{"id":8801,"date":"2024-11-30T09:33:55","date_gmt":"2024-11-30T12:33:55","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/arquitetura-hospitalar-o-desafio-da-boa-arquitetura\/"},"modified":"2024-11-30T13:17:37","modified_gmt":"2024-11-30T16:17:37","slug":"arquitetura-hospitalar-o-desafio-da-boa-arquitetura","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/arquitetura-hospitalar-o-desafio-da-boa-arquitetura\/","title":{"rendered":"Arquitetura hospitalar: o desafio da boa arquitetura"},"content":{"rendered":"<strong>Resumo<\/strong><br \/>Os edif\u00edcios de sa\u00fade possuem crit\u00e9rios e metodologias de design semelhantes aos de qualquer obra de arquitetura, mas incorporam complexidades pr\u00f3prias de sua fun\u00e7\u00e3o, condicionadas por uma s\u00e9rie de fatores relacionados \u00e0 sua finalidade. Eles devem responder ao constante progresso tecnol\u00f3gico, aos avan\u00e7os cient\u00edficos no tratamento e cura de doen\u00e7as, ao equipamento m\u00e9dico e ao mercado farmac\u00eautico.<br \/><br \/>No entanto, ao mesmo tempo, deveriam gerar boa arquitetura, e \u00e9 nesse contexto que se torna necess\u00e1rio conhecer o passado para projetar o futuro, o que envolve um processo de reflex\u00e3o que nos permita resgatar aqueles valores culturais, formais e construtivos que foram bem-sucedidos em obras j\u00e1 realizadas.<br \/><br \/>Esta apresenta\u00e7\u00e3o desenvolve um percurso pelos conte\u00fados conceituais e pelas obras dos principais arquitetos do Movimento Moderno na Argentina, que trabalharam diferentes tem\u00e1ticas de sa\u00fade e produziram edif\u00edcios de grande qualidade arquitet\u00f4nica.<br \/><br \/>Essas obras, realizadas em diferentes prov\u00edncias da Rep\u00fablica Argentina, s\u00e3o o resultado de processos de planejamento sanit\u00e1rio realizados no setor p\u00fablico em diferentes momentos hist\u00f3ricos, por\u00e9m dentro do marco das pol\u00edticas p\u00fablicas de hierarquiza\u00e7\u00e3o do setor de sa\u00fade.<br \/>Analisaremos diferentes respostas para considerar aspectos sempre presentes ao projetar um edif\u00edcio: tipologia, localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e clima, al\u00e9m de outros temas que s\u00e3o debatidos ao abordar uma obra hospitalar hoje.<br \/><br \/><strong>Palavras-chave<\/strong><br \/>design, tipologia, geografia, clima, cultura.<br \/><br \/><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>O movimento moderno na arquitetura argentina se desenvolveu principalmente entre as d\u00e9cadas de 1930 a 1960. Le Corbusier visitou a Argentina em 1929 e suas teorias tiveram peso em uma gera\u00e7\u00e3o de arquitetos locais influenciados pelas ideias da Bauhaus e pelo pr\u00f3prio Corbusier. Esse movimento buscava romper com os estilos tradicionais e acad\u00eamicos para promover uma arquitetura funcional, racional e austera, que respondesse \u00e0s necessidades sociais e econ\u00f4micas do momento.<br \/><br \/>Como manifesta um artigo da Revista da Sociedade Central de Arquitetos da Argentina: \u201cExistem, na nossa arquitetura dos anos 40 e desde antes, exemplos de resolu\u00e7\u00f5es em que o surgimento de novos procedimentos de formaliza\u00e7\u00e3o, digamos o abandono do pseudoclassicismo afrancesado, est\u00e1 associado a uma renova\u00e7\u00e3o e purifica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o rejeita modelos modernos, mas os entende como procedimentos de design estreitamente ligados aos locais, aos costumes de seus habitantes e \u00e0s disponibilidades de materiais e t\u00e9cnicas. Sacriste (Eduardo), Vivanco (Jorge) e Bonet (Antonio) s\u00e3o alguns de seus representantes na Argentina, mas tamb\u00e9m outros pa\u00edses latino-americanos t\u00eam exemplos not\u00e1veis; basta citar dois: Luis Barrag\u00e1n, no M\u00e9xico, e Oscar Niemeyer, no Brasil.\u201d (MOLINA Y VEDIA, 1995, p. 57)<br \/><br \/>Embora as propostas da arquitetura internacional tenham gerado uma mudan\u00e7a lingu\u00edstica nos novos projetos na Argentina, \u00e9 necess\u00e1rio esclarecer alguns pontos que ajudam a explicitar as novas formas, afirmando que n\u00e3o se tratou de substituir uma forma por outra, mas sim de reinterpretar e adaptar essas ideias \u00e0s necessidades e condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do pa\u00eds. Foram consideradas tr\u00eas vertentes: LOCALIZA\u00c7\u00c3O, USOS e CLIMA, al\u00e9m de uma quarta situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 uma resolu\u00e7\u00e3o construtiva minuciosa e ajustada.<br \/><br \/>Nesse contexto, ao analisar a produ\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios voltados para a sa\u00fade, destacam-se tanto o arquiteto Wladimiro Costa, pela elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e projetual, como o arquiteto Mario Roberto \u00c1lvarez, pela qualidade espacial e a resolu\u00e7\u00e3o construtiva completa. <br \/><br \/>O primeiro se destaca pela sua atitude frente \u00e0s propostas do movimento moderno, afirmando: \u201cN\u00e3o se pode fazer uma genu\u00edna arquitetura moderna apenas como fruto de imita\u00e7\u00f5es, sem fortes ra\u00edzes locais\u201d (ACOSTA, 1966, p.15).<br \/><br \/>No caso do arquiteto Mario Roberto \u00c1lvarez, sua atitude precursora o levou a propor uma \u201carquitetura moderna\u201d dentro do Plano Carrillo (que analisaremos posteriormente). Nesse plano, ele sugere, entre outras coisas, que \u201co estilo das constru\u00e7\u00f5es deve ser o colonial\u201d. No entanto, sua obra foi constru\u00edda com outra linguagem, conseguindo respeitar o lugar e seu povo.<br \/><br \/>Ambos realizaram suas obras no setor p\u00fablico, um em um governo local e o outro em um nacional, com aspectos pol\u00edticos relacionados ao atendimento \u00e0 sa\u00fade que determinaram o surgimento de novos programas nos edif\u00edcios destinados \u00e0 sa\u00fade.