{"id":8803,"date":"2024-11-30T09:34:30","date_gmt":"2024-11-30T12:34:30","guid":{"rendered":"https:\/\/iph.org.br\/materia\/pacientes-com-transtorno-de-processamento-sensorial-em-um-hospital-pediatrico-terciario-identificacao-de-gatilhos-de-desconforto\/"},"modified":"2024-11-30T13:35:35","modified_gmt":"2024-11-30T16:35:35","slug":"pacientes-com-transtorno-de-processamento-sensorial-em-um-hospital-pediatrico-terciario-identificacao-de-gatilhos-de-desconforto","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/iph.org.br\/en\/materia\/pacientes-com-transtorno-de-processamento-sensorial-em-um-hospital-pediatrico-terciario-identificacao-de-gatilhos-de-desconforto\/","title":{"rendered":"Pacientes com transtorno de processamento sensorial em um hospital pedi\u00e1trico terci\u00e1rio: identifica\u00e7\u00e3o de gatilhos de desconforto"},"content":{"rendered":"<strong>Resumo<\/strong><br \/><strong>Introdu\u00e7\u00e3o:<\/strong> o corpo humano percebe o ambiente constru\u00eddo atrav\u00e9s dos sentidos, e a interpreta\u00e7\u00e3o desses afeta nosso bem-estar mental e f\u00edsico. Experi\u00eancias anteriores e suas intera\u00e7\u00f5es sensoriais com o meio est\u00e3o ligadas \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e \u00e0 mem\u00f3ria, e se relacionam de forma direta com o conforto dos usu\u00e1rios. Nesse contexto, devem ser consideradas diferen\u00e7as de compreens\u00e3o do lugar entre indiv\u00edduos neurot\u00edpicos e at\u00edpicos. Identificar gatilhos de desconforto em pacientes com Transtorno do Processamento Sensorial (TPS) \u00e9 importante para entender como eles poderiam potencialmente ser aliviados com modifica\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o. <strong>Objetivo:<\/strong> identificar a relev\u00e2ncia do ambiente constru\u00eddo no conforto de pacientes de um hospital pedi\u00e1trico terci\u00e1rio por meio do mapeamento de gatilhos sensoriais relacionados \u00e0 intera\u00e7\u00e3o com os espa\u00e7os acessados na institui\u00e7\u00e3o. <strong>Materiais e m\u00e9todos:<\/strong> pesquisa qualitativa, explorat\u00f3ria, descritiva, com abordagem te\u00f3rica e fenomenol\u00f3gica. O escopo do estudo incluiu a revis\u00e3o de literatura dispon\u00edvel acerca do tema e an\u00e1lise de respostas das entrevistas com pacientes do hospital entre 2 e 18 anos que apresentaram diagn\u00f3sticos comumente relacionados ao TPS. Durante as entrevistas, os acompanhantes das crian\u00e7as foram questionados sobre as rea\u00e7\u00f5es dos pacientes a diversos est\u00edmulos sensoriais. <strong>Resultados e discuss\u00e3o:<\/strong> os resultados das entrevistas mostraram que muitas crian\u00e7as apresentaram desconforto com est\u00edmulos sensoriais, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de adaptar ambientes \u00e0s necessidades individuais dos pacientes. Prop\u00f5e-se diretrizes para a elabora\u00e7\u00e3o de projetos de interven\u00e7\u00e3o na infraestrutura do hospital que respeitem as necessidades dos pacientes com Transtorno de Processamento Sensorial.<br \/><br \/><strong>Palavras-chave<\/strong><br \/>conforto ambiental, design centrado no usu\u00e1rio, indiv\u00edduos neurot\u00edpicos, projeto arquitet\u00f4nico baseado em evid\u00eancias, experi\u00eancia do usu\u00e1rio.<br \/><br \/><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>O Transtorno de Processamento Sensorial (TPS), tamb\u00e9m chamado de Disfun\u00e7\u00e3o da Integra\u00e7\u00e3o Sensorial, \u00e9 uma desordem neurol\u00f3gica caracterizada por causar dificuldades na assimila\u00e7\u00e3o, no processamento e na resposta \u00e0s informa\u00e7\u00f5es sensoriais acerca do ambiente e dos sentidos do corpo do indiv\u00edduo \u2013 auditivo, t\u00e1til, olfativo, gustativo, visual, vestibular e proprioceptivo. O TPS pode estar presente em indiv\u00edduos sem qualquer diagn\u00f3stico cl\u00ednico pr\u00e9vio, por\u00e9m \u00e9 frequentemente observado em conjunto com outras condi\u00e7\u00f5es. Estima-se que entre 15% e 20% da popula\u00e7\u00e3o global se encontre dentro do espectro da neurodiverg\u00eancia, com as sensibilidades de processamento sensorial frequentemente impactando sua experi\u00eancia em espa\u00e7os p\u00fablicos (Doylle, 2020, p.112). De acordo com Emmons (2006), os diagn\u00f3sticos e condi\u00e7\u00f5es mais comuns relacionados ao Transtorno de Processamento Sensorial, entre outros, s\u00e3o Transtorno do Neurodesenvolvimento (TND), Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o\/Hiperatividade (TDA, TDAH), S\u00edndrome de Down, paralisia cerebral e defici\u00eancia intelectual.<br \/><br \/>As altera\u00e7\u00f5es nas respostas aos est\u00edmulos sensoriais foram originalmente identificadas pela terapeuta ocupacional norte-americana Anna Jean Ayres, em 1972, quando estudava crian\u00e7as com dificuldades de aprendizagem. Ayres (1972) associou seus conhecimentos de neurobiologia \u00e0 observa\u00e7\u00e3o detalhada do comportamento das crian\u00e7as e teorizou que o comprometimento do processamento sensorial pode resultar em v\u00e1rios problemas funcionais, nomeando essa condi\u00e7\u00e3o de disfun\u00e7\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o sensorial. Atualmente, essa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 denominada TPS, terminologia mais adequada, por fazer a diferencia\u00e7\u00e3o entre a condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica e o processo celular neurofisiol\u00f3gico envolvido (Miller, 2012, apud Machado, 2017, p.93).