{"id":8802,"date":"2024-11-30T09:34:12","date_gmt":"2024-11-30T12:34:12","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/implantacao-de-humanizacao-na-radioterapia-infantil-do-instituto-nacional-de-cancer-inca\/"},"modified":"2024-11-30T13:27:55","modified_gmt":"2024-11-30T16:27:55","slug":"implantacao-de-humanizacao-na-radioterapia-infantil-do-instituto-nacional-de-cancer-inca","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/implantacao-de-humanizacao-na-radioterapia-infantil-do-instituto-nacional-de-cancer-inca\/","title":{"rendered":"Implanta\u00e7\u00e3o de humaniza\u00e7\u00e3o na radioterapia infantil do Instituto Nacional de C\u00e2ncer \u2013 INCA"},"content":{"rendered":"<strong>Resumo<\/strong><br \/>Este artigo aborda a implementa\u00e7\u00e3o de medidas de humaniza\u00e7\u00e3o realizadas no setor de radioterapia pedi\u00e1trica do Instituto Nacional de C\u00e2ncer \u2013 INCA. O principal objetivo \u00e9 compartilhar e discutir as estrat\u00e9gias adotadas pelo hospital para melhorar a experi\u00eancia de crian\u00e7as e adolescentes submetidos \u00e0s sess\u00f5es di\u00e1rias de radioterapia. Al\u00e9m disso, demonstrar a efic\u00e1cia dessas a\u00e7\u00f5es por meio de evid\u00eancias e dados coletados. S\u00e3o apresentados os resultados alcan\u00e7ados, destacando o impacto no bem-estar dos usu\u00e1rios. As interven\u00e7\u00f5es resultaram na diminui\u00e7\u00e3o da necessidade de anestesia, no absente\u00edsmo e no relato de medo nas consultas de revis\u00e3o. A reforma arquitet\u00f4nica proporcionou um ambiente mais acolhedor e estimulante criando uma atmosfera mais positiva e menos intimidadora, em um cen\u00e1rio de incertezas e preocupa\u00e7\u00f5es. Os resultados destacam a import\u00e2ncia da humaniza\u00e7\u00e3o no contexto hospitalar, n\u00e3o apenas no atendimento, mas tamb\u00e9m na infraestrutura f\u00edsica dos espa\u00e7os. <br \/><br \/><strong>Palavras-chave<\/strong><br \/>humaniza\u00e7\u00e3o hospitalar; pediatria; radioterapia infantil.<br \/><br \/><strong>1. C\u00e2ncer e radioterapia infantojuvenil<\/strong><br \/>De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de C\u00e2ncer \u2013 INCA, estima-se que aproximadamente 704 mil novos casos de c\u00e2ncer ocorrer\u00e3o no Brasil durante o tri\u00eanio de 2023 a 2025. Desses casos, calcula-se que 7.930 ser\u00e3o de ocorr\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o infantojuvenil (INCA, 2022).<br \/><br \/>Ainda de acordo com a mesma fonte, nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, o progresso no tratamento do c\u00e2ncer na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia foi extremamente significativo. Atualmente, \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar uma taxa de cura em torno de 80% nesse grupo, desde que o diagn\u00f3stico seja precoce e o tratamento administrado, o mais adequado (INCA, 2022).<br \/><br \/>Nesse contexto, cerca de 40% dos pacientes pedi\u00e1tricos far\u00e3o sess\u00f5es de radioterapia como parte integrante do tratamento. Durante a terapia, os pacientes precisam frequentar o hospital diariamente por um per\u00edodo de at\u00e9 sete semanas, dependendo das caracter\u00edsticas espec\u00edficas do tumor (Magalh\u00e3es et al., 2022).<br \/><br \/>A radioterapia \u00e9 uma forma de tratamento oncol\u00f3gico, na qual radia\u00e7\u00f5es ionizantes s\u00e3o utilizadas para destruir as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas ou impedir que se multipliquem. No decorrer da sess\u00e3o, o paciente fica sozinho na sala, deitado na mesa de tratamento, enquanto a m\u00e1quina fica direcionada para a \u00e1rea do corpo a ser tratada. <br \/>\r\n<blockquote>Sendo na \u00e1rea de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, \u00e9 necess\u00e1rio que o paciente use uma m\u00e1scara que ajuda a manter a posi\u00e7\u00e3o correta durante o tratamento. Se for no restante do corpo, ser\u00e3o feitas marca\u00e7\u00f5es com uma tinta especial no local para os t\u00e9cnicos de radioterapia posicionarem o paciente corretamente [...] ap\u00f3s o paciente ser posicionado pelo t\u00e9cnico de radioterapia na maca do aparelho, ele dever\u00e1 ficar im\u00f3vel, para que a radia\u00e7\u00e3o n\u00e3o ultrapasse os limites da \u00e1rea marcada para o tratamento (INCA, 2023).