<br \/><br \/><strong>1 - Plano de Sa\u00fade da prov\u00edncia de Santa F\u00e9 \u2013 a sa\u00fade como pol\u00edtica de Estado<\/strong><br \/>Analisa-se o trabalho do arquiteto Wladimiro Acosta e, em particular, a obra p\u00fablica em sa\u00fade realizada na prov\u00edncia de Santa F\u00e9 (1938\/1939), sendo interessante destacar o marco pol\u00edtico-institucional que possibilitou um forte investimento em obras que fizeram parte de um plano pioneiro de reforma sanit\u00e1ria nessa prov\u00edncia, antecipando um processo similar implementado, anos depois, em escala nacional.<br \/><br \/>Os arquitetos e pesquisadores Noemi Adagio e Luis M\u00fcller, em seu livro sobre a obra de Wladimiro Acosta, destacam em rela\u00e7\u00e3o aos antecedentes de sua obra:<br \/><br \/>A administra\u00e7\u00e3o do Dr. Manuel Mar\u00eda de Iriondo (1937-1943), impulsionada por um momento de prosperidade econ\u00f4mica, caracterizou-se por uma a\u00e7\u00e3o de governo voltada para o melhoramento urbano e para a constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios p\u00fablicos, especialmente de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<br \/><br \/>Desde o in\u00edcio da gest\u00e3o, o Dr. Iriondo insistiu na necessidade de reformar o sistema de sa\u00fade da prov\u00edncia, particularmente avaliando os requisitos para enfrentar doen\u00e7as como c\u00e2ncer, lepra, tuberculose e as necessidades de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental (ADAGIO- M\u00dcLLER, 2009, p.17).<br \/><br \/>Em 1939, foi criado o Departamento de Sa\u00fade P\u00fablica da Prov\u00edncia para centralizar e unificar todos os servi\u00e7os de sa\u00fade (Lei n\u00ba 2.858 de 28 de outubro de 1938), o qual concentrou e coordenou toda a a\u00e7\u00e3o sobre a sa\u00fade da prov\u00edncia.<br \/><br \/>Em 1940, foi nomeado presidente do Conselho Geral de Sa\u00fade o Dr. Abelardo Irigoyen Freyre, que era um defensor da medicina preventiva, concebida como uma responsabilidade exclusiva do Estado, cujos benef\u00edcios deveriam alcan\u00e7ar todos os habitantes, independentemente de suas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais. Vale destacar outro integrante do \u00f3rg\u00e3o, o Dr. David Sevlever, conhecido por seus trabalhos relacionados \u00e0 associa\u00e7\u00e3o entre a medicina e a educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, e que foi quem prop\u00f4s a contrata\u00e7\u00e3o do arquiteto W. Acosta.<br \/><br \/>O novo \u00f3rg\u00e3o sustentava que as pol\u00edticas de sa\u00fade deveriam ser organizadas em torno de tr\u00eas eixos:\r\n<ol>\r\n<li>Renova\u00e7\u00e3o na forma de tratamento da loucura,<\/li>\r\n<li>Doen\u00e7as contagiosas, e<\/li>\r\n<li>Sa\u00fade preventiva.<\/li>\r\n<\/ol>\r\nA equipe m\u00e9dica encarregou o arquiteto Wladimiro Acosta, que possu\u00eda uma experi\u00eancia pr\u00e9via consideravelmente rica, sobretudo na investiga\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, dos projetos mais importantes, encontrando um ambiente adequado para desenvolver suas propostas.<br \/><br \/>O programa de sa\u00fade era inovador para a \u00e9poca e foi conduzido por m\u00e9dicos atualizados nas teorias, tratamentos e tecnologias do momento, com \u00eanfase na preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e no uso de conceitos higienistas para os procedimentos.<br \/><br \/>O arquiteto Acosta realizou quatro obras nas quais prop\u00f4s edif\u00edcios que respondiam a condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas particulares e a exig\u00eancias funcionais espec\u00edficas, sendo elas:<br \/>\r\n<ul>\r\n<li>Hospital Psiqui\u00e1trico \u2013 cidade de Santa F\u00e9<\/li>\r\n<li>Lepros\u00e1rio \u2013 Rodovia 5 \u2013 Campo Crespo<\/li>\r\n<li>Col\u00f4nia de Alienados em Oliveros \u2013 Rodovia 11, km 356 \u2013 Oliveros<\/li>\r\n<li>Esta\u00e7\u00e3o Sanit\u00e1ria Rural<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<strong>1.1- Wladimiro Acosta <\/strong><br \/>Interessa-nos destacar alguns antecedentes de Wladimiro Acosta, que nasceu em Odesa (atual Ucr\u00e2nia) em 23 de junho de 1900 e morreu em 1967. Ele pertencia a uma fam\u00edlia sefardita e iniciou sua forma\u00e7\u00e3o na R\u00fassia. Estudou e trabalhou na It\u00e1lia, onde se formou em Arquitetura e atuou como professor de Design Arquitet\u00f4nico entre os anos de 1920 e 1921. Em 1922, mudou-se para a Alemanha, onde permaneceu at\u00e9 1928, ano em que decidiu emigrar para a Argentina, estabelecendo-se em Buenos Aires at\u00e9 sua morte, em 11 de julho de 1967. De 1957 a 1966, foi professor titular de Composi\u00e7\u00e3o Arquitet\u00f4nica na Universidade de Buenos Aires, trabalhando tamb\u00e9m no Uruguai, Chile, Venezuela e Estados Unidos.<br \/><br \/>Wladimiro Acosta foi um arquiteto com uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o cultural e uma firme vontade de realizar pesquisas, que, embora aderisse ao conte\u00fado de uma nova arquitetura (racionalismo), entendia que n\u00e3o deveria ser fruto de uma imita\u00e7\u00e3o do vocabul\u00e1rio formal, mas sim de incorporar ra\u00edzes locais. Essa inquietude o levou, segundo suas pr\u00f3prias palavras, a manifestar:<br \/>\r\n<blockquote>Restava um terceiro caminho, incerto e aleat\u00f3rio: come\u00e7ar tudo desde o in\u00edcio, estudar a geografia f\u00edsica e humana do lugar, suas caracter\u00edsticas, sua tecnologia, sua t\u00e9cnica de constru\u00e7\u00e3o, os modos de habitar mais aut\u00eanticos e encontrar uma arquitetura n\u00e3o s\u00f3 mais ou menos apropriada a este lugar, mas pr\u00f3pria dele. Comecei, por uma parte, a estudar atentamente as condi\u00e7\u00f5es geometeorol\u00f3gicas locais e, por outra, a avan\u00e7ar cuidadosamente nas solu\u00e7\u00f5es emp\u00edricas contidas nos edif\u00edcios do passado colonial, a orienta\u00e7\u00e3o de seus ambientes e suas primitivas, mas eficazes defesas contra os agentes clim\u00e1ticos adversos, em particular contra o excesso de radia\u00e7\u00e3o solar\" (ACOSTA, 1976, p.16).