<br \/><br \/>Segundo Coolen (2006), as pessoas que sofrem desse transtorno s\u00e3o intimamente afetadas pelo ambiente constru\u00eddo e seu entorno. Tal achado foi refor\u00e7ado por Barker (2014) em estudo que afirma que o ambiente constru\u00eddo gera um grande impacto na crian\u00e7a com TPS. Tal popula\u00e7\u00e3o pode ser hiper-reativa ou hiporreativa aos est\u00edmulos sensoriais, o que pode desencadear sentimentos de ang\u00fastia, ansiedade, estresse e, ocasionalmente, dor f\u00edsica.<br \/>Conforme Dzebic (2014), as propriedades visuais e espaciais de um ambiente interferem diretamente na experi\u00eancia dos espa\u00e7os e podem influenciar como o espa\u00e7o \u00e9 usado e, assim, incutir a presen\u00e7a e o comportamento de outros indiv\u00edduos. O que corrobora a afirma\u00e7\u00e3o de Gage (2003) de que as altera\u00e7\u00f5es no ambiente t\u00eam efeito no c\u00e9rebro e, por consequ\u00eancia, no comportamento do usu\u00e1rio.<br \/><br \/>De acordo com Unwin (2003), na assimila\u00e7\u00e3o f\u00edsica e experi\u00eancia real do desenho arquitet\u00f4nico, a sensa\u00e7\u00e3o espacial pode ser modificada pelos seguintes elementos: luz, cor, som, temperatura, ar, movimento\/ventila\u00e7\u00e3o, cheiro, textura, escala e tempo. A manipula\u00e7\u00e3o dos referidos elementos de design pode impactar a experi\u00eancia sensorial do espa\u00e7o e, possivelmente, alterar a resposta e o comportamento do usu\u00e1rio (Pallasma, 2011).<br \/><br \/>Devido \u00e0 diversidade de perfis dos pacientes com TPS, em especial, crian\u00e7as autistas, os estudos pr\u00e9vios apresentam resultados e conclus\u00f5es diferentes acerca de orienta\u00e7\u00f5es de manejo do espa\u00e7o constru\u00eddo. O que sugere que a defini\u00e7\u00e3o de como o ambiente deve ser tratado n\u00e3o \u00e9 muito clara e que o resultado varia de pessoa para pessoa. Diante disso, identifica-se a necessidade de avaliar o perfil de pacientes dentro de um contexto espec\u00edfico, abarcando as necessidades particulares das crian\u00e7as que utilizam o espa\u00e7o. Tal demanda \u00e9 refor\u00e7ada por Kinnaer (2015), que evidencia a diferen\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o entre as pessoas e ratifica a necessidade de pesquisas dentro de subgrupos espec\u00edficos para alcan\u00e7ar resultados mais concretos, visto que os estudos pr\u00e9vios s\u00e3o generalizados.<br \/><br \/>Diante do exposto, considera-se o seguinte questionamento: qual a relev\u00e2ncia do ambiente constru\u00eddo para pacientes de um hospital pedi\u00e1trico terci\u00e1rio com Transtorno de Processamento Sensorial?<br \/><br \/><strong>Justificativa<\/strong><br \/>A escolha do tema baseou-se no crescente aumento no n\u00famero de diagn\u00f3sticos de transtornos neurol\u00f3gicos, tal como autismo, intimamente vinculado com TPS, o que traz enfoque para a aten\u00e7\u00e3o diferenciada que esse tipo de paciente deve receber. Durante a busca de refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas, verificou-se que, houve a produ\u00e7\u00e3o de pesquisas correlacionando o espa\u00e7o e os usu\u00e1rios com transtornos sensoriais, a fim de definir novas orienta\u00e7\u00f5es e diretrizes para projetos arquitet\u00f4nicos. Entretanto, por se tratar de tema recente, ainda h\u00e1 uma lacuna nas publica\u00e7\u00f5es que abordem essa rela\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, Paron-Wildes (2005) explica que, para o projeto arquitet\u00f4nico de ambientes infantis, \u00e9 importante considerar as necessidades de crian\u00e7as com dist\u00farbios neurol\u00f3gicos e pensar o espa\u00e7o como uma experi\u00eancia. Assim, destaca-se neste estudo a identifica\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es dos pacientes de maneira a criar diretrizes de projeto de ambientes em que a crian\u00e7a possa se sentir sensorialmente confort\u00e1vel, dado que muitos dos sintomas podem ser manifesta\u00e7\u00f5es de seu desconforto sensorial (Gopal, 2018). Logo, justifica-se a necessidade de desenvolvimento de estudos como este, em que o enfoque principal se d\u00e1 nas experi\u00eancias e percep\u00e7\u00f5es dos usu\u00e1rios sobre o ambiente constru\u00eddo.<br \/><br \/><strong>Objetivo<\/strong><br \/>Identificar a relev\u00e2ncia do ambiente constru\u00eddo no conforto de pacientes pedi\u00e1tricos com TPS de hospital pedi\u00e1trico terci\u00e1rio e mapear gatilhos sensoriais relacionados \u00e0 intera\u00e7\u00e3o com os ambientes existentes acessados no hospital.