<\/blockquote>\r\nSendo assim, a forma como \u00e9 estruturado o procedimento radioter\u00e1pico atualmente imp\u00f5e \u00e0 crian\u00e7a permanecer im\u00f3vel no equipamento durante as sess\u00f5es, o que pode ser bastante inc\u00f4modo e desafiador para essa faixa et\u00e1ria. Al\u00e9m disso, outras caracter\u00edsticas de uma sala de tratamento podem contribuir para uma percep\u00e7\u00e3o negativa do ambiente, como ilumina\u00e7\u00e3o reduzida, baixa temperatura, tamanho imponente do aparelho e aus\u00eancia do acompanhante.<br \/><br \/>Nesse contexto, segundo Magalh\u00e3es et al. (2022), as dificuldades enfrentadas pelos pacientes pedi\u00e1tricos diante das peculiaridades desse tratamento resultam na necessidade de utiliza\u00e7\u00e3o de anestesia ou seda\u00e7\u00e3o para cerca de 40% a 50% das crian\u00e7as tratadas (Khurmi et al., 2018). <br \/><br \/><strong>2. Humaniza\u00e7\u00e3o na radioterapia infantil do INCA<\/strong><br \/>O Instituto Nacional de C\u00e2ncer - INCA localiza-se no munic\u00edpio do Rio de Janeiro e possui quatro unidades hospitalares dedicadas ao tratamento oncol\u00f3gico. No Hospital do C\u00e2ncer I \u2013 HC I, situado \u00e0 Pra\u00e7a da Cruz Vermelha, no Centro da cidade, \u00e9 onde ocorre o atendimento aos pacientes pedi\u00e1tricos.<br \/><br \/>Por ano, aproximadamente 350 novos casos s\u00e3o admitidos pela unidade e, dentre eles, em torno de 120 crian\u00e7as s\u00e3o submetidas \u00e0 radioterapia. O tempo di\u00e1rio de perman\u00eancia no aparelho radioter\u00e1pico varia geralmente de 10 a 20 minutos, podendo dobrar se o tratamento for realizado sob anestesia (Magalh\u00e3es et al, 2022).<br \/><br \/>No setor da radioterapia infantil, diante do reconhecimento das dificuldades inerentes ao dia a dia, como o ambiente desfavor\u00e1vel e a fragilidade das crian\u00e7as e seus acompanhantes, come\u00e7aram a ser implementadas medidas de humaniza\u00e7\u00e3o com interven\u00e7\u00f5es l\u00fadicas de baixo custo, para melhorar tanto o bem-estar dos pacientes e seus familiares como a efici\u00eancia do fluxo operacional.<br \/><br \/>Essas a\u00e7\u00f5es est\u00e3o alinhadas com o que preconiza a Pol\u00edtica Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o \u2013 PNH (Brasil, 2004), que apresenta diretrizes a serem efetivadas no cotidiano da rede de sa\u00fade p\u00fablica do Brasil para aumentar a qualidade do atendimento e da gest\u00e3o.<br \/><br \/>A primeira ideia aplicada foi o uso das chamadas m\u00e1scaras termopl\u00e1sticas, que imobilizam as crian\u00e7as que tratam as regi\u00f5es de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o. Elas s\u00e3o moldadas de forma espec\u00edfica para cada indiv\u00edduo, conforme suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas, e passaram a ser customizadas com personagens do universo infantil, de acordo com a prefer\u00eancia de cada um.<br \/><br \/>Com isso, a equipe respons\u00e1vel pelos atendimentos do setor observou que os pacientes pedi\u00e1tricos apresentaram uma excelente aceita\u00e7\u00e3o diante dessa primeira a\u00e7\u00e3o. A partir desse momento, o mundo dos super-her\u00f3is e princesas, entre outros \u00edcones, passou a fazer parte do ambiente da radioterapia e inspirou a equipe de profissionais a desenvolver mais propostas que ofere\u00e7am acolhimento em uma atmosfera l\u00fadica.<br \/><br \/>Por meio de uma campanha de doa\u00e7\u00e3o de fantasias, as crian\u00e7as passaram a fazer o tratamento com o uniforme completo, vestidas com a roupa e a m\u00e1scara de seus personagens favoritos (Figuras 1 e 2).