<\/blockquote>\r\n<br \/>Acosta, atrav\u00e9s de seus trabalhos te\u00f3ricos, pesquisas e projetos, manifesta preocupa\u00e7\u00e3o com a rela\u00e7\u00e3o entre o homem e o ambiente f\u00edsico. No livro <em>Vivienda y Clima<\/em>, ele prop\u00f5e que o ambiente f\u00edsico do homem \u00e9 constitu\u00eddo por habita\u00e7\u00e3o + natureza, ou seja, habita\u00e7\u00e3o + paisagem + clima, e que a habita\u00e7\u00e3o cria um ambiente que deve possuir propriedades ben\u00e9ficas para a sa\u00fade, como ar puro e sol.<br \/><br \/>Ele afirma que a habita\u00e7\u00e3o deve ter: a) uma determinada orienta\u00e7\u00e3o; b) uma conforma\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica espec\u00edfica, incluindo tamanho, forma e modo de funcionamento de suas aberturas; e c) em alguns casos, ser dotada de meios especiais para \u2018controle' e 'corre\u00e7\u00e3o' clim\u00e1tica de seus ambientes. Acosta concentrou seus estudos e constituiu uma teoria sobre a adapta\u00e7\u00e3o das formas arquitet\u00f4nicas ao clima, que se concretizou na proposi\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio H\u00e9lio, desenvolvido em suas obras de habita\u00e7\u00e3o, urbanismo e em obras p\u00fablicas nas \u00e1reas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Acosta tamb\u00e9m afirma que \u00e9 importante considerar a envolt\u00f3ria dos edif\u00edcios, composta por paredes, teto e pisos que s\u00e3o termoisolantes e imperme\u00e1veis, mas que n\u00e3o deve ser um meio fechado, isolado da natureza. Pelo contr\u00e1rio, deve permitir a insola\u00e7\u00e3o, a ilumina\u00e7\u00e3o e a ventila\u00e7\u00e3o, possibilitando a comunica\u00e7\u00e3o visual com a paisagem.<br \/><br \/>A busca por uma conforma\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica que, por si s\u00f3, forne\u00e7a de modo ideal os elementos de regula\u00e7\u00e3o da temperatura interna e, portanto, conforto t\u00e9rmico foi o motivo que levou o autor ao uso de recursos construtivos que permitissem o aproveitamento do sol e, ao mesmo tempo, evitassem o calor excessivo, regulando a entrada e a exposi\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio ao sol. Essa proposta de adapta\u00e7\u00e3o da forma arquitet\u00f4nica ao clima foi denominada Princ\u00edpio H\u00e9lio.<br \/><br \/>Foram realizados v\u00e1rios projetos e constru\u00e7\u00f5es com essa forma arquitet\u00f4nica em diferentes zonas e latitudes, adaptando-a a diversos tipos de obras, como casas individuais, coletivas e institui\u00e7\u00f5es. Neste trabalho, veremos seu uso em obras de sa\u00fade realizadas no \u00e2mbito do Plano de Sa\u00fade da prov\u00edncia de Santa F\u00e9.<br \/><br \/>O sistema H\u00e9lio n\u00e3o \u00e9 um aditamento auxiliar anexado ao edif\u00edcio, mas sim uma parte org\u00e2nica de sua arquitetura, que confere \u00e0 obra uma express\u00e3o definida. Ele \u00e9 perfeitamente flex\u00edvel e se adapta \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do terreno, \u00e0 paisagem, \u00e0 altitude e \u00e0 latitude, al\u00e9m de variar de acordo com o tema, a magnitude do edif\u00edcio e o material utilizado.<br \/><br \/>O dispositivo arquitet\u00f4nico \u00e9 constitu\u00eddo por uma laje em forma de viseira, com largura e altura determinadas, resultado de estudos traduzidos em esquemas para representar e verificar as entradas verticais e horizontais do sol no inverno e no ver\u00e3o, seguindo os diagramas elaborados pelo arquiteto.<br \/><br \/>No livro <em>Vivienda y Clima<\/em>, \u00e9 poss\u00edvel acessar os gr\u00e1ficos onde ele analisa as condi\u00e7\u00f5es de insola\u00e7\u00e3o de uma habita\u00e7\u00e3o e seus elementos arquitet\u00f4nicos de controle.<br \/><br \/><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8831 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-124513-300x154.png\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-124513-300x154.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-124513.png 727w\" sizes=\"(max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1-<\/strong> Estudo de aberturas em dire\u00e7\u00e3o ao oeste, a partir da an\u00e1lise de beirais nessa orienta\u00e7\u00e3o, chega-se \u00e0 proposta de cortinas verticais protetoras. (ACOSTA, 2013).<\/p>\r\nO passar do tempo permitiu que as preocupa\u00e7\u00f5es que motivaram os arquitetos funcionalistas nacionais pudessem ser entendidas, reinterpretadas e verificadas por meio da utiliza\u00e7\u00e3o de ferramentas atuais, incluindo programas para verificar o aproveitamento solar.<br \/>Nesse contexto, segundo o trabalho Edificios Proto-Bioclim\u00e1ticos en la Argentina, no cap\u00edtulo 7, afirma-se que:<br \/>\r\n<blockquote>\u201cNa d\u00e9cada de 30, alguns dos mais destacados arquitetos modernos, como Walter Gropius e Le Corbusier, incorporaram em sua produ\u00e7\u00e3o os estudos de insola\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, surgiram em diversos pa\u00edses diagramas solares e ferramentas espec\u00edficas como as Tabelas de Insola\u00e7\u00e3o, os diagramas heliotransportadores e o heli\u00f3dono. Elementos semelhantes foram produzidos na Argentina. Na d\u00e9cada de 40, destacam-se os trabalhos de E. De Lorenzi, W. Acosta, J. Servetti Reeves, J. Borgato e E. Tedeschi.<br \/><br \/>Na d\u00e9cada seguinte, F. Beretervide, E. Sacriste, A. Williams e E. Tedeschi produzem obras ou projetos not\u00e1veis que podem ser inscritos em uma orienta\u00e7\u00e3o \u2018protobioclim\u00e1tica\u2019. Embora tenham sido realizados com rigor e grande intui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o recorreram \u00e0s t\u00e9cnicas de predi\u00e7\u00e3o do comportamento helioenerg\u00e9tico. Em consequ\u00eancia, cabe propor uma avalia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de seu desempenho\u201d (SAN JUAN, 2013, p.116).