<br \/><br \/><strong>Metodologia<\/strong><br \/>O local de estudo \u00e9 o Hospital da Crian\u00e7a de Bras\u00edlia Jos\u00e9 Alencar (HCB), um hospital terci\u00e1rio que oferece atendimento integrado e multidisciplinar para pacientes com doen\u00e7as raras, complexas e cr\u00f4nicas. O estudo foi realizado no HCB durante o per\u00edodo de setembro de 2022 a janeiro de 2024 e aprovado pelo Comit\u00ea de \u00c9tica em Pesquisa (CEP), sob o CAEE n\u00ba 60818122.2.0000.0144, parecer consubstanciado n\u00ba 5.713.337. <br \/><br \/>Trata de pesquisa qualitativa explorat\u00f3ria, com an\u00e1lise descritiva e abordagem te\u00f3rica e fenomenol\u00f3gica cujo objetivo \u00e9 enfatizar o envolvimento profundo, a interpreta\u00e7\u00e3o e a integra\u00e7\u00e3o da teoria com dados emp\u00edricos. O estudo foi dividido em duas etapas: (1) entrevista semiestruturada e (2) revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, para relacionar os achados \u00e0 literatura.<br \/><br \/>Para a primeira etapa, a popula\u00e7\u00e3o foi composta por pais e\/ou respons\u00e1veis (tutores) de crian\u00e7as atendidas nas diversas especialidades pedi\u00e1tricas do HCB. Foram inclu\u00eddos na pesquisa os acompanhantes maiores de 18 anos de pacientes de qualquer sexo, maiores de 2 anos e menores de 18 anos, com diagn\u00f3sticos relacionados ao TPS. Foram exclu\u00eddos do estudo os acompanhantes menores de 18 anos de pacientes e\/ou em suas primeiras visitas ao hospital e\/ou com prontu\u00e1rios com informa\u00e7\u00f5es incompletas em rela\u00e7\u00e3o ao diagn\u00f3stico cl\u00ednico. Ap\u00f3s assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), foram conduzidas as entrevistas utilizando como roteiro o Formul\u00e1rio de Entrevista no formato de quest\u00f5es objetivas. Foi criado um di\u00e1rio de bordo f\u00edsico contendo as anota\u00e7\u00f5es sobre os relatos dos acompanhantes, as nuances das respostas e as percep\u00e7\u00f5es gerais. Tendo em vista o tema da pesquisa e seus objetivos de investiga\u00e7\u00e3o, optou-se pelo m\u00e9todo qualitativo com an\u00e1lise tem\u00e1tica, uma vez que essa abordagem permite adotar uma condu\u00e7\u00e3o interpretativa dos comportamentos e fen\u00f4menos sociais, dando prioridade \u00e0 significa\u00e7\u00e3o pessoal dos fen\u00f4menos, conforme Braun e Clarke (2006). Por meio da revis\u00e3o de literatura, foram identificadas as recomenda\u00e7\u00f5es atuais de projeto e adjacentes no campo, os relatos da popula\u00e7\u00e3o neurodivergente, o contexto hist\u00f3rico relevante e as teorias associadas como conceitos sensibilizadores. Identificados no in\u00edcio do processo de pesquisa, esses conceitos serviram como ponto de partida fundamental e foram instrumentais para orientar uma an\u00e1lise cruzada com os resultados do estudo.<br \/><br \/><strong>Resultados<\/strong> <br \/>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 amostragem, ao todo, foram entrevistados 35 pais e\/ou respons\u00e1veis de crian\u00e7as atendidas nas diversas especialidades m\u00e9dicas do HCB de setembro de 2022 a janeiro de 2024. Foram exclu\u00eddas 3 entrevistas de pacientes que n\u00e3o tinham diagn\u00f3sticos conclusivos relacionados nos prontu\u00e1rios e analisados os dados coletados de 32 participantes. Destes, 18 (56%) pacientes do sexo masculino e 14 (44%) do sexo feminino. Foram feitas 12 (37,50%) entrevistas com pacientes que visitaram o hospital para uma consulta e outras 20 (62,50%) nas alas de interna\u00e7\u00e3o. Foram identificadas 9 especialidades de entrada do paciente, sendo estas neurologia (37,50%), oncologia (15,63%), alergia, gastroenterologia e psiquiatria (9,38%), nefrologia e pneumologia (6,25%) e hematologia e cardiologia (3,13%). Dos 32 pacientes, 17 (53,13%) com diagn\u00f3stico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), 8 (25%) com S\u00edndrome de Down, 4 (12,50%) com Transtorno do Neurodesenvolvimento e 3 (9,38%) com Transtorno do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o com Hiperatividade (TDAH). A amostra contou com pacientes de 2 a 17 anos, com a frequ\u00eancia de idades conforme Figura 1.<br \/><br \/><br \/><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8807 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-1-Histograma-300x234.png\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-1-Histograma-300x234.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-1-Histograma-768x600.png 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-1-Histograma.png 842w\" sizes=\"(max-width: 475px) 100vw, 475px\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1.<\/strong> Histograma de frequ\u00eancias da idade (anos) de pacientes diagnosticados com condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas relacionadas ao TPS, com idade superior a 2 anos, acompanhados no HCB.<\/p>\r\nImportante ressaltar que n\u00e3o houve diferen\u00e7a significativa da idade em rela\u00e7\u00e3o ao sexo dos pacientes: sexo masculino, idade mediana (AI) = 6,5 (7,0); feminino, 4,5 (8,0), P (teste U de Mann-Whitney) = 0,419.