalho e v\u00e1rias ferramentas de trabalho (Helander e Burris, 1995). As melhorias contribu\u00edram para ilumina\u00e7\u00e3o e fun\u00e7\u00f5es de trabalho aperfei\u00e7oadas, n\u00edveis mais baixos de barulho e mais apoio para as rotinas pesadas de trabalho. O projeto reduziu o n\u00famero de faltas por doen\u00e7a em 19%, gerando um lucro anual de 68 mil d\u00f3lares (aproximadamente R$ 163 mil). Al\u00e9m disso, as mudan\u00e7as contribu\u00edram para maior produtividade e qualidade, o que deu \u00e0 empresa um lucro anual de 7 milh\u00f5es e 400 mil d\u00f3lares (aproximadamente R$ 17 milh\u00f5es). Em outras palavras, investimentos e mudan\u00e7as no ambiente f\u00edsico geraram lucro por meio do aperfei\u00e7oamento das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e da produtividade (ibid.).<br \/><br \/><strong>Discuss\u00e3o e Conclus\u00e3o<\/strong><br \/>O objetivo deste estudo era ilustrar como diferentes fatores de bem-estar no ambiente f\u00edsico podem fornecer apoio psicossocial e atuar na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. A pesquisa mostrou que a perspectiva Salutog\u00eanica forma um sistema te\u00f3rico de trabalho para o projeto de apoio psicossocial, uma vez que pode estimular, engajar e melhorar o sentido de coer\u00eancia de um indiv\u00edduo e, consequentemente, fortalecer as suas estrat\u00e9gias de supera\u00e7\u00e3o e promover a sa\u00fade. Para implementar projetos que forne\u00e7am apoio psicossocial \u00e9 necess\u00e1rio que toda a organiza\u00e7\u00e3o entenda o significado de uma perspectiva Salutog\u00eanica. Conhecer os fatores ambientais que contribuem para a sa\u00fade e o bem-estar pode, posteriormente, servir de diretriz para a tomada de decis\u00f5es pol\u00edticas. Durante o processo de tomada de decis\u00f5es \u00e9 importante ter uma perspectiva interdisciplinar em que diferentes indiv\u00edduos com diferentes experi\u00eancias e conhecimentos trabalhem juntos neste campo - profissionais como psic\u00f3logos, arquitetos, paisagistas, m\u00e9dicos, cientistas comportamentais e promotores da sa\u00fade. Felizmente, \u00e9 cada vez mais comum o uso de uma perspectiva interdisciplinar como estrat\u00e9gia central (Barry, 2007). Por exemplo, o setor de tecnologia da internet contrata soci\u00f3logos, antrop\u00f3logos e psic\u00f3logos que podem estudar e explicar como um produto ser\u00e1 usado em contextos culturais diferentes. O uso de uma abordagem interdisciplinar no trabalho pode desafiar maneiras correntes de pensamento, al\u00e9m de tornar a pesquisa e a inova\u00e7\u00e3o mais democr\u00e1ticas e receptivas \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica (ibid.).<br \/><br \/>As pessoas respons\u00e1veis pela tomada de decis\u00e3o deveriam levar em considera\u00e7\u00e3o os seguintes fatores durante o processo de constru\u00e7\u00e3o de uma pris\u00e3o: boa ilumina\u00e7\u00e3o; distra\u00e7\u00f5es no interior positivas; e acesso a: luz do dia, natureza, arte, objetos simb\u00f3licos e espirituais. Outros fatores importantes para levarmos em considera\u00e7\u00e3o s\u00e3o: a necessidade do indiv\u00edduo de controlar a ilumina\u00e7\u00e3o, o barulho, a temperatura ambiente; e a possibilidade de escolher quando quer interagir socialmente e quando prefere a solid\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m importante criar espa\u00e7os atrativos e convidativos que promovam intera\u00e7\u00e3o e apoio social, assim como criar espa\u00e7os para a recupera\u00e7\u00e3o e as conversas particulares. Para motivar as pessoas a mudar o seu estilo de vida \u00e9 necess\u00e1rio oferecer a elas atividades que fortale\u00e7am a sua autoestima e efic\u00e1cia. Isso pode ser parcialmente conquistado participando de diferentes atividades culturais.<br \/><br \/>Em resumo, este estudo esclareceu quais s\u00e3o os fatores no ambiente f\u00edsico que podem promover sa\u00fade, bem-estar e aumentar produtividade e lucro. &nbsp;Al\u00e9m disso, mostramos que existe a necessidade de termos mais estudos emp\u00edricos que verifiquem, investiguem e identifiquem fatores capazes de promover apoio psicossocial e bem-estar na sa\u00fade. Finalmente, n\u00f3s encorajamos os respons\u00e1veis pela tomada de decis\u00e3o a implementar o projeto de apoio psicossocial que promove a sa\u00fade e o bem-estar. Para concluir, gostar\u00edamos de enfatizar a cren\u00e7a de Churchill que os pr\u00e9dios que n\u00f3s constru\u00edmos exercem um impacto significativo sobre o comportamento humano.<br \/><br \/><br \/><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><br \/>Ali, M.R. (1972). 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