<br \/><br \/><br \/><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-8817 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-1-252x300.png\" alt=\"\" width=\"252\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-1-252x300.png 252w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-1.png 432w\" sizes=\"(max-width: 252px) 100vw, 252px\" \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-8818 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-2-300x225.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-2-300x225.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-2.png 589w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\r\n<div>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Fotos 1 e 2 \u2013<\/strong> Pacientes prontos para in\u00edcio da sess\u00e3o de radioterapia, com suas fantasias e m\u00e1scaras customizadas. <br \/>Fonte: Radioterapia do INCA, 2022.<\/p>\r\nAl\u00e9m disso, foram introduzidas outras iniciativas, como a reprodu\u00e7\u00e3o de contos e m\u00fasicas na sala de tratamento; comemora\u00e7\u00e3o de datas festivas; celebra\u00e7\u00e3o do Dia dos Incr\u00edveis, com a presen\u00e7a de personagens que distribuem presentes; doa\u00e7\u00e3o de um kit de boas-vindas para quem est\u00e1 chegando, contendo manta, copo, itens de higiene e brinquedos variados; doa\u00e7\u00e3o da m\u00e1scara personalizada no fim do tratamento, al\u00e9m de bonecos de feltro do personagem favorito e premia\u00e7\u00e3o com certificados de coragem.<br \/><br \/>Simultaneamente, os espa\u00e7os de espera passaram por mudan\u00e7a de layout para favorecer o brINCAr, com a ajuda de livros, jogos, brinquedos e materiais para desenho, tamb\u00e9m provenientes de doa\u00e7\u00f5es.<br \/><br \/>A implementa\u00e7\u00e3o e os resultados dessas interven\u00e7\u00f5es foram objeto de pesquisa de Magalh\u00e3es et al. (2022). De maio de 2016 a dezembro de 2017, foram avaliadas 188 crian\u00e7as com idade inferior a 18 anos. Entre elas, 144 receberam alguma forma de interven\u00e7\u00e3o de humaniza\u00e7\u00e3o durante o tratamento. A maioria estava na faixa et\u00e1ria entre quatro e sete anos (35,2%), e a m\u00e9dia de idade foi de 8,5 anos. Como resultado:<br \/>\r\n<blockquote>Foi poss\u00edvel constatar que pequenas atitudes puderam transformar o entendimento e o enfrentamento de um problema. O aparelho volumoso, e at\u00e9 ent\u00e3o assustador, passou a ser chamado de nave espacial e fazer parte de um universo l\u00fadico, em que os super-her\u00f3is ganharam for\u00e7a e confian\u00e7a e o medo se transformou em aventura. Ao receberem a fantasia correspondente \u00e0 m\u00e1scara escolhida, a imagina\u00e7\u00e3o se encarregou de completar a transforma\u00e7\u00e3o. A mudan\u00e7a de comportamento foi evidente para todos os envolvidos, um tratamento antes t\u00e3o temido passou a ser desejado pelos pequenos pacientes, que passaram a pedir para irem ao hospital tamb\u00e9m nos fins de semana. A confian\u00e7a entre os familiares e a equipe aumentou, e os pais puderam apoiar e participar mais ativamente do tratamento de seus filhos, contribuindo para um ambiente mais acolhedor. Esse cen\u00e1rio l\u00fadico permitiu uma maior ades\u00e3o ao tratamento, as faltas passaram a ser raras e a necessidade de ficar im\u00f3vel passou a fazer parte da atmosfera de brINCAdeira, agilizando os tratamentos nos aparelhos (Magalh\u00e3es, et al., 2022, p. 4).<\/blockquote>\r\nEstatisticamente, 33,8% das crian\u00e7as que participaram do estudo precisaram de anestesia, n\u00famero abaixo do valor de refer\u00eancia (de 40% a 50%) apontado por Khurmi et al. (2018).