<br \/><br \/>Para a idade, observa-se, na Tabela 1, que n\u00e3o houve diferen\u00e7a significativa em rela\u00e7\u00e3o aos diagn\u00f3sticos dos pacientes estudados e, em rela\u00e7\u00e3o ao sexo, n\u00e3o houve associa\u00e7\u00e3o com os gatilhos avaliados neste estudo.<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-8813 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-103053-300x161.png\" alt=\"\" width=\"412\" height=\"221\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-103053-300x161.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-30-103053.png 601w\" sizes=\"(max-width: 412px) 100vw, 412px\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tabela 1.<\/strong> An\u00e1lise de associa\u00e7\u00e3o da idade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3stico de pacientes diagnosticados com condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas relacionadas ao TPS, com idade superior a 2 anos, acompanhados no HCB.<\/p>\r\n<br \/>No question\u00e1rio utilizado, os gatilhos de desconforto foram categorizados em t\u00e1til, auditivo, visual, olfativo e temperatura, conforme ilustrado na Figura 2. Apesar de n\u00e3o se enquadrar em um sentido espec\u00edfico, a manuten\u00e7\u00e3o da rotina foi identificada por 17 tutores como fator crucial para prevenir a agita\u00e7\u00e3o. Portanto, foi inclu\u00edda nos resultados dos gatilhos de desconforto. \u00c9 compreendido que a organiza\u00e7\u00e3o visual e espacial desempenha papel fundamental na comunica\u00e7\u00e3o das atividades futuras, proporcionando previsibilidade para os pacientes que requerem rotinas bem definidas. Ressalta-se que o est\u00edmulo que causou o maior desconforto para os usu\u00e1rios foi o t\u00e1til (n=21), mencionado por 65,63% dos entrevistados, seguido pelo auditivo (n=18) e visual (n=18).<br \/><br \/><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-8808 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-2-N-de-gatilhos-300x124.png\" alt=\"\" width=\"491\" height=\"203\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-2-N-de-gatilhos-300x124.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-2-N-de-gatilhos-768x317.png 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-2-N-de-gatilhos.png 970w\" sizes=\"(max-width: 491px) 100vw, 491px\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 2.<\/strong> Total de apresenta\u00e7\u00e3o de gatilhos de pacientes diagnosticados com condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas relacionadas ao Transtorno de Processamento Sensorial.<\/p>\r\n<br \/>Apenas 2 pacientes (6,25%) n\u00e3o apresentaram nenhum gatilho, enquanto 3 (9,38%) crian\u00e7as apresentaram desconforto com 1 gatilho, 5 (15,63%) com 2 gatilhos, 9 (28,13%) com 3 gatilhos, 8 (25%) com 4 gatilhos, 4 (12,50%) com 5 gatilhos e apenas 1 (3,13%) paciente apresentou desconforto com os 6 gatilhos relacionados.<br \/><br \/>Para o gatilho olfativo considerou-se como presente o desconforto com qualquer tipo de aroma, entretanto o mais mencionado pelos acompanhantes foi o cheiro de comida. Para o visual, considerou-se inc\u00f4modo com luz excessiva e vistas carregadas de est\u00edmulos visuais de cores, formatos e movimento de imagens ou pessoas. Para aprofundamento dos dados, os gatilhos t\u00e1teis e auditivos foram estratificados conforme Figuras 3 e 4.<br \/><br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8809 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-3-N-de-gatilhos-tateis-300x123.png\" alt=\"\" width=\"485\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-3-N-de-gatilhos-tateis-300x123.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-3-N-de-gatilhos-tateis-768x315.png 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-3-N-de-gatilhos-tateis.png 942w\" sizes=\"(max-width: 485px) 100vw, 485px\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 3.<\/strong> Total de relatos de desconforto a partir da estratifica\u00e7\u00e3o de gatilhos t\u00e1teis.<\/p>\r\nEntre os 21 pacientes (65,62%) que identificaram o est\u00edmulo t\u00e1til como gatilho de desconforto, 16 (76,19%) mencionaram o toque de pessoas, 13 (61,90%) citaram as texturas de brinquedos, alimentos e outros itens cotidianos, 7 (33,33%) relataram inc\u00f4modo com a pulseira de identifica\u00e7\u00e3o, que ocasionalmente era colocada no tornozelo da crian\u00e7a quando ela concordava em us\u00e1-la, em vez de no pulso. Al\u00e9m disso, 5 (23,81%) mencionaram desconforto devido \u00e0s texturas dos tecidos utilizados no enxoval (len\u00e7\u00f3is, cobertores, roupas privativas e toalhas) e 2 (9,52%) pacientes apresentaram intoler\u00e2ncia ao contato com cabelo molhado, o que dificultava a higiene pessoal da crian\u00e7a.<br \/><br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8810 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-4-N-de-gatilhos-auditivos-300x123.png\" alt=\"\" width=\"461\" height=\"189\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-4-N-de-gatilhos-auditivos-300x123.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-4-N-de-gatilhos-auditivos-768x315.png 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-4-N-de-gatilhos-auditivos.png 996w\" sizes=\"(max-width: 461px) 100vw, 461px\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 4.