<\/blockquote>\r\nO trabalho mencionado toma como estudo de caso uma resid\u00eancia projetada por Acosta, descreve a metodologia e o procedimento, com ferramentas atuais de avalia\u00e7\u00e3o, a fim de verificar o comportamento da obra.<br \/><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-8832 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125044-300x282.png\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"508\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125044-300x282.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125044.png 756w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 2-<\/strong> Maquete virtual e gr\u00e1ficos utilizados no processo de an\u00e1lise do comportamento bioambiental de uma obra de Wladimiro Acosta (SAN JUAN, 2013).<\/p>\r\n<br \/>O estudo conclui que, \u201cneste caso, os diagramas de Givoni e Olgyay demonstram que as estrat\u00e9gias implementadas para a zona bioambiental s\u00e3o adequadas. Verifica-se que a insola\u00e7\u00e3o responde aos requisitos necess\u00e1rios e denota que foi realizado um cuidadoso estudo desse aspecto. Em s\u00edntese, estamos diante de uma obra protobioclim\u00e1tica correta e de valor, levando em considera\u00e7\u00e3o os meios instrumentais utilizados\u201d (SAN JUAN, 2013, p.122).<br \/><br \/><strong>1.2 - Os projetos da prov\u00edncia de Santa F\u00e9 \u2013 o princ\u00edpio do Sistema H\u00e9lio aplicado a institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas<\/strong><br \/>Como mencionado anteriormente, Acosta estudou profundamente a organiza\u00e7\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o e a elabora\u00e7\u00e3o de um dispositivo arquitet\u00f4nico denominado Sistema H\u00e9lio. Estes estudos est\u00e3o presentes nas obras projetadas em Santa F\u00e9: Hospital Psiqui\u00e1trico \u2013 Cidade de Santa F\u00e9, Lepros\u00e1rio \u2013 Rodovia 5, s\/n, Campo Crespo; Col\u00f4nia de Alienados \u2013 Rodovia Prov. n\u00ba 11, Oliveros, ambos prot\u00f3tipos de esta\u00e7\u00f5es de sa\u00fade rurais realizados no \u00e2mbito do plano de sa\u00fade da prov\u00edncia de Santa F\u00e9.<br \/><br \/><strong>Hospital psiqui\u00e1trico<\/strong><br \/>Este hospital estava destinado a pacientes agudos e foi constru\u00eddo a poucos quil\u00f4metros da cidade de Santa F\u00e9, com capacidade para cem leitos (total para ambos os sexos). Estava destinado a casos agudos com interna\u00e7\u00f5es curtas; os casos cr\u00f4nicos seriam transferidos para a Col\u00f4nia de Alienados de Oliveros.<br \/><img decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8834 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125246-300x155.png\" alt=\"\" width=\"569\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125246-300x155.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125246.png 734w\" sizes=\"(max-width: 569px) 100vw, 569px\" \/><br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8833 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125317-300x275.png\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"520\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125317-300x275.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125317.png 726w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 3-<\/strong> Planta geral \/ Imagens de galerias \/ Pavilh\u00f5es \/ Vista parcial norte da administra\u00e7\u00e3o. Consult\u00f3rios. Fonte: Vivienda y Clima.<\/p>\r\n<strong>Col\u00f4nia de Alienados de Oliveros<\/strong><br \/>A Col\u00f4nia foi concebida como lar e resid\u00eancia para doentes mentais cr\u00f4nicos e como instituto de reabilita\u00e7\u00e3o. Foi constru\u00edda em um terreno de mais de 200 hectares em uma \u00e1rea rural (na \u00e9poca), a 5 km da cidade de Oliveros. A concep\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, quanto ao tratamento de doentes cr\u00f4nicos, propunha que aquelas pessoas capazes de desenvolver algum tipo de laborterapia pudessem realizar trabalhos que lhes permitissem alguma inser\u00e7\u00e3o no meio em que se encontravam. A proposta inclu\u00eda despertar o interesse dos propriet\u00e1rios de propriedades vizinhas para contar com a colabora\u00e7\u00e3o dos pacientes que pudessem prestar algum servi\u00e7o, sob a supervis\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio destacar que a proposta era inovadora para a \u00e9poca, pois visava \u00e0 certa integra\u00e7\u00e3o ao meio e contrariava o crit\u00e9rio de isolamento vigente.<br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8836\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125713-300x94.png\" alt=\"\" width=\"657\" height=\"206\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125713-300x94.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125713.png 736w\" sizes=\"(max-width: 657px) 100vw, 657px\" \/><br \/><br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8835\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125732-277x300.png\" alt=\"\" width=\"644\" height=\"697\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125732-277x300.png 277w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-125732.png 734w\" sizes=\"(max-width: 644px) 100vw, 644px\" \/><br \/>Imagem 4-<\/strong> Acesso \u00e0 Col\u00f4nia \/ Planta Geral \/ localiza\u00e7\u00e3o da casa dos funcion\u00e1rios \/ pavilh\u00f5es de interna\u00e7\u00e3o \/ Capela. Fonte: Wladimiro Acosta, Noemi Adagio, Luis M\u00fcller-Vivienda y Clima.,<\/p>\r\nEm s\u00edntese, podemos concluir que Acosta, por meio de sua produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, demonstra ter estudado com perseveran\u00e7a a organiza\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o e, a partir dessa perspectiva, concebia as obras apresentadas como \u201chabita\u00e7\u00f5es para a sa\u00fade\u201d. No entanto, entendia o conceito de \u201chabita\u00e7\u00e3o\u201d relacionado ao de \u201chabitat\u201d, conforme manifesta:<br \/>\r\n<blockquote>\u201cHabita\u00e7\u00e3o, no sentido que dou, n\u00e3o \u00e9 meramente um local para morar, mas todo o espa\u00e7o e recinto habit\u00e1vel, onde o homem, de forma cont\u00ednua ou transit\u00f3ria, passa parte do seu tempo, onde vive, onde trabalha, onde descansa. Habita\u00e7\u00e3o \u00e9 tanto seu quarto quanto seu escrit\u00f3rio, seu ateli\u00ea, sua universidade, sua sala de jantar, seu restaurante, seu teatro ou cinema\u201d (ACOSTA, 1976, p.11).