<br \/><br \/>Al\u00e9m disso, 7,7% dos pacientes acompanhados pelo estudo conseguiram abandonar a necessidade da anestesia durante as sess\u00f5es, fato associado \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a com o processo. O absente\u00edsmo tamb\u00e9m foi reduzido, e o medo do tratamento passou a n\u00e3o ser mais relatado nas consultas de revis\u00e3o. <br \/><br \/><strong>3. A humaniza\u00e7\u00e3o por meio da arquitetura<\/strong><br \/>Em busca de aprimorar continuamente a qualidade do atendimento prestado \u00e0s fam\u00edlias que frequentam diariamente o setor da radioterapia, a equipe de profissionais respons\u00e1veis pela assist\u00eancia desenvolveu novos objetivos para dar continuidade ao processo de humaniza\u00e7\u00e3o. Dessa vez, o foco foi na remodela\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o f\u00edsico.<br \/><br \/>Nesse contexto, foi necess\u00e1rio buscar verbas para a concretiza\u00e7\u00e3o da ideia submetendo o projeto ao edital do Banco do Bem. Lan\u00e7ado anualmente pelo INCAvolunt\u00e1rio desde 2007, o edital destina as doa\u00e7\u00f5es financeiras recebidas para projetos que visam proporcionar melhorias na qualidade de vida dos pacientes e seus acompanhantes (INCAvolunt\u00e1rio, 2024).<br \/><br \/>A \u00e1rea de a\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias do Instituto Nacional de C\u00e2ncer, o INCAvolunt\u00e1rio, \u00e9 respons\u00e1vel pelo planejamento e promo\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas dentro da institui\u00e7\u00e3o em prol dos pacientes. Formalizado em 2003, entre seus objetivos est\u00e1 a humaniza\u00e7\u00e3o do ambiente hospitalar; a melhoria da autoestima das pessoas em tratamento e seus acompanhantes; o apoio para que o paciente n\u00e3o interrompa o tratamento por falta de recursos financeiros; e a promo\u00e7\u00e3o de atividades que contribuam para a gera\u00e7\u00e3o de renda (INCA, 2022).<br \/><br \/>Na sele\u00e7\u00e3o do Banco do Bem realizada no fim de 2022, a proposta para humaniza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o f\u00edsico da radioterapia infantil da institui\u00e7\u00e3o foi selecionada e, com isso, iniciou-se a nova etapa de interven\u00e7\u00e3o. <br \/><br \/>Foi contratada uma equipe de arquitetos para desenvolver o projeto de reforma dos ambientes de atendimento de radioterapia infantil a partir do conceito de que as crian\u00e7as enxergam a m\u00e1quina de tratamento como uma nave espacial, aliado \u00e0 paix\u00e3o delas por super-her\u00f3is e princesas. <br \/><br \/>Os locais inclu\u00eddos na \u00e1rea de interven\u00e7\u00e3o foram: sala de espera, sala de tratamento, sala de recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-anest\u00e9sica (RPA) e camarim (espa\u00e7o para onde as crian\u00e7as v\u00e3o para escolher suas fantasias, se arrumarem e se prepararem para entrar na aventura do processo terap\u00eautico).<br \/><br \/>Considerando a realidade de um hospital p\u00fablico, o planejamento da reforma teve como fator limitante uma verba restrita, que n\u00e3o possibilitaria uma reformula\u00e7\u00e3o total das salas envolvidas. Al\u00e9m disso, as solu\u00e7\u00f5es apresentadas para os acabamentos e mobili\u00e1rios deveriam ser de f\u00e1cil manuten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o comprometer o bom funcionamento das instala\u00e7\u00f5es ao longo dos anos.<br \/><br \/>As discuss\u00f5es, desde o projeto b\u00e1sico at\u00e9 o executivo, envolveram uma equipe multidisciplinar composta por funcion\u00e1rios do INCA e arquitetos contratados. O resultado apresentado criou uma atmosfera espacial, com a presen\u00e7a de her\u00f3is, astronautas, estrelas, entre outros elementos, conforme pode ser visto nas fotos a seguir.<br \/><br \/>Na sala de espera, optou-se por alterar a cor das paredes (antes vermelhas) o layout das longarinas enfileiradas e a ilumina\u00e7\u00e3o impessoal. As novas cores empregadas contribuem para a sensa\u00e7\u00e3o de acolhimento e tranquilidade; o sof\u00e1 em formato de U estimula a intera\u00e7\u00e3o e a troca de experi\u00eancias entre as pessoas; a ilumina\u00e7\u00e3o ganhou destaque e ajuda a valorizar os elementos que comp\u00f5em o ambiente (Figura 3). <br \/><br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8819\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-3-300x169.png\" alt=\"\" width=\"470\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-3-300x169.