<\/strong> Total de relatos de desconforto a partir da estratifica\u00e7\u00e3o de gatilhos auditivos.<\/p>\r\nO est\u00edmulo auditivo com o maior impacto sobre os pacientes foi o ru\u00eddo gerado pela presen\u00e7a de pessoas (14 relatos, correspondendo a 77,78% das respostas), incluindo conversas da equipe assistencial, choros de crian\u00e7as, sons de outras crian\u00e7as durante momentos de brincadeira, ru\u00eddos de televis\u00e3o e do painel de chamada. Em segundo lugar (n=13, 72,22%), foram mencionados os sons repetitivos relacionados a equipamentos, sistemas de climatiza\u00e7\u00e3o e exaust\u00e3o. Os ru\u00eddos s\u00fabitos e impactantes, como portas fechando, queda de bandejas no ch\u00e3o, fogos de artif\u00edcio e escapamento de motos, foram relatados como desconfort\u00e1veis por 12 pacientes (66,67%), enquanto 8 (44,44%) demonstraram inc\u00f4modo com a m\u00fasica. Foi observado que a equipe assistencial entra n<br \/>os quartos dos pacientes cantando e utilizando instrumentos musicais como forma de distra\u00e7\u00e3o e anima\u00e7\u00e3o, no entanto isso resultou em agita\u00e7\u00e3o negativa para algumas dessas crian\u00e7as.<br \/><br \/>Identificou-se na pesquisa que 53,1% dos pacientes t\u00eam prefer\u00eancias luminosas, 35% (6 pacientes) preferem o ambiente mais iluminado e 65% (11), menos iluminado.<br \/><br \/><strong>An\u00e1lise de associa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8811 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-5-Incidencia-de-gatilhos-300x130.png\" alt=\"\" width=\"459\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-5-Incidencia-de-gatilhos-300x130.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-5-Incidencia-de-gatilhos-768x333.png 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-5-Incidencia-de-gatilhos.png 1014w\" sizes=\"(max-width: 459px) 100vw, 459px\" \/>Figura 5.<\/strong> Porcentagem de incid\u00eancia de gatilhos relacionados por diagn\u00f3stico.<\/p>\r\n<p>Os resultados apontam que 100% dos pacientes com TDAH (n=3) e TND (n=4) apresentaram desconforto t\u00e1til. Nenhum paciente com TDAH observou os est\u00edmulos auditivos como fonte de agita\u00e7\u00e3o. Para os pacientes com TEA, a maior preval\u00eancia de desconforto foi relatada em rela\u00e7\u00e3o ao sentido auditivo (64,71%) e \u00e0 necessidade de rotina e previsibilidade (58,82%). O diagn\u00f3stico que mais apresentou desconforto com a temperatura foi o de pacientes com TND. Dentro da classifica\u00e7\u00e3o de temperatura, os pacientes com TEA foram os \u00fanicos que apresentaram desconforto com frio (n=4), enquanto os outros diagn\u00f3sticos relataram quadros de agita\u00e7\u00e3o com calor.<br \/><br \/>O olfato apresentou-se como o sentido que menos gerou desconforto em todos os pacientes da amostra, sendo mais mencionado por pacientes com TND (50%). Para os pacientes com S\u00edndrome de Down, o que mais gerou apreens\u00e3o foi o est\u00edmulo visual (75%), enquanto o olfativo foi menos mencionado (12,50%).<br \/><br \/>Observa-se que, para o local de coleta, houve associa\u00e7\u00e3o significativa com os gatilhos tato e texturas. Pacientes submetidos \u00e0 coleta na interna\u00e7\u00e3o apresentaram 5,600 vezes mais chances de terem o tato como gatilho e 6,111 vezes mais chances de terem texturas como gatilho, comparados aos pacientes do ambulat\u00f3rio. Infere-se por esse fen\u00f4meno que a crian\u00e7a est\u00e1 mais exposta a diferentes materiais e comidas quando est\u00e1 no leito de interna\u00e7\u00e3o. Assume-se que, quando a crian\u00e7a est\u00e1 em casa, os tutores oferecem alimentos que desencadeiam menos rea\u00e7\u00f5es de desconforto, enquanto, na interna\u00e7\u00e3o, \u00e9 estimulada uma refei\u00e7\u00e3o balanceada, podendo conter alimentos novos e com texturas que desagradem o paciente.<br \/><br \/>No que concerne aos desencadeadores identificados, a an\u00e1lise da Figura 6 indica uma diferen\u00e7a not\u00e1vel na rela\u00e7\u00e3o entre a temperatura e a idade dos pacientes. Foi observado que os indiv\u00edduos que identificaram a temperatura como gatilho apresentavam idade significativamente inferior \u00e0 daqueles que n\u00e3o o fizeram. Foram relatados casos de n\u00e1useas e prurido cut\u00e2neo associados \u00e0s elevadas temperaturas do ambiente. Esses relatos evidenciam o impacto direto das experi\u00eancias sensoriais na sa\u00fade f\u00edsica dos pacientes, corroborando a hip\u00f3tese de que tais est\u00edmulos desencadeiam uma resposta fisiol\u00f3gica substancial.<br \/><br \/><\/p>\r\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8812 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-6-Box-plot-de-idade-300x242.png\" alt=\"\" width=\"418\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-6-Box-plot-de-idade-300x242.png 300w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-6-Box-plot-de-idade-768x620.png 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Figura-6-Box-plot-de-idade.png 798w\" sizes=\"(max-width: 418px) 100vw, 418px\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 6.