<\/blockquote>\r\nCom a afirma\u00e7\u00e3o anterior, o autor concebe o Hospital Psiqui\u00e1trico, o Lepros\u00e1rio e a Col\u00f4nia de Alienados como espa\u00e7os onde os pacientes habitavam, em repouso ou em atividade, com terapias di\u00e1rias e peri\u00f3dicas. Essa forma de pensar a vida do homem, n\u00e3o centrada em uma \u00fanica atividade, mas com uma concep\u00e7\u00e3o mais integral, humaniza os espa\u00e7os onde transitam pacientes, m\u00e9dicos e pessoal. Podemos afirmar que sua defini\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios de sa\u00fade constitui uma descoberta para o momento hist\u00f3rico.<br \/><br \/>A proposta do Sistema H\u00e9lio, resultado de suas pesquisas, complementada com um cuidadoso estudo sobre a geografia e os materiais de cada uma das zonas onde erguia suas obras, expressa uma nova concep\u00e7\u00e3o da linguagem arquitet\u00f4nica que acompanha a inova\u00e7\u00e3o nos tratamentos m\u00e9dicos.<br \/><br \/>A qualidade dos edif\u00edcios que propunha mostra sua ades\u00e3o a uma \u201cnova arquitetura\u201d, que, segundo suas palavras:<br \/>\r\n<blockquote>\u201c...\u00e9, em ess\u00eancia, a arte de criar espa\u00e7os altamente habit\u00e1veis, cujo destino \u00e9 dar acolhimento e abrigo \u00e0 vida do homem, benefici\u00e1rio final de seu trabalho. O reconhecimento de t\u00e3o \u00f3bvia e elementar verdade n\u00e3o foi um processo simples e f\u00e1cil. Exigiu, ao contr\u00e1rio, anos de luta e esclarecimento.\u201d (ACOSTA, 1976, p.11)<\/blockquote>\r\nAcosta resolveu os projetos encomendados a partir de uma interpreta\u00e7\u00e3o integral: cura, preven\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e vida em comunidade. Sua forma de conceber a arquitetura e seu aporte inovador em uma etapa de mudan\u00e7a fazem com que seja necess\u00e1rio destacar e conhecer suas propostas ao pensar em um edif\u00edcio.<br \/><br \/><strong>2 - O Planejamento da sa\u00fade pelo Estado Nacional <\/strong><br \/><br \/><strong>2.1 - Plano Carrillo<\/strong><br \/>Posteriormente \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do Plano de Sa\u00fade da prov\u00edncia de Santa F\u00e9 (1937-1943), foi realizado um ambicioso processo de planejamento e execu\u00e7\u00e3o de obras em \u00e2mbito nacional, denominado Plano Carrillo, implementado pelo Estado Nacional durante o governo peronista de 1943 a 1955.<br \/><br \/>O governo peronista se caracterizou por um forte investimento em quest\u00f5es comunit\u00e1rias, resultado da emerg\u00eancia de novos atores sociais, devido \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o de um n\u00famero significativo de pessoas ao mercado de trabalho e ao reconhecimento dos direitos sociais aos setores populares mais necessitados. Isso propiciou a inclus\u00e3o de novos temas de arquitetura, como col\u00f4nias de f\u00e9rias, hot\u00e9is de turismo, hospitais, policl\u00ednicas, centros de sa\u00fade, lar escola, lares de idosos, cidades infantis e estudantis etc., que sinalizavam a sensibilidade social do governo e a vontade de responder \u00e0s necessidades.<br \/><br \/>Nesse contexto, em 1946, foi criado o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, e o Dr. Ram\u00f3n Carrillo foi designado para lider\u00e1-lo. Durante sua gest\u00e3o (1945 a 1951), Carrillo realizou uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, que resultou na duplica\u00e7\u00e3o das camas hospitalares, passando de 66.300, em 1946, para 134 mil, em 1954. Foram criados 230 estabelecimentos de interna\u00e7\u00e3o, 50 institutos especializados, 3 mil dispens\u00e1rios e centros de sa\u00fade distribu\u00eddos por todo o pa\u00eds, al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o do EMESTA (Especialidades M\u00e9dicas do Estado), o primeiro laborat\u00f3rio nacional de medicamentos gerido pelo Estado.<br \/><br \/>O Plano Carrillo estabelece o planejamento como horizonte e modelo de a\u00e7\u00e3o, criando uma rela\u00e7\u00e3o entre sa\u00fade, arquitetura e gest\u00e3o. O mentor desse processo afirma na confer\u00eancia proferida na sede da Liga pelos Direitos do Trabalhador, em 1949:<br \/>\r\n<blockquote>\u201cEsta confer\u00eancia poderia servir de introdu\u00e7\u00e3o aos estudos de arquitetura hospitalar; a nova disciplina foi incorporada ao programa de estudos da Faculdade de Arquitetura, disciplina que \u00e9 correlativa a uma mat\u00e9ria an\u00e1loga que tamb\u00e9m foi criada na Faculdade de Medicina: a de Organiza\u00e7\u00e3o Sanit\u00e1ria e Planejamento Hospitalar.<br \/><br \/>A arquitetura hospitalar, em s\u00edntese, apresenta certos princ\u00edpios aos arquitetos. Os mesmos princ\u00edpios s\u00e3o apresentados aos m\u00e9dicos pelo Planejamento Sanit\u00e1rio. Dois objetivos distintos, mas t\u00e3o intimamente unidos que, em conjunto, constituem uma \u00fanica mat\u00e9ria de especializa\u00e7\u00e3o\u201d (CARRILLO, 1974, p.48).