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-3-1024x576.png 1024w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-3-768x432.png 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-3-1536x864.png 1536w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-3.png 1600w\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Foto 3 \u2013<\/strong> Maquete eletr\u00f4nica do projeto da sala de espera da radioterapia infantil. Projeto de Elisa Bittar, Epit\u00e1cio Panda, Jo\u00e3o Vicente Guimar\u00e3es e Luiz Aguiar. Fonte: Radioterapia do INCA, 2023.<\/p>\r\n<br \/>O design do espa\u00e7o permite que as crian\u00e7as explorem a decora\u00e7\u00e3o e os cantinhos dispon\u00edveis. Al\u00e9m disso, a porta de acesso \u00e0 sala de tratamento foi projetada de forma a sugerir a entrada em um universo alternativo, tornando a experi\u00eancia mais l\u00fadica e menos intimidadora para os pequenos pacientes.<br \/><br \/>Na sala de tratamento, predominam as tonalidades azul e branco como recurso para acalmar os usu\u00e1rios. Pinturas representando elementos da gal\u00e1xia foram adicionadas \u00e0s paredes, acompanhadas por uma ilumina\u00e7\u00e3o c\u00eanica que convida o paciente a entrar no ambiente e explor\u00e1-lo. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel oferecer um espa\u00e7o que desperta interesse e curiosidade, ao mesmo tempo que proporciona acolhimento (Figuras 4 e 5). <br \/><br \/>\r\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8820 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-4-300x169.png\" alt=\"\" width=\"470\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-4-300x169.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-4-1024x576.png 1024w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-4-768x432.png 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-4-1536x864.png 1536w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-4.png 1600w\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Foto 4 \u2013<\/strong> Maquete eletr\u00f4nica do projeto da sala de tratamento da radioterapia infantil. Projeto de Elisa Bittar, Epit\u00e1cio Panda, Jo\u00e3o V. Guimar\u00e3es e Luiz Aguiar. Fonte: Radioterapia do INCA, 2023.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8821\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-5-300x169.png\" alt=\"\" width=\"470\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-5-300x169.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-5-1024x576.png 1024w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-5-768x432.png 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-5-1536x864.png 1536w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-5.png 1600w\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Foto 5 \u2013<\/strong> Maquete eletr\u00f4nica do projeto da entrada da sala de tratamento. Projeto de Elisa Bittar, Epit\u00e1cio Panda, Jo\u00e3o Vicente Guimar\u00e3es e Luiz Aguiar. Fonte: Radioterapia do INCA, 2023.<\/p>\r\n<br \/><strong>4. O desafio da execu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>Ap\u00f3s a conclus\u00e3o do projeto, o desafio crucial passou a ser conseguir executar a obra sem comprometer a assist\u00eancia aos pacientes. O setor da radioterapia opera de segunda a sexta-feira, das 6h30 \u00e0s 22h, e \u00e9 respons\u00e1vel pelo atendimento de 50 a 60 pessoas por dia. A maior preocupa\u00e7\u00e3o girou em torno do aparelho utilizado no tratamento, que \u00e9 extremamente sens\u00edvel e cujo funcionamento poderia ser interrompido por qualquer interfer\u00eancia.<br \/><br \/>O hor\u00e1rio para a realiza\u00e7\u00e3o da obra ficou definido das 22h \u00e0s 4h, e o atendimento aos pacientes passou a come\u00e7ar \u00e0s 8h. Com isso, seria poss\u00edvel verificar eventuais comprometimentos na calibragem do equipamento antes do in\u00edcio das sess\u00f5es, al\u00e9m de assegurar a adequada limpeza da \u00e1rea.