<\/strong> Boxplot da idade (anos) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 temperatura como gatilho em pacientes diagnosticados com condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas relacionadas ao Transtorno de Processamento Sensorial.<\/p>\r\n<br \/>Durante as entrevistas, 27 (84,4%) acompanhantes relataram que os pacientes tinham prefer\u00eancias por ambientes abertos ou compartimentados. Destes, 18 (66,7%) pontuaram que ambientes menores seriam mais c\u00f4modos, enquanto 9 (33,3%) relataram prefer\u00eancia por ambientes amplos. Os 5 (15,6%) restantes n\u00e3o souberam definir.<br \/><br \/><strong>Discuss\u00e3o<\/strong><br \/>Considerando que as respostas foram obtidas por meio das entrevistas com pais e tutores das crian\u00e7as, estas est\u00e3o relacionadas \u00e0 percep\u00e7\u00e3o que os respons\u00e1veis atribu\u00edram aos fen\u00f4menos abordados, e n\u00e3o um relato do pr\u00f3prio paciente. A aplica\u00e7\u00e3o de question\u00e1rio com tutores \u00e9 usual (Neumann, 2017 P.150), tendo em vista que parte dos usu\u00e1rios \u00e9 n\u00e3o verbal e nem sempre possui maturidade para descrever suas pr\u00f3prias sensa\u00e7\u00f5es.<br \/><br \/>Os relatos dos participantes confirmam a hip\u00f3tese de que a experi\u00eancia sensorial tem impacto fisiol\u00f3gico significativo. Nesse sentido, foram descritas manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas como estresse, irritabilidade e inquieta\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de sobrecarga sensorial.<br \/><br \/>Os achados relacionados aos gatilhos auditivos para desconforto condizem com o estudo de Neumann (2017), demonstrando que o impacto da alta intensidade de ru\u00eddo \u00e9 capaz de desestruturar o psicol\u00f3gico humano, principalmente com sons inesperados e altas frequ\u00eancias, em especial em pessoas que processam os sentidos de maneira diferente, como o grupo de estudo. As respostas emocionais relatadas nas entrevistas incluem casos de m\u00e3os na orelha, grito, choro, agita\u00e7\u00e3o, nervosismo e autoagress\u00e3o. Alguns mencionam sentimentos de medo, ansiedade e at\u00e9 mesmo dor f\u00edsica, com relatos de crian\u00e7as tapando com as m\u00e3os os ouvidos ou os olhos. <br \/>Na mesma linha, quanto aos est\u00edmulos luminosos, considerando que mais da metade dos pacientes apresentou prefer\u00eancia quanto ao n\u00edvel de ilumina\u00e7\u00e3o, infere-se que a melhor maneira de proporcionar conforto ao usu\u00e1rio \u00e9 oferecer autonomia para escolha, visto que essa possibilidade de manipula\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o pode alterar o humor, o comportamento e a percep\u00e7\u00e3o do paciente neurodivergente (Nair, 2022, p.11).<br \/><br \/>Resultados de estudos anteriores (Finnigan, 2024, p.12; Nair, 2022, p.09) apontam que a maioria das crian\u00e7as com TEA prefere as luzes de LED, visto que as brilhantes e que piscam tendem a causar comportamentos de agita\u00e7\u00e3o e estresse extremo devido \u00e0 sensibilidade luminosa. Importante ressaltar que a intensidade da luz e a temperatura de cor devem ser trabalhadas juntas, pois ambos os fatores desempenham papel essencial na percep\u00e7\u00e3o do entorno (Nair, 2022, p.09).<br \/><br \/>A organiza\u00e7\u00e3o espacial tamb\u00e9m se mostrou um aspecto importante para a sensa\u00e7\u00e3o de familiaridade e predi\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, visto que a desordem leva \u00e0 sobrecarga de est\u00edmulos e ao reflexo de fuga (Steinicke, 2022). Isso se deve \u00e0 import\u00e2ncia da rotina, da ordem, da regularidade e da previsibilidade para esse perfil de paciente (Nair, 2021). Os achados da pesquisa ressaltam a import\u00e2ncia de adaptar os espa\u00e7os voltados para o p\u00fablico para acomodar uma variedade de necessidades sensoriais, especialmente nas \u00e1reas de espera do ambulat\u00f3rio.<br \/><br \/>Relatos sobre os gatilhos t\u00e1teis e visuais levantaram a reflex\u00e3o sobre prox\u00eamica e elementos din\u00e2micos, especialmente no que se refere ao espa\u00e7o pessoal e \u00e0 sobrecarga sensorial em contextos sociais. Observa-se uma associa\u00e7\u00e3o entre a prefer\u00eancia por espa\u00e7os amplos ou compartimentados e o desconforto decorrente do contato f\u00edsico inesperado. Ambientes compartimentados proporcionam uma zona de seguran\u00e7a controlada em espa\u00e7os limitados, enquanto \u00e1reas amplas oferecem distanciamento f\u00edsico em rela\u00e7\u00e3o a outros indiv\u00edduos. Essa quest\u00e3o foi levantada com base nos relatos, considerando que a aus\u00eancia de terminologia espec\u00edfica em parte dos participantes pode ter influenciado a completa express\u00e3o de suas experi\u00eancias.