<\/blockquote>\r\nEssa preocupa\u00e7\u00e3o, que o leva a propor a necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para participar do planejamento do sistema de sa\u00fade, centrada na gest\u00e3o dos recursos m\u00e9dicos, f\u00edsicos e humanos, surge de uma concep\u00e7\u00e3o que sintetiza assim:<br \/>\r\n<blockquote>\u201cO que \u00e9 a arquitetura? \u00c9 a arte e a ci\u00eancia de construir. O que \u00e9 a medicina? \u00c9 a arte e a ci\u00eancia de curar. Ambas, arquitetura e medicina, nascem como necessidades, evoluem como arte e se organizam como ci\u00eancias\u201d (CARRILLO, 1974, p.21).<\/blockquote>\r\nA pol\u00edtica de sa\u00fade proposta por Carrillo foi realmente revolucion\u00e1ria, pois normatizou e executou as a\u00e7\u00f5es com base nos seguintes princ\u00edpios:<br \/>\r\n<ul>\r\n<li>Todos os homens t\u00eam igual direito \u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade.<\/li>\r\n<li>N\u00e3o pode haver pol\u00edtica sanit\u00e1ria sem pol\u00edtica social.<\/li>\r\n<li>As conquistas da t\u00e9cnica m\u00e9dica s\u00e3o in\u00fateis se n\u00e3o puderem chegar ao povo por meio de dispositivos adequados.<\/li>\r\n<\/ul>\r\nEssa fundamenta\u00e7\u00e3o faz com que Carrillo enfatize a medicina preventiva, j\u00e1 que, segundo sua concep\u00e7\u00e3o, ela deve se ocupar da sa\u00fade e dos saud\u00e1veis, pois seu objetivo n\u00e3o \u00e9 a doen\u00e7a e os doentes, mas evitar a enfermidade.<br \/><br \/>Nesse contexto, o dispositivo paradigm\u00e1tico foi o centro de sa\u00fade, cujo programa estava alinhado com a pol\u00edtica de sa\u00fade implementada. Ele foi concebido como uma c\u00e9lula b\u00e1sica regional, que desenvolve uma <strong>a\u00e7\u00e3o preventiva<\/strong> \u2013 exame anual obrigat\u00f3rio, vacina\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica e organizada, elabora\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas; uma <strong>a\u00e7\u00e3o social<\/strong> \u2013 por meio de visitadores que localizam focos de insalubridade humana e levam at\u00e9 eles a a\u00e7\u00e3o do Centro; e uma <strong>a\u00e7\u00e3o curativa<\/strong> \u2013 que abrange o diagn\u00f3stico e o tratamento de pacientes ambulatoriais.<br \/><br \/>Para cumprir esse programa, os Centros contam com, al\u00e9m dos servi\u00e7os espec\u00edficos de consult\u00f3rios, laborat\u00f3rios, farm\u00e1cia, assist\u00eancia social, estat\u00edstica e arquivos, audit\u00f3rio, jardim de inf\u00e2ncia, lact\u00e1rio, cozinha de leite, banheiros p\u00fablicos, refeit\u00f3rios para o pessoal (com possibilidade de estend\u00ea-los \u00e0 comunidade) e resid\u00eancias para funcion\u00e1rios, estas com funcionamento pr\u00f3prio que n\u00e3o interferem no movimento dos Centros.<br \/><br \/>Carrillo, em seu livro Teoria do Hospital, apresenta, com uma vis\u00e3o racional e moderna da arquitetura hospitalar, que os hospitais n\u00e3o s\u00e3o edif\u00edcios est\u00e1ticos, mas din\u00e2micos. Ele incorpora a necessidade de pensar na evolu\u00e7\u00e3o e no crescimento, flexibilidade, diferencia\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00f5es e setores funcionais.<br \/><br \/>A obra constitui um verdadeiro comp\u00eandio sobre edif\u00edcios hospitalares, sem deixar de lado nenhum aspecto, desde a proposta tipol\u00f3gica at\u00e9 o estudo dos custos de constru\u00e7\u00e3o, habilita\u00e7\u00e3o e funcionamento.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8837 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-130338-300x143.png\" alt=\"\" width=\"571\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-130338-300x143.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-130338.png 735w\" sizes=\"(max-width: 571px) 100vw, 571px\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 5-<\/strong> Evolu\u00e7\u00e3o dos diagramas para hospitais segundo a quantidade de camas e diversidade de tipologia. Fonte: Teor\u00eda del Hospital \u2013 Obras Completas, Ramon Carrillo.<\/p>\r\nEm seu esfor\u00e7o para prever tudo relacionado ao edif\u00edcio hospitalar, o ministro da Sa\u00fade tamb\u00e9m se refere ao \u201cestilo das constru\u00e7\u00f5es\u201d. A t\u00edtulo de exemplo, basta considerar as especifica\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas adotadas para as constru\u00e7\u00f5es hospitalares. Estava previsto que \u201co estilo de nossa constru\u00e7\u00e3o hospitalar rural ser\u00e1 o colonial, estilo espanhol ou tipo rural, com telhados em duas \u00e1guas, com p\u00e9rgulas ou com galerias externas e internas para qualquer clima e localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. As galerias perimetrais s\u00e3o obrigat\u00f3rias.\u201d<br \/><br \/>Afirma-se que \u201ca p\u00e9rgula, o telhado de telhas, as paredes brancas, as linhas s\u00f3brias s\u00e3o caracter\u00edsticas inconfund\u00edveis deixadas pelo colonial espanhol, j\u00e1 adaptadas ao estilo criollo\u201d. No entanto, em outro artigo, expressa que \u201cos senhores arquitetos ter\u00e3o essas diretrizes gerais, podendo em cada caso sugerir todas as reformas ou mudan\u00e7as de estilo que acharem convenientes adotar\u201d (CARRILLO, 1974, p.500).<br \/><br \/><strong>2.2 - As obras dos Centros Sanit\u00e1rios do Plano Carrillo \u2013 Mario Roberto \u00c1lvarez<\/strong><br \/>Em 1948, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade da Na\u00e7\u00e3o convocou um concurso de projetos e pre\u00e7os para a constru\u00e7\u00e3o de Centros Sanit\u00e1rios nas prov\u00edncias de Tucum\u00e1n, Santiago del Estero, Salta, Jujuy, Corrientes e Catamarca. A condi\u00e7\u00e3o era que o estilo fosse colonial, com telhados de telhas e colunas salom\u00f4nicas. O concurso foi vencido pelos arquitetos Mario Roberto \u00c1lvarez e Macedonio Oscar Ruiz. Eles propuseram projetos com uma linguagem pr\u00f3pria do movimento moderno, gerando uma arquitetura simples e econ\u00f4mica que utilizava materiais locais e uma clara estrat\u00e9gia clim\u00e1tica aplicada de acordo com a localiza\u00e7\u00e3o da obra.