<br \/><br \/>Durante a obra, todos os dias, antes do in\u00edcio dos servi\u00e7os, todos os elementos m\u00f3veis eram removidos das salas, e a m\u00e1quina radioter\u00e1pica, isolada. Ap\u00f3s o fim do expediente, os itens deslocados retornavam \u00e0s suas posi\u00e7\u00f5es originais e o aparelho era liberado para uso.<br \/><br \/>A obra foi finalizada com sucesso no fim de abril de 2024. O planejamento cauteloso da execu\u00e7\u00e3o, que envolveu o gerenciamento de custos, tempo, riscos, entre outros, associado ao comprometimento dos colaboradores envolvidos no processo, resultou no alcance dos objetivos do projeto de humaniza\u00e7\u00e3o. <br \/><br \/>\r\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8822 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-6-135x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-6-135x300.jpeg 135w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-6-461x1024.jpeg 461w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-6-768x1707.jpeg 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-6-691x1536.jpeg 691w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-6-922x2048.jpeg 922w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-6-scaled.jpeg 1152w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Foto 6 \u2013<\/strong> Sala de tratamento ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o da reforma, com proje\u00e7\u00f5es que remetem \u00e0s estrelas. <br \/>Fonte: Arquivo pessoal dos autores, 2024.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8823\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-7-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-7-225x300.jpeg 225w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-7-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-7-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-7-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-7-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Foto 7 \u2013<\/strong> Sala do camarim pronta para receber as crian\u00e7as ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o da reforma. <br \/>Fonte: Arquivo pessoal dos autores, 2024.<\/p>\r\nApesar de ainda n\u00e3o terem sido realizados estudos quantitativos e qualitativos, a equipe respons\u00e1vel pelo atendimento di\u00e1rio no setor da radioterapia infantil relata o impacto imediato que a interven\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica causou. Foi poss\u00edvel reduzir ainda mais o n\u00famero de crian\u00e7as que necessitam de anestesia para conseguir fazer as sess\u00f5es do tratamento.<br \/><br \/>Al\u00e9m disso, algumas crian\u00e7as internadas no hospital t\u00eam procurado a sala de espera apenas para brINCAr, o que mostra a boa aceita\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao novo conceito da decora\u00e7\u00e3o. <br \/><br \/>\r\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8824 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-8-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-8-225x300.jpeg 225w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-8-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-8.jpeg 960w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>&nbsp; <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8825 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-9-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-9-225x300.jpeg 225w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-9-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-9-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-9-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/FOTO-9-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Fotos 8 e 9 \u2013<\/strong> Sala de espera em uso ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o da reforma.<br \/>Fonte: Arquivo pessoal dos autores, 2024.