<br \/><br \/>Os participantes compartilharam que o desconforto visual surge quando h\u00e1 muito movimento combinado com cores vibrantes, ru\u00eddos ou multid\u00f5es, resultando em um desafio sensorial complexo. Com isso, identifica-se a necessidade de estabelecer zonas distintas adaptadas para atender \u00e0s necessidades sensoriais e espaciais \u00fanicas, que permitam autonomia e levem em considera\u00e7\u00e3o as prefer\u00eancias individuais. <br \/>Considerando que o ordenamento visual tem impacto positivo na percep\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio, pontua-se que imagens est\u00e1ticas proporcionam mais conforto. Por outro lado, altos contrastes visuais (cores, luz e sombra) s\u00e3o identificados como negativos. <br \/>Por fim, destaca-se a import\u00e2ncia de oferecer uma diversidade de est\u00edmulos sensoriais em diferentes locais, assim como alcan\u00e7ar um equil\u00edbrio estrat\u00e9gico entre \u00e1reas abertas e fechadas. Nesse contexto, a possibilidade de vista externa para jardins ou \u00e1reas verdes \u00e9 tida como ponto positivo.<br \/><br \/><strong>Conclus\u00e3o e considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><br \/>Considerando a pluralidade dos usu\u00e1rios, em especial no que tange \u00e0 hipossensibilidade e \u00e0 hipersensibilidadade, entende-se que a melhor maneira de proporcionar conforto aos usu\u00e1rios \u00e9 a possibilidade de controlar o ambiente, para que n\u00e3o haja necessidade de brusca adapta\u00e7\u00e3o do exterior para o interior dos edif\u00edcios. Nesse contexto, os elementos pass\u00edveis de controle dentro do contexto de interna\u00e7\u00e3o hospitalar s\u00e3o a ilumina\u00e7\u00e3o natural e artificial, a temperatura, a velocidade de deslocamento de vento, os ru\u00eddos e os est\u00edmulos visuais provenientes de televisores, acionamento de exaustores etc.<br \/><br \/>Espa\u00e7os homog\u00eaneos e sem excesso de informa\u00e7\u00e3o passam a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e conforto visual. Assim, para os elementos fixos, como cores, formas, texturas e brilho, recomenda-se a ades\u00e3o aos padr\u00f5es de m\u00e9dio contraste, como uso direcionado de contrastes, preval\u00eancia de cores neutras e dessaturadas, , proporcionando ambientes com clareza de informa\u00e7\u00f5es visuais. Em locais em que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel controlar as fontes de est\u00edmulos, tais como o hall central do ambulat\u00f3rio, \u00e9 importante oferecer ambientes de fuga, bem como espa\u00e7os para retirada, de acordo com a gravidade do autismo. Para o controle da ilumina\u00e7\u00e3o natural proveniente das janelas, a instala\u00e7\u00e3o de persianas adequadas para ambientes hospitalares \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o simples e de baixo custo de manuten\u00e7\u00e3o. No mesmo sentido, \u00e9 poss\u00edvel separar os circuitos de ilumina\u00e7\u00e3o artificial por meio de interruptores para cada tipo de lumin\u00e1ria (vig\u00edlia, exame, geral etc.).<br \/><br \/>A utiliza\u00e7\u00e3o de sistemas de suporte visual e espacialidades para distinguir fun\u00e7\u00f5es pode ser uma estrat\u00e9gia de disposi\u00e7\u00e3o espacial, considerando que a previsibilidade \u00e9 aliada do conforto. Podemos destacar nesse sentido propostas de caminhos visuais para comunicar sequ\u00eancias de atividades, bem como a compartimentaliza\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00f5es claramente definidas.<br \/><br \/>Com rela\u00e7\u00e3o ao conforto sonoro, destacamos que todo som pode ser positivo e negativo. A presen\u00e7a de sons da natureza, como o ru\u00eddo da \u00e1gua corrente, em ambientes estrat\u00e9gicos, como esperas e recep\u00e7\u00f5es, pode causar sensa\u00e7\u00e3o de conforto, estimulando a independ\u00eancia dos usu\u00e1rios. O uso de sons a certa dist\u00e2ncia traz orientabilidade e no\u00e7\u00e3o de profundidade do espa\u00e7o, evitando incongru\u00eancia entre o espa\u00e7o visual e o auditivo. No entanto, ru\u00eddos de m\u00e1quinas (ru\u00eddo cont\u00ednuo vibracional, frequ\u00eancia baixa e alta intensidade), ru\u00eddos abruptos ou inesperados e de sofrimento, (frequ\u00eancia e intensidade altas) como choro de beb\u00ea, gritos de crian\u00e7as, buzinas, explos\u00e3o de bexiga, j\u00e1 causam desconforto.<br \/><br \/>Observar as normativas de seguran\u00e7a para ru\u00eddo de equipamentos t\u00e9cnicos, bem como o laudo de ru\u00eddo, facilita a gest\u00e3o da localiza\u00e7\u00e3o de fontes de ru\u00eddo no desenvolvimento do layout, al\u00e9m de ser uma estrat\u00e9gia para que o som de um determinado ambiente n\u00e3o interfira de maneira negativa na percep\u00e7\u00e3o do outro, causando irrita\u00e7\u00f5es gratuitas. Nesse sentido, indica-se o isolamento sonoro de ambientes e m\u00e1quinas ruidosas, que, em conjunto com o projeto de condicionamento sonoro, traz espa\u00e7os mais silenciosos de transi\u00e7\u00e3o entre os atendimentos e consult\u00f3rios.