<br \/><br \/>Na sua proposta, MRA soube interpretar a preocupa\u00e7\u00e3o do ministro, que expressava que a proposta arquitet\u00f4nica deveria \u201ccoincidir com nossa idiossincrasia, com nosso modo de ser, com nosso conceito\u201d. Ele reinterpretou, com uma linguagem formal pr\u00f3pria do racionalismo, os dispositivos espaciais caracter\u00edsticos das constru\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, reformulando em cada regi\u00e3o as diretrizes do \u201cestilo colonial\u201d, respeitando os p\u00e1tios, os jardins, as galerias, os telhados de telhas de suaves pendentes e de \u00e1guas simples, com colunas finas substituindo as ordens robustas de colunas ou de pilares de alvenaria colonial.<br \/><br \/>A tarefa do arquiteto gerou uma obra, realizada entre 1948 e 1951, de grande magnitude (60 mil m\u00b2) e qualidade, que constitui uma contribui\u00e7\u00e3o do Movimento Moderno pouco difundida em nosso pa\u00eds.<br \/><br \/><strong>2.3 - As obras: Centro Sanit\u00e1rio na capital de Catamarca<\/strong><br \/>O Centro est\u00e1 localizado na capital da prov\u00edncia de Catamarca, no noroeste da Argentina, e possui 4.800 m\u00b2. De acordo com o Plano Carrillo, funcionava como c\u00e9lula b\u00e1sica regional, desenvolvendo a a\u00e7\u00e3o preventiva, a a\u00e7\u00e3o social e a a\u00e7\u00e3o curativa. Para cumprir esses objetivos, o programa arquitet\u00f4nico inclu\u00eda \u00e1reas para consult\u00f3rios externos, laborat\u00f3rio, lact\u00e1rio, escrit\u00f3rios para medicina preventiva, audit\u00f3rio como servi\u00e7o \u00e0 comunidade e resid\u00eancias para funcion\u00e1rios.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8838 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-130519-300x128.png\" alt=\"\" width=\"647\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-130519-300x128.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-130519.png 736w\" sizes=\"(max-width: 647px) 100vw, 647px\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem 6-<\/strong> Plano geral. Fonte: Revista S.C.A. Arq. Juan Molina y Vedia.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8839\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-130723-300x111.png\" alt=\"\" width=\"662\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-130723-300x111.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-130723.png 736w\" sizes=\"(max-width: 662px) 100vw, 662px\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Imagens 7-<\/strong> Fotos feitas pela autora<\/p>\r\n<br \/>A obra conta com edif\u00edcios que desempenham diferentes fun\u00e7\u00f5es, articulados por meio de amplas galerias semicobertas que constituem espa\u00e7os intermedi\u00e1rios entre o interior e o exterior. Essas galerias permitem organizar o conjunto e melhorar a qualidade ambiental, considerando que o clima da regi\u00e3o \u00e9 quente e \u00e1rido.<br \/><br \/>A defini\u00e7\u00e3o por parte das autoridades de considerar os Centros como edif\u00edcios, tanto para saud\u00e1veis quanto para doentes, possibilita a proposta de um edif\u00edcio perme\u00e1vel \u00e0 vida das cidades, que contribui para enriquecer o cotidiano da comunidade, dado que desenvolve atividades de preven\u00e7\u00e3o e recrea\u00e7\u00e3o ao propor um audit\u00f3rio de uso p\u00fablico. Esses aspectos do programa resultam em edif\u00edcios com uma imagem distante daquela normalmente atribu\u00edda a um hospital: a de pris\u00e3o atr\u00e1s de uma muralha.<br \/><br \/>Nesse caso, a modernidade da proposta program\u00e1tica contribui para a qualidade da solu\u00e7\u00e3o apresentada, t\u00edpica da arquitetura do Movimento Moderno, sendo ambos os aspectos uma inova\u00e7\u00e3o para a \u00e9poca.<br \/><br \/><strong>2.4 - Centro Sanit\u00e1rio na capital de Tucum\u00e1n<\/strong><br \/>O edif\u00edcio de 4.640 m\u00b2 est\u00e1 localizado na capital da prov\u00edncia de Tucum\u00e1n, no noroeste do pa\u00eds, e possui um clima subtropical com ver\u00f5es muito quentes e invernos amenos. Na regi\u00e3o de plan\u00edcie, h\u00e1 uma esta\u00e7\u00e3o seca acentuada e temperaturas muito elevadas no ver\u00e3o, com uma vegeta\u00e7\u00e3o bastante densa.<br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8840\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-130821-300x207.png\" alt=\"\" width=\"655\" height=\"452\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-130821-300x207.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-130821.png 732w\" sizes=\"(max-width: 655px) 100vw, 655px\" \/><br \/>Imagens 8-<\/strong> Galeria de acesso ao audit\u00f3rio \/ vista exterior do hall \/ p\u00e1tio interior com vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Fonte: Revista S.C.A, n\u00ba 173.<\/p>\r\nA preocupa\u00e7\u00e3o em responder \u00e0s quest\u00f5es funcionais n\u00e3o impede a realiza\u00e7\u00e3o de uma proposta com a nova linguagem, expressa em amplas galerias (as p\u00e9rgulas da \u201carquitetura colonial\u201d), que constituem um espa\u00e7o de transi\u00e7\u00e3o entre o exterior com altas temperaturas e o interior; nos p\u00e1tios internos, que permitem espa\u00e7os contidos e possibilitam ventila\u00e7\u00e3o cruzada; e na presen\u00e7a de galerias perimetrais nos diferentes blocos, respeitando a exig\u00eancia do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<br \/><br \/>Trata-se de edif\u00edcios projetados com a nova linguagem, que prop\u00f5e um estilo s\u00f3brio e despojado de recursos sofisticados. Essa s\u00edntese \u00e9 fruto do conhecimento do clima da regi\u00e3o, da s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, demonstrada no design dos detalhes construtivos, e da utiliza\u00e7\u00e3o de materiais locais. Esses aspectos, juntamente com uma solu\u00e7\u00e3o funcional adequada, resultam em edif\u00edcios de grande qualidade.