<\/p>\r\n<br \/><strong>5. Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><br \/>A humaniza\u00e7\u00e3o do ambiente hospitalar pode se manifestar por meio do atendimento ou da arquitetura. O atendimento est\u00e1 relacionado \u00e0 forma como cada paciente \u00e9 acolhido pelos funcion\u00e1rios da unidade de sa\u00fade. A arquitetura diz respeito a como o uso de atributos f\u00edsicos e est\u00e9ticos em um espa\u00e7o pode exercer influ\u00eancia positiva sobre a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar de cada indiv\u00edduo, contribuindo para a boa evolu\u00e7\u00e3o do processo terap\u00eautico.<br \/><br \/>Para Toledo (2006), o hospital humanizado \u00e9 aquele que contempla, em sua estrutura f\u00edsica, tecnol\u00f3gica, humana e administrativa, a valoriza\u00e7\u00e3o e o respeito \u00e0 dignidade da pessoa, seja paciente, seja familiar, seja o pr\u00f3prio profissional que nele trabalha. Paralelamente, Ulrich (1990) considera que existem tr\u00eas atributos para a humaniza\u00e7\u00e3o: o controle do ambiente; o suporte social; e as distra\u00e7\u00f5es positivas.<br \/>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o do atendimento, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade lan\u00e7ou projetos como o Programa Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o da Assist\u00eancia Hospitalar \u2013 PNHAH (Brasil, 2001) e a Pol\u00edtica Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o da Aten\u00e7\u00e3o e da Gest\u00e3o no Sistema \u00danico de Sa\u00fade \u2013 PNH, tamb\u00e9m conhecido como HumanizaSUS (Brasil, 2004), para estabelecer diretrizes a serem colocadas em pr\u00e1tica na rede de sa\u00fade p\u00fablica brasileira.<br \/><br \/>No que diz respeito \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica, a partir da d\u00e9cada de 1980, importantes pesquisas realizadas mostraram que o ambiente f\u00edsico hospitalar exerce influ\u00eancia sobre os pacientes. Nesse contexto, destaca-se o trabalho primoroso de Roger S. Ulrich, pesquisador mais citado internacionalmente no \u00e2mbito do design de sa\u00fade baseado em evid\u00eancias e que impulsionou discuss\u00f5es na \u00e1rea de arquitetura e sa\u00fade em todo o mundo.<br \/><br \/>Um projeto hospitalar precisa atender a quest\u00f5es t\u00e9cnicas e funcionais, respeitar as exig\u00eancias normativas e limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias e, ao mesmo tempo, proporcionar suporte para as necessidades f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas de cada pessoa. Al\u00e9m de, principalmente, garantir a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. <br \/><br \/>Com o exemplo das iniciativas colocadas em pr\u00e1tica na radioterapia infantil do INCA, podemos verificar que, apesar dos recursos financeiros limitados, \u00e9 poss\u00edvel colocar o paciente como protagonista do processo terap\u00eautico, criando a\u00e7\u00f5es e um design personalizado para suas necessidades. Tudo isso sem deixar de lado a funcionalidade e todos os aspectos que precisam estar envolvidos no projeto arquitet\u00f4nico e no protocolo de atendimento oncol\u00f3gico, deixando um pouco de lado a ideia de que o hospital \u00e9 um local ligado \u00e0 dor e ao sofrimento.<br \/><br \/>Nesse contexto, o Instituto Desiderata (2015) conclui que quando o setor de um hospital se interessa pela modifica\u00e7\u00e3o do ambiente \u00e9 por perceber que seus espa\u00e7os podem ser transformados em locais mais emp\u00e1ticos, que potencializem positivamente as rela\u00e7\u00f5es estabelecidas entre profissionais, pacientes e cuidadores e, em alguma medida, amenizem os impactos do tratamento. <br \/><br \/>Culturalmente, hospitais s\u00e3o relacionados a espa\u00e7os hostis, desagrad\u00e1veis e impessoais, que exercem medo e inc\u00f4modo nas pessoas. No caso apresentado neste trabalho, \u00e9 fundamental que as crian\u00e7as e seus familiares se sintam acolhidos e confiantes, especialmente em um momento repleto de incertezas, temor do desconhecido, ansiedade e estresse, sentimentos comuns na vida das pessoas que enfrentam o c\u00e2ncer. <br \/><br \/>Os acompanhantes precisam se sentir seguros para oferecer o suporte afetivo necess\u00e1rio ao paciente. A crian\u00e7a que se apresenta calma e sem medo pode reduzir a necessidade de anestesia, evitando efeitos colaterais da medica\u00e7\u00e3o e reduzindo o tempo de atendimento, permitindo que mais pacientes sejam atendidos por dia, conforme apontou Magalh\u00e3es (2020).