<br \/><br \/>Indica-se cuidado com a especifica\u00e7\u00e3o de materiais reflexivos, como piso de porcelanato, que favore\u00e7am a reverbera\u00e7\u00e3o do ambiente, dificultando a inteligibilidade da fala e a comunica\u00e7\u00e3o. Nessa linha, \u00e9 importante destacar o equil\u00edbrio entre absor\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sonoras, com o uso de pisos vin\u00edlicos, forro mineral e materiais fonoabsorventes que permitam a leitura do ambiente de forma r\u00e1pida, sem est\u00edmulos sonoros em excesso, evitando a hipersensibilidade sonora, que funciona como barreira para a percep\u00e7\u00e3o funcional do usu\u00e1rio. A Tabela 2 traz o resumo das diretrizes e as recomenda\u00e7\u00f5es de projeto de acordo com o gatilho sensorial e os est\u00edmulos sensoriais com impacto negativo esperado.<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8814 aligncenter\" src=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/241128_revista_IPH_21_00-22_page-0001-206x300.jpg\" alt=\"\" width=\"352\" height=\"513\" srcset=\"https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/241128_revista_IPH_21_00-22_page-0001-206x300.jpg 206w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/241128_revista_IPH_21_00-22_page-0001-768x1116.jpg 768w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/241128_revista_IPH_21_00-22_page-0001-1057x1536.jpg 1057w, https:\/\/iph.org.br\/en\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/241128_revista_IPH_21_00-22_page-0001-1409x2048.jpg 1409w\" sizes=\"(max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tabela 2.<\/strong> Resumo das diretrizes e recomenda\u00e7\u00f5es para ambientes hospitalares diante dos gatilhos sensoriais e os est\u00edmulos sensoriais com impacto negativo encontrado.<\/p>\r\n<br \/>Assim, a proposi\u00e7\u00e3o de quartos individuais, localizados no fim do corredor, pode proporcionar mais conforto aos pacientes ao reduzir o impacto dos ru\u00eddos e a circula\u00e7\u00e3o de pessoas, al\u00e9m de oferecer uma gama diversificada de experi\u00eancias ao usu\u00e1rio. Analogamente, podem ser planejadas salas de espera especiais com tratamento ac\u00fastico, ilumina\u00e7\u00e3o suave, temperatura controlada e um ambiente compartimentado. A proximidade de um consult\u00f3rio adequado \u00e0 sala de espera e a implementa\u00e7\u00e3o de um prontu\u00e1rio afetivo, contendo informa\u00e7\u00f5es sobre as prefer\u00eancias e limita\u00e7\u00f5es do paciente, tamb\u00e9m podem ser consideradas.<br \/><br \/>Um dos principais desafios deste estudo \u00e9 a falta de trabalhos adicionais e normas adequadas sobre o assunto, o que pode dificultar a precis\u00e3o da pesquisa. No entanto, muito pode ser aprendido monitorando a satisfa\u00e7\u00e3o de pacientes e acompanhantes com estudos de avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-ocupa\u00e7\u00e3o, como frequentemente \u00e9 feito em pesquisa e pr\u00e1tica arquitet\u00f4nica.<br \/><br \/>Apesar dessas limita\u00e7\u00f5es, o estudo proporcionou compreens\u00e3o acerca do tema e do subgrupo analisado, destacando a necessidade de pesquisas mais amplas e interven\u00e7\u00f5es de projeto inovadoras para apoiar e atender \u00e0s necessidades sensoriais at\u00edpicas em hospitais pedi\u00e1tricos.<br \/><br \/>Neste trabalho, foram levantados os desencadeadores de desconforto sensorial em crian\u00e7as neurodivergentes dentro do contexto do hospital pesquisado. Os achados confirmam a quest\u00e3o de pesquisa de que o ambiente constru\u00eddo tem grande relev\u00e2ncia no conforto e na resposta emocional desses pacientes. A abordagem qualitativa e o question\u00e1rio semiestruturado proporcionaram uma vis\u00e3o geral dos problemas a serem sanados para futuras adequa\u00e7\u00f5es espaciais nos ambientes utilizados por esses pacientes. Os resultados da pesquisa foram analisados e interpretados antes de serem contextualizados nos espa\u00e7os onde foram coletados, resultando em recomenda\u00e7\u00f5es para a equipe de arquitetura e outras partes respons\u00e1veis para impulsionar a cria\u00e7\u00e3o de ambientes interiores salutog\u00eanicos e mais confort\u00e1veis para crian\u00e7as com TPS. As diretrizes propostas n\u00e3o representam uma solu\u00e7\u00e3o \u00fanica para projetos arquitet\u00f4nicos adequados para a popula\u00e7\u00e3o neurodivergente em geral, considerando a necessidade de projetos personalizados para distintos grupos. No entanto, oferecem uma vis\u00e3o das necessidades do subgrupo espec\u00edfico dos pacientes pedi\u00e1tricos do hospital em estudo, observando suas condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas.<br \/><br \/><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>BARKER, K. <strong>Sensory Design For Autism.<\/strong> 2014. Retirado de Ghazali, R. Preliminary Study on Sensory Design for Autism Center. 8th Asia-Pacific International Conference on Environment-Behaviour Studies. The University of Chesterfield, Reino Unido, 2018. Dispon\u00edvel em https:\/\/ebpj.e-iph.co.uk\/index.php\/EBProceedings\/article\/view\/1392. Acesso em 5 de junho de 2022.<br \/><br \/>BRAUN, V.; CLARKE, V. <strong>Using thematic analysis in psychology.<\/strong> Qualitative Research in Psychology, 3(2), 77-101, 2006. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/235356393_Using_thematic_analysis_in_psychology. 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