<br \/><br \/><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><br \/>Gostar\u00edamos de destacar que os dois processos analisados tiveram a sa\u00fade como pol\u00edtica de Estado e foram realizados por governos de diferentes orienta\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas: no caso da prov\u00edncia de Santa Fe, durante a gest\u00e3o do Dr. Manuel Mar\u00eda de Iriondo (1937-1943), com uma orienta\u00e7\u00e3o conservadora; e posteriormente durante a presid\u00eancia da Rep\u00fablica Argentina do Gen. Juan Domingo Per\u00f3n, com a gest\u00e3o do Dr. Ram\u00f3n Carrillo como primeiro ministro da Sa\u00fade da Na\u00e7\u00e3o (1946-1951), com uma orienta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica progressista.<br \/><br \/>No entanto, podemos destacar que, como programas pol\u00edticos de realiza\u00e7\u00f5es estatais massivas com um forte conte\u00fado social e coletivo, esses processos possibilitaram a prepara\u00e7\u00e3o de arquitetos como Wladimiro Acosta e Mario Roberto \u00c1lvarez, dispostos a enfrentar encargos que exigem efic\u00e1cia, rapidez, sistematiza\u00e7\u00e3o e qualidade formal.<br \/><br \/>Nesse sentido, podemos observar que, nos momentos de coincid\u00eancia entre encargos e objetivos estrat\u00e9gicos do poder pol\u00edtico, as regras e as necessidades imperiosas da \u00e9poca constitu\u00edram um terreno indispens\u00e1vel, que possibilitou uma forte e saud\u00e1vel resposta arquitet\u00f4nica, e que se incorporou aos precedentes e foi necess\u00e1rio conhecer para se avan\u00e7ar na consolida\u00e7\u00e3o de uma arquitetura sustent\u00e1vel no campo cultural nacional.<br \/><br \/>A obra hospitalar n\u00e3o deve ser uma resposta acr\u00edtica a um programa funcional que apenas contemple a organiza\u00e7\u00e3o de unidades de produ\u00e7\u00e3o (os diferentes servi\u00e7os), mas sim apoiada em uma concep\u00e7\u00e3o sist\u00eamica, tanto no funcional quanto no espacial, criticando as constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, como prop\u00f5e o arquiteto Juan Molina y Vedia: <br \/><br \/>\u201cPor isso, propomos \u2018ver e tocar\u2019 os edif\u00edcios dos quais queremos falar, para poder continuar projetando e construindo outros. Teorizar, mas n\u00e3o no vazio, e sim a partir das obras que se veem, se tocam, se vivem. Ent\u00e3o, busquemos construir uma trajet\u00f3ria que sem d\u00favida nos pare\u00e7a rica para trabalhar no tema.\u201d (MOLINA y VEDIA, 1988, p. 14)<br \/><br \/>Antes de iniciar um novo projeto, \u00e9 recomend\u00e1vel que se conhe\u00e7a, estude e analise o acervo da produ\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica precedente, a fim de identificar aquelas obras que servem como exemplos de boa arquitetura. Nesse sentido, as obras de sa\u00fade citadas neste artigo devem ser consideradas, tanto pelas solu\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o, seus usos, o clima e por uma resolu\u00e7\u00e3o que contemplou as diferentes regi\u00f5es de um pa\u00eds extenso e complexo como a Argentina.<br \/><br \/><strong>Bibliografia<\/strong><br \/>ACOSTA, Wladimiro, <strong>Vivienda y Clima<\/strong> - Editorial Nueva Visi\u00f3n-Argentina, 1976.<br \/><br \/>ADAGIO, Noemi y M\u00dcLLER, Luis. <strong>Wladimiro Acosta Del City Block a La Pampa.<\/strong> C\u00e1mara de Senadores \u2013 Colegio de Arquitectas de la Provincia de Santa Fe, 2009.<br \/><br \/>ALZUGARAY, Rodolfo A. <strong>Ramos Carrillo el fundador del sanitarismo nacional.<\/strong> Editorial Colhue. Buenos Aires, 2009.<br \/><br \/>ALVAREZ, Mario Roberto &amp; Asoc. Obras entre 1937-1993, Autoedici\u00f3n. Buenos Aires, 1993 Buenos Aires- 1974.<br \/><br \/>CARRILLO, Ramon.<strong> Teor\u00eda del Hospital- Obras Completas I \u2013 Editorial<\/strong> EUDEBA, FLORES, Mar\u00eda Elena, <strong>Una pol\u00edtica de salud basada en derechos sociales: la propuesta sanitaria del Dr. Ram\u00f3n Carrillo, <\/strong>Argentina. VII Jornadas de Sociolog\u00eda. Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de Buenos Aires, Buenos Aires, 2007.<br \/><br \/>LIERNUR, Jorge Francisco. <strong>Arquitectura en la Argentina del siglo XX, la Construcci\u00f3n de la Modernidad- Editorial.<\/strong> Fondo Nacional de las artes, 2001.<br \/><br \/>MOLINA y VEDIA, Juan- <strong>\u201cArquitectura para la Salud, Situaci\u00f3n Actual\u201d.<\/strong> Revista Trama, n\u00b0 21. Buenos Aires- 1988.<br \/><br \/>MOLINA y VEDIA, Juan- <strong>\u201cMario Roberto \u00c1lvarez, Centros Sanitarios del Plan Carrillo,1948-1950\u201d.<\/strong> SCA, Revista de Arquitectura de la Sociedad Central de Arquitectos, n\u00fam.173. Buenos Aires- 1995.<br \/><br \/>M\u00dcLLER, Luis, <strong>Arquitectura moderna en la obra p\u00fablica: un cat\u00e1logo para Santa Fe.<\/strong> 9\u00ba semin\u00e1rio DOCOMOMO Brasil - interdisciplinaridade e experi\u00eancias em documenta\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio recente. Bras\u00edlia, junho de 2011. <br \/><br \/>PARERA, Graciela-<strong>Arquitectura p\u00fablica: entre la burocracia y la disciplina <\/strong>Editor: Universidad Nacional de La Plata. Facultad de Arquitectura y Urbanismo-La Plata, 2012. http:\/\/bdzalba.fau.unlp.edu.ar\/greenstone\/cgi-bin\/library.cgi?e=d-01000-00---off-0postgrad--00-1----0-10-0---0---0direct-10---4-------0-1l--11-es-50---20-home---00-3-1-00-0--4--0--0-0-11-10-0utfZz-8-00&amp;a=d&amp;c=postgrad&amp;cl=CL1.1&amp;d=TE17.<br \/><br \/>SAN JUAN, Gustavo Alberto (Org.). <strong>Dise\u00f1o bioclim\u00e1tico como aporte al proyecto arquitect\u00f3nico.<\/strong> Autor: Rosenfeld, El\u00edas et al. Editora: Universidad Nacional de La Plata, 2013.","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-8801","materia","type-materia","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia\/8801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/materia"}],"about":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/materia"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}