<br \/><br \/>As pesquisas cient\u00edficas no campo da sa\u00fade e da oncologia t\u00eam permitido evolu\u00e7\u00f5es significativas nas taxas de cura do c\u00e2ncer infantojuvenil. Dessa forma, medicina e arquitetura juntas t\u00eam a capacidade de contribuir para a melhoria do processo terap\u00eautico do tratamento contra o c\u00e2ncer. <br \/><br \/>Como pr\u00f3ximos passos, \u00e9 necess\u00e1rio que a experi\u00eancia da reforma do setor da radioterapia infantil do INCA seja submetida a uma Avalia\u00e7\u00e3o de P\u00f3s-ocupa\u00e7\u00e3o (APO) para avaliar de forma mais detalhada a efic\u00e1cia do projeto, identificar pontos pass\u00edveis de melhorias, compartilhar as li\u00e7\u00f5es aprendidas, incentivar possibilidades de cria\u00e7\u00e3o de novas interven\u00e7\u00f5es dentro da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o e contribuir para a realidade de outros hospitais, principalmente da rede p\u00fablica do Brasil, onde ainda \u00e9 dif\u00edcil aplicar o conceito de humaniza\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica. <br \/><br \/>\u00c9 importante que os avan\u00e7os na forma de pensar e conceber as unidades de sa\u00fade n\u00e3o se restrinjam aos estabelecimentos particulares do nosso pa\u00eds. De acordo com uma pesquisa realizada pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, o n\u00famero de brasileiros que utilizou algum servi\u00e7o em hospital p\u00fablico nos \u00faltimos 12 meses cresceu de 51%, em 2011, para 65%, em 2018 (CNI, 2018). Isso mostra que a rede do SUS precisa estar cada vez mais preparada para o atendimento da popula\u00e7\u00e3o, inclusive no aspecto da estrutura f\u00edsica. <br \/><br \/><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><br \/>BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. <strong>HumanizaSUS: Pol\u00edtica Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o.<\/strong> Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2004. Dispon\u00edvel em: https:\/\/redehumanizasus.net\/acervo\/humanizasus-politica-nacional-de-humanizac%cc%a7a%cc%83o-a-humanizac%cc%a7a%cc%83o-como-eixo-norteador-das-praticas-de-atenc%cc%a7a%cc%83o-e-gesta%cc%83o-em-todas-as-insta%cc%82ncias-do-sus\/. Acesso em 16 de mar\u00e7o de 2024.<br \/><br \/>BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. <strong>Programa Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o da Assist\u00eancia Hospitalar.<\/strong> Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2001. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/pnhah01.pdf. Acesso em 16 de mar\u00e7o de 2024.<br \/><br \/>CONFEDERA\u00c7\u00c3O NACIONAL DA IND\u00daSTRIA - CNI. <strong>Retratos da sociedade brasileira.<\/strong> Sa\u00fade p\u00fablica. Avalia\u00e7\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 ruim e vem piorando. Ano 7, n. 44. \u2013 Bras\u00edlia, junho de 2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/static.portaldaindustria.com.br\/media\/filer_public\/18\/7f\/187f1473-2603-4b06-a8a1-070486293e98\/retratosdasociedadebrasileira_44_saude.pdf. Acesso em 1\u00ba de mar\u00e7o de 2024.<br \/><br \/>FONTES, M. <strong>Humaniza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de sa\u00fade: contribui\u00e7\u00f5es para a arquitetura na avalia\u00e7\u00e3o da qualidade do atendimento.<\/strong> 2007. 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